Campanhas eleitorais, no fundo, dependem mesmo é dos candidatos

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Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Pedro do Coutto

Pesquisas eleitorais, como eu já afirmei aqui na TI, são as únicas cujos resultados podem ser comprovados na prática. As únicas. Porque todos sentem que a Rede Globo lidera a audiência na televisão. Mas os resultados dos levantamentos podem ser encontrados – acredito – no site do Ibope, porém não são de conhecimento geral. Os votos, ao contrário, têm divulgação pública assegurada pelos fatos. Agora, nem sempre, entretanto, as primeiras pesquisas reveladas se confirmam na reta final dos confrontos.

É natural, nenhuma novidade nisso. O fenômeno não credita, se confirmada a previsão inicial, tampouco desacredita os trabalhos realizados. Isso porque as tendências do eleitorado podem mudar de um instante para outro. Aí é que está o problema. Os momentos são mutantes, os desempenhos dos candidatos (estou me referindo a eleições majoritárias) também.

Definições do eleitorado não são invariáveis de início a fim. Dependem em grande parte do desempenho dos candidatos ou das candidatas. Os votos dos grupos sociais de menor renda são um exemplo. As manifestações das classes médias e ricas – ricas constituem uma minoria – projetam-se primeiro nos levantamentos do Ibope e do Datafolha. Correm de ponta, portanto. As definições das classes pobres – a maioria – aparecem no final. Tem sido sempre assim desde 1945.

PROCESSO FLEXÍVEL – Este processo não varia. Nem sempre os segmentos de renda mais baixa elegem seus favoritos. Em muitos casos não dá para anular a diferença. Mas a distância se encurta. O processo eleitoral é flexível.

Flexível porque, na hora da decisão, depende do desempenho pessoal de cada um, de seu poder de convencimento, dentro, é claro, dos limites que a lógica impõe. Cada pessoa tem a sua individualidade, seu magnetismo, seu carisma, seus dados positivos e negativos aos olhos da multidão.

O professor norte-americano Nate Silver, profundo conhecedor do tema relativo às pesquisas em geral, escreveu um livro notável, “O Sinal e o Ruído”. Nele aborda porque pesquisas eleitorais falham e porque acertam.

A obra é fascinante, porém não inclui o fator desempenho entre os efeitos principais que podem levar à mudança do comportamento dos eleitores e eleitoras diante dos candidatos. Seu universo de pesquisa, claro, repousa nos Estados Unidos.

ERROS EM PESQUISAS – Entre os exemplos citados por Silver, destaca-se a falha de um instituto que projetou a vitória de Thomas Wilkes sobre Harry Truman, quando o vice de Franklin Roosevelt, morto em 45, terminou vencendo a eleição para Casa Branca. Mas foi um instituto entre outros que prognosticaram a vitória do candidato do Partido Democrata.

Destaca também o desfecho de 68, quando Richard Nixon derrotou Hupert Humphrey. Uma semana antes das urnas, Jaqueline Kennedy anunciou seu casamento com o bilionário Aristoteles Onassis. As núpcias chocaram o Partido Democrata. Além disso, o governador do Alabama, George Wallace, decidiu concorrer pelo Partido Independente. Ele era do Partido Democrata. Alcançou 10 por cento dos votos, que seriam de Humphrey, conquistando os colégios do seu Estado e mais os de Louisiana e Kentucky. As pesquisas que apontavam não erraram.  O que mudou foram as condições da disputa.

As mudanças de rumos pertencem à existência humana. As eleições estão, portanto, sujeitas a imprevistos. Eles acontecem e, em muitos casos, tornam-se essenciais. Política é como nossa vida. Um jogo.

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