Becos do tempo

Jacques Gruman
Na tradição judaica, o Ano Novo tem espaço peculiar no calendário. Começa que seus significados estão desatrelados de eventos naturais ou históricos. Depois, não se celebra em apenas um dia ou uma noite. Prolonga-se por dez dias, os chamados Iamim Noraim, traduzidos como Dias Intensos ou Temíveis. Neles, mesmo os judeus não praticantes, que é o meu caso, são convidados a uma reflexão sobre a vida, interrompendo a rotina e quebrando o ritmo, muitas vezes alucinante, dos afazeres e que fazeres. É uma proposta forte, marcada por canções de impacto, introspectivas, e por um diálogo muito difícil com nossa finitude. O som do shofar, antiquíssimo instrumento musical produzido normalmente com chifre de carneiro, ritualiza o final do balanço.

A passagem do tempo está presente em todas as culturas, pontuando a volatilidade humana e registrando a dolorosa relação que temos com a morte. Estamos às vésperas de um novo ano do calendário cristão. Tomando emprestada a velha mania judaica de perguntar e duvidar, vou dar uma olhada no que me sensibilizou em 2013 e, por que não ?, projetar meus desejos para 2014.

Em 2013, Edward Snowden revelou um segredo de Polichinelo: os Estados Unidos espionam o mundo inteiro, incluídos no pacote desde inimigos históricos até aliados leais e milhões de cidadãos comuns. Quem, honestamente, ficou surpreso ? Na melhor das hipóteses, pode ter havido alguma perplexidade com a dimensão dos tentáculos. Que em 2014, venha um ardiloso contra-ataque. Flagrado ao fazer a feira pela internet, Obama terá o número de seu celular revelado. A partir daí, será infernizado por infindáveis ligações de telemarketing, que “estarão vendendo” todo tipo de tralha. Com direito a musiquinhas. Mandinga da boa.

O robô chinês que desceu na Lua em 2013 mapeará, em 2014, a primavera das nossas esperanças ?

NOVO ESPORTE

Proponho a criação de um novo esporte, cuja jornada inaugural será no ano da Copa. Antes, porém, tenho uma dúvida: pancadaria é esporte ? Se for, estou no caminho certo. Seguinte: que tal colocar num octógono monumental todos os lutadores de UFC e MMA e os marginais que transformam as arquibancadas das “arenas” de futebol em picadeiros sangrentos ? Todos são especialistas em socos e pontapés nas cabeças alheias. Traumatófilos fanáticos. Que se empenhem numa batalha final, num único round, sem regras e sem direito a recurso no STJD (senão, algum advogado do Fluminense acaba descobrindo uma irregularidade e suspendendo o espetáculo). Que deem vazão entre si a seus baixos instintos e nos livrem das carnificinas que, regularmente, protagonizam. Amém.

Não seria mau que as eleições gerais de 2014 mostrassem menos preocupação com as qualidades gerenciais dos candidatos e recuperassem o tom político de outros carnavais. Que se saia do desfile monótono de números e gráficos, não raro maceteados e ininteligíveis, e se caia nos debates ideológicos, com claras demarcações do que se pretende para o país. Que a memória do povo filtre sem perdão os que, por oportunismo e marquetagem, se juntam com aqueles que, até ontem, eram seus inimigos mortais. Que o povo não substitua a mobilização nas ruas pelo atalho enganoso das urnas. Tá bom, tá bom, sei que Papai Noel não existe, mas tenho direito a um pouquinho de esperança.

MANDELA E GIAP

Em 2013, morreram dois grandes personagens do século vinte. Nelson Mandela, importante liderança do Congresso Nacional Africano, teve papel destacado na superação do apartheid sul-africano. Não foi, entretanto, como fizeram supor as marotas interpretações da grande mídia internacional, responsável solitário pela derrota do regime abominável dos africaners. Sem a organização, a elaboração teórica e a construção estratégica do CNA, Mandela não teria existido. A vitória foi coletiva, tem muitos nomes e sobrenomes, muitos tombados pela mesma causa. O enterro de Mandela foi acompanhado por dezenas de autoridades mundiais.

Quanta hipocrisia ! Muitas dessas autoridades representavam governos que apoiaram, aberta ou camufladamente, o supremacismo branco. Montou-se uma comoção que estranhei, na medida em que o projeto do CNA nada tem a ver com os interesses do capital financeiro e da reprodução do grande capital. Remédio veneno ? Excesso de imagens, anestesia da razão.

Enquanto Mandela recebia justas e amplas homenagens, outro imenso personagem mereceu pouco mais do que pé de página. Ao morrer, aos 102 anos, o general Vo Nguyen Giap, o camarada Van, deixou uma biografia libertária poucas vezes igualada. Sua estratégia político-militar derrotou o exército imperial japonês, o exército colonial francês e as forças armadas imperialistas norte-americanas. Ajudou a consolidar a independência do Vietnã, despertando enorme entusiasmo nas forças democráticas e progressistas de todo o mundo.

Viveu e morreu modestamente, afirmando sempre que o verdadeiro general era o povo vietnamita. A imprensa não gastou muita tinta, nem muitos bytes, para registrar a morte deste pequeno gigante. Não se formaram filas de mandatários de outros países em frente ao seu caixão. Sintomaticamente, as homenagens ficaram por conta do vietnamita comum, consciente da grandeza de um de seus filhos mais dedicados e obstinados.

BOM SENSO F. C.

Gostaria que, em 2014, o Bom Senso F. C. nascesse de verdade. Que o batismo coincidisse com a Copa do Mundo, que desencadeará o velho provincianismo, as patriotadas midiáticas, o oportunismo político dos que surfarão na trajetória da seleção brasileira. Bem que o Bom Senso poderia mostrar o lado B de todo o previsível ufanismo. Ganhos bilionários dos meios de comunicação (sem qualquer vantagem esportiva), gastos públicos duvidosos em “arenas” destinadas ao nada, privatização do direito de torcer (quem poderá pagar os preços astronômicos dos ingressos ?).

Que surjam lideranças sólidas no movimento, preocupadas em educar as categorias de base, criar canais de comunicação com as massas, aprender formas de luta com outras categorias de trabalhadores, interagir com elas. Que floresçam mil Obdúlios Varelas !

Que nos preparemos para construir bunkers e abrigos de todos os tipos ! As astrólogas Maria Eugênia Castro e Maína Mello preveem um 2014 tenso. Mercúrio vai andar para trás três vezes (?), e, pelo que leio, isso não é nada bom. Vamos ter problemas de comunicação, trânsito e até de vendas de ingressos para a Copa. Nada a ver com o caos das grandes cidades brasileiras, a incompetência para organizar eventos de grande porte. A questão tem a ver com um planetinha que está a uma distância média de 100 milhões de quilômetros da Terra. Dona Maria Eugênia garante que a presidente Dilma terá um ano de intenso stress. Por causa das eleições ? Nada disso. Júpiter e Marte estarão numa posição desfavorável. Os crentes em anjinhos, duendes, gnomos, feiticeiras e almas penadas estão em estado de alerta. Ponhamos, pois, nossas barbas de molho.

HOMOFOBIA

Que a homofobia regrida sem precisar da blitzkrieg midiática da Daniela Mercury, séria candidata a Mala do Ano no hilário concurso do Artur Xexeo. Nessa questão, há um equilibro delicado entre o público e o privado, que a cantora baiana faz questão de ignorar.

Que dona Marta Suplicy encontre, finalmente, um lugar para chamar de seu. Um dia é ministra “relaxa e goza” do Turismo, no outro, da Cultura (confundindo alta costura com alta cultura), hoje se especula que vai para a Educação. Deve ser dura essa vida peregrina. Boa sorte e feliz aterrissagem, onde quer que ela aconteça. Tanto faz. Fique tranquila, somos nós que pagamos o voo.

De resto, um feliz 2014, com mais Beethoven e menos Fiuk, mais Antônio Nóbrega e menos duplas sertanejas, mais encontros e menos Rivotril, mais silêncio e menos pressa, mais livros e menos Google, mais contemplação e menos aflição.

(artigo enviado por Mário Assis)

 

Pai meu

Vittorio Medioli
(O Tempo)

Pai meu, te amo no infinito que é Teu. Mesmo quando na respiração sinto dor, porque dor é uma oportunidade de compreensão que me dás; mesmo quando Tua lei é o esforço, porque é no esforço que Tua lei se impõe no caminho de qualquer ascensão humana.

Pai meu, me faz capaz de mergulhar em Tua potência. Quando, desesperado, nessa potência me abandonar, possa encontrar alimento e força. Faz que eu lembre a qualquer instante que eu sou Filho Teu, faz que em todas as minhas ações eu respeite minha origem divina.

Pai meu, te procuro no âmago de mim e no infinito do universo, de onde Tu me chamas e me fazes sentir parte de um sistema sem fim. Não sei onde Tu estás, mas Te encontro a cada passo. Esqueço-Te e Te ignoro, no entanto, Tu estás em cada palpitação de meu coração, no sangue que me dá vida. Não sei Te individuar, mas gravito em torno de Ti, como gravitam todas as coisas do universo.

Como serás Tu, meu Pai, que não sei descrever? Espanta-me o reflexo de Tuas obras, Tua sabedoria presente na asa do mosquito, no ninho do passarinho, na cabana do homem, no palácio do rei, na doçura de um sorriso de criança.

O homem Te busca na ciência, Te invoca na dor, Te bendiz na alegria. Tu, meu Pai, estás no trovejar da tempestade; na carícia de uma mãe; na explosão atômica; na vitória da vida e do espírito; na alegria e na dor, no movimento e na morte. Pai sem limites, que tudo abarca, amplia, estreita e domina, até mesmo os contrários que Tu guias para o mesmo fim. O ser sobe, de forma em forma, escalando Teu reino, ansioso por te conhecer.

Adoro-Te, supremo Pai, princípio de tudo, em Tua vestimenta de matéria, em Tua manifestação de energia, na paz que me concedes tomando consciência de Ti; no inexaurível renovar-se de formas sempre impecáveis e perfeitas. Te adoro, meu Pai, na inesgotável força, na rotação dos planetas, no calor das estrelas, na majestade das galáxias. Te adoro, meu Pai, ilimitado, além de todas as fronteiras de minha dimensão.

Meu Pai, me faz sentir Teu abraço a cada momento.

Para todos os meus leitores, desejo um 2014 de serenidade, saúde e paz.

Questão ambiental está travando o desenvolvimento do País

Gelio Fregapani

Ainda que timidamente, o Governo começa a compreender que o problema ambiental está sendo usado contra o País. Derrubou a ação que impedia os trabalhos pela hidrovia Paraguai-Paraná, apesar do barulho das ONGs internacionais e também as que paralisavam Belo Monte, mas o transporte dos reatores importados para o Complexo Petroquímico de Itaboraí, que deveria estar refinando 165 mil barris diariamente, desde setembro está travado pelo Ministério do Meio Ambiente, por cruzar uma área de “proteção ambiental”.

Ou o Governo controla o Ibama, a Funai e as ONGs ou isto conduzirá a revolta e a violência. Aí então, quem gostar de aventura não terá motivo de queixa.

México passa a permitir candidaturas cidadãs independentes

Da Prensa Latina

México – A reforma constitucional que permite as candidaturas cidadãs independentes para cargos de eleição popular entrou em vigor a partir de sábado (28) em todo o território mexicano.

A véspera, o Diário Oficial da Federação publicou o decreto pelo qual se modificam os artigo 116 e 122 da carta magna, para concluir os processos legais derivados da reforma política aprovada em 4 de dezembro passado no Congresso da União.

Desde agosto passado publicou-se a modificação ao artigo 35 da Constituição que permitia as candidaturas independentes, mas isso se contrapunha com o estipulado pelo artigo 116, que reconhecia que os partidos políticos tinham direito exclusivo para solicitar o registro de candidatos a cargos de eleição popular.

Com as mudanças agora publicadas se garante o sustento jurídico para que as assembleias estaduais permitam as candidaturas cidadãs, após modificarem seus regulamentos internos.

Por sua vez, a transformação ao artigo 122 estipula os aspectos que garantam eleições livres e autênticas no Distrito Federal, mediante sufrágio universal, livre, secreto e direto. (transcrito do site Pátria Latina)

Vargas Lhosa aplaude Mujica pela legalização da maconha e do casamento gay no Uruguai

O escritor defende que a experiência uruguaia será mais bem sucedida 'se não for limitada a um único país, mas gerar um acordo internacional que envolva tanto os países produtores como os consumidores' (REUTERS/Henry Romero)

Do Correio Braziliense

Madri – Em um artigo publicado neste domingo pelo jornal El País, o vencedor peruano do Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa, elogiou as duas reformas liberais adotadas pelo Uruguai em 2013 – a legalização do casamento gay e da maconha -, estimulando outros países a “seguirem este exemplo”.

“A revista The Economist fez bem ao escolher o Uruguai como o país do ano, e ao classificar como admiráveis as duas reformas liberais mais radicais tomadas em 2013 pelo governo do presidente José Mujica”, argumentou Vargas Llosa.

O escritor ressalta ainda que Mujica, um guerrilheiro na juventude, “respeitou as instituições democráticas” e deu ao Uruguai “uma imagem de país estável, moderno, livre e seguro, o que permitiu o crescimento econômico e a promoção da justiça social.”

O famoso autor de “A Cidade e os Cachorros” observa que, graças a esse “perfil democrático e liberal”, o Uruguai tornou-se “o primeiro país do mundo a mudar radicalmente sua política de combate ao problema das drogas.”

Além disso, o escritor defende que a experiência uruguaia “de legalizar a produção e o consumo da maconha” será mais bem sucedida “se não for limitada a um único país, mas gerar um acordo internacional que envolva tanto os países produtores como os consumidores.”

“O importante é que a legalização seja acompanhada por campanhas educativas – como as que combatem o tabaco ou demonstram os efeitos nocivos do álcool – e de reabilitação. A liberdade tem seus riscos. O governo uruguaio entendeu isso e deve ser aplaudido. Oxalá outros governos aprendessem a lição e seguissem esse exemplo”, acrescenta.

Em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, Vargas Llosa crê que a medida “combate um preconceito estúpido e repara uma injustiça que milhões de pessoas sofreram (e ainda sofrem)”.

Um Feliz Ano Novo a todos, com saúde, paz, amor e prosperidade

Carlos Newton

Desejo a todos um grandioso Ano Novo, extensivo a seus parentes e amigos. Que a humanidade inteira possa viver dias melhores em 2014.

Aproveito a data festiva para, mais uma vez, pedir que os comentaristas parem com as ofensas e zombarias. Aqui no Blog temos ampla liberdade, mas é preciso respeitá-la. A liberdade é uma bênção, não podemos usá-la para destruir a civilidade que precisa existir entre pessoas de pensamentos conflitantes.

Não entendo como comentaristas tão qualificados possam insistir nesse tipo de comportamento. Sem alternativa, vamos continuar eliminando ofensas e zombarias, assim como a transcrição de longas defesas de tese como se fossem simples comentários, outra liberalidade que existia no Blog e infelizmente não foi entendida por alguns participantes.

Em meio a essas contrariedades, esperamos que em 2014 a liberdade editorial deste Blog possa ser exercida em sua plenitude, sem que haja necessidade de moderação nos comentários. Não custa nada tentar.

Joaquim Barbosa faz sucesso em show de samba de Moacyr Luz no Rio

PA Rio de Janeiro (RJ) 30/12/2013 Presidente do Supremo Joaquim Barbosa no Renascença Clube no Andarai. Foto Marcos Tristão Foto: Marcos Tristão / Marcos tristão

Letícia Fernandes
(O Globo)
RIO — No Rio para passar a virada do ano, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, esteve na tarde de nesta segunda-feira em um samba, no Clube Renascença, no Andaraí. O ministro chegou às 18h20m, acompanhado de dois sobrinhos, assessores e seguranças, para assistir ao show do sambista Moacyr Luz e do Samba do Trabalhador. E de lá só saiu por volta das 21h.

Com traje informal — blusa polo, calça bege e tênis —, Barbosa seguiu direto para o camarote, no segundo andar do clube. Não sem causar alvoroço: foi aplaudido pela multidão, mas pode se ouvir também vaias em meio à gritaria.

Barbosa não quis falar de política e, perguntado se cairia no samba, foi categórico:

—Não vou sambar —E brincou: — Já viu mineiro sambar?

Entre fotos e sorrisos, comeu aipim com carne seca, frango à passarinho, bebeu água e migrou para a cerveja. A atriz Taís Araújo cumprimentou o ministro, e visitou a mesa de Barbosa com frequência.

TIETAGEM

Por causa das dores na coluna, que o impedem de ficar sentado por muito tempo, o ministro se levantou com frequência. Em dois momentos, chegou a batucar e cantarolar “Brasil Pandeiro”, que ficou famosa na versão dos Novos Baianos, e “Quem te viu, quem te vê”, de Chico Buarque, além de acenar da sacada.

— Eu apertei a mão do maior homem do Brasil, não vou nem dormir hoje. Eu disse pra ele: concorre à Presidência, não abre mão não. Ele acenou com a cabeça — disse José Barbosa, comandante da Marinha.

— Nunca tinha visto tietagem tão grande. Estive com ele em junho, quando o convidei para vir ao samba. Disse que viria ainda este ano, mas eu não acreditei — contou Daniel Silva, vice-presidente do Renascença: — Todo ano, em novembro, elegemos um Zumbi no Dia da Consciência Negra, alguém que tenha feito muito pela raça e, ano passado, ganhou ele. Como é uma pessoa muito importante para nós, o retrato dele vai ficar para sempre aqui.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA autora do texto, Letícia Fernandes, é filha do jornalista Rodolfo Fernandes e neta de Helio Fernandes, que está escrevendo num novo blog, com o endereço abaixo:

tribunadaimprensaonline.blogspot.com.br

A genial receita de Ano Novo de Drummond

O Bacharel em Farmácia, funcionário público, escritor e poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) é um dos mestres da poesia brasileira. O significado principal do poema “Receita de Ano Novo” está em olhar para dentro de si mesmo e sentir-se, realmente, apto para ganhar uma belíssima passagem de ano.

RECEITA DE ANO NOVO

Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

       (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Polêmica sobre morte de JK vai aumentar em janeiro

B-GY1G4
Tâmara Teixeira

As evidências sempre estiveram vivas na memória de muitos personagens da época, nos fatos e em documentos, ou na falta deles. Mas foram precisos 37 anos de distanciamento para montar um quebra-cabeça com peças espalhadas por todo o país. O ano de 2013 foi decisivo para a reunião de provas e a conclusão ainda não oficializada pela Presidência da República, de que o ex-presidente Juscelino foi vítima de um atentado.

Na próxima semana, a Comissão da Verdade da Câmara de Vereadores de São Paulo – que investiu na apuração dessa história e colheu diversos depoimentos e provas – irá entregar ao Congresso, à Presidência da República e ao Supremo Tribunal Federal (STF) a conclusão dos trabalhos e o pedido para que a causa da morte do ex-presidente seja alterada para crime político.

“Em 2013, tudo conspirou para que o caso fosse desvendado”, avalia Gilberto Natalini, presidente da comissão. Na lista de elementos-surpresa que surgiram se destacou o depoimento do motorista do ônibus que passou pelo Opala de JK no dia do acidente que culminou em sua morte. Durante anos, Josias de Oliveira, 70, foi apontado como o causador da tragédia daquele agosto de 1976.

Em novembro, ele contou o que teria ocorrido na estrada da Via Dutra, em Resende, mas revelou uma informação que, há quase 40 anos, pode não ter tido a devida atenção. “Passei pelo carro, depois eles me cortaram pela direita em alta velocidade, perderam a direção e bateram contra a carreta no sentido contrário. Só assisti e parei para ajudar”.

“Alguns dias depois, dois homens barbudos de moto foram à minha casa e me ofereceram uma mala de dinheiro para eu assumir a culpa do acidente, mas recusei. Já havia contado essa história na época, mas os militares não me deram ouvidos”, lamenta ele, que vive sozinho no interior de São Paulo. Para Natalini, os homens eram ligados aos miliares.

Outro personagem decisivo para o veredito de “emboscada” foi o perito Alberto Carlos de Minas, que garante ter visto uma marca de bala no crânio do motorista que dirigia o carro de JK, Geraldo Ribeiro – confirmando a tese de que ele levou um tiro antes de bater o caro. “Vi a marca da bala, mas não me deixaram fotografar. Por algum motivo, não quiseram (o Estado) revelar a verdade”, disse o perito que acompanhou a exumação de Ribeiro, em 1996.

Minas Gerais também foi decisiva para o caso em 2013, mas as contribuições foram todas negativas. Segundo Natalini, o Estado perdeu o fragmento metálico que estava no caixão de Ribeiro, e que poderia ser a bala que atingiu o motorista antes de ele perder o controle do carro. O Estado ainda sumiu com o laudo integral da exumação de 1996. (transcrito de O Tempo)

Relatório informa que Genoino está com boa aparência e saúde estável

André Richter
Agência Brasil

Brasília – Um relatório feito pela Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal e obtido pela Agência Brasil afirma que o ex-deputado José Genoino, condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão, “apresenta boa aparência e quadro geral de saúde estável”. No dia 26 de dezembro, Genoino recebeu a visita de uma assistente social e de uma psicóloga, responsáveis pela avaliação periódica de detentos que cumprem prisão domiciliar provisória. O documento foi enviado ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, pelo juiz Bruno André Silva Ribeiro, da VEP.
Em um breve relatório, as duas profissionais informam que Genoino declarou não ser necessário passar por consultas periódicas, com exceção das reavaliações de recuperação da cirurgia cardíaca, prevista para o dia 7 de janeiro, em São Paulo. O ex-parlamentar também relatou que faz uso diário de medicamentos e que, esporadicamente, faz exames para verificar a coagulação do sangue, cuja coleta têm sido feita em casa para evitar deslocamentos.

Genoino está na casa dos sogros de sua filha, em Brasília. De acordo com a Seção Psicossocial da VEP, responsável pelo acompanhamento de presos, os comprovantes médicos devem ser apresentados a cada dois meses para garantir o benefício domiciliar.

FICA EM BRASÍLIA

Na sexta-feira (27), o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, decidiu prorrogar a prisão domiciliar de Genoino até 19 de fevereiro de 2014. No entanto, Barbosa rejeitou o pedido de transferência para São Paulo, e Genoino deverá ficar em Brasília até nova avaliação médica.

“Considerada a provisoriedade da prisão domiciliar na qual o condenado vem atualmente cumprindo sua pena e a forte probabilidade do seu retorno ao regime semiaberto ao fim do prazo solicitado pela Procuradoria-Geral da República, considero que a transferência ora requerida fere o interesse público”, sentenciou Barbosa.

Dar independência às tribos indígenas é manobra antiga nas organizações internacionais, como a ONU e a OIT

Celso Serra

Fica muito estranho o Brasil aprovar um importantíssimo tratado internacional na ONU e depois dizer que foi de brincadeirinha, especialmente quando assume uma posição completamente diversa da que vinha defendendo há longo tempo, em brusca e imprudente mudança de rumos, como ocorreu com a Declaração Universal dos Direitos das Nações Indígenas em 2007. De fato, o odor à traição é muito forte.

Por falar em traição, seria bom que todos os brasileiros tomassem ciência de outro já consumado fato, ocorrido anteriormente e também muito prejudicial ao Brasil, à harmonia interna de seus habitantes e à segurança nacional.

Por isso, peço vênia para transcrever parte do relatório sobre o tema “Amazônia – Soberania Nacional”, elaborado e aprovado pela Loja Maçônica Dous de Dezembro em 2007, secular instituição de defesa dos interesses nacionais, a respeito do estranho assentimento do governo brasileiro com relação a decisões prejudiciais ao país, em organismos internacionais:

“4. Como uma das provas da assentimento do governo brasileiro temos um ato explícito da OIT – Organização Internacional do Trabalho, denominado de “OIT – Convenção 169 de 7/6/1989”, “Convenção Relativa aos Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes” que entrou em vigor em 05 de setembro de 1991, cujo texto extrapola as relações de trabalho e entra no assunto “TERRAS” (artigos 13, 14, 15, 16, 17, 18 e outros) estabelecendo condições objetivas para o futuro golpe sobre o território brasileiro. É só buscar e ler na internet, no próprio “site” do Senado brasileiro (www.interlegis.gov.br/).

5. O Congresso Nacional, em 25 de agosto de 1993, mansamente, aprovou essa “Convenção”; frise-se: sem recusar os artigos que levavam o intuito de criar condições objetivas para a mutilação do espaço territorial brasileiro.”

Seria muito bom que a maior parte dos brasileiros, que possuem discernimento e vontade de saber o que está real e sistematicamente ocorrendo, tomasse ciência do texto acima citado. Está no site do Senado Federal, instituição que parece composta por representantes sonolentos e desatenciosos quanto aos interesses do país e mais preocupados com implantações capilares.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A “Convenção” 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) é um acinte à soberania brasileira, porque significa a independência territorial e política das reservas indígenas. É inacreditável que o Congresso Nacional tenha aprovado esse tratado internacional, como é inacreditável também que o governo Lula tenha assinado a Declarações Universal dos Direitos das Nações Indígenas, que simplesmente ratifica e amplia a “Convenção” da OIT, em total contradição com o que determina a Constituição brasileira. Como diz o comentarista Antonio Santos Aquino, o importante é o que diz nossa Constituição. Mas acontece que, quando o país assina um tratado internacional e ele é ratificado pelo Congresso, entra em vigor imediatamente e tem força de emenda modificativa da Constituição. É aí que mora o perigo. (C.N.)

O Dia de Cristo

Mauro Santayana
(JB) – Há pouco mais de dois mil anos, em uma terra seca e pedregosa, coberta de desertos e montanhas, e dominada por feroz e grande império, viveu um homem, filho de carpinteiro, que chicoteava hipócritas e derrubava moedas pelas escadas dos templos, abria os olhos de cegos e lavava os pés de prostitutas e mendigos, fazia os aleijados andarem, ressuscitava mortos e alimentava de pão e palavra os famintos.
Seria bom que a Igreja, aproveitando a presença inspiradora de Francisco, instituísse, sem acabar com as que  existem, nova data para lembrar esse homem, que foi coroado de espinhos e cravado a uma cruz de madeira, para enfrentar seu destino.
Nessa data – que poderíamos chamar de O Dia de Cristo – não comemoraríamos o seu nascimento nem lembraríamos a sua morte, mas apenas praticaríamos seu exemplo.

Não faríamos uma ceia em nossa própria casa, mas em casa alheia, de preferência em uma creche ou asilo, ou de uma família pobre e humilde. Não presentearíamos ninguém que conhecêssemos, mas desconhecidos, de preferência aqueles que estivessem sozinhos, longe de sua família ou de seu país e sem abrigo.

SORRISOS SINCEROS

Distribuiríamos rosas e sorrisos – sinceros sorrisos – ou faríamos mágicas, ou serestas, nas praças decadentes dos centros antigos de nossas grandes cidades, para prostitutas velhas.
Rezaríamos, no lobby dos hospitais, não para os nossos doentes, mas para os doentes alheios, junto com suas famílias.
Visitaríamos, no cemitério, não os nossos mortos, mas as valas comuns dos indigentes, e os túmulos com datas muito antigas, das famílias que já se acabaram ou em que só conste um nome, dos que não souberam quem foram seus pais ou não tiveram filhos.
Já existem pessoas que levam sopa aos viciados, visitam creches e abrigos na periferia, fazem rir crianças enfermas, oram nos hospitais com os que estão morrendo sozinhos e com famílias que não são as suas.
Mas esses cristãos, tocados em seu coração pela mão do Nazareno, ainda são poucos, em um mundo em que mais e mais pessoas se deixam embriagar pelo sucesso, e preferem perder dias e noites acordados em uma fila para comprar um novo  console de jogo ou telefone, do que passar meia hora, em um hospital público, lendo um livro para uma criança com câncer.
Eles se escondem, na multidão anônima, como os cristãos das catacumbas. São apontados de longe, pelos que rezam mais pela sua própria prosperidade, do que por qualquer outro ser humano – como peças que emperram a engrenagem imutável e imortal de uma igreja enrijecida, e em alguns círculos, chegam a ser  excomungados pelo que falam e praticam.
MULTIPLICAR OS PÃES
Quem sabe, com a criação de um Dia de Cristo – que poderíamos comemorar pelo uma vez a cada ano, e depois multiplicar a data como fez Jesus, com os peixes e pães – esses cristãos passem a ser vistos de outra forma.
Quem sabe, sobre eles se erga outra Igreja, ou sirvam de pedreira bruta para construção de uma nova.Uma Igreja sem outros templos do que o coração humano.  Sem outro altar do que o olhar do próximo. Sem outras velas do que o calor e o brilho da solidariedade. Sem outras vestes, do que a que se dá a quem não tem nenhuma. Sem outro vinho do que o sangue que se doa a um enfermo. Sem outra hóstia que o pão que se coloca na boca do faminto, sem outra oração do que a de um sorriso que se compartilha com um irmão.

Renan devolve R$ 27 mil por voo da FAB usado para ir a Recife

Deu no Extra

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), devolveu aos cofres públicos, nesta segunda-feira, 30, os mais de R$ 27 mil gastos em viagem feita em avião da Força Aérea Brasileira (FAB) de Brasília para Recife para se submeter a uma cirurgia de implante capilar.

De acordo com nota distribuída pela assessoria do senador, o valor foi calculado pela FAB e o pagamento foi feito por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU).

A viagem foi realizada em 18 de dezembro e, embora utilizasse avião oficial, não foi registrada na agenda do presidente do Senado. Renan Calheiros decidiu devolver o dinheiro após a repercussão negativa do caso na imprensa.

Em julho, o senador também reembolsou a União em R$ 32 mil por também ter utilizado um avião da FAB para ir com a família ao casamento da filha do líder do governo no Senado, Eduardo Braga (AM), em Trancoso, na Bahia.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGE nada lhe acontecerá continuará a presidir o Senado, não responderá a processo algum, no modelo brasileiro do “ladrão arrependido”, que devolveu o dinheiro e foi perdoado. (C.N.)

Portas de entrada em ano de Copa

Murilo Rocha

A partir de março, começa o processo de mudança na gestão dos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Confins, na Grande Belo Horizonte. Os dois saem das mãos do poder público e passam a ser operados por empresas do setor privado com experiência nesse tipo de empreendimento. Em agosto de 2014, ou seja, após a Copa do Mundo, essa transição deverá ser concluída de forma definitiva.

Até lá e especialmente durante os meses do Mundial – junho e julho – , passageiros ainda devem sofrer muito. Anteontem, por exemplo, quem passou pelo Galeão, principal porta de entrada para turistas estrangeiros no Brasil, teve uma ideia do descaso e da falta de respeito com quem usa o serviço aéreo no país.

A sala de embarque para voos domésticos do aeroporto internacional estava sem ar-condicionado – estragado ou talvez apenas desligado. Brasileiros e, principalmente, os turistas de fora eram obrigados a suportar uma temperatura acima dos 30º. Fora isso, alguns banheiros, onde a sensação de calor era maior ainda, estavam sem as tampas dos ralos e com vasos sanitários interditados ou entupidos. O mau-cheiro era insuportável.

NEGLIGÊNCIA

Não é o caso de fazer comparações com outros lugares do mundo – como Londres, Paris ou Frankfurt. Seria covardia. A questão é a negligência, a falta de cuidados básicos com a própria população do país. A impressão deixada por nossos aeroportos é a de locais sem qualquer administração.

Em Confins, onde um canteiro de obras se arrasta dentro e fora do aeroporto há mais de um ano, as esteiras para a retirada de malas não comportariam nem mesmo o desembarque de bagagens de um ônibus de turismo escolar. Mesmo assim, elas continuam lá, e, aos passageiros, só resta ter paciência.

Não sei avaliar se os valores arrecadados nos leilões para concessão de operação desses dois aeroportos foi bom ou ruim. Mas considero ser impossível alguma melhoria não ser feita de forma imediata. É muita esculhambação, muita falta de respeito com passageiros nacionais e internacionais.

A dúvida, daqui para a frente recai sobre a fiscalização dessas empresas no cumprimento dos contratos. Pois, assim como tem se mostrado péssimo gestor – vide aeroportos, portos, estradas etc –, o governo também não dá sinais de competência na hora de cobrar resultado das concessionárias.

Em ano de Copa do Mundo, as perspectivas para os aeroportos brasileiros são as piores possíveis. (transcrito de O Tempo)

Quando esquecemos de sonhar

Eduardo Aquino

Ano terminando, uns dias de recesso, pequenas viagens, grandes desejos, muitas frustrações, enormes sonhos de mudar a nós e ao mundo. Como foi em 2009 ou em 2011? Não nos recordamos, mas a vida seguiu como tem sido sempre. Começamos bem, nas festas que iluminam os céus, no pipocar ensurdecedor de fogos, tilintar de taças, comida farta e enjoativa.

Acordamos na ressaca da festa regada a excessos e no desânimo de termos que limpar e arrumarmos a casa. Parece até a vida, com lampejos de glamour, muita pompa e circunstância e, logo a seguir, recolher os excessos, recuar para a rotina que nos traz à realidade.

Assim como casamentos, formaturas, Dia das Mães, aniversários, festejamos a exceção, a ilusão, o sonho que insiste em se tornar uma realidade bem menos maquiada, artificial, onírica. Mas, venhamos e convenhamos, como é bom sonhar! Como é divina essa capacidade de recriar a vida, reescrever histórias, iludir a dureza do cotidiano com mundos fantasiosos, ideais repletos de alegria, realizações, atos heroicos e personagens idolatrados por todos. Nos sonhos somos o arquétipo de homens e mulheres fatais, famosos, supridos pelo amor, ricamente ornados por paisagens paradisíacas, companheiros estetas e beldades exuberantes.

TIRAR FÉRIAS

Sonhar é preciso! Tirar férias de nós mesmos, da nossa desimportância, dos nossos egos cheios de baixa autoestima, de nossas irritantes reclamações das mesmas coisas, das mesmas pessoas – filhos, cônjuges, patrões, empregados, família, amigos, ídolos do time de futebol fracassado, do vizinho, professor, aluno e quem mais vier.

É tempo de festejar, lamentar os fracassos do ano que passou e nada mudou, às vezes, até piorou, e tonto da décima cerveja, ou segunda garrafa de vinho, naquela alegria etílica, tão falsa quanto ressaqueante, começar a contagem regressiva: 10, 9, 8… E o inevitável “adeus ano velho, feliz Ano Novo, que tudo se realize…” E, então, com roupas brancas, pulinhos sobre ondas, flores nas águas, roupas íntimas novas, desejar um ano inesquecível, com dinheiro, amor, saúde.

Então virá o mês de janeiro com o IPTU, o IPVA, o colégio dos filhos e o cartão de crédito. E a certeza que a vida é bela, pois, ainda assim, sonhar é de graça, e nos sonhos habitamos o paraíso! Feliz sonhos em 2014! (transcrito de O Tempo)