Desastre educacional

Hélio Schwartsman
Folha de SP

Saiu mais um Pisa, o teste internacional que avalia alunos de 15 e 16 anos em várias áreas, e o Brasil segue na rabeira. Os países que participam do exame são 65. Ficamos na 55ª posição em leitura, 58ª em matemática e 59ª em ciência.

É verdade que melhoramos em matemática, mas estamos falando de um avanço da ordem de 10% em quase uma década. Nesse ritmo, levaríamos 26 anos para atingir a média dos países ricos e 57 para alcançar os chineses.

Isso, é claro, no falso pressuposto de que os outros ficarão parados. Em leitura e ciência, a evolução foi ainda mais modesta.

Infelizmente, não será muito fácil mudar o quadro. O governo acena com os recursos do pré-sal como salvação da lavoura. É claro que mais dinheiro ajuda, mas está longe de ser uma garantia de sucesso. Na verdade, nosso sistema é hoje tão pouco funcional que jogar mais verbas nele será, acima de tudo, uma ótima maneira de desperdiçá-las.

Sem um plano coerente de como aplicar os recursos, os avanços tendem a ser mínimos. Um de nossos principais problemas é que não conseguimos recrutar bons professores –os países campeões do Pisa selecionam seus mestres entre os melhores alunos das faculdades; nós nos contentamos com os piores.

Mesmo que, numa rápida e improvável inversão de rumo, passássemos a contratar a elite, levaria um bom tempo até que o efeito se espalhasse pela rede, que conta hoje com mais de 2 milhões de docentes.

Isso significa que precisamos encontrar um meio de progredir com o que temos. Minha impressão é a de que o caminho passa por estabelecer um currículo detalhado e ensinar o professor exatamente o que ele deve dizer em cada aula aos alunos. Sim, estamos falando de sistemas massificados, daqueles que inibem a criatividade e outras coisas que os pedagogos não gostam, mas não vejo muita alternativa. Afinal, estamos há muito tempo fracassando no básico.

Índices da economia pioram e se igualam aos listados após a crise de 2008

Victor Martins
Correio Braziliense

Cinco anos depois do estouro da crise que jogou o mundo na recessão, o Brasil voltou a flertar com alguns dos indicadores econômicos semelhantes ao período que precedeu à quebra do banco Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008. Se, hoje, a solidez do sistema financeiro não preocupa, o mesmo não se pode dizer das estatísticas oficiais.

A disparada do dólar e dos juros, considerados indicadores de risco, expõe, além da desconfiança no país, a total falta de disposição de credores do governo em financiar nossos desequilíbrios. E, pior, deixa claro que a bandeira verde e amarela entrou em uma crise não declarada. Diante desse quadro, a ameaça de rebaixamento da nota de crédito do país parece iminente.

O custo da dívida para o governo, a exemplo do registrado no auge da crise imobiliária iniciada em solo norte-americano, começa a preocupar. Em breve, os passivos do setor público devem ultrapassar os 60% do Produto Interno Bruto (PIB). Por isso, o preço de financiar o rombo fiscal também se elevou drasticamente.

COM ÁGIO

A NTN-B com vencimento em 2050, o título público mais comprado pelos fundos de pensão, é negociada entre os bancos com prêmio de 6,6% acima da inflação ao ano — o maior patamar desde que o papel começou a ser emitido, em 2010. No mercado de juros futuros, as taxas se aproximam das de 2009, quando os contratos com vencimento em dois anos pagavam 10% ao ano.

A diferença entre 2013 e 2009, porém, é que agora os fundamentos do Brasil são piores. A economia que o governo faz para pagar os juros da dívida, o chamado superavit primário, deve ser o menor da década — estima-se que ele fique ao redor de 1,7% do PIB. O valor é inferior até mesmo que o de quatro anos atrás, quando o Brasil amargou uma recessão de 0,3%, muitas empresas pararam de dar lucro e a arrecadação de impostos federais derreteu.

Esse volume de poupança é insuficiente ainda para colocar a dívida bruta em trajetória de queda e colabora para distanciar o Brasil de seus pares, outros emergentes que, na média, têm uma dívida equivalente a 35% das riquezas que produzem em um ano.

Eduardo Paes não se explica e se complica sobre os milhões de sua família

Anthony Garotinho

Questionado por repórteres sobre a origem dos US$ 8 milhões depositados no Panamá, em duas empresas que estão em nome de seu pai, mãe e irmã, o prefeito do Rio partiu para o ataque: “Papai sempre foi um homem rico, um advogado de sucesso”. Primeiro problema para Paes, as firmas só foram abertas respectivamente nos dias 12 e 19 de julho de 2008, depois que ele foi secretário de Esportes de Sérgio Cabral e em plena campanha para a Prefeitura do Rio. Toda essa riqueza até então devia estar escondida embaixo do colchão.

Segundo problema: Eduardo Panamá reconheceu a existência de uma empresa no exterior, mas não sabia dizer nem quanto o pai tinha, nem em que país e negou de forma veemente a participação da mãe e da irmã. Os documentos obtidos em cartório não deixam dúvida: é no Panamá, paraíso fiscal, local usado para lavagem de dinheiro. Aliás, se o dinheiro fosse limpo, que mal teria o pai de Eduardo Paes depositá-lo em bancos brasileiros.

Terceiro problema para o prefeito: são duas empresas, não há a menor dúvida, os documentos são incontestáveis e a complicação maior é que o administrador nomeado pelo pai de Eduardo Paes é o mesmo usado pelo hotel St. Peter, que pretende empregar José Dirceu.

Quarto problema: se está tudo legal, não há problema que eu como deputado federal, solicite à Polícia Federal e à Receita Federal que investiguem a origem do dinheiro. Eduardo acusou minha filha, a deputada estadual Clarissa Garotinho de ter vazado os documentos para a imprensa. É mentira! Mas que diferença faz se foi ela ou outra pessoa? O que importa é a origem dos R$ 20 milhões depositados pela família Paes no Panamá.

Por último Eduardo Paes diz que sempre foi rico e que diferente da família Garotinho não enriqueceu na política. Prefeito, minha declaração de bens está à sua disposição. Sua, da polícia e da Receita Federal. Minha vida já foi vasculhada várias vezes por perseguição política e nunca encontraram nada, porque minha visão não é de fazer patrimônio na política.

Hoje, Paes estava impossível. Falam algumas pessoas próximas que ele estava tomando um Rivotril por hora. E soltando desaforos com todo mundo, parecia o Félix, nervoso e descontrolado dizendo que “salgou a Santa Ceia”.

(artigo enviado por Mário Assis)

O número de lobistas que atuam no Congresso não para de aumentar

Lucas Pavanelli
O Tempo

O número de lobistas que circulam no Congresso Nacional subiu de 47 para 179 nos últimos 30 anos. Os números, de uma pesquisa coordenada pelo cientista político da UFMG Manoel Leonardo Santos, são baseados em um balanço da Primeira Secretaria da Câmara dos Deputados. O órgão é o responsável por cadastrar esses profissionais na Casa. O crescimento do lobby no Brasil é evidente para quem trabalha e pesquisa o serviço, que avança à medida que a democracia se consolida.

O professor da UFMG descreve que o fato tem relação com a retomada da importância política do Congresso depois da Constituição de 1988, o que não acontecia na ditadura. “Naquela época, a maior parte das decisões cabia ao Executivo, e eram os ministros os alvos de maior interesse. No processo democrático, o Parlamento volta a ser um espaço importante”, explica Santos.

Um lobista faz a defesa dos interesses de empresas, associações e sindicatos na relação com os Poderes e pode até representar o próprio setor público no monitoramento das atividades legislativas. Nesse novo contexto do país, até o termo lobby foi substituído. Os lobistas, agora, se intitulam como relações governamentais, institucionais ou intergovernamentais.

TRÁFICO DE INFLUÊNCIA

A nova nomenclatura é uma das tentativas para fugir da associação da atividade com os crimes de corrupção e tráfico de influência. Normalmente, o corruptor que tem acesso ao parlamentar acaba recebendo a pecha de lobista.

Além do contato direto com autoridades do Legislativo e do Executivo, os lobistas também monitoram os projetos que tramitam no Congresso e o acompanhamento de temas-chave, tanto para manter quanto para alterar algum cenário institucional.

“No Legislativo, fazemos acompanhamento das comissões e temas, como mineração, trabalho, terceirização e previdência social. Mas, aí, não são demandas isoladas da empresa, mas de todo o setor”, afirma o gerente de relações institucionais da Votorantim, Lucélio de Morais.

CREDENCIADOS

Apesar de os profissionais de relações governamentais terem quadruplicado nas últimas três décadas, a quantidade de pessoas que exerce a atividade no Brasil é bem maior. Os 179 profissionais cadastrados na Câmara Federal são representantes de entidades, sindicatos e associações que têm atuação nacional, além de assessores ligados a ministérios e agências reguladoras.

No entanto, a Casa não exige, por exemplo, que os lobistas que trabalham para empresas ou grandes ONGs sejam credenciados, o que pode dar impressão de que a negociação entre setores não-governamentais e parlamentares é pouco transparente.

Os credenciados têm algumas vantagens. Com a credencial especial, os lobistas não precisam enfrentar filas para passar pelo detector de metais, podem usar o estacionamento do Congresso e têm garantido o acesso aos corredores das duas Casas. As exceções são os plenários da Câmara e do Senado.

Delfim Netto, o guru do PT, está decepcionado com o governo

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Rosana Hessel

Correio Braziliense

São Paulo — Um dos principais conselheiros da presidente Dilma Rousseff, o economista Delfim Netto, que comandou os ministérios da Fazenda e do Planejamento no governo militar, acredita que o fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), que caiu 0,5% no terceiro trimestre, decorre de políticas econômicas equivocadas. Ele reconhece que há sérios problemas na área fiscal, que minaram a credibilidade do país, e alerta que a falta de investimentos produtivos é resultado de um longo período de valorização do real ante o dólar, fato que destruiu boa parte da indústria de transformação.

Apesar de todos os problemas, Delfim considera exagerado o pessimismo dos investidores e do empresariado em relação ao país. “A situação não está tão boa como o governo gostaria que estivesse, mas não tão ruim como se imagina”, diz. Para ele, o Planalto não deveria insistir em equívocos como o de manter a estatal Valec à frente dos projetos ferroviários do país. É essa a razão de as concessões na área de ferrovias ainda terem decolado. “A Valec é coisa para a Polícia Federal”, avisa. Veja os principais trechos da entrevista de Delfim concedida durante a entrega do Prêmio CNH de Jornalismo Econômico, nesta semana.

“Existe um desconforto com a inflação reprimida, que está em torno de 2%. Quando incorporar esse índice, o IPCA passará para 8% ou 8,5%”, disse o ministro.

FRUSTRAÇÃO COM O PIB

Como estávamos com grande entusiasmo quando saiu o resultado do segundo trimestre (alta de 1,8%), entramos em um processo de desilusão com a queda de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre. Mas não podemos levar esse resultado como uma projeção. Tudo indica que terminaremos o ano com crescimento de 2,5%. A minha ideia é que, se o PIB do terceiro trimestre tivesse dado zero, terminaríamos com uma alta do PIB de 2,7%. Não esperava a queda (de 2,2%) no investimento. Isso me surpreendeu. Esperava, no máximo, uma estagnação. Enfim, a situação não é tão boa como o governo gostaria que estivesse, mas não é tão ruim como se imagina.

FALTA DE INVESTIMENTOS

Há muito tempo, os investimentos estão aquém do desejado no país. Já faz 30 anos que não temos uma grande obra. E como se fazia? Na verdade, havia uma carga tributária de 24% do PIB e se investia 5% do Produto. Hoje, temos uma carga tributária de 36% do PIB e não investimos nem 2% do Produto. Ou seja, na verdade, perdeu-se a eficiência do uso de recursos. Ainda não temos grandes projetos de infraestrutura. No passado, havia um imposto único sobre combustíveis e lubrificantes que financiava as obras públicas. Não faltavam recursos. Por isso, fez-se coisas como a Hidrelétrica de Itaipu e todo o resto que está aí.

É importante ressaltar que, no caso do transporte ferroviário, que o governo quer conceder à iniciativa privada, há um problema fundamental. O modelo está errado, pois inclui a estatal Valec. Vou dizer com toda a franqueza. Não se pode pôr uma empresa como a Valec em qualquer coisa. A Valec é coisa para a Polícia Federal. O grande problema desse governo é que ele não é socialista. Tem uma tendência espiritista. Não pode ver nada funcionando que põe um encosto.

Uma genial e imortal conversa de botequim

O cantor, músico e compositor carioca Noel de Medeiros Rosa (1910-1937), com seu parceiro Vadico, conseguiu, com ironia e sensibilidade, retratar em versos as principais características populares do Rio de Janeiro do início do século passado. Nesse sentido,  a letra de “Conversa de Botequim” é exemplo de malandros da época que conseguiam quase tudo com muita conversa fiada. Este samba teve inúmeras gravações, sendo a primeira delas feita pelo próprio Noel Rosa, em 1935, pela Odeon.

 CONVERSA DE BOTEQUIM

Vadico e Noel Rosa

Seu garçom faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d’água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol

Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto nem pago a despesa
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro,
Um envelope e um cartão,
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste umas revistas,
Um isqueiro e um cinzeiro

Seu garçom faça o favor de me trazer depressa…

Telefone ao menos uma vez
Para três quatro quatro três três três
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório
Seu garçom me empresta algum dinheiro
Que eu deixei o meu com o bicheiro,
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure esta despesa
No cabide ali em frente
Seu garçom faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d’água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol

       (Colaboração enviada por Paulo Peres –  site Poemas & Canções)

Morte de Mandela causa tristeza a palestinos e constrangimento a israelenses

Guila Flint

BBC Brasil

Logo depois da morte de Mandela o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, determinou a colocação das bandeiras a meio mastro e decretou um dia de luto nacional.

“O mundo e os palestinos perderam um grande líder, que sempre apoiou a causa palestina”, declarou Abbas.

O líder do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Haniya, também lamentou a morte de Mandela e afirmou que ele “inspirou os palestinos a lutarem por liberdade, união e democracia”.

No domingo serão realizadas missas em cidades palestinas na Cisjordânia, em homenagem a Mandela. A missa principal foi na Basílica da Natividade, em Belém, com a presença de líderes palestinos e do embaixador da África do Sul.

NOS PROTESTOS

Na sexta-feira, manifestantes palestinos, que saíram às ruas de aldeias na Cisjordânia para protestar contra a construção do muro israelense, portavam fotos de Nelson Mandela.

Marwan Barghouti, considerado o mais importante prisioneiro palestino detido por Israel, escreveu uma mensagem para Mandela, de sua cela na prisão de Hadarim, onde se encontra desde 2002.

“De dentro da minha cela na prisão eu lhe digo que nossa liberdade parece possível depois que você conquistou a sua. O apartheid não venceu na África do Sul e não vencerá na Palestina”, afirmou Barghouti, líder do partido Fatah e visto como um possível sucessor do presidente Abbas.

Em sua mensagem, Barghouti lembrou a declaração de Mandela de que a liberdade dos sul-africanos “não será completa sem a liberdade dos palestinos”.

CONSTRANGIMENTO

A longa história de colaboração de Israel com a África do Sul durante o apartheid torna a repercussão da morte de Mandela no país bem mais complexa.

O primeiro ministro Binyamin Netanyahu declarou que Mandela era “uma das figuras exemplares de nossos tempos, o pai de seu povo, um visionário que lutou pela liberdade e se opôs à violência”.

Segundo o presidente Shimon Peres, “o mundo perdeu um líder de enorme grandeza, que mudou o rumo da História”.

No entanto, vários analistas mencionam que durante o período em que Mandela lutava contra o apartheid, Israel vendia armas para o governo sul-africano e manteve essa aliança militar por vários anos, apesar do boicote generalizado da comunidade internacional.

FATO HISTÓRICO 

“Os dois lideres (Netanyahu e Peres) obviamente não mencionaram o fato histórico de que Israel manteve uma aliança vergonhosa com o regime racista quando este era considerado pária pela comunidade internacional”, afirma o jornalista Arik Bender, no diário Maariv.

O governo israelense aderiu às sanções internacionais contra a África do Sul em 1987, 10 anos após o embargo decretado pela comunidade internacional ao regime do apartheid.

Segundo o analista Hemi Shalev, em artigo no jornal Haaretz, “nós (israelenses) admiramos a luta corajosa de Mandela contra o apartheid e seu papel crucial na transição pacifica e democrática para o poder da maioria negra, mas sentimos um certo constrangimento por nosso apoio histórico a seus inimigos e também por sermos vistos como seus sucessores”.

(artigo enviado por Mário Assis)

Análise do laudo é que indicará tratamento domiciliar para Jefferson, diz Procurador

Luciano Nascimento
Agência Brasil

Brasília – O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse hoje (9) que a análise do laudo sobre as condições de saúde de Roberto Jefferson é que vai definir o parecer de prisão domiciliar do delator do esquema de pagamento de propina a parlamentares, condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Segundo Janot, como ainda não recebeu o laudo elaborado pelos médicos do Instituto Nacional do Câncer (Inca), não deu o parecer, mas ressaltou que levará em consideração a necessidade de tratamento e as condições dos presídios.

“Eu não recebi ainda o laudo. Assim que chegar eu vou analisar e encaminhar dentro do prazo, observando rigorosamente o prazo. O condenado tem que responder pela pena que a lei prevê. Não existe pena prevista na legislação brasileira que seja de coação física no que se refere a doença ou risco de vida do apenado. Se houver risco, se houver qualquer problema de saúde que recomende um tratamento especial da doença, o tratamento será sempre nesse sentido”, disse o procurador-geral durante evento sobre combate à corrupção, em Brasília.

Condenado a sete anos e 14 dias de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Roberto Jefferson pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para cumprir a pena em regime domiciliar. Ele alegou ao Tribunal que precisa de cuidados médicos especiais porque ainda está em tratamento contra um câncer no pâncreas.

O laudo elaborado pelo Inca foi anexado ao processo no STF na semana passada e diz que a prisão domiciliar não seria imprescindível para o ex-deputado Roberto Jefferson. “Do ponto de vista oncológico, esta junta não identifica como imprescindível, para o tratamento do sr. Roberto Jefferson Monteiro Francisco, que o mesmo permaneça em sua residência ou internado em unidade hospitalar”..

Com base no laudo e levando em conta o parecer de Janot,  o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, vai decidir se concede ou não prisão domiciliar a Jefferson.

O ex-deputado José Genoino, condenado na Ação penal 470, também com problemas de saúde, teve o seu quadro clínico analisado por uma junta médica. No parecer enviado ao STF, Janot se manifestou favorável à prisão domiciliar para Genoino por 90 dias, após analisar o laudo da junta médica.

Por que os Perrellas não foram presos?

José Nabuco Filho
Diário do Centro do Mundo

O surpreendente caso do helicóptero pertencente ao deputado estadual de Minas Gustavo Perrella, apreendido com 445 quilos de cocaína, não pode levar ao prejulgamento do deputado e nem à omissão de investigações.

Quando houve a apreensão, as perguntas se sucederam. Muitos queriam saber se a polícia deveria ter prendido o deputado e se ele seria responsável criminalmente pelo transporte da droga.

A verdade é que, penalmente, ninguém é responsável por ato de seu subordinado se não colaborou conscientemente para isso. Em termos jurídicos, ninguém será punido se não tiver colaborado dolosamente com o ato praticado por seu funcionário. A rigor, a questão sobre o dolo é simples. Basta que o chefe saiba que na sua empresa ou com seu equipamento seja praticado tráfico, para que esse chefe seja responsável conjuntamente por crime de tráfico (tecnicamente, é o concurso de pessoas).

RESPONSABILIZAÇÃO

A complexidade está no âmbito das provas. É preciso a obtenção de provas de que o chefe sabe, para que ele seja responsabilizado penalmente. Isso se aplica tanto ao caso de uma pizzaria em que o entregador é flagrado com cocaína na moto, como no caso do helicóptero do deputado mineiro.

Parece claro, portanto, que o deputado deva ser minuciosamente investigado, para se chegar à conclusão sobre sua eventual responsabilidade. Em uma república, nenhum homem pode ser intocável. Por outro lado, numa democracia, não se pode presumir a culpa de quem quer que seja.

E SE FOSSE POBRE?…

Não há dúvida que numa situação similar e de menor proporção, vivenciada por um cidadão pobre, o tratamento seria diferente. Em tais casos, o comportamento tende ao abuso, ou seja, ao mais profundo desprezo pelas garantias individuais. Mas também não há dúvida de que democracia se faz inibindo o abuso e não defendendo sua extensão a todos.

Uma outra questão que surge desse caso é a aparente sofisticação do tráfico, em que a cocaína é transportada por um helicóptero caríssimo. A crônica policial no Brasil só retrata traficantes “pé-de-chinelo”. Os chefões do tráfico, quase sempre, são moradores de favela que constroem casas no alto do morro de um luxo precário, com predileção por banheiras de hidromassagem, muito diferente dos traficantes do cinema americano.

Mas, num negócio rentável como o tráfico de drogas, provavelmente há por trás pessoas menos toscas que um Fernandinho Beira-Mar. Eles existem ou são fruto de nosso imaginário? Se existem, por que não os conhecemos?

O fato é que uma das características das organizações criminosas é a existência de tentáculos no poder público com a corrupção. Dessa forma, é provável que existam empresários do tráfico que se mantenham na impunidade através da corrupção.

Um caso como esse vem aguçar nossa imaginação. Que se investigue, então, minuciosamente a eventual existência de responsabilidade do dono do helicóptero.

Artigo enviado por Mário Assis

Comissão da Verdade de São Paulo conclui que Juscelino Kubitschek foi assassinado

Elaine Patricia Cruz
Agência Brasil

São Paulo – A Comissão Municipal da Verdade de São Paulo declarou hoje (9) que o ex-presidente da República Juscelino Kubitschek (JK) foi assassinado durante a ditadura militar (1964-1985), contrariando a versão de que o ex-presidente morreu em um acidente de carro.

A versão oficial sobre a morte aponta que Juscelino e seu motorista, Geraldo Ribeiro, morreram em agosto de 1976 em um acidente de trânsito na Rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, quando o carro em que estava o ex-presidente colidiu com uma carreta após ter sido fechado por um ônibus. A versão de morte acidental sempre foi contestada pela comissão.

“Não temos dúvida de que Juscelino Kubitschek foi vítima de conspiração, complô e atentado político”, disse o vereador Gilberto Natalini, presidente da Comissão Municipal da Verdade.

Amanhã (10), na sede da Câmara Municipal de São Paulo, a comissão vai divulgar um documento, de 29 páginas, elencando “90 indícios, evidências, provas, testemunhos, circunstâncias, contradições, controvérsias e questionamentos” que a fizeram concluir que JK foi assassinado durante viagem de carro na Rodovia Presidente Dutra.

Estimativas sem embasamento empurram a economia para um caminho perigoso

Deco Bancillon
Correio Braziliense

A falta de acertos nas previsões do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e, sobretudo, as promessas não cumpridas pela equipe da presidente Dilma Rousseff têm minado a credibilidade do país junto a investidores, empresários e organismos internacionais.

Após inúmeros maus resultados no campo econômico, entre os quais o mais flagrante deles é o errático desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), tomou corpo no mercado financeiro um sentimento de descrédito total com a política econômica.

Para experientes analistas, a incapacidade dos técnicos do governo de identificar e corrigir problemas adicionou uma dose extra de instabilidade e desconfiança ao Brasil em um momento em que o mundo passa por transformações e que o capital estrangeiro está mais volátil e avesso a riscos.

POLITICA FISCAL

Um dos principais focos de preocupação é com a política fiscal do governo. Ao Correio, o economista-chefe da agência de classificação de riscos Austin Rating, Alex Agostini, adiantou que a empresa está prestes a revisar a nota de crédito do país. “Nós temos uma preocupação clara com a classificação do Brasil”, ele diz. “Atualmente, a nossa perspectiva para o país ainda é estável, mas devemos soltar um relatório já nas próximas semanas alterando isso”, conta.

Nas palavras de Agostini, “todos os indicadores, hoje, apontam para uma piora (do rating) do Brasil”. O economista, no entanto, não quis adiantar qual será a revisão feita pela agência, mas deixou entender que a mudança pode não ser apenas da perspectiva da nota, de estável para negativa, mas, sim, um rebaixamento efetivo do grau de credibilidade do país. “Esse risco é iminente”, confidencia.

Torcidas organizadas assinam manifesto pela paz nos estádios (quer dizer, nas arenas)

Elaine Patricia Cruz
Agência Brasil

Reunidos em São Paulo, representantes de torcidas organizadas de todo o país assinaram um manifesto pela paz no futebol elaborado pelo Ministério do Esporte. No documento, eles se comprometem a atuar no combate à violência nos estádios, respeitar o Estatuto de Defesa dos Direitos do Torcedor, divulgar as ações do manifesto às torcidas e cadastrar seus membros no site do ministério.

Ao ministério caberá zelar pelo cumprimento da legislação esportiva e do Estatuto de Defesa dos Direitos do Torcedor, além de disponibilizar a Ouvidoria para o recebimento e encaminhamento de denúncias. O acordo foi assinado à tarde, durante o 1º Seminário Sul-Sudeste de Torcidas Organizadas. A entidade que descumprir os compromissos assumidos no manifesto poderá ser excluída pelo ministério. Segundo o órgão, 34 organizações participaram dos dois dias do seminário.

Na cerimônia de encerramento do seminário, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, defendeu a existência desses grupos. “Por que proibir a torcida? Se há uma briga, o melhor seria encontrar quem brigou, o responsável pela agressão. Responsabilidade coletiva é uma coisa que só vi no nazismo”, disse o ministro, ao criticar o fato de se querer atualmente punir as organizadas por causa de atos de violência cometidos de forma individual.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA decisão é inócua. No domingo, em Santa Catarina, torcedores se enfrentaram e um foi para o hospital em estado grave. Mas esse tipo de coisa só acontece em decisões. Com os preços dos ingressos majorados para o Padrão Fifa, as autoridades nem precisam se preocupar. A quase totalidade dos integrantes das torcidas organizadas não tem a menor condição financeira de seguir frequentando estádios de futebol, que hoje são chamados de “arena” (talvez para lembrar o sacrifício do povo, no estilo Roma antiga). As autoridades não se interessam pelo povo, muito pelo contrário. Nas “arenas” só entra a elite, as torcidas ficam de fora. Esta é a realidade.(C.N.)

Mensaleiros que já cumprem pena passarão Natal e Ano Novo na cadeia

Diego Abreu
Correio Braziliense

As chances de os condenados no processo do mensalão passarem a noite de Natal e o réveillon na companhia de parentes são nulas. Uma portaria da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal a qual o Correio teve acesso limita as saídas temporárias de fim de ano a presos que tenham obtido progressão de regime e àqueles que receberam autorização para trabalhar, o que exclui os mensaleiros do rol de possíveis beneficiados.

Juristas ouvidos pela reportagem acrescentam que os sentenciados do mensalão que se encontram presos não terão direito ao chamado saidão, uma vez que tal benefício é autorizado somente para detentos que tenham cumprido, no mínimo, um sexto da pena, no caso de réu primário. Como as primeiras prisões ocorreram há menos de um mês, a maior parte dos apenados do mensalão terá de aguardar pelo menos até o ano que vem para pleitear tal privilégio.

A Portaria nº 7 da Vara de Execuções Penais, publicada no último dia 20 de novembro, autoriza a “saída especial” no Natal, no período do dia 24, às 10h, até o dia 26, às 10h, e no Ano Novo, entre 30 de dezembro e 2 de janeiro, nos mesmos horários.

Mas a norma elimina qualquer possibilidade de os mensaleiros serem alcançados pelo benefício. De acordo com a portaria, o saidão poderá ser concedido somente “aos internos que tenham obtido, até a data limite de 24 de novembro de 2013, progressão ao regime semiaberto, com autorização para saídas temporárias, e aos que estejam com o trabalho externo deferido, que já tenham usufruído, ao menos, de uma das saídas especiais nos últimos 12 meses”.

Estilo centralizador de Dilma Rousseff atrasa decisões e incomoda aliados

Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense

Perto de terminar o terceiro ano de mandato e às vésperas da campanha na qual buscará a reeleição ao Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff corre para entregar o máximo de realizações possíveis para o eleitorado e compensar os atrasos de obras que atormentam o Palácio do Planalto e alimentam as críticas da oposição.

Empossada em 2011 como a grande gerente capaz de destravar o país, Dilma sofre com uma mania que, na realidade, tornou-se sua marca administrativa: a dificuldade — e a demora — em tomar decisões pelo perfeccionismo e excesso de centralismo.

Um dos queridinhos da presidente e cotado como um dos possíveis coordenadores da campanha pela reeleição, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, já tinha dado a dica ao seu sucessor no Ministério de Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp, quando lhe transmitiu o cargo, em janeiro de 2012.

“Toda vez que você levar um programa, a primeira fase vai ser de espancamento do projeto. Ele vai ser desconstituído em todas as suas dimensões e, se não estiver muito bem, consistente, você vai ouvir a seguinte expressão: ‘Ele não fica de pé’.” Como se já não tivesse sido claro, o petista arrematou. “Não insista. Você não vai convencê-la. Vai perder tempo. Volte para casa, junte a equipe, trabalhe intensamente e volte a apresentar o projeto.”

Pouco com Deus

Vittorio Medioli

Aristóteles acreditava que “O homem sábio não procura o prazer, mas a ausência de dor”, não se desgasta para ter, se satisfaz em ser. Não existem luxo, opulência e poder que valham a perda da serenidade, portanto, o sábio rejeita sonhos fantásticos, metas ambiciosas, complicações fúteis que, uma vez alcançadas, despertam mais ambição, apetite, mais orgulho do que paz. O filósofo grego ainda sentenciou: “A felicidade é de quem é suficiente a si mesmo”.

O esforço tem que se voltar para dominar nosso inquieto interior, e a “fome de vento”. As fontes externas de felicidade e prazer por natureza são extremamente frágeis, perecíveis, sujeitas ao acaso e podem, mesmo nas melhores circunstâncias, ressecar repentinamente. O que era pó, mais cedo ou mais tarde, a pó voltará.

Na velhice, os prazeres comuns aos jovens costumam naturalmente se apagar, e se isso não acontecer o indivíduo se desorienta como o ex-atleta que quer continuar a disputar com os jovens. De certa forma perde-se o afã do amor carnal, mas adquire-se o prazer de um amor mais intenso. Desaparece a vontade de viajar para longe, de dançar, de participar da vida mundana, de vestir a moda, de ter cabelo comprido.

Envelhecendo, o indivíduo se liberta de muitas escravidões, simplifica sua existência. O raio de manobra se encurta, perdem-se parentes, amigos, tirados pela morte. Deixa-se para trás a necessidade de exibir. Os mais sábios entendem que vive bem quem bem se esconde, especialmente dos olhares invejosos, as baixezas humanas que são terrivelmente míseras e sórdidas.

DENTRO DE SI

Mais que qualquer fator externo, passa a ser importante o que o indivíduo encontra dentro de si, a fórmula de dominar e enjaular a futilidade e a inutilidade, quase sempre motivo de desgastes. Controlando-se interiormente, aumenta a capacidade de se harmonizar com as circunstâncias. A qualidade dos relacionamentos adquire mais valor do que sua quantidade. A felicidade passa a ser um fenômeno quase estático, menos grandioso e efusivo. A felicidade não precisa ser contada, basta ser sentida.

O mundo em volta pouco importa, valem mais a serenidade, a capacidade de desfrutar o momento de paz, um jardim, um fruto, um pequeno animal de estimação, até o mosquitinho que desponta do nada em volta da fruta madura, uma boa música, enfim, uma infinidade de pequenas coisas pode dar uma satisfação mais intensa do que uma palpitante viagem a bordo de um Bugatti ou um banquete repleto de iguarias e vinhos caros.

Passou nesses dias nos jornais mais um caso de corrupção tupiniquim com fiscais de São Paulo. Poucas novidades na escalada da lamentável realidade brasileira, prevista nesta coluna em decorrência dos péssimos exemplos dos governantes nacionais. Perdulários, demagogos, omissos, cúmplices da corrupção que ocorre sistematicamente na sala, servem de exemplo para os mais fracos.

A PODRIDÃO

Se os valores perseguidos e os métodos usados por quem está no comando são podres, inevitavelmente a podridão se alastrará e contaminará as camadas inferiores. Disseminar exemplos perversos gerará perversidade. Gandhi deu um exemplo de austeridade, de moderação, de intransigente honestidade, jejuou inúmeras vezes, mesmo como chefe de Estado viajava para a Europa na terceira classe do navio de rota comum, e deu impulso para a superação das imensas dificuldades do povo indiano. E nossos governantes?

Além das fórmulas sôfregas usadas para roubar, é interessante reparar como o butim é empregado. Desde aquele juiz Lalau, com Ferrari e Lamborghini num esplêndido apartamento em Miami, joias e babaquices caras, não temos grandes novidades. Corruptos gastam com apartamentos de luxo, jantares que exibem vinhos selecionados, joias, frotas de motos e carros fantásticos. O corrupto sente uma perversa necessidade de “ter”. Ter coisas caras e raras – que certamente não fazem a felicidade –, até para esquecer que no quesito “ser” ele é uma falência total, pois se rebaixou a pilhar dinheiro que poderia ir para merendas escolares e remédios. É como ganhar um jogo se dopando ou trapaceando.

Parece que entre corruptos há uma absoluta descrença quando se diz que “pouco com Deus é melhor que muito com o diabo”.