Como se equivocar na economia

Paul Krugman
NYTIMES.COM

Na semana passada, participei de uma conferência organizada pelo Rethinking Economics, um grupo conduzido por estudantes para promover – adivinhe – reconsiderações sobre a economia. E Mamom (figura que personifica o dinheiro e a avareza) sabe que a economia precisa ser repensada depois uma crise desastrosa, que não foi prevenida, sequer prevista.

Acho importante lembrar, porém, que amargamos vários fracassos intelectuais nos últimos anos, em diversos níveis. Não há dúvida de que a economia como disciplina tomou rumos equivocados durante anos – ou décadas -, e facilitou a crise. Mas as falhas na economia foram consideravelmente agravadas pelos pecados dos economistas – que frequentemente deixam o favoritismo ou o autoengrandecimento prevalecerem sobre o profissionalismo.

Por último, mas não menos importante, os responsáveis por políticas econômicas escolhem sistematicamente ouvir apenas o que lhes interessa. A sobreposição de equívocos em diversos níveis – e não apenas a inadequação do discurso econômico – é a responsável pela terrível performance da economia ocidental desde 2008.

Em que sentido a economia tomou rumos equivocados? Quase ninguém previu a crise de 2008, embora esse lapso seja compreensível em um mundo tão complexo. Por outro lado, é assustadora a convicção dos economistas de que uma crise como essa não poderia acontecer. Nas entrelinhas dessa complacência, reside a idealização de um capitalismo no qual os indivíduos são sempre racionais, e os mercados funcionam perfeitamente.

MODELO ECONÔMICO

Modelos ideais desempenham um papel importante no estudo da economia (e, claro, em qualquer disciplina), clareiam o pensamento. Mas a partir dos anos 1980, tornou-se cada vez mais difícil questionar o modelo econômico idealizado nos grandes meios de comunicação. Economistas que tentam levar em conta as imperfeições do sistema enfrentam o que Kenneth Rogoff – figura nada radical de Harvard (e com quem tenho divergências) – chamou de “nova repressão neoclássica”. E deveria ser desnecessário dizer que negligenciar a irracionalidade e os equívocos do mercado significou fechar os olhos para a possibilidade de uma catástrofe econômica como a que assolou o mundo desenvolvido há seis anos.

Alguns economistas especializados sustentaram uma visão de mundo mais realista, debruçaram-se sobre textos de macroeconomia e, apesar de não terem previsto a crise, realizaram um bom trabalho ao prever cenários de contenção para os desdobramentos da crise. Medidas como a baixa nas taxas de juros para enfrentar grandes déficits orçamentários, a redução da inflação para lidar com o crescimento da oferta monetária, e o arrocho econômico em vários países com a imposição de políticas de austeridade fiscal surpreenderam âncoras da TV, mas tratam-se de resoluções fundamentadas em modelos básicos de cenários pós-crise.

Se esses modelos não desempenharam tão mal o papel de mitigar a crise, muitos economistas influentes não corresponderam às expectativas: recusaram-se a assumir seus erros, deixaram favoritismos explícitos influenciar suas análises, ou encarnaram as duas atitudes. “Ei! Afirmei que outra grande depressão jamais aconteceria novamente, e não estava errado. O problema é que a economia está reagindo ao fracasso anunciado do Obamacare.”

NATUREZA HUMANA

Pode-se dizer que essa é a natureza humana, pois enquanto economistas conservadores cometiam equívocos intelectuais chocantes, alguns pares mais à esquerda também pareciam mais interessados em defender seu quinhão e condenar homólogos rivais do que em prever e prevenir a crise. De qualquer forma, o comportamento dos dois lados pareceu descabido, especialmente aos que acreditaram que realmente estavam debatendo questões de economia.

Mas se os economistas tivessem se comportado melhor, teria sido diferente? Ou os líderes no poder teriam feito exatamente as mesmas coisas?

Os responsáveis por políticas econômicas não passaram os últimos cinco ou seis anos submetidos a ortodoxias econômicas, ao contrário do que se poderia pensar. Ao tomar decisões importantes, foram altamente receptivos a inovações, heterodoxias e ideias econômicas novas – que muitas vezes se revelaram equivocadas, mas ofereceram justificativas para as medidas tomadas.

PÂNICO IRREAL

A grande maioria dos especialistas em política econômica acredita que o aumento dos gastos públicos em períodos de depressão estimula a criação de empregos, enquanto os cortes orçamentários produzem o efeito contrário. Mas líderes europeus e estadunidenses decidiram acreditar na palavra de um punhado de economistas que dissertam o oposto. Nem a teoria, nem a história justificam o pânico em relação aos níveis atuais de déficit orçamentário, mas os políticos insistiram em entrar em pânico, usando como justificativa uma pesquisa pouco fundamentada (que revelou-se também enganosa).

Não estou dizendo que a economia está em forma, ou que seus desvios não importam. Sim, importam, e sou a favor de repensar e reformular esse campo.

O grande problema da política econômica, porém, não é o fato da economia convencional não dizer o que deve ser feito. Em realidade, o mundo estaria muito melhor se as medidas econômicas tomadas no mundo real refletissem as lições da Econ 101. Se destroçamos tudo, a culpa não está nos textos, e sim em nós mesmos.

Depois do golpe da pesquisa atrasada, Ibope divulga Dilma em queda e Aécio subindo

Deu em O Globo 

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira aponta queda de três pontos percentuais da presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) na disputa eleitoral. A petista, que na semana passada estava com 39%, agora está com 36%. Marina Silva (PSB) oscilou um ponto, e caiu de 31 para 30%. A margem de erro da pesquisa é de dois percentuais para mais ou menos. Aécio Neves, do PSDB, está com 19% das intenções de voto. O tucano cresceu quatro pontos em relação a pesquisa anterior. Votos brancos e nulos são 6%, e indecisos, 7%. O Ibope entrevistou 3.100 eleitores entre os dias 13 e 15 de setembro. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo 00657/2014.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDepois do golpe da pesquisa atrasada, aplicado na última sexta-feira, quando o Ibope divulgou um levantamento anterior ao do Datafolha como se fosse posterior, levando a crer que a candidata Dilma Rousseff estava em viés de alta e Marina Silva em tendência de baixa, o instituto carioca mostrou hoje números mais aceitáveis. Quem ficou em situação pior ainda foi o Vox Populi, que na pesquisa divulgada ontem dava Dilma com 9 pontos de frente para Marina no primeiro turno, como se a candidata do PSB estivesse em queda livre, vejam a que ponto vai a desfaçatez. Para os resultados ficarem mais palatáveis, Ibope e Vox Populi ainda mantém Marina na frente no segundo turno, com 42% a 41%. Mas na última pesquisa Datafolha, muito mais ampla e confiável, porque ouviu mais de 10 mil pessoas em 677 municípios, Marina e Dilma estão em empate técnico no primeiro turno e Marina abre 4 pontos de frente no segundo turno. E amanhã sai a nova pesquisa Datafolha, ouvindo quase 6 mil pessoas. Vamos ficar de olho nessas pesquisas, porque a manipulação é fácil de ser realizada e não faltam “analistas” para justificá-las. (C.N.)

 

Procurador Janot pede que TSE barre candidatura de Maluf

Beatriz Bulla
Estadão

O procurador-geral eleitoral, Rodrigo Janot, encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) parecer desfavorável à candidatura do deputado federal Paulo Maluf (PP) nas eleições deste ano. Janot aponta que, com base na Lei da Ficha Limpa, Maluf seria inelegível devido a condenação por ato doloso de improbidade administrativa que gerou enriquecimento ilícito e lesão ao patrimônio público.

O parecer foi encaminhado em um recurso no qual Maluf questiona decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo que enquadrou Maluf na Lei Ficha Limpa e indeferiu sua candidatura à Câmara dos Deputados nas eleições deste ano. Como ele recorreu ao TSE, contudo, o processo ainda não transitou em julgado e ele ainda pode continuar com sua campanha.

No final do ano passado, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou o deputado por improbidade administrativa sob acusação de superfaturamento na construção do Túnel Ayrton Senna, obra realizada durante sua gestão como prefeito da capital paulista.

ENRIQUECIMENTO

A Procuradoria menciona que Maluf, na Prefeitura de São Paulo, nomeou Reynaldo Emygdio de Barros, homem de sua confiança, para a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) e para a Secretaria Municipal de Obras e Vias Públicas. No parecer enviado ao TSE, Janot afirma que a conduta de Maluf contribuiu diretamente para o enriquecimento de Emygdio e cita fraude em processo licitatório.

O PGR destaca no parecer entendimento de que a conduta do ex-prefeito pode caracterizar dolo eventual, devido ao “afrouxamento dos controles de pagamento” em comum acordo com Emygdio. O acórdão do TJ-SP reconheceu a lesão ao patrimônio público, com dano fixado em R$ 21 milhões em abril do ano passado, ainda de acordo com o parecer. O procurador aponta as iguais condenações de Maluf e Emygdio no TJ.

Janot rebate alegação da defesa de que Maluf não foi condenado por ato doloso afirmando que, independentemente da qualificação jurídica, “a Justiça Eleitoral pode aferir a presença dos requisitos para a incidência de causa de inelegibilidade”. Maluf pode continuar em campanha enquanto não houver decisão final na Justiça eleitoral.

 

Ministro do Supremo determina pagamento de auxílio-moradia aos juízes federais

Luiz Fux: “Por que discriminar os juízes federais?

André Richter
Agência Brasil

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou hoje (16) o pagamento de auxílio-moradia a todos os juízes federais, inclusive àqueles que possuem casa própria na cidade onde trabalham.

Ao deferir a liminar, Fux determinou que os tribunais regionais federais sejam notificados para iniciarem o pagamento. Como o valor não foi regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o benefício deverá ser de acordo com o valor pago no Supremo, aproximadamente R$ 4 mil.

O pagamento do benefício é garantido pela Lei Orgânica da Magistratura (Lei Complementar 35/1979). Conforme o Artigo 65, além dos salários, os juízes podem receber vantagens, como ajuda de custo para moradia nas cidades onde não há residência oficial à disposição.

Ao impetrarem a ação no Supremo, alguns magistrados e a Associação dos Juízes Federais (Ajufe) alegaram que o auxílio-moradia é pago a juízes estaduais e de tribunais superiores, mas não é concedido aos magistrados federais, que são obrigados a custear despesas com aluguel.

Na decisão, o ministro Luiz Fux  entendeu que o auxílio deve ser pago a todos os juízes, por estar previsto em lei. “O direito à parcela indenizatória pretendido já é garantido por lei, não ressoando justo que apenas uma parcela o perceba, considerado o caráter nacional da magistratura”, disse.

Reeleição funciona como a mãe de todas as corrupções, diz Joaquim Barbosa

Flávio Ferreira
Folha

Na primeira palestra após ter se aposentado, o ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa afirmou nesta terça-feira (16) que a reeleição funciona como a mãe de todas as corrupções.

“Em países em fase de consolidação institucional, a reeleição funciona como a mãe de todas as corrupções”, disse Barbosa durante seu discurso no 13° Congresso Internacional de Shopping Centers, evento organizado pela Abrasce, entidade representativa dos shoppings do Brasil, na zona sul de São Paulo.

Barbosa atacou ainda o instituto da reeleição ao falar sobre mudanças que ele considera necessárias para o sistema institucional do país. O ex-ministro afirmou ainda que o período das campanhas deveria ser reduzido pela metade e que elas não levam informação aos eleitores. “Não acho que haja informação ao eleitor nesse sistema. Isso é um engodo”.

Barbosa também defendeu a adoção do voto distrital. Segundo ele esse mecanismo “mudaria muita coisa no Brasil e pelo menos conseguiríamos eleger um número razoável de pessoas qualificadas e com relação direta com os distritos”.

CLÁUSULA DE BARREIRA

O ex-magistrado criticou o fato de o país ter mais de trinta partidos políticos em seu sistema eleitoral. “É absolutamente irracional o país ter 32, 33 partidos. Havia um mecanismo que iria reduzir sensivelmente o número de partidos no país, a cláusula de barreira. Por meio da cláusula de barreira os partidos só teriam viabilidade funcional se atingissem um certo percentual dos votos válidos. Ela iria entrar em vigor em 2010, mas uma decisão infeliz do Supremo Tribunal Federal impossibilitou a aplicação da cláusula de barreira.”

O ex-presidente do STF deve proferir outras quatro palestras na sequência, em Santa Catarina, agendadas pela ATA Palestras. Além de ministrar palestras, o ex-magistrado pretende, no futuro, trabalhar na área jurídica, elaborando pareceres.

A quem interessa? Ou SOS Justiça Federal!

Fernando Orotavo Neto

O Judiciário é um dos três Poderes da República. A ele compete dizer o direito (jurisdictio) e resolver os conflitos intersubjetivos (entre sujeitos) de interesses. Sempre que há um litígio, cabe ao Judiciário decidi-lo, porque no Brasil, assim como em todos os países que se constituíram sob a forma de Estado Democrático de Direito, vige o princípio da ubiquidade da Justiça. Exatamente por isso, não se concebe possa existir democracia sem Justiça – usada a palavra, aqui, metonimicamente, no lugar de Poder Judiciário.

A Constituição da República, em seu art. 95, incisos I, II e III, declara que os juízes gozam das seguintes garantias: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídio. O que ela não diz, entretanto, é que essas garantias foram conferidas ao magistrado em prol do cidadão. Isto mesmo. Essas três garantias asseguram a independência, a imparcialidade e a dignidade do magistrado, em relação a fatores externos e internos.

A vitaliciedade garante que o juiz não pode perder seu cargo por desagradar a políticos ou a outros magistrados que se encontram em posição hierárquica superior à dele. A inamovibilidade assegura que o juiz que vai julgar a causa não pode ser escolhido, removido ou substituído, para que a outra parte se favoreça ilicitamente, obtendo decisão direcionada a seus interesses pessoais e egoísticos. Já a irredutibilidade de subsídios, garante o livre exercício das atribuições do juiz, evitando formas nefastas de pressão econômica ou financeira, a qual todo homem está sujeito, enquanto ser humano (Cf. Terêncio: Homo sum; humani nil a me alienum puto). A irredutibilidade dos subsídios é, portanto, modo proficiente de manter a dignidade do magistrado, colocando-o à salvo do interesse mesquinho e odioso de eventuais corruptores.

COMO SERIA? 

Pense bem, cidadão. Como seria um processo judicial em que os juízes pudessem perder seu cargo pelo simples fato de suas decisões desagradarem a políticos ou aos próprios órgãos de organização judiciária ao qual pertencem? Como seria se a vontade de alguém, que não a da lei, pudesse interferir no julgamento da causa, a ponto de escolher o juiz que vai julgá-la, a ponto de removê-lo ou substituí-lo, para favorecimento de uma das partes? Como seria se os subsídios dos juízes pudessem ser reduzidos, cada vez que eles proferissem uma decisão que desagrada ao Poder Executivo ou Legislativo?

Os juízes não são seres sobre-humanos, mas pessoas como nós. Daí também se aplicar a eles a advertência feita por Alexander Hamilton, o primeiro Secretário do Tesouro dos Estados Unidos da América, nomeado que foi por George Washington, e colhida da sua já clássica obra, “O Federalista”, escrita com James Madison e John Jay: “mexer na subsistência é mexer na vontade”.

Fácil verificar, pois, que a previsão constitucional de que os subsídios dos magistrados estejam assegurados integralmente durante o período em que exercem suas funções é garantia deles, mas foi fixada, também, em prol do jurisdicionado, do cidadão, dos menos favorecidos e dos hipossuficientes, em suma e em síntese, daqueles que não só almejam, mas precisam de uma justiça independente e imparcial, cuja dignidade não pode ser conspurcada pelo aviltamento de seus subsídios, sob pena de a transformarmos num balcão de negócios.

NORMA CONSTITUCIONAL 

Não que os juízes ganhem pouco, a se considerar o que ganha a maioria da classe trabalhadora brasileira, cujo salário é indexado pelo salário mínimo; cujo nome, mínimo, já diz tudo. Não é disso que trato aqui, mas de cumprimento da norma constitucional, de torná-la efetiva em função da realidade do nosso país.

De que adianta haver previsão quanto à irredutibilidade jurídica dos subsídios – a garantia de não diminuição do seu valor nominal –  num país em que a Taxa Selic desponta a 11% ao ano, e o custo de vida e a inflação só fazem crescer?

Parece-me inquestionável e induvidoso que, com vistas à garantia plena da eficácia da norma constitucional, é necessário que se assegure aos magistrados a irredutibilidade real, ou, para dizer-se o mínimo, que seus subsídios sejam corrigidos monetariamente pela variação dos índices oficiais que calculam a inflação, fenômeno que resulta na perda do poder aquisitivo da moeda em virtude do aumento dos preços. Se a correção monetária não importa em ganho de capital, claro está, como a luz solar, que a manutenção do valor nominal dos subsídios dos magistrados em patamar inferior ao da desvalorização do poder de compra da moeda, ou seja, em nível inferior ao da correção monetária fixada pelo índice oficial, importa na redução real dos seus subsídios, o que é vedado pela Constituição e foi tudo o que o legislador constituinte pretendeu evitar.

HÁ SETE ANOS…

Acontece, entretanto, que os juízes federais, apesar da relevante função que exercem, há 7 (sete) anos não são contemplados com o aumento de seus subsídios, os quais sequer vêm sendo corrigidos monetariamente.

Os membros do Ministério Público Federal conseguiram equiparar seus vencimentos aos subsídios dos juízes federais e, hoje, ganham muito mais que eles, apesar de uns e outros exercerem funções desiguais, sabido, especialmente, que o MPF não constitui um dos Poderes de República.

Não se pretende, neste desvalioso artigo, desmerecer os integrantes do MPF, que exercem relevante função social e de interesse público. Fique isso bem claro. No entanto, qual a explicação para que desiguais sejam tratados de forma igual, se há milênios, ninguém menos do que Aristóteles (Ética a Nicômaco, Livro V) já declarava que a equidade, regra basilar da Justiça, está em tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual?

Se houve equiparação financeira (embora tendo origem no erro de se considerar iguais pessoas que efetivamente não o são, haja vista exercerem funções visivelmente distintas), como deixar de reconhecer que os juízes federais, por força da isonomia concedida ao MPF, possuem, no mínimo, o direito de receber o mesmo valor nominal percebido pelos procuradores da República? Como chamar isto? Duplo erro? O tratamento isonômico não faz valer para um o que vale para o outro?

DILMA VETOU 

No entanto, por questões orçamentárias – a velha desculpa de sempre, que, entretanto, não serve para explicar a farra com o dinheiro da Petrobrás, por exemplo – a doutora Dilma vetou a pretensão equiparatória dos juízes federais, conquanto, tempos antes, a tenha concedido ao MPF. Será este um exemplo da utilização maligna da régua de Lesbos?

Será que, por que compete aos juízes federais processar e julgar as causas de interesse da União, autarquias federais e empresas públicas federais, estamos diante de punição política, do tipo “ou vocês julgam do jeito que queremos ou manteremos o valor nominal dos seus subsídios congelado”? Será tentativa de cooptação ideológica do Poder Judiciário? Sim, as perguntas se fazem pertinentes, porque não há razão de ordem lógica, ou de natureza jurídica, que justifique o aviltamento, mediante redução real, dos subsídios dos magistrados federais, e bem assim a sua não equiparação aos vencimentos do MPF, em sentido inverso, como já deferido alhures.

Ora, se a redutibilidade não interessa ao legislador constituinte e ao Estado Democrático de Direito, não interessa aos advogados, e, como aqui já se explicitou, não interessa ao jurisdicionado, cabe, então, perquirir à Presidenta do Brasil: A QUEM INTERESSA MANTER O VALOR NOMINAL DOS SUBSÍDIOS DOS MAGISTRADOS FEDERAIS CONGELADO HÁ MAIS DE 7 ANOS?

Realmente, não sei a quem interessa; só sei que a Justiça Federal pede socorro!

*Fernando Orotavo Neto é advogado e jurista.

 

Justiça Eleitoral faz campanha para diminuir o índice de não comparecimento para votação, que tem sido alto

Larissa Veloso
O Tempo

Em junho de 2013, muitos usaram o grito “vem pra rua” para conclamar as pessoas a participarem das manifestações. Mais de um ano depois, a Justiça Eleitoral tenta transformar esse entusiasmo em participação política, com a campanha Vem pra Urna. “A ideia é que a população entenda que o seu clamor por mudança, esse desejo de ser ouvido, pode ser canalizado para o momento da votação. Todo o material gráfico das eleições terá a marca do Vem pra Urna este ano”, explica o coordenador de Comunicação Social do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), Rogério Tavares.

Mas a Justiça Eleitoral tem uma difícil tarefa pela frente, já que, nas últimas eleições, em 2012, cerca de 16% dos eleitores não compareceram às urnas. Em 2010, ano de eleição presidencial, a abstenção no segundo turno chegou a 21,5%, maior patamar desde 1994. O coordenador do curso de Relações Internacionais da Newton Paiva, Leandro Cesar Diniz, explica que um dos motivos para a falta dos eleitores está na própria política. “Hoje há uma desconexão entre a vida comum e a política. As pessoas não conseguem enxergar como uma eleição pode afetar a vida cotidiana. Então, por que sair de casa e pegar fila para votar?”, questiona.

Outros fatores apontados por ele são a facilidade de justificar o voto e o baixo valor da multa para quem não comparece à zona eleitoral, de R$ 3,50.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A reportagem não cita o motivo principal do grande número de abstenções e também de votos nulos e em branco: o baixo nível da política brasileira, que está mergulhada numa fase de lama, onde contam-se nos dedos os parlamentares probos e que lutam pelo interesse nacional. (C.N.)

Sob a névoa eleitoral, as necessidades do Brasil

Henrique Meirelles
Folha

O debate eleitoral está centrado na economia e seus desdobramentos sociais e políticos. Mas o acirramento da campanha e sua passionalidade fazem com que ele não contribua para o melhor entendimento dos problemas e das soluções.

É importante neste momento não perder de vista os desafios de curto e longo prazo que o próximo governo, qualquer que seja, enfrentará.

No curto prazo, três questões devem ser equacionadas para reduzir incertezas e elevar investimentos:

1) aumentar o superavit fiscal, o que inverteria a trajetória de aumento da dívida e poderia evitar a redução da nota de classificação de risco do país;

2) assegurar a convergência da inflação ao centro da meta;

3) reduzir o deficit nas transações com o exterior, o que contribuiria para elevar confiança e investimentos.

Para atingir estes objetivos, serão necessárias:

1) redução de despesas, desonerações e desembolsos do governo e eventuais correções arrecadatórias;

2) correção dos preços administrados no início do governo conjugada a política monetária eficiente, que facilita a queda de expectativas de inflação e, em consequência, da própria inflação;

3) maior liberdade de flutuação do câmbio, que ajuda a reduzir desajustes externos de curto prazo.

Resultado de políticas críveis, o aumento da confiança e da credibilidade elevará o investimento doméstico e externo, reduzindo fragilidades.

DESAFIOS DE LONGO PRAZO

Há ainda os desafios de longo prazo. Sumarizando, temos:

1) educação. Elevamos o número de alunos e os anos de escolaridade, mas agora é fundamental focar na qualidade;

2) custo fiscal elevado e complexo;

3) custo de energia acima da média mundial;

4) logística inadequada, com desempenho abaixo da média.

As soluções virão com investimentos na qualidade da educação, reforma tributária que reduza o custo fiscal e eleve sua eficiência, reforma da área de energia para aumentar a oferta e mais investimentos em infraestrutura.

O Brasil tem vantagens e forças importantes para reagir e competir globalmente. O mercado de consumo de grande porte, o oitavo do mundo, dá escala de produção. A estabilidade política, apesar das críticas a sua qualidade e aspectos éticos, está acima da média, com democracia estável desde os anos 1980.

Se o Brasil não resolver os problemas de curto e longo prazo, deveremos manter crescimento baixo nos próximos anos. Resolvidas as questões de curto prazo, sem endereçar as de longo prazo, o crescimento pode ficar entre 2% e 3%. Mas, se enfrentarmos os desafios estruturais de curto e longo prazo, teremos condições de voltar a crescer ao redor de 4% como na década passada e aumentar o bem estar da população.

No Oriente Médio, força do mal nova, depois da força do mal velha

Robert Fisk
The Independent , UK
Ressurreição, reinvenção e linguística. Barack Obama fez de tudo. E agora fala de os EUA irem à guerra também na Síria, além de no Iraque. Oh, yes, e ele vai derrotar o ISIS, o “barbarismo”, o “genocídio”, a “ideologia distorcida” do ISIS – até que os malditos sejam “evanescidos da face da Terra”. Saudades de George W Bush…

Mas examinemos a coisa com lente linguística. Primeiro, Obama vai obrar a ressurreição das milícias sunitas “Conselho do Despertar” – criatura criada por um tal general David Petraeus – que recebia salário para combater a al-Qaeda pago pelos norte-americanos durante a ocupação norte-americana do Iraque, mas foi varrido de lá pela al-Qaeda e traído pelo governo iraquiano dominado por xiitas. Obama até inventou nome novo: chamou-as de “Unidades da Guarda Nacional”, que vão “ajudar comunidades sunitas a proteger a própria liberdade delas contra o ISIL.” Guarda Nacional, é? Façam-me o favor!

E há também a reinvenção da tal oposição síria “moderada”, que antigamente se chamava Exército Sírio Livre – constituído de desertores corruptos e traídos tanto pelos seus aliados ocidentais como também traídos pelos aliados islâmicos deles –, que já nem existe. Esse exército fantasma será chamado de “Coalizão Nacional Síria” e será treinado – e onde mais seria?! – na Arábia Saudita, cujos cidadãos deram zilhões de dólares à al-Qaeda no Iraque, também chamada ISIS, ISIL, Estado Islâmico (você mesmo escolhe a sigla), Jabhat al-Nusra inúmeros outros sujeitos-do-mal os quais, agora, Obama quer ver “banidos da Terra”.

E A SÍRIA DE ASSAD?

E há também a coisa linguística. Obama “não hesitará em empreender ação contra o ISIL na Síria”. Mas, então, significa que ele vai tornar “banidos da Terra” os inimigos do presidente sírio Bashar al-Assad, o mesmo que Obama já estava quase “banindo da Terra” ano passado – até que se borrou e preferiu deixar Assad em paz. Assim sendo, se o inimigo do meu inimigo é meu inimigo – como há quem suponha que os árabes digam por lá, uns aos outros – Assad pode ver Washington praticamente como nova aliada.

Mas, não, não, não. Nada disso. Aí começaram as difíceis explicaçõezinhas bem sujas: os EUA “não podem confiar num regime Assad que aterroriza o próprio povo”, regime que “nunca mais recuperará a legitimidade que perdeu”. Mas ninguém nunca mandou que os EUA “confiassem” em Assad – Assad é quem já confia no apoio da Rússia. E a legitimidade de Assad é reconhecida e respeitada por China, Irã – com quem os EUA estão tendo íntimas conversações nucleares – e pela Rússia, cujos exércitos claramente não hesitaram “em empreender ação” na Ucrânia.

Feitas as contas, um belo estado de coisas. E parte do problema é que os EUA não têm memória semântica – nem institucional nem nacional. Obama conta que os EUA vão “caçar terroristas que ameaçam nosso país”. Mas eu me lembro do vice-presidente George Bush dizendo ao seu povo, depois que a Marinha dos EUA bombardeou Beirute em 1983 que “não deixaremos um bando de covardes terroristas insidiosos abalarem a política externa dos EUA”. Na sequência, os militares norte-americanos fugiram de Beirute. Três anos depois, o presidente Ronald Reagan disse de Muammar Gaddafi da Líbia (“cachorro louco do Oriente Médio”), que “fugiu – mas não tem onde se esconder”. Mas Gaddafi escapou – e ainda foi beijado por Tony Blair, depois de ser perdoado por todo o seu “terrorismo” – só para ser assassinado muito depois, quando outra vez voltou a ser “terrorista” tudo outra vez.

LIÇÕES DE HISTÓRIA

É fácil entender que essas lições de história do Oriente Médio sejam muito difíceis, quase incompreensíveis, para o norte-americano médio. Todas essas forças do mal banidas e rebanidas tudo outra vez, outra vez, até que – bingo – aparece força do mal nova a ser banida. E vem Obama e produz palavras fáceis de engolir, “genocídio”, “barbarismo”, “câncer”.

Só ocasionalmente aparece alguma coisinha que nada tem a ver com o que foi dito antes – e que os norte-americanos devem fingir que não viram que nada tem a ver com o que foi dito antes. Nesse discurso apareceu, por exemplo, aquela estranhíssima referência que Obama fez a “grupos radicais” que exploram ressentimentos em benefício deles mesmos”. E que “ressentimentos” seriam? – pergunto eu. A invasão ilegal do Iraque em 2003 e o concomitante banho de sangue? Nossa ocupação sem fim do Afeganistão? A pulverização de Gaza, pelo maior aliado dos EUA?

E O TAL ALIADO?

Obama, o generoso, não pronunciou o nome do tal aliado, embora ele tenha aposta muito alta já feita na nova guerra reexpandida dos EUA no Oriente Médio. Israel, afinal, tem importante fronteira com a Síria. Mas Arábia Saudita, Qatar e os demais Cresos-sunitas árabes do Golfo podem não gostar de que seus cidadãos sejam relembrados de que a renovada aliança com Washington – treinar aqueles carinhas “moderados” inexistentes, por exemplo – ajudará Israel, e muito.

A estridente ironia é que os homens do “Estado Islâmico” são açougueiros, decepadores de cabeças e limpadores étnicos de inimigos. O “estado” que inventaram e o sadismo converteram-nos numa estranha combinação de Mickey Mouse com Genghis Khan. Mas nunca, em tempo algum, por estranho que pareça, o EI tentou explorar qualquer “ressentimento” anônimo dos que Obama comentou.

A “ideologia” (aspas de citação, para não deixar dúvidas sobre quem disse o quê) deles é tão totalmente introvertida que, até hoje, o EI, islâmico e tudo, jamais pronunciou uma palavra, que fosse, de simpatia pelos palestinos de Gaza, nem durante todo o longo e mais recente evento de massacre perpetrado pelos israelenses contra palestinos. Há ressentimentos, sim, é claro. Haverá talvez um Curdistão? Haverá algum dia uma Palestina?

Pois Obama não disse palavra sobre esses assuntos infinitamente mais graves. Temo que se trate da mesma velha política dos EUA: confrontar a maior crise nova no Oriente Médio que surgiu desde a maior crise velha no Oriente Médio. O que seria de nós, sem os EUA para fazerem esse serviço?!

 (artigo enviado por Sergio Caldieri)

Candidatos ao governo do DF repensam campanha, na disputa pelo legado de Arruda

Jofran Frejat substitui Arruda na disputa do DF

José Carlos Werneck

A campanha no Distrito Federal sofreu uma brusca mudança às vésperas da eleição. Com a desistência do ex-governador José Roberto Arruda, substituído por seu vice Jofran Frejat e a mulher do ex-governador, Flávia Peres Arruda, os concorrentes ao governo do Distrito Federal disputam avidamente os votos do legado do então líder absoluto das pesquisas, repensam a eleição e fazem novos planos .

Com as mudanças e a saída do favorito, só a próxima pesquisa eleitoral deverá mostrar se ocorreu uma transferência de votos para o substituto. Neste cenário para lá de duvidoso, os coordenadores de campanha dos candidatos acham que muitos mudarão de lado. Além dos votos que podem não ir para a chapa substituta, as últimas pesquisas mostram que brancos, nulos e indecisos atingiam cerca de 18% de eleitores.

Especialistas apostam em um novo quadro eleitoral, mas acham que só uma nova pesquisa indicará o que realmente ocorreu. Para Ricardo Caldas, cientista político, o eleitor do DF tem característica de fidelidade, mas não há transferência integral de votos.

COMEÇA DO ZERO?

“É uma nova eleição, é como se tivesse começado do zero, então, todos os candidatos precisarão mudar as estratégias. É difícil saber o quanto Arruda vai conseguir transferir de votos para Frejat. Acho que muitos eleitores podem acabar votando em branco ou nulo. A verdade é que a campanha vai assumir outro tom. O candidato que tende a receber menos votos com essa mudança é Agnelo. O eleitor do Arruda não vai migrar para o PT. Então, resta saber como esses eleitores se dividirão”, avalia Everaldo Moraes, também cientista político.

Para Alexandre Varela, coordenador da campanha do candidato Toninho do PSol, a eleição, gora, começa do zero. “Frejat terá dificuldades em captar todos os votos do Arruda por ser mais conservador. E vamos explorar isso”.

Com essa visão, o PSol prepara uma nova estratégia para até 5 de outubro. “Vamos ter uma tática de demonstrar que Agnelo Queiroz, do PT, Rodrigo Rollemberg, do PSB, e Luiz Pitiman, do PSDB, representam o mesmo projeto. Brasília precisa ter alguém diferente para mudar, e nós somos a alternativa. Arruda tinha o voto fiel a ele, ligado ao rorizismo e o eleitor que rejeita o Agnelo. Essa segunda opção de eleitorado é a que entra na disputa agora.”,

Segundo Achiles Pantazopoulos, coordenador da campanha de Luiz Pitiman do PSDB, a disputa recomeça com cerca de 60% dos votos ,37% de Arruda e o restante de branco e indecisos em aberto. Ele acredita que esse pode ser o momento de Pitiman, a 20 dias da eleição. “Ninguém aguenta mais o PT, o Arruda está fora e o Rollemberg não passa segurança para essa massa. A população enxerga no Pitiman o ficha limpa e o tocador de obras que pode mudar a situação do DF”, defendeu. A campanha do candidato não sofrerá alterações.

Era só o que faltava: Empreiteiras vão alegar que foram vítimas da Petrobrás

Sônia Racy
Estadão
As empreiteiras estão fechando uma estratégia comum ante a delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, que, certamente, atingirá estas empresas e seus executivos.Segundo fonte que acompanha os processos, a ideia é alegar crime de “concussão”. O que é isso? Está no Código Penal, artigo 316­: é o ato de exigir para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida.

Isto é, vão se defender, afirmando que foram vítimas de extorsão. Costa teria se valido do seu cargo de diretor na Petrobras para obter… dinheiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA argumentação é válida. Mas há um problema: concussão é apenas um dos crimes cometidos nas negociatas que envolvem a Petrobras. Há outros crimes nos quais as empreiteiras estão incursas. A corrupção é uma via de mão dupla, envolvendo corruptos e corruptores. (C.N.)

A Rosa de Hiroshima: sem cor, sem perfume, sem rosa, sem nada

O diplomata, advogado, jornalista, dramaturgo, compositor e poeta Vinícius de Moraes (1913-1980), no poema “Rosa de Hiroshima”, chama à atenção para a barbárie da guerra, sem esquecer as consequências da estupidez (da rosa radioativa) que mata. A mensagem é direta a fim alertar e despertar consciências para a liberdade do desejo de viver. Rosa de Hiroshima foi musicada por Gerson Conrad e gravada no primeiro e antológico LP que leva o nome do Secos & Molhados, em 1973, pela Continental.

ROSA DE HIROSHIMA
Vinícius de Moraes

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas

Pensem nas meninas
Cegas inexatas

Pensem nas mulheres
Rotas alteradas

Pensem nas feridas
Como rosas cálidas

Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária

A rosa radioativa
Estúpida e inválida

A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica

Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada

        (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Crise e reforma política: cenário nacional cada vez mais complexo

Murillo de Aragão

Não há como praticar uma nova política sem ao menos iniciar de forma consistente uma reforma política. O Brasil flerta perigosamente com o arbítrio e o autoritarismo, travestidos por práticas clientelísticas e corporativistas que beneficiam grupos e interesses específicos.

O novo-velho escândalo da Petrobras, como dissemos em nossas análises específicas, não era um “cisne negro” no sentido clássico do evento inesperado. Era um “cisne negro” esperado, já que estava posto na mesa eleitoral tanto pelas investigações em curso quanto, sobretudo, pela configuração doentia de nosso sistema político.

Apenas não se sabia, como não se sabe ainda, qual a extensão da delação e quanto ela compromete o mundo político e as eleições deste ano. Porém, o pouco que se sabe e o muito que se suspeita são mais do que suficientes para provar e comprovar a necessidade de se trabalhar consistentemente em favor de uma reforma política.

FOCO, TEMAS E PRAZOS

Pelo que se deve lutar em uma reforma política? Primeiramente, que essa reforma tenha foco, temas e prazos. Em meus sonhos, tenho uma divisão temática e um cronograma que começa em 2016 e vai até 2022. Devemos limitar os debates a três ou quatro temas por vez e a três blocos ao longo do tempo.

Comecemos com financiamento cidadão de campanhas eleitorais, teto máximo de despesas e proibição de coligações para eleições proporcionais. Tudo para vigorar já nas eleições municipais de 2016.

O passo seguinte, que entraria em vigor em 2018, seria a coincidência das eleições e dos mandatos dos Poderes Executivo e Legislativo. Trataríamos da cláusula de barreira para depurar o sistema partidário de microlegendas e dos partidos de aluguel.

Os mandatos do Executivo poderiam ser de cinco anos sem reeleição. Os mandatos do Legislativo deveriam ser limitados a três legislaturas para Câmara e Senado, bem como para Assembleias estaduais e Câmaras de vereadores.

O terceiro passo, para entrar em vigor em 2022, seria a adoção do sistema de voto distrital misto, que dividiria o país em certo número de distritos, e o voto seria dado a candidatos do distrito do eleitor e a partidos. Os votos de partido iriam para os candidatos de uma lista.

NADA DE REFORMA

No entanto, mesmo com a crise da Petrobras, o futuro imediato da reforma política não é promissor. A disputa eleitoral terminará se impondo sobre qualquer outra agenda. A necessidade de acordos também impede mudanças radicais.

Entre os candidatos presidenciais, a reforma política não aparece como prioridade. Talvez apenas Marina Silva tenha real vontade de fazer uma reforma, mas, caso seja eleita, suas dificuldades de construir uma maioria em torno do tema podem ser enormes.

O Congresso que emergirá das eleições deste ano já vem maculado por um processo eleitoral complexo, dividido e afetado pelo escândalo da Petrobras. Muitas de suas lideranças já podem chegar pressionadas por investigações. Enfim, não é um cenário fácil. O debate, porém, se torna cada vez mais inadiável e inevitável.

Isso ficou evidente nos protestos de junho de 2013, quando parcela expressiva da população brasileira revelou que não se sente representada pelo atual sistema político. Mesmo que naquela época o Congresso tenha se movimentado, as mudanças foram muito tímidas, mostrando, mais uma vez, que as cobranças pela reforma política esbarram nos interesses de alguns caciques que dominam a cena política. (transcrito de O Tempo)

Mantega, o ministro sem pasta, prevê o fim da crise

Camila Maciel
Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, diz que o Brasil tem uma economia mais sólida do que tinha em 2008, início da crise econômica internacional. Salientou que o país está preparado para a retomada do crescimento. Entre as condições conjunturais que favorecem esse crescimento, apontou o retorno do crédito com a recuperação do mercado de consumo, a existência de reservas financeiras elevadas, um alto fluxo de investimento externo, a baixa dívida externa e o câmbio relativamente estável. “Estamos prontos para o novo ciclo de expansão da economia”, declarou, ao participar do 11° Fórum de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Conforme o ministro, especialistas estimam que o fim da crise deve ocorrer até o próximo ano. “De qualquer forma, a economia internacional tende a melhorar e isso criará condições para que possamos ter um crescimento maior. Não podemos subestimar o impacto da crise na economia brasileira”, declarou.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ constrangedor ver Guido Mantega dando entrevistas e opinando sobre os mais diferentes temas econômicos, como se ainda fosse ministro da Fazenda. Se tivesse o mínimo de hombridade, já teria entregue o cargo. Mas continua se fingindo de ministro, agarrado ao posto como um carrapato na teta da viúva. Hoje, Mantega é o desempregado mais bem pago do país. Ganha 27 mil de salário e jetons para participar de reuniões em estatais, como o BNDES. Nesse mesmo evento, o presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch, voltou a criticar a crise econômica brasileira, que, em sua avaliação, é resultado uma resistência do governo em abrir os olhos às sugestões. Também afirmou a Mantega que os números apresentados pelo governo não encontram eco na realidade vivida atualmente pelo setor produtivo. “O empreendedor quer empreender, mas a perspectiva de recessão, de desemprego e de falta de investimentos nos angustia. É essa realidade que estamos tentando passar de forma concreta para o governo e não temos conseguido”, disse Steinbruch a Mantega, o ministro sem pasta.(C.N.)

Críticas de Dilma a Marina refletem seu primeiro mandato

Valdo Cruz
Folha

Peças do jogo pesado da campanha petista contra Marina Silva, os comerciais atacando propostas da principal adversária de Dilma têm, no fundo, tudo a ver com as convicções da presidente.

Em seu formato simplificado de mostrar os pontos fracos de Marina na visão petista, a propaganda dilmista reflete o que foi o seu primeiro mandato no Palácio do Planalto.

Banqueiros são retratados como devoradores de pratos de comida e de emprego dos trabalhadores na peça que ataca a proposta de Banco Central independente. Só faltou dizer que eles comem criancinhas.

Executivos são “flagrados” comemorando quando um narrador diz que a ideia de não priorizar o pré-sal vai tirar R$ 1,3 trilhão da saúde e educação. Afinal, empresário só quer lucrar, que se danem os outros.

Resumos fieis de como banqueiros e empresários da produção foram tratados em boa parte da gestão Dilma – com certo preconceito e ojeriza ao apetite deles pelo lucro.

“INIMIGOS DA PÁTRIA”

Banqueiros seguem inimigos da pátria no PT. Empresários do setor produtivo já são mais bem tratados depois que Dilma descobriu que, sem eles, o país não anda e que o Estado não dá conta do recado.

Mas o que vale, hoje, é que o jogo bruto surtiu efeito. Dilma reagiu e Marina parou de crescer nas pesquisas. A ambientalista, porém, pode desenvolver vacinas contra a artilharia pesada do PT, obrigado a usar tal munição cedo demais.

Aí, Marina chegaria mais forte ao segundo turno, o que deve fazer a campanha dilmista subir o tom dos ataques para evitar tal cenário. O risco é errar na dose. Não só este, mas também destruir pontes, já dinamitadas, além do recomendável.

Conhecedores da alma da presidente temem que, reeleita neste clima acirrado, ela pode não sentir necessidade de recompor uma boa relação com políticos e empresários e se achar mais forte e livre para fazer tudo a seu estilo. Bem diferente do que Lula tem prometido por aí.

Na PM do Rio, está tudo dominado até na Tropa de Elite

Operação prende o coronel da PM Alexandre Fontenele comandante do COE

Thaise Constâncio
O Estado de S. Paulo

O coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira e o major Carlos Alexandre de Jesus Lucas, da Polícia Militar (PM) foram presos na manhã desta segunda-feira, 15, sob a acusação de liderarem uma quadrilha formada por PMs e envolvida em extorsões no bairro de Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro. Segundo as investigações do Ministério Público Estadual (MPE) e da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio, o esquema criminoso funcionava dentro do 14º Batalhão de Polícia Militar (BPM), em Bangu, e envolveu todos os quadros do quartel, desde oficiais do Estado-Maior até os praças. Ao todo, foram presas 22 pessoas, denunciadas pela promotoria por formação de quadrilha armada.

O coronel e o major já não trabalhavam em Bangu. Vinham ocupando, respectivamente, os cargos de comandante e subcomandante do Comando de Operações Especiais (COE) da PM, ao qual estão subordinados o Batalhão de Operações Especiais (Bope), o Grupamento Aeromarítimo (GAM) e o Batalhão de Choque (BPChoq),  tropas de elite da PM.

O coronel Fontenelle era o terceiro na hierarquia da Polícia Militar e foi preso em casa. A quadrilha atuava principalmente no bairro de Bangu, na zona oeste do Rio. Também foram presos os majores Nilton João dos Prazeres Neto (chefe da 3ª Seção) e Edson Alexandre Pinto de Góes (coordenador de Operações), além dos capitães Rodrigo Leitão da Silva (chefe da 1ª Seção) e Walter Colchone Netto (chefe do Serviço Reservado) – todos lotados no 14º Batalhão (Bangu).

EXTORSÕES
De acordo com as investigações da Subsecretaria de Inteligência (SSINTE) da Secretaria de Segurança (Seseg), as equipes de policiamento cobravam propina de comerciantes, empresários, ambulantes, mototaxistas e motoristas de cooperativas de vans e de empresas transportadoras de carga que circulavam na área do 14º BPM.

Em vez de coibir os veículos irregulares e a venda de produtos piratas, eles se aproveitavam da situação ilegal para exigir as propinas, que variavam de R$ 10 a mais de R$ 2,5 mil e seriam cobradas diária, semanal ou mensalmente.

Terceiro na hierarquia da PM, o coronel Fontenelle foi preso em casa, no Leme, zona sul. A polícia informou ter encontrado R$ 300 mil em dinheiro no apartamento do oficial, além de uma contabilidade com valores recebidos e distribuídos e bilhetes informando sobre a divisão do dinheiro. O Ministério Público anunciou que fará uma investigação sobre o patrimônio do coronel.
OUTROS PRESOS
Também atuavam no Batalhão de Bangu e foram detidos na Operação Amigos S/A os majores Nilton João dos Prazeres Neto (chefe da 3ª Seção) e Edson Alexandre Pinto de Góes (coordenador de Operações) e os capitães Rodrigo Leitão da Silva (chefe da 1ª Seção) e Walter Colchone Netto (chefe do Serviço Reservado). Todos integravam a cúpula do Batalhão de Bangu. Na casa do major Edson foram apreendidos R$ 287 mil, segundo o Ministério Público.
O capitão Colchone já havia sido preso em operação contra a máfia de caça níqueis e estava lotado administrativamente no setor de Inteligência do COE. Mesmo afastado, um sargento que estava de licença médica continuava recebendo uma cota da propina.
Durante as investigações, que duraram dois anos, foi possível verificar que a quadrilha já agia no 41º BPM (Irajá, zona norte), onde o Estado Maior estava lotado anteriormente, e manteve o modo de atuação quando houve a transferência para Bangu. O Ministério Público informou não saber desde quando a quadrilha atuava e os valores arrecadados mensalmente.
OPERAÇÃO
O objetivo da ação Amigos S/A era cumprir 25 mandados de prisão, sendo 24 contra PMs e um contra policial civil, e 53 de busca e apreensão. Dois policiais continuam foragidos. Além dos agentes da SSINTE e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), também participam da ação a Corregedoria da Polícia Militar e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE).
A investigação é um desdobramento da Operação Compadre, deflagrada em abril de 2013, quando 78 mandados de prisão foram expedidos, 53 deles contra policiais militares, para a desarticulação de uma quadrilha que cobrava propina de feirantes e comerciantes com mercadorias ilícitas, em Bangu.

Piada do Dia: Lula defende cadeia para irregularidades na Petrobrás

Wilton Junior/Estadão - Petista discurso em palco montado em frente à sede da Petrobrás, no Rio

Idiana Tomazelli e Tiago Rogero
Estadão

Após uma tumultuada caminhada no centro do Rio, com muito empurra-empurra, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou em um palco montado de frente para a sede da Petrobrás, na Av. República do Chile. Em sua fala, o ex-presidente defendeu investigação e punição para quem cometeu irregularidades dentro da empresa.

“Se houve erros, tem que investigar. Se for culpado, tem que ir para a cadeia”, disse o petista para uma plateia de sindicalistas e trabalhadores, que seguravam bandeiras de candidatos da base aliada do PT. O ato “não partidário”, segundo o petista, tinha como ideia inicial comemorar o aniversário da estatal. “Depois, decidimos que era preciso defender a Petrobrás de ataques que ela vem sofrendo”, afirmou Lula.
CADEIA…
Para o ex-presidente, os milhares de trabalhadores da Petrobrás não podem ser confundidos com quem tenha eventualmente cometido erros. “Se houve erros, tem que investigar. Se for culpado, tem que ir para a cadeia”, disse o petista. Ele também chegou a se dirigir à presidente da estatal, Graça Foster. “Graça, você não tem nenhuma razão para não andar de cabeça erguida”.
“Fiz questão de vir com uma camisa da Petrobrás, porque as pessoas estão com vergonha de vestir (uniforme da empresa) e parecer com alguém”, acrescentou o ex-presidente, sem citar a quem se referia.
O ex-presidente discursou após uma série de lideranças sindicais, representantes da Central Única de Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Federação Única dos Petroleiros (FUP), além da União Nacional dos Estudantes (UNE). Também estiveram presentes no ato os candidatos ao governo do Rio Lindbergh Farias (PT) e Marcelo Crivella (PRB). Ambos são da base do governo da presidente Dilma Rousseff (PT).
Lula ainda exaltou os resultados da Petrobrás entre a sua gestão e a de Dilma. “Em oito anos, tiramos mais petróleo do pré-sal do que em 31 anos”, afirmou, garantindo ainda que a meta é produzir 4,2 bilhões de barris por dia até 2020. “Com esses resultados, quem é que não vai cumprir?”, questionou.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA declaração de Lula é incompreensível. Há 31 anos nem havia sido descoberto petróleo no pré-sal, porque não ainda existia tecnologia para perfurar nessa profundidade. Em matéria de conversa fiada, Lula continua imbatível. Nunca, na História deste país, houve um político como ele... (C.N.)

Acaba o suspense: Juiz autoriza ex-diretor da Petrobras a depor na CPI

Juiz Moro manda ex-diretor da Petrobras viajar sem algemas

André Richter
Agência Brasil 

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, em Curitiba, autorizou hoje (15) o ex-diretor da  Paulo Roberto Costa a deixar a prisão para prestar depoimento, na quarta-feira (17) à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras . Na decisão, Moro pediu que a Polícia Federal (PF) faça a escolta de Costa até o Congresso Nacional. Ele está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

Apesar de não depender de autorização da Justiça para ouvir o ex-diretor, conforme deliberou o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Fedeal (STF), a CMPI precisava de uma posição formal do juiz para transportar Costa até Brasilia. Sérgio Moro determinou que o uso de algemas seja evitado pelos policiais, porque o ex-diretor não é acusado de crimes com violência ou grave ameaça. O juiz também deixou claro que a CPMI deve garantir os direitos do investigado, como receber assistência de seu advogado e de ficar calado durante a audiência.

Costa foi convocado pela CPMI para falar sobre os termos da delação premiada acertada com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Na delação, o ex-diretor da estatal cita nomes de políticos que teriam recebido propina no suposto esquema investigado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA presidente Dilma Rousseff jactou-se de não temer que o ex-diretor da Petrobras seja novamente ouvido na CPI Mista do Senado. Ela achava que a Justiça não autorizaria a convocação, mas autorizou. Na quarta-feira saberemos se a destemida Dilma Rousseff vai segurar ou não o tchan, digo, o tranco. (C.N.)