Caminhoneiros desdenham de propostas do governo e já falam em nova greve

Resultado de imagem para greve de caminhoneiros 2019Rodolfo Costa
Blog do Vicente Nunes

As medidas anunciadas pelo governo para solucionar a vida dos caminhoneiros não colaram para a categoria. Para eles, medidas como a liberação de linhas de financiamento do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a construção de pontos de parada e de descanso nas rodovias em regime de concessão, obras em estradas e até a fiscalização do piso mínimo de frete não convenceram. Em grupos de WhatsApp, já se fala abertamente em promover nova greve, como a paralisação em 2018, sugerindo a obstrução de rodovias. Os mais radicais falam em greve já em 21 de maio.

PELO WHATSAPP – O Blog obteve acesso a protestos de caminhoneiros em dois grupos de WhatsApp. O Comando Nacional do Transporte, que conta com 188 participantes de norte a sul do país, e a Transporte Rodoviário de Carga (TRC), que tem 197 membros. São vários líderes dentro dos dois grupos que, por sua vez, representam outros transportadores autônomos nas respectivas regiões ou nos estados.

O processo de paralisação é definido basicamente nesses dois grupos, que concentram as principais lideranças. A possibilidade real de greve ainda não existe. Por ora, o que tem são queixas, pondera o caminhoneiro Ivar Schmidt, líder do Comando Nacional de Transporte. Entretanto, admite que, após as medidas anunciadas pelo governo, uma nova greve pode ocorrer este ano. “Não irei incentivar jamais, mas, enquanto não houver o cumprimento da fiscalização da jornada de trabalho, paralisações podem ser deflagradas a qualquer momento, por qualquer motivo”, assinalou.

A argumentação do governo para cumprir com a jornada de trabalho da categoria, de 8h mais 2h extras diárias, não convence a categoria.

PONTOS DE PARADA – O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, afirmou que serão construídos pontos de parada e descanso nas rodovias concedidas. “Já estamos aumentando a fiscalização e vai aumentar ainda mais. A Lei do Descanso a gente tem que atuar na provisão de infraestrutura para que haja o descanso. Tem que haver o descanso, mas onde vai parar o caminhoneiro? Não tem segurança, local de parada adequada. Muitas vezes o local não permite que tenha um banho e é quase impelido a seguir em jornada quase suicida para chegar ao seu destino o mais rápido possível”, explicou.

A promessa não convence a categoria. A construção de pontos é avaliado por eles como garantia de segurança, e não como uma medida que fortalece a categoria. Como o Correio revelou em matéria publicada na terça-feira (dia 16), o cumprimento da jornada de trabalho é uma medida mais eficaz para equilibrar o excesso da oferta com a demanda no setor do que o próprio piso mínimo de frete.

“Pontos de parada não vai resolver o problema da jornada, que se resolve com fiscalização. PRF tem que parar caminhões e punir quem não cumpre com a jornada de trabalho, como é feito em países de primeiro mundo”, destacou o caminhoneiro Aldacir Cadore, líder de caminhoneiros do entorno do Distrito Federal.

CLIMA QUENTE – As lideranças evitam falar em greve, mas a leitura dos líderes é que está mais difícil conter os ânimos. “A paralisação tem efeito dominó. Basta um autônomo tomar a iniciativa em uma região e aí é questão de horas ela se alastrar em todo o país. Não tem data nem horário para começar, nem terminar. Sou totalmente contra uma nova greve, mas é o desenho que vejo hoje nos grupos por medidas erradas do governo e a falta de representatividade certa da categoria”, advertiu Cadore.

A avaliação feita por caminhoneiros é de que as medidas anunciadas pelo governo não dão garantias concretas para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. “Isso aí não é nada, nada. Não tem com o que se apegar. Não temos garantia de nada.  Ou o governo está muito mal assessorado ou quem conversa com o governo por nós está passando as coisas erradas”, criticou um caminhoneiro.

Outro diz que é preciso parar as grandes transportadoras. “Temos que saber a força que nós temos e fazer eles parar na marra. O governo está morrendo de medo de nós pararmos de novo. É só anunciar que vamos parar que, daqui a uma semana e vocês vão ver o que acontece. Estão analisando nós, ensaboando nós e estamos ficando quietinhos. Simplesmente não dá mais. Temos que chegar e ser unidos. Temos união. É só unir todo mundo. Temos que parar mesmo”, comentou o caminhoneiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Essa categoria profissional já provou sua força. Os caminhoneiros autônomos são explorados demais. Se o governo não lhes der ouvidos, as coisas vão se complicar. (C.N.)

9 thoughts on “Caminhoneiros desdenham de propostas do governo e já falam em nova greve

  1. Tá certo que os caminhoneiros tem força, só que se eles puxarem demais o elástico, este vai arrebentar também na cara deles.
    Vão dar um tiro na nação e no próprio pé.

  2. NÃO! NÃO É ESMOLA! É PATRIOTISMO!
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    Patriotismo esse que, vindo de um bozó como esse, vale muito menos que uma esmola….
    LOROTA! Marqueting vigarista!

    O pior é que tem gente que acredita!

  3. Tive caminhão (dois) e muitos aqui não fazem idéia do que é ter um caminhão (gasto com pedágio, peças, oficinas, pneus, lonas dentre outros).
    Criticar sem conhecer é muito fácil. Alguém aqui sabe quanto custa um pneu de caminhão??? O mais barato sai por R$ 1.300,00 e os caminhões mais simples precisam de 11 pneus. Alguém aqui sabe quanto custa o pedágio para o caminhoneiro (valor cobrado por eixo)?? Alguém imagina quanto custa uma manutenção de bomba injetora do caminhão???
    Por favor, vamos parar de ideologia barata e critiquem o que vocês tenham o “mínimo” de conhecimento e não fiquem como o Sr Olavo, que fica dando pitaco no que não conhece.
    Não concordo com o desabastecimento que a greve irá promover, mas a causa dos caminhoneiros é muito justa.

  4. Todos têm razão. O fato é que, no atual momento, existe oferta de caminhões maior que a necessidade. Isto porque a economia não vai bem e não destrava. Quando os congressistas fisiológicos resolverem trabalhar mais pelo país e menos por eles mesmos, poderá ser tarde. Aguardemos. A oposição nada pode pois se resume a 25% dos votos, mas o centrão a usa para vender caro um apoio que deveria ser natural para o país. Mas isto aqui é jabuticabeira em época de dar. O Brasil vai ser um país de camelôs, se não mudarem as mentes daqueles que dirigem os destinos desta nação. A pobreza chegará a todos, podem acreditar.

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