É hora de discutir a relação para saber: Afinal, homem presta ou não?

Eduardo Aquino
O Tempo

Aquela velha máxima que não quer se calar: será que homem não presta? Posto isso, algo tão ouvido por aí, é de se estranhar que as meninas queiram tanto um para chamar de seu. Vá entender… A bem da verdade, quem deveria explicar essa incoerência são as feministas e femininas em geral. Adoro ambas. Pois, após longos anos de observação, tendo a achar os meninos extremamente simples. Quase banais e beirando puerilidade quando alcoolizados.

O problema é que as meninas querem entendê-los usando como modelo, o jeito mulher de ser. Pronto, aí complica tudo! Homem não menstrua, não tem TPM, não gera, não pare, nem amamenta. Simples assim. Não faz as unhas, não gasta horas com cabelo, maquiagem ou observando criticamente outra mulher. Não carrega nas costas um fardo de culpas que começa na administração do lar, educação de filhos, sexos sem desejo e pressão no trabalho.

E TEM MAIS – Ah! Ia me esquecendo: cuidar de pais, avós e netos. E se manter atraente, mesmo com o fogaréu da menopausa, estrias e celulite.

Mas falávamos dos homens não é mesmo? Aliás, onde estão agora? No bar com amigos, na pelada que não acaba, na sauna com conversa tão fiada que ninguém dá crédito. Mau humorado quando o time perde, um bando de botões quando ganha. E falando do rabo de saia alheio, quando na verdade mal da conta da própria cama.

Homem presta: atenção na TV, na piada na rede, nas musas inspiradoras, e nos carro, lógico! No filho, às vezes, poder aparecer sempre. Mas homem, homem mesmo, observa, respeita e aprende com a nova mulher. Recicla, evolui e partilha. Escuta, pois é da mulher ser verbal. Respeita, pois é feminino inovação ser de fases. Divide, pois filho é sempre resultado da soma multiplicada pelos dois.

AÇÃO CONJUNTA – Casa é o abrigo de uma família e trabalho o conjunto de esforço dos que vão a caça. Enfim, minhas meninas, há préstimos e um conjunto de valores que nós, antigos e acomodados patriarcas, precisamos aprender com vocês, nestes novos tempos inexoravelmente femininos, para criarmos uma convivência mais harmônica e justa.

Nos ensinem. Queremos sim, discutir a relação. Só não sabemos como.

A incerteza continua e a candidatura de Lula dependerá da caneta de um só juiz

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Charge do Mariano (Charge Online)

Bernardo Mello Franco
Folha

Há muita torcida e pouca clareza sobre o que vai acontecer com a candidatura de Lula em 2018. A pressa do Tribunal Regional Federal da 4ª Região não elimina a incerteza do cenário eleitoral. A pendenga jurídica será longa, mesmo que o recurso do ex-presidente seja negado até o fim de janeiro.

Em tese, uma condenação em segunda instância impediria Lula de disputar a eleição. O petista precisaria encontrar um aliado capaz de substituí-lo na liderança das pesquisas. Como esta pessoa parece não existir, seus votos se espalhariam entre diversos candidatos.

Há vários pretendentes fora do PT, dos veteranos Ciro Gomes e Marina Silva aos novatos Manuela d’Ávila e Guilherme Boulos. A fragmentação da esquerda mudaria o eixo da disputa, com a possibilidade inédita de dois candidatos do campo conservador irem ao segundo turno.

O problema é que Lula não parece disposto a jogar a toalha. Este foi o recado da presidente do PT ao dizer que “o jogo não acaba” em 24 de janeiro, data do julgamento no TRF-4. Mesmo que o ex-presidente seja condenado, a lei não o impede de registrar a candidatura em agosto.

A palavra final caberá aos tribunais superiores e tende a sair às vésperas da eleição – ou até depois, a depender do acaso. Uma simples liminar do Supremo pode resolver a questão contra ou a favor de Lula. Isso depositaria o futuro da eleição na caneta de um único juiz, o que não parece saudável para a democracia.

Quem torce contra o ex-presidente contestou as críticas ao TRF-4 com um argumento razoável: ninguém pode ser favorável à lentidão da Justiça. Tudo bem, mas seria preciso cobrar que o tempo corresse igual para todos. O pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, também foi delatado pela Odebrecht. Seu caso ficou sete meses na gaveta e só agora começa a andar no Superior Tribunal de Justiça, e sob sigilo. Pouca gente se lembrou disso ao festejar a celeridade incomum do processo de Lula.

PT segue Dirceu e incita a militância à “rebeldia” e à “desobediência civil”

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Gleisi conclama militantes e aliados do PT

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

O Diretório Nacional do PT aprovou ontem uma resolução política na qual reafirma a defesa da pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diz que a eventualidade de o petista ser barrado pela Justiça pode levar à “rebeldia popular” e alerta para o risco de “desobediência civil” diante de suposta “arbitrariedade” do Judiciário.

A decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) de marcar para o dia 24 de janeiro o julgamento que pode tornar Lula inelegível – chamado de “casuísmo” no documento – dominou os dois dias de reunião da cúpula petista realizada em São Paulo

MOBILIZAÇÃO – Na resolução, o PT chama seus militantes à mobilização. A transformação dos diretórios municipais do partido em Comitês em Defesa da Democracia e de Lula foi anunciada anteontem, com a criação de uma comissão de mobilização e um calendário de manifestações.

Os atos públicos começam na terça-feira, com uma aula aberta de advogados na frente do TRF-4, em Porto Alegre, e prevê grandes atos em São Paulo e na capital gaúcha. O PT conclama ainda sua militância a enfrentar a “agressividade da extrema direita”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O PT pode “mobilizar” à vontade, desde que os atos sejam dentro da lei. Seguir a orientação de José Dirceu, conclamando os militantes à “rebeldia” e à “desobediência civil”, não é uma boa política, porque as autoridades terão de preservar a ordem pública. Como dizem hoje em dia, é aí que mora o perigo. (C.N.)

Vinte deputados do PSB defendem candidatura de Joaquim Barbosa em 2018

Danilo Cabral diz que Barbosa está animado

Aline Moura
Estado de Minas

Enquanto parte do PSB se movimenta para se reaproximar do PT e ter Luiz Inácio Lula da Silva como candidato ao Palácio do Planalto, o deputado federal Danilo Cabral (PSB) vai um pouco na contramão. Danilo sabe que a principal base eleitoral dele – o município de Surubim, no Agreste estadual – é simpatizante da candidatura de Lula. Na verdade, aliás, ele também admira o ex-presidente, que mantém a popularidade mesmo enfrentando tantos processos na Justiça. No entanto, para o parlamentar, a melhor forma de manter a unidade do PSB no país inteiro – de Norte a Sul – é a legenda ter um candidato próprio à presidência.

De acordo com Danilo, o PSB pode ter 11 candidatos a governador, quatro no Nordeste, três no Norte, três no Sudeste e um no Centro-Oeste. Mas ele frisa, por exemplo, que a melhor forma de unir o discurso é convencer o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa a disputar o mandato presidencial pela sigla socialista.

REJEIÇÃO A LULA – Nem todos os candidatos da legenda querem subir no palanque de Lula. Em São Paulo, o pré-candidato do PSB é Márcio França, que vai assumir o lugar do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Em Pernambuco, por outro lado, o postulante é Paulo Câmara, candidato à reeleição. França teria dificuldade de defender um palanque de Lula, tendo sido vice-governador de Alckmin por quase oito anos, enquanto Paulo Câmara tem em seu governo o PMDB e enquanto o próprio PSB está se recompondo de uma divisão interna, depois de perder lideranças como o senador Fernando Bezerra e o ministro Fernando Filho (sem partido).

“O caminho que preserva a unidade do PSB, sem estresse, é a candidatura própria. O PSB está recompondo a unidade agora, depois da morte de Eduardo Campos, e não dá para fazer um movimento para dividir o partido”, defendeu o parlamentar.

BARBOSA ANIMADO – Danilo afirmou que, dos 27 deputados federais da legenda, 20 já ensaiaram um movimento para trazer o ex-ministro Joaquim Barbosa para seus quadros. Ele disse que o ex-ministro está pensando no assunto e não descarta alianças políticas com a Rede, por exemplo, mas rejeita a possibilidade de ser vice.

“Ele está animado com a candidatura (de presidente). Já tivemos duas conversas com ele, inclusive Carlos Siqueira (presidente nacional do PSB) participou de uma delas. Mas, como ele está fora do jogo da política, ele precisa se sentir acolhido”, analisou Danilo.

Petistas e aliados continuam achando que Lula está acima da lei e da ordem

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Apesar de todos os crimes, Lula ainda é endeusado

Francisco Bendl

Lula e sua quadrilha, agora capitaneada pela senadora Gleisi Hoffmann, jamais obedecerão às leis desse país. O bando de ladrões petistas entende que está acima do que rezam a Constituição e as normas eleitorais, e que podem desobedecê-las como e quando quiser. Esta decisão de Lula seguir como candidato tanto é uma afronta à República quanto um desafio à Justiça.

Lula pode ser o responsável por confrontos entre brasileiros, indiscutivelmente. E se essa possibilidade acontecer, Lula e seus bandidos deverão ser punidos de uma vez por todas, de modo que nunca mais surja qualquer chance de pretenderem de volta o poder.

DISTORÇÕES – Existem situações que não compreendo porque minha mente não alcança seus significados; outras, eu as aceito porque a liberdade individual deve ser acatada sem discussão.

Lula ser enaltecido neste blog, sem problemas, cada um faz o que lhe dá na telha, porém bater pé de que se trata do único candidato para nos tirar desta crise é um atentado à inteligência alheia, haja vista ter sido a quadrilha petista a responsável por esta situação que vivemos, de desemprego, inadimplência, um país estagnado e falido ética e moralmente, além da violência exacerbada, que aniquila com policiais e mais de sessenta mil pessoas a cada ano por culpa de uma política que despreza o cidadão brasileiro.

INCENTIVO AO CRIME – Digo mais: enaltecer Lula não é somente uma agressão ao bom senso, mas também incentivo ao crime, à impunidade, à safadeza. O trabalho desta gente contratada pelo PT – ou até mesmo agindo por conta própria na defesa de um escroque como Lula – deveria ser analisado pela polícia, em face da agitação que faz nas redes sociais e colocando o povo contra o próprio povo, enquanto o ladrão teima em ser candidato porque pessoas desclassificadas o animam para a disputa eleitoral.

Ora, mas não há diferença se eu diariamente escrevesse comentários e em profusão, querendo que Fernandinho Beira-Mar ou fosse solto ou que a sua prisão é injusta ou, então, que o assassino Elias Maluco, cuja crueldade é indescritível, o desgraçado que queimou vivo o Tim Lopes, eu iniciasse um movimento pela sua liberdade, alegando que ele tem direito a “uma segunda chance”.

COMPARAÇÃO – Não muda nada a defesa do  corrupto do Lula com relação a esses dois criminosos bárbaro. Se colocássemos em uma balança os crimes de cada um, Lula seria de muito maior periculosidade do que os dois que se encontram presos, porque os recursos desviados pela quadrilha política  afetaram os serviços essenciais à população, milhares de pessoas morreram por falta de assistência e de medicamentos.

Inaceitável tem sido Lula estar livre e fazendo campanha para ser presidente, além de seus seguidores, nos blogs, estarem contrariando também as leis e incentivando um criminoso, fato que caracteriza este país como bizarro, uma nação que atenta contra os mais comezinhos princípios morais e éticos, e quer ainda se desenvolver. Na verdade estamos sendo o país da patifaria e onde o crime compensa!

Com extras, 71% dos juízes continuam recebendo acima do teto de R$ 33,7 mil

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Charge do Lane (chargesdolane.blogspot.com)

Marlen Couto
O Globo

Folhas de pagamento entregues este mês ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por tribunais de todo o país mostram que, ao menos nas cortes estaduais, receber remunerações superiores ao teto constitucional é regra, não exceção. Levantamento do Núcleo de Dados do Globo, com base nas informações salariais divulgadas pela primeira vez pelo CNJ, aponta que, nos últimos meses, 71,4% dos magistrados dos Tribunais de Justiça (TJs) dos 26 estados e do Distrito Federal somaram rendimentos superiores aos R$ 33.763 pagos aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — valor estabelecido como máximo pela Constituição.

Dos mais de 16 mil juízes e desembargadores dos TJs, 11,6 mil ultrapassaram o teto. A remuneração média desse grupo de magistrados foi de R$ 42,5 mil. Nessa conta, auxílios, gratificações e pagamentos retroativos têm peso significativo e chegam a representar um terço do rendimento mensal — cálculo que só pôde ser feito a partir da exigência do CNJ de receber as folhas completas num único padrão.

DENTRO DA LEI – No levantamento, O Globo desconsiderou os benefícios a que todos os servidores dos Três Poderes têm direito: férias, abono permanência e 13º salário. Em alguns estados, foi usada como referência a folha de novembro; em outros, a de outubro ou setembro, dependendo da que foi divulgada.

Não é possível, no entanto, afirmar que os pagamentos são irregulares e ferem a lei. A Constituição define como teto os salários dos ministros do STF, mas abre margem para exceções ao retirar “parcelas de caráter indenizatório previstas em lei” do cálculo.

Os tribunais argumentam que determinados auxílios, como moradia e alimentação, e os chamados direitos eventuais, entre os quais as gratificações por exercício cumulativo e os pagamentos retroativos, não são considerados na conta do teto constitucional. Os órgãos afirmam seguir as resoluções do CNJ, que fiscaliza o Judiciário e especifica quais auxílios devem ficar de fora do limite.

SEM ANÁLISE – Procurado, o CNJ declarou que, no momento, apenas recebe os dados e os divulga, sem análise. Ainda que o órgão tenha ampliado a transparência dos salários no Judiciário, a maioria das planilhas divulgadas na página do conselho na internet estava bloqueada, recurso que impede o cruzamento dos dados. Para fazer o levantamento, O Globo precisou remover a proteção das planilhas. O CNJ argumentou que os dados foram fechados por “segurança”.

Os dados mostram que, em alguns estados, a proporção de remunerações acima do teto foi ainda maior. Ao todo, 14 tribunais tiveram percentuais de magistrados com rendimentos extrateto maiores do que a média nacional. No Amapá, apenas um dos 97 magistrados não ultrapassou o limite fixado pela Constituição. Em Minas Gerais, Piauí, Amazonas e Maranhão, 90% dos juízes e desembargadores também tiveram rendimentos superiores ao teto. Os menores percentuais foram encontrados nos TJs do Espírito Santo (23%), do Mato Grosso (34%) e da Bahia (45%).

RECORDISTAS – O Tribunal de Justiça de Rondônia registrou o maior rendimento médio do país. Lá, a remuneração ficou em R$ 68,8 mil em novembro. No estado, as indenizações — compostas por auxílios- moradia, alimentação, saúde e pagamentos retroativos desses benefícios — corresponderam, em média, a mais da metade do rendimento de juízes e desembargadores no mês passado. Ao todo, nove tribunais tiveram média salarial mais alta que a nacional. Nos tribunais do Mato Grosso do Sul e do Acre, ultrapassaram os R$ 50 mil.

Outro seleto grupo de magistrados chama atenção. São 52 juízes e desembargadores que somaram remunerações que ultrapassaram R$ 100 mil em um único mês. Uma juíza do Paraná, por exemplo, teve rendimento de R$ 235 mil em novembro. Trata-se do maior vencimento registrado em todo o país. Na lista, estão ainda 38 magistrados do Tribunal de Justiça de Rondônia.

PENDURICALHOS – Nem mesmo o fator de redução salarial, criado para impedir que juízes e desembargadores furem o teto, consegue cumprir o seu objetivo. Apenas 2% de todos os magistrados do país sofreram algum tipo de corte nos rendimentos por causa do limite imposto pela Constituição. A explicação é, de novo, que uma série de “penduricalhos” acaba excluída do cálculo do teto.

Procurados, os tribunais do Amapá, Amazonas, Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Rondônia, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Piauí, Paraná, Roraima, São Paulo, Sergipe, Santa Catarina e Tocantins ressaltaram que respeitam o teto constitucional.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A culpa desta farra judiciária com recursos públicos é do Supremo, que validou esses penduricalhos, todos eles inconstitucionais. E tudo começou quando o STF criou a gratificação para ministros que trabalhem para o TSE, esta jabuticaba eleitoral brasileira. O Supremo tem uma visão de “direito adquirido” que nada tem de republicana. O país precisa ser passado a limpo, mas ninguém se interessa. (C.N.)

Bolha e careta, “Branca da Neve” hoje é uma figura politicamente incorreta

Reprodução do filme de Walt Disney

Ruy Castro
Folha

“Branca de Neve e os Sete Anões”, o filme de Walt Disney, completa 80 anos e, pela primeira vez desde a estreia, em 1937, enfrenta uma saraivada de críticas à sua concepção – hoje considerada machista, degradante para a mulher e imprópria para menininhas que, no futuro, serão molestadas por tarados montados em cavalos brancos.

E só porque, depois de tapeada por sua madrasta, a Rainha – que, transformada numa bruxa, deu-lhe a comer uma maçã envenenada –, Branca de Neve repousa lindamente morta num caixão de vidro até ser ressuscitada por um príncipe que, não se sabe como, sentiu-se no direito de beijá-la na boca. De fato, a ideia da donzela expectante, à espera do príncipe encantado, é um insulto à mulher moderna e dona de seu nariz.

ERA UMA PATETA – Bem, quero dizer que concordo com tudo isso e que desde tenra infância achei Branca de Neve uma pateta. Minha favorita sempre foi a Rainha e, toda vez que assisti ao filme, torci para que ela quebrasse aquele espelho míope que ousava desqualificar sua beleza.

Há uma história com tintas de lenda sobre a produção de “Branca de Neve” que poderia tornar a personagem, digamos, mais “moderna”. A menina em quem Disney teria se baseado para criar o rosto de Branca de Neve seria uma garota de sete anos, chamada Annie, que visitava casualmente o estúdio com sua tia, a cantora Ella Logan. Anos depois, essa garota se tornaria a supercantora Annie Ross, cuja carreira no jazz seria do balacobaco.

NA VIDA REAL – Em 1949, Annie, que era branca, namorou o baterista negro Kenny Clarke, um dos inventores do bebop, teve um filho com ele e encarou o preconceito. Depois, ficou dependente de heroína. Por fim, teve um caso com o humorista maldito Lenny Bruce.

Ou seja, se quisesse, Branca de Neve teria a quem puxar e não estaria sendo agora tachada, com razão, de bolha e careta.

Há 18 anos no poder, Putin agora se apresenta como “candidato independente”

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Putin é imbatível, mesmo disputando sem partido

Andrea Rizzi
‘El País’

Na Casa Branca reside um outsider que conquistou a candidatura do Partido Republicano com a mais radical heterodoxia política e logo, com a mesma retórica, alcançou a presidência; no Eliseu, vive uma figura antípoda, mas que também lançou seu projeto de conquista de poder de fora do sistema de partidos tradicional, fundando seu próprio movimento para ele; em Downing Street, trabalha uma política ortodoxa que, no entanto, deve dedicar todos os seus esforços para gerir um incêndio, o Brexit, contra a vontade unânime dos líderes de partidos britânicos (conservadores, trabalhistas, liberal-democratas, verdes e nacionalistas escoceses que defendem a permanência na União Europeia).

Agora, no Kremlin, um lobo antigo com um bom olfato anuncia que, para seguir ali, vai concorrer nas eleições presidenciais do ano que vem como um candidato independente.

QUADRO NA RÚSSIA – Obviamente, o panorama político russo é muito diferente do estadunidense, francês ou britânico. Além das definições abstratas, o grau de pluralismo na Rússia é gravemente inferior, e a manobra de Putin é um giro meramente tático com o qual o líder trata de reforçar sua imagem de pai da pátria. Na Rússia, os partidos contam bem pouco há algum tempo.

Mas a pequena manobra tática de Putin diz muito. Lança uma nova luz sobre a grave crise do sistema partidário de um grande número de países. No México, o PRI, totem da categoria dos partidos, acaba de eleger como candidato um homem com uma trajetória atípica, exógeno em suas fileiras e que foi ministro de um presidente de outra sigla. Na Itália, em outros tempos lugar de partidos formidáveis (e formidavelmente corruptos), é cada vez maior a possibilidade de que depois das eleições na próxima primavera, governe um personagem estranho ao centro mais íntimo dos partidos. A lista poderia seguir.

MUITA DESCONFIANÇA – O índice de confiança dos cidadãos nos partidos está em níveis mínimos. O Eurobarometer da primavera deste ano lançou dados de demolição. Os partidos são a instituição com o menor nível de confiança da cidadania europeia, com míseros 19%. Polícia e Exército têm uma média de 75%, a Justiça, 55%; e até outras instituições políticas têm marcas muito melhores: autoridades locais e regionais, 52%; governos, 35%; parlamentos, 37%.

Não é surpreendente, portanto, que a capacidade dos partidos de atrair os melhores talentos jovens esteja profundamente diminuída.

RISCO SÉRIO – Tudo isso representa um risco sério. Porque, embora os partidos tenham alcançado em muitos locais do Ocidente níveis muito elevados de corrupção, ineptidão, mesquinhez partidária e mediocridade, seu calvário, na ausência de alternativas claras, representa uma lacuna no próprio centro do sistema de representação das democracias liberais. Algo que, na ausência de inventar melhores sistemas, é o que produziu, em termos comparativos, os níveis mais altos de progresso social, econômico e cultural.

A renovação partidária é urgente antes que termine na missa do funeral.

“Não precisamos de candidato com Temer tatuado na testa”, diz Rodrigo Maia

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Rodrigo Maia vai boicotar reeleição de Temer 

Daniel Carvalho e Leandro Colon
Folha

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu, em entrevista à Folha, a construção de um projeto eleitoral envolvendo partidos da base do presidente Michel Temer que tenha como discurso as reformas do governo. “Você não precisa ter um candidato que faça uma tatuagem ‘eu sou Michel Temer’ na testa, você precisa ter um candidato que tenha uma agenda de reformas, porque naturalmente o governo será beneficiado”, afirmou.

Maia diz não ser candidato à Presidência e declara que é “chance zero” a possibilidade de disputar como vice em uma chapa, apesar da especulação de que poderia compor com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Maia citou o nome do prefeito de Salvador, ACM Neto, como presidenciável do DEM, e disse que o PSDB não pode impor o nome do governador Geraldo Alckmin em eventual aliança.

Durante 2017, o sr. foi tachado de aliado e, num certo momento, de que estava querendo derrubar o presidente. O sr. encerra o ano legislativo como aliado ou uma sombra a Temer e ao PMDB?
Sempre disse que não sairia do processo das denúncias [da PGR contra Temer] com a pecha de oportunista. Sendo o primeiro da linha sucessória, não poderia fazer movimento concreto para empurrar o presidente para fora do Palácio.

Na primeira denúncia, o sr. chegou a sentir que havia um risco de o presidente perder.
Sem dúvida, mas nunca me mexi para isso. Ninguém nunca me viu chamar um deputado para falar “vote contra o presidente”. Todo mundo dizia “Rodrigo, pisca o olho”. Não vou piscar. “Você tá louco. Como está perdendo a oportunidade de ser presidente do Brasil?”. Tenho muita vontade de ser presidente do Brasil. Mas pelo voto. Ou pela naturalidade da decisão do plenário.

O sr. falou que tem vontade de ser presidente. O sr. pode ser candidato à Presidência em 2018?
Não. Hoje tenho um reconhecimento, inclusive da oposição, por não ter sido desleal ao presidente. Tenho o reconhecimento por não ter usado a presidência da Câmara como ela foi usada [pelo então presidente Eduardo Cunha, hoje preso] contra a Dilma. Acho que comecei o ano de um tamanho e terminei com este respeito.

E esse aumento de tamanho já não coloca o sr. numa posição de disputar o Planalto?
Não tenho poder eleitoral. Não acho que as pesquisas, nos próximos meses, virão me dando algum poder eleitoral.

Então, qual o seu plano para 2018?
É que a gente possa ter um projeto de poder com essa agenda de modernização do Estado brasileiro, de reformas. Acho que o DEM pode ser protagonista disso junto com mais um ou dois partidos com quem a gente tem boa relação.

Quais? Não é o PMDB?
Não posso dizer. E não é que neste projeto o PMDB esteja excluído. O meu projeto de poder inclui o PMDB. Uma coisa é o projeto de poder eleitoral. Outra coisa é partidário. Quero construir um projeto onde o DEM possa ser o líder desse novo ciclo da política. Aí sim, daqui a um ano, [formar] um novo partido que possa ter um número relevante de governadores, uma representação importante de 15 a 20 senadores e possa voltar a ter no Congresso um partido com 100 deputados.

Ou seja, o DEM se coligaria a mais dois partidos e, quando acabar a eleição, formariam um só?
Formam um partido só que traga para este projeto pessoas que pensem parecido.

Mas vocês precisam de um candidato próprio à Presidência para isso, não?
O Brasil precisa de um candidato que defenda uma agenda de reformas, que naturalmente é convergente com parte do governo de Temer. Você não precisa ter um candidato que faça uma tatuagem “eu sou Michel Temer” na testa, você precisa ter um candidato que tenha uma agenda de reformas, porque naturalmente o governo será beneficiado.

Esse é um discurso parecido com o do Meirelles. Meirelles é esse candidato?
Não sei qual o papel que o PSD vai exercer. A primeira pergunta que ele [Meirelles] precisa responder rapidamente é se tem ou não tem o partido dele [PSD] para organizar a eleição. O partido dele vai até o final com ele ou não?

O sr. é candidato à reeleição a deputado e presidente da Câmara?
Meu projeto é ser candidato a deputado federal e reeleito. Se a base que eu represento na Câmara for majoritária, posso ser candidato à presidência da Câmara novamente.

O sr. não poderia ser vice numa possível chapa com Meirelles?
Essa chance é zero. Meu protagonismo na Câmara, mesmo não sendo presidente da Casa, é maior do que ser um vice-presidente da República.

O sr. não citou o PSDB. O PSDB não entra nesse projeto com a candidatura dogovernador Geraldo Alckmin?
Nós podemos atrair o PSDB, mas quem quer receber apoio tem que estar pronto para apoiar. Se a discussão impõe que o PSDB terá candidato de qualquer jeito, primeiro vamos construir nosso caminho.

Quem seria o candidato do DEM?
Para mim, o ACM Neto. Quem hoje dentro do DEM tem as melhores condições eleitorais? ACM Neto. Quem dentro do DEM tem hoje as melhores condições políticas? Sou eu. Friamente falando, sem frescura.

Como enfrentar a candidatura de Jair Bolsonaro (PSC-RJ)?
Ele representa uma parte da sociedade que vota nele como sinalização de protesto. A sociedade vai buscar um caminho, que são essas duas palavras: equilíbrio e diálogo. E acho esse ponto o mais frágil do Bolsonaro. Ele dialoga com um segmento da sociedade, não com a maioria.

Esse cenário que o sr. desenha é com ou sem o ex-presidente Lula? O que mudaria a ausência dele?
Gostaria que o Lula disputasse porque eu acho que ele perderia. Para o Brasil é melhor o Lula perder nas urnas. Mas não sou eu que decido pelo Judiciário. O Lula não existindo como candidato, tudo que está colocado em pesquisa é besteira. Vai zerar o jogo. A pressão para que todos esses partidos que, em tese, fazem ou fizeram parte da base do Temer, tenham um candidato diminui e aumenta o número de candidatos.

Qual o peso do chamado “centrão” na disputa presidencial? Terá influência decisiva porque o tempo de televisão desta vez, por ter menos recursos, terá um peso maior. Quem conseguir agregar, com bom projeto, o maior número de partidos, o maior tempo de televisão, vai sair na frente.

Qual será o principal fator dessa eleição? TV, bom projeto e um candidato que tenha condições de visitar o Brasil. Ninguém morre por falta de dinheiro, todo mundo se reorganiza.

Como o sr. vê o discurso no Planalto de que uma derrota da reforma da Previdência seria culpa do Legislativo?
É tudo besteira. Tenho vários itens para tentar transferir para o governo por não ter conseguido votar a reforma. Por exemplo: as duas denúncias [apresentadas pela Procuradoria-Geral da República] eram frágeis, mas teve uma conversa do presidente [com Joesley Batista, da JBS], que não precisava ter. Se aquela conversa não existisse, não haveria denúncia. Alguns auxiliares do Michel, como sempre, falam demais. Isso é ridículo.

Quais as consequências para o governo do adiamento da reforma da Previdência?
O adiamento foi para não ter um resultado negativo. O governo tem um problema – eu alertei o presidente já -, que as duas denúncias geraram um teto, o número de deputados que votaram as denúncias, 260 [na primeira] e depois 250 [na segunda. Enquanto o governo não tiver isso reorganizado, é praticamente impossível votar a reforma.

A votação não pode passar de março, não é? Porque aí entra no calendário eleitoral.
Está marcada a data [19 de fevereiro]. Se nesta data não for, aí vamos pensar outras agendas para que a gente possa ajudar a reorganizar o Brasil com uma situação melhor para o próximo presidente.

Ou seja, se não votar 19 de fevereiro, o sr. acha que dificilmente vota ainda em 2018?
Se a gente não conseguir condições para votar ali, 19, 20 de fevereiro, é impossível. Aí é melhor ir para outro tema.

Qual é o plano B?
Não tem plano B. O que você tem que olhar é o que, do ponto de vista do equilíbrio fiscal, pode ser feito. Mas não quero tratar desses pontos porque vou estar jogando a toalha. Então, só depois do dia 19 de fevereiro.

Se o caso JBS se não tivesse ocorrido, a reforma teria passado?
Tenho certeza. Aí eu tenho certeza de que no dia 5 ou 6 de junho a gente teria aprovado a reforma da Previdência.

O sr. acha que a antecipação do anúncio do adiamento pelo senador Jucá prejudicou?
Todo mundo sabia que não ia ter votação na semana que vem [nesta semana]. Não seria correto culpar o senador por um problema que não foi dele. Ele não é culpado por não construirmos as condições para ter 308 votos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente entrevista. As respostas merecem tradução simultânea, porque exibiram um péssimo presente de Natal para Temer. Mostraram que Maia, além de estar fora do projeto de reeleição de Temer, vai boicotá-lo através de sua influência no “centrão”.  Ficou claro, também, que Alckmin está descartado, mas Meirelles tem possibilidade de apoio do DEM, se crescer nas pesquisas. E Maia também falou que a ausência de Lula aumenta o número de candidatos, leia-se Joaquim Barbosa. Realmente, uma entrevista muito importante. (C.N.)

Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida

Brant compôs versos geniais para Milton

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

O advogado e poeta mineiro Fernando Rocha Brant (1946-2015), na letra de “Maria, Maria”, evoca uma personagem feminina de personalidade forte, chamada Maria, “que ri quando deve chorar e não vive, apenas aguenta” e que “mistura dor e alegria”. 
Maria, que significa “senhora soberana” em hebraico, é um dos nomes femininos mais comuns em todo Brasil, e, portanto, a protagonista da canção pode estar representando todas as mulheres batalhadoras do país. Por outro lado, Maria é o nome da mãe biológica de Milton Nascimento, uma empregada doméstica que morreu quando ele tinha apenas quatro anos de idade, por este ponto de vista, Brant pode estar fazendo uma representação idealizada ou heróica dela. A protagonista da letra, é claro, também evoca a personagem bíblica mãe de Jesus Cristo. 

Originalmente, esta música não tinha letra e foi composta, em 1977, para o espetáculo de dança “Maria, Maria” do “Grupo Corpo” de Belo Horizonte (MG). A música com letra foi lançada no Lp Clube da Esquina 2, em 1978, pela gavadora EMI.


MARIA, MARIA

Milton Nascimento e Fernando Brant

Maria, Maria é um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta
Maria, Maria é o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas agüenta
Mas é preciso ter força, é preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo essa marca
Maria, Maria mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania de ter fé na vida

Na Lava Jato os depoimentos geralmente se tornam verdadeiras confissões

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Sem querer, Costamarques dedurou Lula e Bumlai

Merval Pereira
O Globo

Os depoimentos dos envolvidos em delitos de corrupção na Operação Lava Jato são auto-explicativos, por si só deixam claro o mecanismo criminoso utilizado, ou se revelam uma confissão espontânea, mesmo que o autor não tivesse essa intenção. Foi esse o caso do ex-governador Sérgio Cabral em depoimento ao juiz Marcelo Bretas no Rio, quando pediu desculpas ao povo do Rio de Janeiro por ter usado dinheiro de caixa 2 para uso próprio.

Sem afirmar qual o montante que usou, e as denúncias giram em torno de muitos milhões, Cabral disse que o fez para ter “uma vida incompatível, muito além dos meus dinheiros lícitos. Eu errei”. Numa frase, o ex-governador do Rio confessou que desviou dinheiro para manter um alto padrão de vida, embora negasse que se tratasse de propina. Questões semânticas que não se sustentam diante da lei.

COSTAMARQUES – Da mesma forma, os depoimentos ao juiz Sérgio Moro de Glaucos da Costamarques, o suposto dono do apartamento vizinho ao de Lula em São Bernardo do Campo que supostamente o alugava ao ex-presidente, e do contador João Muniz Leite, que fazia o imposto de renda de Lula e de dona Marisa, revelam toda a trama para esconder o verdadeiro dono do apartamento, que tanto pode ser o próprio ex-presidente ou seu amigo José Carlos Bumlai, menos Costamarques.

Candidamente, ele revelou como os recibos de aluguel apresentados pela defesa de Lula são realmente “ideologicamente falsos”, como acusa o Ministério Público em Curitiba. O laranja Glauco da Costamarques é primo de José Carlos Bumlai, por sua vez um dos melhores amigos do ex-presidente, e foi atendendo a seu pedido que comprou o apartamento, para que Lula não tivesse um vizinho inconveniente. E não gastou um tostão de seu, conforme admitiu para o juiz Sérgio Moro. Serviu como laranja, na linguagem popular.

PAGAR O IMPOSTO? – Ele relatou uma conversa que teve com o seu primo, José Carlos Bumlai, sobre o imposto que teria de pagar sobre os aluguéis que não recebeu de Lula e Marisa: “Além de eu não receber o aluguel, ainda vou pagar o imposto?”. Bumlai decidiu então ressarcir esse imposto do carnê-leão. Isso porque o casal Lula da Silva declarava ao imposto de renda que pagava o aluguel, e Costamarques tinha que declarar que o recebera.

Quem fazia a contabilidade dos dois lados era João Muniz Leite, contador de Roberto Teixeira, outro amigão de Lula, em cuja casa durante muitos anos, no início de sua carreira política, o ex-presidente morou “de favor”. Na campanha presidencial de 1989, Collor insinuou que Lula tinha em sua casa um aparelho de som moderníssimo, incompatível com sua situação financeira. Era de Roberto Teixeira.

RECIBOS NO HOSPITAL – Esse contador foi quem esteve com Glaucos Costamarques no hospital para pegar sua assinatura em uma série de recibos. Moro perguntou se a urgência em colher as assinaturas tinha alguma relação com a prisão de José Carlos Bumlai, primo de Glaucos. O contador negou. Garantiu ao juiz que “não houve pressão” para colher as assinaturas no Sírio-Libanês, e que o fez para “manter o trabalho em dia”.

O Juiz Sergio Moro espantou-se quando o contador disse que cuidava da declaração do apartamento de Lula e Marisa Letícia em São Bernardo de graça. “O senhor fazia esse serviço gratuitamente?”, perguntou o juiz. “Sim, me sentia lisonjeado pela confiança que me foi depositada, então, eu fiz questão de fazer. Mesmo porque tenho contrato com o doutor Roberto [Teixeira] na prestação de serviços com a empresa dele e, na minha cabeça, eu entendia que isso estava dentro dos trabalhos que eu já cobro no escritório.”

UM VERDADEIRO PAI – Sobre o também serviço gratuito para Glaucos Costamarques, o contador tem uma explicação sentimental: “Fazia por amizade, considerava ele um verdadeiro pai, uma pessoa muito prestativa”.

Juridicamente, a falsidade pode ser material, quando o documento é adulterado, ou ideológica, quando, embora verdadeiro, não reflete a realidade dos fatos. Como no caso dos recibos dos aluguéis, que não eram pagos, mas documentos assinados pelo suposto dono atestavam que o foram.

Como dizem os juízes que atuam na Operação Lava Jato há mais de três anos, já é possível mapear todos os artifícios utilizados pelos envolvidos para constatar seus crimes, mesmo não havendo materialidade. Um conjunto de indícios pode dar ao Juiz uma certeza acima de qualquer dúvida razoável.

Impugnação da candidatura de Lula altera completamente o quadro da sucessão

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Charge do Luscar (Charge Online)

Carlos Newton

No mundo inteiro, os políticos e os partidos tradicionais estão em transe. É um fenômeno interessantíssimo, que justifica as vitórias de um estreante como Donald Trump nos Estados Unidos e de Emmanuel Macron na França, o mais jovem presidente já eleito no país. Da mesma forma, explica a decisão do imbatível presidente russo Vladimir Putin, que está abandonando seu partido para concorrer como candidato independente.

No Brasil, onde reina a esculhambação institucional, a situação é ainda pior. A menos de um ano das eleições gerais mais importantes dos últimos tempos, reina a confusão e o quadro está totalmente indefinido, porque o candidato favorito Lula da Silva vai fazer campanha e aparecer no horário eleitoral da TV, mas será alijado às vésperas da votação, conforme ficou claro na reportagem de Renata Mariz em O Globo neste sábado, na qual a jornalista ouviu grande número de ministros e ex-ministros do Tribunal Superior Eleitoral.

EMBOLOU TUDO – Todos os entrevistados do TSE disseram o óbvio ululante que Nelson Rodrigues tanto perseguiu – o candidato Lula da Silva, do PT, estará inelegível se for condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A certeza de que Lula estará fora da disputa tumultua o quadro eleitoral e joga as pesquisas no lixo. Aliás, nesta sucessão as pesquisas não servirão para quase nada, porque até na chamada “undécima hora” continuará a constar o nome de Lula como candidato, será uma confusão fenomenal.

Alguns pré-candidatos estão muito animados com a saída de Lula, por terem a expectativa de herdar parte dos votos – Ciro Gomes, do PDT, Marina Silva, da Rede, Manuela D’Ávila, do PCdoB, Guilherme Boulos, do PSOL, e Michel Temer, que tentará a reeleição pelo PMDB, já fechou acordo com o PTB de Roberto Jefferson e tem esperanças de fazer coligação com outros partidos da atual base aliada, para conquistar o máximo de espaço no horário eleitoral da TV.

O problema de Temer é que outros pré-candidatos querem atrair os mesmos partidos, como Henrique Meirelles, do PSD, que pode ter a campanha mais rica da eleição, se chegar a abril com 10% nas pesquisas em que não constar o nome de Lula,  animando banqueiros e megaempresários. Se isso acontecer, Meirelles pode até ter apoio do DEM e de outras legendas que se vendem por 30 dinheiros, digamos assim.

BOLSONARO – Além disso, partidos da atual base aliada não descartam a possibilidade de fazer coalizão para apoiar Jair Bolsonaro, que continua no PSC, mas já assinou um compromisso de filiação com o PEN, que passará a se chamar Patriotas.

Está tudo no ar, até porque ainda falta a definição de um possível candidato com muita chance – Joaquim Barbosa, ministro aposentado do Supremo, que tem duas legendas à sua disposição, o PSB e o PPS. Com a ausência de Lula, aumentam as chances de Barbosa passar para o segundo turno, pois poderá tirar preciosos votos de Bolsonaro e empolgar os eleitores negros, não se pode descartar a influência étnica.

Por fim, Geraldo Alckmin será o coveiro do que resta do PSDB e ainda se desconhece o potencial de crescimento de Alvaro Dias, do Podemos, que tem pontuado em todas as pesquisas, apesar de não estar em plena campanha, como Lula, Bolsonaro, Ciro Gomes, Temer e até Meirelles, que está rodando as Assembleias de Deus do país, inclusive em cidades de médio porte, como Juiz de Fora.

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P.S.
1 – Já ia esquecendo. Luciano Huck não desistiu da política. Está magoadíssimo com a TV Globo, por causa da extinção do programa “Estrelas”, apresentado pela mulher dele, Angélica. Além disso, a emissora resolveu eliminar o quadro dela no “Video Show”, exibido toda tarde. Huck é um pobre menino rico e ninguém sabe como vai reagir a essas decisões da TV Globo, agora dirigida pelo executivo Jorge Nóbrega, que acaba de assumir a presidência do Grupo Globo, com Roberto Irineu Marinho ficando apenas como presidente do Conselho Administrativo.

P.S. 2 – Parodiando o humorista Apparicio Torelly, o Barão de Itararé, pode-se dizer que há algo no ar, além dos aviões de carreira e dos programas da TV Globo. (C.N.)

Mais escândalo: Dois deputados aprovaram projeto polêmico em plenário vazio 

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Deputado diz ter obedecido o Regimento

Alessandra Modzeleski
G1, Brasília

O deputado Caio Narcio (PSDB-MG) chegou ofegante na noite da última quarta-feira (13) ao plenário da Comissão de Educação da Câmara, da qual é presidente, e aprovou em pouco mais de um minuto um polêmico projeto sobre a autorização de cursos à distância na área de saúde. Sem nenhum deputado no plenário da comissão, Narcio sentou-se à mesa ao lado de uma secretária e do deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG).

Respirando com dificuldade devido ao cansaço de quem chegou correndo, ele anunciou: “Em discussão. Não havendo quem queira discutir, aqueles que o aprovam permaneçam como se acham. Aprovado”.

SESSÃO ENCERRADO – Imediatamente após a deliberação, o deputado suspira e afirma: “Nada mais havendo a tratar, agradeço a presença de todos, convoco reunião deliberativa no dia 20 de dezembro, quarta-feira, às 10h, para tratar dos itens de pauta. Está encerrada esta sessão”.

Na quarta-feira, a sessão da Comissão de Educação havia se iniciado às 10h32, com a sala lotada. Os deputados votaram um requerimento – que acabou rejeitado – de retirada de pauta do projeto sobre ensino à distância. Em seguida, às 11h26, Narcio teve de suspender a sessão devido ao início de votações do Congresso Nacional no plenário da Câmara. Pouco mais de dez horas depois, às 21h45, o presidente voltou à sala da comissão e aprovou o projeto em pouco mais de um minuto.

A atitude de Narcio provocou protestos de integrantes do Conselho Nacional de Saúde e motivou um recurso da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) com o objetivo de anular a decisão.

ATITUDE IMORAL – Segundo a deputada, os demais membros da Comissão de Educação receberam um e-mail “enviado às pressas” e não tiveram tempo de se deslocar do plenário da Câmara para a sala da comissão.

“Ele chamou em cima da hora e, ofegante, aprovou o projeto, que ainda estava sendo negociado. É imoral o que ele fez, é antiético, é algo fora da liturgia parlamentar, é um desrespeito com a educação brasileira”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É a certeza da impunidade que gera essas atitudes realmente imorais no Congresso. Isso é caso para cassação de mandato, por falta de decoro e abuso de autoridade. Mas nada irá acontecer.Os parlamentares claramente perderam a moral e a dignidade. Com raras exceções, não são mais representantes do povo, pois se dedicam a representar apenas interesses setoriais e particulares. (C.N.)

Três visões sobre o que pode acontecer com Lula e o PT na sucessão

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Marco Grillo
O Globo

Ao marcar para o próximo dia 24 de janeiro o julgamento do ex-presidente Lula antes do registro de sua candidatura presidencial, o Tribunal Regional Federal (TRF-4) alimenta ainda mais o destino do petista em relação à campanha eleitoral do ano que vem. Caso os desembargadores mantenham a sentença de nove anos e meio de prisão na ação que envolve o tríplex do Guarujá, Lula passa a ser considerado inelegível pela Lei da Ficha Limpa.

A data do julgamento foi agendada na terça-feira a pedido do desembargador Leandro Paulsen, que informou à secretaria da 8ª Turma (responsável pelos casos da Lava-Jato) ter terminado a revisão do voto do relator João Gebran Neto. Agora, os dois votos são encaminhados ao terceiro desembargador da turma, Victor Luiz dos Santos Laus.

Na Justiça, eventual condenação do ex-presidente na segunda instância abriria espaço para recursos que tentariam adiar aplicação da lei da ficha limpa. Na política, cenário do PT ainda é incerto para candidatura. Veja o que dizem especialistas sobre o que pode acontecer na política e na Justiça após julgamento de Lula na segunda instância.

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GILSON DIPP: HÁ DIVERSOS RECURSOS

Condenado em segundo grau automaticamente entra na vedação da Lei da Ficha Limpa, que não permite o registro de candidatura de quem foi sentenciado dessa forma. Mas há vários exemplos práticos em que há um pedido de medida cautelar para possibilitar o registro da candidatura até o julgamento final da cautelar ou da ação que vier junto. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem deferido muitas vezes. Esse pedido seria no TSE ou no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que seria competente na matéria criminal. As cautelares não são tão raras nesse sentido.

No caso do Lula, juridicamente não vai diferir dos outros, mas há um componente de ordem política e social, e tribunais superiores são muito sensíveis a esse tipo de repercussão. A Lei da Ficha Limpa fala em condenação em segundo grau, mas a condenação em segundo grau permite esses recursos, embargos infringentes e declaratórios. O que se tem considerado para efeito da Lei da Ficha Limpa é a condenação em segundo grau total, com recursos internos cabíveis em cada tribunal. Os embargos podem ter efeitos modificativos. O assunto é complicado, porque a discussão jurídica e técnica comporta todos esses recursos e dúvidas. (Gilson Dipp é ex-ministro do STJ e do TSE)

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ROBERTO ROMANO: SITUAÇÃO INÉDITA

O julgamento de Lula marcado para janeiro é uma etapa importante do processo, mas não é definitiva para o jogo político. É perfeitamente possível a defesa do ex-presidente fazer apelos aos tribunais superiores e levar a candidatura adiante. Fato é que, neste momento, todas as forças políticas, com crises internas nas legendas, estão se recompondo para conseguir lançar alguém viável nas eleições de 2018. Até março, no entanto, estaremos em condições instáveis sobre as eleições. Não há certezas nem para o PT, nem para nenhum outro partido.

Essa é uma situação inédita para o país. Não há nenhuma legenda com solidez para convencer o eleitorado de que o seu plano é o melhor para o Brasil. Todas as candidaturas têm sérias objeções e os partidos terão de fazer uma tarefa difícil de engenharia política para amenizar isso. Logo, a intensidade do debate será grande. Não baseado em planos e promessas, mas na personalização das candidaturas, com ataques pessoais. O julgamento em janeiro pode não ser ruim para Lula. Mesmo que haja uma condenação, ele terá tempo para recorrer e para diluir o impacto da decisão até as eleições. E o debate baseado em ataques pessoais o ajudará nisso. (Roberto Romano é professor de Ética e Política da Unicamp)

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ANTÔNIO TESTA: PT TERÁ CANDIDATO

“Acho que o PT, pela história, dificilmente deixaria de colocar um candidato que seja apadrinhado pelo Lula. O nome mais forte não é o (Fernando) Haddad (ex-prefeito de São Paulo), é o Jaques Wagner. Tem boa relação, já foi ministro, governador (da Bahia), bom trânsito em vários setores. Se o Lula não puder se candidatar, ele pode ser o novo poste para o Lula empurrar. Mas Wagner também está envolvido na Lava-Jato, o que pode ser um problema. Acho difícil (o PT não lançar candidato). Alguns setores já colocaram isso, houve uma ideia comandada pelo (ex-ministro) Tarso Genro de criar uma frente de esquerda, mas não é típico do PT. Lançar Jaques Wagner já seria uma mutação, porque o partido nunca deixou que ninguém que não fosse tão ligado ao Lula assumisse o comando.

Não creio que o PT tenha essa estratégia de não lançar candidato e se aliar a outro partido já no primeiro turno. Acho que um outro candidato do PT herdaria o recall do Lula e ficaria em torno dos 30% (dos votos). Não vejo um candidato da esquerda que consiga seduzir o eleitorado e ultrapassar essa barreira, com propostas que reconciliem os projetos da esquerda com o futuro do Brasil. Os grandes partidos estão todos envolvidos na Lava-Jato, mas o estigma ficou com o PT. (Antônio Testa é cientista político e professor da UNB)

TRF-4 julgou mais 1,3 mil recursos com maior rapidez do que a Apelação de Lula

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Reprodução do Youtube (Arquivo google)

Deu na IstoÉ
(Agência Estado)

O presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Carlos Eduardo Thompson Flores, afirmou à defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a “celeridade” da Corte no julgamento de recursos criminais “é a regra e não a exceção”. Os advogados haviam questionado a velocidade com a qual está tramitando o recurso do petista contra condenação de Moro a 9 anos e 6 meses de prisão.

Thompson Flores publicou no site do TRF-4 uma planilha com as apelações criminais julgadas pela corte e demonstrou que o princípio da “isonomia” está sendo respeitado, ao contrário do que alegam os advogados do ex-presidente. Em síntese, o tribunal de Porto Alegre julgou mais de 1.300 recursos em tempo inferior ao que levará para julgar o de Lula.

ISONOMIA – “O tempo de processamento da Apelação Criminal n. 5046512-94.2016.4.04.7000 [a de Lula] perante esta Corte não fere o princípio da isonomia. Como já referido, 1.326 Apelações Criminais foram julgadas por este Tribunal no ano de 2017 em tempo inferior àquele em que se realizará o julgamento da Apelação Criminal n. 5046512-94.2016.4.04.7000”, escreveu Thompson Flores.

O ex-presidente Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por supostas propinas de R$ 2,2 milhões da OAS. O valor teria sido ocultado por meio do triplex no condomínio Solaris, no Guarujá, cuja aquisição e as reformas foram custeadas pela empreiteira. 

Contra a sentença de Moro, apelou a defesa ao TRF-4, para que seja revertida, e o Ministério Público Federal também o fez, para que Lula receba uma pena mais dura.

“Daqui não saio, daqui ninguém me tira…” – canta e sonha a ministra Luislinda

BRASÍLIA, DF, BRASIL, 03.02.2017 - A ministra de Direitos Humanos, Luislinda Valois, na cerimônia de sua posse no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). (Foto: Alan Marques/Folhapress)

Luislinda revive uma bela marcha carnavalesca

Bernardo Mello Franco
Folha

A ministra Luislinda Valois não quer desgrudar da cadeira. Nesta quinta-feira, ela pediu sua desfiliação do PSDB. Foi uma manobra desesperada para se manter no cargo, apesar de o partido ter anunciado que está fora do governo.

Luislinda tentou ser deputada, mas recebeu apenas 9.557 votos. Em fevereiro, ela realizou o sonho do gabinete próprio e virou ministra dos Direitos Humanos. Foi indicada pelo senador Aécio Neves, que ainda não havia sido deletado do Instagram dos amigos famosos.

SUPERSALÁRIO –  No mês passado, a imagem da ministra também foi pelos ares. O jornal “O Estado de S. Paulo” revelou que ela reivindicou um supersalário de R$ 61,4 mil. Queria acumular os vencimentos e a aposentadoria de desembargadora, furando a regra do teto. No pedido, a tucana citou a Lei Áurea e alegou que sua situação “se assemelhava ao trabalho escravo”.

Luislinda já recebia R$ 33,7 mil brutos e tinha direito a carro com motorista, jatinho da FAB e gabinete refrigerado. O Planalto fez o possível para fritá-la, mas não conseguiu arrancar uma carta de demissão. Como o presidente não tem mais força nem para despedir o ascensorista do palácio, a tucana continuou onde estava.

SAÍDA HONROSA – O desembarque do PSDB ofereceu a Luislinda uma saída honrosa. Ela poderia alegar que precisava seguir a orientação do partido, embora estivesse fazendo um trabalho formidável. A opinião dos especialistas em direitos humanos é diferente, mas ninguém precisaria ficar sabendo.

Em vez de aproveitar a chance, a ministra rasgou a carteirinha tucana e passou cola na cadeira. Só faltou entoar a velha marchinha: “Daqui não saio / Daqui ninguém me tira…”

A manobra não chega a ser inédita. No fim do governo Dilma, o pastor George Hilton também tentou sobreviver ao desembarque do PRB, braço político da Igreja Universal. Ele deixou a sigla, mas foi varrido do Ministério do Esporte. “Nesse mundo ninguém / Perde por esperar…”, avisava a marchinha de Paquito e Romeu Gentil.

Na fila do supermercado, para comprar uma simples flor

 que dirige a peça "Boca Molhada de Paixão Calada", de Leilah Assunção, que estreia no Teatro Igreja.

Luiz Carlos Maciel era o mestre da contracultura

Ruy Castro
Folha

Foi há dois anos, num supermercado aqui no Leblon. Luiz Carlos Maciel estava bem à minha frente numa fila de caixa, em que éramos precedidos por três senhoras com carrinhos abarrotados. Ambos tínhamos direito aos caixas reservados aos coroas, mas as filas destes eram tão longas que valia esperar pelas madames. Eu estava comprando um suprimento de biscoitos amanteigados enriquecidos com glúten. Maciel, apenas uma flor. Uma solitária rosa vermelha.

Ele se virou, me viu e nos abraçamos. Fomos contemporâneos nos verdadeiros primórdios do “Pasquim”, em 1969. Maciel já fazia então uma página intitulada “Underground”, que tratava de tudo que fosse “alternativo”, contracultura, antissistema. Ele era o arauto de um mundo novo, a ser conquistado pela juventude com as novas armas.

UMA NOVA ERA – Essas armas eram a maconha e o LSD, a antipsiquiatria, a liberação sexual, o feminismo, o vegetarianismo, o zen-budismo e as religiões orientais e a luta contra o consumismo. Seus heróis eram os artistas e pensadores “libertários”, como Bob Dylan, Yoko Ono, Timothy Leary, Norman O. Brown. Hoje, 50 anos depois, vê-se que muitas de suas bandeiras de fato se impuseram. Em outras, ele perdeu espetacularmente.

Maciel acreditava que as drogas se limitariam às pessoas adultas e responsáveis, que as usariam para “expandir a mente” –não previu que elas se tornariam o comércio mais poderoso e canalha do mundo. O consumismo não só não acabou como passou a vender tudo que era “alternativo”. E, pior, transformou a contracultura na cultura oficial e fez dela um novo e também odioso sistema.

Todos os artistas da sua geração enriqueceram. Maciel, não. Teve de trabalhar até o fim. Morreu no último dia 9, aos 79 anos, e eu me pergunto quantas outras filas de supermercado ele não terá enfrentado para comprar uma simples flor.

Em apoio a Lula, movimentos de esquerda planejam acampar diante do tribunal

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Rodrigues, do MST, é um dos líderes do protesto

Catia Seabra
Folha

Movimentos de esquerda — incluindo MTST, MST e CUT — lançaram nesta sexta-feira (15) uma campanha pelo direito à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Reunidos em um comitê intitulado “defesa da democracia”, os dirigentes da Frente Brasil Popular planejam acampar em frente ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, em Porto Alegre, em 24 de janeiro, dia do julgamento do recurso apresentado por Lula no caso do tríplex do Guarujá.

Coordenador do MST (Movimento dos Sem Terra), João Paulo Rodrigues informou, durante reunião de lançamento, que a intenção é concentrar todos os militantes do movimento do Sul do país nos arredores do TRF. A ideia é acampar no Parque da Harmonia, vizinho ao tribunal.

AGENDA PARA LULA – Na terça-feira (19), os movimentos de esquerda, PT e partidos que integram a frente vão inaugurar o comitê de defesa da democracia de Porto Alegre. Escalado para coordenar a campanha, o ex-ministro Alexandre Padilha, hoje na vice-presidência do PT, afirmou que será apresentada uma agenda de atividades para Lula. Não está descartada a antecipação da caravana que o ex-presidente pretendia realizar no Sul apenas após o carnaval.

Estão programadas atividades no Natal e Ano Novo, além de um jogo de futebol no dia 23 na Escola Florestan Fernandes com a presença do cantor Chico Buarque. “Vamos ocupar Porto Alegre. Mas ele [Lula] também terá uma agenda ofensiva em janeiro”, disse Padilha.

Líder da Minoria na Câmara, José Guimarães (CE) disse que o partido vai instalar um estado de mobilização geral. “Vamos antecipar tudo”, disse Guimarães, afirmando que os petistas reduzirão o tempo destinado ao descanso do fim de ano.

INCERTEZAS – Apesar do tom de seus dirigentes, petistas admitiam suas incertezas acerca do futuro político do ex-presidente durante reunião do Diretório Nacional do partido, que ocorre em São Paulo.

Coube à presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), a tarefa de ratificar já no início da reunião que não se admite a hipótese de discussão de um plano alternativo à candidatura de Lula. Já na abertura do encontro, Gleisi interveio, afirmando que havia na imprensa reportagens sobre a busca de outro nome para o caso de Lula ficar impedido de concorrer. Segundo participantes da reunião, Gleisi afirmou que não sabia se era real a origem da informação. Mas advertiu: “Não existe plano B”.

Embora reconheça que este é “um processo em aberto”, um integrante da cúpula do PT afirmou que a busca de uma alternativa cumpriria a estratégia adversária. A ideia, afirma, é levar a candidatura adiante até chegar às instâncias superiores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se dizia antigamente, os petistas estão vivendo os últimos dias de Pompeia. Pela primeira vez desde 1994, petistas e tucanos não têm chance de chegar ao poder. Algo de novo vai acontecer. É muito interessante a evolução da conjuntura política. (C.N.)

Lembremos que o nazismo também quis restringir a liberdade artística…

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Charge do Bob Biker (bobbiker.com)

Leticia Binenbojm e Gustavo Binenbojm
O Globo

O conceito de “arte degenerada” ilustra bem o processo de degeneração por que passa a liberdade de expressão artística hoje no Brasil. Do alemão “entartete kunst”, a expressão foi cunhada para difamar, discriminar e perseguir pintores, escultores, músicos e artistas em geral que produziam obras fora dos padrões da estética nacional-socialista germânica. Mais do que uma mera censura — já grave por si só —, o regime nazista pretendeu estabelecer um conceito estrito e oficial de arte, fundado em suas concepções racistas e monolíticas, a partir do qual promoveu o banimento e a marginalização de artistas judeus, comunistas ou simplesmente independentes, como Mondrian, Nolde e Schlemmer.

Os personagens mudaram, alguns métodos mudaram — embora outros insistam em se repetir —, e até o regime mudou. Mas o desejo atávico de calar a voz do diferente, de exterminar o mutante, de silenciar o inconcebível subsiste vivo entre nós, mais do que nunca.

POLARIZAÇÃO – A face estética do ambiente polarizado que tomou conta do país encurrala a liberdade de expressão artística entre dois vetores contrapostos, mas aliados na cruzada de reprimir o que consideram manifestações “degeneradas”: os movimentos conservadores e as patrulhas ideológicas. Embora oriundos de lados opostos do espectro político, essas correntes têm em comum a crença de que detêm o monopólio da verdade e a descrença na diversidade como valor essencial à democracia.

A reação conservadora, de inspiração às vezes religiosa fundamentalista e, em muitos casos, puramente oportunista, tem produzido efeitos deletérios sobre o mercado de artes, com o cancelamento de exposições em museus, a retirada de patrocínios e até mesmo — por surpreendente que seja a repetição da história — a instauração de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar possíveis crimes perpetrados por artistas envolvidos em performances com corpos nus, crianças e símbolos litúrgicos.

CAÇA ÀS BRUXAS – Numa manipulação grosseira dos conceitos de pedofilia e de crimes contra o sentimento religioso, políticos de eleitorado conservador buscam promover uma caça às bruxas contra artistas supostamente degenerados, quando a degeneração está na cabeça dos algozes. Omnia munda mundis! Para os puros, todas as coisas são puras.

De outra parte, as patrulhas ideológicas exercem, pela esquerda, o mesmo papel que os conservadores desempenham pela direita. Atribuir grau zero a estudante que ouse de alguma maneira criticar a teoria ou a prática dos direitos humanos é pretender elevar os intelectuais públicos à condição de vanguarda iluminista da sociedade.

O REI ESTÁ NU – O  problema é que, muitas vezes, os intelectuais estão cooptados, seduzidos ou simplesmente equivocados. Daí a importância daquela voz minoritária, às vezes isolada, que sai do anonimato e grita que o rei está nu. Fenômeno parecido aconteceu recentemente quando do lançamento do filme “Vazante”, de Daniela Thomas, cujo enredo retrata a escravidão fora dos padrões exigidos pelo establishment acadêmico. O filme decerto está sujeito às críticas de todos os matizes e faz jus a boa parte delas, exceto a de que a diretora não teria legitimidade para a narrativa por ser branca ou por não ser ativista militante.

Certamente, a liberdade de criação e expressão artística não é um valor absoluto e inquestionável. Aliás, discuti-la é parte do conteúdo da própria liberdade de expressão intelectual, o que tem levado algumas nações a proscrever as manifestações puramente voltadas à propagação do ódio e da violência, por exemplo.

LIBERDADE ARTÍSTICA – Fora esses casos de ódio e violência, a garantia constitucional da liberdade de expressão deve preservar o espaço para que o artista conceba o inconcebível, diga o indizível e transforme em arte qualquer sentimento humano.

Pensar a liberdade apenas para quem pensa igual é subvertê-la, degenerá-la. A arte pode até ser, conforme o caso, de direita ou de esquerda. Mas a liberdade de criá-la, produzi-la e torná-la pública não pertence a partido, ideologia ou facção. A subjetividade do artista é necessária porque a vida real não nos basta. Amar a liberdade de expressão artística significa defendê-la para todos, saber admirá-la ou apenas tolerá-la, ainda quando ela possa ser usada contra nós.