Candidatos paulistas

Sebastião Nery

Getúlio Vargas era chefe do Governo, em 1943, veio a São Paulo participar de comemorações no 2º Exército, comandado pelo general Mascarenhas de Morais. Com ele, o interventor Fernando Costa, o secretário da Fazenda Coriolano de Góis e seu filho, bem garoto e bem carioca, Virgílio de Góis.

Houve um campeonato de “tiro aos pombos”. Participava o campeão nacional, um major do 2º Exercito, que nunca errava uma: o pombo voou, ele derrubava. Naquele dia, o major estava de azar.

Voou o primeiro pombo, “páaaaaaa”. Errou. Voou o segundo, “páaaaaaaa”. Errou de novo. O major foi ficando encabulado, vermelho, aflito, desistiu. O menino Virgílio puxou o braço do pai:

– Pai, ele não é o campeão? Por que não acertou nem uma vez?

– Cala a boca, Virgilio!

Não adiantava. O major já tinha ouvido. Getúlio também. Getúlio tirou o charuto da boca, consolou o major:

– Major, não se incomode. O senhor atira bem. Os pombos é que voam mal.

(Há meses Lula se desespera para ver se acerta ao menos um tiro e consegue arrancar a candidatura de Haddad dos humilhantes 8%. Culpa o povo. O povo voa bem. O PT é que anda desmoralizado e atira mal).

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CASTELO

1º de maio de 1966. Castelo Branco, Presidente, veio a São Paulo e , devia assistir ao desfile do dia do Trabalhador da sacada da mansão do conde Matarazzo, na avenida Paulista. Abreu Sodré, governador, tinha brigado com o conde. No aeroporto, cortou a jogada do conde:

– Presidente, não fica bem homenagear os trabalhadores da sacada de um bilionário, símbolo dos grandes ricos paulistas.

Sodré deixou Castelo na porta do conde e foi a pé até o palanque que o governo do Estado tinha armado na frente do Masp. Castelo entrou na casa do conde, tomou aperitivo e saiu para o palanque de Sodré.

(O PSDB quer ganhar a eleição na janela dos condes paulistas).

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SODRE

No governo Medici, Abreu Sodré vivia com medo de uma intervenção do 2º Exército. Um dia, houve a invasão da Universidade de São Paulo pelas tropas do 2º Exército. O governador ficou furioso. Aquilo ia arrebentar a velha imagem do udenista liberal e lacerdista. Logo depois, Sodré recebeu um telefonema do comandante do 2º Exército:

– Dr. Sodré,o senhor podia vir ao quartel-general?Precisamos conversar.

– General, quem precisa mais conversar sou eu. Estou perplexo com o que houve, Mas não vou ai não. O senhor é que precisa vir cá dizer-me por que e como aconteceu isso.

Sodré ficou no Palácio esperando o pior. Quem sabe, uma ameaça de Brasília. Daí a pouco, chega o general carregado de mapas e croquis:

– Olhe aqui, governador, o que apreendemos na USP: seis fuzis, uma metralhadora, quinze revólveres, coquetéis Molotov, muita munição.

– Como, general? Esse arsenal lá? Dentro do diretório acadêmico? O senhor viu? Quem viu? Não acredito nisso. O senhor devia perguntar a quem foi lá se encontrou também alguma bomba atômica.

Nunca mais o general falou com ele.

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BORGHI

Hugo Borghi inventou que o brigadeiro Eduardo Gomes, candidato da UDN em 1945 à Presidência da República contra Dutra, havia dito que não precisava de voto dos “marmiteiros”. O Brigadeiro perdeu para Dutra. Hugo Borghi voou para São Borja, desceu na fazenda dos Santos Reis:

– Doutor Getúlio, estou com um drama de consciência. Aquele negócio do voto dos “marmiteiros” o Brigadeiro não falou, eu inventei.

– Deputado, o Eduardo e o Dutra são diferentes. O Dutra é burro e sabe que é. O Eduardo também é, mas pensa que é inteligente. Perdeu. (Serra é o Eduardo Gomes da campanha paulista. Acha que só ele é inteligente. O Russomano prefere ser Dutra : parecer burro e ir ganhando)

 

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