Canibalismo explícito

Carlos Chagas

Entre os mensaleiros, a confusão é geral. Chocam-se suas versões, num espetáculo de canibalismo explícito que só favorece o Ministério Público. No fim, todos são culpados. Para defender-se, cada um ataca o parceiro de ontem . Não sobra ninguém livre de acusações. Tudo numa espécie de ensaio geral, esta semana encenado na mídia através de entrevistas e declarações. Imagine-se a partir de quinta-feira, quando os atores entrarão no plenário do Supremo Tribunal Federal, por meio de seus advogados.

Sequer o Lula é poupado, ainda que permaneça fora do processo. Até de operador principal do mensalão o ex-presidente foi chamado. Sabia? Não sabia? As mensalidades de 30 mil reais eram para pagar dívidas de campanhas anteriores ou para garantir votos para o governo? Delúbio Soares recebia instruções de José Dirceu? E José Dirceu, de quem? Dinheiro público era desviado através do superfaturamento de propaganda encomendada pelo Banco do Brasil? O Banco Rural recebia compensações pelos empréstimos liberados? Marcos Valério partia, repartia e ficava com alguma parte? José Genoíno informava o diretório nacional do PT ou era apenas desinformado?

Não tem fim essas e outras indagações agora respondidas pelos próprios réus. Mesmo conflitantes, suas denúncias vão derrubando as próprias defesas, como num castelo de cartas impossível de ser mantido de pé. Um único comentário resume tudo: bem feito para eles!

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INVERSÃO TOTAL

Denuncia o ex-embaixador do Brasil na Inglaterra e nos Estados Unidos, Rubem Barbosa: o estado do Texas manda sucessivas missões comerciais ao Brasil para localizar inovações industriais e oferece financiamento milionário para nossos empresários levarem suas empresas para lá. Resultado: não só criamos empregos nos Estados Unidos como transferimos tecnologia.

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NOVA LEI FALCÃO

O PT mobilizou seus advogados para pleitearem a censura junto ao Tribunal Superior Eleitoral. Querem proibir a exibição de cenas do julgamento dos réus do mensalão nos programas de propaganda eleitoral gratuita pelo rádio e a televisão. Nada mais negativo para os companheiros do que essa proposta de uma nova Lei Falcão. Ficariam os candidatos às eleições de outubro limitados diante de temas que o país inteiro assiste e discute. Daqui a pouco, nas telinhas, só nome e número.

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DANDO DE GRAÇA

Atribui-se à presidente Dilma o apoio à pretensão do PMDB de fazer os presidentes da Câmara e do Senado, para o biênio 2013-14. Tudo bem quanto ao Senado, onde o partido de Michel Temer dispõe de folgada maioria. O problema está em que, na Câmara, a bancada majoritária é do PT. Seria natural, até pela lei das compensações, que os companheiros ficassem com a presidência.

O singular é que Dilma pertence ao PT. Mais estranho ainda, que ninguém no partido tenha protestado ou sequer reivindicado o cargo, pelo jeito já destinado ao deputado Henrique Eduardo Alves, do PMDB…

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