Candidatos são mais decisivos do que os partidos

Pedro do Coutto

O repórter Pedro Dias Leite revelou na Folha de São Paulo de 25 de agosto que, na véspera, o presidente Lula reuniu-se com os dirigentes do PT e do PMDB, Ricardo Berzoini e Michel Temer, para começar a acertar as alianças estaduais, reduzindo as divisões existentes, no sentido de fortalecer a candidatura da ministra Dilma Roussef à sucessão de 2010. Tudo bem, é do jogo político, as articulações das legendas são importantes. Importantes, porém não essenciais. Essencial é o potencial do candidato, no caso candidata. Os que disputam eleições majoritárias têm que contar mais consigo mesmos do que com a força das agremiações partidárias em torno de seus nomes.

Basta lembrar exemplos históricos. Se o peso partidário garantisse o êxito nas urnas, o general Lott, apoiado pela coligação amplamente majoritária no Congresso PSD-PTB, não teria sido derrotado por Jânio Quadros nas eleições de 60. Se força partidária valesse, Fernando Collor, pelo PRN, não teria se tornado presidente na redemocratização de 89. Nessa eleição, Ulisses Guimarães, pelo PMDB, maior partido da época, alcançou apenas a fração de 5% dos votos no primeiro turno. A antiga Arena, em cujos quadros encontrava-se o senador José Sarney até a transição indireta de 85, no sistema então bipartidário mantinha mais de dois terços do Congresso.

Ernesto Geisel, dando sequência ao ciclo dos militares no poder, foi referendado presidente da República pela agremiação de total maioria. Isso no início de 74. Em outubro, no voto direto, o então MDB (o P foi acrescentado em 82) venceu a disputa para senador em dezesseis estados da federação. Os exemplos são muitos ao longo do tempo.

Ia esquecendo de citar Jânio Quadros que, pelo PTN e pelo PDC, foi eleito prefeito de São Paulo em 51 e governador do estado de São Paulo em 54 derrotando o PSP de Ademar de Barros, maior legenda paulista.

O candidato – me disse Juscelino Kubitschek numa entrevista para o Correio da Manhã referente à sucessão de 1960 – tem que se afirmar por si. Apoios são acessórios. Os apoios vêm em função da força dos candidatos. E não o contrário. Candidato que for contar com as siglas partidárias para decolar termina não decolando.

Foi exatamente isso o que aconteceu com o general Lott que, apesar da forte presença que possuia no governo, não apresentava apelo eleitoral. JK sentiu que se o apoiasse na campanha –não o fez- não teria êxito. E causaria com sua participação o rancor do vitorioso. Acertou pela metade. De fato seu apoio entusiasmado não adiantaria, mas, nem por isso, esquivou-se dos ataques do presidente eleito, desfechados poucas horas após ter recebido a faixa no altar do Palácio do Planalto, primeira transmissão do poder em Brasília.

Entre as linhas de Oscar Niemeyer, Juscelino projetava o futuro, como disse Andre Malraux, super intelectual Frances, ministro da Cultura de De Gaulle, ao visitar a capital que disse ser a da esperança. Do futuro do país, mas não do futuro político a curto prazo, já que com sete meses à frente do governo, o vitorioso de 60 renunciava absurdamente em 61. Foi no dia 25 de agosto. Esta semana completaram-se 48 anos. São memórias do passado.

Mas que servem de exemp0lo ao futuro próximo, pois faltam menos de quatorze meses para a sucessão de Lula. As coligações político partidárias não sustentam candidatos ou candidatas. São eles próprios que têm que se sustentar a si mesmos. Quando a candidatura é forte por si, os apoios e os amigos de infância lotam as ante salas e a véspera do poder. Quando não é assim, os potenciais aliados não aparecem. Tampouco os amigos de infância. Uns e outros não atendem ao telefone. Política é assim. A vida humana também.

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