José Dirceu desiste de emprego em hotel de Brasília, para despistar a imprensa

André Richter
Agência Brasil

Brasília – A defesa do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu anunciou que ele desistiu do emprego oferecido pelo Hotel Saint Peter, em Brasília. Em nota divulgada hoje (5) os advogados afirmaram que “o clima de linchamento midiático instalado contra José Dirceu e contra a empresa” fez o ex-ministro abrir mão da proposta.

Dirceu seria contratado para trabalhar como gerente administrativo do hotel, e deveria receber salário de R$ 20 mil. O horário de trabalho seria das 8h às 17h, com uma hora de almoço. Na ficha de solicitação de emprego, Dirceu disse que se candidatou ao emprego “por necessidade e por apreciar hotelaria e a área administrativa”.

Na nota, a defesa de Dirceu reafirmou que a proposta de emprego seguiu todas as formalidades previstas na legislação, como carteira assinada. Segundo os advogados, a proposta foi tratada pela imprensa como “uma farsa” para impedir que o ex-ministro possa trabalhar.

Segundo a defesa, Dirceu tem direito a trabalhar e a ficar em um presídio com condições dignas de higiene e de segurança. “Não se busca privilégio, apenas o cumprimento da lei. Mas José Dirceu não considera justo que outras pessoas, transformadas em alvo de ódio e perseguição exclusivamente por gesto de generosidade, estejam obrigadas a partilhar da sanha persecutória que se abate contra ele. Por isso, renuncia à oferta de emprego do Hotel Saint Peter e agradece a boa vontade de seus proprietários”, afirmou a defesa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Dirceu tomou essa iniciativa na esperança de que a imprensa pare de investigar os “donos” do Hotel St. Peter, um estabelecimento mais do que suspeito, que pertencia ao ex-deputado Sergio Naya, é não é preciso dizer mais nada. O “emprego”, com carteira assinada e tudo o mais, é apenas a ponta de um icerberg gigantesco, que já começou a derreter. (C. N.)

Um a data para lembrar: morreu Mandela, um dos maiores líderes da Humanidade

Carlos Newton

Nelson Mandela, de 95 anos, um dos maiores líderes sul-africano e reconhecido mundialmente pela luta contra o racismo, morreu nesta quinta-feira (5), em Johannesburgo.

O líder sul-africano ficou internado por três meses se tratando por infecção pulmonar; ele havia sido transferido para sua residência no dia 1ª de setembro.

Nelson Rolihlahla Mandela nasceu no dia 18 de julho de 1918 numa pequena aldeia do interior, próximo a Pretória. Era membro de numa família de nobreza tribal, e aos 23 anos seguiu para a capital Johanesburgo, onde se formou em Direito e se tornou líder da resistência não-violenta da juventude negra em luta, acabando como réu em um infame julgamento por traição, foragido da polícia e o prisioneiro mais famoso do mundo.

Mandela ficou preso por 27 anos, mas conseguiu acabar com a apartheid na África do Sul, foi o primeiro presidente negro do país e é considerado um dos líderes mais importantes da História da Humanidade.

Valdemar Costa Neto renuncia ao mandato de deputado após ordem de prisão

Luciano Nascimento*
Agência Brasil

Brasília – O deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) apresentou hoje (6) o pedido de renúncia ao mandato no plenário da Câmara dos Deputados. Condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão, Costa Neto teve o mandado de prisão emitido hoje pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido foi lido pelo deputado Luciano Castro (PR-RR), vice-líder do partido na Câmara. No texto, Costa Neto diz que não cogita “impor ao Parlamento a oportunidade de mais um constrangimento institucional”. Na carta, declara ainda que pagará pelas faltas que reconhece e que foi condenado por crimes que não cometeu. “Serenamente, passo a cumprir uma sentença de culpa, flagrantemente destituída do sagrado direito ao segundo grau de jurisdição”.

A carta de renúncia foi lida após o presidente do STF, Joaquim Barbosa, ter assinado documento comunicando aos presidentes da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sobre o fim do processo. A prisão daria início à abertura do processo de cassação em função da condenação definitiva. “Encaminho à Vossa Excelência cópia de decisão em que neguei seguimento aos embargos infringentes opostos pelo réu Valdemar Costa Neto, por faltar-lhe requisito essencial de admissibilidade e por considerá-lo protelatório. Determinei a imediata certificação do trânsito em julgado e o consequente início da execução do acórdão condenatório”, diz o documento assinado por Barbosa.

O vice líder do PR, Luciano Castro, disse que Costa Neto deve se apresentar ainda hoje na Polícia Federal (PF). Para Castro a decisão de renunciar foi correta. “Acho que, diante da situação foi uma decisão acertada. Coube ao destino que eu estive aqui hoje como companheiro de partido e lesse a carta e encaminhasse ao presidente da Casa”, disse.

Além de Costa Neto, condenado a sete anos e dez meses, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em regime semiaberto, também tiveram a prisão decretada hoje, o ex-deputado federal Pedro Corrêa,(PP-MT), condenado sete anos e dois meses de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; o ex-deputado federal Bispo Rodrigues, do PL (atual PR), condenado a seis anos e três meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; e o ex-diretor do Banco Rural Vinícius Samarane, condenado a oito anos e nove meses de prisão por lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.

Na terça-feira (3), o ex-deputado José Genoino também apresentou carta de renúncia, durante reunião da Mesa Diretora que iria decidir sobre a abertura do processo de cassação do seu mandato.

*Colaborou: André Richter

Joaquim Barbosa manda prender mais quatro réus condenados no mensalão

André Richter
Agência Brasil

Brasília – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, determinou hoje (5) a prisão de mais quatro réus condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Os mandados de prisão foram encaminhados para a Polícia Federal. No dia 15 de novembro, Barbosa determinou a prisão de outros 12 condenados.

Com a decisão, tiveram a prisão decretada: deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), condenado a sete anos e dez meses, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro , em regime semiaberto;  Pedro Corrêa, ex-deputado federal (PP-MT), condenado sete anos e dois meses de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; Bispo Rodrigues, ex-deputado  federal do PL (atual PR), condenado a seis anos e três meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; e Vinícius Samarane, ex-diretor do Banco Rural, condenado a oito anos e nove meses de prisão por lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.

Somente Samarane cumprirá a pena em regime fechado por ter recebido pena maior de oito anos. Os demais, com penas abaixo de oito, ficarão em regime semiaberto. De acordo com a Lei de Execução Penal, condenados em regime semiaberto podem trabalhar dentro do presídio, em oficinas de marcenaria e serigrafia, por exemplo, ou externamente, em uma empresa que contrate detentos.

Os réus João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e deputado federal (PT-SP), condenado a nove anos e quatro meses de prisão; o ex-assessor parlamentar do PP João Claudio Genu, condenado a quatro anos; e o ex-sócio da corretora Bônus Banval Breno Fischberg, condenado a três anos e seis meses, ainda poderão recorrer em liberdade, por terem direito aos embargos infringentes, outra fase de recursos do processo.

Ditadura: dois pontos

Tereza Cruvinel
Correio Braziliense
Segunda-feira, o Tribunal Regional Federal da primeira região suspendeu ação movida por procuradores contra o ex-deputado e coronel Sebastião Curió, por crimes cometidos no combate à Guerrilha do Araguaia. O massacre dos guerrilheiros do PCdoB, quase todos executados depois se entregarem, já está bastante documentado, mas os relatos do repórter e escritor Leonêncio Nossa no livro Mata são de tirar o sono e o apetite. Uma luz forte jorra do livro sobre o papel de Curió. O TRF, como outros tribunais, invocou a Lei da Anistia, com seu perdão recíproco para os crimes cometidos durante a ditadura.
Também segunda-feira, a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, defendeu um maior apoio do governo brasileiro à Comissão Nacional da Verdade, cujo trabalho elogiou. A comissão, entretanto, pode apenas apurar. Os delitos, disse ela, “devem ser vistos pelo sistema de justiça penal” do Brasil. Mas, para isso, a Lei da Anistia teria que ser revista, e o STF já se negou a fazer isso uma vez, embora ainda tenha que examinar um recurso da OAB.
Como diz o atual coordenador da comissão, Pedro Dallari, o Brasil terá que enfrentar esse debate quando o relatório final da comissão for apresentado. Pois que sentido teria a revelação dos responsáveis por torturas, mortes e desaparecimentos se, pelo menos os que ainda vivem, não puderem pagar pelo que fizeram?

A lógica do pijama

Marcelo Gruman

Dia desses, meu filho de quatro anos estava sendo enxugado pela mãe após um banho refrescante pós-escola. Como, naquele dia em particular, o calor não dava trégua mesmo após o pôr do sol, Miguel questionou o fato de ter de colocar a blusa do pijama e não poder ficar mais à vontade, apenas de cueca. Para reforçar seu argumento, lembrou que o pai, já de banho tomado, andava pela casa apenas com a parte de baixo do pijama. A linha de raciocínio era clara: por que devo me submeter à “lei do pijama” se a fonte de autoridade, aquela que instituiu a obrigação de andar pela casa vestido “adequadamente”, sequer a cumpre? Afinal de contas, o exemplo deve vir de cima, a lei deve servir para todos.

Podemos extrapolar esta pequena cena cotidiana de uma família carioca, deste microcosmo, para a realidade da sociedade brasileira, sobretudo a partir do que preconiza a Constituição Federal de 1988, que afirma claramente, num de seus primeiros artigos, que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Para isso, tomo como fonte de comparação o recente episódio da condenação e prisão de políticos envolvidos no chamado “mensalão”.

Três destes políticos cumprem pena no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, e, de acordo com as normas internas da instituição, visitas de familiares só podem ocorrer às quartas-feiras e quintas-feiras. Subvertendo esta regra, os políticos condenados receberam parentes e amigos (especialmente deputados federais) numa terça-feira, contrariando mulheres de presos que acampavam em frente à penitenciária. E por que as mulheres de presos acampavam? Porque para visitar seus maridos é preciso uma senha, e as senhas, cujo contingente diário é limitado, são distribuídas a partir de 9h de quarta-feira. Resultado: quem chega cedo, consegue a visita para a própria quarta-feira; as “atrasadas”, somente para o dia seguinte.

DIFERENÇAS

A diferença de tratamento dispensado às mulheres e parentes de presos “comuns” e aos familiares dos políticos presos (atenção, não confundir com presos políticos) revoltou, de acordo com matéria do jornal O Globo do dia 19 de novembro, algumas das acampadas. Cito-as:

Errado isso. Ela (mulher de um dos políticos presos) tem que pegar fila como todos pegamos. Tem que passar pelas mesmas coisas que a gente passa. Pode ser até mulher de presidente, mas tem que passar pelo que a gente passa.

Tem que ter condições iguais, a gente enfrenta sol e chuva. Eles chegaram e já podem visitar, deveriam entrar na fila e pegar senha.

A gente se sente injustiçado, revoltado. A moça vem, visita o marido dela dois dias seguidos, enquanto a gente tem que estar aqui várias horas antes para conseguir entrar cedo e visitar nossos maridos. Elas não são melhores do que a gente por ter poder aquisitivo maior.

MULHER DE PRESIDENTE

Quando a entrevistada diz que “até mulher de presidente” tem que entrar na fila ela quer achatar uma hierarquia social que persiste no Brasil, o famoso “você sabe com quem está falando”, o jeitinho, a malandragem, a esperteza, a sociedade relacional em que o conceito de cidadania não passa de uma utopia. Ela nada mais faz do que lembrar aquilo que consta da Carta Magna, que todos são iguais perante a lei, e que esta igualdade representa a ruptura com uma sociedade patrimonialista, com a frase atribuída a Luis XIV que diz que “O Estado sou eu”, com a máxima “aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”, em que interesses públicos e privados se confundem em benefício, claro, destes últimos.

Aliás, além da mulher do presidente, o presidente e demais autoridades da administração pública deveriam ser os primeiros a cumprir a lei porque, como servidores públicos e representantes do povo, têm a obrigação de zelar pelo princípio constitucional da impessoalidade. Entrar na fila é estar em igualdade de condições, pegar uma senha significa despersonalizar a demanda por um lado e estabelecer uma identidade em comum entre os demandantes: “mulheres de presos”, ricos ou pobres.

Estamos falando aqui de valores, de ética, de regras que pautam nossa conduta diária. Que mensagem o “episódio da Papuda” está sendo transmitida aos simples mortais? Que o crime compensa? Que manda quem pode e obedece quem tem juízo? Que “farinha pouca, meu pirão primeiro”? Que exceções à regra é a regra? Que o dinheiro compra tudo?

TRANSGRESSÃO MORAL

Sejamos claros: a natureza da transgressão moral de quem fura a fila na visita a parentes encarcerados, quem fura a fila do cinema, quem dá “carteirada” ao guarda de trânsito para não ser multado, quem cospe na calçada, quem joga lixo em qualquer canto, é absolutamente a mesma. Trata-se do desrespeito às regras básicas de convivência numa sociedade democrática, em que se respeita o espaço público e onde o conceito de cidadania é praticamente exercido, exigindo direitos e cobrando deveres.

Outro dia, o ex-presidente Lula reclamou que a lei só estava sendo aplicada aos crimes cometidos por políticos do Partido dos Trabalhadores, ou melhor, por ações que o Supremo Tribunal Federal considerou criminosas, uma vez que os dirigentes do PT não concordam com este julgamento. Cobrava o mesmo tratamento rigoroso aos desafetos do PSDB, envolvidos num nebuloso caso de corrupção em São Paulo. Concordo plenamente com o ex-presidente, mas dou-me o luxo de perguntar se, na verdade, a contrariedade dele se deva pelo fato de a lei estar sendo cumprida pura e simplesmente, doa a quem doer. Afinal, a lei, no Brasil, como é possível verificar na composição da população carcerária, só serviu, até a prisão de “mensaleiros”, ao trio PPP (preto, pobre e puta).

A sociedade brasileira está moralmente doente, e os exemplos, como vimos, vêm de todos os lados, da esquerda e da direita, de cima e de baixo.

A propósito: coloquei a camisa do pijama.

Déda, humanismo e política

Tereza Cruvinel
Correio Braziliense
Logo que ele chegou à Câmara, em 1995, destacou-se pelo sorriso franco e a leveza na atuação. Na aguerrida bancada do PT de então, aparecia alguém que praticava o ensinamento de Che, ser duro na luta política sem perder a ternura no trato pessoal. A política ainda não estava tão envenenada nem tão polarizada pelos blocos hoje liderados por PT e PSDB, mas o estreante deputado Marcelo Déda antevia a necessidade de preservar pontos e de dialogar com todas as correntes políticas, mesmo quando isso lhe custava embates com os grupos mais radicais de seu partido.

Esse trânsito rendeu-lhe amizades e respeito entre adversários, muitos dos quais ontem lamentaram sua morte tão precoce. Como o ex-senador Albano Franco, tucano de Sergipe, adversário histórico, que era um dos mais sentidos no velório.
A passagem de Déda pelo Congresso coincide com os primeiros tempos da radicalização que ainda está em curso. Fernando Henrique começava seu governo de oito anos, em que as privatizações e as políticas econômicas neoliberais acirraram as contradições entre o PT e o PSDB, que se acentuariam ainda mais a partir da eleição de Lula. Quando ele se torna líder, com seu perfil conciliador, evitou o isolamento do PT, negociando o que era possível na pauta do governo, o que custava embates com os setores mais radicais. Foi contra os grupos minoritários que pregaram o “Fora, FHC”, mas nunca transigiu no que era programático para o partido.
Logo que ele chegou, destacou-se também pela solidez intelectual, pelo pensamento claro e pelas declarações elegantes e precisas, o que logo faria dele um dos petistas mais procurados e citados pelos jornalistas. Advogado, conhecia profundamente a história brasileira e os pensadores sociais. E não apenas os marxistas, que pesaram em sua formação. Gostava de música, de poesia (que praticava) e de literatura. Só presenteava amigos e colegas com livros, escolhidos com esmero e quase sempre acompanhados de uma dedicatória. A cultura transbordava em seus discursos, com citações de pensadores relacionados ao tema. Mas ele o fazia sem pedantismo intelectual, apenas para fortalecer seus argumentos.
VOCAÇÃO PARLAMENTAR
Déda era uma grande vocação parlamentar, todos diziam, mas o partido precisou dele em 2000 para disputar a prefeitura de Aracaju. Foi reeleito em 2004 e se elegeria governador em 2006, conquistando o segundo mandato, que deixa inconcluso, em 2010. Seu deslocamento para o Poder Executivo custou caro ao PT. Quando veio o governo Lula, com todas as crises que o marcaram, a bancada não contava com um de seus melhores e mais respeitados quadros.
Como governador, Déda se orgulhava das mudanças positivas nos indicadores sociais e dos investimentos que se ampliaram durante seu governo. Em Sergipe, ele era rei, andava pelas ruas de Aracaju sem qualquer aparato, parando para falar com todo mundo que o abordava.
Numa dessas, em 2009, eu e outros jornalistas fazíamos com ele um pequeno trajeto a pé. Levamos um tempo enorme, por conta das “paradinhas” que ele fazia. E numa delas, na porta do mercado municipal, ele ainda aceitou o desafio de uns repentistas para uma cantoria que levou mais meia hora. Ganhou deles um chapéu de cangaceiro, colocou-o na cabeça e nos fomos. Assim era Déda, um humanista na política, um político republicanamente superior, espécie que anda muito em falta.

Era só o que faltava: Dirceu reivindica direito de manter blog na prisão

Deu na Folha

Sob o argumento de que os presos também têm direito à informação e a se expressar, a defesa de Dirceu enviou à Justiça um pedido de autorização para que ele possa continuar atualizando seu blog na cadeia.

No pedido à Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, o advogado José Luis Oliveira Lima cita que a Lei de Execução Penal estabelece como direito dos presos “o contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros meios de informação”.

Por isso, na visão de Lima, o direito à liberdade de expressão e informação está garantido aos presos. No seu entender, só poderia haver restrição visando impedir crimes, para preservar a segurança do presídio ou para evitar fugas e motins.

Citando juristas, ele destaca que “mesmo encarcerado, [o preso] mantém o direito de estar informado dos acontecimentos familiares, sociais, políticos e de outra índole, pois sua estadia na prisão não pode significar marginalização da sociedade. Em suma, o sentenciado mantém íntegro o direito à liberdade de informação e expressão”.

A prisão de Dirceu e outros condenados no Complexo da Papuda gerou insatisfação de familiares de outros presos devido ao tratamento diferenciado. Eles receberam no início visitas de parlamentares em dias e horários flexíveis.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ uma notícia séria e verdadeira, mas merece ser considerada a piada do ano. Se os presos são impedidos de terem telefone celular, como permitir que um deles comande um blog de dentro da prisão??? Só pode ser brincadeira. (C.N.)

Tardelli deveria estar na seleção

Tostão
O Tempo

O Atlético enfrentou o Fluminense, já pensando no Bayern. Quando o time perdia a bola, todos voltavam para marcar e contra-atacar, graças à velocidade de Tardelli, Fernandinho e Luan. Tardelli arma como um meia, tem a velocidade e a habilidade de um ponta e finaliza como um centroavante. Deveria estar na seleção, como titular, na posição de Jô, se Fred não estiver bem.

ADEUS A TITE

A diretoria e a torcida do Corinthians ficaram emocionadas e agradecidas a Tite. Ao mesmo tempo, acharam que estava na hora de ele sair, pois não conseguia mais recuperar a equipe. Tite gosta do Corinthians, queria ficar, mas também percebeu que não podia mais fazer o time marcar gols. Concluiu que seria melhor descansar, estudar, ver muitas partidas e se preparar para ser técnico da seleção, depois do Mundial, se o Brasil não for campeão e/ou se Felipão quiser sair. Todos ficaram felizes. Parece filme americano de Natal, em que tudo é alegria e solidariedade.

VANDALISMO

Não adianta acabar com as torcidas organizadas. Elas vão se reunir de outra forma e continuarão o vandalismo. O que tem que se fazer é identificar e punir os marginais. Isso é trabalho para a polícia. Foi o que os ingleses fizeram com os hooligans. Os torcedores que têm prazer de torcer têm também que ficar atentos com a infiltração desses criminosos.

O que Lula, Dirceu, Suplicy e Mercadante disseram quando o Supremo absolveu Collor

O Supremo Tribunal Federal absolveu o ex-presidente Fernando Collor em 12 de dezembro de 1994. No dia seguinte, a repercussão da decisão, publicada no Jornal do Brasil:

Luis Inácio Lula da Silva, candidato derrotado do PT à Presidência:

‘Não cabe a mim entrar no mérito da decisão da Suprema Corte. Entretanto, como cidadão brasileiro que tanto lutou para a ética prevalecer na política, estou frustrado, provavelmente como milhões de brasileiros. Só espero que, na esteira da maracutaia da anistia para o Humberto Lucena, não apareça um trambiqueiro querendo anistiar o Collor da condenação imposta pelo Senado.

Eduardo Suplicy, senador (PT-SP):
‘A decisão é frustante para o povo brasileiro. Como senador que acompanhou de perto a CPI, acho que as evidências eram contundentes para condenar Collor e PC.
Aloízio Mercadante, deputado federal (PT-SP):
‘É uma grave derrota do movimento pela ética na política e reforça o sentimento popular da mais completa impunidade das elites. A CPI deixou dois anos atrás provas consistentes para incriminar Collor.

José Dirceu, deputado federal (PT-SP):
‘É um desastre que significa praticamente a permissão para a prática do crime no país. Provas e testemunhas existiam e foram desconhecidas pelo STF.’
(texto enviado por Mário Assis)

Os Estatutos do homem, segundo thiago de mello

O poeta amazonense Thiago de Mello, no poema “Os Estatutos do Homem”, escrito durante seu exílio no Chile em 1964, chama atenção para os valores simples da natureza humana.

OS ESTATUTOS DO HOMEM (Ato Institucional Permanente)

Thiago de Mello

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

           
           (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Uma reforma política de verdade abalaria os alicerces do sistema

01Murillo de Aragão

Caso, por um milagre, se fizesse uma ampla reforma política de um momento para o outro, veríamos no Brasil a destruição de inúmeros potentados da política que se estabeleceram no sistema explorando seus vícios e defeitos. Muitas linhagens de políticos seriam eleitoralmente destroçadas. Muitos esquemas de poder que exploram Estados anos a fio seriam demolidos. Muitos que fizeram fortunas na política perderiam suas mamatas.

Em alguns Estados, oposicionistas históricos se beneficiariam. Em outros, novas figuras apareceriam. Muitos dos antigos deixariam espaços para os novos. Aqueles com reconhecimento ou notoriedade específica iriam se beneficiar por conta de campanhas pobres e sem sofisticação.

Imaginem políticos pelas ruas pedindo contribuições de indivíduos para suas campanhas. Imaginem como as campanhas milionárias sofreriam sem patrocinadores generosos. Imaginem como os marqueteiros ficariam, caso os orçamentos eleitorais fossem reduzidos drasticamente.

Imaginem microlegendas e partidos nanicos sendo banidos do cenário político sem fazer a menor falta para a cidadania. Imaginem o Congresso Nacional com pouco mais de cinco ou seis partidos, operando um presidencialismo de coalizão em bases menos clientelísticas e mais civilizadas.  Imaginem a situação daqueles que vivem à custa do dinheiro público no comando de pequenas legendas.

GRAVIDADE

Uma verdadeira reforma política terminaria abalando os alicerces do sistema político de tal forma que poderia ser caracterizada como uma reforma do fim do mundo.  E tamanha seria sua gravidade que, a despeito das boas intenções das propostas, o resultado poderia ser um caos político, no qual as estruturas institucionais seriam abaladas e testadas ao limite.

Terminaríamos destruindo nossa democracia na ilusão de aperfeiçoá-la? Aqueles que defendem o status quo podem afirmar que sim. Eu penso que o abalo não destruiria o sistema e que até mesmo o caos político que poderia ser instalado por conta das profundas mudanças na representação seria controlado.

No entanto, não vejo o Brasil marchando para uma reforma do fim do mundo. Faremos uma reforma paulatina e os limites serão testados de forma prudente. Todos os meliantes que participam do jogo terão tempo para preparar suas saídas.

EM ETAPAS

As grandes transformações serão feitas em etapas. Alguns dizem que de forma incremental, como tem ocorrido nos últimos tempos. Mas, claramente, o que é aperfeiçoamento termina sendo uma concessão para evitar a perda total do controle do sistema político para a sociedade.

Em 1999, com a lei que combateu a compra de votos, e em 2010, com a Lei da Ficha Limpa, a sociedade brasileira deu exemplos de interesse e mobilização. Em 2013, novamente houve certo despertar, mas em torno de agendas múltiplas, só que a mobilização política se dissipou e restaram alguns baderneiros.

O futuro ainda está nublado para amplas reformas do sistema político nacional. No entanto, existem mobilizações importantes que podem resultar em novos avanços e que prometem se intensificar em 2014.

O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, tem no julgamento da ADIN da OAB sobre financiamento de campanha uma bela oportunidade de dar mais uma sacudida no sistema eleitoral. Bem como avaliar a perda de mandato de 13 dos muitos deputados que trocaram de partido em outubro passado. Enfim, existem coisas acontecendo que podem trazer novos horizontes para a política nacional. (transcrito de O Tempo)

Bons no Couro

Jacques Gruman

 No Botafogo, dá de tudo, até aleijado (Gentil Cardoso, técnico do Botafogo, ao ver Garrincha se apresentar para um teste em General Severiano)

Quem disse que o Google é infalível ? Procurei lá e não achei uma informação que, antiga embora, insiste em permanecer na minha memória. Já ouviram uma musiquinha que tinha, na letra, a seleção brasileira de 1958, do goleiro ao ponta-esquerda ? Melodia sofrível, o cantor perdido nas esquinas do tempo lascava: Gilmar, De Sordi, Belini, Zito, Orlando e Nilton Santos, Garrincha, Didi, Vavá, Pelé, Zagalo, eis o scratch nacional/Eles jogaram na Suécia/Com amor e decisão/Aí está o meu país/Com o título de campeão.

Ocaso do complexo de vira-lata, a conquista da 1ª Jules Rimet reafirmou a genialidade de uma dupla de compadres alvinegros. Garrincha entortou defesas, Nilton Santos parou ataques e demoliu, com simplicidade, os esquemas táticos rígidos que faziam a cabeça dos técnicos. Quase enlouqueceu Feola ao avançar, bola dominada, peito erguido, e fulminar o goleiro austríaco. “Volta, Nilton, volta !”, gritava desesperado o técnico, antes de enxugar o suor e aplaudir a ousadia do seu lateral-esquerdo. Palmas réquiem para o futebol engessado.

Garrincha e Nilton foram protagonistas de meu Maracanazo particular. 15 de dezembro de 1962, final do campeonato carioca, quase 160 mil torcedores. O Botafogo não toma conhecimento do Flamengo e, pilotado por um Garrincha iluminado, aplica uma goleada impiedosa. Não adiantou botar o então iniciante Gérson, o Canhotinha, para ajudar Jordan a marcar o Mané. Bailou à vontade, ninguém parava aquele pássaro feliz, no auge de sua criatividade. O Menino nada tinha a fazer a não ser desligar o rádio, espantar uma lágrima persistente, xingar o fraquíssimo goleiro do Flamengo e esperar por dias melhores. Que, aliás, começariam já em 1963, com um goleiro doutor e um ponta-direita mediterrâneo. Mas isso já são outros quinhentos.

NILTON E GARRINCHA

Como, ora raios, tinha nascido aquela dupla de arteiros que, parafraseando Nilton, era amiga de infância de todas as bolas do mundo?

O Botafogo tinha um jogador chamado Araty, que, para dar uma relaxada, foi à pequena cidade de Pau Grande, interior do Estado do Rio, apitar uma pelada. Deslumbrado, viu aquele estranho personagem de pernas tortas, candidato a aparelhos corretivos e fisioterapeutas, fazer misérias. Convidou-o a aparecer no Botafogo para fazer um teste. O peladeiro não apareceu. Araty insistiu com a cartolagem e um dirigente desembarcou no campinho de terra e confirmou o fenômeno. Marcou novamente um teste, e desta vez, o sujeito não faltou. Passo a palavra para o Enciclopédia:

“Não é para justificar, até porque o teste dele foi um dia de sorte para mim. Eu estava na semana de despedida de solteiro e andava abusando um pouco. Então, colocaram aquele cara todo torto e desengonçado na ponta direita. Não fiz muita fé. Quando ele pegou a bola, fui logo desarmá-lo e ele, na maior desenvoltura do mundo, parecia até que já jogava ali, enfiou a bola no meio das minhas pernas e foi buscar do outro lado. Nessa época, eu estava muito badalado no clube. Todos diziam que eu era o cobrão. Um cara todo torto fazer aquilo comigo é porque era bom. Falei logo: Contratem o homem, não quero passar esse vexame no Maracanã cheio. Fui ouvido, graças a Deus, e daí em diante pude sempre dormir tranquilo. Ele estava do meu lado, coisa que não acontecia com seus marcadores. Tenho muito orgulho de ser seu primeiro João”.

Nascia ali não apenas uma orquestra de câmara muito bem afinada, mas uma dupla de compadres raríssima no futebol, especialmente nesses tempos de idolatria financeira.

SÓ NO BOTAFOGO

Nilton vestiu a camisa de apenas um clube, dizem que assinava contratos em branco por amor ao Botafogo. Tempos heróicos, quando a ligação com o time se construía aos poucos, dos chamados juvenis aos profissionais, passando por uma espécie de estágio probatório, que era a categoria de aspirantes. Que delícia chegar cedo no Maracanã, assistir a preliminar e identificar os futuros titulares ! Lembro de Germano, um ponta-esquerda do Flamengo que tinha canela fina e chute fortíssimo, nascendo naqueles aperitivos das tardes de domingo.

Nilton manifestou estranheza com esse hábito de jogadores comemorarem gols beijando o distintivo da camisa. Para ele, o ato de demonstrar amor ao clube era invisível e, por isso, muito mais sincero e duradouro. Hoje, as peneiras aleijam os times profissionais, mandando a garotada para fora do país. Ganham os cartolas e os empresários, perde a qualidade dos nossos campeonatos.

Nilton se foi. Era o último remanescente da seleção de 1950, embora não tivesse atuado em nenhuma partida. O técnico Flávio Costa implicou com sua chuteira “de bico mole”. Beque tem que jogar com chuteira apertada, para dar mais força ao chute, alegava Flávio. O tempo mostrou quem estava certo. O jogador elegante, com pleno domínio de todos os fundamentos do futebol, não precisava de artifícios no pé.

Compadre Garrincha já tinha ido embora há 30 anos, abatido pelo alcoolismo, pela decadência precoce (acelerada pelas injeções que tomava no joelho para aliviar dores crônicas), pela solidão. Nilton não conseguiu assistir ao enterro do compadre. Era muita dor. Conta, no entanto, uma passagem poética e perturbadora:

“Ao longo das passarelas da avenida Brasil, pessoas choravam, acenavam com lenços brancos, jogavam flores sobre o carro. Num determinado ponto, alguém soltou uma camisa número sete, da Seleção Brasileira, que foi voando, bailando como se fossem seus dribles, e que acabou por pousar em cima dele. Ficou presa na alça do caixão e manteve-se até Pau Grande. Essa cena, para mim, é inesquecível”.

O MAINÁ

Fiquei arrepiado quando li essa história porque lembrei do amor de Garrincha pelos pássaros. Ficou célebre a história do mainá, pássaro que emite um som parecido com a voz humana. Antes da campanha do bicampeonato no Chile, o governador da Guanabara, Carlos Lacerda, prometeu a Garrincha um mainá se ele trouxesse o caneco pela segunda vez. Gente próxima ao Mané disse que aquele não era um estímulo menor. Caneco na mão, o Corvo presenteou o mainá e as fotos da época mostram a infinita alegria de um menino ganhando um brinquedo.

O fim dessa história não é edificante. Garrincha era totalmente despolitizado, mas sua companheira Elza Soares tinha dado apoio público a Jango, deposto pelos militares. Resultado: a casa dos dois foi invadida em 1964 e os meganhas, depois de humilharem o casal, tiraram o pássaro da gaiola e o estrangularam. Na saída, ameaçaram uma nova “visita” caso abrissem o bico. A imprensa noticiou a morte do mainá, sem esclarecer a causa mortis.

De um jeito todo seu, Nilton e Garrincha esculhambaram as táticas da vida quadrada. O Enciclopédia e o colecionador de Joões voaram mil voos de mainás, pintassilgos, sanhaços, canários e bem-te-vis. Todas as cores em preto e branco. Como bem resumiu Armando Nogueira, falando sobre Nilton, mas rebatendo em outro Santos, o Manuel Francisco dos idem: Tu, em campo, parecias tantos, e no entanto, que encanto ! Eras um só, Nilton Santos. Saudações rubro-negras, figurinhas carimbadas da minha saudade.

Juiz nega prioridade à avaliação da proposta de trabalho de Dirceu

André Richter
Agência Brasil 

Brasília – O juiz Vinícius Santos Silva, da Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal, negou pedido de tramitação prioritária do estudo para avaliar a proposta de emprego apresentada pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Dirceu foi contratado para trabalhar como gerente administrativo do Hotel Saint Peter, em Brasília. De acordo com o contrato de trabalho assinado pelo ex-ministro, ele deve receber salário de R$ 20 mil. Dirceu está preso na Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal.

O ex-ministro foi condenado a sete anos e 11 meses de prisão em regime semiaberto. De acordo com a Lei de Execução Penal, os condenados em regime semiaberto podem trabalhar dentro do presídio, em oficinas de marcenaria e serigrafia, por exemplo, ou externamente, em uma empresa que contrate detentos.

O pedido de tramitação prioritária foi feito pela defesa de Dirceu, na semana passada, por ele ter mais de 60 anos. Segundo o juiz, a VEP analisa com rapidez todas as propostas de trabalho para garantir que os condenados não percam as oportunidades de emprego. “Cumpre observar, ainda, que o sentenciado que apresenta proposta de emprego encontra-se já em situação de vantagem sobre os demais, vez que a maioria da massa carcerária aguarda oportunidade de trabalho externo por meio de convênio firmados pela Funap [Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso]. Nesses casos, a implementação demora meses, considerando que o número de postos de trabalho oferecidos é sabidamente inferior ao número de internos que aguardam a oportunidade do referido benefício externo”, disse o magistrado.

Segundo o contrato de trabalho assinado pelo ex-ministro, se o pedido for aceito, ele deverá cumprir horário de trabalho das 8h às 17h e terá uma hora de almoço. Na ficha de solicitação de emprego, Dirceu disse que se candidatou ao emprego “por necessidade e por apreciar hotelaria e a área administrativa”.

A contratação de José Dirceu pelo hotel em Brasília agora envolve o grupo Abril

Edição/247

EXCLUSIVO: Documentos oficiais mostram que Grupo Abril vende operações da TVA em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba para o mesmo grupo que comprou, em Brasília, o hotel Saint Peter; a Compor, que arrematou as concessões de tevê de Giancarlo Civita, é controlada pela Transpor; a Transpor tem como auxiliar José Euguenio Silva Ritter (à esq.), que vem a ser o ‘proprietário’ do hotel que ofereceu emprego para José Dirceu, ex-presidente do PT; conexão Panamá tem mesmo coloração ideológica?

Documentos obtidos com exclusividade pelo 247 mostram que dias atrás, mais precisamente em 20 de novembro, o Grupo Abril consolidou a venda das operações da TVA em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba – três das principais praças comerciais do Brasil – para ninguém menos que a Truston International Inc. Trata-se, esta empresa, da controladora da Compor Communications Holding Ltda. , empresa norte-americana que tem como única acionista a própria Truston.

A conexão é importante. Afinal, a Compor é a mesma companhia que foi apontada, em rede nacional, na noite da terça-feira 3, no Jornal Nacional, da Rede Globo, como ser a contratante do auxiliar José Euguenio Silva Ritter. Cidadão panamenho, ele é seria o ‘laranja’ que tornou-se proprietário do hotel Saint Peter, em Brasília.

O hotel, como se sabe, convidou o ex-ministro José Dirceu para trabalhar em suas instalações.

Para que se entendam as implicações da venda da TVA, o que se tem é uma forte suspeita de o Grupo Abril lançou mão de uma empresa que usa ‘laranjas’ para fazer seus negócios. Ao menos, foi assim que Silva Ritter, que trabalha para a Compor, no Panamá – por sua vez controlada “por um único acionista, a Transpor” – foi apresentado no Jornal Nacional de ontem.

Sendo assim, a Compor, de Ritter, pode ser vista, por meio de seu “único” acionista controlador, a Trasnpor, como a companhia que adquiriu, do Grupo Abril, o filé mignon da TVA.

Na política, a crítica de que o ex-presidente do PT José Dirceu tivera um convite para trabalhar vindo de uma empresa nacional – o hotel Saint Peter – controlada por um ‘laranja’ estrangeiro pode ser espalhar. Na mesma medida, chega ao maior grupo editorial do País, numa operação de compra e venda obscura de muito maior vulto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO mais interessante dessa história toda é que o próprio José Dirceu pode estar por trás dessa negociação que colocou a TVA nas mãos dessa gente. Como se sabe, Dirceu é muito capaz. Quer dizer, ele é capaz de tudo… (C.N.)

ANDRÉ ESTEVES QUER ENTRAR NO BANCO VOTORANTIM, QUE ESTÁ DE NOVO TECNICAMENTE FALIDO

Márcio Gomes

A imprensa especializada em finanças noticia que André Esteves pretende comprar o Banco Votorantim (BV) e, assim, tornar-se sócio do Banco do Brasil neste empreendimento, já que o BB, através do programa “Bolsa Banqueiro”, sempre à disposição da banca pelos governantes, socorreu o BV em 2009, quando as apostas daquele banco no mercado financeiro o deixaram em maus lençóis.

A informação é que a cúpula do BB não aguenta mais os eternos prejuízos do BV. Ora, contem outra, pois já associaram-se ao Banco Votorantim  sabendo que se tratava de um banco quebrado.

O que está por trás dessa operação misteriosa logo se saberá, mas o BB dizer que está descontente com as “decisões equivocadas” do BV não reflete a realidade.

Em 27/02/2013 esta Tribuna informou que BB e BV estavam lançando em fundo imobiliário em comum e no portfólio do produto financeiro registrado na Bovespa ainda constava que BB e BV formavam uma bonita parceria estratégica.

A parceria avançou e muito, pois o fundo imobiliário tem comprado imóveis que são ou  serão locados ao BB, inclusive tem comprado imóveis que já eram de propriedade do BB, até mesmo edifícios inteiros. Ou seja, de devedor o BV passou a ser, através do mencionado fundo de investimento, coproprietário de edifícios e agências do BB. Os dois bancos constituíram, inclusive, uma nova empresa,  a Patrimonial Fundo de Investimento Imobiliário, administrada, por incrível que pareça, pela Votorantim Asset Management DTVM. Para quem estava falido, nada mal… Portando, BB e BV estão, cada vez mais, juntos e misturados.

MAS POR QUÊ?

Outra parte misteriosa da estória é a vontade de André Esteves em adquirir o BV. O grande  investidor já é sócio da Caixa Econômica Federal, através do Banco Pan, extinto Banco PanAmericano do apresentador Silvio Santos, que também ganhou uns bilhões no “Bolsa-Banqueiro” do governo petista e passou o mico pra frente. André Esteves interessou-se em comprar o banco falido, associando-se à CEF, claro.

Diz a mídia corporativa que o BTG de André Esteves vem reorganizando o Banco Pan, “com mais dificuldade do que esperava no início”.

Descontente com os dissabores encontrados na parceria com a CEF, André Esteves quer “sofrer” tambem com as dificuldades do Banco Votorantim, associando-se ao BB, claro. Quer ser “parceiro estratégico” de dois gigantes estatais do mercado financeiro em empreendimentos problemáticos e deficitários, mas que já levaram alguns bilhões do governo para seus ex-proprietários.

Ironia das ironias, onde André Esteves perdeu dinheiro foi com a EBX de Eike Batista, ou seja, com a iniciativa privada. Certeza de lucro mesmo, nossa burguesia só tem é com o Estado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO Banco Votorantim foi avalista de uma mega operação de Eike Batista junto ao BNDES. Ou seja, está tecnicamente quebrado, de novo. (C.N.)