TSE ainda precisa regular o tempo de televisão nas eleições para governador

Resultado de imagem para horario na tv charges

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

O Tribunal Superior Eleitoral terá que regular o tempo do horário gratuito na televisão e no rádio, a partir de 31 de agosto, conforme a lei determina. A Lei Eleitoral também determina a distribuição do tempo no espaço da propaganda com base na soma das coligações e dos partidos que concorram sozinhos. Os casos relativos a candidaturas isoladas encontra-se definido, tomando-se por base o tempo destinado à legenda no plano federal. Parece fácil solucionar o problema, baseando-se nas coligações. Mas é aí neste ponto que surge o impasse.

As coligações nem sempre são iguais na campanha presidencial e nas campanhas para os governadores. Não é a mesma coisa. O modelo tem que ser alterado para que se encaixe na legislação. Tarefa a ser conduzida a partir de hoje pela ministra Rosa Weber que assumiu a presidência do Superior Tribunal Eleitoral em lugar do ministro Luis Fux.

DIVIDIR O TEMPO – Torna-se necessário que se estabeleça um sistema claro e direto na distribuição do tempo na TV na área federal e nas áreas estaduais. No plano federal o problema já está equacionado.  Resta equacionar os espaços nas telas e nas emissoras de rádio.

Em matéria de alianças eleitorais sempre se evidenciam contradições e problemas a serem resolvidos nas proximidades das urnas. Os exemplos que a história eleitoral registra são múltiplos. Agora por exemplo, surgiu mais um, conforme a entrevista do presidente Michel Temer ao repórter Bruno Boghossian, Folha de São Paulo de ontem.

Logo no início da entrevista, ao responder uma pergunta a respeito de quem o governo está apoiando, Michel Temer afirmou: “você pergunta a quem o governo apoia. Parece que é o Alckmin…”, especulou. O impulso no sentido de apoiar o PSDB está no pensamento do presidente da República. Tanto assim que Michel Temer acrescentou que os partidos que votaram a favor das reformas vão continuar a participar do governo se o candidato Tucano vencer o pleito.

PONTE DE TEMER – Para mim Michel Temer construiu uma ponte entre o Palácio do Planalto de hoje e o Palácio do Planalto a ser ocupado amanhã, depois do desfecho nas urnas.

A matéria deve repercutir principalmente junto ao comando do MDB, que na convenção escolheu Henrique Meirelles como candidato da legenda. Nessa aparente contradição vamos esperar qual será o rumo do ex-ministro da Fazenda nas eleições de outubro.

Ao longo da entrevista o presidente da República acrescentou que os partidos que deram sustentação ao seu governo devem levar em conta o quadro político e as urnas de outubro.           Tem-se a impressão que o atual governo concorre com duas alternativas.

Não cabe ao governo decidir o que é fake news e o que é verdade na internet

Resultado de imagem para fake news charges

Charge do Cazo (blogdoafr.com)

Pedro do Coutto

A afirmação que está no título reproduz a opinião de David McCraw, advogado do New York Times, que se encontra no Brasil participando exatamente de um seminário sobre a matéria. McCraw informou que o New York Times tem como princípio não recorrer a Justiça contra as fake news porque isso se opõe a Constituiução americana que com base na 1ª emendam garante o direito de mentir, o que transfere o julgamento do assunto à própria população.

Nos Estados Unidos esse direito foi assegurado pela Corte Suprema em 2012 ao julgar uma ação ajuizada visando a proibição da circulação das fake news.

QUEM JULGARIA? – McCraw, penso eu, está certo na colocação da matéria porque quem julgaria se as notícias são falsas ou não? Os que navegam na internet é que devem fazer essa seleção, que pode acarretar prejuízos sem conta em todos os sentidos. Mas a internet funciona as 24 horas do dia, todos os dias, são milhões de mensagens postadas num número enorme da nações. Muito difícil pesquisar as milhões de postagens que circulam no mundo inteiro. Cada um tem que exercitar sua sensibilidade para concluir o que é verdade e o que é mentira.

Pode ocorrer, inclusive, que os textos possam ser metade verdadeiros e metade seja fake news, cujo propósito é atingir pessoas, empresas e entidades governamentais. O conteúdo das postagens deverá ser objeto de análise, excetuando-se as mensagens facilmente identificáveis como falsas.

VIRALISANDO – Geralmente, na opinião do advogado, as fake news propõem que cada um viralise as informações para, com isso,  atingirem uma amplitude maior.  Neste aspecto, torna-se possível iniciar-se até uma ação na justiça contra o responsável pela exposição. O problema, neste caso é individual. O que dá margem para que pessoas e empresas possam desmentir as notícias.

Mas na rede da internet, universo espacial de grande alcance e que proporciona divulgação ao longo das 24 horas do dia, que pode desmentir as notícias falsas? Esse fato, a ele me referi no início da matéria, porém repito para colocar em debate uma questão extremamente complexa. No Brasil, por exemplo, a Rede Globo e o jornal O Globo estão realizando um trabalho para selecionar as fake news e assim desmenti-las em consequência.

E O MOMENTO? – O tema é altamente complexo e nesse sentido podemos apreciar em que momento as notícias falsas forem postadas. Sobretudo porque, o horário no Brasil, para citar como exemplo está num fuso horário diferente da Europa e da América do Norte. Isso para citar dois casos. Há muitos outros. A complexidade da matéria, portanto, exige enorme atenção

Por falar em nosso país, matéria de  Mariana Lima, O Estado de São Paulo, o presidente Temer sancionou lei que proíbe as empresas e quaisquer pessoas físicas de usarem dados pessoais para campanhas comerciais. Ou então para enviar, o que acontece muito pelo telefone e que parte de bases de dados obtidos através de cadastros divulgados.  A lei entretanto não institui o órgão regulador necessário para a tarefa.

O princípio é o de que a utilização de dados pessoais só pode ser utilizada com a concordância prévia de cada um.

Corrente do PT quer lançar logo candidatura de Haddad no lugar do ex-presidente Lula

Resultado de imagem para jaques wagner

Jaques Wagner diz que o PT não pode continuar esperando

Pedro do Coutto

O ex-governador Jacques Wagner defendeu ontem que o PT formalize logo a substituição do ex-presidente Lula pelo ex-prefeito Fernando Haddad como candidato do partido às eleições presidenciais de outubro. Jacques Wagner – reportagem de Yuri Silva, Ricardo Galhardo e Daniel Wetermam, o Estado de São Paulo de ontem- afirmou que “nós não vamos ter a vida inteira para expor o Haddad”. Com isso evidencia-se uma pressão de expressiva corrente partidária que se dispõe a seguir o ex-prefeito da cidade de São Paulo rumo às urnas de outubro.

O avanço da corrente que apoia a solução do ex-governador da Bahia, assim, apresenta-se como de oposição dentro da legenda do Partido dos Trabalhadores. Pois não é essa a posição assumida pela senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT.

ESGOTAR OS RECURSOS – Como Gleisi Hoffmann já disse várias vezes, a agremiação deve insistir no nome de Lula esgotando todos os recursos possíveis dentro do quadro da legislação eleitoral e do entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a elegibilidade ou inelegibilidade do ex-presidente da República.

Na argumentação de Wagner, porém, a legenda não pode perder tempo, porque o calendário eleitoral tem prazos curtos. Como revelou matéria de Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo, na mesma edição de O Estado de São Paulo.

O pedido de registro dos candidatos termina hoje, dia 15. No dia 31 inicia-se o horário eleitoral. A 17 de setembro esgota-se o prazo para substituição de candidaturas, quando também termina a derradeira análise sobre o registro de candidatos. As eleições, primeiro turno, estão marcadas para 7 de outubro.

TESE DE WAGNER – Com base nesses prazos é que Jacques Wagner sustenta a tese do aproveitamento maior do horário eleitoral, espaço reservado ao PT. O raciocínio é o seguinte: se o candidato a presidência não tiver sido homologado, na hipótese de serem encaminhados recurso ao TSE, STJ e ao STF, a legenda não pode aproveitar a presença no horário eleitoral que tem início a 31 de agosto. Enquanto estiver na perspectiva de Lula ser homologado ou não candidato, a legenda perde espaço que vai de 31 de agosto a 7 de setembro. Se os recursos demorarem além do previsto, a chapa do PT só poderia ocupar espaço político a partir de 17 de setembro até 1º de outubro.

O partido perderia assim vários dias seguidos de ausência na televisão e rádio, o que seria extremamente prejudicial à legenda. Além do mais, como seria possível admitir o registro de dois candidatos a vice presidente sem que haja candidato ao Palácio do Planalto?

CASO DE MANUELA – Inclusive, no caso de Manuela D’Avila, o PCdo B já providenciou seu registro como candidata do partido à Presidência da República. Firmado o acordo com o PT de Haddad como postulante à chefia do Executivo, têm-se a certeza que o PCdoB retirará o pedido de registro de Manoela D’Avila e se deslocará para coligação final com o PT.

Como se constata, Jacques Wagner revelou o sentimento que domina as bases da legenda. As bases já estão imbuídas da certeza de que a candidatura Lula não chegará ao fim da viagem para as urnas, e será impedida pela Justiça Eleitoral.

Será testada hoje, no protesto em Brasília, a força do famoso “Exército” de Stédile

WhatsApp Image 2018-08-10 at 21.45.46.jpeg

Estes militantes pró-Lula saíram de Formosa de Goiás

Carlos Newton

Há três anos, em discurso no auditório da Associação Brasileira de Imprensa, antes do impeachment da presidente Dilma Rousseff, Lula da Silva ameaçou as instituições, ao anunciar que poderia colocar nas ruas o “exército” de Stédile. Referia-se aos trabalhadores rurais sem-terra, liderados pelo economista João Pedro Stédile, que jamais empunhou uma enxada e estava presente ao ato na ABI, como um dos convidados especiais do PT.

Três anos depois, a promessa enfim se cumpre e nesta quarta-feira o MST coloca seu exército nas ruas de Brasília, em manifestação para apoiar a candidatura de Lula e para protestar contra a prisão dele por corrupção e lavagem de dinheiro.

SUPERPROTESTO – Enfim saberemos quantas legiões tem o “exército” de Stédile e qual é na realidade o seu potencial de intimidação e destruição, porque desta vez é o Movimento Sem-Terra que está liderando as 80 organizações integrantes da Frente Brasil Popular.

Na defesa da libertação e da candidatura de Lula, sete integrantes do MST estão em greve de fome desde o dia 31 de julho, por tempo indeterminado. Na sexta-feira passada, dia 10, estava prevista uma mobilização nacional dos trabalhadores, convocada por todas as centrais sindicais, mas foi igual à “Conceição” do Cauby Peixoto, ninguém sabe, ninguém viu.

E nesta quarta-feira, quando será registrada a candidatura de Lula, os sem-terra estão chegando a Brasília, em marcha nacional convocada pelo próprio Stédile.

A AMEAÇA – Em artigo publicado recentemente na Folha, sob o título “Uma saída para o Brasil”, diz Stédile: “Se Lula não for candidato, as eleições serão uma fraude, pois impedirão que a maior parte do povo tenha o direito de escolher quem deseja para a Presidência. E as crises se aprofundarão e teremos mais quatro anos de conflitos, violência e agravamento das desigualdades sociais”.

“Para construirmos um novo projeto para o país, com reformas estruturais na política, no Judiciário, nos meios de comunicação e na economia, é necessário garantir a participação de Lula nas eleições”, acrescenta o líder do MST, que assim finaliza o texto:

“Esperamos que o Poder Judiciário lembre que, acima de suas vaidades e interesses, está a Constituição, que já foi suficientemente violada e desprezada nos últimos anos. Que os juízes se submetam à vontade popular e à Carta Magna, e não aos interesses da Rede Globo e do projeto golpista do grande capital”.

###
P.S. 1
Espera-se que o bom senso prevaleça e os grevistas da fome aceitem comer uma buchada de bode, prato da preferência de Fernando Henrique Cardoso em época eleitoral. Quanto ao “exército” de Stédile, isso não “ecziste”, como diria o Padre Quevedo. Hoje haverá milhares de sem-terra em Brasília, mas será apenas uma miragem no horizonte rural. Amanhã, o “exército” já estará desmobilizado. (C.N.)

Nos bastidores, o MDB está apoiando Alckmin e vai “cristianizar” Meirelles

Resultado de imagem para Meirelles na convenção do mdb

Apoio do MDB a Meirelles não tem a menor consistência

Pedro do Coutto

O MDB, ao escolher Meirelles como seu candidato, na realidade busca somar pontos para Alckmin, livrando-o do peso negativo representado pelo governo Michel Temer. A candidatura de Meirelles, que não sabe da articulação, tem esse objetivo no quadro eleitoral. De fato, como todas as pesquisas têm indicado, o apoio do presidente da República será um argumento forte para as oposições. São várias as oposições, porém o Centrão joga para salvar o ex-governador de São Paulo da condição de ser o candidato do Planalto. O MDB, partido de Temer vai cristianizar o ex-ministro da Fazenda.

Os mais jovens devem estranhar o termo cristianização e o verbo cristianizar. Sua origem remete às eleições de 1950, disputadas por Getúlio Vargas, Eduardo Gomes, Cristiano Machado e João Mangabeira. O PSD, que era o partido amplamente majoritário, homologou Cristiano Machado como seu candidato. Mas na verdade apoiou Getúlio Vargas, do PTB. Tanto assim que Juscelino Kubitschek e Amaral Peixoto, ambos do PSD, elegeram-se governadores de Minas e do antigo estado do Rio naquele pleito.

O VERBO FICOU – O PSD, de fato, estava com Vargas, mas havia lançado Cristiano. Um lance para dividir as correntes que rejeitavam a volta do velho ditador ao Palácio do Catete. Abertas as urnas, a manobra tornou-se evidente. Cristiano Machado, que era deputado federal por Minas, foi nomeado por Vargas para embaixador junto ao Vaticano. O tempo passou e o verbo ficou.

Este ano, as eleições de outubro para presidente da República apresentam contradições entre as legendas. Por isso, como destacou Gustavo Uribe na Folha de São Paulo de ontem, ocorrem vários acordos partidários em diversos estados que não se vinculam aos apoios das legendas no plano federal. Em 7 estados, por exemplo, MDB e PDT são aliados nas disputas para governos estaduais.

O caso de São Paulo destaca-se dos demais: Marcio França, do PSB, apoia Alckmin, porém disputa o governo estadual contra João Dória, que é do PSDB. Um terceiro candidato, Paulo Skaf, corre pelo MDB e é presidente licenciado da Fiesp. Coisas da política.

###
PEDIDOS DE APOSENTADORIA VÃO AUMENTAR

Reportagem de Edna Simão, no Valor, edição de ontem, focaliza o déficit da Previdência Social, que está atingindo 92,3 bilhões de reais, dos quais 53,5 relativos aos empregados urbanos e 38,2 bilhões ao setor rural. Provavelmente, acho eu, a quantidade dos pedidos de aposentadoria vai aumentar depois das eleições de outubro, uma vez que a sombra da reforma deve se projetar para o próximo governo em 2019.

Acredito numa hipótese que tem base na lógica dos fatos. Não se trata apenas de reformar para produzir reflexos nas aposentadorias dos trabalhadores. Melhor será se o governo resolver cobrar as dívidas que empresas urbanas e rurais acumulam na área do INSS.

A sonegação também deve inevitavelmente ser combatida, ao invés de pressão sobre os vencimentos dos aposentados e pensionistas.

Na eleição, votar em branco ou anular o voto beneficia quem está na frente

Resultado de imagem para voto branco e nulo charges

Charge do Diogo (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Analisando-se de forma serena e objetiva a lei eleitoral brasileira, chega-se à conclusão de que não adianta o eleitor que deseja expressar sua rejeição pela política votar em branco ou anular o voto. Tanto nas eleições majoritárias, presidente da República, governador e senador, quanto nas eleições proporcionais para a Câmara Federal e Assembleias Legislativas.

Nas eleições para presidente da República, por exemplo, votar em branco ou anular é indiretamente favorecer o que vai na frente, inclusive votar em branco ou anular pode fazer com que não haja segundo turno. Tal hipótese é improvável na disputa presidencial, mas é possível que ocorra nas eleições para governador.

CÂMARA E SENADO – A disputa pelo Senado não tem segundo turno. Nas eleições para deputado, o voto branco e nulo é ignorado, sobretudo seu efeito pode alterar para menos o quociente partidário.

O quociente partidário resulta da divisão dos votos válidos pelo número de cadeiras em jogo. Assim, quanto maior for a parcela de brancos e nulos, menor será o quociente. Se o voto nulo ou branco reduzisse o número de cadeiras, poder-se-ia dizer que o eleitor que anulou estaria diminuindo o número de vagas. Mas a legislação não prevê isso. O número de cadeiras não diminui; ao contrário, torna mais fácil a reeleição exatamente daqueles que o eleitor ou eleitora deseja substituir. Dessa forma, esterilizar o sufrágio é, no final das contas, uma atitude conservadora.

ELEITORES FIEIS – Vale frisar também que os eleitores que formam a base fisiológica dos candidatos que mais cultivam esses redutos não deixarão de votar de maneira alguma.

Para presidente da República, o voto branco ou nulo favorece o candidato que vai na frente nas pesquisas.

Se o líder não for do agrado de parcela do eleitorado, o jeito é escolher um candidato e, com isso, forçar o desfecho no segundo turno. Este ano o primeiro turno é dia 7 de outubro, e o segundo no dia 28 do mesmo mês.

FRUSTRAÇÕES – Os eleitores que rejeitam o quadro político ficarão frustrados consigo mesmos. Não adianta nada tal atitude, ao passo que escolhendo um candidato ele pode evitar que a eleição se decida anda no primeiro turno. Esta lógica se estende às disputas pelos governos estaduais.

Por isso, digo eu, marque seu candidato ou candidata na máquina eletrônica e tenha certeza de que assim agindo você estará fortalecendo o direito democrático do voto.

Alguém tem que ocupar o poder e para chegar ao poder só existem dois caminhos:  pelas urnas ou pelas armas. Vamos sempre pelas urnas.

Debate foi frio, mas o reflexo no voto não pode ter sido igual a zero

Resultado de imagem para debate na band

Boulos, do PSOL, provocou Jair Bolsonaro, do PSL

Pedro do Coutto

O debate levado ao ar pela Rede Bandeirantes de televisão na noite de quinta-feira, foi frio e certamente não apresentará reflexo maior junto ao eleitorado. Entretanto algum efeito produziu, partindo-se do princípio de que o reflexo não pode ser igual a zero. Vamos ver se o Ibope e o Datafolha divulgam pesquisas neste fim de semana. Aí, sim, poderemos ter o resultado concreto do confronto. Mas vale acentuar que foi o primeiro de uma série de enfrentamentos que serão transmitidos pela televisão. Além disso, valeu a manchete principal de O Globo, edição de ontem, além de ter recebido destaques na Folha de São Paulo, no Estado de São Paulo e no Valor.

O debate apresentou poucos resultados concretos embora tenha sido muito bem conduzido pelo jornalista Ricardo Boechat. O sistema colocado em prática foi muito bom, partindo de perguntas e respostas formuladas entre os candidatos e pelos jornalistas convidados a participar.

CIRO GOMES – Em matéria de desenvoltura, a meu ver, as intervenções de Ciro Gomes foram as mais observadas, apesar da promessa de cobrir as dívidas dos 63 milhões de brasileiros inadimplentes nos mercados comercial e bancário, um compromisso impossível de cumprir.

Não se pode criticar o desempenho de Marina Silva, de Geraldo Alckmin e de Henrique Meirelles. Marina Silva e Alckmin estavam embalados pelo resultado de pesquisas que apresentam percentual em seu favor. Mesmo caso de Bolsonaro, que se encontra em primeiro lugarno cenário sem candidato do PT, mas Henrique Meirelles está muito abaixo da escala do voto.

Aliás, por falar em pesquisa, acredito que nenhuma delas poderá fornecer resultado capaz de espelhar a sociedade brasileira, sem que nela esteja presente o candidato efetivo do PT.

É INELEGÍVEL – Lula já se convenceu de sua inelegibilidade, tanto assim que em declarações ao O Globo de ontem afirmou em carta colocada à divulgação que o direito do povo foi violado no campo do debate promovido pela Rede Bandeirante. A afirmação não é verdadeira, o direito do povo não foi violado e sim deixado em aberto pela vacilação do próprio PT. O Partido dos Trabalhadores, ao formalizar a indicação de Lula para as urnas de outubro, deixou um espaço aberto que criou uma indefinição quanto à manifestação popular.

Tanto assim que num lance inédito no campo político, a legenda apresentou dois candidatos a vice e nenhum nome capaz de substituir o de Lula na maratona eleitoral deste ano. Afirma-se que o substituto seja o ex-prefeito da cidade de São Paulo Fernando Haddad. Mas sem um pronunciamento efetivo do ex-presidente, deixa dúvidas quanto à escolha final de sua legenda.

CUMPRINDO PENA – Lula, inclusive, não poderia se pronunciar oficialmente, pois se encontra condenado pela Justiça e cumprindo pena na prisão. Entretanto. o PT terá que se definir até o próximo dia 15. Nesse ponto então deve homologar Fernando Haddad com Manoela D’Avila de vice.

Somente a partir daí o Ibope e o Datafolha terão condições de realizar uma pesquisa completa.

Preços sobem, mas os salários permanecem congelados. Isso pode, Arnaldo?

Resultado de imagem para salarios congelados charges

Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Os quatro grandes jornais do país publicaram com grande destaque a resolução administrativa do Supremo Tribunal Federal propondo um reajuste de 16,38% para os ministros da Corte, incluindo a projeção da despesa na Lei Orçamentária para 2019. A decisão despertou reações contrárias com base nas dificuldades de receita e despesa com que o governo Michel Temer se defronta. Tudo bem. Mas é preciso, sem entrar no mérito da questão específica, considerar que os salários, não apenas dos Ministros do STF, mas de todo o funcionalismo público federal, encontram-se congelados desde janeiro de 1917, exceção dos que percebem somente o salário mínimo.

Isso porque o salário mínimo é regido por lei especial impositiva, com base na taxa inflacionária do ano anterior mais o crescimento percentual do PIB. Como ano passado o PIB não cresceu, restou apenas transferir a inflação oficial, 2,9% sobre o piso salarial do país. A lei orçamentária aprovada no início do governo Michel Temer estabeleceu que os tetos não poderiam ser mais elevados do que o índice inflacionário do exercício anterior. Assim o orçamento que em 2016 era de 2,9 trilhões de reais passou a ser 3% maior. 

CORREÇÃO, APENAS – Não se pode dizer que o orçamento ficou maior, porque apenas se corrigiu o valor absoluto à base da inflação do exercício anterior. Não fosse colocado em prática o índice de inflação, o orçamento do país teria diminuído na mesma escala. É o que acontece com os salários de modo geral. Não havendo reposição de um ano para outro, aplicando-se-lhes o mesmo critério, o funcionalismo federal estará tendo seus vencimentos reduzidos. No caso dos aposentados, tiveram redução, porque o reajuste foi de apenas 1,8%, abaixo da inflação de 2,9%.

A matéria sobre a decisão do Supremo foi bem exposta nas edições de ontem de O Globo e do Estado de São Paulo. No Globo é assinada por Carolina Brígido e Geralda Doca. No Estado de São Paulo assinaram Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo. Nos outros dois jornais, Folha de São Paulo e Valor, tiveram chamadas nas primeiras páginas.

FREIO NO CONSUMO – O assunto é dos mais importantes, porque, sem correção salarial, o consumo não cresce e, em consequência os impostos também. Daí porque coloquei no título a expressão sempre usada por Galvão Bueno para ouvir a impressão de Arnaldo Cesar Coelho em lances do futebol.

Esse tema deve ser explorado amplamente nos debates sobre a sucessão presidencial que tiveram início ontem na Rede Bandeirantes de Televisão. Haverá uma sequência de confrontos, em várias emissoras, e o mais decisivo será a 4 de outubro, na Rede Globo, quando faltarem três dias para o desfecho do primeiro turno das urnas.

Voto feminino tem indefinição elevada, que deve cair no final da campanha

Resultado de imagem para voto feminino charges

Charge do Thiago (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Os jornais e as emissoras de televisão têm assinalado um elevado grau de indefinição da eleitoras no que se relaciona com a sucessão presidencial. Com base em pesquisas tanto do Ibope quanto do Datafolha, essa indefinição está na altura de 80%, muito maior que a indefinição registrada pelos eleitores masculinos até agora. Ontem mesmo , em sua coluna em O Globo, o jornalista Zuenir Ventura focaliza o tema. O fenômeno merece um estudo e uma observação mais transparente.

A diferença da disposição dos homens e das mulheres em relação ao voto constitui um fato inédito ao longo de mais de 50 anos de campanhas eleitorais. Surpresa? Sim, porque se a indefinição se mantiver, será a primeira vez que ela marca um pleito desde 1945 até hoje. Podem perguntar ao diretor do Datafolha, Mauro Paulino, e ao presidente do Ibope, Carlos Alberto Montenegro, se há precedente, se numa eleição as mulheres se abstiveram muito mais que os homens.

SEM REPRESENTAÇÃO – A indecisão que está preocupando as mulheres decorre do fato de não se sentirem ainda representada através da voz dos candidatos e mesmo das candidatas envolvidas no processo político. Um dado importante, acho eu, que deveria ser objeto de uma pesquisa destinada a esclarecer os dirigentes partidários. O resultado, mais amplo possível poderá balizar as mensagens políticas, indo ao encontro das reivindicações da população feminina de modo geral.

Trata-se de ouvir a voz das eleitoras e Incorporar os anseios às plataforma das diversas legendas do país. São 35 partidos e 52% do eleitorado brasileiro. Em consequência, a diferença de eleitoras em relação aos eleitores vai de 52 a 48%. É hora, portanto de os partidos, através das campanhas de seus candidatos, fazerem se representar no universo do voto.

UMA SURPRESA – Para mim, é uma surpresa a indefinição que vem sendo destacada, porque até hoje acompanhando eleições verifiquei que nunca houve divergência entre o eleitorado masculino e o feminino no cômputo final dos votos. As diferenças ocorrem entre as classes sociais contrapondo as de maior renda e as de menor remuneração.

Inclusive as pesquisas eleitorais, todas elas, partem da divisão do eleitorado com base nos segmentos econômicos da sociedade. Por isso, vale destacar que os candidatos ou candidatas dos grupos de renda mais alta tendem a decidir mais prontamente quais as suas preferências.

As classes pobres custam mais a se decidir, por esse fato é que ocorrem mudanças nas pesquisas eleitorais, de acordo com o estágio das campanhas. Às vezes, um candidato de maior força nas classes média e alta larga na frente,, enquanto os candidatos de preferência dos outros grupos sociais crescem no final do processo – em muitos casos, na véspera das urnas. Trata-se de uma corrida de longa distância, daí as mutações que vez por outra acontecem.

OUTROS EXEMPLOS – Há casos, entretanto, em que o candidato preferido pelas classes de renda mais alta consegue penetrar de alguma forma mais sensível nos outros grupos. Caso, por exemplo, de Fernando Henrique Cardoso nas sucessões de 1994 e 1998. No outro lado do avesso, podemos citar Lula em 2002, quando arrebatou o eleitorado de menor renda e conseguiu sensibilizar uma fração do outro lado do espelho.

As considerações que faço sobre o voto estão restritas às eleições majoritárias. Porque nas disputas proporcionais, como é o caso dos deputados federais e estaduais, a lógica da divisão por classe torna-se pouco nítida. Isso porque existe a questão dos redutos eleitorais sobre os quais muitos candidatos detêm o controle, à base de atendimentos comunitários. Esses atendimentos, na verdade, preenchem vazios deixados pelas administrações estaduais e regionais. Não se pode exigir de quem tem recursos mínimos para viver uma capacidade de escolha que não se baseie numa ação paroquial.

Vamos, assim, para mais um desfecho dos muitos que tenho assistido ao longo do tempo de 1945 até hoje.  No final da ópera vamos conferir o voto colocado nas urnas sem distinção de sexo. O nexo entre os diferentes lados, tenho certeza, surgirá nos resultados finais de mais essa eleição.

Haddad e Manoela vão percorrer o país para consolidar a campanha de Lula

Imagem relacionada

Na reta final, Valéria  assumir como vice de Haddad

Pedro do Coutto

Falando na tarde de ontem à Globonews, Fernando Haddad afirmou que ele e Manoela D’Avila vão percorrer o país iniciando a campanha do ex-presidente Lula às eleições de outubro. Iniciativa inusitada porque, antes de tudo, tem de se decifrar, segundo a lógica do ex-prefeito de São Paulo, quem será o vice do outro. Pois, afinal de contas os dois foram indicados candidatos a vice, com o PT não deixando claro quem será o vice de quem. A colocação, como é natural, provoca risos uma vez que a lei não permite candidatura dupla para compor a chapa partidária.

Assim, está na cara que a chapa que emerge desse enigma, claro enigma, para citar Drummond é que Haddad disputará a presidência e Manoela a vice-presidência, recebendo o apoio de Lula, que, nesta altura dos acontecimentos já foi envolvido pela certeza de que será declarado inelegível.

APOIO A HADDAD – A decisão do Partido dos Trabalhadores conduz a uma mudança no cenário eleitoral. Porque é absolutamente claro que Lula dará seu apoio ao ex-prefeito da cidade de São Paulo e que foi ministro da Educação durante seu governo.

Dessa forma, pode mudar o panorama para o segundo turno. Os eleitores de Lula serão mobilizados para seguir na estrada com Haddad à frente. O segundo turno de outubro parece inevitável, com base nas pesquisas realizadas. Mas não há evidência sobre os dois que serão colocados frente a frente. Não se pode fazer qualquer previsão sobre os dois que ficarão como finalistas.

MOURÃO TRAPALHÃO -Bolsonaro lidera os levantamentos tanto do Ibope quanto do Datafolha, num panorama sem Lula. Até segunda-feira podia se considerar que estaria presente nas urnas no segundo turno. Mas agora é preciso que se leve em conta se as declarações do general Hamilton Mourão vão prejudicar sua imagem. Pode se admitir até uma semelhança com o caso dos marmiteiros na campanha presidencial de 1945, que prejudicam o brigadeiro Eduardo Gomes.

As questões de raça são profundamente sensíveis. Vamos aguardar novas revelações se o general Mourão prejudicou ou pelo menos reduziu a influência de Bolsonaro no posicionamento ideológico do qual faz parte.

A questão dos vice é curiosa: antigamente eram eleitos separadamente dos presidentes. Assim aconteceu com Café Filho em 1950, com João Goulart em 1955 e com ele também em 1960. Aliás tornou-se o primeiro caso de reeleição no país. Foi um caso decidido pelo Supremo Tribunal Federal. O advogado de Jango foi Santiago Dantas. Mas o passado o vento levou. Vamos ver agora qual o destino dos candidatos no desfecho de outubro.

###
ABRIL DEMITE 500 E FECHA VÁRIAS REVISTAS

A editora Abril em comunicado a seus funcionários, documento ontem publicado pelo O Globo, anunciou que vai encerrar a publicação de 10 revistas, entre as quais a Veja Rio. Vai demitir 500 funcionários, 170 dos quais jornalistas. A empresa alega que em 2017 teve um prejuízo de 331 milhões de reais, montante 140% maior do registrado em 2016.

Mais um golpe no mercado de empregos no Brasil. Quanto menos emprego, menor será o consumo, também menor será a receita de impostos e arrecadação do INSS e FGTS. Coisas da vida brasileira. Só se pensa em cortar empregos. Cobrar tributos é outra conversa.

Lula na esquerda e Bolsonaro na direita definem os caminhos para as urnas

Resultado de imagem para lula e bolsonaro

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

O ex-presidente Lula – reportagem de Sérgio Roxo, e Thiago Herdy, O Globo de ontem – escolheu Fernando Haddad para ocupar a candidatura a vice na sua chapa eleitoral. Bolsonaro, reportagem de Jussara Soares, escolheu o general Hamilton Mourão para seu companheiro de chapa. São dois episódios bem definidos na luta pelo voto. Lula sabe muito bem que sua candidatura será impugnada. Por isso, seu substituto, sem dúvida, será Fernando Haddad. Tanto assim que o PT está se esforçando para que Manuela D’Avila, do PCdoB, na hora aprazada firme uma aliança com o Partido dos Trabalhadores. A chapa, assim, seria Haddad com Manuela como vice. A convenção do PT, no fundo, homologou essa alternativa.

Do outro lado, ao escolher o general Hamilton Mourão, Bolsonaro definiu seu percurso pela avenida da direita no rumo do Palácio do Planalto. Os reflexos das duas decisões vão se fazer sentir nos próximos desdobramentos e nas próximas pesquisas. Lula transferirá parte de sua votação para Haddad, o que significa que seu estoque de votos, no primeiro turno, não poderá ser arrebatado por nenhum outro postulante.

CIRO PREJUDICADO – Dessa forma, não adiantam acenos ao Partido dos Trabalhadores para tentar obter algum resíduo eleitoral que o PT deixará no caminho.

É o fim das ilusões iniciais de Ciro Gomes de se tornar o herdeiro da corrente política que chegou ao poder em 2002 e nele permaneceu até 2016. Ninguém, aliás, deve se surpreender com a atitude exclusivista de Luiz Inácio Lula da Silva. Lembremos o precedente de 1985, quando o Partido dos Trabalhadores se recusou a apoiar Tancredo Neves nas eleições indiretas de março. Seus três deputados – Bete Mendes, José Eudes e Airton Soares – votaram em Tancredo contra Maluf. Em consequência, foram expulsos da legenda.

Os votos de Lula são seu patrimônio pessoal e desse patrimônio não se dispõe a dividir nas urnas, até ser oficialmente excluído.

CHAPA MILITAR – Jair Bolsonaro, por sua vez, teve que restringir sua posição na escolha de um vice da mesma corrente de pensamento. Sinal de que não conseguiu alinhar em torno de si uma perspectiva ideológica de centro-direita. Até porque esta hipótese não existe. A direita dificilmente poderia se conjugar com uma posição mais moderada, porque sua força maior encontra-se exatamente no radicalismo que provoca.

A esquerda, entretanto, poderia tentar uma articulação de centro-esquerda, partindo do princípio de que o centro não é um ponto, mas uma faixa de comportamento capaz de superar divergências ideológicas na busca da vitória nas urnas. Alguns poderão colocar em pauta as contradições do petismo. Mas as contradições são inerentes ao processo político. JK, em 55 recebeu o apoio do então Partido Comunista que se encontrava na ilegalidade. Venceu as eleições e, nem por isso em seu quinquênio tomou qualquer medida que significasse um elo de aproximação com o marxismo.

CONTRADIÇÕES – Mas a história universal está repleta de contradições, que nem sempre deixaram de cristalizar uma frente comum.

Basta lembrar o acordo de Yalta em 1945 no sul da Rússia, que consolidou a aliança de Roosevelt, Churchill e Stalin, que levou à divisão da Alemanha em Ocidental e Oriental, assegurando o desabamento do Nazismo. Eram duas superpotências capitalistaS e um país comunista. Ainda no cenário da Segunda Guerra, registre-se o acordo entre Roosevelt e Mao Tse Tung, capitalismo e comunismo, numa só frente para combater o Japão no Oriente.

É possível que, com apoio de Lula, Haddad possa se habilitar a decidir o segundo turno com Bolsonaro. Tal hipótese no fundo vai depender do desempenho de Alckmin na campanha que se inicia.

Nas eleições, os institutos de pesquisa jogam sua imagem e seu destino

Resultado de imagem para PESQUISAS ELEITORAIS CHARGES

Charge do Newton Silva (Charge Online)

Pedro do Coutto

Meu saudoso amigo Paulo Montenegro me disse uma vez que as pesquisas eleitorais são as únicas que podem ter seu resultado conferido por toda a opinião pública do país. É verdade. Porque todas as demais pesquisas, sejam de audiência da TV, sejam relativas ao mercado econômico, não passam por uma revisão popular e integral de seus prognósticos e resultados.  Conheci muito o Paulo Montenegro, que assumiu o Ibope a partir de 1945 e dele não se afastou até o final de sua vida.

A projeção do Ibope foi evoluindo através do tempo, tanto assim que nas eleições no Rio em 1962, Montenegro fez uma permuta com o jornal Última Hora para publicar o prognóstico apontando a vitória de Eloi Dutra sobre Lopo Coelho, que disputavam o cargo de vice-governador da Guanabara.

Lembro que Lacerda, então governador, no final da campanha afirmou que só a Marinha tem contra-almirante e, por isso, a então Guanabara não deveria ter um contra-governador. Mas foi o que aconteceu.

LACERDA E NEGRÃO – Me encontrava com Paulo Montenegro praticamente todas as semanas para obter acesso às pesquisas em relação às quais eu escreveria no Correio da Manhã. A eleição de 1962 não foi a única derrota de Lacerda. Ele perdeu em 65, quando apoiou Flexa Ribeiro e foi batido por maioria absoluta nas urnas por Negrão de Lima.

Chegamos então a um ponto ao qual me referi no título. Negrão venceu com 51% dos votos contra 38 de Flexa Ribeiro.  Naquele tempo a Marplan era outra empresa de pesquisa existente. Concluiu por um prognóstico totalmente oposto ao feito pelo Ibope e deu a vitória de Flexa. Aconteceu simplesmente o seguinte: a Marplan fechou.

Eis aí um exemplo de como a comprovação das pesquisas nas urnas torna-se fundamental para os institutos. No dia seguinte às urnas a população inteira fica sabendo dos erros e acertos das pesquisas. E os acertos acontecem quase sempre, como os números comprovam.

VITÓRIA DE DILMA – Nas eleições de 2014 o Ibope apontou a vitória de Dilma Rousseff por 5 pontos de vantagem. O Datafolha prognosticou vantagem de 4 pontos. Na contagem final dos votos a vitória da candidata do PT foi pela margem de 3%. Os números do pleito encontram-se a disposição na Internet. Por isso é que eu digo que as empresas de pesquisa jogam seu destino nas urnas.

O Ibope é mais antigo que o Datafolha, mas na minha opinião ambos merecem ampla credibilidade. De 1945 para 2018 lá se vão 73 anos. Nesse espaço de tempo o Ibope foi atingido por dois erros: um em 54 na disputa entre Jânio Quadros e Ademar de Barros pelo governo de São Paulo. Outro em 1985, quando Fernando Henrique Cardoso perdeu a prefeitura da capital do estado para o mesmo Jânio Quadros. Portanto dois erros, registrados em mais de 70 anos, a meu ver, tornam-se apenas duas exceções numa regra de dezena de milhares de acertos. Não se trata de acertos exatos. Mas é fundamental que a pesquisa aponte o vencedor e o segundo colocado.

BASTA CONFERIR – Sei que há pessoas que não acreditam em pesquisas. É natural. Mas convido essas pessoas a confrontar os levantamentos deste ano em torno do desfecho das urnas a cotejarem o que vão dizer os levantamentos e os resultados finais das eleições que não se referem apenas à Presidência da República, mas incluem também os governos estaduais.

Nos Estados Unidos e no Brasil nada se faz no campo empresarial sem que seja precedido por pesquisas. Aliás no mundo inteiro. As pesquisas estendem-se ao consumo das famílias, à divisão da sociedade por classe de renda, as audiências da televisão e emissoras de rádio. Um dos fatores do sucesso da Rede Globo decorreu de uma pesquisa. Estava em foco a audiência do Chacrinha. Numa reunião o apresentador sustentava que a televisão repousava sua força nas classes de menor renda. Uma pesquisa do Ibope provou o contrário.

E hoje as audiências das emissoras de televisão em geral são altíssimas.

Rede Bandeirantes inicia na quinta-feira a série de debates entre os candidatos

Resultado de imagem para ricardo boechat

Ricardo Boechat será o mediador dos debates na Band

Pedro do Coutto

A Rede Bandeirantes de Televisão informou ontem que na próxima quinta-feira iniciará o ciclo de debates entre os candidatos à Presidência da República inaugurando assim uma temporada de confrontos diretos , dando sequência, assim, à semana de entrevistas exibida pela Globonews. A Rede Bandeirantes colocou a informação em sua tela e também numa página da revista Veja que chegou ontem as bancas. Há uma certa dúvida se o debate reunirá todos os postulantes ou serão destacados aqueles que lideram a mais recente pesquisa do Ibope.

O debate será coordenado pelo jornalista Ricardo Boechat. Vamos assistir e comparar nas próximas pesquisas eleitorais se a tela da TV produzirá efeitos nas cotações de cada um no panorama global. O ex-ministro Meirelles anunciou que estará presente, já como candidato do presidente Michel Temer, homologado em convenção pelo MDB.

DEBATE LONGO – Não foi ainda revelado o tempo de duração da noite de quinta-feira. Mas não poderá ser curto, uma vez que a Bandeirantes já estabeleceu critérios para perguntas, réplicas e tréplicas que inevitavelmente, como é natural ocorrerão.

A partir da semana passada, na minha opinião, já devem estar começando a surgir os reflexos da arrancada inicial da exposição das candidaturas pelas telas da TV. É natural que isso aconteça, porque a televisão é a principal fonte de comunicação entre os elegíveis e os eleitores. São desempenhos ao vivo em que os telespectadores poderão avaliar quais aqueles capazes de proporcionar entusiasmo, além da comparação entre as declarações de cada um.

O critério jornalístico, segundo o Ibope, reportagem de Lucas Altino e Louise Quiroga, edição de ontem de O Globo, é o preferido por 84% dos eleitores do Brasil.  Essa pesquisa foi feita por encomenda da Confederação Nacional da Indústria e revela um aspecto importante.

CARÁTER DIRETO – O que motiva a grande maioria dos eleitores é o caráter direto da linguagem jornalística, mais objetiva do que as mensagens publicitárias caracterizadas como tal.

O fenômeno tem uma lógica: o conteúdo jornalístico representa uma visão mais aberta à compreensão do que espaços pagos. Ninguém vai acreditar que alguém ou alguma empresa vai pagar por um espaço para exibir uma mensagem isenta da realidade dos fatos e das pessoas.

O jornalismo, assim, é o vértice de um triângulo no qual focaliza-se de maneira objetiva o confronto político. Essa minha observação resulta de algumas décadas de experiência ao longo do processo de comunicação. O que fortalece uma candidatura é o caráter mais próximo entre elas e a sociedade. Não é o caso das transações publicitárias, que trazem consigo mesmas pagamentos em dinheiro pelas peças divulgadas.

ALGO INDISPENSÁVEL – Essa, provavelmente, foi a razão do resultado apresentado na edição de O Globo deste sábado. Mas esta é outra questão. A pesquisa, nos dias de hoje, é algo indispensável e mais amplo possível para que se sinta o pulso dos candidatos à Presidência, incluindo as candidatas Marina Silva e Manuel D’Ávila.

Foi uma longa trajetória a afirmação dos Institutos que medem a temperatura da opinião pública. Em Sâo Paulo, por exemplo, O Globo publicou que no estado destacam-se Geraldo Alckmin com 19 pontos e Bolsonaro com 16. Sinal de alarme para Alckmin, uma vez que ele foiu eleito e reeleito pelos paulistas.

Os números não podem contentar a todos. Essa é uma realidade. Mas também é a única forma de se chegar ao poder nas democracias.

Audiência da Globonews comprova que aumenta o interesse pelas eleições

Resultado de imagem para alckmin na Globonews

Alckmin perdeu pontos ao defender tucanos corruptos

Pedro do Coutto

A semana de entrevistas que a Globonews realizou com os principais candidatos à sucessão presidencial de outubro, sem dúvida, revelou a existência de interesse efetivo pelo desfecho das eleições presidenciais. Olha que escrevo este artigo ao anoitecer de ontem, portanto antes da sabatina da equipe da emissora com Jair Bolsonaro. Senti no correr do dia que a entrevista de ontem era a mais esperada de todas, tanto pelas contradições do candidato quanto pelas correntes radicais que representa e que estão sendo suficientes para colocá-lo na primeira posição nas pesquisas eleitorais.

Claro que o primeiro lugar em que se encontra refere-se ao contexto do qual Lula está excluído. Uma exclusão a meu ver definitiva e que significa a consequência lógica da condenação que o atingiu e dos recursos até aqui tentados mas não aceitos. Mas esta é outra questão.

DESINTERESSE – O fato é que jornalistas e cientistas políticos vêm apontando o desinteresse muito grande em relação ao próximo pleito. É verdade. Mas se olharmos o passado, vamos verificar que os índices de abstenção tendem a cair na medida em que os eleitores aproximam-se das urnas eletrônicas.  O mesmo acontece com aqueles que hoje afirmam que votarão em branco ou pretendem anular o voto.

A partir do início da campanha na televisão e no rádio esses índices têm tendência declinante. É natural, sobretudo porque os debates na televisão ainda não se realizaram e o interesse pelos confrontos é alto. Assim não fosse o programa da Globonews não estaria atraindo o número de pessoas que acompanham as promessas dos principais candidatos e fazem comentários a respeito dos respectivos desempenhos.

CONSERVADORISMO – Ontem, sexta-feira, várias pessoas que falaram comigo disseram estar interessadas no programa com Bolsonaro. Inclusive porque Bolsonaro representa o conservadorismo mais extremado, principalmente nas questões referentes a segurança e suas ideias no campo econômico. Aliás, ele já afirmou por diversas vezes que os temas econômicos serão equacionados pelo ex-banqueiro Paulo Guedes, presumindo-se que ele seja nomeado ministro da Fazenda na hipótese de vitória final nas urnas.

Não importa no momento formular hipóteses sobre sua candidatura, no sentido de vitória ou derrota, mas sim pensar-se no que poderia ser sua administração à frente do país. O radicalismo de Bolsonaro formando um ângulo reto na geometria política, assusta a maior parcela do eleitorado e também preocupa os grandes empresários que temem pelo seu comportamento.

ROMPANTES DE CIRO – O empresariado teme também, por outro lado, os rompantes de Ciro Gomes e sua dificuldade em formar alianças. O caso do PSB é um exemplo. O Palácio do Planalto conseguiu distanciá-lo de Ciro, isolando-o na margem da correnteza eleitoral.

O PSB terminou aproximando-se do PT, e a Ciro Gomes restou a aliança consigo mesmo. Aliás, o isolamento de Ciro teve a participação do ex-presidente Lula, por considerar que a hipótese do apoio do PT significaria a superação definitiva de sua liderança no Partido dos Trabalhadores. Lula, nessa altura dos acontecimentos, ainda não chegou à realidade amplamente provável dos fatos. Ele não poderá ser candidato, entretanto, não quer ainda indicar ninguém. A perspectiva do PT concorrer com Fernando Haddad, Jaques Wagner ou Gleisi Hoffman, dependerá de sua decisão final e pessoal como comandante de uma nave com destino incerto nos mares revoltos da campanha eleitoral.

MAIS INTERESSE – Mas são pensamentos que voam ao redor das ideias. O fato mais significativo do interesse dos eleitores pela política foi cristalizado pelo êxito da Globonews em promover a série seletiva de entrevistas.

É esperar que os acontecimentos se desdobrem até a eleição, quando então ficarão mais nítidas as disposições que os votos neste ou naquele candidato, ou candidata, vão revelar.

O número de votos brancos e nulos vai diminuir, como já está diminuindo. Caso contrário os programas levados ao ar pela emissora, perfeitamente conduzidos pela jornalista Mirian Leitão, não teriam atingido o grau de interesse que alcançaram.

 Nas redes sociais cada um é editor de si mesmo; daí as verdades e as fake news

Resultado de imagem para redes sociais charges

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

É exatamente isso o que acontece. Todos encontram o campo livre para colocar suas notícias, comentários, observações e interpretações. O volume é imenso, como nós focalizamos ontem neste site. Esta é a diferença entre as redes da internet de um lado, e os jornais e emissoras de televisão de outro.  Nas redes sociais não há editor, todos estão livres para divulgar o que quiserem. Na imprensa, o editor é também responsável pelos textos e imagens que chegarem às suas mãos. Às suas mãos e à sua aceitação para que sejam divulgadas as matérias. Sustento essa diferença com base em meus quase sessenta anos de jornalismo.

Para se ter uma ideia do procedimento fixado para os setores de imprensa, basta dizer que todos os jornais e emissoras de televisão e rádio publicam diariamente apenas 33% (ou menos) das informações que recebem.

TRIAGEM – Não há espaço para publicar ou divulgar 100% das informações. Para fazer a triagem é indispensável ter sensibilidade para o valor de cada matéria. Então, entra em pauta a pesagem de cada reportagem ou artigo que chega a esse degrau, após deixar as mãos da reportagem e chegar às mãos decisivas dos editores. Tanto assim que os veículos assinalam também os nomes dos editores responsáveis.

Assim, portanto, se algum repórter ou redator entregar uma matéria absurda ou falsa, ela não chegará às bancas do dia seguinte e nem resistirão a algumas horas que distanciam os textos e sua projeção pela TV.

Como se constata, qualquer assunto divulgado ao público passará sempre ao julgamento dos editores de setor e também serão enviadas ao conhecimento do redator-chefe. Na Rede Globo, por exemplo, o diretor de jornalismo é Ali Kamel, cujo nome aparece sempre na tela quando chegam ao fim as matérias produzidas pela reportagem.

HÁ DIFERENÇA – Constata-se também a diferença essencial entre o livre acesso às redes sociais e o acesso que resulta do exame pelas chefias. Com a internet, que representa um avanço extraordinário na comunicação, o comportamento idêntico não se verifica. Basta alguém munido de um computador ou um smartphone para se tornar um autor do amanhã e um editor que é ele mesmo.

Por falar em editor e também em matéria de comunicação em geral, enquanto os órgãos de imprensa possuem jornalista na direção, o mesmo não ocorre no serviço público em geral, incluindo as empresas estatais. É uma pena. Porque, enquanto para dirigir o setor de engenharia, é claro, exige-se um engenheiro, como da mesma forma para comandar o setor médico exige-se um profissional habilitado, ocorrendo o mesmo nos departamentos jurídicos, a chefia tem que ser entregue a um advogado.

PROFISSIONALIZAÇÃO – Nas áreas de comunicação e marketing, porém, não se exige que para o comando tenha que haver um jornalista ou profissional de marketing. Qualquer um, assim, pode dormir com sua profissão e amanhecer na chefia de um departamento de comunicação social. O que acontece é que por essa distorção a comunicação do serviço público e das estatais termina em muitos casos não funcionando. Esses titulares são incapazes de estabelecer a diferença entre informação e publicidade comercial. E acabam cometendo omissões e erros em série e de grande proporção.

Há uma explicação para isso: é mais cômodo garantir a divulgação por esse meio e não levar em conta que a qualidade das informações lançadas na imprensa não é paga e sua divulgação depende inteiramente da qualidade e oportunidade das matérias.

Para finalizar um outro aspecto: os contratos de publicidade geram recursos para os intermediários. Esta é a diferença.

Uma ideia para O Globo: abrir espaço para revelar as principais “fake news”

Resultado de imagem para fake news charges

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Diante do volume enorme e postagens na internet em relação às eleições presidenciais, desejo transmitir uma ideia ao jornal O Globo e também a todas as empresas que compõem o universo do grupo familiar. A ideia é a seguinte: O jornal O Globo publicar semanalmente as principais notícias e comentários falsos detectados pela equipe tanto do jornal quanto da rede, quanto na Globonews.

Isso porque o grupo publicou com destaque relativo à importância do tema seu projeto de combater as fake news e informar, na medida do possível os autores as falsificações e distorções que navegam na rede eletrônica. Será uma decorrência lógica da batalha a qual a empresa se propõe a conter nos limites possíveis.

FAKES EM PROFUSÃO – Digo limites possíveis porque no trimestre de abril a junho, referentes à sucessão presidencial foram postadas 131 milhões de mensagens, das quais apenas 53 milhões tinham origem e fim definidos. Ou seja, matérias que se presume do conhecimento prévio dos candidatos. Porém, foram inseridas no universo das redes sociais 77 milhões de mensagens de autores, em sua maioria, desconhecidos pelos que disputam o Palácio do Planalto.

Fiquemos nesses 77 milhões. Uma pesquisa será gigantesca e não encontrará de modo algum espaço para ser transformada da descoberta à sua publicação. Por mais que o computador tenha profundidade e agilidade, tal levantamento exigirá tempo e como disse, há pouco espaço no qual a execução do trabalho ganhará o domínio público.

Por isso minha sugestão é que o jornal destaque as principais fake news e revele sua existência, o que dará margem à revelação pública.

Acrescento à ideia o caminho de uma página semanal para essa divulgação que, ao mesmo tempo seria a confirmação do trabalho e o empenho em desmentir as fantasias. Por que digo jornal O Globo? Porque um trabalho tão longo cabe numa folha impressa, mas não poderá ser citada na televisão. A amostragem focalizando os principais atentados contra a verdade tornará possível tal pesquisa. Claro, porque se as falsificações forem por exemplo, 10 milhões não há como divulgar todas elas.

Seria preciso uma enciclopédia do porte daquela que Antonio Houaiss produziu para a Delta Larrousse.

###
TRABALHO INFORMAL, MAIOR INIMIGO DO INSS E DO FGTS

Reportagem de Arícia Martins e Hugo Passarelli, edição de ontem do Valor, destaca o resultado de pesquisa do IBGE informando que 40% dos empregos ocupados referem-se a trabalhadores informais. Portanto, seus empregadores não contribuem para o INSS e para o FGTS. Tampouco, preocupam-se com os depósitos no PIS. Eis aí o maior adversário da receita da Previdência Social. Ainda que empregados informais também possam contribuir para o INSS, a modalidade de seus contratos passa ao largo dos 20% sobre a folha salarial.

O problema não tem solução.  Mas fica aqui assinalada uma realidade quase impossível de reverter. Inclusive, na hora da aposentadoria, os informais vão ter direitos limitados às contribuições que fizeram. Esqueça-se a parte dos empregadores.

E no meio rural, então, o quadro é ainda pior.

Elevar impostos, reduzir gastos ou cobrar as dívidas imensas dos empresas?

Resultado de imagem para divida publica charges

Charge do Kaiser (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A pergunta tem sua razão de ser, pois os presidenciáveis não estão focalizando pontos concretos sobre os quais seus programas de governo devem se basear. Reportagem de Antonio Nucifora, na Folha, analisa o panorama das contas públicas e conclui que em seus programas os presidenciáveis precisam definir suas estratégias para seguir o caminho de aumentar tributos ou de reduzir os gastos. A redução de despesas termina sempre recaindo no número de empregos e tal operação logo em seguida vai elevar o desemprego e consequentemente diminuir o consumo.

Coloco uma terceira opção, a mais cristã e também democrática: por que não combater a sonegação de empresas e cobrar mesmo que parcialmente suas dívidas acumuladas? A corda como diz o velho ditado, arrebenta sempre do lado mais fraco. E se o equilíbrio das contas públicas dependesse da mão de tigre do mercado não haveria solução.

DÍVIDA IMENSA – Cortar salários não chega para enfrentar o impasse sintetizado na dívida interna que, como vimos outro dia, está se elevando a 3,7 trilhões de reais. A perspectiva, inclusive, é que aumente ainda mais, uma vez que o governo está capitalizando juros à base da colocação de mais notas do Tesouro Nacional no mercado. Basta imaginar o montante que resulta da incidência da taxa Selic sobre o total do endividamento.

Como não tem 200 bilhões de reais disponíveis para pagar os juros, o governo substitui o valor dos juros pela alienação de mais papeis. Essa operação derruba o mito do superavit primário. Trata-se de déficit secundário.

Mas as contas, mesmo sem calcular os juros, não vão bem, e daí o déficit financeiro resultante.

###
ALIANÇAS ELEITORAIS E CORRUPÇÃO

Carolina Linhares, em reportagem publicada na Folha de São Paulo de ontem, faz uma análise das alianças eleitorais que estão sendo costuradas à base de acréscimos no horário eleitoral na TV. Não se cogita em convergência de ideias e de sintonias programáticas entre as candidaturas.

O ex-governador Geraldo Alckmin por exemplo, afirmou à repórter que as alianças são criticadas por quem não as conseguiu, querendo com isso apagar as restrições quanto a sintonia de ideias e de rumos na formação do governo que começa em janeiro de 2019.

Quanto ao vice, Alckmin afirmou que revelará o nome no dia 4, na véspera do amanhecer do dia em que o prazo termina. Acentuou, entretanto, que não será um nome do PSDB, tampouco do Estado de São Paulo.

DUAS MATÉRIAS – Temos, assim, duas matérias de importância destacadas pela Folha de São Paulo: a primeira, relativa aos gastos públicos; a segunda, referente às alianças para a campanha eleitoral. Como se vê, está faltando afinidade entre os candidatos a presidente e vice. Sinal dos tempos.

Depois do dilúvio da corrupção que fez desabar a administração pública, os candidatos não estão enfrentando o desafio maior, que somente poderá ser atingido por uma carga muito forte de eficiência.

Esta matéria começou com uma pergunta. Termina com outra: até agora nenhum candidato abordou o tema corrupção?

Grupo Globo vai pesquisar “fake news” em 133 milhões de postagens

Resultado de imagem para fake news charges

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

O grupo Globo – formado pelo jornal, TV, rádio e Globonews, além do Extra e do Valor, da rádio CBN e da revista Época – anunciou ontem com grande destaque a tarefa de detectar fake news nas redes sociais do universo eletrônico. Sem dúvida é uma ótima iniciativa em favor do processo de informação em geral, pois, investigando os temas, lançará nas suas edições os maiores exemplos de notícias falsas e também comentários desconexos. Presume-se, é claro, que o grupo Globo vai expor as falsificações encontradas e comunicá-las ao público em geral. O universo da internet é enorme.

Somente na parte que se refere à política nos últimos três meses, de acordo com reportagem de Luis Fernando Toledo, Cecília do Lago, Kaype Abreu e Guilherme Sette, em O Estado de São Paulo, nos últimos três meses registraram-se 131 milhões de mensagens postadas na rede eletrônica.

FORA DO CONTROLE – São 53,2 milhões através de espaços nominais e 77,8 milhões de matérias colocadas aparentemente fora do controle das páginas identificadas. Esse montante refere-se apenas às mensagens políticas.

São chamadas de “páginas satélites”, que são colocadas independentemente dos perfis sociais de que são alvo os titulares da autoria assumida. Pelo volume do universo em que se localizam tais matérias, a tarefa do grupo O Globo será das mais difíceis.

O recordista no que se refere a postagens é o ex-presidente Lula. Sua página oficial reúne 3,5 milhões de seguidores. Sua página lançada sem seu conhecimento engloba 27,1 milhões de postagens. Saindo de Lula e passando-se aos candidatos à sucessão presidencial, Jair Bolsonaro postou 5,3 milhões de mensagens e foram postadas dirigidas ao candidato 14,1 milhões comunicações. Bolsonaro possui 83 páginas na internet.

OUTROS CANDIDATOS – Marina Silva postou 2,3 milhões de mensagens e houve 1 milhão e 500 mil comunicações sobre ela nos satélites. Ciro Gomes aparece com 1 milhão e 800 mil postagens feitas diretamente por seu grupo, e 12,8 milhões matérias colocadas destinadas a ele.

Por incrível que pareça Geraldo Alckmin não tem grande número de mensagens. O total em relação a ele, segundo a reportagem ultrapassa apenas a 10.000. Portanto fica assinalado, até esse momento seu desinteresse pelas páginas eletrônicas.

São estes os candidatos mais citados através das redes. Há casos, como o de Bolsonaro, em que seus adeptos quadruplicaram sua relevância na rede da internet.  Verifica-se assim o fato de tanto Lula quanto Bolsonaro figurarem com mais destaque nas redes sociais. São equipes trabalhando e procurando com intensidade destacar seu nome na disputa presidencial.

ANTICANDIDATO – Acentue-se que o ex-presidente Lula não será candidato às urnas de outubro. Entretanto, pode se admitir que seus adeptos estejam em franca atividade apesar do obstáculo.

Uma coincidência. Os candidatos mais citados são também aqueles que lideram as pesquisas do Datafolha e do Ibope.

A pesquisa do Estado de São Paulo foi feita pela Big Data- Estadão, de propriedade do mesmo jornal.

Já podemos começar, talvez hoje, a sentir os efeitos da pesquisa do grupo Globo, uma vez que todos os dias são lançadas milhões de mensagens.

Candidatos prometem, mas não explicam como vão executar seus programas

Resultado de imagem para CANDIDATOS CHARGES

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

Reportagem de Miguel Caballero e Renata Mariz, edição de ontem de O Globo, destaca a indefinição do eleitorado, principalmente das eleitoras, em relação às eleições presidenciais de outubro. Essa indefinição, acredito, decorre da falta de transparência nos projetos que dizem pretender executar. É uma pena, porque tal situação desloca a intenção de voto em torno de um alvo indefinido. O desapontamento é maior entre as mulheres. Mas é preciso levar em conta que as mulheres representam 52% do eleitorado e os homens, portanto, 48%.

Tenho a impressão que a sensação de apatia vai diminuir a partir do momento em que começar o horário eleitoral na televisão e no rádio. Esta visão, aliás, é da professora Fátima Pacheco Jordão, especialista em comunicação política.

31 DE AGOSTO – Vamos conferir a partir de 31 de agosto, quando poderemos principalmente confrontar a influência das redes sociais e das emissoras de rádio e tv. Até o momento as redes sociais não influíram para animar os eleitores. Vamos ver se a partir de setembro, por exemplo, esse comportamento se modifica. É próprio da campanha política acentuar a mudança no decorrer dos dias na medida em que se aproxima o desfecho nas urnas.

De qualquer forma, os eleitores têm razão na sua frieza. Afinal de contas, um mar de corrupção afundou o país e o povo. Como alguém poderia pensar o contrário numa fase de total descrédito do poder e dos políticos. Um exemplo: Valdemar Costa Neto, voz maior do PR, foi quem decidiu o apoio da legenda a Geraldo Alckmin. Enquanto isso, Roberto Jeferson, do PTB, foi responsável pelo compartilhamento da legenda também com Geraldo Alckmin. São dois nomes marcados pela corrupção.

SEM VICES – Uma prova capaz de explicar o desânimo encontra-se na dificuldade de escolha dos candidatos a vice-presidente. Nenhum vice foi escolhido ainda pelos quatro candidatos com mais possibilidades de vencer: Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes e Alckmin. Fica nítida a dificuldade tanto dos que querem ser eleitos quanto de todos nós eleitores.

Se os candidatos tivessem programas específicos, poder-se-ia dizer que o eleitorado está mais apático do que os candidatos. Entretanto, são os próprios candidatos que fornecem a prova do contrário. Se eles até agora não conseguiram completar suas chapas, como esperar que os votantes tenham se definido a uma distância de pouco mais de dois meses das urnas.  Os candidatos, pelo contrário, preocupam-se em negociar apoios em troca de tempo na televisão. Assim esquecem como viabilizar as propostas que vão emoldurar suas campanhas.

EXPLICAÇÕES – É necessário que os candidatos consigam explicar quanto e como pretendem mudar a face do governo do país. Vejam só: falar que vão resolver os problemas da saúde, da segurança, dos transportes, da educação, isto é algo comum no pensamento do eleitorado. Principalmente as mulheres, que se preocupam mais com a saúde de que com qualquer outro tema.

Mas não é esta a questão. A dúvida essencial é como os candidatos vão obter recursos capazes de realizar suas metas. Trata-se de uma explicação indispensável, porque, caso contrário, as palavras o vento leva, e tal perspectiva se repete de um pleito para outro.

TEMAS CRÍTICOS – Todos os postulantes abordam sempre os temas críticos, mas não tocando na forma de enfrentá-los, as promessas caem no vazio. Daí a reação das eleitoras e eleitores, principalmente das mulheres. Está se verificando, de outro lado, um sentimento de frustração que se renova a cada quatro anos. Até aqui, 30 anos depois da redemocratização, o panorama de angústia das classes de menor renda não foi coberto pelos projetos dos governantes.

Citei 30 anos porque houve eleições livres em 89. A pobreza não diminuiu, e os problemas coletivos, entre eles o desemprego, que afetou também a classe média, não foram solucionados e nem os governos passaram ao povo uma ideia de que caminhariam para uma evolução concreta no campo econômico social.

Daí porque o desânimo tomou conta de grande parte do eleitorado. Entretanto, tenho a impressão de que depois da televisão o clima vai mudar. Esperemos que pelo menos desta vez os programas políticos não sejam apenas promessas.

Em outubro, quase 2 milhões de jovens irão às urnas votar pela primeira vez

Resultado de imagem para eleitor jovem charge

Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Marina Merlo e Sarah Mota Rezende, edição de ontem da Folha de São Paulo, revela um dado muito importante capaz de influir nas eleições de outubro para a presidência da República. Levantamento que acaba de ser realizado pela Justiça Eleitoral revela que 1 milhão e novecentos mil jovens, entre 16 e 18 anos de idade, inscreveram-se para votar nas urnas de outubro. Esse contingente supera o ingresso no universo do voto nas eleições anteriores. 

As inscrições em 2006 alcançaram um nível mais alto do que nos períodos que antecederam. Mas este ano a marca de 2006 foi batida em 2018. O fato é importante e pode influir para tornar menor a abstenção.

VOTO OBRIGATÓRIO -O crescimento, na verdade, registra-se entre os que têm 16 e 17 anos, isso porque o voto torna-se obrigatório a partir de 18 anos de idade. Assim, os quase dois milhões de jovens se inscreveram espontaneamente. Talvez, digo eu, pelo temor de uma candidatura radical chegar ao segundo turno.

O primeiro turno é a 7 de outubro, os dois mais votados vão para a final, marcada para o dia 28 de outubro. É possível que o índice de abstenção seja reduzido este ano em face do ingresso dessa parcela expressiva do eleitorado jovem. Aliás, por falar em abstenção, registre-se o seguinte: quanto mais a eleição se distanciar do último recadastramento, a abstenção pode ser notada. Mas não é só uma questão de ausência por iniciativa própria, mas sim em função de alguns fatores.

MORTALIDADE – Um dos fatores é a taxa de mortalidade, que no Brasil oscila em torno de 0,7% a/a. Grande parte das famílias não procura a Justiça Eleitoral para dar baixa nos títulos. Outro fator é que existe uma parcela de pessoas que completam 70 anos e que, portanto, não são obrigadas a votar. A soma desses fatores pode assinalar uma abstenção que na verdade não significa somente um desprezo pela política e pelo voto.

O desprezo pela política e pelo voto existe e reflete uma disposição que aumenta com o passar do tempo, principalmente nos últimos seis anos. Fatos não faltam para justificar esse sentimento. A corrupção, as manobras políticas tradicionais, a baixa qualificação dos governantes e parlamentares, tudo isso desagua num mar de amargura e decepção. Vamos ver o que acontecerá nas urnas de outubro.

###
BOLSONARO E MARINA LIDERAM PESQUISA NA VEJA

A revista Veja que se encontra nas bancas publicou reportagem de Ana Clara Costa, destacando pesquisa realizada pela Ideia Big Data que confirma as mesmas tendências anteriormente detectadas pelo Ibope e pelo Datafolha. O levantamento divide-se em dois seguimentos essenciais: um com a presença do ex-presidente Lula, outro sem ele.

No primeiro caso hipotético, Lula aparece com 29%, Bolsonaro 14 pontos, Marina Silva com 10 pontos seguida por Ciro Gomes e Geraldo Alckmin, ambos com 7%. Os demais candidatos aparecem com índices insignificantes. Exceção de Álvaro Dias cuja candidatura atinge 4 pontos.

No cenário sem Lula Bolsonaro lidera com 18, Marina com 11, Ciro Gomes confirma os 7%, um ponto acima de Geraldo Alckmin.

TRANSFERÊNCIA – A pesquisa do Ideia Big Data colocou um ítem importante. O apoio do ex-presidente Lula a qualquer candidatura, incluindo a do PT seu próprio partido, transfere 9% dos eleitores e eleitoras. Essa pergunta é muito importante e revela que concretamente Lula tem um limite de transferência de votos da ordem de 30% daqueles que se afirmam serem seus eleitores. Ele, sozinho tem 29, quase 30 portanto, mas sua capacidade de transformar em votos sua escolha está limitada hoje a 1/3 de seus apoiadores.

Como se verifica, as tendências que vêm surgindo de alguns meses para cá mantem-se numa faixa na qual navegam os quatro candidatos com possibilidade de chegarem ao segundo turno.

No segundo turno o panorama permanece indefinido.