Caso do Ministério do Esporte é de formação de quadrilha, com dois ex-ministros envolvidos.

 
Carlos Newton
 
A formação da quadrilha (mais de três elementos, segundo o Código Penal), começa a se configurar. O escândalo que derrubou o ex-ministro do Esporte Orlando Silva agora envolve alguns dos principais assessores do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, que antecedeu Silva no ministério, depois largou o PCdoB e entrou no PT para disputar e ganhar a eleição em Brasília.

O hoje governador do DF está sendo investigado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) sob a suspeita de que tenha sido iniciado em sua gestão o esquema de desvio de verbas de convênios do Esporte com ONGs. Seu atual secretário de Governo, Paulo Tadeu, é ligado à ONG Cata-Ventos, que teve reprovado pelo próprio ministério um convênio em que recebeu R$ 240 mil . A entidade foi fundada pelo irmão do secretário, José Rosa Vale da Silva.

O secretário de governo do Distrito Federal, Paulo Tadeu, tenta tirar o corpo fora e diz que não pode ser responsabilizado pela ONG Cata-Ventos, fundada pelo irmão. Já Agnelo Queiroz garante desconhecer que a ONG Cata-Ventos tenha convênio reprovado com o Ministério do Esporte.

“Temos certeza de que nenhum dos servidores nomeados para cargos em comissão no governo do Distrito Federal foi responsabilizado por falhas em prestação de contas ou execução de convênios dessa ONG”, afirmou, por meio de sua assessoria.

Com a saída de Orlando Silva, a crise envolvendo a suspeita de desvio de recursos da pasta agora se concentra na capital federal. Como se sabe, Agnelo (2003 a 2006) e Orlando (2006 a 2011) dividiram a titularidade do Esporte nos últimos anos, dentro da cota que o PCdoB.

As ONGs envolvidas em irregularidades e fraudes, em sua maioria, são dirigidas por militantes do PCdoB. Mas é claro que isso é mera coincidência, segundo Orlando Silva e Agnelo Queiroz.

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AGORA, TAMBÉM PROPINA

Em Brasilia, a deputada distrital Celina Leão (PSD) agora acusa Agnelo Queiroz de receber propina na época em que era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Celina disse, inclusive, ter gravado um depoimento de Daniel Almeida Tavares, ex-representante do laboratório União Química, afirmando que teria subornado o atual governador do Distrito federal, que se defende pateticamente,  alegando ter concedido um empréstimo de R$ 5 mil por amizade de mais de 20 anos com o dono da União Química, Fernando de Castro Marques.

“Daniel era conhecido de Agnelo Queiroz em decorrência da amizade, de mais de 20 anos, entre Agnelo e Fernando de Castro Marques. Uma amizade que vem desde a época em que Agnelo Queiroz era deputado federal – eles se aproximaram na campanha em defesa da indústria farmacêutica nacional, como é de conhecimento público. Agnelo tem amizade com Fernando de Castro Marques, como outros tantos políticos identificados com essa causa”, diz a nota da assessoria do governador.

Acontece que Daniel Almeida Tavares divulgou o comprovante do depósito e disse à deputada distrital Celina Leão (PSD), de oposição ao governador, que o montante é referente a pagamento de uma parte da propina para que Agnelo, então diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), liberasse licença para funcionamento da empresa. Agnelo era responsável por esse setor na agência.

Como diz o mestre Helio Fernandes, “Nossa Senhora, as denúncias parecem não ter fim”.

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