Caos causado por uma greve curta mostra o erro do abandono das ferrovias

Cadê o Trem

A ferrovia é um meio de transporte desprezado no país

Mário Assis Causanilhas

O caos criado por poucos dias de protestos de caminhoneiros motivou importante artigo de um dos maiores especialistas brasileiros, Antonio Pastori,  mestre em Economia e pós-graduado em Engenharia Ferroviária. Pastori é coordenador do Grupo Fluminense de Preservação Ferroviária – GFPF. Seu artigo foi publicado no site “Meio Ambiente” e precisa ser transcrito em outros espaços de informação, para que se rediscuta a opção ferroviária como meio de transporte.

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CADÊ O TREM?
Antonio Pastori

O protesto dos caminhoneiros contra o aumento excessivo dos combustíveis levou vários comentaristas das mídias a trazerem para o debate a questão do transporte ferroviário. Muitos afirmam que se a carga fosse por ferrovia não haveria essa paralisação, porque o custo do transporte é menor, que o trem é o modo ideal para transportar cargas por longas distâncias (entre 200 e 1.000 km), é menos sujeito a acidentes e assaltos, polui menos, etc.

Os comentários também lembravam a opção dos governantes pelo modo rodoviário e o consequente abandono das ferrovias a partir dos anos 1960. Como resultado dessa escolha insana, vale lembrar a crescente estatística de mortes nas estradas: mais de 50 mil/ano. Falou-se também da eficiência do transporte ferroviário sem, contudo, apresentarem os números que o comprovem.

COMPARAÇÃO – Vejamos alguns dados comparativos para se transportar o equivalente a seis mil toneladas de carga por mil quilômetros. Um trem precisaria de 86 vagões; pelo modo rodoviário, seriam necessárias 172 carretas; o trem consumiria 36 mil litros de diesel; os caminhões entre 90 a 100 mil litros; o espaço ocupado pelo trem seria de 1,6 km; os caminhões formariam uma fila de 3,5 km; bastaria um único maquinista para conduzir essa carga por trem, contra 172 caminhoneiros, sem contar os ajudantes.

Os mais precipitados diriam que o trem eliminaria empregos. Ledo engano: os caminhões continuariam com seu papel importante na integração dos modos, porém percorrendo distâncias menores, podendo o caminhoneiro fazer mais viagens/dia. O caminhão, graças a sua enorme mobilidade, recolheria as cargas na origem levando-as até um Centro de Distribuição-CD para serem embarcadas no trem e levadas até outro CD, onde seria transbordada novamente para os caminhões levarem-nas ao seu destino final, não muito longe do CD. Voilà!

INTEGRAÇÃO MODAL – Esse modelo de integração modal (trem+caminhão) é simples, perfeito e funciona a contento em muitos lugares do mundo desenvolvido, inclusive nos BRICs. Mas, como jabuticaba só tem no Brasil, ainda não seria possível implantá-lo, simplesmente porque no nosso modelo jabuticaba ferroviária não há capacidade (trens) disponível para transportar carga geral. No Brasil funciona a lógica do corredor de exportação para transportar commodities como minério de ferro, aço, soja, milho e outras. Mais de 85% da carga transportada por ferrovia é produzida por empresas que são acionistas das concessionárias ferroviárias, que exploram a malha desde 1996.

Traduzindo em números, o Brasil movimentou 1.656 bilhão de toneladas por km, em 2015. Deste total, 1.076 bilhão (65%) foram carregados via rodoviária e o restante por outros modos, sendo apenas 20% por trilhos. Em resumo, não tem espaço na ferrovia para carga geral como alimentos, bebidas, remédios, eletro-eletrônicos, cimento, tijolo, material construção civil, móveis, automóveis, produtos químicos, combustíveis, etc.

SEM CHANCES – Teoricamente, se esse modelo de integração rodo-ferroviário estivesse funcionando em proveito da sociedade, a greve desses dias não teria causado tantos impactos negativos no abastecimento, até porque, nesse modelo racional haveria trens de passageiros de média e longa distância ligando o nosso País continental e, portanto, bem menos veículos e acidentes nas estradas.

Mas, infelizmente, não há chances de mudar tão cedo, pois o governo adora esse modelo: são divisas que a ferrovia trás para engordar a Balança Comercial. Inclusive o governo quer renovar as atuais concessões da jabuticaba ferroviária por mais trinta anos. Oremos, pois, para não sermos incluídos nas estatísticas de mortes nas estradas!

29 thoughts on “Caos causado por uma greve curta mostra o erro do abandono das ferrovias

    • A PGR Raquel Dodge tem que ser responsabilizada pela greve dos caminhoneiros !!!

      Se ela tivesse feito a 3ª denúncia contra Temer lá atrás como deveria nada disso estaria acontecendo.

      Ela cometeu e comete crime de prevaricação !!!

  1. QUEM ENDOSSA ISTO? Os causadores dos bloqueios de rodovias (algumas empresas transportadoras) fizeram acordo para reduzir o custo do diesel, sendo a parte reduzida subsidiada pelo governo, sem redução dos preços da gasolina e gás nem mexer na política da Petrobrás que continuará sendo saqueada. Assim a canalhice só faz aumentar os problemas do país, esse acordão vai estourar mais adiante e será muito pior para a população se cortarem tributos sobre COFINS/PIS porque isto ampliará a vulnerabilidade da Seguridade Social e da Previdência, outras áreas que também estão sendo ameaçadas por esse capitalismo selvagem encastelado no poder.

  2. O modo ferroviário foi drasticamente erradicado no Brasil, na década de sessenta, como os bondes, lotações, ao menos na cidade do Rio de Janeiro. Há anos recebemos notícias de ferrovias sendo construídas no Brasil, como a “Norte/Sul” e outras, mas com notícias de desvios de verbas e com vários trechos inacabados.,
    Qualquer País sério utiliza integrações modais no seu sistema de transporte, mas no Brasil as cargas pouco utilizam os sistemas de cabotagem, fluviais e ferroviários, aumentado com isso, a dependência rodoviária e o custo dos transportes, culminando com a oneração do preço final dos bens e mercadorias adquiridos pela população.
    Finalizando, sugiro que o próximo Presidente do Brasil pense um pouco ao nomear o Ministro dos Transportes, que no meu entendimento, deve ser alguém preparado e com um bom currículo acadêmico, e que se disponha a implementar um “Plano de Transportes decente”, diferente do que até então vem sendo feito por esses fantoches indicados por partidos políticos distantes das necessidades da população brasileira.

  3. SOLUÇÃO = SE LIVRAR DA PORCARIABRÁS

    Este lixo, antro de parasitas, desmandos e corrupção, não pertence aos brasileiros, e sim aos acionistas, a maioria internacional.

    O petróleo não é mais nosso, se é que já foi um dia.

    Chega de burrice ufanista ao defender esta fonte de roubos e prejuízos!

  4. O estado socialista comeu os trens que foram estatizados. Como sempre fazem com as estatais “estratégicas”

    Se não me engano o transporte ferroviário era de investidores privados.

    Essa de caminhões, automóveis acabar com eles, é mais uma cascata da malandragem estatal pra enganar os otários estatistas (massa de manobra da esquerda).
    Nos EUA a indústria automobilística é dezenas de vezes maior que a nossa e nem por isso acabaram com os trens.

    • Por outro lado o nosso “maravilhoso” estado socialista tem regras e impostos, que nenhum país tem, inibindo investimentos em qualquer área da produção.
      Mas o Paraguai está aí mesmo, para quem quer investir com um mínimo de segurança jurídica e financeira. Muitas empresas brasileiras estão se mudando para lá e este país está crescendo a quase 5%.

  5. Estais enganado Mario Jr.
    Existem segmentos industriais, que são estratégicos para o país, se ele (país), tem noção de soberania.
    A industria ferroviária, em seus vários segmentos, é uma delas, e alavanca outras como a siderúrgica.
    A industria naval e offshore, é outra; mas já que nós não somos mais um país; não precisamos nos preocupar com isto.

      • Os chineses são como gafanhotos, se eles conseguirem entrar no Brasil com aval de um possível governo canhoto do tipo abaixa as calças, vai ter engenheiro brasileiro que não vai servir nem pra faxineiro dessas empresas. nem minério ele vão pegar daqui vão trazer de suas reservas da china. São estrategistas tem mais de 5000 anos de historia e sabedoria. Não é atoa que parte da divida dos EUA estão na mão deles.

  6. E esses segmentos são olhados com atenção pelos governos, do matiz que for e até subsidiados se for o caso.
    Aí começa o chororô, mas ninguém se importa com as desonerações dos setores que não são estatais e nem nacionais.

  7. É hora de priorizar o transporte ferroviário – sem estatizar! Nos States o warren buffet investiu pesado em ferrovia.
    Mas com os bostas que temos, o investimento maior é em ajuda ao parlamentar para investir nos seus estados!
    Passe o bastão, general, e deixe um guerreiro assumir o comando para consertar a zona Brasil!

  8. Não sou especialista no assunto mas pelo que leio a respeito do tema vejo que o transporte ferroviário não é menos custoso do que o rodoviário. A manutenção do sistema ferroviário é alto além de ser um transporte apenas de eixo enquanto o rodoviário é ramificado do princípio ao fim, inclusive, em razão disso, possibilita a instalação de centros de distribuição em diversas localidades e não apenas no eixo da ferrovia levando desenvolvimento a diversos pontos do país. Lembro que a previsão de custo da passagem do trem bala Rio – São Paulo era de que seria mais cara do que a passagem aérea para o mesmo trecho, o que demonstra que não é um sistema barato. A desativação do sistema ferroviário ocorreu sobretudo pelo seu custo e pouca objetividade por não ser facilmente ramificável como o rodoviário. É o que penso com base em leituras e observações.

    • Uma vez conversei com um engenheiro de ferrovias ha muito tempo, em ceta altura da conversa ele falou que, nossas ferrovias eram do tipo cata jegue o que aumentava o trajeto e onerava a construção manutenção e operação, pois os puliticus de cada cidade queriam uma estação dentro de suas cidades, ao invés de criar pontos de entroncamentos e redistribuição em um trajeto eficiente em custos e beneficio.
      E isso desde os primórdios até hoje.

  9. Talvez a única análise lúcida da crise.

    Opinião – Sem amortecedores

    JOSÉ PAULO KUPFER
    A adoção de regra rígida de preços pela Petrobras, só de olho na preservação de margens, revela alta dose de insensibilidade política
    São assustadoras a rapidez e a extensão da crise provocada pela paralisação no setor de transporte rodoviário. Em apenas 72 horas, o bloqueio do fornecimento de combustível pelos caminhoneiros, com apoio explícito das associações de transportadores, resultou em colapso parcial dos serviços de transportes urbanos, das operações em aeroportos e do fornecimento de alimentos no varejo.
    Os efeitos do movimento em reação à política de reajustes de preços dos combustíveis adotada pela Petrobras também resultaram em desestabilização da diretoria da empresa e jogaram as cotações de suas ações nos mercados num redemoinho. Não fosse o suficiente, ainda causaram tumulto no governo, bateção de cabeça no Congresso e confusão nos postos de gasolina, com filas para encher o tanque e elevações absurdas de preços, diante do temor de desabastecimento.
    Buscar culpados no pico da crise aguda é a atitude menos produtiva. É possível acusar o governo de não ter se preparado para esse tipo de situação, vendo-se agora obrigado a agir no atropelo e no improviso. Pode-se também criticar a política de preços da Petrobras, que, no limite, igualou o ultrassensível mercado de petróleo/energia ao, por exemplo, segmento de padarias, que também é afetado pelas cotações internacionais do trigo, mas está longe de configurar, diferentemente daquele em que a Petrobras opera, um oligopólio ou mesmo monopólio natural. Mas nada disso colabora com a urgência da busca de uma solução, mesmo que emergencial, para o impasse.
    O momento atual, combinando alta nas cotações internacionais de petróleo e valorização do dólar, configurou uma tempestade perfeita para a política de preços da Petrobras. Não foi previsto nada capaz de compensar os impactos dessa combinação tão explosiva quanto passível de ocorrer. Está em marcha um retorno a uma certa normalidade instável no ambiente global, com o preço do barril de óleo saindo de níveis muito baixos para uma posição intermediária, e o dólar, depois do longo período de afrouxamento monetário, em resposta à grande crise de 2008, voltando de mínimos históricos para patamares mais condizentes com seu peso econômico. Mais cedo ou mais tarde, era inevitável.
    Tudo fica ainda mais complicado e difícil de administrar quando, ao petróleo mais caro e ao dólar mais valorizado, se adiciona, no caldeirão do problema, a concentração da logística no modal rodoviário, o dramático desequilíbrio fiscal e a crise de crescimento em que a economia doméstica está enredada. Numa cadeia de distribuição em que 65% do volume transportado são feitos por caminhões, a briga por margens, atiçada pela fraqueza da demanda, conduz a um colapso se o preço do frete sobe frequente e rapidamente, sem possibilidade de repasse no mesmo nível e ritmo.
    O lado fiscal não é menos problemático. No caso do óleo diesel, a margem da Petrobras na formação do preço nem chega a 15%. O grosso é formado pela parte de transportadores, distribuidores e, sobretudo, por tributos federais e estaduais, que respondem por 40% do preço. Para piorar, em meio à escassez de receitas para fazer frente a seus imensos déficits, União e estados têm forçado, crescentemente, novos aumentos de impostos. De meados do ano passado ao início de 2018, enquanto a margem da Petrobras caía 17%, a parcela dos impostos federais elevou-se em 85% e a dos estaduais, em 15%.
    Cortar tributos para reduzir os preços cobrados nas bombas, a solução emergencial aventada, talvez seja o caminho viável nas atuais circunstâncias, mas tem custos econômicos e políticos fáceis de identificar. Além da incoerência ambiental e fiscal que embute, enfrenta resistências nos estados e deixa a equipe econômica do governo, responsável e fiadora do ajuste das contas públicas, falando sozinha.
    Na verdade, se há um culpado nessa história muitíssima complicada, é a ideia de que a aplicação de ideologias econômicas, com suas derivadas nas políticas públicas, tem a capacidade de resolver de maneira ótima conflitos em sociedades complexas e de alguma forma expostas, como coadjuvantes, aos choques internacionais. Imaginar que uma política rígida de preços – voltada para o objetivo único de preservar margens de comercialização, geração de caixa e lucro, esquecendo-se, portanto, de prever amortecedores para situações e momentos extraordinários – poderia ser praticada indefinidamente sem restrições, em setor tão estratégico da economia, só revela alta dose de insensibilidade política.
    José Paulo Kupfer é jornalista

  10. O governo brasileiro é explorador.
    Conseguiu que os poderes desfrutassem de ótimos salários e mais vantagens, condição intocável por mais que a crise no Brasil se agrave.
    O desemprego, que fez cair a arrecadação da Previdência e de impostos, mostrou que o governo é incompetente porque não encontrou solução para os milhões de desempregados, que se tornaram também devedores.
    O povo está cansado de ver os poderes em excelente situação, enquanto se sacrifica para se sustentar e pagar os tributos.
    A greve dos caminhoneiros comprova o exercício monumental na busca de meios para acabar com a paralisação, inclusive o governo compensará a Petrobrás pelo preço do diesel se manter fixo por um certo tempo, mas nada diz sobre como poderia ser a colaboração dos Três Poderes.
    A greve é justa.

  11. Gostaria da explicação do tal gênio, Pedro Parente, de como a gasolina pura, fornecida pela Porcariabras ao Paraguai, chega às bombas, com a bandeira da Porcaria, a R$ 2,62.

    Vamos acordar para a realidade: Estamos sendo assaltados continuamente pela quadrilha do Temer.

    Simples Assim!

    • Aqui no Brasil muitos não querem que os chineses construam uma ferrovia, porque vai pegar mal para os bandidos que dominam o estado: ver eles terminarem a obra , por exemplo, em dois anos, enquanto uma feita pela nossa malandragem demoraria 30 anos.

      Se os chineses quiserem fazer o mesmo nos EUA, uma semana depois da simplíssima e rapidíssima burocracia cumprida, a obra começa.

      • Imposto único na Califórnia 8,5% um dos mais caros do EUA, em Maryland, 4,5%.

        Praticamente não existem pedágios nas estradas fantásticas dos EUA.

        Fórmula: Não existe roubo ou marajás no setor público dos EUA.

        Sobra progresso!

  12. Por que que o governo tem de ter uma empresa de projetos para construção de ferrovias?
    Se a iniciativa privada pode fazer os estudos os projetos de graça, a unica coisa que o governo tem de fazer é dar a concessão e fiscalizar, se o preço da passagem for alto, façam boicote que o preço abaixa ou se abre outra concessão, tal como a telefonia vários concorrentes no mesmo parquinho.

  13. Os governos que se sucedem são imprevidentes, incompetentes e corruptos.
    A greve dos caminhoneiros comprovou que nunca se pensou em logística no Brasil.
    O brasileiro esquece que faz parte de um todo, que não pode viver isolado dos acontecimentos que são referentes uma categoria, aparentemente.
    O país está parado por uma causa que afeta a todos nós, o transporte, seja ele de mercadorias, coletivo ou individual.
    O pensamento geral é no sentido “do que eu tenho com isso”?
    Na verdade, o governo deixou aberta uma lacuna imensa com o despreparo com esta paralisação.
    Se queremos uma saúde melhor, vamos pedir ajuda aos caminhoneiros.
    Se queremos uma segurança melhor, vamos pedir ajuda aos caminhoneiros.
    Os caminhoneiros se mostram os leões que tínhamos e que agora se soltaram.
    Quem sabe se as reformas que tanto queremos, e que o Congresso não dá a mínima, não esteja na força dos caminhoneiros, que sabem que podem parar o país quando quiserem?
    Queremos a renúncia de Temer? Greve de caminhoneiros.
    Queremos pagar menos aos políticos? Greve dos caminhoneiros.
    Queremos que a tabela do IR seja corrigida? Greve dos caminhoneiros.
    A greve é justa, e está nos ensinando que ainda o povo unido jamais será vencido.

  14. O trem das 7
    Raul Seixas

    Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem
    Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon

    Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem
    Ói, é o trem, não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem

    Quem vai chorar, quem vai sorrir?
    Quem vai ficar, quem vai partir?
    Pois o trem está chegando, ‘tá chegando na estação
    É o trem das sete horas, é o último do sertão, do sertão

    Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais
    Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar

    Vê, é o sinal, é o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões
    Ói, lá vem Deus, deslizando no céu entre brumas de mil megatons

    Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral

    Amém

    Compositores: Raul Seixas

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