Carlos Chagas dizia que, enquanto a esquerda faz barulho, a direita age

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Chagas foi um dos maiores historiadores do país

Nélio Jacob

Encontrei em meus arquivos este artigo escrito pelo jornalista Carlos Chagas em 2004, quando o golpe militar de 1964 completou 40 anos. Vale a pena ler de novo, para refrescar a memória dos mais velhos e informar aos mais jovens o que realmente aconteceu no Brasil.

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HÁ QUARENTA ANOS…

De vez em quando é bom mergulhar ao passado,quando nada para não  repetir os erros, porque sempre nos dirá o que evitar. Há quarenta anos, vivia o Brasil uma situação de crise iminente. Depois de entusiástica reação nacional ao golpe em 1961, liderada por Leonel Brizola, entramos em 1964 sob a égide da conflagração. O então presidente João Goulart tivera assegurada a sua posse, por resistência do cunhado, então governador do Rio Grande do Sul, e logo depois o deputado mais votado da história do país, eleito pela Guanabara.

O problema estava na permanência ativa das forças que tentaram rasgar a Constituição e permaneciam no mesmo objetivo. Uns pela humilhação da derrota,outros por interesses, estes ingênuos, aqueles infensos a quaisquer reformas sociais – todos se fortaleciam sob a perigosa tolerância de Goulart.Conspirações germinavam sob a batuta do IPES, singelo Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais, na verdade um milionário centro de desestabilização do governo trabalhista, erigido em cima de milhões de dólares. Sua chefia era exercida pelo general Golbery do Coutto e Silva, na reserva, arregimentando políticos, governadores, prefeitos, militares, fazendeiros, empresários aos montes, classe média e até operários e estudantes. O polvo tinha vários tentáculos, como o CCC ( Comando de Caça ao Comunistas), o MAC ( Movimento Anticomunista, a Camde (Companha da Mulher pela Democracia), o Ibad  (Instituto Brasileiro de ação democrática ) e outros bem subsidiados, que agiam nas ruas.

DINHEIRO À VONTADE – Claro que a maioria da imprensa dava ampla cobertura a essa atividade, sempre escondidas sob a fantasia da defesa da democracia supostamente ameaçada pelas reformas de base pretendidas pelo “governo comunista” de João Goulart. Publicidade e dinheiro vivo não faltavam, além, e claro, de inclinações pessoais dos barões da mídia.

Do outro lado, organizavam as forças que imaginavam estar o Brasil marchando para o socialismo, como o CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), a Frente Nacionalista, o Grupo dos Onze, as Ligas Camponesas e outros.

Depois da ridícula experiência parlamentarista, o presidente retomara, através de um plebiscito, a plenitude de seus poderes. Diante da resistência do Congresso em aceitar as reformas, Jango decidiu promove-las “na marra”.

TUDO AO MESMO TEMPO – Abria perigosamente o leque, em vez de realizá-las de per si, uma a uma. Ao mesmo tempo, pregava a reforma agrária, pela desapropriação de terras por títulos da dívida pública; a reforma bancária, com a estatização do sistema financeiro; a reforma educacional, com o fim do ensino privado; a reforma urbana, através da proibição de os proprietários manterem casas e apartamentos fechados, sem alugar; a reforma da saúde, pela criação de um laboratório estatal capaz de produzir remédio a preços baratos; a reforma da remessa de lucros, limitando o fluxo de dólares, que as multinacionais enviavam às suas matrizes; a reforma das empresas, impondo a participação dos empregados no lucro dos patrões e a co-gestão; a reforma eleitoral, concedendo o direito de voto aos analfabetos, aos soldados e cabos. Entre outras.

WALTERS E ANSELMO – Contava-se, como piada, haver um túnel secreto ligando as instalações do IPES à embaixada dos EUA, no Rio. Verdade ou mentira, os americanos estavam enfiados até o pescoço na conspiração, por meio do embaixador Lincoln Gordon e do adido militar, coronel  Wernon Walters, antigo oficial de ligação do exército americano com as Força Expedicionária Brasileira, na Itália. Linguista exímio sabendo falar até mesmo o português do Brasil e o de Portugal, tornara-se amigo dos majores e coronéis que lutaram na Itália, agora generais importantes. E em grande parte, conspiradores.

A estratégia inicial era impedir as reformas de base e deixar o governo Goulart exaurir-se, desmoralizado até o final do mandato. Tudo mudou quando o presidente se deixou envolver por outra reforma, a militar. Partindo de um inexplicável artigo da Constituição que limitava a possibilidade dos sargentos se candidatarem a postos eletivos, bem como as dificuldade antepostas pela Marinha para organização sindical dos subalternos, tudo transbordou. Pregava-se a quebra da hierarquia entre militares,

REBELIÃO – Acusada de estar criando um soviete, a Associação dos Marinheiro e Fuzileiros rebelou-se, instalando-se na sede do Sindicato dos metalúrgicos do RJ. Mais de mil marinheiros e fuzileiros recusaram-se a voltar aoS seus navios e quartéis, tendo o governo preferido a conciliação em vez da punição. A ironia estava em que o chefe da revolta, o cabo Anselmo,o mais inflamado dos insurrectos, era um agente provocador a serviço do golpe. Quanto mais gasolina no fogo melhor.

Junta-se a isso a decisão de Goulart de realizar monumentais comícios populares, onde assinaria, por decreto, as reformas negadas pelos deputados e senadores. Só fez um, a 13 de março, sexta-feira,no Rio, quando desapropriou terras ao longo das rodovias e ferrovias federais, encampando também refinarias particulares  de petróleo. Naquela noite, na Central do Brasil e ironicamente diante do prédio do Ministério da Guerra, discursaram revolucionariamente os principais líderes de esquerda: José Serra, presidente da União Nacional dos Estudantes, Dante Pelacani, dirigente do CGT, Miguel Arraes, governador de Pernambuco, Leonel Brizola, deputado federal, e outros.

EXAGEROS – Cada orador sentia a necessidade de ir além do que pregara o antecessor. Quando chegou a vez do presidente Goulart, não lhe restou alternativa, senão superar os companheiros. Fez um discurso que os historiadores precisam resgatar. Uma espécie de grito de revolta diante das elites, a pregação da independência para os humildes e os explorados. O desfecho estava próximo, demonstrando que, do lado de cá do planeta, enquanto a esquerda faz barulho, a direita age.

Não foi Roberto Jefferson quem denunciou o mensalão, foi Carlos Chagas

Chagas fez a denúncia na coluna da Tribuna

Carlos Newton

Em 8 de agosto de 2012, publicamos aqui na TI um artigo de Yuri Sanson, relatando que, em uma sessão do Supremo, realizada naquele ano, o então procurador-geral Roberto Gurgel mencionou notícias do Jornal do Brasil, de Luiz Orlando Carneiro, e, em seguida artigos de Carlos Chagas na Tribuna da Imprensa, sobre os primórdios do caso Mensalão que se tornou a Ação Penal 470.

ARTIGO NA TRIBUNA – O texto abaixo, publicado pelo Jornal do Brasil em 30/07/2012, transcrito aqui na TI por Yuri Sanson, faz referência ao artigo de Carlos Chagas, publicado na Tribuna da Imprensa de Helio Fernandes, em 28 de fevereiro de 2004:

Em 24 de setembro de 2004, o Jornal do Brasil foi o primeiro veículo de comunicação a empregar o termo “mensalão”, em matéria dos repórteres Paulo de Tarso Lyra, Hugo Marques e Sérgio Pardellas. A informação foi creditada ao deputado Miro Teixeira, já ex-ministro das Comunicações do governo Lula, que teria sido avisado deste hábito por outros parlamentares. Em seguida o JB publicou correção informando que a fonte foi um presidente de partido da base aliada.

Seis meses antes (28/2/2004), o repórter e analista político Carlos Chagas publicara, na Tribuna da Imprensa, artigo em que já dava notícias sobre a existência de incalculáveis recursos na “tesouraria” do PT, administrados pela cúpula do partido (citados José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares), com a ajuda de um “operador profissional” (o publicitário mineiro Marcos Valério).”

DINHEIRO SOBRANDO – Chagas foi o primeiro a noticiar. A denúncia do então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) só seria feita em 6 de junho de 2005, mais de um ano depois. Até essa data, não havia ainda referência explícita à existência de um “mensalão” pago a parlamentares para apoio automático aos interesses governistas. Em seu artigo na Tribuna, em 28 de fevereiro de 2004, depois de comentar que “ruim de grana o PT nunca esteve”, Chagas assinalou:

“Foi a partir da recente campanha presidencial, porém, que o dinheiro começou a sobrar. Com a posse do presidente Lula e a nomeação de milhares de petistas para a administração federal, mais recursos apareceram. A preocupação do presidente anterior, José Dirceu, e do atual, José Genoino, passou a ser como administrar a bolada, cujo montante, para dizer a verdade, só uns poucos conhecem. Mas é muito grande. Quem passou a sofrer foi o diretor-financeiro do PT. Delúbio Soares jamais pensou em tornar-se banqueiro ou investidor no mercado.

Assim, para ajudá-lo, foi buscar um operador profissional, encontrado na pessoa do publicitário mineiro Marcos Valério, da SMPB, de Belo Horizonte. Agência por sinal aquinhoada em 2003 com contratos de publicidade no valor aproximadamente de R$ 150 milhões, provindos do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Correios e Telégrafos e Petrobras.

Há algum tempo a capital mineira funciona como uma espécie de caixa central do PT, de onde flui numerário bastante para as despesas partidárias, agora com ênfase para as campanhas de outubro. No caso, até servindo a outros partidos, como o PP, PL e PTB, cujos emissários não raro deixam o Aeroporto da Pampulha com malas recheadas, em espécie”.

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PS – Chagas era assim. Fez a denúncia em primeira mão, dando nome aos bois e citando Dirceu, Delúbio, Genoino e Valério, que seriam condenados à prisão, e jamais se vangloriou disso. Para ele, era um artigo como qualquer outro. Hoje, reza-se missa de sétimo dia pelo nosso amigo, que foi se juntar a Castello Branco, Villas Bôas Correia, Oyama Teles, Antonio Vianna, Jair Rebelo Horta, Berilo Dantas e tantos outros colegas do Clube dos Repórteres Políticos, que ele criou e presidiu. (C.N.)

Jornalismo brasileiro perde Carlos Chagas, um de seus maiores destaques

Carlos Chagas ia completar 80 anos

Lucas Alvares

Assisti à série de especiais que marcou a despedida da televisão do jornalista Carlos Chagas (1937-2017), exibida pela CNT na virada de 2016 para 2017, em comemoração aos 80 anos que o eloquente tribuno ficou a menos de um mês de completar. A voz cansada, acompanhada dos cabelos e bigodes já embranquecidos, revelavam um agudo decorrer de seus dias, onde o trato diário dos temas nacionais, aqui nas páginas da Tribuna da Internet e dos muitos jornais para onde sua coluna era distribuída, não escondia um certo saudosismo pelos tempos áureos do jornalismo brasileiro que viveu, e dos quais Chagas foi umas das últimas testemunhas oculares.

Conviva de presidentes, em especial da controversa figura do Marechal Costa e Silva, de quem foi jovem assessor de imprensa, Carlos Chagas embarcou na ironia fina de seu texto um saboroso élan de pitonisa, traço daqueles que antecipam o porvir sem deixar de rolar os dados. Em sua última colaboração para a Tribuna, Chagas cantou a pedra do provável refluxo dos ministros-deputados, ou deputados-ministros, dispensáveis ao governo Temer após o decreto de desmonte do Estado Social ocultado sob a pilha de relatórios, emendas e destaques das reformas trabalhista e previdenciária. Ao contrário de Temer e seus comparsas, a quem a História registrará notas de rodapé, o velho jornalista inspirou seguidores por sua visão de Brasil e pela correção com que conduziu, por toda a vida, o trato com a informação.

O QUE DE MELHOR HAVIA – Quem caminhou de braços dados a personalidades como o amigo Ronaldo Costa Couto, um dos últimos convidados de seu programa na CNT, Villas-Bôas Corrêa, Carlos Castello Branco e tantos companheiros de inesquecíveis coberturas como a campanha das Diretas Já, a Constituinte de 88 e as Eleições Presidenciais de 1989, certamente se filiava ao que de melhor havia no cenário intelectual brasileiro na defesa da nossa cultura e de nossas mais saudáveis tradições políticas.

Carlos Chagas foi também correligionário de Leonel Brizola nos tempos pioneiros de consolidação do PDT, casa dos que defendiam o pacto sustentável entre Capital e Trabalho e um projeto autóctone de desenvolvimento nacional, com a resolução dos problemas brasileiros por caminhos devidamente adequados à nossa realidade, descartando os essencialismos, hoje tão em voga, que pretendem implementar no Brasil, complexo como ele é, soluções estrangeiras e impopulares.

AMIGO DE BRIZOLA – Sua militância partidária, ainda que breve, iluminou jovens mentes contemporâneas que transmitem a necessidade de um novo pacto a partir de um projeto nacional para nosso país, sustentado na ética, no amor pelo Brasil e no compromisso com a verdade que sempre pautaram as múltiplas trajetórias do “renascentista” Chagas, acadêmico por 25 anos da Faculdade de Direito da UnB, articulista e militante, cuja obra como autor pode ser exemplificada no magnífico “Resistir é Preciso”, de 1975, um libelo em defesa da democracia.

À família do grande colega, na pessoa da filha Helena – ministra-chefe da Secom durante meus anos de Rádio MEC, exemplo de dignidade como foi o pai – meus mais sinceros sentimentos. Ao velho Chagas, a certeza de que seu legado será sempre passado adiante.

Nem todos os ministros voltarão

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Dos 28 ministros do presidente Temer, 18 são parlamentares. Estão todos demitidos, obrigados a reassumir seus mandatos de deputado ou senador. A obrigação deles não é apenas votar as reformas previdenciária e trabalhista, de acordo com os projetos do governo: devem garantir os votos de suas bancadas, comportando-se como líderes. Ainda não há data fixa para as votações, coisa que prenuncia tempo razoável para voltarem a ser ministros. Por enquanto a pergunta não diz respeito a quando voltarão a seus ministérios, mas se todos voltarão. Porque muita gente sustenta não existir melhor oportunidade para o presidente  reformular sua equipe. Aprovadas as reformas, por que não buscar na sociedade civil as melhores expressões de cada setor? Senão desfeita, a base parlamentar do governo terá cumprido seus compromissos.

Duvida-se de que até Michel Temer vacilará se lhe pedirem para referir de bate-pronto o nome de todos os seus ministros, bem como os partidos a que pertencem e as metas de cada ministério.

NOVA ETAPA? – Abre-se agora, para o governo, a etapa da eficiência administrativa, capaz de estender-se até o fim do ano. Depois, num terceiro tempo, será hora de cuidar da sucessão presidencial. Temer não será candidato, ainda que disponha da prerrogativa de disputar um novo mandato. A premissa será de que o PMDB está no páreo, mesmo carente de candidatos. Poderá ser Henrique Meirelles, se a retomada do crescimento econômico obtiver sucesso. Por que não Roberto Requião, mais do que uma rima?

Em suma, a prioridade são as reformas, mas depois delas garantidas, como parece, o governo cuidará de suas estruturas. Sendo ano que vem um ano eleitoral, nem todos os ministros ficarão aborrecidos se não retornarem.

 

Cartas embaralhadas

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Charge do Thomate (arquivo Google)

Carlos Chagas

 

Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra não penduraram as chuteiras, mas estão fora de campo. É possível que se componham, mas não mais em torno da candidatura de um deles, como se planejava. Não há tertius entre os três, mas por que não um quartus? No caso, João Dória Júnior, que já não nega com tanta ênfase a possibilidade. O PSDB tem consciência de permanecer uma força partidária expressiva, em especial porque o PMDB continua, e mais continuará, sem candidato. Quanto ao PT, se perder o Lula para o juiz Sérgio Moro, dará adeus ao sonho de voltar ao palácio do Planalto.

A operação Lava Jato embaralhou as cartas e faz emergir uma série de pretendentes sem partido, ou quase isso, tipo Ciro Gomes, Marina Silva, Jair Bolsonaro, Álvaro Dias, Joaquim Barbosa, Ronaldo Caiado e outros.

NÃO DÁ MAIS – Dentro do quadro partidário, porém, os tucanos estão no jogo. Só que com Aécio, Alckmin e Serra não dá mais. Por isso eles poderiam apoiar o atual prefeito de São Paulo.

Meirelles seria ideal para o PMDB, se sua política econômica desse certo, mas como parece cada dia mais difícil, o ministro da Fazenda fica no banco. Só entrará no gramado caso consiga conquistar o meio campo. Traduzindo: aguarda um milagre.      Em suma, assim podem ser imaginadas as preliminares da sucessão de 2018, ainda que as cartas se encontrem embaralhadas. Acresce que o curinga não apareceu. Poderá surpreender.

Temer e tremer

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Charge do Sinovaldo (Jornal VS)

Carlos Chagas

Os dois verbos não dizem respeito ao sobrenome do presidente da República, mas à semântica real, de ter medo e de não controlar os nervos. Nos idos de 1964 um dos líderes do movimento militar, o general Carlos Luís Guedes, saiu-se com um comentário que assustou todo mundo: “quem não apoia a Revolução deve apenas temê-la”. Adaptando aqueles tempos bicudos à realidade atual, vale apelar para a analogia com a Operação Lava Jato: “quem não a apoia deveria ter medo dela”.

Senão esta semana, ao menos na próxima o ministro Edson Fachin deverá autorizar o livre acesso da mídia da mídia ao conteúdo das delações dos ex-funcionários da Odebrecht, envolvendo perto de duzentos deputados, senadores, governadores, ministros e ex-ministros do atual governo. Até agora sabemos apenas os nomes, mas quando forem expostos os crimes, volumosas tempestades cairão sobre a Praça dos Três Poderes. Imagina-se que os delatores apresentaram provas concretas do superfaturamento de obras públicas, da distribuição de propinas e de comissões recebidas pelos acusados, de suas relações com agentes públicos e dos prejuízos causados ao erário e ao tesouro nacional. E quanto receberam para aprovar medidas provisórias e projetos de lei fajutos e que efeitos causaram à economia.

FULANIZAR – Claro que outras lambanças praticadas com outras empreiteiras farão parte da ação destinada a fulanizar os processos em andamento no Supremo Tribunal Federal.

Em outras palavras, tem muita gente temendo, bem como tremendo. A todos será oferecido amplo direito de defesa, mas diante da hipótese de divulgação de nomes e números, quanto serão atingidos pelo descrédito e pela lei das inelegibilidades? Mais um efeito da Operação Lava Jato, ou seja, do medo tirar a tranquilidade de muita gente.

O passado do fracasso ou o futuro da frustração?

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Charge sem autoria (Arquivo Google)

Carlos Chagas

Destinam-se ao fracasso a greve geral marcada  pelas centrais sindicais no próximo dia 28 e a manifestação em favor do Lula, que o PT pretende realizar em Curitiba a 3 de maio. Não que os trabalhadores estejam satisfeitos com o governo Michel Temer, muito pelo contrário. Da mesma forma, os companheiros sabem que seu partido anda na baixa e dificilmente sensibilizarão a capital do Paraná numa quarta-feira.

Pode até ser que os fatos desmintam as previsões, mas a verdade é que o Brasil de verdade faz tempo desligou-se do Brasil de mentirinha. Os 13 milhões de desempregados não podem fazer greve, enquanto ao PT, posto em frangalhos, falta motivação para antecipar a sucessão presidencial de 2018.

Mais do que indignar-se diante das delações que se sucedem todos os dias, o povão dedica profundo desprezo às informações sobre a corrupção que nos assola. Não parece disposto a se deixar influenciar pelos que sustentam a volta ao passado ou os que programam um futuro ainda pior.

Numa palavra, a nação rejeita as reformas fajutas do governo Michel Temer tanto quanto dá as costas aos que falharam na tentativa de mudá-la. O povão não irá às ruas, nem para exaltar o modelo que não deu certo, nem para apoiar as elites que pretendem aumentar seus privilégios e suas benesses.

Vale repetir, a vida é sempre mais fascinante do que a ficção: quem garante que não prevalecerá o passado do fracasso ou o futuro da frustração? Ou, numa terceira hipótese, que continuará tudo como está?

 

Sozinho e abandonado

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Chagas

Chega a dar pena o abandono em que se encontra o ex-presidente Lula. No caso, abandonado por antigos amigos e líderes políticos de diversos matizes. Quanto a seus eleitores e admiradores, será melhor aguardar as manifestações programadas para a greve geral, dia 28, e demais protestos contra as iniciativas do governo Michel Temer e o próprio presidente.

O que salta aos olhos é o comportamento da mídia, das elites e dos partidos até pouco formando ao lado do primeiro companheiro. Teriam um apartamento de luxo no Guarujá e um sítio em Atibaia bastado para transformar um ex-operário em réu sem sentença e sem perdão?

É certo que os salários de torneiro-mecânico e depois, de presidente da República por oito anos, além de uma aposentadoria, não bastariam para justificar um patrimônio do valor apresentado pelo Lula. Só que não constituem motivo para a transformação do Lula em réprobo ou inimigo público número um. Por trás dessa carga de cavalaria desenvolvida contra ele não estão erros e exageros praticados no passado. Abre-se o medo do futuro. Há meses que ele lidera as pesquisas presidenciais para 2018. Diante da possibilidade de voltar ao palácio do Planalto, levantam-se as elites temerosas de que, eleito, ele desmanchará diretrizes e realizações de Michel Temer favoráveis à manutenção das massas assalariadas no patamar da pobreza e da indigência. É o medo dos poderosos de perder os privilégios que agora vem sendo restabelecidos pelas reformas neoliberais daqueles que tomaram o poder.

CAMPANHA – Por isso desencadeia-se a campanha que é menos contra o ex-presidente e mais em favor do que representaria sua volta ao poder, ou seja, o fim das mudanças previdenciárias, trabalhistas e fiscais favoráveis às elites.

Ignora-se em que vão dar os choques e as tertúlias entre as duas forças secularmente empenhadas na luta pelo poder. O Lula é apenas um símbolo. Se quiserem, um detalhe: a retomada de medidas que poderiam melhorar a vida dos menos favorecidos.  A interrupção da escalada que manterá os benefícios das elites. Assim, tornou-se um perigo para os mesmos de sempre. Mesmo que para afastá-lo o argumento se concentre num apartamento de luxo e num sítio paradisíaco em meio à Serra do Mar…

O país passado a limpo?

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carlos Chagas

A ebulição permanente das delações dos funcionários da Odebrecht vem ofuscando a decisão a ser adotada pelo Tribunal Superior Eleitoral diante da possibilidade de cassação da chapa Dilma-Temer, em 2014. Porque está de pé a hipótese da cassação dos vitoriosos daquele ano nas eleições presidenciais. Seria uma desarrumação completa do cenário político nacional. Dilma Rousseff já foi alvejada com o impeachment, mas Michel Temer ocupa a presidência da República. Se vier a ser cassado, não terá alternativa senão deixar o palácio do Planalto, ainda que possa recorrer da sentença ao Supremo Tribunal Federal.

Discute-se se esse recurso terá ou não efeito suspensivo, quer dizer, o atual presidente recorrerá no exercício de suas prerrogativas ou manterá o cargo até a decisão da mais alta corte nacional de justiça. De qualquer forma, seu equilíbrio ficará instável. No atual período de crise política, será péssimo para as instituições já combalidas.

QUEM FICA? – Diante de sua cassação, Michel Temer já declarou que disposições de Judiciário não se discutem. Cumprem-se. Nesse caso, quem ocuparia seu lugar, na ausência de um vice-presidente?

Assumiria o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Até quando? Pela lógica, até que o Congresso elegesse um sucessor para terminar o atual mandato, a 31 de dezembro de 2018. Seria o quarto personagem a ocupar a chefia do governo, imaginando-se vantagem para Rodrigo Maia, mas certeza, ninguém tem. Deputados e senadores disporiam da prerrogativa de indicar quem quisessem.

BOM SENSO – Por tudo isso, admite-se que o bom senso venha a prevalecer, ou seja, que o Tribunal Superior Eleitoral não sacrifique uma chapa já desgastada, preservando Michel Temer. Só que garantir, ninguém pode.

Registra-se uma outra opção: que diante do sacrifício de Temer, o Congresso aprove emenda constitucional estabelecendo eleições gerais no país, logo depois da  cassação da dupla Dilma-Temer. Até mesmo com mandatos de quatro ou cinco anos para o novo presidente, deputados, senadores e, de tabela, porque não governadores e parlamentares estaduais. Uma limpeza geral, uma forma de o país e as instituições serem passados a limpo. A rodada encontra-se em aberto. Quem quiser que arrisque um palpite.

Vantagens devidas e indevidas?

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Chagas

Virou moda para esse monte de políticos de alto coturno, flagrados pelas delações da Odebrecht, defenderem-se jurando não ter recebido “vantagens indevidas” da empreiteira. Quer dizer que também há vantagens devidas? Está classificada a roubalheira, verdadeira confissão de culpa de ministros, governadores, deputados e senadores. Uma evidência irrefutável do envolvimento de tantos ladrões.

Indaga-se o que acontecerá com eles, se reconhecem haver recebido propinas oriundas de superfaturamento de obras, desvio de verbas e similares. Com ou sem foro especial, estão arcabuzados. Se alguns foram considerados candidatos presidenciais, hoje não são mais. Mesmo demorando, seu julgamento será irreversível.

Não é preciso expô-los a citações nominais. A maioria dos delatores tem apresentado provas até documentais da corrupção. Provavelmente venham a tornar-se inelegíveis por decisão dos tribunais, mas o principal é que lhes faltarão votos. Talvez até coragem para mostrar-se. Vestais de ontem, transformam-se em ratos de hoje e, certamente, condenados de amanhã.

Réus confessos cuja defesa torna-se impossível diante do próprio reconhecimento da prática deletéria da corrupção por anos a fio.

Pertencem a todos os partidos e roubaram em todos os Estados. Estarão em todos os ministérios, também. São aqueles considerados desconfortáveis pelo próprio presidente da República. Aliás, a propósito, estaria Michel Temer confortável em companhia de … (Cala-te boca!)

 

CONDENAÇÃO – Da tribuna do Senado, Gleisi Hoffmann confessou estar inapelavelmente condenada. Poucas vezes se tem visto coragem tamanha.  Pior do que tudo, a senadora está certa…

Substituíram o Congresso…

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Charge da Myrria (Charge Online)

Carlos Chagas

Nesse festival de horrores que a televisão apresenta todos os dias, por conta das atividades da Odebrecht, o primeiro prêmio vai para os parlamentares aquinhoados com propina por terem aprovado medidas provisórias favorecendo a empreiteira. Vale o mesmo para a votação de projetos de lei. Quer dizer, na Câmara e no Senado existem ratos que votaram legislação beneficiando negócios escusos, recebendo milhões pelos serviços prestados. Valeria à pena o governo identificar que medidas provisórias e que  leis foram editadas dentro desse modelo. Não só para revogá-las, mas, em especial, para obter o ressarcimento do roubo.

Seria bom, também, identificar os líderes dos partidos comprometidos com a tramitação dos projetos fajutos.

SEM SABER… – O grave nessa substituição das obrigações parlamentares por dirigentes empresariais é que muitos deputados e senadores aprovaram sem saber a origem e os interesses daquilo que votaram. Alguns imaginaram estar prestando favores ao governo. Outros sequer cogitaram saber por quê. Os bandidos, porém, não se esqueceram de cobrar pelos votos.

As investigações começaram a chegar aos governos estaduais. São de estarrecer. Também não escapam as prefeituras. Ninguém se espante se alguém gritar “teje todo mundo preso!”

Delatores aguardam a recompensa

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Charge do Tacho, reproduzida do Jornal NH

Carlos Chagas

Uma pergunta permanece sem resposta: o que acontecerá com os 74 delatores funcionários e ex-funcionários da Odebrecht? Pelos depoimentos que deram, reconheceram seus crimes, iguais aos praticados por deputados, senadores, governadores e ministros. Estão todos no mesmo balaio. Com as delações, pretendem senão escapar, ao menos receber penas atenuadas, de preferência prisões domiciliares.

Uns bem humorados, outros apresentando-se como vítimas, os delatores acreditam poder livrar-se do pior. Até o patriarca da roubalheira e seu príncipe herdeiro, por sinal ainda preso mas esperando logo abrir a porta de uma de suas mansões. A quadrilha desincumbiu-se da missão dada por seus chefes e agora aguarda a recompensa.

No Congresso o clima é mais carregado. Mesmo sabendo que os processos levarão muito tempo para completar-se, a maioria dos implicados está de olho nas próximas delações, das outras empreiteiras. Tem gente que foi aquinhoada por todas. Apesar do foro especial, alguns receberão condenações à altura de seus crimes. O mesmo destino terão os que forem julgados sem a prerrogativa de mandatos.

Em suma, a tempestade continua armada, preocupando boa parte dos que temem ficar inelegíveis, tanto pela lei quanto pela falta de votos.

SOLIDARIEDADE – O PT prepara volumosa manifestação de solidariedade ao Lula, em Curitiba, quando o ex-presidente estiver frente a frente com o juiz Sérgio Moro. Os contrários também se mobilizarão, prevendo-se conflitos e confrontos.

Falta a revogação da Lei Áurea

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Charge do Mariano (Charge Online)

Carlos Chagas

Está por dias a aprovação da chamada reforma trabalhista na Câmara dos Deputados. Reforma para tirar os últimos direitos do trabalhador, como a substituição do legislado pelo negociado. Patrões e empregados vão negociar acima e além da lei. Será a negociação da guilhotina com o pescoço. A imposição do interesse do mais forte sobre o mais fraco. Em especial quando 13 milhões de desempregados clamam pela oportunidade de trabalhar.

Trata-se de uma das mais abjetas alterações no que restou nas relações entre capital e trabalho. Ou o trabalhador aceita a redução de suas derradeiras prerrogativas ou será mandado embora. A garantia do direito ao trabalho virou fumaça. Até 1964 prevalecia a determinação de que depois de trabalhar por dez anos na mesma empresa, o cidadão adquiria a estabilidade, ou seja, apenas por falta grave poderia ser dispensado. Os governos militares também acabaram com o salário-família e a indenização por tempo de serviço.

Agora, vão-se as obrigações do empresariado, como a jornada de oito horas, as férias remuneradas e o décimo-terceiro salário. Vale mais o negociado do que o legislado, porque se o trabalhador não aceitar a proposta do patrão, nenhuma garantia terá de preservação do emprego.

Indaga-se porque a Câmara se encontra prestes a aprovar essa que parece a supressão final dos direitos trabalhistas, e a resposta surge simples: porque os deputados, salvo honrosas exceções, nada tem a ver com a classe trabalhadora. Cada um cuida de si, seus vencimentos estão garantidos conforme legislação especial. A bancada do PT lava as mãos, os demais partidos também. Até os sindicatos se omitem. Não demora muito para  alguém sustentar a revogação da Lei Áurea.

Sumiram os candidatos

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Chagas

Fosse realizada ampla pesquisa nacional para saber quem decepcionou mais o cidadão comum, em meio às delações reveladas na semana que passou, qual seria o vencedor? Existem os tradicionais, tipo Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, e José Dirceu, condenados cumprindo pena de cadeia, mas o que dizer das vestais até pouco tidas como acima de qualquer suspeita, como Aécio Neves, Geraldo Alckmin, José Serra, Fernando Henrique e outros? Sem esquecer o Lula.

A coincidência é de que nas preliminares dessa consulta, a maior parte é integrada por ex-futuros candidatos presidenciais. Gente que vinha mantendo acesa a chama da esperança e agora, da noite para o dia, sumiram. Deixaram de ser hipóteses futuras. Dificilmente se recomporão.

A dúvida, agora, parece ser a busca de novos pretendentes ao palácio do Planalto. Alguns açodados supõem espaço para João Dória Júnior. Outros imaginam a presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmem Lúcia. Por que não o juiz Sérgio Moro?  E o ex-ministro Joaquim Barbosa.

O primeiro requisito para integrar essa nova bateria é não fazer parte da lista da Odebrecht ou de outras empreiteiras. De preferência, também, não pertencer a nenhum dos chamados grandes partidos. Experiência administrativa, talvez. Reputação ilibada, certamente.

O problema é o vazio. E o risco de algum aventureiro surpreender. De qualquer forma, não adianta procurar no ministério.

A convocação do Capeta para 2018

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Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Carlos Chagas

A sucessão presidencial do próximo ano surge como o primeiro efeito colateral do escândalo que assola o país a partir da devassa praticada na Odebrecht. Dos possíveis candidatos, não sobrou nenhum. O Lula, preso ou solto, só por milagre se manterá na disputa. É estranho como essas coisas acontecem, mas há uma semana ele parecia imbatível em todas as simulações e pesquisas. Agora, não há quem aposte um real na sua passagem para o segundo turno. O que era sólido, desmanchou-se no ar. O patriarca da ex-maior empreiteira nacional encarregou-se de fulminar o ex-presidente ao tornar públicas suas relações.

Não adianta procurar nos falidos quadros do PT quem substitua o primeiro companheiro. Muito menos nas bancadas parlamentares. Não ficou pedra sobre pedra.

TRÉS PORQUINHOS – Os três tucanos que pareciam poderosos viraram três porquinhos. Uma cascata de lama escorre da passagem de Aécio, Serra e Geraldo pelos governos dos respectivos  Estados. De propinas ao Caixa Dois e até a doações inexplicáveis e manipulações desavergonhadas, jamais levarão o PSDB à disputa. Nem adianta lembrar de Fernando Henrique, também citado e hoje submerso na ilusão de sua presença na mídia.

O PMDB não tinha e continuará não tendo pretendentes. O fracasso da recuperação econômica só não será maior do que o elenco de reformas felizmente indo atrás da vaca, ou seja, para o brejo. Henrique Meirelles cada dia tenta justificar-se um pouco mais pelo naufrágio de seus planos e programas, forte candidato ao Prêmio Pinóquio do ano.

Há uma semana discutia-se a hipótese de Ciro Gomes aceitar tornar-se o vice do Lula, mas hoje o cearense nascido em São Paulo foge da dobradinha como o diabo foge da cruz.

OUTROS NOMES – Marina Silva dedica-se a cooptar juízes, procuradores e ministros dos tribunais superiores, iludida com a impressão de seus votos valerem mais que os votos de uma lavadeira.

Jair Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Joaquim Barbosa, Álvaro Dias e outros menos cotados torcem para não ser lembrados ou confundidos com a classe dos políticos.

Em suma, fosse o Capeta candidato e estaria na liderança das previsões agora viradas de cabeça para baixo. Resta aguardar as delações das demais empreiteiras.

Saída não há

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Charge do Tacho, reproduzida do Jornal de NH

Carlos  Chagas

Que manchetes deveriam os jornais de ontem ter preparado, logo depois de conhecida a Lista do Fachin, na véspera: “FAZER O QUÊ?”, “CONDENAR TODO MUNDO?”  “NÃO PERDOAR NINGUÉM!” “COMPLACÊNCIA OU VINGANÇA?” “SÓ ESSES?” “QUEM FICARÁ DE PÉ?” “É O CUSTO DA DEMOCRACIA?” A verdade é que não dá para aceitar que “NORMALIDADE E TRANQUILIDADE!” sejam solução para anunciar o fim da crise. O país não dormiu, na noite passada, e não dormirá nas próximas.

Há quem aposte na revogação das instituições, quer dizer, no fim do Congresso, dos partidos, das leis e da própria Constituição. Começar de novo quando tudo já terminou e entregar o país ao desconhecido seria pior.  O diabo é que alternativa não existe. Para todo lado que se olhe, surgem obstáculos. Só que o pior deles é cruzar os braços.

Não há o que fazer, pois quem jura não haver roubado não merece crédito. E quem admite o roubo, sequer faz sua apologia.

Vai levar tempo até que inquéritos em profusão sejam completados. Acreditar em que todo o poder ao Judiciário resolverá, é bobagem. Muito menos em que melhor parece imaginar a recuperação dos ladrões. Em suma, saída não há.

Intranquilidade na Praça dos Três Poderes

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Charge do Tacho, reproduzida do Jornal NH

Carlos Chagas

 

Mais uma semana escorre pelo ralo sem que se conheça o conteúdo das delações dos 78 diretores e ex-diretores da Odebrecht, envolvendo mais de cem deputados, senadores, governadores, ministros e ex-ministros do governo Michel Temer e anteriores. Agora são os próprios acusados de corrupção que clamam pelo conhecimento das acusações contra eles. Tudo continua na dependência do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, relator dos processos que permanecem sob sigilo de justiça.

É natural que o Poder Judiciário caminhe em ritmo mais lento do que o Congresso, mas tanto assim, devagar, quase parando, desperta reações.  Obrigados a defender-se, parlamentares e políticos assistem o tempo passar sem conhecer do que são acusados, impossibilitados de preparar suas defesas. Correm o risco de ser tornados inelegíveis, impossibilitados de concorrer à reeleição e perdendo tempo precioso para seu futuro.

O Legislativo prepara a votação de projeto regulamentando o abuso de autoridade, mas não se encontram incursos nessa prática também os juízes que deveriam julgar e não julgam?

Levantar o sigilo dos depoimentos e autorizar a abertura de inquéritos será o primeiro passo  para o ministro Fachin  desincumbir-se de suas obrigações, mas nesta semana  os tribunais superiores não trabalham. Na outra, quem sabe?

Em suma, há intranquilidade na Praça dos Três Poderes.

De novo, a Constituinte

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Charge do Henfil (Arquivo Google)

Carlos Chagas

Três juristas de reconhecida competência lançaram manifesto à nação, propondo a convocação de uma assembleia constituinte de verdade, ou seja, originária e exclusiva. Flavio Bierrembach, José Carlos Dias e Modesto Carvalhosa culpam a Constituição de 1988 de obsoleta, intervencionista, oligarca, cartorial, corporativista e anti-isonômica, sustentando que ela concedeu supersalários, foro privilegiado e outros benefícios a um pe      queno grupo de agentes  públicos e políticos, enquanto o resto da população não tem meios para superar a ineficiência do Estado e exercer seus direitos básicos.

Lembram a transformação da burocracia num obstáculo perverso ao exercício da cidadania, que não corresponde mais à realidade do Brasil e representa um conjunto de interesses e modelos que já em 1988 estavam em franca deterioração no mundo civilizado. Denunciam uma relação tóxica, um compromisso de interesses entre as forças que disputavam o poder, após a ditadura. Estabeleceram um absurdo regime político que se nutre de um sistema pseudopartidário, excessivamente fragmentado e capturado por interesses de corporações e de facções político-criminosas. São responsáveis pela corrupção, o tráfico de influências e os rombos nas contas públicas.

MIL EMENDAS – Até hoje o Congresso aprovou 95 emendas à Constituição, sendo que tramitam perto de mil novos projetos de emendas constitucionais, paliativos lentos que apenas retardam as verdadeiras reformas estruturais.

Os juristas apresentam um elenco de mudanças que seria precedido por um plebiscito convocado por um terço dos deputados e senadores. Uma Assembleia Constituinte seria formada pelos próprios congressistas ou, de acordo com a vontade popular, por pessoas que não tenham cargos políticos.

Temer cada vez mais sozinho

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Charge do Kácio (Arquivo Google)

Carlos Chagas

Talvez nem o presidente Michel Temer consiga lembrar-se do nome de todos os seus ministros, quanto mais das promessas que  cada um elencou ao empossar-se. Há ministros daqueles que a gente confunde a origem e os objetivos, além dos nomes. Desfez-se, se algum dia foi constituída, a equipe que deveria agir em uníssono. Jamais se reuniram, sequer para oferecer ao chefe uma solidariedade fugidia. A maioria poderia nem existir, até mesmo aqueles com gabinete no palácio do Planalto.

Essa decepção contagia o presidente, enfraquece o Congresso e deixa os partidos sem rumo. Por isso voltou a circular a necessidade de ampla reforma ministerial, se possível coincidindo com a divulgação sempre adiada da lista da Odebrecht, no Supremo Tribunal Federal. Seria hora de Temer livrar-se de uns tantos ministros envolvidos nas denúncias e delações, sem alternativas a não ser escapar de supostas acusações.

Para começar, o ideal seria esquecer os partidos com direito a capitanias hereditárias.

EFICIÊNCIA? O diabo é encontrar um fio condutor para dar unidade a uma nova equipe. Eficiência poderia ser um bom começo, com pouca ou nenhuma interferência das bancadas diversas. Por que dar representação ao PMDB do Senado, por exemplo, ou aos tucanos de Aécio, Geraldo ou Serra?

A nova roupagem ministerial precisaria basear-se na capacidade de cada um dos escolhidos,  acima e além dos interesses de grupos ou patotas partidárias.

Terá Michel Temer condições e  independência para promover mutação desse quilate? Concordariam os partidos em abrir mão de seus feudos desordenados?

A conclusão é uma só: o presidente governa cada vez mais sozinho, imaginando compor grupos carentes de capacidade e unidade. Breve 2018 estará chegando, com um fator ainda mais perigoso, a desagregação.