Cargo na Esplanada dos Ministérios virou tarefa para corrupto

Roberto Barbosa

Cargo de primeiro escalão nos Ministérios já foi tarefa para estadista. Por lá passaram figuras como Ruy Barbosa, Oswaldo Aranha, Gustavo Capanema, Darcy Ribeiro, Celso Furtado, Roberto Campos, Delfim Neto, Mário Henrique Simonsen, Tancredo Neves, José Maria Alkmin e tantos outros que poderia aqui enumerar.

Nos últimos tempos, principalmente na era petista, este ofício se transformou em caso de polícia. A banalização levou ao desprestígio, de forma que hoje é impossível encontrar um único membro de primeiro escalão que detenha o perfil, a experiência e capacidade de muitos antecessores que passaram por Brasília.

Roberto Campos, alvo do ódio nacionalista e esquerdista, que o alcunhou com o codinome Bob Fields, foi testemunha ocular de alguns momentos decisivos da história. Consta que no período em que estava embaixador em Washington, presenciou a tensão na Casa Branca, diante dos mísseis soviéticos instalados em Cuba.

Em certo momento, quando acompanhava os desdobramentos na sede do governo norte-americano, foi abordado pelo presidente John Kennedy: “Então, embaixador, o que o senhor vai fazer? Eu pelo menos posso me refugiar em Camp David”, disse Kennedy, se referindo a possibilidade de um ataque.

“Vou procurar abrigo na adega mais próxima, pois sou adepto daquele dito francês que diz: entre a calamidade e a catástrofe sempre existe lugar para uma taça de champagne”, respondeu o embaixador brasileiro diante de um Kennedy atento. O presidente norte-americano reagiu com um sorriso e pediu ao seu ajudante de ordens que anotasse a frase, que por sinal era uma das especialidades do embaixador.

A cena real fica apenas como um vestígio dos tempos em que o mérito determinava a escolha dos colaboradores dos presidentes. Estofo moral e intelectual pesavam na escolha. Hoje isso se tornou bobagem, porque no Brasil sarjeta chegou ao poder. Só no governo Dilma, seis ministros deixaram o cargo depois que a imprensa denunciou envolvimento direto desses colaboradores da presidente em casos de corrupção.

É desalentador. Os ministérios se tornaram abrigos de organizações criminosas, especializadas em malversação do dinheiro público. O processo de escolha desses colaboradores é o passaporte para entrada dos criminosos na vida pública. Qualquer um pode ser ministro, basta que tenha um partido com bancada razoável para cobrar a parte que lhe cabe nas negociatas de cargos em troca de apoio político no Congresso.

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