Esteve por um fio a democracia, mas foi garantida pelo recuo do Supremo

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Na cadeira de rodas, um líder militar de primeira linha

Carlos Newton

Foi muito importante a informação publicada nesta sexta-feira (dia 18) por Mário Assis Causanilhas, ex-secretário de Administração do Estado do Rio de Janeiro, que transcreveu aqui na Tribuna da Internet uma mensagem recebida de um grupo formado por oficiais da reserva da FAB e ex-cadetes da antiga Escola de Aeronáutica, no Campo dos Afonsos. Sem identificação do autor, o texto analisa o momento político do país na visão dos militares, que se dividem em dois grupos bem definidos: os moderados (liderados pelo general Eduardo Villas Bôas) e os da “linha dura” (liderados pelo general Hamilton Mourão).

As duas alas têm opiniões semelhantes sobre a esculhambação institucional em que vive o país. Mas divergem num ponto, com os moderados acreditando que o momento de ruptura ainda não chegou e, portanto, não é adequada uma intervenção, enquanto a facção da linha dura está pronta a intervir a qualquer momento, caso de configure um claro movimento do governo em tentar frear a Lava Jato ou se o Supremo libertar Lula da Silva e garantir a candidatura dele à Presidência.

SITUAÇÃO DELICADA – A mensagem divulgada por Mário Assis Causanilhas coincide com informações recebidas pela Tribuna da Internet e já publicadas aqui, acerca da delicadeza da situação. Há anos que vem crescendo a insatisfação nas Forças Armadas, alimentada pela falta de planejamento governamental, pois desde a ditadura de 64 não existe um Projeto Brasil; pelo achatamento salarial dos militares em relação aos servidores civis; e pelo corte das verbas das Forças Armadas, que vivem situação de penúria.

Quando se configurou a tentativa de o Supremo libertar Lula e acabar com a prisão após segunda instância, advertimos aqui na TI que os militares estavam prontos para intervir. Nossa informação foi confirmada agora pelo texto publicado por Mário Assis Causanilhas, ao destacar que as alas moderada e linha dura concordam que o habeas corpus de Lula e sua viabilização como candidato, apesar de ser ficha suja, representariam uma clara quebra da Constituição e do ordenamento jurídico.

HOUVE CONSENSO – Pela primeira vez, houve consenso no Alto Comando e ficou estabelecido que ocorreria intervenção militar caso Lula fosse solto e tivesse sua candidatura assegurada. Os três comandantes das Forças divulgaram duros comunicados e de repente caiu a ficha no STF. Os ministros enfim entenderam que podem muita coisa, mas não podem tudo, especialmente passar por cima da lei e da ordem.

O habeas corpus de Lula foi derrotado, ainda há três recursos pendentes a serem julgados no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo, que não demonstram nenhuma pressa em julgá-los e aprová-los.   

Mais na frente, em 15 de agosto, o PT pedirá o registro da candidatura de Lula, mas será negado pela Justiça Eleitoral. Com isso a democracia estará preservada. É o que interessa no momento. O resto virá depois.

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P.S.
É preciso louvar o espírito público do comandante do Exercito, general Eduardo Villas Bôas. Acometido de uma gravíssima doença degenerativa, ele continua à frente do Alto Comando, trabalhando numa cadeira de rodas e fazendo um sacrifício pessoal indescritível, no intuito de organizar a encrenca e manter o país no rumo da democracia. Villas Bôas é um grande guerreiro, um brasileiro de verdade, e todos devem prestar homenagens a ele. (C.N.)    

Jair Bolsonaro pretende se aliar ao PR do corrupto Valdemar Costa Neto

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Costa Neto é um político que não joga para perder

Carlos Newton

Até agora, as pesquisas não valem nada, porque dois terços (67%) dos eleitores estão indecisos ou pretendem votar branco/nulo. Todos os levantamentos trazem este mesmo resultado no quesito mais importante (voto espontâneo), quando não se apresenta lista de candidatos e apenas se pergunta ao eleitor em quem pretende votar. Os 33% que já escolheram candidato citam Lula, com cerca de 15%, Bolsonaro, 9%, e os demais candidatos dividem entre si os restantes 10%. O mais impressionante é que Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Alvaro Dias, Michel Temer, Joaquim Barbosa, Henrique Meirelles, Rodrigo Maia etc., nenhum deles passa de 1% na pesquisa do voto espontâneo, a única que verdadeiramente interessa.

Como se vê, todas as matérias sobre a perfomance dos candidatos, que vêm sendo publicadas, são “fake news”. A eleição ainda não começou.

BOAS CAMPANHAS – A meu ver, o candidato que faz a melhor campanha é Jair Bolsonaro (PSL), que está percorrendo o país, inclusive o interior, com um esquema inteligente. Antes de chegar à cidade, manda instalar um outdoor anunciando a vinda. Com isso, tem reunido bom público e dá seguidas entrevistas.

Outro candidato que se empenha muito na campanha é Ciro Gomes, que também está viajando pelo país, mas seu esquema é outro. Além das entrevistas à imprensa, ele faz palestras em associações de empresários, institutos e universidades. Está plantando bem, deverá ter uma boa colheita.

Alvaro Dias (Podemos) segue na trilha de Ciro Gomes e também já está atraindo eleitores. É um parlamentar experiente e não se provou estar envolvido em falcatruas, inclusive é o autor da emenda que acaba com o foro privilegiado, aprovada por unanimidade no Senado e que está agora na Câmara.

MARINA, A ESFINGE – O maior mistério é Marina Silva (Rede). Até agora, não iniciou a campanha. No voto espontâneo, não chega a 1%, mas na pesquisa estimulada cresce muito e consegue empatar com Bolsonaro no segundo turno.

Geraldo Alckmin é uma decepção para o PSDB. Ao invés de crescer nas pesquisas, está em queda, mas promete melhorar com a propaganda na TV, que só começa em 31 de agosto. Será que terão a paciência de esperar até lá?

O mais incrível é que, com a ausência de Lula e a derrocada de Alckmin, os candidatos que hoje demonstram  ter mais chance não dispõem de espaço na TV. Ou seja, a eleição pode ser decidida pelas coligações.

NO DESESPERO – As eleições estão chegando e os candidatos começam a se desesperar, em busca de alianças.  O PSDB diz que já fechou com o PTB e o PV, mas Cartola diria que ainda é cedo, amor… Ciro Gomes aceita qualquer apoio e está negociando com o PP, maior eduto de corruptos do Congresso.

Bolsonaro oferece a vice ao senador Magno Malta, do PR. “Acho que outro partido dificilmente vai querer compor comigo”, disse ao repórter Renato Frazão, do Estado de S. Paulo. Isso significa que a chance de coligação do candidato favorito é justamente o partido de Valdemar Costa Neto, um dos maiores corruptos da política. E será que Bolsonaro não percebe que esta aliança pode destruir sua imagem? Costa Neto cumpriu pena no mensalão e o ex-presidente do PR, Antônio Carlos Rodrigues, também foi para a cadeia, no ano passado.

O mercado livre das coalizões está fervilhando, mas os acordos somente serão fechados em julho ou início de agosto, porque os partidos sem candidatos pretendem “valorizar o passe”, como se diz no linguajar esportivo.

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P.S.
Bolsonaro pode não ser um completo idiota, mas não há dúvida de que tem uma irresistível tendência de se comportar dessa forma. Com isso, o cenário da eleição fica ainda mais complicado. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

Disputas estaduais dificultam que PSB feche acordo com algum presidenciável

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Acordo com o PSB é fundamental para Ciro Gomes

Igor Gadelha e Renan Truffi
Estadão

Os cenários eleitorais em São Paulo, Minas e Pernambuco dificultam as negociações de três partidos que têm presidenciáveis e tentam fechar coalizão com o PSB – o PDT do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), o PSDB do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o PT, que mantém a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado pela Lava Jato. O apoio do PSB passou a ser cobiçado por diversos presidenciáveis após o ex-ministro Joaquim Barbosa decidir que não disputaria a eleição.

Dirigentes do PSB foram procurados por interlocutores de pelo menos três presidenciáveis. O presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, teve encontros com os dirigentes do PDT, Carlos Lupi; do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PR); e do Podemos, a deputada federal Renata Abreu (SP).

PRÉ-REQUISITOS – Nas conversas, o PSB avisou que vai levar em conta o alinhamento político e programático e a convergência nas alianças nos Estados. “São conversas iniciais para podermos tomar uma decisão com pé no chão mais para frente. O que está sendo avaliado é uma identidade política e como esse partido pode colaborar com os projetos regionais do PSB”, disse ao Estadão/Broadcast o ex-governador do Espírito Santo e secretário-geral do PSB, Renato Casagrande, que esteve nas negociações.

Em Pernambuco, sétimo maior colégio eleitoral do País, a reeleição do governador Paulo Câmara é prioridade para o PSB. Para isso, a legenda quer o apoio do PT, que condiciona a negociação ao apoio do PSB a Lula no plano federal. A contrapartida é considerada uma “fatura muito alta” dentro da legenda.

MINAS E SÃO PAULO – Em Minas, o PT exige apoio à reeleição de Fernando Pimentel, mas o PSB também é cobiçado pelo PSDB.

PSB e PSDB também negociam aliança em São Paulo. O governador Márcio França (PSB) sonha em ter apoio de Alckmin. As negociações do PSB com o PSDB e o PT preocupam Ciro Gomes, que tenta trazer a legenda para a vice de sua chapa, e o nome preferido por ele é de Márcio Lacerda, ex-prefeito de Belo Horizonte e que é amigo pessoal e já trabalho diretamente com Ciro Gomes, quando ele era ministro da Integração Nacional.

Candidatura “fake” de Lula vai causar uma confusão enorme e influir na eleição

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Charge do Boopo (Humor Político)

Carlos Newton  

Esta eleição vai ser emocionante, eletrizante, impactante, algo jamais visto em país algum, porque o candidato preferido está atrás da grades e sua campanha será feita inteiramente com gravações de arquivo, a serem usadas na televisão, no rádio e na internet. Na condição oficial de candidato, Lula da Silva vai até participar dos primeiros dias da campanha eleitoral gratuita. Mas depois, quando houver a impugnação definitiva de seu nome, as participações continuarão no rádio e na TV, mas a imagem de Lula estará defendendo a eleição do candidato substituto, a ser por ele indicado.

O candidato apoiado por Lula deve passar para o segundo turno, conforme afirma o comentarista Carlos Alverga, que cita a opinião de Alberto Carlos de Almeida, considerado pela revista Fórum como “o maior especialista em voto do Brasil”. Conheço pessoalmente Erasmo Carlos e Roberto Carlos. Já tomei umas belas doses de uísque com Erasmo, quando ele morava no Leme com Narinha, e fui a uma festa de aniversário de Roberto Carlos, com apenas uns 20 convidados, na época em que ele era casado com a belíssima Miriam Rios. Quanto a este tal de Alberto Carlos, respeito a opinião, mas confesso que jamais tinha ouvido falar desta pessoa.

GRANDE CONFUSÃO – O certo é que a candidatura de Lula está destinada a causar uma grande confusão e muitos eleitores vão se decepcionar ao ver que o nome dele não está na urna. Quando for anunciada a impugnação da candidatura, será um choque para muita gente. Haverá uma comoção nacional, com choros e velas, à maneira de Noel Rosa.

A grande dúvida diz respeito à capacidade de Lula transferir votos. Ele já provou três vezes que consegue – nas duas campanhas de Dilma Rousseff e na vitória de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo. Mas na última eleição, em 2016, Lula fracassou e não conseguiu reeleger o mesmo Haddad, que nem foi para segundo turno, apesar de ter o apoio de Paulo Maluf.

Na eleição deste ano, porém, Lula pode recuperar o poder de transferir votos, porque o drama de sua prisão vai comover muitos eleitores, não há a menor dúvida. E o PT terá de indicar o substituto de Lula até 17 de setembro (20 dias antes da eleição), mas pode preferir apoiar um dos candidatos mais próximos ao partido, como Ciro Gomes (PDT), Manuela D’Ávila (PCdoB), Guilherme Boulos (PSOL) ou Aldo Rebelo (Solidariedade).

ESCOLHA DE SOFIA –  Lula vai decidir o que o PT fará. Se escolher Ciro Gomes, o candidato do PDT passa a ser o favorito da eleição. Mas se indicar algum outro nome, seja do PT ou de partido aliado, Lula estará cometendo a escolha de Sofia (a mulher que teve de decidir qual dos filhos devia morrer, para que o outro sobrevivesse).

Ciro Gomes não desistirá, vai dividir os votos da esquerda. Surgem, então, três hipóteses: 1) passam para o segundo turno um candidato de esquerda e um de direita; 2) passam dois candidatos de direita; 3) passam Ciro e o candidato apoiado por Lula.

O fato concreto é que o excesso de candidatos provoca pulverização. Por isso, há possibilidade de se passar para o segundo turno com apenas 20% dos votos válidos, ou até menos.

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P.S.
Amanhã continuaremos a análise da eleição presidencial, abordando as chances dos principais candidatos desta sucessão surpreendente, ensandecida e arrebatadora. (C.N.)

Rivalidades, inabilidades e infantilidades tornam a Tribuna uma chatice enorme

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Charge do Edra (Arquivo Google).

Carlos Newton

Jamais pensei em editar um blog, mas o destino assim quis. Quando a Tribuna da Imprensa deixou de circular, em dezembro de 2008, eu pretendia voltar ao trabalho em televisão e cinema, como documentarista. Mas o Dr. Luiz Nogueira, um dos maiores advogados do país, com escritório em São Paulo e que defende Helio Fernandes, veio ao Rio de Janeiro e me convidou para almoçar no Copacabana Palace. Durante a conversa,  propôs a criação de um blog para que Helio Fernandes não deixasse de escrever . Ele tinha patrocinadores, que garantiriam uma receita suficiente para iniciarmos o Blog.

Topei de imediato. Como não sou do ramo da informática, convidei o grande jornalista e cronista Antonio Caetano para montar e editar o Blog, que foi um sucesso desde o começo.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO – Faz quase dez anos, mas parece que foi ontem. Este blog foi criado para dar liberdade de expressão a todas as correntes ideológicas, algo inexistente na internet. Além da coluna do Helio Fernandes, passei a republicar artigos de outros portentosos jornalistas da Tribuna da Imprensa, como Sebastião Nery, Carlos Chagas e Pedro do Coutto.

Como nenhum deles era de direita, abri espaço para Percival Puggina e outros articulistas conservadores, equilibrando o barco para tocá-lo adiante, porque a ideia sempre foi publicar artigos e reportagens que provocassem discussões que fossem proveitosas para o aperfeiçoamento da democracia à brasileira, se é que podemos chamá-la assim.

O resultado foi espetacular. Depois, Helio Fernandes decidiu sair para montar seu próprio blog, o nome foi trocado para “Tribuna da Internet”, por sugestão de Antonio Caetano, e continuamos em frente, com cada vez maior influência, funcionando até mesmo como pauta para os jornalistas.

AGORA, A CHATICE – Quando Percival Puggina mandou um e-mail reclamando que eu estava esquecendo de publicar os artigos dele, julguei que minha ideia tinha dado certo, seria possível a convivência democrática de esquerda e direita. Mas agora vejo que foi um engano. O blog é uma chatice. Comentaristas vivem brigando, um provocando o outro, num festival de rivalidades, inabilidades e infantilidades, sem perceber como são ridículos a até patéticos.

No meio da baixaria, outros comentaristas surgem com palavrões, é decepcionante. Tenho de perder um tempo enorme para ler os comentários, um a um, dá para se sentir mais escravizado do que a ex-ministra Luislinda Valois…

Nesta sexta-feira, um importante artigo trazido por Mário Assis Causanilhas merecia provocar análises em profundidade. Rapidamente chegou aos 150 comentários, mas a maioria era de bobagens que nada tinham ver com o tema abordado — a estratégia dos militares no atual momento político. É desanimador, desagregador e desalentador. Mesmo assim, iremos em frente. 

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P.S. Sou comunista, mas acho ridícula a brigalhada entre direita e esquerda. As duas teorias têm erros e acertos. Minha meta é identificar os erros e acertos de cada lado e harmonizar as coisas, em benefício da sociedade. No entanto, para que isso ocorra e o mundo se equilibre, será preciso que as pessoas raciocinem sem paixões. É aí que a coisa pega.  A maioria das pessoas se nega a raciocinar, conforme fica demonstrado aqui na TI.  (C.N.)

É preciso militarizar os presídios, para conseguir sufocar as facções criminosas

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Em prisões geridas pelos militares, não haveria rebeliões

Carlos Newton

Conforme relatamos no artigo de quinta-feira, o problema central da criminalidade é o domínio do sistema carcerário pelas facções, através da cooptação dos agentes penitenciários e dos funcionários dos presídios. No Japão, para dominar a Yakuza, que era a mais bem organizada máfia do mundo, o governo teve de militarizar o sistema, com regras draconianas. Quando isso ocorrer no Brasil, logo se perceberá que é possível evitar a existência de celulares na prisão, de onde muitos chefões comandam o crime organizado.

No Brasil, essa solução só pode ser aplicada se o controle dos presídios for entregue aos militares, que promoveriam a substituição de todos os funcionários e agentes, com os novos servidores passando a trabalhar incógnitos, com os rostos encobertos por máscaras de cirurgia. E os presos seriam proibidos de levantar a cabeça para tentar reconhecê-los, exatamente como acontece no Japão.

PRISÃO ESPECIAL – A primeira prisão a funcionar nestes termos seria federal e destinada a abrigar os líderes de facções criminosas, que teriam penas severas e tratamento draconiano, com horários e normas rígidas, passando a maior parte do dia na cela, sem direito a prolongados banhos de sol ou a terem contato social com outros presos.    

Este presídio destinado aos chefões seria o único do país em que os presos não trabalhariam. Em todos as outras penitenciários os detentos prestariam serviços, para receberem salários. Haveria colônias agrícolas e prisões industriais ou prestadoras de serviços, como mecânica e lanternagem de veículos públicos, fabricação e reparos de móveis e de outros itens. Além disso,  os detentos de menor periculosidade seriam encarregados de trabalhar em obras urbanas e rurais, sob comando dos engenheiros militares.

Ao mesmo tempo, as leis contra o crime precisam ser mais rígidas, sem benesses, nem indultos de Natal e saídas para Dias das Mães. Somente presos de menor periculosidade poderiam usufruir desses benefícios. Seriam leis temporárias, já existentes desde o Direito Romano, para fases emergenciais, com agora se verifica. 

MILITARES NO COMANDO – Todos os presídios seriam administrados por militares. As normas seriam rigorosas, os presos fariam exercícios físicos e ordem unida. Assim como no Japão, a alimentação seria de boa qualidade, para garantir a saúde dos detentos, mas sem excessos. E não existiram cantinas nos presídios, nem trafico de bebidas alcoólicas e drogas.

A meu ver, somente os militares podem aprimorar o sistema carcerário. Em pouco tempo se veriam os resultados, pois as facções criminosas, sem o uso de celulares nos presídios, ficariam desorganizadas, sem receber ordens dos chefões que estão cumprindo penas. A confusão seria tamanha que se destruiriam entre si, em chacinas que seriam verdadeiras faxinas.  

Depois da aperfeiçoado o sistema carcerário, os militares então passariam a apoiar as forças de segurança na repressão ao crime organizado. Como não estamos em guerra, seria um serviço inestimável que os militares prestariam ao país. Mas quem se interessa?

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P.S.Por piedade, não acusem o editor de ser militarista. Na verdade, sou comunista, mas respeito as outras ideologias e não consigo ser idiota, nem mesmo quando estou distraído. (C.N.) 

Intervenção militar na segurança pública é uma grande ideia a ser cultivada

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Carlos Newton

Em tempo de paz, os militares deveriam ser aproveitados para melhorar os serviços públicos do país. Uma das minhas propostas é seguir o modelo do Japão, país que obteve maior sucesso no combate ao crime organizado. Mas não foi nada fácil. Ao contrário do que acontece no Brasil, onde as facções criminosas se digladiam em intermináveis disputas, no Japão pós-Segunda Guerra, o líder Yoshio Kodama conseguiu unir todas as máfias do país, e surgiu assim a poderosa Yakuza.

Kodama era de extrema-direita e começou a patrocinar o Partido Democrático Liberal, para se infiltrar na política. A atuação da Yakuza foi se expandindo até que aconteceu o escândalo envolvendo a indústria aeronáutica Lockheed em 1976, quando se descobriu que, com intermédio da máfia japonesa, a empresa norte-americana pagou mais de US$ 3 milhões para subornar o primeiro-ministro Kakuei Tanaka.

LEIS MAIS RÍGIDAS – Para conter a Yakuza, foram aprovadas leis penais cada vez mais rígidas e o sistema carcerário no Japão se tornou tão implacável que a organização criminosa teve de ceder. Suas práticas foram se modificando, passou a atuar de forma menos acintosa no Japão, explorando prostituição, filmes pornográficos (inclusive de pedofilia), agiotagem, corrupção e outras atividades ilícitas.

A Yakuza não morreu, mas ficou sob controle. Ainda é tão poderosa que chega a surpreender. No grande tsunami de 2011, a organização criminosa respondeu à crise com mais eficiência do que o governo japonês, ao fornecer comida, água potável, cobertores e outros suprimentos aos moradores de algumas das regiões devastadas.

Hoje, a Yakuza atua mais agressivamente em vários países europeus e nos Estados Unidos, porque no Japão não tem como prosperar. A segurança pública no país está totalmente sob controle, apesar de a força policial ter menos de 300 mil homens, para uma população de 127 milhões de habitantes.

SEVERIDADE TOTAL – No Japão, a Justiça penal severa é fator determinante para a baixa criminalidade. Nos presídios, o regime disciplinar é draconiano. Existem regras sobre a utilização de banheiros e a arrumação das celas. Todos os horários dos presos são cronometrados. Visitas de familiares e comunicação com o mundo exterior são limitadas e monitoradas. Violações são punidas com rigor. Não existem presos gordos, porque a alimentação é controlada, não há cantinas.

Todos os funcionários das prisões, inclusive os diretores, trabalham usando máscaras de cirurgia, para não serem reconhecidos. Os presos têm de manter a cabeça baixa, não podem olhar para os policiais ou funcionários. Caso contrário, solitária…

O CASO BRASILEIRO – Acontece exatamente o contrário no Brasil, onde todos os presídios estão dominados pelas facções. Aqui, quando um novo funcionário começa a trabalhar, sua família recebe um telefonema descrevendo a roupa que ele está usando, seus horários, a rotina da casa e dos filhos, onde estudam etc. E sua mulher é avisada de que, se o marido não colaborar com a facção, a família sofrerá represálias. No dia seguinte, cortam a cabeça de algum animal (cachorro, bode etc.) e jogam por cima do muro da casa, para reforçar a advertência.

É por isso que todos os presídios brasileiros estão tomado por uma facção ou por várias, não existe exceção. A meu ver, é uma situação tão grave que apenas os militares podem dar jeito nisso, mas têm de seguir o modelo japonês.

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P.S.
1 – No Brasil, temos cerca de 60 mil homicídios por ano. No Japão, há apenas 6 (seis) assassinatos por ano. Você sabia?

P.S. 2Amanhã voltaremos ao assunto, com mais detalhes sobre como poderia ocorrer a intervenção militar no sistema prisional, caso Bolsonaro ou algum candidato idiota como ele ganhe a eleição. (C.N.)

A ficha da “reeleição” enfim caiu, levando Temer, Padilha e Moreira ao desespero

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Como se vê na foto, o sonho da reeleição já terminou

Carlos Newton

Os maiores defensores do foro privilegiado são Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco. Desde que chegaram ao poder, em 12 de maio de 2016, eles começaram a acalentar o sonho da reeleição, para manterem seus processos no Supremo Tribunal Federal e se beneficiarem com a lerdeza da tramitação e a velocidade da prescrição dos crimes, por já terem mais de 70 anos. Achavam que a recuperação da economia poderia alavancar a candidatura de Temer e vibraram quando saiu a pesquisa Ibope em 20 de dezembro, porque na avaliação do governo o índice “Bom/Ótimo” subiu de 3% para 6%, enquanto 16% consideraram “Regular” a gestão de Temer.

Os três mosqueteiros do Planalto (que eram quatro, contando com Geddel Vieira Lima) pensavam que esses 6% de “Bom/Ótimo” seriam automaticamente transferidos para as pesquisas eleitorais, colocando Temer em empate técnico com Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Alvaro Dias. Mas isso não ocorreu.

NÃO DECOLOU – O fato concreto é que cinco meses depois, a candidatura de Temer simplesmente não decolou. A mais recente pesquisa do Instituto Paraná, feita no Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral, mostra que Temer tem apenas 1,2% das intenções de voto, disputando a oitava colocação com Rodrigo Maia e Manuela D’Ávila.

A ficha então caiu no núcleo duro do Planalto, mas acontece que Temer não pode desistir da candidatura. Ele sonha em ter votos suficientes para fechar acordo com um dos candidatos no segundo turno, visando a garantir uma embaixada para si e cargos no ministério para Padilha e Moreira, para manter o trio no foro privilegiado.

Esta estratégia, porém, é apenas mais uma ilusão. A analogia fará com que a decisão do Supremo deixe de beneficiar também embaixador e ministro que tenham cometido crimes anteriores ao período do cargo/mandato.

SÓ A PRESCRIÇÃO – Os membros da “troika” palaciana estão no desespero. Sabem que a única saída é contar com a passagem do tempo, para que seus crimes prescrevam antes de serem executadas as condenações. Temer, Padilha e Moreira, com mais de 70 anos, têm direito à prescrição mais curta, pode até ser que escapem da merecida cadeia.

Outra boa maneira é ficar doente, igual aos moribundos José Genoino (que estava prestes a morrer no mensalão, lembram?), Paulo Maluf, Jorge Picciani e o coronel Lima, que há dez meses não tem forças para prestar depoimento, mas faz questão de estar sempre bronzeado. Como se sabem, Temer não goza de boa saúde; Padilha é igual a Maluf e Picciani, também usa fraldas geriátricas; e Moreira está cada vez mais magrinho, faz até dó.

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P.S.
Já ia esquecendo. Lula da Silva também inspira cuidados. O PT exige que ele seja examinado por uma Junta Médica e ameaça recorrer à ONU caso não haja autorização. A qualquer momento, portanto, Lula pode sofrer um piripaque e conquistar o direito de voltar logo para casa. (C.N.)  

Em contato na Câmara, Bolsonaro deu a impressão de ser um completo idiota

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Bolsonaro ouviu a gravíssima denúncia e não fez nada

Carlos Newton

Em setembro de 2007, a representação do Brasil nas Nações Unidas assinou um tratado internacional da maior importância: a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, aprovada pelas Nações Unidas com surpreendente apoio do governo brasileiro (leia-se: presidente Lula da Silva e chanceler Celso Amorim). Quinze países que têm populações indígenas (ou nativas) rejeitaram ou se abstiveram, entre eles EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Rússia. Mas o Brasil, infantilmente, capitulou. 

Conforme temos alertado aqui no blog da Tribuna da Internet, esta Declaração da ONU concede às chamadas nações indígenas o direito de se emanciparem, tornando-se autônomas em termos territoriais, políticos, econômicos e sociais, inclusive com fronteiras fechadas. Ou seja, podem se declarar países independentes.

200 NOVOS PAÍSES – No caso do Brasil, a assinatura do Tratado significa que o país aceita conceder independência às mais de 200 “nações indígenas” aqui existentes, que já controlam cerca de 15% do território nacional. Como ainda há muitas reservas  a serem demarcadas, acredita-se que área total das terras desses países indígenas vá ultrapassar 20% do território brasileiro.

O Brasil assinou discretamente essa Declaração em setembro de 2007 e a grande mídia fez questão de esconder o fato. Fui o único jornalista a escrever a respeito, na “Tribuna da Imprensa” de Helio Fernandes, dando sequência a denúncias do advogado Celso Serra na loja maçônica Dous de Dezembro, do Grande Oriente, aqui no Rio de Janeiro.

Alertados pelo noticiário da “Tribuna da Imprensa”, os serviços de inteligência das Forças Armadas entraram em campo, nos bastidores do poder. Nesta ocasião, fui pessoalmente a Brasília, para alertar os parlamentares sobre o golpe que se tramava contra o Brasil e que podia significar a internacionalização de grande parte da Amazônia.  

CONGRESSO DESCONHECIA – Entrevistei vários parlamentares da Região Amazônica, como os senadores Arhur Virgilio, Tião Viana e Mozarildo Cavalcanti. Nenhum deles tinha o menor conhecimento do assunto, mas prometeram ficar atentos para evitar a aprovação do Tratado da ONU pelo Congresso Nacional.

Lembrei, então, de procurar o deputado Jair Bolsonaro. Achei que, por ser militar, ele ficaria revoltado com a traição que o governo Lula tinha cometido, um verdadeiro crime de lesa-pátria. Expliquei a ele o que significava o Tratado da ONU e o fatiamento do território nacional. Mas Bolsonaro não deu importância à informação que lhe transmiti. Não fez nenhum comentário. Insisti e repeti as afirmações, explicando o que haveria em função da independência das 200 nações indígenas brasileiras, algumas ocupando extensões do tamanho de Portugal ou até Itália, no caso da nação Yanomami.

Eu pensava que Bolsonaro imediatamente iria ficar indignado e me pedir subsídios para ocupar a tribuna da Câmara e denunciar a manobra contra o Brasil. Mas o deputado não disse nada e então percebi que se tratava de um idiota completo, que não conseguira entender a importância da denúncia que recebera.

SOLUÇÃO MILITAR – Bolsonaro nada fez. Mas os militares, que tinham recebido subsídios da Loja Maçônica Dous de Dezembro, decidiram intervir. Os comandantes das três Armas avisaram ao governo que não aceitariam que o Tratado da ONU fosse enviado ao Congresso para ratificação e entrada em vigor. E assim se fez.

Já se passaram dez anos e até agora o Congresso não recebeu a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas para levar À votação. Os chefes indígenas já reclamaram muito. Procuraram não somente à ONU, mas também a Organização dos Estados Americanos (OEA) e os Papas João Paulo Segundo e Francisco. Mas não adiantou nada. Os indígenas continuam a ser brasileiros e suas valiosíssimas terras não serão internacionalizadas.

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P.S. 1 –
Quando o jornal Tribuna da Imprensa deixou de circular, em 2008, todo o acervo foi criminosamente retirado da internet. Podem conferir nos sites de busca, não existe uma só reportagem na grande mídia a respeito da independência das nações indígenas.

P.S. 2O governo Lula tinha maioria tranquila no Congresso e poderia aprovar o Tratado discretamente, bastava arranjar um relator compreensivo. Graças à atuação do advogado Celso Serra, isso não aconteceu. Articulista e comentarista da nossa TI, Serra é um herói brasileiro que continua anônimo. Poucas pessoas conhecem a importância de sua atuação em defesa do país.

P.S. 3 – Se Bolsonaro não fosse um idiota completo, teria liderado uma campanha contra o Tratado da ONU, tornar-se-ia um herói nacional e hoje seria imbatível na eleição. Apenas isso. (C.N.)

Ninguém pode ser contra os militares, mas o passado deles deve ser lembrado

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Carlos Newton

Está havendo uma grande confusão sobre a pesquisa do professor Matias Spector, da Fundação Getúlio Vargas, que acaba de confirmar a revelação do jornalista e historiador Elio Gaspari sobre a inaceitável repressão da ditadura militar, que incluiu a execução sumária de militantes da chamada luta armada, por orientação da secretaria de Estado dos EUA, à época comandada por Henry Kissinger.

Não há novidade. Assim como eram conhecidas as barbaridades cometidas pela luta armada, também se sabiam os excessos dos governos ditatoriais no esquema de repressão, fazendo com que a violência realimentasse a própria violência, isso ocorreu no passado recente, tem muitos participantes vivos ainda por aí.

SUBMISSÃO AOS EUA – A única notícia que representa alguma novidade é a confirmação de que os governos militares eram subordinados aos interesses dos Estados Unidos, embora o próprio Ernesto Geisel tenha depois dado um basta, ao fechar o acordo nuclear com a Alemanha, porque embutia transferência de tecnologia, levando à loucura o Governo norte-americano.

Em meio à discussão estéril e histérica que hoje se trava, em função das revelações do professor Matias Spector, é conveniente colocar ordem na bagunça e destacar as verdades que não podem ser contestadas e que ficarão na História, quer queiram ou não:

1. Os militares brasileiros são nacionalistas. A submissão aos Estados Unidos, existente à época, era provocada pela Guerra Fria, que não admitia exceções – ou se era aliado aos EUA ou à União Soviética.

2. A luta armada não era de brincadeira, com atentados terroristas que vitimavam inocentes, mas essa barbárie não justificava que o governo brasileiro adotasse uma política oficial de execuções sumárias de quem já estava preso e não constituía mais ameaça. Nenhum governo, mesmo bem intencionado, tem direito de cometer crimes contra a Humanidade.

3. A Lei de Anistia foi sábia, ao tentar colocar uma pedra no passado e fazer o Brasil olhar para a frente. Os militantes foram contemplados com vultosas indenizações e os militares assassinos e torturadores ganharam o ansiado perdão. Agora, não adianta espernear, porque o Supremo já confirmou a validade da anistia.  

4. O regime de 1964 foi econômica e socialmente produtivo, o Brasil passou a ser o país de maior crescimento no século XX, só não está em melhor situação hoje devido ao descontrole populacional, que duplicou o número de habitantes em apenas uma geração, multiplicando a pobreza, as favelas, a criminalidade e outros problemas sociais. Curiosamente, esta falta de planejamento familiar foi defendida à época pelo governo, pela Igreja e até pelo Partido Comunista, vejam que a idiotice abunda indistintamente. Se nossos pobres tivessem menos filhos, não seriam tão pobre hoje. 

5. Temendo a volta do regime militar, os parlamentares aprovaram uma Constituição cheia de salvaguardas e de jabuticabas, como o foro privilegiado e a prisão após “trânsito em julgado”, ao invés de se basear nas experiências vitoriosas dos países de maior índice de civilização.

6. O resultado destas salvaguardas que protegem os políticos foi a impressionante escalada da corrupção, criando fenômenos como Sérgio Cabral, José Dirceu, Valdemar Costa Neto, Eduardo Cunha e o próprio Lula da Silva, que se deixaram enfeitiçar pelo enriquecimento ilícito propiciado por empresários sem o menor caráter, como Marcelo Odebrecht, Léo Pinheiro, Otávio Azevedo e tantos outros.

7. Os militares brasileiros de hoje são uma evolução. Continuam nacionalistas e preocupados com o país. A maior crítica que fazem é sobre a falta de planejamento governamental. “O Brasil está à deriva”, diz o comandante do Exército, general Villas Bôas, com a concordância de todos os militares.

8. Não tem cabimento a teoria conspiratória que atribui aos EUA uma tentativa de interferir na eleição brasileira e evitar a vitória de Bolsonaro. Pelo contrário, Bolsonaro é considerado um aliado confiável pelos norte-americanos e não é à toa que ele até bate continência diante da “american flag”, numa atitude condenada pelos militares brasileiros.

9. Bolsonaro não era o candidato dos sonhos dos militares, mas os oficiais generais já o aceitaram e vão lutar por sua vitória. Acham que o presidente militar poderá ser monitorado por eles e fazer um bom governo. A candidatura do general Mourão ainda é uma incógnita. Bolsonaro já o convidou para ser ministro da Defesa, mas os militares querem que ele seja vice-presidente, para evitar problemas futuros.

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P.S. –
Como o assunto é muito vasto e controverso, amanhã voltaremos a ele, inclusive relatando a conversa que tivemos com Bolsonaro na Câmara, quando constatamos que ele é um completo idiota. (C.N.)     

Será que alguém ainda defende uma nova intervenção militar?

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Charge do Latuff  (Arquivo Google)

Carlos Newton

Os Estados Unidos são um país sórdido, imperialista e dominador, mas têm muita grandeza, é um povo admirável e cultiva algumas práticas democráticas que merecem ser enaltecidas. Uma delas, que o Brasil somente agora começa a imitar timidamente, é a mania de colocar criminoso e corrupto na cadeira, não importa se está idoso e faz xixi na fralda geriátrica. Outro costume extraordinário deles é a transparência nos atos públicos sigilosos, que se tornam públicos assim que termina  o período da quarentena histórica.

Sem paixões ideológicas, o Brasil deveria imitar o que os EUA ou qualquer outro país tem de bom. É triste que sempre precisemos recorrer à matriz quando queremos saber o que realmente ocorreu aqui na sucursal, tempos atrás.

COINCIDÊNCIA? –  Exatamente quando mais se defende uma nova intervenção militar aqui na Carnavália, vem à tona (lá nos EUA) a prática oficial brasileira de executar opositores da ditadura de 64.

É claro que todos sabem das torturas e trucidamentos cometidos pela ditadura, mas nos últimos tempos esses atos de barbarismo passaram a ser sutilmente justificados, sob a alegação de que os militares apenas reagiam aso atos de terrorismo da luta armada.

De repente, é tenebroso ter a confirmação, vinda da matriz, de que a cúpula do governo ditatorial brasileiro, que incluía militares e civis, adotava como política oficial a execução de opositores. É uma vergonha inominável para os brasileiros.

SEM JUSTIFICATIVA – A alegação de que os terroristas faziam pior, porque matavam inocentes, é aparentemente válida, mas nada justifica torturas e execuções sumárias, num país sem pena de morte. Além disso, o governo militar tinha a força das armas e recursos financeiros suficientes para combater e derrotar facilmente a luta armada, que nunca constituiu grande ameaça à ditadura.

Torturas e execuções são considerados crimes contra a humanidade, coisas da Antiguidade, que ocorriam num tempo em que ainda não havia juízes de verdade. Mas parece que o mundo pouco mudou, pois ainda hoje sempre surge quem se disponha a defender essas práticas verdadeiramente monstruosas.

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P.S. – Nessa situação é sempre bom lembrar Lord Kenneth Clark, um dos maiores historiadores de todos os tempos, que morreu em 1983 sem jamais ter conhecido uma civilização. Sua frase mais célebre é esta: “Civilização? Sei bem o que significa. Se algum dia encontrar alguma, saberei reconhecê-la”. (C.N.)

Bloco liderado por Rodrigo Maia pode ser decisivo na eleição presidencial

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Charge do Gilmar (gilmar.zio.net)

Carlos Newton

Em 8 de março, quando foi divulgado a notícia de que o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), também seria candidato à sucessão, comentamos aqui na “Tribuna da Internet” que era um tipo de “fake news”. Na verdade, a candidatura dele era apenas para marcar presença e valorizar o passe no mercado livre das coligações, que está funcionando a todo vapor. Na mesma análise, explicamos que Maia estava conduzindo uma negociação da maior importância, porque ele representava outros dois partidos, o PP e o Solidariedade.

Não deu outra. E agora, por inconfidência da assessoria do Podemos, vieram à tona as negociações do bloco de Maia com o candidatos Alvaro Dias (Podemos), que já demonstrou ter chances de crescer na disputa, e Flávio Rocha (PRB), que aceita uma união de centro, ficando a cabeça de chapa com quem estiver melhor nas pesquisas, o que beneficia Alvaro Dias.

MAIA NÃO GOSTOU – O presidente da Câmara não gostou de ver divulgadas as conversações com o Podemos e respondeu com uma dura entrevista a Jefferson Ribeiro, de O Globo. Questionado sobre a articulação, Rodrigo Maia despistou. Disse que apenas almoçou com a deputada Renata Abreu, presidente do Podemos, e com Álvaro Dias, mas sem nenhum objetivo de construir nenhuma coalizão. Assinalou que houve apenas troca de ideias e fulminou: “Cada um (está) vazando o que interessa e ninguém (está) falando a verdade”.

Alvaro Dias, porém, confirmou que os partidos estão conversando e que ele tem ficado um pouco distante para evitar suspeições, já que pretende  manter sua candidatura.

Para aumentar a confusão, Maia então vazou para repórter Marina Lima, da Folha, que o DEM, o PP e o PR também cogitam um acordo com o candidato do PDT, Ciro Gomes.

UM BOM NEGÓCIO – A notícia não surpreende, porque há alguns meses Rodrigo Maia disse acreditar que Ciro Gomes chegue ao segundo turno, porque a tendência da candidatura dele é crescer muito, atraindo o eleitorado jovem que não terá Lula na disputa.

Maia sabe que Alvaro Dias também tem muitas chances, por ser um candidato com boa imagem e muitos eleitores podem considerá-lo “o menos pior”.  Na avaliação do presidente da Câmara, tanto Ciro quanto Alvaro têm condições de derrotar Bolsonaro no segundo turno.

Portanto, agora o desafio é saber quem será apoiado por Maia e seu forte grupo. Como dizia o personagem El Cid, na tragicomédia de Pierre Corneille, entre os dois o coração de Maia balança.

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P.S. 
Ao que parece, o bloco de Maia, que antes era composto de DEM, PP e Solidariedade, está negociando também em nome do PRB e do PR. Como se vê, a confusão é geral e necessita de permanente tradução simultânea. (C.N.)

Barbosa se acovardou e Mourão faz a eleição recomeçar sem favoritos

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Barbosa amarelou, decepcionando muitos eleitores

Carlos Newton

Joaquim Barbosa tinha tudo para vencer e desta vez suas possibilidades de vitória eram muito mais concretas, porque não havia mais o fantasma do imbatível Lula da Silva a assustar os adversários. O espaço político estava aberto e propício ao surgimento de uma nova liderança.

LULA CANDIDATO – É claro que Lula vai influir na eleição, até porque será candidato mesmo estando preso. Suas mensagens políticas poderão ser exibidas no horário eleitoral na TV, com uso de gravações antigas, e o efeito será bombástico, não há dúvida. Mas acontece que sua participação na campanha somente poderá ocorrer de 31 de agosto a 12 de setembro, quando o Tribunal Superior Eleitoral irá declarar indeferido seu registro, devido à Lei da Ficha Limpa e à suspensão dos direitos políticos.

O PT então terá prazo de apenas cinco dias – até 17 de setembro, portanto – para registrar um novo candidato à Presidência da República, pois o Código Eleitoral exige que a substituição ocorra até 20 dias antes da eleição, para que haja tempo suficiente e o nome do candidato substituto possa estar incluído na lista a ser inserida na urna eletrônica.

AMARELOU – Quanto a Joaquim Barbosa, não há dúvida de que o quase candidato mais uma vez amarelou. Com sua descomunal vaidade, certamente esperava ser carregado no ombro pelos novos correligionários. Como não foi isto o que aconteceu, encontrou alguma resistência e acabou jogando a toalha. Como diria Romário, o ministro aposentado mal entrara no time e já queria sentar na janela do ônibus…

As desculpas foram muito fracas. Barbosa fisse não acreditar que a eleição deste ano vá “mudar o Brasil”. E acrescentou: “Os políticos criaram um sistema político de maneira a beneficiar a eles mesmos. O sistema não tem válvula de escape. O cidadão brasileiro vai ser constantemente refém desse sistema. Você não tem como mudá-lo”.

Vejam que se trata de um falso líder político, porque é do tipo conformista. Sabe que o sistema está errado, mas nada faz para corrigir e até tenta se justificar, dizendo que não há como melhorar a situação. Em tradução simultânea, trata-se de um farsante.

E O GEN. MOURÃO – Sem o amarelado Barbosa e a chegada do intrépido general Hamilton Mourão, que não amarela, a sucessão volta à estaca zero, com 77% dos eleitores ainda sem terem escolhido candidato. Segundo o Datafolha, 46% ainda estão indecisos e 21% pretendem votar nulo ou em branco. Ou seja, somente 33% já se definiram na chamada “pesquisa do voto espontâneo”, em que o entrevistador apenas pergunta quem o eleitor prefere, sem citar nomes nem exibir listas.

Entre esses 33% que já têm candidato,  13% apoiam Lula e 11% estão com Bolsonaro. Quanto aos 9% restantes, estão divididos entre os demais candidatos – Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Joaquim Barbosa, Alvaro Dias, Michel Temer, Rodrigo Maia, Henrique Meirelles etc., nenhum deles chega a ter 1%.

Somente quando é apresentada aos entrevistados a lista de candidatos é que Marina, Ciro, Alckmin, Alvaro etc. começam a marcar pontos, vejam como as pesquisas são enganosas.   

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P.S. 1 – O general Mourão muda tudo. Se for candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, irá fortalecê-lo expressivamente. Mas se resolver disputar a Presidência, Bolsonaro ficará enfraquecido, não há dúvida. Recapitulando: hoje, quem ganha a eleição é a turma dos indecisos, que tem 46%, o que significa maioria absoluta, com cerca de 58%  dos votos válidos. 

P.S. 2 – Isso significa que a eleição ainda nem começou e teoricamente qualquer um pode ser vencedor. (C.N.) 

Boulos é o verdadeiro culpado pela tragédia do prédio em São Paulo

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Boulos é a prova da podridão dos movimentos sociais

Carlos Newton

Uma das circunstâncias que mais causaram revolta, no caso do prédio público que pegou fogo e desabou no Centro de São Paulo, foi o fato de os pobres moradores serem obrigados a pagar aluguel de até R$ 400 aos implacáveis coordenadores do Movimento de Luta Social por Moradia (MLSM). Foi a ponta do iceberg de um escândalo muito maior, que é a existência deste tipo de máfia social, encoberto sob o manto de um movimento supostamente político. E não é um fenômeno apenas de São Paulo, porque a manipulação dos sem teto ocorre em âmbito nacional.

De acordo com os moradores, as regras no local eram bastante rígidas. Ele relembram que o fornecimento de água só ficava liberado de madrugada e que a maioria dos portões recebida cadeados à noite, após as 19 horas.

NÃO HÁ GOVERNO – É claro que estas distorções só ocorrem porque não há governo nem existe proteção ao patrimônio público. Reportagem recente da revista IstoÉ mostra que somente o INSS possui mais de 3,5 mil imóveis, e grande número deles já está sob invasão.

Em 1995, aqui no Rio de Janeiro, eu trabalhava no Sindicato dos Músicos e fui incumbido de procurar um imóvel público desocupado que pudesse servir de sede para um abrigo destinado a acolher músicos idosos, nos moldes do famoso Retiro dos Artistas.

Consegui a listagem dos imóveis do governo estadual, eram milhares, e passei a procurar um prédio que se adaptasse à “Casa do Músico”, com que sonhavam Léo Ortiz e Helio Sena, dirigentes do Sindicato e meus amigos queridos.

USO POLÍTICO – Helio Sena, que era professor universitário, costumava ir comigo. Logo de cara, no Centro do Rio, encontramos prédios inteiros ocupados por invasores. Sem querer, eu estava fazendo uma reportagem investigativa que deveria ter publicado, mas acabei desistindo.

O mais impressionante era o uso político. À época,  a organização dos sem teto estava sendo feita pelo PCdoB, que comandava invasões e ocupações. A diferença é que não havia cobrança de aluguel aos ocupantes, como ocorria agora no prédio que desabou em São Paulo.

Anos depois surgiria o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que rivalizou com o PCdoB e foi implantado em âmbito nacional por Guilherme Boulos, um jovem paulista da classe média alta, formado em Filosofia, com especialização em Psicanálise. Boulos é uma versão urbana de João Pedro Stédile, o economista que há décadas lidera os camponeses brasileiros.

STÉDILE E BOULOS – Trata-se de dois líderes altamente suspeitos. Stédile jamais empunhou uma enxada, instrumento que ele deve até confundir com a picareta, e Boulos nunca dormiu ao relento. Por isso, a existência do suposto Movimento de Luta Social por Moradia (MLSM), que seria um braço do MTST e cobra “aluguel” dos sem teto, é algo insuportável, intolerável e inaceitável.

O fato demonstra que, neste país, não somente os três Poderes da República apodreceram, mas até mesmo os movimentos sociais de base estão putrefatos, pestilentos e nauseabundos.

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P. S. 1 – Boulos é o grande líder dos 150 movimentos de sem teto em São Paulo. Se existe cobrança de aluguéis é porque ele permite e não adianta alegar o MTST não incentiva a repugnante prática.

P.S. 2 – E o PSOL, que se diz de esquerda, não tem vergonha de lançar para a Presidência da República um candidato como Boulos, que em última análise é o principal responsável pela tragédia do Edifício Wilton Paes de Almeida? Como dizia Tom Jobim, é a lama, é a lama. (C.N.)

Há 200 anos, nascia Marx, um dos maiores benfeitores da Humanidade

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Há exatos 200 anos, num dia 5 de maio, nascia na Prússia o pensador Karl Heinrich Marx, cuja extensa obra, em parceria com o filósofo alemão Friedrich Engels, iria influenciar de forma decisiva muitas mudanças que ocorreriam na trajetória recente da Humanidade. “Uma das características da obra de Marx é que pode ser explicada em cinco minutos, em cinco horas, em cinco anos ou em meio século“, dizia o sociólogo francês Raymond Aron, um dos maiores estudiosos do marxismo (ou comunismo ou socialismo científico, não importa a denominação).

Interessante notar que nos últimos 150 anos nenhum pensador sofreu uma campanha difamatória tão intensa quanto Marx e Engels, que passaram a ser tidos com inspiradores de ditaduras sanguinárias e que defendiam cerceamento da liberdade, censura à imprensa e proibição às religiões. Mas será que eles eram assim mesmo?

O MENINO PROTESTANTE – O pai de Marx era um judeu convertido ao Protestantismo. Desde os seis anos de idade, o menino passou a acompanhar a família nos cultos dominicais e encontrou na mensagem de Cristo nos Evangelhos uma força social transformadora, que depois se tornaria base das teorias econômicas e políticas que viria a traçar com Engels, que se pautavam pela necessidade de reformas em benefícios das classes menos favorecidas.

Na visão de Marx e Engels, não se tratava de defender dogmas ou metas religiosas. Ao contrário, o que vislumbravam era liberdade, a ansiada libertação da semiescravatura social em que se vivia naquela época, quando não havia direitos trabalhistas nem proteção aos mais carentes.

A angústia religiosa é ao mesmo tempo a expressão da verdadeira angústia e o protesto contra esta verdadeira angústia. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, tal como ela é o espírito de uma situação sem espiritualidade. Ela é o ópio do povo” – escreveu Marx em “Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel” (1844), mostrando que seu pensamento sobre religião era muito mais complexo do que aquilo que se propaga habitualmente sobre ele.

O REINO DE DEUS – Engels era de uma família judia alemã que tinha até rabinos, mas se dizia ateu e partilhava dessa visão de Marx, por acreditar que o cristianismo era a religião dos pobres e oprimidos. Se pai era dono de uma das primeiras multinacionais do mundo, com indústrias na Alemanha e na Inglaterra.

Em seu estudo publicado em 1850 sobre a revolta dos camponeses alemães no Século XVI (“As Guerras Camponesas na Alemanha”), Engels afirmou que o teólogo cristão Thomas Munzer, que liderava os camponeses revolucionários, estava lutando pelo estabelecimento imediato e concreto do “Reino de Deus”, que Munzer visualizava como uma sociedade sem diferenças de classe e sem propriedade privada.

Portanto, também Engels reconhecia a importância e o potencial contestatório da religião como transformadora social.

COMPARAÇÕES – Chega a ser patético comparar Marx e Engels a seus supostos “seguidores”, como Stalin, Lênin, Fidel Castro, Pol Pot, Kim Il-Sung e Mao Tsé Tung. Somente mentes ignaras e doentias podem fazê-lo.

Os detratores esquecem que Marx e Engels escreviam sobre os problemas sociais que poderiam acontecer como reação ao capitalismo vigente na época, quando não havia direitos trabalhistas e sociais, a exploração do homem pelo homem não dava tréguas.

Mas isso não significa que defendessem ditaduras, opressão, censura à imprensa, genocídios, como até hoje se propaga, irresponsavelmente. Tudo o que eles previam, como a ditadura do proletariado em busca de uma sociedade mais justa, obviamente só aconteceria se o capitalismo não evoluísse e continuasse a massacrar os trabalhadores.

LIBERDADE INDIVIDUAL – Ao contrário do que se diz hoje, Marx e Engels defendiam o livre desenvolvimento de cada cidadão. “No lugar da velha sociedade burguesa, com suas classes e seus antagonismos de classe, surge uma associação em que o livre desenvolvimento de cada um é pressuposto para o livre desenvolvimento de todos“, afirmaram Marx e Engels, que defendiam a meritocracia.

Na fase superior da sociedade comunista, quando houver desaparecido a subordinação escravizadora dos indivíduos à divisão do trabalho e, com ela, o contraste entre o trabalho intelectual e o trabalho manual; quando o trabalho não for somente um meio de vida, mas a primeira necessidade vital; quando, com o desenvolvimento dos indivíduos em todos os seus aspectos, crescerem também as forças produtivas e jorrarem em caudais os mananciais da riqueza coletiva, só então será possível ultrapassar-se totalmente o estreito horizonte do direito burguês e a sociedade poderá inscrever em suas bandeiras: De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades“, escreveu Marx em 1875, na “Crítica ao Programa de Gotha”.

UM NOVO CAPITALISMO – Diante das denúncias de Marx e Engels, o capitalismo evoluiu de forma espetacular, mas até hoje não conseguiu reduzir as desigualdades sociais. Os dois filósofos não previram este aprimoramento do capitalismo, porém conseguiram antever, com impressionante precisão, os males do chamado capitalismo financeiro.

Em maio do ano passado, a revista britânica “The Economist” publicou um artigo sob o título “O momento marxista” e o subtítulo “Os trabalhistas têm razão: Karl Marx tem muito a ensinar aos políticos de hoje”.

O artigo de Adrian Wooldridge discute o que considera as grandes profecias de Karl Marx (assim as define), para entender o que está acontecendo hoje no mundo capitalista desenvolvido. O jornalista britânico conclui que muitas das previsões do velho economista Marx resultaram corretas. Entre elas destaca que a classe capitalista, a dos proprietários e gestores do grande capital produtivo, cada vez mais está sendo substituída – como anunciou Marx – pelos proprietários e gestores do capital especulativo e financeiro, que Marx considerava parasitários da riqueza criada pelo capital produtivo.

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P. S. 1 –
Essa classe parasitária é a que, segundo “The Economist”, domina hoje o mundo do capital, sendo tal situação a maior responsável pelo “abusivo” e “escandaloso” crescimento das desigualdades sociais. Exatamente como Marx e Engels, aqueles dois imbecis esquerdopatas, previram com impressionante exatidão.

P.S. 2 – Como se vê, a defesa dos aspectos positivos do marxismo não é privilégio nem exclusividade da “Tribuna da Internet”. O capitalismo financeiro está oprimindo o mundo e a saída é o socialismo democrático dos países escandinavos. Aliás, diz a física de Newton que o equilíbrio sempre está no meio. (C.N.)

Lula se diz perseguido, mas os processos comprovam os atos de corrupção

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Charge do Miguel (Jornal do Comércio/PE)

Carlos Newton

Já virou rotina. Mais uma vez denunciado pela procuradora-geral da República Raquel Dodge, sob novas acusações de corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, continua a se dizer perseguido político pela Operação Lava Jato e suas decorrentes, mas a realidade dos fatos lhe é altamente negativa e desmente a principal tese de defesa, que só consegue alguma solidariedade no exterior.

Quem está no Brasil e acompanha a evolução dos inquéritos e processos contra Lula não pode aceitar que se trata de perseguição política. Até mesmo o pensador norte-americano Noam Chomsky, grande admirador de Lula, já abandonou esta ilusão que o PT segue divulgando em âmbito internacional.

RÉU CONDENADO – São dez casos judiciais abertos contra o ex-presidente – quatro inquéritos e seis processos a que responde como réu, já tendo sido condenado em um deles, o triplex de Guarujá. As acusações variam entre corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e até obstrução de Justiça.

Na mais recente denúncia, apresentada segunda-feira, dia 30, a procuradora-geral da República Raquel Dodge afirma que o ex-presidente cometeu novos crimes de corrupção passiva. Segundo a acusação, a Odebrecht prometeu ao petista em 2010 um valor de R$ 64 milhões (US$ 40 milhões) em propina, que teria sido doação eleitoral em troca de benefícios para a empresa.

A investigação se baseou na delação premiada dos executivos da empreiteira e também em documentos apreendidos por ordem judicial, como planilhas e mensagens, além de quebras de sigilo.

CONSTATAÇÃO – Segundo pesquisa da Folha, as peças de acusação mostram que 19 procuradores de primeira instância — entre eles 13 da força-tarefa do Paraná— concordam que Lula cometeu algum crime. No Distrito Federal, seis procuradores assinaram denúncias. Em seu mandato como chefe do Ministério Público, Rodrigo Janot ofereceu duas denúncias contra o ex-presidente. Agora, a substituta Raquel Dodge também faz denúncia, elevando a 27 o número de integrantes da Procuradoria que comprovaram crimes do ex-presidente.

O juiz Sergio Moro concordou com as acusações dos procuradores e foi o primeiro a condenar Lula. Sua sentença foi aprovada por unanimidade pelos desembargadores João Pedro Gebran Neto, Victor Laus e Leandro Paulsen, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Sobem, assim, para 31 o número de procuradores e magistrados que constataram crimes cometidos por Lula.

NO STJ E STF – As acusações contra Lula já foram examinadas por seis ministros do Superior Tribunal de Justiça, entre eles o vice-presidente Humberto Martins, e nenhum deles se manifestou a seu favor. A decisão da Quinta Turma sobre Lula também foi unânime.

No Supremo, sete ministros votaram contra o ex-presidente – Teori Zavascki, Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Rosa Weber.

Portanto, são 44 os membros do Ministério Público e do Judiciário que já se posicionaram contra Lula. E apenas cinco ministros do STF ficaram a favor dele no caso do habeas corpus que impediria sua prisão após segunda instância – Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Ou seja, o placar está 44 a 5.

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P.S. –
Mas há um detalhe. Marco Aurélio, Gilmar Mendes e Celso de Mello só votaram a favor do habeas de Lula porque são teoricamente contrários à prisão após segunda instância, e de forma alguma isso significa que os três acreditem na inocência de Lula. E o placar verdadeiro será de 47 contra e apenas 2 a favor de Lula.

P.S. 2 – Como Toffoli e Lewandowski são amigos íntimos de Lula, estariam impedidos de votar, na forma da lei. Mas quem se interessa? (C.N.)

Gilmar e Lewandowski podem evitar as restrições ao foro privilegiado

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Lewandowski e Gilmar podem pedir vista hoje

Carlos Newton

Hoje pode ser o dia da virada no Supremo, porque estará em votação final a proposta de restringir o foro privilegiado. Portanto, enfim saberemos se ainda há juízes em Brasília. O relator é o ministro Luís Roberto Barroso, que aproveitou um caso concreto de restrição de foro ao atual prefeito de Cabo Frio (RJ), Marcos da Rocha Mendes, que era deputado e responde a uma ação no STF por compra de votos.

PRIMEIRA INSTÂNCIA – Como o réu não é mais parlamentar, Barroso obviamente defendeu o retorno do processo à primeira instância da Justiça Eleitoral e incluiu em seu voto as restrições ao foro privilegiado.

Iniciado em novembro do ano passado, o julgamento foi interrompido por um inusitado pedido de vista do ministro Dias Toffoli, quando o resultado já era de 8 votos a 0.

Detalhe importante: entre os oito ministros que se manifestaram a favor de Barroso, apenas Alexandre de Moraes apoiou o parecer com restrições.

FORO MITIGADO – De acordo com a maioria já formada, deputados federais e senadores somente devem responder a processos no STF se o crime for praticado no exercício do mandato. No caso de delitos praticados antes da posse, o parlamentar seria processado pela primeira instância da Justiça, como qualquer cidadão.

Na sessão de 23 de novembro, com o placar de 8 a 0, Dias Toffoli entrou no desespero para manter o foro privilegiado, pediu vista e interrompeu o julgamento. Desde então, intensificou-se na mídia e na internet um movimento para forçar o ministro a devolver o processo.

Já cansado com o permanente assédio dos jornalistas, e sem encontrar qualquer justificativa para reter a causa, Toffoli acabou jogando a toalha e devolveu os autos.

PEDIDO DE VISTAS? – O julgamento deve ser rápido, porque só faltam os votos de Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, os três mosqueteiros que lutam apaixonadamente em defesa da impunidade dos políticos e empresários envolvidos em corrupção.

Mas nada impede que Gilmar ou Lewandowski também peçam vista e engavetem novamente a proposta, sob alegação de que o assunto está em discussão no Congresso.

Tudo é possível no Supremo de hoje, porque há ministros que desprezam a causa pública para defender a privada, como diria o jornalista Apparicio Torelli, o Barão de Itararé.

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P.S. 1 –
O caminho para os defensores do foro privilegiado e da impunidade dos políticos corruptos foi aberto no voto dúbio do ministro Alexandre de Moraes. Na avaliação dele, não há como fazer uma distinção entre crimes comuns e crimes relacionados com o exercício do mandato. “Não há aqui margem para que se possa dizer que infrações penais comuns, que não sejam crimes de responsabilidade, praticadas por deputados e senadores, não sejam de competência do Supremo Tribunal Federal” — disse Moraes, concluindo: “Entendo que só por emenda constitucional é possível essa alteração”.

P.S. 2 – Em tradução simultânea, Moraes votou a favor da proposta de Barroso para restringir o foro privilegiado, mas no final deu uma paletada apoiando também a tese contrária, que Gilmar, Toffoli e Lewandowski defendem tão entusiasticamente. (C.N.)

Atacado de todo jeito, o juiz Moro mantém o equilíbrio e segue em frente

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Charge do Elvis (Humor Político)

Carlos Newton

Aos 45 anos, o juiz Sergio Moro ainda pode ser considerado jovem como operador do Direito, uma profissão em que antiguidade é posto, porque o aprendizado é diário e não acaba nunca. Mas não há dúvidas de que se trata de um magistrado realmente especial, que vem sofrendo ataques de todos os lados, mas mantém o equilíbrio e segue em frente, com uma serenidade impressionante. Reparem que ele jamais dá entrevista, cumpre a regra de “só falar nos autos”. Ao agir assim, faz um marcante contraponto em relação a diversos ministros do Supremo, como Gilmar Mendes; Marco Aurélio Mello, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Luiz Fux e Alexandre de Moraes, que não podem ver um microfone e vão logo dando declarações.

No fim de semana, Moro foi fustigado pelo desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (leia-se: Brasília), que partiu em defesa de uma ensandecida decisão liminar do juiz convocado Leão Aparecido Alves, tomada para proibir a extradição do réu Raul Schmidt, operador do esquema de corrupção do PMDB, que se encontra em Portugal.

TRAMITAÇÃO – Já aprovado pelo Judiciário português, o processo de extradição de Schmidt tramita na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba e já tinha sido motivo de decisão do TRF-4. No desespero, o advogado Kakay (Antonio Carlos de Almeida Castro) recorreu ao TRF-1, e o juiz Leão Aparecido Alves cometeu dupla invasão de competência, ao concedeu liminar contra a extradição do operador do PMDB.

Por óbvio, o juiz federal Sérgio Moro não aceitou a intromissão e manteve a extradição de Schmidt. E o mais incrível foi o comportamento do desembargador Ney Bello, presidente da 3ª Câmara do TRF-1, ao afirmar, por meio de nota oficial, que a decisão de Moro “atenta contra o Judiciário”. Na verdade, o que atenta contra o Judiciário é desrespeito ao juiz natural que conduz a causa. 

Foi neste clima que o TRF-1 suscitou conflito de competência ao Superior Tribunal de Justiça e pediu para ser reconhecido como a corte competente para julgar o habeas de Schmidt.

FIM DE PAPO – Mas o ministro Sérgio Kukina, do STJ, prontamente decidiu que a Primeira Seção da corte é que vai julgar o pedido de habeas corpus do operador do PMDB para aprovar ou barrar sua extradição ao Brasil.

Em decisão sobre o conflito de competência suscitado pelo Tribunal Regional da 1ª Região, Kukina também suspendeu os efeitos das decisões divergentes do juiz Sérgio Moro e do juiz convocado Leão Aparecido Alves sobre o HC. Ou seja, revogou a liminar do TRF-1 e pôs fim à briga. 

SEM CONTROVÉRSIA – A competência só pode ser da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, porque Schmidt  é alvo da Operação Lava Jato e está sendo investigado pelo pagamento de propinas aos ex-diretores da Petrobrás Renato Duque, Nestor Cerveró e Jorge Zelada, todos envolvidos no esquema de corrupção. O operador do PMDB estava foragido desde 2015, quando viajou para Portugal,  beneficiado pela dupla nacionalidade.

Schmidt fez acordo com o Judiciário português para responder o processo de extradição em liberdade e só foi preso no último dia 13, quando a Justiça de Portugal rejeitou seus últimos recursos e determinou a extradição para o Brasil.

 

Agora, vamos aguardar a decisão do STJ, que é a penúltima instância deste cipoal processualístico que paralisa a Justiça brasileira.

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P.S. 1 Mesmo que o juiz Moro esteja errado e a extradição seja vetada pelo STJ, nada autorizava o juiz/desembargador Leão Aparecido Alves a invadir a competência de outro magistrado.  No entanto, quando se trata de proteger os criminosos da Lava Jato, qualquer insanidade jurídica passa se possível no Brasil de hoje. (C.N.)

Piada do Ano! Jungmann manda apurar vazamentos em inquérito de Temer

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Jungmann é o contrário de Temer. Você sabia?

Carlos Newton

Atendendo a insistentes pedidos do presidente Michel Temer, o ministro Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, determinou que a Polícia Federal apure o vazamento de informações sobre o inquérito que investiga irregularidades no chamado Decreto dos Portos, que beneficiou empresas ligadas ao chefe do governo. Em nota divulgada à imprensa, o ministro acrescentou que é “inadmissível” comprometer o direito de defesa de qualquer cidadão ou do presidente da República, acrescentando que vazar informações é ato passível de sanções penais.

Como se vê, a política é um teatro. Enriquecido ilicitamente, Temer faz o papel do “perseguido” e dá uma entrevista emocionante, para proclamar: “Não tenho casa de praia, não tenho casa de campo, não tenho apartamento em Miami, não tenho vencimentos e salários a não ser aqueles dentro da lei”.

POBRE MENINO RICO – Quem vê o presidente da República se defendendo com tanta veemência, até pensa que estamos de volta aos tempos de Getúlio Vargas, que ficou 15 anos no poder e não se tem notícia de que seu patrimônio tenha aumentado, muito pelo contrário. Mas a realidade atual é muito diferente.

Para garantir o futuro da família, Temer está transferindo seus bens em vida. Passou para o nome do filho Michelzinho não somente a titularidade da mansão no Alto de Pinheiros, uma das áreas mais valorizadas de São Paulo, como também a propriedade de dois luxuosos conjuntos de sala no centro da cidade, um patrimônio total avaliado em R$ 8 milhões, nada mal para um pobre menino rico de apenas 9 anos.

A bela Marcela também foi agraciada com a compra de uma belíssima, que lhe foi vendida pelo amigo José Yunes, no valor estimado em R$ 4 milhões.

PARTE DO PATRIMÔNIO – Esses R$ 12 milhões de mãe e filho são apenas parte do patrimônio de Temer, tudo ganho com vencimentos e salários “dentro da lei”, nas próprias palavras do presidente, que recentemente teve um arroubo de transparência e anunciou que iria exibir sua movimentação bancária, mas logo a seguir se arrependeu, sem indicar o motivo.

Agora, Temer exige investigação sobre o vazamento, como se fosse legalmente possível obrigar o jornalista a entregar suas fontes. O ministro Jungmann, constrangido, apenas finge atendê-lo, pois sabe que não vai dar em nada e a força-tarefa da Lava Jato continuará vazando informações, sempre que for do interesse da nação. Apenas isso.

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P.S.
O mais curioso nesta história é que Jungmann é o contrário de Temer e nem casa própria possui. Mora em imóvel alugado e seu único bem disponível é um carro usado, no valor de uns R$ 50 mil. É suplente de deputado e precisa desesperadamente do cargo de ministro para pagar as contas. Concluindo: a gente pode até não gostar do Jungmann, mas não há dúvida de que se trata de um homem honesto, coisa rara na política. (C.N.)

O italiano Domenico De Masi demonstra ser um “brazilianista” de araque

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De Masi pensa que conhece o Brasil…

Carlos Newton

O Brasil é realmente muito estranho, o único pais do mundo em que três presidentes da República se declaram “perseguidos políticos” – Lula da Silva, que já está preso; Dilma Rousseff, que sofreu impeachment mas manteve os direitos políticos (aliás, foi o primeiro caso na História do Direito Internacional e certamente será o último);  e Michel Temer, que está no poder, mas se sente um refugiado. Neste clima surreal, como é que os observadores estrangeiros podem entender o Brasil? Realmente, não há a menor condição. É por isso que há várias décadas não se fabricam mais “brazilianistas”, que era como os chamávamos.

Um dos últimos intelectuais que se julgam “brazilianistas” é o sociólogo italiano Domenico De Masi, que em Roma deu entrevista à repórter Mariana Londres, colaboradora do blog do jornalista Domingos Fraga, hospedado no site R7, do grupo Record de Comunicação.

SUCESSO NA WEB – A entrevista do sociólogo italiano está fazendo grande sucesso na internet, já transcrita em grande número de sites e blogs, por causa da crítica que ele fez à prisão de Lula. A repórter perguntou como vê a polarização esquerda/direita, que causa tensão social no Brasil, e De Masi respondeu:

Muito tensão social, não pouca. Não vou ao Brasil há seis meses, e com isso não sei exatamente qual é a situação psicológica atual. Mas na Europa, Lula é um símbolo. Nos Estados Unidos, Lula é um símbolo, e na Ásia, Lula é um símbolo. E eu creio que se está arriscando muito, como se diz na Itália, com a prisão de Lula. Terem prendido Lula é perigoso, quase infantil. Porque 36% dos brasileiros dizem votar pelo Lula. E o segundo que está atrás do Lula [nas pesquisas de opinião] está muito atrás dele. Então, o Lula é um líder que está na prisão. E isso é uma anomalia. Eu creio que isso seja um fator perigoso. [Que pode] criar uma guerra civil e [aumentar] a força dos militares. Isso é muito perigoso”, afirmou o sociólogo.

AMOR PELO BRASIL – É impressionante o amor que De Masi tem pelo Brasil, somente comparável a Franco Zefirelli e a outros personagens de sucesso que costumam vir curtir o calor dos trópicos incognitamente, como o designer Calvin Klein e tantos outros.

De Masi ficou mundialmente famoso por ter criado a Teoria do Ócio Criativo, segundo a qual o ócio, ao invés de ser negativo, seria um estimulador da criatividade pessoal. Não se sabe se concebeu esta tese antes, durante ou depois de conhecer o Brasil, mas é bem provável que tenha se inspirado pelo comportamento do povo brasileiro, que chega a humilhar o famoso “dolce far niente” dos italianos.

O sociólogo conhece e admira os hábitos brasileiros, mas é igual aos outros “brazilianistas” e realmente não consegue entender nossas práticas políticas. Sua análise é de um primarismo absurdo, do tipo Dias Toffoli, e isso depõe contra o notório saber do intelectual latino.

NADA DE NOVO – Ao contrário do que diz De Masi, a política brasileira é tão louca que nada nos abala. Estamos há três anos numa crise terrível e a Bolsa de Valores, ao invés de cair, subiu, e a cotação do real se manteve estável.

O país tem um presidente altamente corrupto, que não pode ser deposto por causa de jabuticabas jurídicas, os três Poderes estão apodrecidos e a opinião pública não demonstra surpresa nem esboça reação. Além disso, ao contrário do que pensa De Masi, não há aumento de tensão nem ameaça de golpe militar.

O Brasil caminha em paz para a eleição geral e espera-se que, desta vez, possamos escolher o menos pior.

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P. S. – Enquanto isso, la nave va, à moda de Fellini, que certamente saberia entender melhor o que ocorre do lado de baixo do Equador. (C.N.)