A pesquisa Datafolha confirma o segundo turno e a rejeição de Dilma favorece a oposição

Wagner Pires

O erro admitido da pesquisa Datafolha, desta vez, está mais bem aproximado. É, sem dúvida a pesquisa mais confiável de todas as realizadas até o presente momento. Porém, para aceitar um erro exato de 2% para cima ou para baixo, a pesquisa teria de ter ouvido 5.625 eleitores. Nada a menos! Ouviu apenas 4.337 eleitores, portanto, o erro estatístico de amostragem admitido é um pouco maior do que o divulgado.

A fórmula de cálculo de amostragem é: n = ( Zo² x P xQ)/e². Sendo, (n) o número de eleitores necessários, (Zo) o desvio padrão, P e Q as probabilidades de sucesso e insucesso e (e) o erro da estimativa.

Consideramos, sempre, três desvios-padrão e a probabilidade de 50% de sucesso, ou seja, 0,5; mesmo raciocínio para o insucesso, ou seja, 50%, ou, 0,5.

Assim, para os 4.337 eleitores entrevistados temos um erro calculado de: n = (3² x 0,5 x 0,5)/e².

Calculando, temos:

4.337 = (3² x 0,5 x 0,5)/e²
e² = 2,25/4.337
e = 0,00051^1/2
e = 0,0225 ou 2,25%

Portanto, o erro estatístico admitido para a amostra é de 2,25% para cima ou para baixo.

Para que fosse possível à presidente Dilma vencer no primeiro turno, seria necessário que as suas intenções de voto superassem a soma das intenções de votos de seus concorrentes. Estatisticamente esta hipótese, por enquanto, está descartada; pois, se somarmos as intenções de votos dos concorrentes: Aécio (19%) + Campos (9%) + Pastor Everaldo (4%) + Outros (6%), teremos 38%. Ou seja, 3% a mais de intenções de votos para os adversários da presidente Dilma.

Como se já não bastasse, admitido o erro estatístico da amostragem, temos o seguinte resultado hipotético:

Outros candidatos: 38% + 2,25% (para cima) = 40,25%; e

Dilma: 35% – 2,25% (para baixo) = 32,75%

Aceita-se assim que Dilma ficou bem aquém da soma das intenções de votos de seus concorrentes e que haverá o segundo turno. E o mais incrível é que 30% dos 142 milhões de eleitores estão indecisos ou insatisfeitos. Portanto, o importante é observar o índice de rejeição, pois, caso vierem a se decidir por votar em alguém, levará vantagem aquele candidato com menor índice de rejeição. Neste caso, a vantagem é para a oposição! Dilma tem 35% de rejeição, enquanto Aécio e Campos estão com 29%.

Cidade de Praga tem ‘tour da corrupção’ que visita obras superfaturadas

Deu na BBC

Quem visitar Praga, na República Tcheca, terá a oportunidade de participar de uma excursão inusitada. Em vez de museus, igrejas e outros pontos turísticos famosos, os visitantes poderão fazer um passeio oferecido pela ‘agência do turismo da corrupção’.

“A corrupção não é apenas o dinheiro gasto da maneira errada. Corrupção é a quebra de confiança e a teia de poder que se constrói com este dinheiro”, diz Petr Sourek, fundador do que ele diz ser a primeira agência de turismo de corrupção do mundo.

Por algumas dezenas de euros, Petr e seus colegas lideram uma excursão pelos ‘marcos de corrupção e nepotismo’ deixados pela transformação da República Tcheca de uma economia socialista planificada para um mercado capitalista.

“Vejo isso como uma ameaça à nossa liberdade, porque estas estruturas mafiosas são fortes o suficiente para intimidar os cidadãos”, ele disse à BBC.

Os passeios oferecem aos visitantes uma visão do que aconteceu com as enormes somas de dinheiro dos contribuintes que desapareceram nos bolsos de funcionários corruptos e empresários misteriosos.

TEMPLOS DA CORRUPÇÃO

A visita passa por mansões monumentais, obras públicas superfaturadas e corredores de prédios do governo. Em uma das paradas, observamos de fora os escritórios de Roman Janousek, um empresário bilionário cuja influência em Praga já foi tão grande que ele chegou a ser chamado de ‘segundo prefeito’ da capital e apelidado de Voldemort (o vilão das histórias de Harry Potter, o jovem feiticeiro criado pela escritora britânica J K Rowling).

E ao final da surpreendente excursão, os visitantes recebem um souvenir de brincadeira: um diploma em Mestrado em Administração de Corrupção.

Mas qual é o verdadeiro tamanho da corrupção na República Tcheca? Certamente, é grande o suficiente para derrubar governos. Em junho do ano passado, o então primeiro-ministro Petr Necas deixou o poder acusado de envolvimento em um escândalo de corrupção, sexo, espionagem e suborno.

A policia invadiu a sede do governo e escritórios de vários empresários, incluindo o de Janousek, para recolher provas. Foi um fim irônico e amargo para um governo que tinha feito mais do que qualquer outro para aliviar o trabalho de detetives e promotores encarregados de reprimir a corrupção de alto nível.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O artigo da BBC nos foi enviado por Mário Assis. É interessante, mas esse tipo de excursão política não pode ser realizado no Brasil. Serão tantas as paradas obrigatórias em templos da corrupção que a visita duraria anos a fio. A verdade é que temos corrupção para dar e vender, nos três Poderes e nos três níveis administrativos. (C.N.)

 

Festa no PT e no Instituto Lula: Datafolha confirma que Dilma caiu 10 pontos desde fevereiro.

Carlos Newton

A Folha de São Paulo surpreendeu o respeitável público e já divulgou a superpesquisa Datafolha, que desmente o instituto Vox Populi, pago pelo PT e que indicava Dilma com 40% das intenções de voto.

O novo levantamento do Datafolha, concluído quinta-feira, confirma a lenta tendência de queda de intenções de voto pela reeleição da presidente Dilma Rousseff. Em relação a maio, data do levantamento anterior, ela variou de 37% para 34%. Desde fevereiro, já caiu dez pontos percentuais.

Os principais adversários da petista, porém, não estão conseguindo tirar proveito disso. Juntos, eles somavam 38% na pesquisa anterior. Agora, recuaram para 35%.

Em relação a maio, os dois principais rivais de Dilma variaram negativamente. O senador Aécio Neves (MG), pré-candidato do PSDB à Presidência, oscilou um ponto para baixo. Agora está com 19%, dentro da margem de erro, que é de 2%.

Movimento mais brusco ocorreu com o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), que recuou quatro pontos. Com 7%, ele aparece em situação de empate técnico com o Pastor Everaldo Pereira (PSC), 4%.

INDECISOS E NULOS EM ALTA

O que cresceu de forma notável entre maio e agora foi o total de eleitores que não sabem em quem votar, de 8% para 13%, o que é ruim para a pré-candidata do PT. Se não sabem em quem votar, é sinal de que não estão satisfeitos com o governo. Além disso, outros 17% afirmam que pretendem votar nulo, em branco ou em nenhum dos candidatos apresentados.

Combinados, esses números podem ser um sinal de forte desalento em relação à disputa. Na comparação com os mesmos períodos de eleições anteriores, a atual taxa de eleitores sem candidato (30%) é recorde desde 1989.

Diz a Folha que a pesquisa sugere que esse comportamento do eleitor é um reflexo do aumento do pessimismo da população com os rumos da economia do país e da deterioração das expectativas com inflação, emprego e poder de compra, que também fizeram cair a aprovação ao governo Dilma.

MARGEM DE ERRO: 2%

O Datafolha entrevistou 4.337 pessoas entre terça (3) e quinta (5) em 207 municípios. A margem de erro do levantamento é de dois pontos para mais ou para menos.

A disputa eleitoral deste ano também poderá ficar marcada por uma forte tendência de clivagem regional. O maior contraste está entre os nove Estados da região Nordeste e os quatro do Sudeste. No Nordeste, cujo apoio foi decisivo para a eleição da presidente em 2010, Dilma ostenta ampla vantagem sobre seus adversários: 48% para a petista contra 11% de Eduardo Campos e 10% de Aécio.

No Sudeste, a disputa está mais apertada. Na região mais populosa do país, Dilma tem 26% e aparece em situação de empate técnico com Aécio, que foi governador de Minas Gerais e tem 25%. Campos, que governou Pernambuco, tem 4%.

LULA SE FORTALECE

Com o resultado da pesquisa Datafolha, confirma-se o diagnóstico do marqueteiro João Santana, que esta semana disse a Lula e Dilma que “a coisa realmente está ficando feia”, ao comentar a insatisfação popular e a crença de que o governo do PT não conseguirá fazer as mudanças necessárias.

Traduzindo: fim de semana de festa no Instituto Lula e no PT; depressão no Planalto/Alvorada. E vem aí a nova pesquisa CNT/MDA. Haja Lexotan e Rivotril.

Quase nunca acredito nas redes sociais

Carla Kreefft

Como cidadã, sinto-me assustada com o que tenho visto no mundo virtual, especialmente no que diz respeito à política. A internet é aquele espaço que não tem dono. Mas o que deveria ser ótimo por garantir a liberdade de expressão para todos tem se transformado em um mundo de mentiras e troca de agressões.

Não é possível acreditar em mais nada que se vê nas redes sociais. Militantes, adeptos das candidaturas ou simplesmente simpatizantes de partidos ou candidatos resolveram utilizar o Facebook e o Twitter como meios de divulgação de campanhas eleitorais. Até aí estaria tudo muito bem. O problema é que essas campanhas são realizadas, quase sempre, baseadas na desconstrução do adversário. E aí vale tudo: mentiras, gozações, falsas mensagens, informações distorcidas e por aí vai.

O maniqueísmo na internet reduz a disputa política a mocinhos versus bandidos. Como no futebol, a análise passa a ser totalmente passional. Tudo aquilo que está relacionado ao time é bom, todo o resto é ruim. Tudo que se vê na rede, de alguma forma, está marcado por um posicionamento partidário, mesmo aquilo que não tem uma forma panfletária.

PESQUISA CRITERIOSA

Diante dessa situação tão incômoda, sinto-me na obrigação de dizer que a pesquisa sobre temas políticos na internet precisa ser mais cautelosa. Eu, que muitas vezes, nesta mesma coluna, afirmei que a internet era um bom instrumento de pesquisa para o eleitor, tenho que dizer que essa tarefa não é fácil.

Agora, o eleitor terá que pesquisar de uma forma muito mais criteriosa. Ele terá que confirmar a informação várias vezes e ainda conferir a origem do dado que pretende tomar como verdade. O cuidado necessário para garantia da veracidade da informação, certamente, demandará mais tempo e paciência do eleitor. Tudo isso porque a internet tem deixado de ser um instrumento para obter informação rápida para se tornar, cada vez mais, uma ferramenta de multiplicação de boatos.

É importante que o eleitor entenda que não há problema nenhum em cada qual ter sua opinião e sua posição partidária. O que é criticável é o uso da mentira como tática de convencimento político. Defender um ou outro candidato é direito. Denunciar um ou outro candidato é dever de todo cidadão, desde que haja um motivo real para tal e pelo menos um indício da prática de crime. A palavra precisa ter valor na rede e em qualquer lugar. Fica aqui também uma dúvida. Por que é tão difícil para os órgãos públicos punir as campanhas caluniosas e difamatórias na internet? (transcrito de O Tempo)

 

A memória de Gonzaguinha num tempo sem memória

O economista, cantor e compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Junior (1945-1991) , conhecido como Gonzaguinha foi, sem dúvida, um dos maiores talentos da Música Brasileira em seus diversos estilos populares. Sua obra teve, inicialmente, como característica sua postura de crítica à ditadura militar, conforme mostra a letra de “Pequena Memória Para Um Tempo Sem Memória (À Legião dos Esquecidos)”, que faz parte do LP De Volta ao Começo, gravado em 1980, pela Emi-Odeon.

Pequena Memória Para Um Tempo Sem Memória (À Legião dos Esquecidos)

Gonzaguinha

Memória de um tempo onde lutar
Por seu direito
É um defeito que mata
São tantas lutas inglórias
São histórias que a história
Qualquer dia contará
De obscuros personagens
As passagens, as coragens
São sementes espalhadas nesse chão
De Juvenais e de Raimundos
Tantos Júlios de Santana
Uma crença num enorme coração
Dos humilhados e ofendidos
Explorados e oprimidos
Que tentaram encontrar a solução
São cruzes sem nomes, sem corpos, sem datas
Memória de um tempo onde lutar por seu direito
É um defeito que mata
E tantos são os homens por debaixo das manchetes
São braços esquecidos que fizeram os heróis
São forças, são suores que levantam as vedetes
Do teatro de revistas, que é o país de todos nós
São vozes que negaram liberdade concedida
Pois ela é bem mais sangue
Ela é bem mais vida
São vidas que alimentam nosso fogo da esperança
O grito da batalha
Quem espera, nunca alcança
Ê ê, quando o Sol nascer
É que eu quero ver quem se lembrará
Ê ê, quando amanhecer
É que eu quero ver quem recordará
Ê ê, não quero esquecer
Essa legião que se entregou por um novo dia
Ê eu quero é cantar essa mão tão calejada
Que nos deu tanta alegria
E vamos à luta.

  (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Black blocs prometem caos na Copa com ajuda do crime organizado, mas Dilma desmente

Black blocs prometem caos na Copa com ajuda do PCC

Lourival Sant’Anna
Estadão

Os black blocs que executaram as ações de grande repercussão do ano passado continuam fora do radar da polícia, e prometem transformar a Copa do Mundo “num caos”. Para isso, alguns deles esperam que o Primeiro Comando da Capital (PCC), a organização que domina os presídios paulistas e emite ordens para criminosos soltos, também entre em campo. Não se trata de uma parceria, mas de uma soma de esforços.

Com o compromisso de não identificá-los, o Estadão ouviu 16 desses black blocs, em seis encontros, na última semana. À diferença dos adolescentes que os imitaram em depredações, e que acabaram arrolados em um inquérito do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), eles são adultos, seguem tática desenvolvida há décadas na Europa e nos Estados Unidos, não têm página no Facebook nem querem aparecer.

Dos 20 que formam o núcleo da rede, apenas um está fichado, porque foi detido em uma manifestação. Movem-se na sombra do anonimato, articulam-se nacionalmente, e nunca haviam dado entrevista antes. Preocupados com sua imagem perante a opinião pública, decidiram falar, pela primeira vez. “Vamos estourar de novo agora”, promete o mais veterano deles, de 34 anos, formado em História na USP e com matrícula trancada no curso de Psicologia.

DANDO O TROCO

“A gente vai devolver o troco na moeda que o Estado impõe”, ameaça o ativista, que trabalha para um hospital público de São Paulo. “O caos que o Estado tem colocado na periferia, por meio da violência policial, na saúde pública, com pessoas morrendo nos hospitais, na falta de educação, na falta de dignidade no transporte, na vida humana, é o caos que a gente pretende devolver de troco para o Estado. E não na forma violenta como ele nos apresenta. Mas vamos instalar o caos, sim. Esse é um recado para o Estado.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A própria presidente Dilma Rousseff desmentiu os black blocs. Durante jantar com correspondentes estrangeiros, na terça-feira, ela disse que nem o Palácio do Planalto nem os governos estaduais têm conhecimento de uma ação conjunta de black blocs e do Primeiro Comando da Capital (PCC) durante a Copa. “Não temos nenhum indício de que isso possa acontecer. Nem nosso serviço de inteligência detectou algo nesse sentido nem tivemos informações dos governos estaduais”, afirmou Dilma, conforme o jornal argentino Clarín. Então, fica combinado assim. (C.N.)

Paulo Octavio ficará preso, pelo menos, até o julgamento do mérito do habeas corpus

 

José Carlos Werneck

Como foi negado o pedido de habeas-corpus feito pelos advogados do ex-vice-governador de Brasília, Paulo Octavio, ele continuará preso até o julgamento do mérito do pedido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Ainda não há uma data marcada para a discussão, pelo plenário,do mérito do processo, que tramita em segredo de Justiça, já que a decisão foi encaminhada para o Ministério Público Federal do DF, que deverá se pronunciar sobre processo.

Somente depois disso, o desembargador João Batista Teixeira levará a discussão do caso para os demais membros do Tribunal.

GANGUE DOS ALVARÁS

Paulo Octavio foi preso na noite da última segunda-feira pela Polícia Civil do Distrito Federal, na Operação Atrio, que investiga com o Ministério Público local a atuação de uma máfia de alvarás.

O empresário, dono de uma das maiores construtoras da capital federal, foi preso em um de seus hotéis e levado para prestar depoimento na Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado.

A operação tem como alvo uma organização criminosa suspeita de corromper agentes públicos responsáveis pela liberação de alvarás em algumas regiões administrativas do DF. No governo de José Roberto Arruda, Octavio teve seu nome citado no escândalo conhecido como “Mensalão do DEM”.

Justiça nega pedido de liberdade a ex-governador do DF Paulo Octavio

Luciano Nascimento
Agência Brasil 

A Justiça do Distrito Federal (DF) negou hoje (5) o pedido liminar de liberdade ao ex-governador Paulo Octavio, que foi preso na segunda-feira (2), sob suspeita de participação em um esquema para liberação de alvará de construções irregulares.

Em sua decisão, o relator do processo, desembargador João Batista Teixeira, indeferiu o pedido dos advogados de Paulo Octavio. O mérito do pedido será analisado na próxima quinta-feira (12), quando se reúne novamente a 3ª Turma Criminal de Brasília.

Suspeito de participação em um esquema de corrupção de agentes públicos para a concessão de alvarás, investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal na Operação Átrio, Paulo Octavio teve o pedido de prisão preventiva decretado na segunda-feira. Ele foi preso à noite, quando deixava o escritório, localizado no centro de Brasília.

De acordo com a polícia, Paulo Octavio teria pago propina para conseguir a liberação de alvarás para seus empreendimentos. Com a decisão da Justiça do DF, o ex-governador continua preso no Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, em Brasília.

Com parecer favorável da Procuradoria, José Genoino pode cumprir pena em casa

Felipe Recondo
O Estado de S. Paulo

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defende, em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente do PT José Genoino, condenado por envolvimento no mensalão, deixe a cadeia e volte a cumprir pena em casa. Janot afirma haver dúvida sobre a capacidade da equipe médica do presídio de garantir atendimento a Genoino e argumenta que o ex-deputado, que passou por uma operação no coração em julho de 2013, pode correr risco se permanecer preso.

No parecer, o procurador diz que a gerência do sistema prisional demonstrou preocupação com a jornada de trabalho dos médicos, que seria insuficiente para garantir os cuidados necessários a Genoino.

O procurador-geral mencionou, inclusive, o relatório produzido por um médico da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. “A equipe de saúde prisional não dispõe de recursos para atender ou manter o paciente no CIR (Centro de Internação e Reeducação), enquanto não forem elucidadas as causas de suas queixas”, afirmou o médico José Ricardo Lapa da Fonseca.

CONTRA BARBOSA

Com o parecer, o procurador defende a reforma da decisão do ministro do STF Joaquim Barbosa. No final de abril, Barbosa determinou que Genoino voltasse para a cadeia, onde cumpriria a pena pelo crime de corrupção. Argumentava o ministro que a junta médica do Hospital Universitário de Brasília relatou não que Genoino não precisaria de cuidados especiais e que, por isso, poderia voltar ao presídio.

Janot afirma que, apesar do relatório da junta médica, há dúvidas sobre o risco de Genoino permanecer encarcerado. “Observa-se, assim, que, malgrado o relatório apresentado pela conceituada junta médica do HUB, do quadro fático em análise, e em especial pelas intercorrências surgidas após o retorno do sentenciado ao regime semiaberto, emerge razoável dúvida quanto ‘a possibilidade de o sentenciado cumprir pena, sem riscos substanciais à sua vida e saúde, no já naturalmente estressante ambiente carcerário”, argumenta Janot.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGTecnicamente, nenhum reparo ao parecer do Procurador. Ocorre, porém, que já está mais do que comprovado que Genoino é um mentiroso contumaz, um farsante que finge estar doente e é sempre desmentido pelas juntas médicas. Ninguém pode acreditar mais nele. E fica faltando o generoso Procurador dar idênticos pareceres para os milhares e milhares de cardíacos que estão a cumprir pena. (C.N.)

 

Decisão sobre extradição de Pizzolato fica para outubro

Andrei Netto
Estadão

Bolonha – A Corte de Apelações de Bolonha, na Itália, decidiu nesta quinta-feira, 5, adiar para 28 de outubro a decisão sobre se extraditará ou não o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado por envolvimento no mensalão.

A data da nova audiência foi marcada depois de três horas e meia de sessão, na qual advogados das duas partes foram ouvidos. De acordo com o defensor de Pizzolato, Alessandro Sivelli, a opção por adiar a decisão foi tomada porque o governo brasileiro não teria apresentado todos os documentos que garantam condições mínimas para o ex-diretor em presídios brasileiros.

Já o advogado que representa o Ministério Público Federal do Brasil, Michelle Gentiloni, não se pronunciou até o momento.

Pizzolato chegou ao tribunal em um camburão da polícia penitenciária italiana. Após alguns minutos de espera, ele foi retirado do veículo pela porta de trás e escoltado, algemado, por policiais, como mostram imagens obtidas com exclusividade pelo Estado.

FORAGIDO

Pizzolato fugiu do País após ter pedido de prisão expedido em novembro. Em fevereiro, o ex-diretor foi capturado em Maranello, a 332 quilômetros de Roma, onde vivia com passaporte em nome de um irmão já morto.

O pedido de extradição se baseia em documentação enviada pelo MPF, nas quais também constam fotos de instituições penais brasileiras nas quais Pizzolato poderia cumprir pena caso seja de fato enviado ao Brasil. A defesa do ex-diretor do BB argumenta que, porque dispõe de nacionalidade italiana, ele não pode ser extraditado pelas autoridades italianas. Outra alegação é que Pizzolato teria sido vítima de um julgamento político.

Do paraíso ao inferno, lá vai a classe média

Gaudêncio Torquato

Mais uma pista a indicar o andar da carruagem. Parcela da população brasileira é arrastada para cima e para baixo da pirâmide social pelas ondas de marés enchentes e marés vazantes. A primeira carrega as pessoas da classe C para um passeio pelos territórios do grupo B, às vezes com direito a uma escapulida (rápida) ao topo, onde habita a categoria A. Quem propicia a subida é a grana extra. A segunda empurra o contingente para as águas do fundo. Isso se dá quando a renda das famílias fica apenas no parco rendimento de aposentadoria, pensão ou bolsas.

Ponderável parcela da classe média que muda de condição, muitas vezes de um mês para outro, acaba ingressando no perigoso meio-fio da instabilidade, tornando-se ela própria um dos eixos a moverem a engrenagem da insatisfação social.

A insegurança que grassa por classes, espaços, setores e profissões tem se avolumado nos últimos meses, apesar de a taxa de desemprego se manter estável (em torno de 5% em março nas cinco maiores regiões metropolitanas). A questão é a baixa qualidade do emprego. Ademais, a precária estrutura de serviços não tem recebido do Estado alavancagem para oferecer bom atendimento ao povo.

As políticas sociais do governo, é oportuno lembrar, abriram buracos. A decisão de implantar gigantesco programa de distribuição de renda não tem sido acompanhada de uma política educacional estruturante.

POPULISMO ECONÔMICO

O governo forjou, de um lado, o populismo econômico para abrir as portas do consumo aos grupos emergentes, mas, por outro, deixou de lhes oferecer ferramentas (e valores) que balizam comportamentos da classe média tradicional. A ignorância em matéria financeira acabou estourando o bolso de tantos quantos achavam ter encontrado o Eldorado.

Como se recorda, o losango tem sido apresentado como o formato do novo Brasil: de topo mais espaçado, alargamento do meio e estreitamento da base. Acontece que o saracoteio da classe C não permite apostar na substituição definitiva da pirâmide pelo losango.

É verdade que parte considerável da tensão urbana se deve ao momento especial do país: vésperas de Copa do Mundo e de campanha eleitoral. Mas é inegável que há uma força centrípeta em ação.

Remanesce a questão: para onde as altas e baixas marés carregarão a classe C e, ainda, que consequências serão sentidas em outros conjuntos? A hipótese mais provável é que, a continuar o vaivém dos grupos emergentes, os sismos continuarão a balançar o losango, e este voltará a dar lugar à velha pirâmide. As conquistas obtidas com os avanços dos programas de distribuição de renda estariam comprometidas. As marolas geradas por impactos no meio da lagoa acabarão chegando às margens.

Em suma, enquanto as famílias de classe média se mantiverem “enforcadas”, o nó apertará o gogó de outros habitantes da pirâmide. O Brasil terá de voltar a crescer, de maneira forte e sadia, sem usar o esparadrapo de paliativos sociais. (transcrito de O Tempo)

 

Aumenta o suspense: Folha só vai divulgar a superpesquisa no sábado

Carlos Newton

O comentarista Marcos Jorge em boa hora nos informa que a superpesquisa presidencial do Datafolha, que desta vez ouviu o dobro do número de entrevistados pelos outros institutos, somente sairá na edição de domingo da Folha de S. Paulo, que começa a circular no sábado. E assinala:

“Não são apenas Dilma e Lula que a aguardam para tomar a decisão, Kassab e Meirelles e todo o PSD também a aguardam, bem como parte considerável do PMDB”.

Marcos Jorge tem toda a razão. Nessa reta final, estão em jogo também as candidaturas a vice e algumas coalizões importantes. Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central no governo Lula, já anunciou que não será candidato ao Senado em Goiás. Seu objetivo é ser vice na chapa de Aécio Neves.

Meirelles ficou magoado com Lula, que em 2010 pediu-lhe para não ser candidato e ficar no Banco Central, sob promessa de ocupar o ministério da Fazenda na gestão de Dilma Rousseff. Meirelles topou, Dilma foi eleita… e nada.

Quanto a Gilberto Kassab, presidente do PSD, ele posicionou o partido em cima do muro e está esperando para ver o que acontece. Como todos sabem, aqui no Brasil vale tudo em política, menos perder eleição. Por isso o PT demora tanto para confirmar a candidatura de Dilma, que hoje depende diretamente do resultado das pesquisas. Por isso esse levantamento do Datafolha é esperado com tanta ansiedade.

 

Deputado petista ligado ao crime não aceita ser suspenso pelo partido e vai recorrer à Justiça

Deu em O Tempo

O deputado estadual Luiz Moura, suspenso pelo PT por 60 dias por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), afirmou que pretende recorrer à Executiva Nacional do partido e, se for o caso, à Justiça, para garantir o direito de disputar a reeleição em outubro. As declarações foram feitas após uma sessão tumultuada da Comissão de Ética da Assembleia Legislativa, que terminou em bate-boca.

Moura criticou o presidente do PT estadual, Emídio de Souza, afirmando que a liderança já havia tomado a decisão de expulsá-lo antes mesmo de ouvi-lo. “Eu já sabia da decisão três ou quatro dias antes pelo próprio presidente, que não fala olhando nos olhos, fala abaixando a cabeça, sem estar convicto do que estava falando”, disse.

Procurado, Emídio disse que “não queria polemizar” com Luiz Moura, mas afirmou que lhe foram dadas todas as chances de defesa.

CANDIDATURA

Como não tem mais tempo para se filiar a outro partido e não poderá concorrer à eleição enquanto estiver suspenso, Moura não poderá ser votado em outubro. O deputado chamou seu afastamento de uma “decisão autoritária” e “arbitrária”. “Não é esse o partido pelo qual eu tanto militei.” No entanto, ele descarta se filiar a outra agremiação política.

Como se sabe, o petista foi flagrado pela Polícia Civil em uma reunião de motoristas de cooperativas de ônibus onde estavam também integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele argumenta que não sabia que parte dos presentes tinha ligação com o crime organizado.

Na Suíça também há consulta popular, mas só para as medidas mais importantes

Almério Nunes

“O Brasil não é uma nação, é um bando”, disse há tempos o grande ator Milton Gonçalves.
Lendo o brilhante texto de Jorge Béja sobre o caos jurídico no Brasil, aumenta a minha convicção quanto a esta sábia definição, à qual permito-me acrescentar: uma bando de escroques e canalhas.

Quanto ao comportamento do Joaquim Barbosa, não me parece assim fácil defini-lo. No lugar dele, eu teria saído atirando, teria “jogado a toga no chão e pronunciado palavras de renúncia”, como disse o Helio Fernandes em fevereiro passado. Mas – pergunto-me – teria sido esta a melhor atitude? O que estaria dentro da cabeça do JB? Estaria ele sabendo de algo que não sabemos? Ou estaria ele simplesmente de saco cheio de tudo e de todos, após travar suas batalhas momentaneamente perdidas (apenas momentaneamente?, pergunto), diante de pares verdadeiramente vendilhões, os fariseus de todos os templos? Neste tabuleiro, os próximos movimentos são desconhecidos ou… são conhecidos até demais.

Sobre a PNPS (Política Nacional de Participação Social), quero ver! Os suíços rejeitaram na semana passada, de forma esmagadora, a proposta de criar no país um salário mínimo de 4 mil francos suíços, que seria o mais elevado do mundo. Em referendo, 76% disseram ‘não’ ao piso proposto para o trabalho em 42 horas semanais. Lá não existe um piso definido e os salários são decididos por negociação individual ou por convenção coletiva.

“Isto poderia gerar desemprego em grande escala, em consequência da dificuldade para pagar este novo piso em regiões mais distantes e estruturalmente mais fracas”, argumentou o ministro da Economia Johann Amman.

Na Suíça, para que uma iniciativa seja aprovada, precisa obter a maioria do voto popular. E mais. Os suíços também rejeitaram nas urnas a compra de 22 aviões de combate da marca sueca Gripen. O projeto bilionário (US$ 3,4 bilhões) era apoiado pelo ministro da Defesa, Ueli Maurer, mas recebeu a rejeição de 53% dos eleitores, sendo abandonado em consequência.

Eis a Democracia em ação! O povo é consultado e sua decisão… suprema!!! “Não vamos assumir gastos que não poderemos honrar. O desarranjo para o país seria imenso”, assim manifestou-se o ministro Amman.

O Brasil algum dia seguirá esta forma de governar, de ‘bem administrar’ seus recursos?

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SUÍÇOS CONTRA O DESARMAMENTO

Francisco Vieira

Os suíços também votaram contra o desarmamento, cuja proposta foi lançada em 2006, por uma ampla coalizão de ONGs, sindicatos, pacifistas e partidos de centro-esquerda. A iniciativa pretendia introduzir regras extremamente rigorosas para a posse de armas e um cadastro nacional e centralizado para todas armas de fogo, tal qual as que, atualmente, foram implantadas no Brasil.

Com quase 60% dos votos, as propostas de restrições à posse de armas na Suíça foram rejeitada pela população em plebiscito, o que guardou impressionante semelhança ao referendo brasileiro de 2005.

Entretanto, os resultados práticos entre os dois referendos, embora com resultados iguais, foram muito diferentes. Aqui, na Jabuticaba do mundo, o povo também votou contra o desarmamento. Mas, ao contrário do que aconteceu na Suíça, o resultado aqui não foi respeitado pelo governo.

Agora, imagine o que não acontecerá quando os comitês de “Política Nacional de Participação Social” (PNPS) estiverem em funcionamento? Pedir opinião da população para quê?

A paixão em brasa de Alice Ruiz

A publicitária, tradutora, compositora e poeta curitibana Alice Ruiz Scherone, no poema “Teu Corpo Seja a Brasa”, revela usa a força do fogo para definir sua paixão.

TEU CORPO SEJA BRASA

Alice Ruiz
teu corpo seja brasa
e o meu a casa
que se consome no fogo

um incêndio basta
pra consumar esse jogo
uma fogueira chega
pra eu brincar de novo

    (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Comissão do Senado aprova poder de polícia e armas para guardas municipais

Karine Melo
Agência Brasil 

O Estatuto Geral das Guardas Municipais (PLC 39/14) foi aprovado nesta quarta-feira (4) pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Pela proposta, as corporações terão poder de polícia, com a responsabilidade de proteger tanto o patrimônio quanto o cidadão.

O projeto atribui ao integrante da guarda municipal porte de arma e o direito à estruturação em carreira única. Eles deverão utilizar uniformes e equipamentos padronizados, mas sua estrutura hierárquica não poderá ter denominação idêntica à das forças militares.

Sobre as competências das guardas municipais, além de prevenir, inibir e coibir infrações contra bens e instalações, elas deverão colaborar com os órgãos de segurança pública na pacificação de conflitos. Mediante convênio com órgãos de trânsito, as guardas poderão fiscalizar o trânsito e expedir multas.

Outra garantia do texto é que a corporação poderá encaminhar ao delegado de polícia, diante de flagrante delito, o autor da infração, preservando o local do crime. Poderá auxiliar na segurança de grandes eventos e atuar na proteção de autoridades.

CONSTITUCIONALIDADE

A proposta relatada pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) teve o apoio da maioria dos senadores. Mas o senador Pedro Taques (PDT-MT) apresentou emendas questionando a constitucionalidade de quatro artigos do projeto. Três deles por estabelecerem regras para provimento de cargos por parte do município, o que, no entendimento do senador, poderia ferir a autonomia desse ente federativo.

O outro ponto apontado por Taques é o artigo que atribui obrigação a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) quanto à destinação de linha telefônica de número 153 e faixa exclusiva de frequência de rádio aos municípios que tenham guarda municipal.

As emendas não chegaram a ser debatidas e, segundo o presidente da comissão, Vital do Rêgo (PMDB-PB), serão discutidas quando a matéria for colocada em votação no plenário do Senado, para onde será remetida com pedido de votação em regime de urgência.