Caramba! Os ministros não tomam vergonha. Agora é o ministro Negromonte que se expõe ao ridículo na Festa do Bode.

Carlos Newton

Os governistas enchem a internet de críticas às revistas semanais Veja, IstoÉ e Época (só não atacam a Carta Capital, por motivos óbvios, diante de seu declarado apoio ao governo). Mas essas críticas às três maiores revistas de informação, em boa parte das vezes, não têm razão de ser. Os jornalistas apenas divulgam as irregularidades cometidas pelas autoridades. Devem fazê-lo, têm o dever de fazê-lo. Aliás, esta é talvez a mais importante função da imprensa, seja lá quem estiver no governo, conforme nos ensina o mestre Helio Fernandes.

Pois bem, agora é a revista Época que estampa – e nos espanta – os malfeitos do ministro das Cidades, o baiano Mario Negromonte, do PP, no patrocínio da Festa do Bode. Eleito deputado federal pela quinta vez em 2010, Negromonte não mede esforços e até se expõe ao ridículo ao trabalhar com afinco para eleger o filho Mário como prefeito de Paulo Afonso, maior cidade de sua base eleitoral no norte da Bahia.

Além de ajudar a eleger a mulher, Ena Vilma, para a Prefeitura de Glória, Negromonte usa dinheiro público para se promover e fortalecer também a imagem de Mário Filho, que é deputado estadual. Tudo isso faz parte da estratégia de controle político da região pela família do ministro.

Como se sabe, as festas do bode fazem parte da tradição do Nordeste. Mas na realização de uma desses eventos, semana passada, em Paulo Afonso, município no norte da Bahia, os cartazes espalhados pelas ruas destacaram o nome e o cargo de Negromonte e do filho Mário, ao lado dos logotipos de sete órgãos públicos apresentados como patrocinadores, que o próprio ministro pressionou para que liberassem as verbas.

A repórter Isabel Clemente, da Época, procurou especialistas para ouvir opiniões sobre a exibição do nome de ministro e do deputado na propaganda da festa. “Por si só, o cartaz com o nome de uma autoridade associada a alguma realização fere o princípio constitucional da impessoalidade, segundo o qual nenhuma obra ou realização é fruto do esforço de uma pessoa, mas de um governo, uma prefeitura”, disse a procuradora da República Janice Ascari, de São Paulo.

O procurador da República Rogério Nascimento, que já atuou pelo Ministério Público Eleitoral, também tem preocupações relacionadas à exposição de nome de políticos em cartazes. “Se adversários se sentirem prejudicados e a situação configurar abuso de poder econômico e político, independentemente de haver improbidade, pode ser um caso de propaganda antecipada para o qual a lei prevê multas”, destacou Nascimento.

Assim, Negromonte, que já estava cotado para deixar o cargo na próxima reforma ministerial, já pode ir fazendo as malas. Estava na cara que uma iniciativa dessas tinha mesmo de dar bode (desculpem, mas a piada é irresistível).

 

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