Cardeais brasileiros pressionam por acesso a dossiê sobre escândalos da Igreja

José Maria Mayrink e Andrei Netto (Estadão)

VATICANO – Os cinco cardeais brasileiros que votarão no conclave para eleger o novo papa insistirão na Congregação do Colégio Cardinalício, que começa nesta segunda-feira, 4, no Vaticano, que todos os cardeais tenham acesso ao relatório entregue ao papa emérito Bento XVI, em dezembro, sobre escândalos recentes na Santa Sé. O dossiê seria passado às mãos do novo papa, a quem caberia a decisão de publicá-lo, conforme decisão de Bento XVI.

D. Geraldo Majella

“Pensamos que todos os cardeais devam ter conhecimento do conteúdo desse documento antes do conclave, para termos informações sobre o que realmente aconteceu”, disse ao Estado o cardeal d. Geraldo Majella Agnelo, repetindo o que havia pedido na última quinta-feira.

O cardeal-arcebispo de Aparecida, d. Raymundo Damasceno Assis, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) concorda e afirmou que, pelos seus contatos, esse é o pensamento de muitos cardeais. Segundo a imprensa italiana, o dossiê aborda os escândalos financeiros envolvendo o Banco do Vaticano, denúncias de corrupção e intrigas na Cúria.

A Congregação do Colégio Cardinalício tem duas reuniões preparatórias esta segunda-feira,  na Sala Paulo VI, auditório no interior do Vaticano. No intervalo, os cardeais retornarão às suas residências ou aos locais de hospedagem. É certo que a Congregação continuará amanhã, com pelo menos uma sessão.

Ao todo 209 religiosos são esperados em Roma, dos quais 115 com menos de 80 anos, que negociarão nos próximos dias o nome do futuro pontífice. Até domingo, 3, pela manhã, cerca de 140 cardeais já haviam desembarcado na capital italiana. Pela previsão de d. Geraldo, o início do conclave deverá ser marcado para domingo, 10 de março, ou segunda-feira, dia 11.

O encontro dos cardeais servirá também para troca de opiniões sobre os melhores candidatos à sucessão de Bento XVI, com o objetivo de se chegar a uma lista básica de cinco ou seis nomes. “Existe uma diferença entre esse conclave e o passado, pois em 2005 houve desde o início certo consenso sobre Ratzinger, enquanto agora nenhum nome surge com mais destaque”, observou d. Geraldo.

Na visão de d. Geraldo, o conclave deverá buscar para a sucessão de Bento XVI um cardeal capaz de fazer reformas amplas e profundas na Cúria Romana. Já o cardeal colombiano Ruben Salazar Gomez disse ao jornal Corriere della Sera que o novo pontífice deve primar “pela nova evangelização das terras de tradição cristã”, demonstrando sua preocupação com a perda de fiéis na Europa.

 

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