Caso Wagner Rossi: blindagem em política é prova de fracasso

 Pedro do Coutto

O complexo político-administrativo, todo ele, sem a menor dúvida, leu a reportagem da Veja que está nas bancas sobre a corrupção na área do Ministério da Agricultura e a violenta agressão do lobista Júlio Fróes contra o jornalista Rodrigo Rangel, editor da revista em Brasília. Sem vínculo oficial com o serviço público, Júlio possuia gabinete no edifício e livre acesso àquela secretaria de estado, na qual plantava interesses ilegais, colhia a safra no atacado e distribuía no varejo, os frutos da propina. Incrível. Tinha a confiança do secretário executivo, Milton Ortolan, segunda pessoa na hierarquia. Ortolan foi demitido sumariamente por Dilma Roussef e a Veja publicou uma sequência de fotos sobre a desenvoltura do traiçoeiro lobista.

Como ele, porém menos violentos, há muitos em Brasília, no Rio de Janeiro, no país. A criação de lobistas tem aumentado acentuadamente, tanto em número de produtos, quanto no volume dos recursos desviados, consequências das taxas de comissão mais elevadas.
Muito mal. Apareceram inclusive diversos denunciantes que apresentaram à Veja a face e a voz. A situação de Ortolan tornou-se insustentável. Desabou. Foi varrido do mapa antes de completar a colheita.

Mas – reportagem de Adriana Vasconcelos e Luiza Damé, O Globo de segunda-feira 08, revela um esforço do Planalto, articulado pela ministra Gleisi Hofmann, para blindar o indicado pelo vice Michel Temer. A blindagem começou com a exoneração de Milton Ortolan. Talvez continue, como é comum, já que o culpado nunca é um só. Quem será o próximo alvo?
Importa pouco, no caso. O essencial é o fato de que necessitar blindagem significa tacitamente uma prova de fraqueza, de abalo político. Pois ninguém pensa em blindar um ministro cuja atuação se desenvolve normalmente.

Blindagem é sinal de anormalidade, de proteção. Só precisa ser protegido quem se encontra fraco no posto. É o caso de Wagner Rossi. Pois não tem o menor cabimento que não soubesse do livre trânsito concedido para Júlio Fróes, que não possuia o menor vínculo com o Ministério e ingressava no edifício por onde só entram e saem autoridades de nível mais alto.

Como pode ser isso? Redigia editais de concorrência. Um deles com uma Fundação de São Paulo, da qual era ele mesmo o representante. Junto a quem? Ao próprio Ministério da Agricultura. A agressão de Júlio Fróes e Rodrigo Rangel foi sua confissão mais explícita. Confirmou integralmente o que escreveram na mesma edição de Veja os repórteres Gustavo Ribeiro e Paulo Celso Pereira.

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DILMA VAI BEM NAS PESQUISAS

Pesquisa do Datafolha publicada domingo na Folha de São Paulo revela que segue firme a aprovação da presidente Dilma Roussef: 48% consideram sua atuação entre boa e ótima. Contra 11% que a julgam ruim e péssima. Trinta e nove por cento optaram por a colocarem na faixa regular. Neutralizaram seu pensamento. Dois por cento não souberam responder. Portanto, estatisticamente, 61% passam a ser igual a 100. Dilma recebeu assim a manifestação de apoio de 75% dos que opinaram. Enquanto a parcela de 25% a rejeitaram. Índice ótimo. Sobretudo levando-se em conta as tempestades que levaram ao naufrágio Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Nelson Jobim. E, na sequência que ganha velocidade, Milton Ortolan. Prova que a sociedade brasileira reage à corrupção.

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