Entre os candidatos de fato, Marina Silva é a única com equilíbrio e coerência

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Na campanha, Marina se destaca pela sobriedade

Pedro do Coutto

As eleições de outubro para o Palácio do Planalto têm apenas poucos candidatos de fato: Bolsonaro, Alckmin, Marina Silva e Ciro Gomes. Os demais são figurativos sem qualquer possibilidade de vitória, ou até mesmo de decolagem suficiente para somar, digamos, três pontos percentuais nas urnas eletrônicas.

De todos estes, Marina Silva é a única que tem apresentado equilíbrio e coerência política. Os outros três caem em contradições seguidas e tentam lances dispersos na tentativa vã de conquistar eleitores.

CONTRADIÇÕES – Ciro Gomes, por exemplo (reportagem de Gabriela Pessoa, Folha de São Paulo de ontem), disse uma coisa no dia 16 e outra, totalmente oposta no dia 26, reproduzida pela FSP de ontem 27.No dia 16 ele afirmou que era o único candidato com possibilidade de, em caso de vitória, livrar Lula da cadeia e enquadrar os juízes que condenaram o ex-presidente, além de traçar normas que disse democráticas para os integrantes do Ministério Público.

Entretanto, na convenção do PDT que homologou seu nome, na concentração em São Paulo, afirmou ser antagônico a Lula e também contrário ao candidato escolhido pelo PT para disputa em outubro.

Como se constata, parece ter mudado de opinião no decorrer de 10 dias entre 16 e 26 deste mês.

TUCANO NO NINHO – O candidato Geraldo Alckmin, do PSDB, recebeu apoio do chamado Centrão e acolheu, de acordo com reportagem de Bruno Goes, Cristiane Jungblut, Eduardo Breciani e Letícia Fernandes, O Globo, deixou-se fotografar na mesa central do encontro, realizado em Brasília, ao lado de nove políticos envolvidos em casos de corrupção. No seu discurso, passou ao largo da Operação Lava Jato e prometeu transformar o Brasil numa Abu Dhabi, numa referência à rica capital dos Emirados Árabes Unidos. A afirmação representa uma impossibilidade. O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes e é um país que figura entre os maiores da Terra. Como ele conseguiria isso?

Esqueceu dos problemas sociais existentes, da falta de saneamento, da crise da segurança, da situação caótica do sistema de saúde, da educação, dos transportes e, sobretudo do desenvolvimento econômico.  Têm-se a impressão de que para ele não importa muito qualquer meta para redistribuir a renda, a partir de um ponto de equilíbrio entre o capital e o trabalho.

GUEDES NO COMANDO – Jair Bolsonaro representa a extrema direita, a apologia à tortura além de dizer que nada entende de economia. Em recente entrevista, inclusive, acentuou que na área da economia entregará tudo ao professor Paulo Guedes, fundados do Banco Pactual e do IBMEC e que mantinha uma coluna semanal em O Globo. Bolsonaro age como se a economia pudesse ser transferida integralmente para as mãos de Paulo Guedes.

Para se ter uma ideia do absurdo, convém lembrar que o sistema econômico, do lado do Estado, forma-se pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco Central, Petrobrás e Eletrobrás para ficarmos só nesses exemplos. Com base na afirmação que fez, Paulo Guedes seria o ministro da Fazenda plenipotenciário. O que seria um absurdo total.

EXEMPLO ISOLADO – Marina Silva constitui um exemplo isolado entre os quatro candidatos de fato. Ela, pelo menos até agora, demonstrou coerência em suas atitudes. Um exemplo é sua negativa em apoiar o senador Romário para o governo do estado do Rio de Janeiro. Na sua pré-campanha, tem demonstrado firmeza nas decisões  que tomou, principalmente em matéria de coligações entre legendas.

Dentro desse panorama que reúne Bolsonaro, Marina, Alckmin e Ciro Gomes, encontramos uma frieza que se generaliza, já que os três adversários da candidata da Rede enveredam por caminhos sinuosos na tentativa de conquistar o voto e chegar ao poder.

SEM ENGANAR – Relativamente a Bolsonaro, ele está sendo fiel a si próprio e parece não pretender enganar ninguém. Representa uma corrente radical de pensamento e na disposição de materializar esse pensamento em política de governo. Sua vitória seria um desastre para o país.

Em tal hipótese sairíamos de uma calamidade chamada Michel Temer e ingressaríamos numa outra situação desastrosa.

Mas tudo isso está encoberto pelo eclipse em torno de qual posição Lula colocará o PT.

Poucos funcionários federais decidiram aderir à Previdência complementar

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Charge do Mariano (Charge Online)

Pedro do Coutto

Os funcionários federais não se motivaram a ingressar no plano de Previdência Complementar Privada estabelecido pela lei de 2013 que limitou o teto da aposentadoria, igualando-a ao teto do INSS para os trabalhadores regidos pela CLT.

Reportagem de Lais Alegretti, edição de quarta-feira da Folha de São Paulo, focaliza o assunto. Em O Globo de ontem, matéria de Nelson Lima Neto aborda também o tema. A questão é a seguinte. O serviço público federal possui 450 mil funcionários. A partir de 2013 o teto de suas aposentadorias foi fixada igualmente ao dos trabalhadores celetistas. Entre estes encontram-se os servidores das empresas estatais.

COMPLEMENTAÇÃO – Como uma parcela do funcionalismo tem salários acima de 5.300 reais a legislação criou um regime de previdência complementar privada capaz de complementar a diferença entre 5.300 e o total de sua remuneração. Tal regime, facultativo, já funciona para aqueles que trabalham nas empresas estatais de economia mista.

Criou-se de um novo plano facultativo para o qual os funcionários contribuiriam com 8% sobre seus vencimentos no sentido de garantir-lhes a integralidade do salário quando se aposentassem. O governo esperava uma adesão de 5%, entretanto a adesão não chegou a 2%. É preciso, para esse cálculo, levar em conta que acima de R$ 5.300 mensais encontra-se a franca minoria do funcionalismo. Claro, porque quem está contido na escala prevista no INSS não teria porque aceitar mais um desconto, que criaria uma contribuição sem retribuição.

APÓS 2003 – É preciso considerar também que tal regra não atinge os funcionários admitidos antes de 2013, pois estes ainda têm direito a aposentadoria integral. A partir de 2013, as admissões no serviço público federal já estabelecem em seus contratos a igualdade de direitos fixados para os segurados da Previdência Social. Aí verifica-se a diferença entre Seguridade Social, a dos funcionários públicos e a Previdência Social que rege os direitos e deveres do INSS.

Talvez uma das causas da baixa adesão à previdência complementar tenha base na impossibilidade de os funcionários, em sua grande maioria, poderem arcar com uma contribuição adicional de 8% sobre a folha já cheia de descontos, como os que se referem ao Imposto de Renda e à própria seguridade.

ACABA HOJE – A reportagem de Lais Alegretti acentua que o prazo limite para a adesão termina exatamente hoje, sexta-feira, 27 de julho. A menos que haja prorrogação a partir de segunda feira os funcionários não poderão mais se inscrever no regime de complementação. O regime de complementação funciona da seguinte maneira: se o funcionário ganha por exemplo 7.000 reais, se aderir ao plano privado, ao se aposentar passaria a receber os 5.300, seu salário básico, e mais a complementação de 1.700 reais. Tal sistema já existe para os que trabalham no Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobrás e Eletrobrás, por exemplo.

Citei algumas empresas estatais. Porém, a Previdência Complementar pode receber a adesão de empregados cujas empresas, por sua vez ofereçam tal plano. Além da Previdência Complementar, existem planos privados de previdência oferecidos pela rede bancária a qualquer pessoa. Os funcionários federais não puderam ou não quiseram aderir ao sistema.

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DÍVIDA PÚBLICA CRESCE E ATINGE R$ 3,7 TRILHÕES

A dívida pública federal cresceu 1% em junho e atingiu 3,7 trilhões de reais. Matéria de Bárbara Nascimento focaliza o avanço e acentua o crescimento da dívida em parte em decorrência do índice de inflação no mês passado. Sobre o montante de 3,7 trilhões, o governo federal paga juros anuais de 6,5%, relativos a taxa Selic.

Ciro Gomes, sem rede de proteção, voa rumo a Lula no trapézio da política    

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Ciro busca atrair os votos dos petistas radicais

Pedro do Coutto

O ex-ministro Ciro Gomes afirmou ser o único candidato, que, se eleito, pode tirar Lula da cadeia e enquadrar juízes que o condenaram. A afirmação é surpreendente, conforme matéria de Daniel Guilino, edição de ontem de O Globo, que destacou essa afirmativa singular. O fato tornou-se manchete principal de O Estado de São Paulo, reportagem de Gilberto Amêndola. A opinião do ex-governador do Ceará, pelo destaque que teve, vai gerar reações fortes em vários setores sobretudo no universo judicial do país, pois atinge diretamente os juízes que o condenaram e também os tribunais que rejeitaram os recursos até agora dirigidos pelos advogados do ex-presidente da República.

Falei em trapézio político, sobretudo porque os trapezistas fazem manobras espetaculares mas protegidos, como é natural, por redes que os amparam em caso de o exercício não dar certo, uma vez que o erro seria mortal.

SEM RETORNO – Acentue-se que a iniciativa de Ciro Gomes, candidato pelo PDT, é um lance de dados sem retorno. Ele foi ao encontro das correntes lulistas que se encontram órfãs de um candidato próprio do PT. Não tem linha de recuo, pois suas declarações não dão margem a dúvida alguma e sintetizam uma disposição que, aparentemente tem como meta o caminho das urnas de 7 e 28 de outubro.

Ciro Gomes jogou para arrebatar o potencial de votos que Lula possui, mas do qual não poderá dispor para si, uma vez que sua candidatura tornou-se inviável pelas barreiras da lei eleitoral. O ex-governador do Ceará assumiu o caráter de adepto de Lula, posição de risco que assumiu diante do eleitorado brasileiro.

Ciro está ao lado de Lula, mas Lula estará ao lado dele? É possível que antes de a matéria publicada em O Globo e no Estado de São Paulo ele tenha mantido entendimento com o líder do PT. Neste caso, tal situação representa uma escolha em seu favor defendida pelo ex-presidente.

ACENO AO PT – No caso de a iniciativa ser singularmente de Ciro, aí então trata-se de um aceno à fração de 30% dos eleitores do país, de acordo com todas as pesquisas do Ibope e Datafolha.

Ao iluminar seu propósito de colocar Lula em liberdade, Ciro Gomes foi além de uma manifestação partidária, tendo como objetivo a conquista de votos. Ele atacou fortemente o Poder Judiciário do Brasil, na medida em que disse que, se eleito, libertará Lula da prisão, além de enquadrar magistrados. Um absurdo. Como é possível um candidato à Presidência afirmar sua disposição de simplesmente desconhecer as decisões da Justiça, e, ainda por cima ameaçar juízes de enquadramento em regras que a legislação não prevê?

Ciro Gomes desencadeou uma tempestade que coloca sob risco as instituições políticas e jurídicas brasileiras. Vamos ver como o PT reagirá à iniciativa.

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QUESTÃO A SER DECIDIDA PELO TSE           

Constitui uma questão a ser decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral o fato de um partido coligar-se de uma forma na esfera federal e outra na área estadual.

Por exemplo: o PR de Valdemar Costa Neto uniu-se com o Centrão e vai se coligar com o PSDB. Perfeito. O tempo na televisão no horário eleitoral será dividido com base nas bancadas partidárias na Câmara dos Deputados.

E se na área estadual, o PR coligar-se com o PT de Minas Gerais. A pergunta é a seguinte: como será a divisão do acesso a televisão para o estado de Minas Gerais?

O presidente do TSE, ministro Luis Fux, precisa baixar uma norma regulando a matéria de forma concreta e definitiva. Tem de fazer isso imediatamente porque a campanha eleitoral inicia-se antes dele passar o cargo para a Ministra Rosa Weber.

Josué Gomes só poderá ser candidato a vice se o PR entrar numa coligação

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Josué Gomes, do PR, esnobou esnobou petistas e tucanos,

Pedro do Coutto

O empresário Josué Gomes Alencar está sendo cortejado por vários partidos para ser candidato a vice-presidente. Reportagem de Bruno Goes e Cristianne Jungblut, em O Globo de ontem, focaliza amplamente o problema e destaca que tanto Geraldo Alckmin deseja tê-lo na chapa quanto o próprio PT, já que ele é filho de José Alencar, que foi eleito vice-presidente da República na chapa encabeçada por Lula nas eleições de 2002. Foi reeleito e faleceu em 2001, no primeiro mandato de Dilma Rousseff. Mas Josué Gomes Alencar é filiado ao PR. Sendo assim, só poderá aceitar o convite se o PR formar na coligação. Dessa forma, será mais fácil concorrer a vice de Alckmin, porque o PR, junto com o Centrão, integra a coligação existente.

Mas Josué Alencar,de acordo com a reportagem, está condicionando a aceitação depois de uma consulta ao governador Fernando Pimentel, de Minas Gerais que integra os quadros do PT. Josué está disposto a antes de mais nada consultar o governador mineiro, que é candidato à reeleição.

ÚNICO CAMINHO – Josué  só pode concorrer a vice se seu nome for homologado pela convenção do PR, uma vez que se encontra inscrito nos quadros dessa legenda. É o único caminho possível para ele. Para ser vice na chapa de Pimentel, nas urnas de Minas Gerais, ele depende do aval do PR, ou seja, o PR firmar duas posições, dando apoio a Alckmin no plano federal e apoio a Fernando Pimentel no plano estadual.

A situação partidariamente inclui a hipótese de o PR coligar-se com Alckmin na esfera federal e coligar-se com o PT na esfera estadual. Quer dizer, em síntese, que seu partido, PR, iria as urnas de outubro dividido em duas faces. Uma face relativa a Minas, outra face referente a sucessão presidencial.

Na perspectiva de Josué aceitar concorrer à vice de Alckmin, a coligação estadual com o PT seria descartada. Já na hipótese de Josué aceitar ser vice de Fernando Pimentel a coligação que sustenta a candidatura do ex-governador de São Paulo perderia o palanque em Minas Gerais.

HÁ UM IMPASSE – Minas Gerais é o segundo colégio eleitoral do país e, portanto, Alckmin teria de abrir mão da base mineira. Vamos ver qual rumo Josué escolhe no caminho das urnas de outubro. Tem que decidir tudo até 5 de agosto.

Os que estão convidando Josué para ser vice esquecem que ele não pode ser um candidato avulso, pois tal hipótese é expressamente proibida pela legislação eleitoral.

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FUNDO PARTIDÁRIO TEM DE INCLUIR CRITÉRIOS DA DISTRIBUIÇÃO

Matéria de Reynaldo Torelo Junior, Folha de São Paulo também de ontem, revela que dos 35 partidos existentes no país, até agora, somente 12 já informaram quais os critérios adotados para divisão dos recursos financeiros. Essa questão é da mais alta sensibilidade porque, afinal de contas, o fundo partidário envolve um bilhão e setecentos milhões de reais.

O PSDB, o DEM, PSB, PSD, PR, PRB, PSOL, PPS, PMN, PRTD e o PATRIOTA apresentaram seus critérios ao Ministro Luis Fux presidente do TSE, como se verifica o MDB e o PTB formam entre as 23 legendas partidárias que ainda não revelaram seus critérios. O PT também forma no bloco dos ainda omissos.

As direções partidárias vão preferir aplicar os recursos que cabe a cada legenda prioritariamente aos deputados e senadores que buscam a reeleição no próximo pleito. Os candidatos novos, portanto, terão acesso restrito às verbas do fundo.

Indefinição eleitoral não deve preocupar somente o mercado financeiro

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Charge do Cabalau (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Ana Paula Ragazzi, edição de ontem da Folha de São Paulo, destaca que a indefinição eleitoral está preocupando e aumentando o nervosismo do mercado. No caso, trata-se do mercado financeiro, uma vez que analistas de investimentos estão sugerindo aplicações em títulos púbicos pós-fixados para que não surjam riscos que acarretem desvalorização do dinheiro investido. A indefinição eleitoral, digo eu, deve preocupar tanto ao mercado financeiro quanto aos assalariados que formam a força de trabalho do Brasil.

A mão de obra ativa brasileira envolve diretamente 100 milhões de homens e mulheres, número que, incluindo-se o reflexo indireto, reúne mais ou menos 140 milhões de pessoas.  Tal número refere-se aos dependentes dos trabalhadores e funcionários públicos.

ASSALARIADOS – Portanto, a preocupação maior deve ser dos assalariados, não dos empresários que manipulam o valor das ações e canalizam os investimentos na economia. É natural a preocupação, mas ela tem um caráter geral, porque o processo econômico depende do nível de consumo e o consumo é gerado pelos que trabalham.

Uma coisa leva à outra. Será eternamente assim, como é assim em todos os países do mundo. O consumo está diretamente vinculado ao nível de renda e dessa forma observamos o funcionamento dinâmico dos valores econômicos e financeiros.

Os agentes do mercado, se fizerem um retrospecto vão encontrar exemplos contraditórios à sua tese relativa a desconfiança no futuro próximo.

CASO DE JÂNIO – No passado, por exemplo, o mercado apoiou maciçamente Jânio Quadros e o que aconteceu? Ele renunciou seis meses depois de assumir a presidência da República. Nesse intervalo a antiga SUMOC, que quatro anos depois seria transformada em Banco Central, baixou uma resolução, a de número 204, que duplicou o valor do dólar no país.

Com isso, o lucro financeiro foi enorme, pois, por uma coincidência numérica, o dólar, para nós, brasileiros, teve o valor duplicado de 100 para 200 cruzeiros. Com este fato os especuladores ganharam fortunas. Ninguém poderia prever uma decisão desse tipo. Como também pessoa alguma poderia prever que o presidente da República renunciasse.

CASO DE JK – Quando JK foi eleito em 1955, os setores ortodoxos do mundo financeiro acenderam um sinal de alerta. O que aconteceu? Exatamente o contrário do que tais setores supunham. O desenvolvimento econômico do país criou diretamente mais de 1.000 novas oportunidades para investir, e a expansão da economia refletiu-se em ganhos maiores do capital e também melhorou as condições de vida dos trabalhadores e funcionários públicos. O mercado, em seguida reformulou seus conceitos básicos. Afinal de contas surgia uma alvorada brasileira.

A indefinição é própria da política. Ninguém pode querer que meses antes de uma eleição já fosse possível identificar as correntes vitoriosas. Eleição se ganha na urna. Mesma coisa do que no futebol: ninguém vence na véspera.

Esperar é preciso. Aliás, é o que a nossa população enfrenta no passar de uma eleição para outra.

Desta vez, TV, rádio e redes sociais são os caminhos para as urnas de outubro

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Charge do Kayser (Arquivo Goodle)

Pedro do Coutto

Em uma campanha com menos recursos financeiros do que aconteceu em 2014, em face da proibição de doações empresariais para candidatos e partidos, o caminho das urnas de 7 de outubro divide-se pelos horários gratuitos na TV e as mensagens nas redes sociais da internet. A partir de agosto, como destacou ontem Chico Caruso em artigo contendo texto e imagem no O Globo, inicia-se o tiroteio verbal e as promessas sempre renovadas e não efetivadas , característica das mensagens políticas. Mas esta é outra questão.

O horário gratuito na TV e no rádio pode ser até comparado, em seus reflexos, com as mensagens nas redes sociais. É uma questão bastante curiosa, através da qual pode se medir o efeito de um lado e o efeito obtido de outro.

INSERÇÃO GRATUITA – E acrescente-se uma coisa: os espaços na TV são limitados proporcionalmente às bancadas dos partidos e das coligações na Câmara Federal. Os espaços nas redes sociais não têm limite.

Estou falando de matérias de inserção gratuita. Não se confunde com publicidade comercial, sobretudo porque esta não poderá ultrapassar limites muito reduzidos. Basta lembrar que as doações por parte de pessoas físicas encontram-se limitadas a 10% dos rendimentos anuais de cada doador.

Em segundo lugar, não creio que algum candidato possa pagar publicidade na internet se ele pode aparecer gratuitamente com a postagem de seus apelos ao voto. É preciso inclusive, analisar-se bem essa questão que vai conduzir a uma análise da veiculação de mensagens nas redes da cibernética com os resultados que cada candidato vai apresentar nas pesquisas do Datafolha e do Ibope.

PRIMEIRO PLANO – A comparação deve partir de um levantamento dos conteúdos referentes aos candidatos à presidência da República, no primeiro plano. Isso porque é impossível medir as inserções de todos os candidatos a senador e a deputados federais e estaduais. No máximo pode-se aplicar essa chave de pesquisa também aos candidatos a governador, já que são vinte e sete estados da federação.

É impossível estender-se o levantamento aos candidatos aos parlamentos. Entretanto, pensando melhor, admite-se que tal pesquisa possa se estender ao infinito em virtude da multiplicação de candidatos gerando mensagens sem fim. O importante, no entanto, é cotejar os ingressos dos candidatos nas redes eletrônicas com os pontos que vierem a somar nas pesquisas depois de iniciado o horário eleitoral na televisão.

SÓ A SUCESSÃO – Fiquemos na comparação reunindo apenas os candidatos à presidência da República. Então poderemos ter ideia mais nítida da influência tanto nas redes sociais quanto na televisão.

As campanhas deste ano terão custo muitas vezes menor do que as despesas verificadas em pleitos anteriores. Vamos esperar as próximas pesquisas, tanto as do Ibope quanto as do Datafolha, e vamos na comparação eliminar a hipótese de publicidade paga na internet.

Afinal de contas não acredito que alguém pague uma publicidade se tem acesso gratuito ao espaço que flutua entre as campanhas e as urnas.

Com apoio a Alckmin, Centrão se afasta de Temer e ainda mais de Meirelles

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Meirelles está ficando cada vez mais isolado no MDB

Pedro do Coutto

A notícia foi manchete principal de O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo nas edições de ontem. As matérias publicadas não abordaram um fato que ficou claro e que decorre da decisão. Como o ex-ministro Henrique Meirelles esforçava-se para se tornar candidato do MDB e do presidente Michel Temer, Meirelles foi totalmente escanteado. O mesmo raciocínio estende-se a Michel Temer. A menos que o presidente da República também se integre na campanha do ex-governador de São Paulo que pertence aos quadros do PSDB. Assim, Temer pode participar de sua própria sucessão. Mas Meirelles não poderia concorrer pelo MDB.

Como em política os fatos se superpõem às previsões, das duas uma: ou Meirelles pode se tornar vice na chapa de Alckmin, ou então poderá representar a legenda do eu sozinho num mar de siglas partidárias. A reportagem política, a meu ver, deveria entrevistar ainda hoje o presidente Michel Temer e o ex-ministro da Fazenda. Como Temer está em viagem ao exterior, os repórteres devem esperá-lo no desembarque. Por falar em desembarque, provavelmente o MDB não embarcará na nave dos sonhos de Henrique Meirelles.

COLOCAÇÃO – Mas essa probabilidade é apenas uma colocação, uma sugestão que deixo aqui para os editores dos três grandes jornais e das emissoras de televisão. O prazo para o Planalto e o MDB na planície é bastante curto para oficializar o caminho que possam adotar no rumo das urnas. As convenções têm que se realizar até o início de agosto e o horário gratuito na televisão e no rádio começa no dia 31 de agosto. É um espaço de fundamental importância para a exposição dos candidatos junto ao eleitorado brasileiro. Somente a partir daí poder-se-á aferir tendências mais nítidas nos quadros partidário e sucessório.

Reportagem de Cristina Jungblut, Bruno Góes, Silvia Amorim e Gustavo Smith, em O Globo de sexta-feira, revela os minutos que cada partido ou alianças vão poder dispor na televisão e na rádio. Com o apoio do Centrão o candidato Geraldo Alckmin passa a dispor de 38% do espaço da propaganda eleitoral – 4,46 minutos por dia. O PT, se apresentar candidato próprio terá 1 minuto e 30 segundos; Ciro Gomes, 28 segundos; Alvaro Dias, 7 segundos; Marina Silva, 4 segundos;, Jair Bolsonaro, apenas 3 segundos.

SEM CHANCES – Outros candidatos não vale a pena nem citar, porque até o momento não arrebataram apoio suficiente para que seus nomes fossem assinalados nas pesquisas do Ibope e Datafolha. Henrique Meirelles, se candidato vier a ser, terá 1 minuto e 37 segundos. Muito mais que os tempos reservados a Bolsonaro e Marina Silva. Mas campanha política não é só questão de tempo. A qualidade para seu preenchimento é que é o X do problema

É verdade que três segundos, por exemplo, é uma parcela mínima e os 4 minutos de Alckmin podem até se tornar extensos demais. Vai depender da qualidade e do conteúdo concreto em que se basear para tentar convencer o eleitorado.

Até este momento o ex-governador paulista não conseguiu obter parcela apreciável de intenção de votos. Por enquanto, seu apoio é apenas político-partidário.

Sem defender ideologia alguma, os partidos revelam ser balcões de negócio

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Charge do Jorge Braga (Charge Online)

Pedro do Coutto

Reportagem de Cristiane Jungblut, edição de ontem de O Globo, destaca a movimentação desenvolvida por diversos partidos políticos em torno de alianças vinculadas às eleições de outubro. Incrível, as direções partidárias agem como se estivessem disputando leilões comerciais. O mentor do PR, por exemplo, Valdemar da Costa Neto, depois de receber apelos de Jais Bolsonaro e de Geraldo Alckmin, disse que a legenda prefere alinhar-se com o chamado Blocão integrado pelo DEM, PP, SD e PRB, porque assim o candidato escolhido possuirá maior tempo de acesso ao programa gratuito que a lei condiciona às representações das coligações na televisão e no rádio.

Esse bloco de partido encontrava-se dividido, com uma corrente defendendo aliança com Ciro Gomes, outra corrente com o apoio a Geraldo Ackmin.

APOIO DO PTB – Por falar em Geraldo Alckmin, recebeu ele o apoio do PTB de Roberto Jeferson, que tantos problemas criou no Ministério do Trabalho. Neste caso surge a indagação se as letras do PTB, em vez de somar, diminuem os votos do ex-governador de São Paulo. O PTB, aliás, de trabalhista não tem nada. Dedica-se integralmente ao fisiologismo e seu êxito depende do acesso às verbas do governo.

No meio da confusão, o blocão decidiu apoiar Alckmin, embora o deputado Rodrigo Maia considerasse melhor não se envolver na campanha do PSDB. Maia já é ex-candidato a Presidência da República, vai optar pela disputa à Câmara Federal, não tentando assim uma reeleição ao Senado, que ficar com seu pai, Cesar Maia.

Enquanto isso verifica-se no PSB um movimento voltado para o apoio à Ciro Gomes.

MUITA CONFUSÃO – A situação do PSB está confusa, depois que Joaquim Barbosa desistiu de candidatar-se. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o PSB oscila entre a defesa da candidatura Marcio França ao governo estadual e o apoio eventual a um candidato à presidência, principalmente Alckmin.

Porém, o mais importante de toda essa confusão, na qual acentua-se um vai e vem de promessas de apoio, é que legenda alguma condiciona sua participação eleitoral dentro de um critério de princípio e programa. Princípios e programas para quê?

QUEM DÁ MAIS – Nada mais interessa, a prioridade é para o quem dá mais aqui ou ali. Tal processo absolutamente negativo predomina cada vez mais no cenário político brasileiro. Na verdade a honestidade, que era uma qualidade, passou a ser defeito. Pois os desonestos flutuam ao sabor das ondas, dirigidas para o lucro pessoal e que consagram o império atual do fisiologismo na política brasileira.

Já vai longe o tempo em que os candidatos à presidência da República condicionavam a realização de alianças na base de programas comuns de governo. Isso ficou no passado.

No presente não existe nenhuma preocupação com o povo do país, tampouco com a vida dos cidadãos e cidadãs. Todos querem saber de si. O poder transformou-se numa grande empresa nacional. Isso é um desastre.

Ruy Castro expressou o sentimento da torcida brasileira em relação a Neymar

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Neymar joga muita bola, mas sonha em ser ator

Pedro do Coutto

 Em sua coluna na Folha de São Paulo, edição de ontem, o jornalista Ruy Castro expressou o sentimento maciço da torcida brasileira em relação ao comportamento negativo de Neymar na Copa de 2018, na qual o Brasil foi desclassificado pela Bélgica. Ruy Castro, a meu ver, tem razão nas críticas que destacou expressando um sentimento generalizado da torcida brasileira. Da torcida só não, da própria população como um todo sobre as encenações do jogador que, com elas prejudicou o desempenho da seleção. Em primeiro lugar. seu comportamento chocou-se com a realidade dos fatos e pode ser considerado uma falsificação como o jornalista colocou no título de sua matéria.

É muito importante o comportamento dos jogadores no desenrolar das partidas. Qualquer atitude que surpreenda o bom senso reflete-se  em toda a equipe. Me lembro de 58 quando numa partida contra a Inglaterra, o centro avante Mazzola sofreu uma falta e rolou de dor no gramado.

DISSE BELINI – O capitão do selecionado, Belini, dirigiu-se a Mazzola em tom ríspido, afirmou que ele deveria enfrentar melhor os lances característicos de um jogo de futebol. E disse que se contorcendo exageradamente, a imagem que ele transmitia era de fraqueza emocional. Mazzola foi substituido por Vavá, e a lição de coragem e responsabilidade ficou para a história do futebol. Uma história que projetou Neymar ao estrelato e fez dele o personagem central das transações financeiras que marcaram seus contratos no Barcelona e no Paris Saint Germain.

Iluminado, não pode se queixar da sorte e de sua tarefa profissional. Equivocou-se. No início da Copa prendia demais a bola em seus pés e driblava em excesso, sem progressividade. Com isso dava tempo a que as defesas adversárias se armassem e, de outro lado, ampliava a distância entre o ataque brasileiro e a área adversária. Foi este aspecto que marcou sua atuação contra a Suíça. Corrigiu em parte o desempenho contra a Sérvia e o México. O treinador Tite e os companheiros da seleção devem tê-lo recriminado.

IMAGEM PATÉTICA – Recriminado ele foi também por questão de sua imagem. Entrou em campo contra a Sérvia exibindo um novo tratamento estético para seu cabelo. Choveram críticas nas redes sociais da internet e manifestações de surpresa por parte dos jornalistas esportivos que cobriam a Copa. No jogo seguinte, contra o México, cortou o cabelo e mudou o penteado. Provavelmente foi alertado da inconveniência que passou a marcar sua imagem. Cabeleireiros não faltavam. Neymar levou dois para a Taça na Rússia.

O comportamento de Neymar foi negativo, apesar de ter sido ele um dos maiores salários registrados em 2017, abrangendo todas as atividades profissionais. Vale assinalar também que a reação contrária ao perfil do craque, pelo que se sente nas ruas e se ouve nas esquinas, é de crítica e restrição.

SEM CABIMENTO – As encenações em campo não tinham cabimento. Ruy Castro. com razão, define o que elas produziram na torcida brasileira e junto aos árbitros da Copa. Neymar tem muito futebol, é um craque absoluto no domínio da bola, excepcional, sem dúvida.

Mas infelizmente, para ele e para nós, brasileiros, sua atuação no gramado na Rússia não foi compatível com seu talento.

 Acrescento: talento é uma coisa, desempenho concreto outra, sobretudo no futebol, único esperte no qual o adversário pode interferir no desempenho do outro. Ruy Castro tem razão. Nós também. Vamos esperar a próxima Copa.

 A decepção de 2018 esperemos que não se repita em 2022.

Com os salários perdendo para inflação, como pagar os planos de saúde?

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A pergunta acima sintetiza de forma bastante clara o problema maior das 47 milhões de pessoas que em todo o país possuem planos de saúde. A Agência Nacional de Saúde Suplementar está calculando um reajuste este ano de 10% percentual a incidir sobre os contratos individuais, com percentual maior para planos realizados através de empresas. A indagação transporta uma realidade absoluta. O funcionalismo público, especialmente não teve reajuste algum nos dois últimos anos. A inflação em 2016 foi de 4,5%. A inflação oficial divulgada pelo IBGE, em 2017 atingiu 2,9%. Temos aí uma acumulação de 7,4% a partir de 2 anos atrás.

As demais categorias de assalariados, incluindo servidores de empresas estatais, não passaram dos 3%. Portanto, aqueles que possuem contratos de planos de saúde, em sua grande maioria, vão encontrar sérias dificuldades para arcar com o aumento projetado pela ANSS.

SUSPENSÃO – O problema dos planos de saúde não se esgota nessa colocação. A ministra Carmen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal FeDeral, atendendo a uma representação da OAB determinou a suspensão da medida estabelecida pela ANSS com base em pretensão dos planos de saúde, a qual determinava que os novos titulares dos planos arcassem com 40% de determinados dispêndios junto às redes hospitalares e consultórios, num sistema da franquia ou compartilhamento.

A ministra Carmen Lúcia revelou que enviará a matéria ao plenário da Corte Suprema no mês de agosto e resolverá em definitivo a questão. 40% é um percentual altíssimo impeditivo de ser repassado aos titulares dos planos. Além do mais, a Corte Suprema vai confrontar essa participação com as cláusulas dos contratos em vigor. Isso porque, digo eu, não se pode alterar contratos nos quais não havia tal solução. Os contratos, como se sabe, não podem ser modificados de forma unilateral.

A reportagem de André de Souza, Luciana Carneiro e Glauce Cavalcanti, edição de ontem de O Globo, ilumina totalmente a controvérsia em questão.

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FOLHA DO INSS É DE 546 BILHÕES E NÃO DE 860 BILHÕES

Reportagem de Carla Araujo e Andrea Jubé, Valor de ontem informou que o presidente Michel Temer assinou decreto determinando o pagamento de metade dp 13º salário no mês de Julho. Os 32 milhões de aposentados e pensionistas vão receber no início de agosto. Mas a matéria revela que o custo dessa antecipação é de 21 bilhões de reais. Logo a folha mensal do Instituto Nacional de Seguro Social é de 42 bilhões de reais, exatamente o dobro do pagamento antecipado.

Mas se a folha do INSS é de 42 bilhões mensais, multiplicando-a por 13 dará um resultado de 546 bilhões e não dos 800 bilhões que reiteradas vezes o Ministério da Fazenda disse que atinge. Agora, observa-se que a versão verdadeira é muito diferente. Se a folha anual é de 546 bilhões como dizer que o desembolso com aposentados e pensionistas atinge uma escala no mínimo 50% maior?

A partir de ontem os números verdadeiros prevalecem na matéria do Valor e também a publicada pelo O Globo.+

Constituição e Lei Eleitoral impedem que haja candidaturas avulsas nas eleições

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Charge do Angeli (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Os repórteres Amanda Pupo e Rafael Moura, edição de ontem de O Estado de São Paulo, revelaram que o ministro Luis Roberto Barroso adiou para depois de outubro a resposta a pedidos de algumas pessoas que desejam concorrer às eleições como candidatos avulsos. Barroso, na minha opinião, adiou a resposta negativa, isso porque candidaturas avulsas colidem com a Constituição Federal e também com a Lei Eleitoral, que condicionam diretamente qualquer candidatura ao registro de filiação partidária anterior a seis meses do pleito.

De outro lado, a Lei Eleitoral estabelece normas para que os partidos tenham existência legal e assim possam inscrever seus candidatos e candidatas.

FILIAÇÃO – Portanto, ninguém pode se candidatar se não estiver filiado a alguma legenda. Isso de um lado. De outro, o critério de acesso ao horário eleitoral gratuito está condicionado percentualmente às respectivas bancadas na Câmara Federal. E em terceiro lugar existe a mesma condicionante para percepção de recursos financeiros do Fundo Eleitoral.

Podemos acrescentar que, se pudesse haver candidatos avulsos, eles poderiam chegar, digamos, em torno de mil candidaturas.  Seria um absurdo completo e o Tribunal Superior Eleitoral, evidentemente, não poderia, através dos TRES de cada estado, fornecer registro a esse imenso número. Não haveria como incluir os avulsos na computação dos votos.  Constituição e lei eleitoral impedem candidatos avulsos nas eleições

BOM SENSO – Em matéria de eleição, qualquer análise deve ser precedida e baseada no bom senso e na possibilidade de qualquer eleitor ou eleitora analisar a legislação e, como se isso não bastasse, conseguir perceber a realidade dos fatos. Acontece isso com frequência. Às vezes, as dúvidas substituem pontos concretos de apreciação do universo do voto.

Por exemplo: na tarde de ontem, no Studio I, GloboNews, foi comentado o tema abstenção. Na verdade, analisando-se bem o fato, verifica-se o seguinte: toda vez que um recadastramento eleitoral se distancia mais da próxima eleição, faz parecer que a abstenção avançou amplamente. Engano. Pode-se medir o desinteresse em torno de candidaturas projetando-se os percentuais de votos nulos e brancos. Mas não com base na abstenção, porque é preciso levar em conta a taxa de ortalidade no Brasil que é de 0,7% a/a.

DESINTERESSE – Dificilmente as famílias procuram a Justiça Eleitoral para comunicar a morte de parentes. Tem também que se considerar que a cada 12 meses pessoas completam 70 anos de idade. Há pessoas também doentes com dificuldade de locomoção. Além disso, o voto não é obrigatório para os eleitores e eleitoras entre 16 e 18 anos. Sem dúvida, está havendo desinteresse pelo desfecho da sucessão presidencial e também das eleições para governadores. O quadro, hoje, está marcado pela falta de estímulo que causa forte desinteresse pelo voto nas urnas.

A sucessão presidencial é o maior exemplo. Basta ler as mais recentes pesquisas do Datafolha e do Ibope. Disso resulta a tese de que fossem domingo a definir em quem votariam. O quadro das preferências continua gelificado. Bolsonaro, Marina e Alckmin, este último muito abaixo do que ele poderia esperar.

Falei em esperar, é o que o eleitorado brasileiro mais faz no passar dos anos, assistindo um processo que só funciona para garantir o mandato dos eleitos.

Mansão de Roberto Marinho agora é mais um centro da eterna história da arte

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Casa onde Marinho morou foi transformada em museu

Pedro do Coutto

Sábado – véspera da vitória da França – fui visitar a mansão onde morou o jornalista Roberto Marinho e que agora transformou-se em centro de arte exposta ao púbico. A amostra reúne grande número de quadros de Debret, Guinard, Portinari, Djanira, Ismael Nery, Milton da Costa e Tarcila do Amaral, entre outros autores cujas obras da mesma forma que acabei de citar ganham também espaço no passar do tempo e na admiração que a arte provoca.

Essas obras poderiam ter ficado na propriedade particular dos três filhos do jornalista, mas eles decidiram transformá-las em uma galeria de arte aberta à visitação pública. A entrada no centro é pala Rua Cosme Velho. Fico pensando da importância da iniciativa e também funciona como um marco para que outros milionários adotem o mesmo comportamento.

COLEÇÕES – Não importa que suas coleções não sejam tão numerosas como as de Roberto Marinho mas vale a pena preservá-las. Pois muitas vezes um artista só passa a ser admirado depois de sua morte, o que acarreta a redescoberta e valorização de sua pintura e da escultura que criaram.

A vida é assim. Toulouse Lautrec, por exemplo, só teve o reconhecimento de sua importância estética e de suas cores muitos anos após seu falecimento. Ele morreu aos 37 anos de idade e deixou uma ampla coleção de quadros que ficaram como marca estética e colorida do Moulin Rouge, que se tornou famoso e sempre visitado por turistas. 

Assim é a arte, assim são a percepção e a emoção humanas diante dos trabalhos que viajaram com seus artistas pelos tempos afora. Podíamos encontrar muiitos outros casos.

MONALISA – A pintura mais famosa do mundo, a Monalisa, foi feita por Da Vinci por encomenda de um comerciante chamado Francesco Giocondo, daí o nome de Lisa Gerardini passou a ser sinônimo de Gioconda, tendência na época em Florença de se estender o nome do marido à mulher. Giocondo e Leonardo se desentenderam, uma vez que Da Vinci estava custando a terminar a obra. Giocondo desistiu de espera e Leonardo passou o resto da vida com o quadro em sua posse. O tempo o valorizou excepcionalmente e ele foi parar no Louvre, no amplo espaço dedicado às pinturas italianas. 

A distribuição das obras primas pelos grandes museus do mundo me leva à ideia de que alguém ou alguns se disponham a fazer um levantamento dessas obras eternas e as juntarem num livro com as explicações sobre o que representam  e quando foram produzidas. Me lembro não só da ÚLtima Ceia de Leonardo Da Vinci e da Adoração dos Reis Magos, de Rubens, no Museu principal de Madrid.

A história da arte percorre os séculos e se torna inesgotável porque em todos os momentos surgem novos artistas. As obras-primas não têm idade, são eternas, percorrendo o tempo marcado por um relógio sem ponteiros. Esta visualização estou copiando de uma cena  de “Morangos Silvestres”, de Ingmar Bergman.

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VITÓRIA DA FRANÇA, VITÓRIA DO CONJUNTO

Foi de um brilho extraordinário a vitória da França na Copa de Moscou. A equipe provou que no futebol o conjunto é tudo. Aliás, no final de sua vida Einstein estabeleceu uma noção completa: o conjunto não é igual à soma das partes. É próprio de si mesmo.

Governo Temer retalia Ciro Gomes e vai demitir os aliados que o apoiarem

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Marun pensa que a base aliada  pode ser ameaçada

Pedro do Coutto

Numa entrevista às repórteres Vera Rosa e Júlia Lindner, o ministro Carlos Marun anunciou que o governo Michel Temer é contrário à candidatura de Ciro Gomes e vai afastar aqueles que vierem a apoiá-lo. Marun estendeu a ameaça aos partidos que vierem a apoiar o ex-governador do Ceará e que possuam representantes no Poder Executivo. Na minha opinião, nada melhor poderia acontecer com Ciro Gomes do que o fato de receber veto por parte de Michel Temer. Basta ver o grau de impopularidade do presidente, constatado pelas pesquisas do Datafolha e do Ibope. A rejeição a Michel Temer situa-se em torno de 85% dos eleitores. 

Carlos Marun criticou também o chamado Centrão, que tem o apoio do PP, DEM e do Solidariedade. Se o PRB e o PR vierem na corrente que impulsiona a candidatura Ciro Gomes, terão também exonerados os ministros e demais ocupantes por eles indicados.

TAMBÉM OS TUCANOS – O ministro da Coordenação Política do Planalto revelou ainda que serão afastados os integrantes do PSDB que vierem a sustentar a candidatura de Geraldo Alckmin. Isso porque, segundo Marun, o candidato do Planalto é o ex-ministro Henrique Meirelles, embora até hoje nas pesquisas tenha ficado entre o 1º e o 2º andar nas preferências dos eleitores e eleitoras.

Marun ressaltou que o governo volta-se contra todos aqueles que atacaram a reforma trabalhista e o projeto de reforma da Previdência Social. E diz que não tem cabimento que políticos cerrem fileiras ao lado de nomes que não possuam sintonia com o atual governo.

Como o governo tem candidato, o MDB e os aliados outro caminho não têm do que apoiar Henrique Meirelles, disse Marun, lembrando que o Centrão encontra-se representado diretamente no Ministério das Cidades, da Agricultura e ainda a presidência da Caixa Econômica Federal.

CASO DE ALCKMIN – Lembrou que Alckmin recentemente afirmou sua independência do Palácio do Planalto, mesmo pertencendo ao PSDB, que integra o governo com Aloysio Nunes Ferreira no Ministério das Relações Exteriores e muitos cargos em outros escalões.

Seguramente as declarações de Marun vão repercutir no quadro político geral. Principalmente como fator de impulso a candidatura de Ciro Gomes às urnas de outubro próximo.

O que todos os candidatos temem, na verdade, é a hipótese de obterem apoio do presidente Michel Temer. Carlos Marun, porta-voz de tal perspectiva, acabou isolando o Planalto ainda mais no quadro da sucessão de 2018 e prejudicou Meirelles, que é candidato de Temer, mas não quer assumir o fardo.

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CHEGA AO FINAL A COPA DO MUNDO

Final da Copa do Mundo, a partir das 12 horas, com França e Croácia decidindo o primeiro lugar. Uma certa nostalgia, penso eu envolve os brasileiros. Afinal de contas, das 21 Copas realizadas até hoje, o Brasil esteve presente em 7 finais. Desta vez fomos mal e perdemos a estrada das vitórias. Com a atuação diante da Bélgica, não podemos lamentar o resultado. Não jogamos nada, a escalação do técnico Tite foi muito ruim e teve um péssimo desfecho. Apenas isso. Mas continuamos a ter grandes jogadores.

Ministra Carmen Lúcia é contra congelar salários do funcionalismo

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Cármen Lúcia defende o que determina a Constituição

Pedro do Coutto

Reportagem de Luisa Martins, Isadora Perón, Fábio Graner e Vandson Lima, edição de ontem do Valor, revela que a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmen Lúcia, enviou nota ao presidente do Congresso Nacional defendendo a retirada do dispositivo incluído na Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2019, que proibia o reajuste salarial do funcionalismo público, uma vez que essa proibição colide com a Constituição. A ministra, digo eu, tem toda a razão. Pois se a lei em vigor determina que o orçamento de um ano seja no máximo aumentado à base da inflação do ano anterior, tal condição tem que incluir os funcionários públicos, entre eles o dos magistrados.

A inflação deste ano ainda não foi calculada, é claro. Mas o índice de 2017, segundo o IBGE, alcançou 2,9%. Entretanto o governo não aplicou o índice na folha de pagamento e anunciou inclusive que em 2019 o comportamento seria o mesmo.

DIZ A LEI – A manifestação da ministra Carmen Lúcia foi oportuna e importante porque se as despesas têm que seguir a taxa de inflação registrada no exercício anterior, qual a razão de o funcionalismo ser excluído. O funcionalismo integra a máquina administrativa federal e assim não teria cabimento que as despesas gerais fossem elevadas, mas nesta elevação não estariam os vencimentos dos funcionários.

Pode ser considerada positiva a proibição de novas contratações de modo geral, mas repor a inflação aos vencimentos dos servidores é, no fundo, reduzir os salários. Aliás, essa distonia entre a inflação oficial e a reposição inflacionária tem causado inúmeros problemas, entre os quais o apressamento de aposentadorias. O funcionário se aposenta e parte para procurar outro emprego na esfera privada. Direito seu, sem dúvida, mas concretamente atinge o panorama administrativo.

SEM ALTERAÇÃO – Os gastos com o funcionalismo não se alteram em decorrência de aposentadorias. Os recursos financeiros são os mesmos para os que estão na ativa e os que se transformam em inativos. Existe a perspectiva de influir negativamente as contas públicas, cabendo a pergunta se no plano federal os aposentados continuam ou não descontando para a previdência pública. No estado do Rio de Janeiro a cobrança de 14% sobre os vencimentos permanecem.

Argumenta-se, pelo lado do governo, que sustar o reajuste é medida necessária ao controle dos gastos públicos, pois o déficit este ano está projetado em torno de R$ 150 bilhões na passagem de 2018 para 2019. Mas é preciso levar em conta que o déficit, na realidade concreta, é muito maior.

Tanto assim que o Palácio do Planalto refere-se sempre ao déficit primário, não levando em conta as despesas com o pagamento de juros anuais de 6,5% sobre o total da dívida interna do país.

DÍVIDA REAL – A rolagem dessa dívida interna oscila em torno de 200 bilhões de reais a cada 12 meses.

Então surge o déficit verdadeiro das contas do Tesouro com a rolagem do endividamento do país. As notas do Tesouro Nacional caracterizam bem o montante verdadeiro.

Através do tempo os Ministros da Fazenda fogem sempre de tal constatação.

Sem acesso à televisão, influência de Lula cai sensivelmente nesta sucessão

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Pedro do Coutto

Reportagem de Gustavo Schmitt e André de Souza, manchete principal da edição de ontem de O Globo, focaliza a decisão da juíza Carolina Lebbos, que rejeitou requerimento do PT no sentido de que o ex-presidente Lula pudesse gravar vídeos e dar entrevistas manifestando seu apoio ao candidato que escolhesse para as urnas de outubro próximo. O pedido foi endossado também pelos advogados que o defendem na justiça. Carolina Lebbos acrescentou que o veto se aplica mesmo que o Partido dos Trabalhadores lance a candidatura de Lula à sucessão presidencial.

Na realidade, se não puder participar da campanha, o alcance de sua manifestação em favor deste ou daquele nome será fortemente reduzida. Pode-se questionar a proibição de que ele veicule sua opinião ao longo da campanha que oficialmente se inicia a 15 de agosto, porque nada pode impedi-lo de enviar mensagens através de pessoas que forem visitá-lo em Curitiba. Mas de qualquer forma sua voz não ecoará com intensidade se pudesse ele aparecer na tela do horário eleitoral.

SOMENTE MENSAGENS – Restam a Lula as mensagens que puder enviar por intermédio de seus correligionários através das redes sociais da Internet. A sucessão presidencial, assim, deixa de contar com o expressivo apoio que o ex-presidente ainda detém. Isso porque tanto as pesquisas do Ibope quanto as do Datafolha, ao longo dos meses, apontam para ele um apoio em torno de 30% do eleitorado brasileiro. É verdade que ele também é o nome em relação ao qual verifica-se a maior rejeição. Porém, rejeição é uma coisa, o voto é outra.

Entretanto como ele não poderá ser candidato, a liderança nas pesquisas significa apenas seu poder de influir na luta sucessória. De qualquer forma o quadro da sucessão presidencial não aponta para qualquer pré candidato um percentual do mesmo nível que as preferências para Luiz Inácio Lula da Silva.

LONGE DE LULA – O máximo alcançado por um pré-candidato é de 18 pontos, acentuando a liderança de Jair Bolsonaro. Marina SIlva vem em segundo com 15 pontos. Permanecendo esse panorama, no segundo turno Marina Silva até venceria Bolsonaro.

Existem algumas dúvidas em relação a outros pré candidatos. A mais acentuada refere-se ao fraco desempenho de Geraldo Alckmin. Sua equipe busca somar apoios, mas isso é problemático. O candidato, antes de mais nada, tem que se fortalecer por si próprio, as alianças vêm em função de sua força eleitoral.

Isso me foi dito em 1963 pelo ex-presidente Juscelino, numa entrevista ao Correio da Manhã. Ele estava absolutamente certo, se o candidato é forte os apoios vêm em decorrência. Ninguém pode se eleger presidente da República se contar essencialmente com apoio de outros políticos e partidos.

Enfim, a decisão da juíza Carolina Lebbos acrescenta mais um capítulo ao cenário político em 2018.

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DIMINUIÇÃO DE SALÁRIO NÃO DÁ VOTO A NINGUÉM         

Reportagem de Bárbara Nascimento e Manoel Ventura, também na edição de ontem de O Globo, revela que na proposta de orçamento de 2019 enviada pelo presidente Michel Temer ao Congresso não estava previsto nenhum reajuste para o funcionalismo público. Nem ao menos um dispositivo que aplicasse a correção à base da taxa inflacionária de 2018.

Portanto, a intenção do Palácio do Planalto era diminuir os vencimentos do funcionalismo. Até hoje ele não aplicou o índice inflacionário de 2017 que foi de 2,9%.

Como pode um presidente pedir apoio eleitoral para qualquer candidato. O funcionalismo vai às urnas em outubro.

O centenário de Ingmar Bergman, segundo André Bazin e José Lino Grunewald

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Ingmar Bergman foi um dos mais maiores cineastas 

Pedro do Coutto         

A Folha de São Paulo publicou, domingo, um suplemento especial dedicado ao cineasta Ingmar Bergman, que, se vivo fosse, faria 100 anos de vida. Foram páginas que fizeram justiça ao grande diretor de cinema. Na quarta-feira, o Estado de São Paulo, no Caderno 2 de cultura, destacou também a importância do diretor, cuja trajetória foi brilhante, incluindo o plano mágico na tentativa de entender a realidade feminina. A obra é importantíssima, chegou ele até onde a visão masculina consegue decifrar. Aliás, busca incompleta, uma vez que o código feminino é indecifrável para o homem, como citou o poeta Décio Pignatari.

A explicação, a meu ver encontra-se no fato de o homem nascer da mulher, o que causa um processo em que fica revelado o código do homem. O nascimento do ser humano representa a ligação mais profunda que pode existir na espécie humana. Pois um ser abriga dentro de si outro ser durante nove meses.

PERSONAGENS – A obra de Bergman destaca a importância da mulher na existência e as personagens são vitais em sua obra. Bergman narrou sua viagem em companhia de atrizes como Liv Ullmann, com quem foi casado por muitos anos, Bibi Andersson e Ingrid Thulin. Sua narrativa cinematográfica por vezes assume um caráter encontrado na literatura de James Joyce, uma vez que a história se interrompe no presente e a câmera se desloca para imagens que os atores têm na mente.

A obra é complexa e Bergman foi descoberto pelo redator chefe do Cahiers du Cinema, André Bazin, e no Brasil foi traduzido com emoção pelo meu saudoso amigo Jose Lino Grunewald. Bazin e JLG traduziram boa parte do enigma do cineasta, destacando as sombras e luzes, os gritos e sussurros dos filmes do diretor sueco.

No Cahiers du Cinema escreveram sobre o universo bergmaniano os então jornalistas Truffaut, Godard, Louis Malle, Bresson, Chabrol, Albicocco e Roger Vadin, para citar apenas estes. Todos eles se transformaram em diretores de filmes franceses e receberam a consagração merecida.

CARREIRA – Falei em “Gritos e Sussurros”, título de um grande filme de Ingmar. Sua carreira despontou em 53 com o filme “Mônica e o Desejo”. Depois surgiram obras-primas como “Morangos Silvestres” e “Persona”. “Gritos e Sussurros”, citei há pouco. Mas a filmografia abrange ainda o “Sétimo Selo”, sobre a importância de Deus na arte e “A Lanterna Mágica”.

O estilo e o ritmo de suas narrativas constituíram a imagem das personagens femininas num espelho, como se ele, Bergman, estivesse do outro lado das imagens. Focalizando e destacando a grande importância de Bergman, creio que os textos de Bazin e José Lino Grunewald representam um momento alto da crítica cultural. Porque de que adianta desancar ou debochar de uma obra de arte, seja ela qual for. Na minha opinião, a crítica deve ser sempre construtiva e estar voltada muito mais para a qualidade do objeto em foco, do que tentar ressaltar seus defeitos. Pois às vezes um artista do amanhã pode ter sua carreira afetada ou anulada por causa da opinião dos outros. 

CONSTRUIR – Assim, é melhor construir do que destruir. Mais difícil, porém, como as pessoas de mente clara acentuam, é reconhecer os méritos alheios, procurando atingir a face negativa da existência. Nas críticas de Bazin e José Lino encontram-se panoramas positivos e não negativos. Essa dualidade, aliás, separa as pessoas, sobretudo os que escrevem nos jornais e revistas. De um lado um jato de luz. De outro a sombra escura.

Para terminar dou um exemplo concreto: o diretor Carlos Manga, atacado por críticos exigentes, poderia ter decidido deixar chanchadas de lado e não se transformar, como ocorreu em importante diretor de imagem e histórias da Rede Globo. Acrescento: o público em geral divide-se em faixas distintas. Não se pode exigir que todos tenham a compreensão no mesmo nível dos críticos. 

Cada fração humana tem seus hábitos e seus gostos. Singularizar a compreensão parte de um caráter supremacista que agride e não tem razão de ser. Bazin e José Lino construíram a face mais humana possível ma arte e na admiração.

Sem despacho monocrático de plantão, como agiria o ministro Gilmar Mendes?

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Pedro do Coutto

O procurador-geral da República em exercício, Humberto Jacques de Medeiros, em documento enfocando o episódio de domingo, e que será provavelmente examinado pelo Supremo Tribunal Federal, propõe o fim de despachos monocráticos de plantão em questões ajuizadas nos Tribunais Superiores. A procuradora-geral Raquel Dodge encontra-se de férias e o tema é objeto de ampla reportagem, de Mateus Coutinho e Luis Lima, edição de ontem de O Globo. Humberto Jacques de Medeiros defende a adoção de nova regra parra evitar o vai e vem na esfera judicial.

 A iniciativa do procurador-geral em exercício coincide integralmente com a decisão ontem tomada pela Ministra Laurita Vaz, presidente do Superior Tribunal de Justiça, que ao negar mais uma vez um habeas corpus apresentado para colocar Lula em liberdade, estabeleceu que, no caso específico do ex-presidente, qualquer desfecho terá de ser determinado pelo  STJ e não mais na esfera do Tribunal Regional Federal -4. Laurita Vaz dirigiu fortes críticas ao desembargador Rogério Favreto e elogiou a posição assumida pelo juíz Sérgio Moro.

JÁ TRANSITOU – Na opinião de Medeiros a matéria já teve sua tramitação encerrada na esfera do TRF-4. A mesma posição, exatamente a mesma, assumida pela ministra Laurita Vaz.  De agora em diante, qualquer matéria em torno do ex-presidente Lula terá que passar pelo STJ. O episódio de domingo foi encerrado ontem, e a partir de agora os defensores do ex-presidente terão que sustentar seus requerimentos obrigatoriamente ao STJ. Rogério Favreto ficou fora da questão, da mesma forma o próprio Tribunal no qual Favreto tem uma cadeira.

É claro que o documento elaborado pelo Procurador Geral em exercício vai funcionar para que uma questão essencial seja regulamentada. Caso dos despachos criminais exarados de forma singular pelo magistrado de plantão. O regime de plantão tem abrangido por várias vezes assuntos decididos pelo Ministro Gilmar Mendes. Daí minha pergunta em torno de um dos reflexos da proposição divulgada ontem.

DISTRIBUIÇÃO – A relatoria ou o plantão, por coincidência, têm sido usados para uma série de episódios que apenas funcionam para sustar o andamento de processos que se desenrolam numa série extensa de pessoas e suas respectivas situações. Por exemplo: os casos de liberdade que beneficiaram o ex-ministro José Dirceu, o empresário Jacob Barata, dirigentes da Fetranspor, o fugitivo da noite Rocha Loures e uma ampla lista de outros presos, sejam eles já condenados ou então em prisão preventiva.

Estou citando o Supremo Tribunal Federal porque acho que a ele cabe fixar as normas para resolução do problema levantado  pelo procurador-geral em exercício. Afinal, o STF é o mais alto órgão do Poder Judiciário.

Ia esquecendo um aspecto, o qual lembro agora. A coincidência ocorrida no sorteio de ministros para resolver situações urgentes. Como pode a sorte recair em sequência impressionante nas mãos do mesmo juiz da Corte Suprema?

A desadministração do Rio de Janeiro tem nome: chama-se Marcelo Crivella

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Como prefeito, Crivella se revelou um completo idiota

Pedro do Coutto

Não bastasse o vendaval de corrupção que açoitou o estado do Rio de Janeiro, a cidade atravessa um tempo de completa desadministração. O episódio das prioridades absurdas que teve cenário no Palácio da Cidade é um detalhe a mais, bastante substancial, que deu margem a uma formulação de impeachment por parte do vereador Atila Nunes, e de um requerimento para instalação de uma CPI, apresentado pela vereadora Tereza Bergher.

O prefeito que está marcando sua passagem pela cidade por uma ausência administrativa praticamente total, resolveu estabelecer uma escala de prioridades para operações de catarata. Estranha preferência esta que se restringe àqueles fieis da Igreja Universal. Foi assim que o próprio prefeito Crivella afirmou a um grupo de pastores, inclusive frisando a eles que encaminhassem os escolhidos pelo privilégio a Dona Márcia, que catalogaria os atendimentos.

TAMBÉM VARIZES – Prioridades também, fixou Crivella, para operações de varizes. Além disso, projetou o mesmo caminho para colocação de pontos de ônibus perto das igrejas. Não parou por aí. Acenou também com maior rapidez para que os templos no Rio obtivessem isenção total do IPTU.

Por falar em IPTU, no momento em que o aumento foi fixado, a vereadora Tereza Bergher, então Secretária de Assistência Social exonerou-se do cargo, voltando à Câmara para votar contra o projeto. A majoração do IPTU teve grande dimensão e em muitos casos pesou fortemente para os inquilinos e tornou os proprietários uma espécie de inquilinos da prefeitura.

PREFEITO AUSENTE – Falei em desadministração, com base na ausência do prefeito da cidade. Viaja constantemente ao exterior, como fez no carnaval deste ano, dizendo que sua ida a Alemanha foi para articular o fornecimento de informações técnicas para o combate ao crime e, portanto, para que o sistema estadual pudesse combater o crime de forma mais direta e intensiva.

A justificativa não convenceu a ninguém. Basta dizer que a questão segurança é de responsabilidade do estado e não da prefeitura. Além disso, entidades alemães revelaram não ter conhecimento da ideia imaginada pelo prefeito.

O Rio, antes governado por homens como Carlos Lacerda, Negrão de Lima e Chagas Freitas, perdeu muito com o tempo que separa o ontem do dia de hoje.

CIDADE MARAVILHOSA – Vale lembrar que nos anos 60, 65 e 70 era o Estado da Guanabara. Em 75 Chagas Freitas tornou-se governador do atual estado do Rio de Janeiro, mas concentrou suas ações na cidade, que ainda era maravilhosa.

Agora, além dos privilégios e da omissão, nos deparamos com uma desordem urbana que intoxica a cidade e sua população. Não que caiba ao prefeito combater a violência e o crime organizado, mas cabe a ele pelo menos buscar uma ponte de entendimento com o governador Luiz Fernando Pezão para tentar enfrentar a situação.

Falei em Pezão, que é uma figura decorativa no Rio de Janeiro. Um homem que atrasou durante 30 meses o pagamento dos salários dos servidores estaduais, perdeu qualquer peso capaz de influir nos rumos da administração pública. Aliás, ele foi vice governador de Sérgio Cabral, eleito e reeleito. Espécie de um tipo de maldição contra cariocas e fluminenses. Mas esta é outra questão.

O essencial, agora, está no destino do impeachment apresentado por Atila Nunes, e da CPI levantada por Tereza Bergher, que assinou também o pedido de impeachment contra o prefeito.

TUDO GRAVADO – A reunião de Crivella com os pastores no Palácio da Cidade foi filmada e gravada. Tornou-se dessa forma um registro inapagável do cenário e do elenco da convergência.

De um lado o prefeito, que também é pastor. De outro lado os pastores recebendo tarefas especiais fora das filas de atendimento. O acesso à saúde é um direito universal a todos os habitantes do Rio. A Igreja Universal representa apenas uma parcela da população carioca.

As prioridades de Crivella são a prova de sua desadministração.

A fama inflou ego de Tite e fez com que perdesse a perspectiva como treinador

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Tite deveria ter escalado os melhores, mas foi teimoso

Pedro do Coutto

Faltou ao treinador Tite na derrota para a Bélgica a perspectiva sobre o modo de atuar da Seleção brasileira e tal fenômeno, a meu ver, decorreu do excesso de publicidade a ele proporcionado pelos anúncios mil vezes repetidos nas emissoras de televisão. Foram anúncios em série principalmente do Banco Itau e da Sansung. Era como se ele tivesse o poder de abrir sozinho o caminho das vitórias. Deslumbrou-se e esqueceu que deveria armar a seleção de forma diferente com que ele acabou fazendo. Tite estava provavelmente deslumbrado com o espaço e a importância que se juntaram à sua figura e ao seu desempenho profissional.

Não foi o primeiro caso de deslumbramento que atingiu a seleção brasileira. O precedente ocorreu de forma quase semelhante com o técnico Felipe Scolari na Copa de 2014.

QUESTÃO DE EGO – O comando do futebol não deve ser envolvido com a imagem supervalorizada de qualquer treinador ou jogador. É uma questão de ego. Às vezes dá certo, outras não. Não contesto a legitimidade que tem origem na aceitação do uso da imagem desse ou daquele. Só estou frisando que, em alguns casos, o êxito sobe demais à cabeça e o protagonista sente-se acima do bem e do mal. Quase como se julgasse um ser infalível cuja vontade passaria ser incontestável.

A derrota para a Bélgica demonstrou erros na escalação do time brasileiro. O lateral Marcelo vinha de uma contusão, não estava, como ficou visto, com suas condições atléticas totais. Felipe Luis vinha de ótima atuação contra o México e a lógica indicava que fosse mantido na seleção. Marcelo durante a partida não atacou e muito menos defendeu. Não estava dando para ele correr sentindo-se bem nos 90 minutos.

DOUGLAS COSTA – Gabriel Jesus vinha de atuações ruins, dando a impressão de que sofria o peso da responsabilidade própria da camisa amarela. Deveria ter sido substituido logo no início. Douglas Costa entrou no segundo tempo passou seu entusiasmo para o ataque de nossa seleção. Ja havia ocorrido a mesma coisa na partida contra o México. O bom senso aconselhava que estivesse na equipe ao longo dos 90 minutos. Mas Tite escolheu o caminho oposto, e fez com que ele entrasse para substituir Willian. Na realidade Douglas Costa deveria ter substituído Gabriel Jesus e não Willian.

Mas tudo isso pertence ao passado recente. Entretanto, o deslumbramento com o próprio ego representa um risco para todos aqueles cuja imagem é lançada no campo comercial. Os treinadores e atletas destacados para transportar apelos de fim comercial devem, digo eu, fazerem como o personagem de Nelson Rodrigues e calçar as sandálias da humildade. Isso porque nada pior para os ídolos do que sua própria imagem no espelho.

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E LULA CONTINUA PRESO…

O desembargador Thompson Flores, presidente do TRF-4, tribunal cuja 8ª Turma condenou Lula por unanimidade, anulou o despacho do desembargador Rogério Favreto e deu razão total ao juiz Sérgio Moro que se manifestara contra a libertação do ex-presidente.

A situação de Favreto tornou-se muito difícil no TRF-4. Talvez tenha que pedir aposentadoria, mas parece muito novo para isso.

Informação a Gilmar Mendes: a corrupção nasce do abuso de poder

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Só falta Gilmar culpar a Lava Jato pela corrupção

Pedro do Coutto

Em uma entrevista a Célia Froufe, correspondente de O Estado de São Paulo em Londres, publicada na edição de sabado, o ministro Gilmar Mendes atacou a Operação Lava Jato, que em sua opinião foi canonizada, o que quer dizer transformada em dogma. Gilmar Mendes acentuou que a Lava Jato pensou transformar-se em uma entidade e legislar, mudando o conceito de habeas corpus. Acrescentou que é preciso conter o abuso da autoridade. Completou seu pensamento  criticando o juiz Sérgio Moro.

Não se trata de abuso de autoridade o que Gilmar Mendes destaca. A corrupção maciçamente praticada no Brasil nasce de um processo de abuso de autoridade, já que é praticada por agentes do Estado em conluio com empresários particulares.

NA PETROBRAS – Gilmar Mendes, na minha opinião, na base de suas críticas, esquece, por exemplo que a corrupção na Petrobrás é em si um abuso de autoridade, uma vez que se desencadeou com a divisão política de suas diretorias. Isso sim é abuso de autoridade. Corruptos e corruptores são os personagens principais da história da própria corrupção. O governo Lula, para citar um exemplo, estabeleceu um critério de divisão do comando da estatal por correntes político-partidárias. Verifica-se hoje que o maremoto ocorrido a partir de tal critério atingiu a fundo o conceito da autoridade pública. A ação frenética do empresário Joesley Batista sintetiza em si um abuso de autoridade. 

Além disso, quais as funções desenvolvidas pelo senador Aécio Neves, pelo assessor Rocha Loures, pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima,todos eles abusaram do exercício da autoridade de que estavam revestidos. Pode se incluir na trama sinistra o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-ministro Henrique Eduardo Alves.

UM LISTÃO – A lista como todos sabem é bastante extensa e intensa. Uma intensidade que transportou 51 milhões de reais para um apartamento em Salvador. Entre os exemplos de corrupção, deve se acrescentar um fato emblemático: Pedro Barusco, titular de uma das gerências da Petrobrás, devolveu aos cofres da empresa a fortuna de 97 milhões de dólares. Barusco não era diretor, mas comandava, através do abuso de poder, uma gerência que alimentava  a corrupção. Estava abusando do poder.

No Rio de Janeiro, o médico Sérgio Cortes confessou seus crimes de abuso de poder e numa entrevista à Veja admitiu que sua atuação à frente da Secretaria de Saúde proporcionou  300 milhões de reais como receita da corrupção que praticava.

ESQUECIMENTO – O ministro Gilmar Mendes esqueceu todos esses aspectos do universo do crime e atacou a Lava Jato sem culpar os corruptos e corruptores. Se Gilmar Mendes quer uma prova concreta do assalto aos bens públicos, basta que olhe a fotografia do apartamento de Salvador alugado pela família Vieira Lima.

Só pode praticar abuso, em síntese, aqueles que têm autoridade para contratar obras, ordenar pagamentos, redigir contratos superfaturados.

A Operação Lava Jato não praticou qualquer crime. Pelo contrário, destacou como crime de autoridade os roubos contra o sistema estatal.

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A PUBLICIDADE E A DERROTA DA SELEÇÃO

Já com a cabeça fria depois de 48 horas de distância da derrota, deixo para escrever para segunda-feira um artigo sobre o desabamento da seleção de Tite na Copa de 2018. Como aconteceu em 2014 o treinador realizava trabalhos organizados de propaganda. Escalou mal a equipe.

Mas deixo para segunda-feira. Até lá estarei com uma visão melhor para comentar o assunto.