Alckmin ataca extremismo de Bolsonaro e peronismo de Lula que sustenta Haddad

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Alckmin vai mudar o eixo de sua campanha na TV

Pedro do Coutto

Numa entrevista a Vandison Lima, o ex-governador Geraldo Alckmin anunciou uma revisão de sua estratégia nas três semanas que faltam para o primeiro turno nas eleições presidenciais. Alckmin destacou que um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad representa um risco para o Brasil. Acentuou que Bolsonaro é inexperiente e que Haddad representaria de forma indireta Lula no poder. Por isso ele vai refazer sua presença no horário gratuito da televisão e do rádio, período em que se esgota à meia-noite de 4 de outubro.

Alckmin de acordo com reportagem de Vera Rosa e Pedro Venceslau, O Estado de São Paulo de ontem, enfocou o resultado de uma pesquisa do MDA que ressaltou um avanço na posição do candidato do PT.

PERONISMO – A candidatura Fernando Haddad – digo eu – é sustentada por uma versão que se pode chamar de peronismo através do qual Lula sustenta a candidatura do ex-prefeito da cidade de São Paulo. Por que, na minha opinião a transmissão de votos de Lula para Haddad baseia-se muito mais no populismo do ex-presidente do que em manifestação da extrema esquerda? Simplesmente porque, da mesma forma que no caso de Juan Domingo Perón, a força do PT baseia-se na imagem de um só homem.

A ideologia, para Lula, fica em segundo plano. Ele deseja vencer através da vitória de seu candidato, que aliás custou a aceitar. Não há maior conotação ideológica ou filosófica na sombra de Lula sobre Haddad. Há apenas um desejo de tornar possível a revisão do processo que o condenou. Essa revisão me parece impossível, mas parece factível aos olhos lulistas impulsionando a candidatura Haddad.

DEBANDADA – Alckmin está enfrentando uma debandada da sua base alicerçada no Centrão, com transferências para Haddad e para Bolsonaro. Alckmin completa o vértice do triângulo. Mas esse vértice pode afastá-lo do segundo turno. Alguns leitores poderão até dizer ou se surpreender com a referência que faço ao peronismo. O peronismo, como o varguismo, sempre atacou a esquerda depois de ter flertado com a direita.

No Brasil Vargas elegeu Dutra, na Argentina Perón elegeu a si próprio, Frondizi em 58, elegeu Arturo Illia em 63, Hector Campora em 72 e tornou-se vitorioso nas urnas de 73 com quase 2/3 dos votos. Por isso é que se verifica que o populismo é mais forte do que a esquerda e de maneira indireta pode servir de base para a direita. Encontra-se aí a explicação dos fenômenos Bolsonaro e Haddad.

Nesse quadro Ciro Gomes aguarda o sentido da maré. Ele não tem subido nem caído nas pesquisas. Por falar em pesquisa, vamos comentar depois o levantamento concluído ontem, terça-feira.

Votos brancos e nulos caem quando candidatos entram na reta final

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

A taxa de votos nulos e brancos ainda se mantém bastante alta, conforme revela a pesquisa do Datafolha comentada na edição de ontem da FSP, assinada por Isabel Fleck. No momento existem duas situações: uma retrata os nulos e brancos assinalados na pesquisa que exibe aos entrevistados os nomes dos candidatos. Nesse caso o índice encontra-se na altura de 13%. Outra visão do levantamento acentua que os nulos e brancos elevam-se hoje a 32%. Nesse ângulo a pesquisa foi feita para que os entrevistados se pronunciassem espontaneamente. Aliás esse tema foi objeto de artigo de Carlos Newton, editor desse site, publicado no domingo.

Seja qual for o modelo da pesquisa os candidatos Bolsonaro, Ciro Gomes e Fernando Haddad se destacam. A meu ver, como já disse em artigo anterior, o segundo turno, a 28 de outubro, será decidido entre Bolsonaro e o adversário que resultar da disputa entre Ciro Gomes e Fernando Haddad. Creio que este quadro será o mais provável. Entretanto, em matéria de eleição, como no futebol, ninguém vence na véspera.

É ROTINA – Afirmei que o número de votos nulos e brancos vai cair na semana final da campanha. É o que acontece sempre e, por esse motivo, fica a impressão de que o contingente de decepcionados om a cena política vai se reduzir, mantendo o mesmo índice que foi registrado em 2014, ou seja na escala de 6 pontos percentuais. Hoje a tendência de anular o sufrágio está em 13%, mas 40% desses 13% admitem que podem mudar o comportamento e ir às urnas com o nome e o número dos candidatos em pauta.

40% de 13% são 5,2%. Como a tabela encontra-se em 13%, se a parcela dos que podem mudar de posição se confirmar, vamos encontrar apenas 8% de votos desperdiçados.

PESQUISA QUALITATIVA – Um enigma que vai perdurar até a votação refere-se a qual dos três candidatos principais poderá captar a parcela maior da indecisão. Tal movimento, como sempre, ocorrerá na reta de chegada, ou seja a uma semana antes das urnas de 7 de outubro.

As equipes dos três candidatos devem realizar também uma pesquisa qualitativa para saber como poderão ir ao encontro das dúvidas existentes. Por exemplo. Dos 13% de indecisos, 66% são mulheres e 47% na faixa dos que recebem por mês até dois salários mínimos. As mulheres representam 52% do eleitorado. Os que ganham até dois salários mínimos são 47% dos eleitores.

FIM DA REELEIÇÃO  – Reportagem de Mariana Haubert  edição de ontem de O Estado de São Paulo, revela que dos candidatos  somente Jair Bolsonaro, Marina Silva e Alvaro Dias, defendem o fim da reeleição do presidente da República, governadores e prefeitos.

Eis aí um bom tema para ser traduzido pelo Datafolha e pelo Ibope.

Jornalistas devem colocar temas mais concretos aos candidatos

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

A Ombudsman da Folha de São Paulo publicou na edição de ontem artigo importante para o eleitorado que vai às urnas em outubro para eleger o sucessor do presidente Michel Temer.  Paula Cesarino Costa reclama com razão a falta de um conteúdo maior nas entrevistas. Até agora os jornalistas e apresentadores têm se limitado a perguntas genéricas e superficiais, enquanto há uma série de questões capazes de levar os candidatos a responderem de forma mais precisa. Saúde, Segurança, Educação e desemprego, além dos transportes têm sido tratados de forma incompleta. Não basta citar os obstáculos.

Mas principalmente revelar as propostas que possuem e como vão buscar recursos para sua execução. Falta de recurso é um problema crônico no Brasil. Entretanto a reportagem de Loreana Rodrigues e Adriana Fernandes, O Estado de São Paulo, edição também de ontem, focaliza uma questão fundamental que a meu ver, deveria constar das entrevistas.

RENÚNCIA FISCAL – Trata-se da renúncia fiscal que foi incluída no projeto de orçamento para 2019. A mensagem de Michel Temer ao Congresso prevê uma renúncia fiscal na escala de 306,4 bilhões de reais. Esse total inclui um acréscimo da ordem de 23 bilhões em relação as renúncias fiscais calculadas para este ano, 2018. Os incentivos fiscais vêm s repetindo todos os anos principalmente no primeiro mandato de Dilma Rousseff até hoje.

Como pode haver uma renúncia dessa ordem se a lei de meios para 2019 já acusa um déficit de 139 bilhões de reais. Se as renúncias fiscais fossem a metade do 306,4 bilhões, o déficit estaria praticamente zerado. Portanto, surge aí um bom tema para nortear as entrevistas que serão realizadas até o dia 7 de outubro, e a mais importante vai ser a da Rede Globo, a 4 de outubro.

DÉFICIT PÚBLICO – O problema do déficit  público é fundamental e não somente em relação ao esforço para cobrir a escala de 139 bilhões. Este é, como chamam os economistas do governo, o resultado primário. Ou seja, um resultado que não inclui o pagamento de juros pela rolagem da dívida interna da ordem de 3,4 trilhões de reais. O eleitorado gostaria de ter conhecimento mais claro do panorama econômico e social. Até porque o desenvolvimento econômico e social depende da disponibilidade os recursos financeiros do país.

Não soma para o conhecimento geral e sobretudo para iluminar pontos sombrios das despesas públicas perguntas limitadas aos candidatos, que na verdade até agora focalizam os temas sensíveis da política governamental, sem transmitir os meios de que pretendem obter da lei orçamentária para alicerçar seus projetos.

Apontar erros e contradições na política é coisa fácil. Atuar para esclarecer os programas de interesse coletivo é que é difícil. Mas é obrigação dos jornalistas buscar as ideias mais profundas, exigidas pelo país como um todo.

Bolsonaro, Ciro ou Haddad – um dos três será presidente da República

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Pela primeira vez nas últimas eleições, o PSDB está fora

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha, publicada sexta-feira, dia 14, em O Globo e na Folha de Sã Paulo, revela uma tendência bem firme, a três semanas das eleições. Bolsonaro subiu, Haddad também e Ciro Gomes manteve o mesmo índice da pesquisa anterior. Vemos assim 26 para Bolsonaro, Ciro 13 e Haddad também 13. Mas o aspecto mais importante desta pesquisa é que os demais candidatos não conseguiram avançar, sendo que Geraldo Alckmin recuou. Falando em recuo, o maior deles foi o de Marina Silva: desceu de 16 para 8%.

O quadro se refere a duas pesquisas: uma realizada a 21 de agosto e outra agora, nos dias 13 e 14 de setembro. Nenhum outro candidato despertou entusiasmo junto ao eleitorado. Tanto é assim que o número dos dispostos a anular o voto ou votar em branco caiu sensivelmente.

BRANCO OU NULO – As intenções de voto no sentido do sufrágio branco ou nulo foram absorvidas por Bolsonaro e Fernando Haddad. Aliás, foram os dois que avançaram. Ciro, embora esteja no páreo, permaneceu no lugar que já estava. Mas seus eleitores manifestaram confiança na sua possibilidade de avançar, caso contrário ele em vez de ficar estacionado, teria descido vários degraus, como aconteceu com Marina Silva, principalmente, e Geraldo Alckmin, que não está demonstrando forte presença na campanha, embora possua maior tempo de exposição na TV e no rádio.

Não é uma questão de marketing, pois marketing só não resolve. Tem que refletir a disposição do candidato e sobretudo pontos concretos em sua plataforma. Caso contrário, as mensagens se igualam na generalidade, não transmitindo a sensação de algo de novo capaz de abrir a esperança dos eleitores e eleitoras.

MESMOS DESEJOS – Este é um ângulo essencial das campanhas políticas. Todas as pessoas são a favor de maior poder de compra, segurança, educação, saúde e melhor transporte.  Essas manifestações igualam as candidaturas. Por isso os que vão votar a 7 e 28 de outubro não recebem uma prova evidente de que tais ideias são para valer.

Mesmo que, no fundo, não sejam para valer, têm que ser convincentes e ao mesmo tempo deslocarem o ânimo dos eleitores para um estágio de maior emoção. Por esse fato é que nas campanhas em busca do voto uns candidatos se destacam em relação aos outros.

SENTIMENTO – A emoção, em grande parte, adiciona-se à razão lógica. Por isso é que os candidatos necessitam acender a chama do sentimento de cada eleitor.

A fase em que nos encontramos, a três semanas das eleições, desloca de forma ponderável o esforço político para uma espécie de competição esportiva.

Um dia Juscelino Kubitschek me disse numa entrevista ao “Correio da Manhã”: o candidato só se sente forte se for capaz de provocar o grito com seu nome nas ruas e praças do Brasil.

Só pode ser piada: dirigente do Itaú diz que a incerteza eleitoral eleva juros

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O banqueiro Cândido Bracher gosta de piadas

Pedro do Coutto 

Numa entrevista a Daniela Meibak e Sérgio Tauhata, edição de ontem do Valor, o presidente do Itaú-Unibanco, Cândido Bracher, afirmou que a incerteza quanto ao desfecho eleitoral deste ano faz praticamente dobrar a taxa de juros cobradas aos clientes, sejam pessoas físicas ou jurídicas.  Acentuou que os juros reais deste ano são de 4,1% a/a, isso levando-se em conta uma inflação em torno de 4,5%, e cotejando-a com a taxa Selic, que é de 6,5% para 12 meses. A afirmação surpreende.

Surpreende porque não vejo influência quanto ao desfecho das eleições sobre as taxas de juros. Eleição se vence ao longo de uma campanha. Ninguém vence na véspera. Assim a incerteza em relação ao resultado final é própria do processo democrático.

TESE INVÁLIDA – Não tem cabimento levantar a tese do presidente do Itaú-Unibanco, uma vez que não pode haver certeza prévia sobre o resultado final. Se assim fosse, o voto popular não teria a importância que tem. Isso de um lado.

De outro, se houvesse a certeza quanto ao rumo das urnas, as eleições em si não teriam grande valor. Portanto, o enfoque de Cândido Bracher é meramente um pretexto para que os juros se mantenham elevados nos dois maiores bancos privados brasileiros, Itaú e Bradesco. Há ainda que considerar uma outra face do enigma colocado pelo banqueiro. Os bancos não são devedores da Taxa Selic, pelo contrário. Os bancos são credores dessa taxa. Pois eles estão entre os titulares de NTNs que lastreiam a dívida interna brasileira, a qual se eleva a 3,4 trilhões de reais.

As incertezas são próprias da existência humana. Agora mesmo tivemos um exemplo: Jair Bolsonaro sofreu um atentado a faca num comício em Juiz de Fora. Alguém poderia prever tal acontecimento? Não, de forma alguma. O trajeto político encontra-se sempre repleto de incertezas e de contradições. Como ficará o quadro eleitoral com Bolsonaro hospitalizado?  Eis aí outra pergunta concreta.

HORÁRIO ELEITORAL – Reportagem de Gustavo Fiorani e Paulo Passos, Folha de São Paulo de ontem, com base em pesquisa do Ibope revela que a audiência na televisão dos programas políticos assinalam uma queda de até 26% quanto ao número habitual de telespectadores. O Ibope avaliou tanto o horário das 13 às 13:25hs como o horário das 20:30hs até 20:55hs.

Em termos de aparelhos ligados nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo o nível de audiência alcança 72% do público habitual e no período das 20:30 a 20:55 abrange 75% de telespectadores e telespectadoras. Como se vê apesar da queda, os índices de atenção permanecem muito altos. Daí a importância da presença dos candidatos nas telas coloridas com mensagens que buscam sensibilizar o eleitorado.

Na carta de apoio a Haddad, Lula fala mais de si mesmo do que do candidato

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Carta de Lula foi lida por Luiz Eduardo Greenhalgh

Pedro do Coutto

Quem ler com atenção e isenção a carta do ex-presidente Lula, de apoio à candidatura de Fernando Haddad, vai verificar, sem muito esforço, que ele fala mais de si mesmo que do candidato do PT.  Reportagens de Sérgio Roxo, O Globo, e Marina Dias Folha de São Paulo, edições de ontem, focalizam o tema. Num curto trecho, Lula sustenta que Haddad vai resgatar a justiça social do país, deixando antever que espera do ex-prefeito de São Paulo uma atuação destinada a apagar as injustiças que tem sofrido. A afirmação dá a entender que nesse rol de injustiças Lula está incluindo sua própria condenação.

Na tarde de ontem, no programa Studio I da Globo News, o jornalista Otávio Guedes analisou objetivamente o que está oculto na carta. Disse o jornalista que a carta, de 60 linhas somente na 38ª Lula se refere a Fernando Haddad.

2ª QUINZENA – De qualquer forma, porém, vamos poder medir o efeito da manifestação na próxima sexta-feira, quando o Datafolha e o Ibope devem divulgar novas pesquisas sobre as urnas de 7 de outubro. Entretanto, penso eu, o quadro vai começar a se tornar mais nítido a partir da segunda quinzena de setembro, valendo acentuar que a seleção dos dois finalistas para o segundo turno somente ocorrerá dois dias antes do pleito, quando a Rede Globo realizar o debate entre os principais candidatos apontados nas pesquisas. Esse programa está marcado para as 22 horas do dia 04.

Inclusive tem que se levar em conta a provável ausência de Jair Bolsonaro,, ausência admitida pelo candidato a vice em sua chapa general Hamilton Mourão. Tanto assim que o general Mourão dirigiu consulta ao TSE para saber se poderá entrar no lugar de Bolsonaro no lance final da campanha.

DIVERGÊNCIAS – No seu artigo de ontem em O Globo, Merval Pereira chamou atenção para as divergências registradas entre as pesquisas do Datafolha e Ibope, divergências colocadas entre o avanço e recuo de candidatos principalmente Ciro Gomes e Marina Silva. Enquanto o Datafolha apontava avanço de Ciro Gomes, de 9 para 13 pontos o Ibope divulgava que ele havia recuado de 13 para 11%.

Quanto à posição de Marina, outra divergência: o Datafolha apresentou uma queda de 5 degraus e o Ibope acentuava um recuo de apenas 1 ponto percentual. Merval Pereira, na véspera, em uma entrevista na Globo News com Marcia Cavalari, diretora do IBOPE, colocou o tema em questão.

Vamos ver amanhã, sexta-feira o que acontece.

CONGELAR SALÁRIOS? – Ao participar de debate promovido pelo jornal O Estado de São Paulo e a Fundação Getúlio Vargas, o economista José Márcio Camargo defendeu congelar por quatro anos os salários dos funcionários públicos da União. Quer dizer, a inflação os reduziria com base nos índices do IBGE. Haveria portanto uma perda da capacidade de consumo. José Márcio Camargo é o coordenador das propostas econômicas do candidato Henrique Meirelles.

Vejam só os leitores. É fácil querer reduziro salário do outros. Difícil acreditar que Camargo defenderia a estagnação dos seus próprios vencimentos.

Por que assalariados devem pagar sempre a conta do déficit dos governos?

Datafolha e Ibope têm curvas diferentes na estrada que leva ao Planalto

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Charge do César (cesarcartuns.blogspot.com)

Pedro do Coutto

O Ibope divulgou sua pesquisa na noite de ontem primeiro pela GloboNews e em seguida pela Rede Globo. Os números são diferentes mas as colocações dos principais candidatos são semelhantes tanto num levantamento quanto no outro. Escrevo este artigo à noite de ontem e hoje os números, claro, vão sair nos principais jornais. Chama atenção a divergência quanto aos percentuais descobertos pelos dois Institutos. Para o Datafolha, Bolsonaro subiu de 22 para 24% . Para o IBOPE o salto foi maior e o Instituto colocou o candidato do PSL na liderança com 26 pontos.

A liderança não é o foco da questão já que Bolsonaro ocupa o primeiro lugar tanto numa pesquisa quanto na outra. Mas a diferença de quatro pontos, ao contrário do que se diz por aí, é uma diferença enorme. Basta ver os últimos desfechos eleitorais no país para se constatar a importância de um percentual desse porte.

SEM EXPLICAÇÃO – Algum equívoco tem que haver. Não explica a diferença o fato de a pesquisa do IBOPE ter sido iniciada no sábado e a do Datafolha na segunda-feira. As motivações da subida de Bolsonaro situam-se no atentado que sofreu e no qual quase perdeu a vida não fosse a atuação rápida dos médicos de Juiz de Fora. Mas não é esta a questão.

A questão essencial é que se encontram separando os levantamentos, por exemplo as diferenças em relação as intenções de votos atribuídas a Marina Silva. Para o Datafolha ela caiu 5 pontos, para o IBOPE a queda pode ser incluída na natural margem de erro. Nada disso. Um equívoco. A manutenção próxima ao resultado da pesquisa anterior significa estabilização. O recuo de 16 para 11 pontos destaca o caráter descendente exposto nesses cinco degraus. Aliás, como disse recentemente o mais importante em matéria de pesquisa é identificar os movimentos de subida e descida dos candidatos em foco.

EXCEÇÕES – A maioria dos candidatos, excetuando-se Bolsonaro, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva e agora Fernando Haddad, não apresentam a menor possibilidade de crescimento. Podem até apertar o passo, mas não de maneira capaz de colocá-los no turno final de 28 de outubro.

Interessante frisar que além da disputa entre os cinco principais nomes agora verifica-se que surgiu uma outra: o confronto entre o Datafolha e o Ibope para ver qual deles estará mais certo na hora da decisão.

Vamos esperar os próximos dias.

Números do Datafolha sinalizam segundo turno entre Bolsonaro e Ciro

Resultado de imagem para CIRO E BOLSONAROPedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha, publicada hoje pelo O Globo e divulgada na noite de ontem pela TV Globo e Globonews, sinaliza, interpretando-se os números que ela expõe, que, se as eleições fossem hoje, o segundo turno seria decidido entre Jair Bolsonaro e Ciro Gomes. Reportagem de Fernanda Krakovics, edição de hoje de O Globo, destaca com bastante clareza os números assinalados no levantamento. A matéria confronta os índices registrados na pesquisa que antecedeu a esta com os resultados d agora.

O número de votos brancos e nulos, como era esperado, desceu de 22 para 15%. O grau de indecisão encontra-se na escala de 16 pontos.  A meu ver, a tendência dos indecisos, no fundo deve se voltar para os que lideram as tendências atuais.

APENAS CINCO – Ficou claro também que além de Bolsonaro, Ciro, Marina, Alckmin e Haddad, os demais candidatos não têm qualquer possibilidade de êxito. Alvaro Dias, Amoedo, Meirelles cada um alcança 3 pontos. Surpreende a posição de Amoedo que iguala a de um senador e também ao ex-ministro da Fazenda. Vamos aos números principais.

Bolsonaro subiu de 22 para 24%, assegurando no dia 7 de outubro seu passaporte para o desfecho final no dia 28 do próximo mês. Fica a indagação quem o enfrentará.

Na minha interpretação, o adversário, mantida a tendência de hoje, seria Ciro Gomes que subiu de 10 para 13%. Marina Silva, de acordo com o Datafolha caiu de 16 para 11%. Alckmin avançou de 9 para 10. Fernando Haddad progrediu de 4 para 9. Marina Silva foi projetada numa escala descendente, enquanto Ciro e Haddad apresentaram avanço.

DISCREPÂNCIA – É preciso assinalar, contudo, que os números do Datafolha não coincidem com o último quadro divulgado pelo IBOPE. Principalmente quanto a Marina Silva. Porém, a amostra do Datafolha baseia-se em levantamento mais recente e abrangeu mais de 2.800 pessoas, quase o dobro da que foi realizada pelo Instituto presidido por Carlos Augusto Montenegro.

O enigma continua sendo Fernando Haddad. Seu avanço foi sensível e cabe a pergunta sobre qual será seu teto, depois que Lula formalizar expressamente seu apoio a ele. Embora isso possa não ocorrer, tais as diversificações do comportamento do ex-presidente que ainda sonha numa eventual e absolutamente improvável candidatura. Não fosse o inverno de hoje poderíamos dizer que não passava de um sonho de uma noite de verão. É a única interrogação que está atingindo o eleitorado brasileiro.

CIRO E LULA – Mas vale acentuar um aspecto: de todos os candidatos aquele que menos interessa a Lula é Ciro Gomes. Porque isso?

Porque sua vitória possível significará o fim da liderança de Lula junto ao PT. Cabe frisar ainda uma situação. Bolsonaro forte no primeiro turno, é batido por Ciro, Marina, Alckmin no segundo. E no segundo, para concluir, empataria com Haddad. Vale a pena ler a reportagem em O Globo.

Eleitor vai conferir as novas pesquisas com o futuro resultado das urnas

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

Mais uma vez, na história política do Brasil, 147 milhões de eleitores e eleitoras vão poder conferir o que apontarem o Ibope e Datafolha quanto às intenções de voto com os resultados concretos das urnas. O desenvolvimento das pesquisas, vale frisar, passa por várias fases da campanha e ilumina nessas etapas as tendências registradas em cada uma das etapas.

Estou me referindo às votações majoritárias porque as proporcionais dependem, em grande número de casos, dos redutos mantidos à base de prestação de serviço por deputados federais e estaduais.

DESDE JK – Ao longo do tempo em que acompanho pesquisas eleitorais, a começar pela vitória de Juscelino Kubitschek em 55, acentuo que em mais de 60 anos só tomei conhecimento de dois graves equívocos por parte do Ibope. Em 54, em São Paulo, quando Jânio bateu Ademar de Barros para governador, e em 85, quando o mesmo Jânio emergiu do passado e derrotou Fernando Henrique Cardoso para a prefeitura da cidade de São Paulo. O Datafolha é mais recente do que o Ibope. Deve ter ao todo, estimo eu, em torno de 40 anos.

Os prognósticos são cálculos de precisão. Sem dúvida. No pleito de 2014, o Datafolha prognosticou uma vitória de Dilma Rousseff pela diferença de 4 pontos. O Ibope projetou 5 pontos de vantagem. Ela venceu com 3 pontos percentuais. Muitas pessoas não acreditam em pesquisa, eu fui um dos primeiros jornalistas a levá-las a sério e escrever sobre elas. Me vem a memória a entrevista de JK no Rio, com base no Ibope de Paulo Montenegro, quando ele assinalou os pontos em que venceria e os pontos em que seria derrotado. Impressionou-me muito a exatidão confirmada nas urnas em relação as perspectivas e os lances finais da campanha.

FIRMEZA – Impressionou-me também a firmeza de JK ao dizer que Ademar de Barros sairia na frente, pois a apuração em São Paulo corria mais rapidamente do que em Minas Gerais. JK teve 62% dos votos de Minas e alcançou uma votação fraca em São Paulo.

Dei esse exemplo para esclarecer que os grupos sociais têm tendências definidas dentro delas mesmas. As vezes um candidato sai na frente e termina perdendo a disputa. Acontece. E acontece porque, de outro lado, as pesquisas acompanham situações de momento, não podendo prever os desfechos das urnas semanas depois. Agora mesmo, estamos a quase quatro semanas da votação. Não se pode dizer hoje qual candidato chegará ao segundo turno contra Bolsonaro. Mas é possível projetar-se outro tipo de afirmação com base nas oscilações dos candidatos.

PAES VENCERÁ – No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, na minha opinião Eduardo Paes (DEM) vencerá a disputa. Encontra-se numa fase de ascendência, enquanto Romário cai no lado oposto. Paes, pelo Datafolha na última semana subiu de 18 para 24%, enquanto Romário desceu de 16 para 14%.

Este é o quadro das eleições que vão levar às urnas mais de 140 milhões de brasileiros e brasileiras. Em matéria de tendência, temos que esperar as próximas pesquisas que vêm por aí.  A do Datafolha está anunciada para hoje, segunda-feira.

Trump quer saber a fonte do artigo no NYT, mas não contesta o conteúdo

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Trump não vai conseguir saber nada sobre o NYT

Pedro do Coutto

O título acima, a meu ver, faz uma síntese do episódio detonado em artigo publicado pelo The New York Times relatando uma articulação dentro do staff da Casa Branca para bloquear atos impensados e confusos do Presidente Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos está possesso e ataca o jornal, mas não está só contra o NYT, mas sobretudo contra o responsável pelo vazamento das informações.

Cabe a pergunta se quem forneceu as informações é o mesmo autor do artigo, ou o autor do artigo transformou em texto as revelações que recebeu. Donald Trump quer ir à Justiça contra o jornal, de acordo com a reportagem de Beatriz Bulla, correspondente de O Estado de São Paulo em Washington.

PRIMEIRA EMENDA – O New York Times rebate o movimento da Casa Branca contra o jornal dizendo que representa um abuso de autoridade e uma colisão com a famosa Primeira Emenda da Constituição americana, que veda qualquer hipótese de censura a imprensa.

A questão possui várias faces. Uma delas é o fato de o artigo não ter saído assinado, o que transfere a responsabilidade totalmente para o New York Times. A imprensa tanto americana quanto a brasileira tem se referido ao artigo como se fosse um editorial. Editorial é o que é feito para manifestar uma opinião do jornal e não só uma informação.

A diferença entre informação e comentário é bastante nítida na comunicação impressa.  Sobretudo porque é muito difícil e seria cansativo se uma opinião que usualmente reúne três laudas fosse divulgada através das redes sociais da Internet. Haveria uma monotonia sem fim.

RESULTADO – Minha experiência em 62 anos no jornalismo me fornece uma visão separatista entre a informação e a opinião. No caso do NYT a impressão que surge é a de que o texto mistura as duas questões. Trata-se assim de um artigo (não editorial) que contém informações que vêm à tona através de informação dos bastidores do governo Donald Trump. Como, é claro, o artigo é de responsabilidade do jornal. Interpretação pacífica.

Mas aí é que reside a controvérsia que se tornou clara na superfície dos fatos. Donald Trump não quer processar o jornal, o que poderia fazer, mas sim saber quem é o responsável pelo vazamento de assuntos sigilosos e talvez secretos. Não. O que o presidente dos EUA insiste em saber é o nome do inconfidente ou dos inconfidentes de Washington. Nesse caso a questão muda de figura. A primeira impressão de Trump é identificar o autor. Para ele, como a sequência dos fatos comprova, isso é mais importante do que o conteúdo do próprio texto.

BOB WOODWARD – Beatriz Bulla, em sua matéria assinala que o tema do artigo encontra-se também no livro que acaba de ser lançado por Bob Woodward. Porém, o repórter que denunciou, junto com Carl Bernstein, o escândalo de Watergate, é do Washington Post, no qual trabalha até hoje, e assim não teria sentido que publicasse matéria de tal importância no principal concorrente do Post.

Entretanto, voltando às investigações da Casa Branca, deve-se considerar também a hipótese do artigo do NYT possa ter sido escrito por um ghost writer, com base nas revelações de um novo Mark Felt, o Garganta Profunda de Water Gate.

Esse é o panorama geral da questão. Trump, ao acusar o vazamento, admitiu que os fatos descritos possuem dose de verdade. Caso contrário teria movido contra o jornal um processo por difamação.

Deus, que teve seu filho assassinado, não manda assassinar ninguém

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Até o Papa João Paulo II foi vítima de fanático religioso

Pedro do Coutto

Esta expressão que está no título esclarece de forma cristalina que Deus não pode armar a mão de assassinos e fanáticos, seja de que forma for. Basta recordar o relato sobre a morte de Jesus Cristo e constatar, mesmo fora da visão religiosa, que um vulto divino, no caso Deus, possa incentivar uma tragédia que em grande número de situações tem seu desfecho na morte de seres humanos.

Fanáticos há em grande número. Adélio Bispo de Oliveira inclui-se nessa legião que atravessa a história marcando seu rastro com sangue. Nos Estados Unidos foram assassinados quatro presidentes: Lincoln, Garfield, Mckinley, John Kennedy. O irmão Robert Kennedy foi assassinado quando iniciava a campanha de 1968 para a Casa Branca.

OUTROS ATENTADOS – Martin Luther King uma das maiores figuras da luta por direitos humanos encontrou sua morte num comicio de Memphis.  Nos anos 90, o presidente Ronald Reagan foi vítima de um atentado em Washington mas conseguiu sobreviver.

O Papa João Paulo II foi alvejado por mais um fanático voltado para tentar anular com seu impulso homicida a vida do chefe da Igreja Católica. Muitos outros exemplos pode e acrescentar. Um deles o Imperador Julio Cesar em 45 a.C.

Conspirações não faltam no percurso da existência. Agora tivemos mais uma marca do fanatismo. Não quero comparar Jair Bolsonaro com grandes figuras da história, mas apenas acentuar que os alucinados estão em qualquer lugar.

IMPULSOS DESTRUTIVOS – O exemplo contido na mensagem deixada por Jesus não foi suficiente para conter impulsos destrutivos. Fora do cristianismo em outras religiões também se encontram manifestações contra a violência na mão dos criminosos.

Estamos na fase já próxima das urnas de outubro para a presidência da República. Não se pode desejar a morte de pessoa alguma, portanto Bolsonaro entre as vítimas do fanatismo. Temos que ver a partir de agora o reflexo do atentado nas pesquisas do IBOPE e Datafolha.

RAZÕES ABSURDAS – O Globo publicou excelente reportagem na qual incluiu a foto em primeiro plano do esfaqueador e as razões absurdas que ele forneceu à Polícia pouco após sua prisão. Temos que lembrar que nem sempre tragédias como essa produzem resultados nas urnas.

Em 1954 a morte de Getúlio Vargas não favoreceu João Goulart, seu herdeiro político nas urnas. Perdeu a disputa pelo Senado pelo Rio Grande do Sul, sendo batido por Armando Câmara e Daniel KriEger. Os reflexos dos episódios marcados por sangue nem sempre proporcionam avanços na trajetória dos herdeiros da luta política.

A mensagem de Deus é eterna como ele próprio. A crucificação de Jesus é emblemática em todos os sentidos. Encontra-se para sempre no passado, no presente e no futuro da humanidade. Sua dimensão é inultrapassável: ele dividiu o tempo entre antes e depois dele.  Seu exemplo deveria servir para mostrar o rumo do bem e do amor a todos os homens e mulheres do planeta. O humanismo nasceu daí.

Ibope afasta Lula e Datafolha vai medir o reflexo do punhal contra Bolsonaro

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Radicalização da política acabou vitimando o radicalizador

Pedro do Coutto

A pesquisa do Ibope, publicada ontem pelo O Globo e pelo Estado de São Paulo, apresentou os primeiros reflexos da passagem dos candidatos pelo horário gratuito do rádio e da televisão. O Datafolha, conforme anunciou a Folha de São Paulo, publicará sua pesquisa na próxima segunda-feira. Assim, então, já se poderá medir o reflexo das intenções de voto do episódio que culminou com o ataque a punhal contra Jair Bolsonaro. Aí então a opinião pública poderá sentir qual o reflexo em matéria de intenções de voto na disputa pelo Palácio do Planalto.

Vamos por partes. O Ibope revelou que Bolsonaro subiu de 20 para 22% na preferência popular. Marina Silva manteve os 12% da pesquisa anterior, mas Ciro Gomes avançou de 9 para 12 pontos. Alckmin subiu do 7º para o 9º andar. Fernando Haddad marcou 6 pontos. Os brancos e nulos começaram a desabar: eram 29 agora reúnem 21%.

BRANCOS E NULOS – Como escrevi em artigo recente, à medida em que a campanha esquenta, diminui a faixa dos votos nulos e brancos. Vai cair ainda mais ao longo dos próximos dias.               Alvaro Dias conservou os 3 pontos; Amoedo subiu de 2 para 3%, Meirelles avançou do 1º para o segundo andar. Os demais candidatos apresentaram preferências que vão de zero a 1% das intenções de voto.

Verifica-se assim que a redução dos votos nulos e brancos foi dividida entre Bolsonaro, Ciro Gomes e Alckmin. Marina Silva não conseguiu arrebatar nenhuma parcela dos eleitores indecisos. O avanço mais expressivo na minha opinião foi de Ciro Gomes porque subiu de 9 para 12 pontos. Portanto, ele cresceu quase 40% em relação a si mesmo, percentual não alcançado pelos outros concorrentes, além dele.

Ainda existem muitos eleitores a serem conquistados. Há tempo. Estamos a exatamente um mês das urnas de outubro. A pesquisa de voto foi analisada por Marco Grillo e Miguel Caballero, em O Globo, e por Daniel Brumatti, em O Estado de São Paulo. Foram dois belos trabalhos bastante claros e objetivos.

DATAFOLHA – Tendo anunciado a divulgação de sua nova pesquisa na edição de segunda-feira da Folha, o Instituto dirigido por Mauro Paulino terá tempo de oferecer à opinião pública um quadro bastante amplo de intenções de voto, já incorporando os reflexos da faca que em Juiz de Fora se voltou contra o candidato Jair Bolsonaro.

A vítima sempre acarreta um efeito político que não pode ser ignorado. Em 1930 foi o assassinato do governador da Paraiba, João Pessoa, companheiro de chapa de Getúlio Vargas na eleição daquele ano. Em 1954 foi o assassinato do Major Rubem Vaz que retornava de um comício ao lado de Carlos Lacerda. O sangue ao longo do tempo resultado da violência alucinada pode mudar o destino de um lance político.

Não sei a consequência junto a opinião pública do atentado a Bolsonaro, mas acredito que não será muito profunda. Vamos esperar pelo Datafolha na segunda-feira.

Elio Gaspari e Ruy Castro expõem o desprezo oficial em relação à arte e museus

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Dinossauro era uma das grandes atrações do Museu Nacional

Pedro do Coutto

Foram dois artigos excelentes nas edições de ontem de O Globo e da Folha de São Paulo, os de autoria de Elio Gaspari e Ruy Castro expondo e acentuando o desprezo de governos que se sucederam ao longo do tempo em relação aos museus, às obras de arte de modo geral e também quanto às pesquisas científicas que repousam entre suas paredes. O caso do Museu Nacional no Rio de Janeiro é um exemplo marcante e impressionante do desprezo que marca as ações concretas nesse campo tão importante como de preservar a criação humana.

Basta ver as verbas destinadas pela UFRJ ao Museu Nacional. Apenas 54 mil reais nos primeiros quatro meses do ano. Além disso, uma série de outros museus encontram-se carentes do apoio oficial. Reportagem da GloboNews focalizou problemas existentes em diversos deles, ameaçando seus acervos. O Museu do Ipiranga em São Paulo é outro exemplo. Inclusive encontra-se fechado. No caso do Museu Nacional, vale assinalar que o último presidente da República a visitá-lo foi Juscelino Kubitschek, no final de seu governo em 1960.

58 ANOS DEPOIS… – A distância entre um ponto do tempo e outro é de praticamente 58 anos. Os presidentes que o sucederam não atribuíram nenhuma importância ao trabalho que a casa realizava. Isso demonstra também o distanciamento entre o poder público e as obras de arte que tornam a cultura universal.

Com o incêndio da noite de domingo queimaram-se peças da maior importância para o processo da cultura. Esse processo é de fato dinâmico, pelas oportunidades de pesquisa que oferece, e não estático, gelificado no passado. A cada dia, a cultura se renova, se amplia, se aprofunda e permite novos ângulos de observação e análise dos criadores das peças.

É triste que haja descaso, sobretudo porque as obras de gênios humanos pertencem a todos, e sua beleza está na oferta que é oferecida àquele que as procuram. E o governo Michel Temer é mais um omisso entre tantas omissões. Um desastre completo.

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E AS ISENÇÕES FISCAIS AUMENTAM…

Agora vejam só, enquanto os museus são levados ao esfacelamento, por falta de recursos, o governo vai aumentar as isenções fiscais de 283 bilhões para 306 bilhões este ano.

Reportagem de Adriana Fernandes e Lorena Rodrigues, O Estado de São Paulo desta quarta-feira, destaca o assunto. Emendas apresentadas a Lei Orçamentária para 2019 aumentaram ainda mais as renúncias tributárias. Com isso o governo do país abre mão de uma receita equivalente a 4,2% do Produto Interno Bruto. Isso sem falar na falta de cobrança, por parte do INSS, das empresas rurais. Nos balanços do Funrural encontra-se a superfície do mar de dívidas não cobradas.

Adriana Fernandes e Lorena Rodrigues comparam o montante de 306 bilhões com o déficit orçamentário projetado na LDO no montante de 139 bilhões de reais. Tudo isso sem contar os juros de 6,5%, taxa SELIC que incidem anualmente sobre o endividamento de 3,7 trilhões de reais.

Para concluir lembro uma frase de Santiago Dantas: “O povo, no fundo é melhor que os governos e algumas elites do país.”

Ibope e Datafolha fazem suspense nas primeiras pesquisas depois do horário gratuito

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Newton Silva (Charge Online)

Pedro do Coutto

Na tarde de ontem, na GloboNews, o jornalista Valdo Cruz anunciou que esta semana o Ibope e o Datafolha iriam divulgar as primeiras pesquisas sobre intenções de votos para Presidente da República já focalizando os efeitos do horário eleitoral gratuito da televisão e do rádio. 

Mas o Ibope suspendeu a divulgação e a Folha cancelou o levantamento, devido à insistência de Lula permanecer candidato. Será muito bom inclusive comparar-se os dois levantamentos, o que tornará ainda mais nítidas as tendências dominantes até agora. Mas o resultado facultará uma outra comparação: a dos efeitos decorrentes da televisão e os efeitos causados pelas redes sociais da Internet.

CLASSES SOCIAIS – Importante também saber, como já focalizei em artigo anterior, a divisão do eleitorado por classes sociais e verificar-se em quais dos grupos situa-se maior indecisão, que será reduzida nas próximas semanas, como acontece sempre, mas que dão margem a se verificar o potencial dos candidatos em cada grupo. As classes D e E são amplamente majoritárias responsáveis por de 40 a 45% dos eleitores e eleitoras. Depois vem a classe C e finalmente as A e B.

Tal divisão é feita com base nos salários mensais. Vale frisar que 50% da mão de obra ativa ganham de 1 a 3 salários mínimos. E que o grupo dos que ganham acima de 10 salários mínimos representam de 4 a 5% da população. Dito isso, vamos esperar os números e interpretar o que eles significam nesta altura da campanha.

FALTA UM MÊS – A campanha está apenas começando, estamos a praticamente um mês das urnas de 7 de outubro. Um enigma a ser desvendado é fornecido pelo Partido dos Trabalhadores. Está insistindo absurdamente em recorrer até à ONU para tornar Lula elegível. Perde tempo e com isso reduz um outro tempo, o que caberá a Fernando Haddad trabalhar tão logo homologado como candidato a presidente. A chapa do PT é a única de 1945 até hoje que pediu um registro de uma candidatura a vice sabendo de antemão que ele disputará a presidência da República.

Essa manobra do PT prejudica a candidatura a vice de Manoela D’Avila. Mas esta é outra questão.

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POVO TEM MAIS AMOR PELO MUSEU

Na tarde de ontem, terça-feira, a mesma GlobonNews exibiu reportagem sobre as condições em que se encontram os principais museus do país. Foram ouvidas muitas pessoas e reproduzidas cenas de solidariedade ao Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, nas quais sentiu-se a emoção de homens e mulheres. Chego à conclusão que o povo demonstra mais amor às obras de arte e à ciência que atravessam o tempo no rumo da eternidade.

A reportagem acusou também deficiências que estão atingindo a Biblioteca Nacional, o Museu do Ipiranga em São Paulo, o MASP em São Paulo, Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro, Museu Imperial de Petrópolis. 

O Museu Imperial de Petrópolis representa uma exceção, seu acervo está preservado mas já pediu por diversas vezes o laudo do Corpo de Bombeiros. O Museu do Ipiranga também precisa de providência quanto aos incêndios.

No Rio de Janeiro, digo eu, ameaças rondam também prédios históricos que estão abandonados, como o Automóvel Clube do Brasil e a Estação Ferroviária Barão de Mauá da Leopoldina.

Finalmente, concluo que a administração pública desabou no mar da omissão.

As chamas da omissão e da ineficiência destruíram o passado e abalaram o futuro

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As peças históricas são impossíveis de ser reconstruídas

Pedro do Coutto

Foi exatamente isso a causa verdadeira do incêndio de grandes proporções que queimou um passado de mais de 200 anos, chocou o presente e vai abalar o futuro porque reduz o campo de pesquisa, na qual pesquisadores e estudantes encontrem as informações do passado, buscando a origem dos fenômenos humanos que marcam os tempos de outrora. A tragédia impede que estudantes e pesquisadores busquem informações que, como se sabe, são indispensáveis ao trabalho de procura constante de informações e complementações de ideias, das quais o passado oferece a solidez desejada.

Incrível o descaso absoluto para com o monumento da história dos tempos, por parte dos responsáveis pela conservação e manutenção do Museu Histórico e Nacional do Rio de Janeiro. Um monumento de cultura como o da Quinta da Boa Vista exigiria uma atenção toda especial. Sobretudo porque os objetos que o incêndio transformou em pó são impossíveis de ser reconstruídos.

DESCASO – O governo brasileiro é o responsável pelo não enfrentamento das chamas no prazo curtíssimo que os perigos da falta de manutenção colocam na esteira do tempo.

O governo brasileiro não adotou o exemplo dos grandes museus do mundo para com as peças que guardam as obras de arte que preservam para a eternidade. As gerações se sucedem, mas os acervos profundamente históricos acompanham a evolução da humanidade. Se a história, como definiu Toybee, é também o presente, é porque está alicerçada no passado, seja ele remoto ou de algumas décadas.

 Os principais jornais do mundo destacaram a calamidade que não foi prevista como deveria ter sido. A tragédia brasileira foi publicada com grande destaque na imprensa universal.

PREVENÇÃO – Museus como o Louvre, Metropolitan, Prado de Madri mantêm equipes ao longo das 24 horas de todos os dias exatamente para poder evitar qualquer risco capaz de destruir seus tesouros. O Museu Nacional guardava muitos desses tesouros, inclusive tanto peças científicas quanto manifestações de arte que enfrentaram o tempo tornando-se demonstrações extraordinárias da cultura humana.

As verbas para manutenção do museu eram ínfimas, quantias  que não davam para administrar um edifício quanto mais para preservar a integridade do Palácio que tinha sido residência da família real. Um patrimônio como o da Quinta da Boa Vista exigiria uma vigilância constante que não foi realizada por omissão dos que por ela deveriam zelar.

CULTURA? –  O incêndio reflete absoluta distância do governo para com a cultura. Cultura? O Palácio do Planalto não está nem aí, como se costuma dizer.

Para ele, governo, a cultura é algo sofisticado e distante de preocupações. Estabelecendo distância das preocupações o poder público do Brasil deixou indiretamente desmoronar uma riqueza de nível internacional.

No adeus ao Museu da Quinta, fica a revolta com as ações governamentais.

Só Dutra em 1945 e FHC em 1998 alcançaram de imediato a maioria absoluta

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Bolsonaro está garantido no segundo turno, diz FHC

Pedro do Coutto

Em entrevista a Thais Bilenky, edição de ontem da Folha de São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso analisou longamente o plano da sucessão presidencial de outubro e concluiu que a disputa será entre PSDB e PT para ir ao segundo turno. FHC admitiu que Bolsonaro estará no palco do desfecho final das urnas. A semana que começa deve incluir novas pesquisas do Datafolha e do IBOPE porque já haverá uma base para pesquisa em seguida das apresentações dos candidatos no rádio e na televisão.

Para FHC, a luta mais uma vez se travará entre PSDB e PT, como aconteceu em vezes anteriores. Essa consideração, no fundo, representa a aceitação de que Jair Bolsonaro deverá ocupar uma das correntes no turno final. A respeito de tal tendência, FHC assinala que as pessoas encontram-se com medo do futuro, horrorizadas com a corrupção e com a violência nas ruas.

REPRESSÃO VIOLENTA – Eleitores e eleitoras estão considerando a necessidade de uma repressão violenta e para tal acompanham Bolsonaro como capaz de desenvolver ações de força. Para o ex-presidente da República, as condições que estão motivando o eleitorado partem da não solução da rede de fatos que está sufocando os anseios populares. Fernando Henrique Cardoso sustenta a tese de que é um erro concentrar ataques em Bolsonaro, porque é isso exatamente o que ele deseja e abastece sua campanha. Quanto mais o atacarem melhor será para ele.

FHC descartou o peso do MDB nesta sucessão presidencial. O MDB sempre fez o que está fazendo agora. Ou seja preparando-se para aderir àquele que for eleito. Para o MDB, o fato de possuir uma bancada bastante ampla na Câmara passa a ser mais importante do que disputar o  voto com um candidato viável. Com isso Fernando Henrique Cardoso quis dizer que a candidatura Henrique Meirelles praticamente inexiste. Após afirmar que votará em Geraldo Alckmin, acrescentou que Bolsonaro expressa o medo da violência e a incerteza com a economia.

Eu disse no título que só Eurico Dutra e FHC venceram com maioria absoluta num só lance eleitoral. Em 1945 Eurico Dutra alcançou 52% dos votos. Na época não havia segundo turno. Em 1998 FHC ultrapassou a casa dos 53%.

NOVOS MANDATOS – Nas urnas de outubro os deputados Chico Alencar e Miro Teixeira vão disputar as eleições para senador no Rio de Janeiro. A vereadora Tereza Bergher, a mais votada pelo PSDB em 2016, será candidata a Câmara Federal.

Ela se destacou no combate ao absurdo aumento do IPTU estabelecido pelo prefeito Marcelo Crivella. Tem chance de reforçar os votos da legenda nas urnas de 7 de outubro.

Com Lula vetado, o tempo agora passou a correr rapidamente para o PT

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Charge do Jota A (Portal O Dia/SE)

Pedro do Coutto

O julgamento do Tribunal Superior Eleitoral confirmando a inelegibilidade do ex-presidente Lula criou uma situação bastante sensível para o Partido dos Trabalhadores. A legenda terá que registrar outro candidato no prazo máximo de 10 dias. Isso faz com que, a partir deste momento, terá que decidir rapidamente e ao mesmo tempo desistir de recursos difíceis por Luiz Inácio Lula da Silva. Os recursos tornariam confusa a opção partidária por Fernando Haddad, que precisa utilizar como candidato a presidente (e não como vice) o espaço que lhe cabe no horário eleitoral das emissoras de rádio e televisão.

Seria uma contradição um partido político recorrer e com isso retardar seu próprio acesso à propaganda gratuita. Vejam bem: se uma pessoa ou um partido recorre contra uma decisão judicial, no caso da eleição de 2018, cairia num impasse, numa contradição. Como registrar a chapa Fernando Haddad e Manuela D’Avila, se um recurso da mesma fonte seria colocado para obscurecer a escolha de Haddad e manter iluminado o caminho de Lula para as urnas de outubro?

O TEMPO VOA – O partido não pode perder tempo e com isso deixar de aproveitar espaços essenciais para a campanha política. Portanto, o PT tem que desistir de tentar mudar a decisão de 6 votos a 1 pelo TSE. Problema a ser equacionado pela presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Gleisei Hoffman. O PT, na minha impressão, tem que atravessar a ponte entre um sonho e a realidade. Hoje, qualquer insistência com o nome de Lula atrasaria o esforço do partido em chegar as urnas eleitorais nas condições ideais.

A decisão do TSE, pelo que os jornais publicaram, estabelece que Lula não poderá aparecer como candidato na campanha, mas cabe a pergunta se sua imagem fotográfica poderá firmar-se como cenário das aparições de Haddad. Questão a ser decidida.

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LIVRO DE DALLAGNOL  SOBRE CORRUPÇÃO

Muito importante a leitura do livro do procurador Deltan Dallagnol narrando a luta da Força Tarefa da Operação Lava jato contra a corrupção. O prefácio, brilhante, é da jornalista Miriam Leitão, para a GMT Editores.

Dallagnol destaca um aspecto essencial. Diz ele que o sistema legal contra subtrações do dinheiro público, constatou ele, foi montado décadas atrás exatamente para não funcionar. Entretanto, acabou funcionando e pela primeira vez na história do Brasil, colocando ladrões de casaca na cadeia. Eles jogavam com a impunidade. O panorama, no entanto, mudou. A campanha eleitoral deste ano vai provar que com menos dinheiro pode-se fazer o esforço político na busca do voto.

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OLHO NO SEGUNDO TURNO

E o problema principal, a partir de agora, é que a campanha pelas urnas de outubro vai se tornar mais nítida e mais intensa na busca pela classificação no segundo turno, a 28 de outubro. Pois agora já se sabe que o PT vai na campanha com Fernando Haddad, e o problema principal é em que percentagem Lula poderá transferir votos para ele. O quadro de opções ficou mais nítido sem a nuvem que inibia a atuação do PT. Era Lula ou Haddad. A partir de hoje é só a candidatura do ex-prefeito da cidade de São Paulo.

O segundo turno é inevitável. Bolsonaro, candidato da extrema- direita, estará nele. Mas quem será seu adversário no duelo final? Esta passou a ser a questão essencial.

Lula precisa sair de cena e o PT conduzir Haddad ao palco da sucessão de 2018

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Haddad e Manuela precisam entrar em campo em definitivo

Pedro do Coutto

Depois de longas horas de exposição de teses – escrevo este artigo às 20:30 hs de ontem – a tendência dominante do Tribunal Superior Eleitoral voltava-se para a inelegibilidade do ex-presidente Lula, como o Ministro Luis Roberto Barroso arguiu em seu voto de relator da matéria. Não havia dúvida quanto a este desfecho, mas dúvidas existem quanto aos prazos de substituição de sua candidatura por outro nome para o qual o Partido dos Trabalhadores pedir registro.

Superado o prazo de substituição, seja ele qual for, emerge nitidamente que o Partido dos Trabalhadores vai finalmente homologar a candidatura do ex-prefeito da cidade de São Paulo, tendo Manoela D’Avila como sua companheira de chapa.

SEM TEMPO – O prazo de definição total terá de ser curto, pois curta é também a duração do horário eleitoral que começou ontem para os candidatos aos governos estaduais e hoje, sábado, terá sequência projetando os candidatos à presidência da República.

O julgamento de ontem estendeu-se por longas horas, todas convergindo, por parte do Tribunal para a inelegibilidade de Lula com base na lei da Ficha Limpa. Afastada a presença física de Luis Inácio da Silva do horário da televisão, restam dúvidas sobre o uso de sua imagem em pelas legendas que o apoiam. Coloca-se a questão de o seu sucessor poder usar sua imagem no fundo de suas aparições. Há pensamentos diversos a respeito de tal alternativa. Um caso, penso eu, a ser resolvido pelo próprio TSE.

A conclusão da sessão de ontem entrou pela noite a dentro. Me parece totalmente solucionada a questão da inelegibilidade. Mas tenho dúvidas quanto aos rumos que o PT possa imprimir à campanha.

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OPINIÃO PÚBLICA REAGE MAL A BONNER E 
RENATA

A opinião pública, de modo geral, com poucas exceções reagiu negativamente sobre a atuação de William Bonner e Renata Vasconcelos na semana em que ambos entrevistaram Ciro Gomes, Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Marina Silva. Não focalizaram as propostas dos candidatos ao Palácio do Planalto. Agiram como inquisidores baseados em contradições inevitáveis no plano político. Isso de um lado. De outro terminaram falando mais do que os próprios entrevistados.

Usaram argumentos com base na comparação das alianças que sustentam os candidatos no plano federal com as coligações que seus partidos firmaram nas esferas estaduais.

Foi uma oportunidade perdida para os milhões de espectadores da Rede Globo que continuam aguardando explicações mais transparentes por parte dos candidatos às urnas de outubro.

A lacuna permanece. Creio que os programas tiveram uma audiência em torno de 35 milhões de pessoas. A força da televisão não encontrou reciprocidade por parte dos dois apresentadores.

Análise do índice de desemprego tem de incluir o crescimento demográfico do país

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Reportagem de Thais Carrança, edição de ontem do Valor, focalizou a redução da taxa de desemprego em julho com a criação de 47 mil postos de trabalho. Para a jornalista,que colheu dados em várias fontes sendo uma delas o setor econômico do Itaú, a queda foi muito tímida num universo de desempregados que se eleva a 11 milhões 933 mil. Para o banco de investimentos MUFG, o recuo deixou a taxa em 12,3%. O tema desemprego vem sendo discutido por vários setores, incluindo a pesquisa nacional por domicílios do IBGE. O desemprego, contudo, na minha opinião, tem que ser confrontado com o índice de crescimento demográfico.

Se nascem 2 milhões de pessoas por ano, tem que se considerar que o mesmo percentual abrange os jovens maiores de 18 anos. Dividindo-se 2 milhões de seres humanos por 12 temos então a onda que devia caminhar para o mercado de trabalho.

NOVAS ADMISSÕES – Esse dado é muito importante porque ao desemprego decorrente de demissões tem que se adicionar a taxa de não admissões. Uma questão que esclareça os fatores desemprego e não emprego afetando a economia de modo global. inclusive a Previdência Social, que majoritariamente arrecada sobre a folha de salários e está atingida fortemente no seu universo social.

Existem outras implicações relativas ao movimento de consumo que gera receitas provenientes do vínculo empregatício. Portanto, os governos estaduais e federal, de modo geral, dependem das compras no mercado. Se as compras caem, a receita pública também recua.

Existe, ainda, o fator prestação de serviço, no qual se encontram centenas de milhares de pessoas em todo o país trabalhando em caráter informal. Não estão desempregadas, mas em sua grande maioria não recolhem para o INSS. A cadeia de tributos é formada pelo Imposto de Renda no plano federal,  assim como pela Previdência, pelo ICMS que é estadual e pela contribuição de empresas para o ISS na esfera municipal. Uma corrente contínua.

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SUPREMO LEGITIMA TERCEIRIZAÇÃO

O Supremo Tribunal Federal decidiu ontem, por 7 votos a 4  reconhecer a legitimidade dos contratos de terceirização para o sistema da CLT. A discussão era se a terceirização pode ser estabelecida para as atividades-fim, além de para as atividades meio. Portanto, o STF aprovou a existência do sistema, de modo geral, para os empregados privados e para os servidores das empresas estatais. Mas não para o funconalismo público.

A decisão vai ao encontro de cerca de 2 milhões de homens e mulheres que trabalham com esse vínculo indireto no campo trabalhista. Quem pode o mais pode o menos. Assim, os terceirizados podem continuar presentes tanto nas atividades meio quanto nas atividades-fim.

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TSE PODE JULGAR HOJE RECURSO DE LULA PARA TV

Os repórteres Rafael Moraes Moura e Ricardo Galhardo, no Estado de São Paulo de ontem, revelaram que o Tribunal Superior Eleitoral poderá julgar hoje o recurso do PT no sentido da presença de Lula no horário gratuito nas emissoras de rádio e televisão.

Talvez Lula não possa aparecer, mas sua mensagem de apoio a qualquer candidato na realidade não poderá ser proibida.

Bonner e Renata contribuíram para levar Jair Bolsonaro para o segundo turno

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Bolsonaro se saiu melhor na TV Globo do que na GloboNews

Pedro do Coutto

Na entrevista que fizeram com Jair Bolsonaro na Rede Globo, noite de terça-feira, os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcelos questionaram intensamente o candidato do PSL, apontando contradições entre suas falas públicas, numa série de situações que vão da homofobia à ameaça de intervenção militar no governo.  Sobre esta questão, basearam-se nas declarações do General Hamilton Mourão, seu candidato à vice-presidência. O tom foi agressivo e a projeção da contradições foi bastante explorada. Mas contraditoriamente, tais estocadas foram do agrado de Jair Bolsonaro.

Foi do agrado, porque propiciou a ele tocar os temas radicais de sua plataforma política, assim expondo-a bem junto a seus eleitores extremados, grande parte dos quais podem ser considerados da extrema-direita.

SAIU-SE BEM – O tema segurança, por exemplo, foi levantado para diretamente condenar as ações e pensamentos do candidato nessa área. Mas ele saiu-se bem na resposta, ao citar que a presença de bandidos armados em bairros do Rio de Janeiro tinha que ser repelida com a violência.

Nesta parte é que ele encontra adeptos extremados, defensores da violência para reprimir a ação de criminosos. Não se pode, disse Bolsonaro, querer tratar gentilmente os bandidos que infernizam a vida das pessoas de bem. A pergunta deixou Bolsonaro à vontade para se afirmar ainda mais com os eleitores e eleitoras que pensam como ele, porque, a exemplo de todos os brasileiros, vivem sob atmosfera imposta pela bandidagem.

Comparando-se a entrevista com Bonner e Renata com a que foi conduzida na GloboNews por Heraldo Pereira, também na noite de terça-feira, dá para se verificar a grande diferença entre uma e outra.

DIFERENÇA – Na primeira entrevista, como eu disse há pouco, o tema predominante deu margem a respostas intensas. Afinal, os candidatos que são entrevistados, como é natural, estão jogando para o eleitorado na busca de votos. Porém, o encontro comandado por Heraldo Pereira focalizou a inexistência de projetos específicos de governo, sobretudo na área econômica. Na GloboNews, Bolsonaro perdeu votos, mostrando-se mais uma vez dependente dos pensamentos do economista Paulo Guedes.

Na Globo, mostrou-se como radical que baseia suas ações no confronto físico, que caminha a seu lado com a homofobia e até manifestações absurdas como aquela que ele dirigiu à deputada Maria do Rosário.

No balanço geral da terça-feira, Bolsonaro ganhou mais votos do que perdeu. William Bonner e Renata Vasconcelos carimbaram o passaporte dele para o segundo turno em 28 de outubro.