General que admitiu intervenção foi irresponsável, mas seu recado está dado

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Mourão deu um susto nos líderes da Operação Abafa

Deu em O Globo

Um general da ativa do Exército falou por três vezes na possibilidade de intervenção militar, nesta sexta-feira, após o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciar pela segunda-vez o presidente Michel Temer por participação criminosa e obstrução da justiça. Antonio Hamilton Mourão, secretário de economia e finanças do Exército, afirmou que “ou as instituições solucionam o problema político”, retirando da vida pública políticos envolvidos em corrupção, ou então o Exército terá que impor isso.

“Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso”, disse o general Mourão.

TRIPÉ – O general afirmou no início da palestra que o comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, definiu um tripé para a atuação do Exército diante da crise pela que passa o país.

“Primeira coisa, o nosso comandante, desde o começo da crise, ele definiu um tripé pra atuação do Exército. Então eu estou falando aqui da forma como o Exército pensa. Ele se baseou, número um, na legalidade, número dois, na legitimidade que é dada pela característica da instituição e pelo reconhecimento que a instituição tem perante a sociedade. E número três, não ser o Exército um fator de instabilidade, ele manter a estabilidade do país”, contou.

A palestra, de cerca de duas horas, foi promovida por uma loja maçônica de Brasília. O general falou sobre uma possível intervenção militar ao responder uma questão formulada pela organização do evento, que dizia que “a Constituição Federal de 88 admite uma intervenção constitucional com o emprego das Forças Armadas”.

“Excelente pergunta. É óbvio, né, que quando nós olhamos com temor e com tristeza os fatos que estão nos cercando, a gente diz: ‘Pô, por que que não vamo derrubar esse troço todo?’ Na minha visão, aí a minha visão que coincide com os meus companheiros do Alto Comando do Exército, nós estamos numa situação daquilo que poderíamos lembrar lá da tábua de logaritmos, ‘aproximações sucessivas’.”

E O MOMENTO? – De acordo com o Mourão não há uma “fórmula do bolo” ou momento específico para uma possível intervenção militar. “Agora, qual é o momento para isso? Não existe fórmula de bolo. Nós temos uma terminologia militar que se chama ‘o Cabral’. Uma vez que Cabral descobriu o Brasil, quem segue o Cabral descobrirá alguma coisa. Então não tem Cabral, não existe Cabral de revolução, não existe Cabral de intervenção. Nós temos planejamentos, muito bem feitos. Então no presente momento, o que nós vislumbramos, os Poderes terão que buscar a solução. Se não conseguirem, né, chegará a hora que nós teremos que impor uma solução. E essa imposição ela não será fácil, ele trará problemas, podem ter certeza disso aí”, disse o general.

O comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, informou por meio de nota à imprensa que o Exército está reafirmando constantemente seu compromisso de pautar suas ações na legalidade, estabilidade e legitimidade.

Ao jornal “O Estado de São Paulo”, Mourão afirmou que “não está insuflando nada” e que “não defendeu, apenas respondeu a uma pergunta”. Ainda de acordo com a publicação, o general diz que “não é uma tomada de poder. Não existe nada disso. É simplesmente alguém que coloque as coisas em ordem, e diga: atenção, minha gente. Vamos nos acertar aqui e deixar as coisas de forma que o país consiga andar e não como estamos”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O golpe militar de 64 foi liderado por um general chamado Mourão. Por incrível que pareça, mais de 50 anos depois aparece outro general Mourão para falar em intervenção militar. Não disse nenhuma novidade, mas foi irresponsável ao acreditar que suas palavras não vazariam, porque estava na Maçonaria. O importante é que o recado foi dado e agora o Judiciário e o Legislativo vão colocar as barbas de molho, como se dizia antigamente. Se a Operação Abafa inviabilizar a Lava Jato, os militares realmente vão intervir. Mas acontece que isso não acontecerá. Haverá eleição em 2018, podem ter certeza. De toda forma, os políticos de oposição vão fazer um festival e tentar capitalizar a bobeada do novo general Mourão. (C.N.)

Entre o trágico e o cômico, a família ainda é fundamental

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Eduardo Aquino
O Tempo

Quem não tem um drama ou um caso hilário para contar quando o assunto é família? Nas melhores ou piores, a vida se molda, transforma-se, apoia-se nos alicerces familiares. Para o bem ou para o mal. Afinal, a sociedade começa nas células familiares. O afeto reunia um grupo de seres humanos, criando vínculos fundamentais para a sobrevivência da espécie. De família para bando, de bando para comunidade. Quanto mais indivíduos, mais fortes os laços sociais, mais estruturada a civilização.

No entanto, família significa muitas coisas. Cultura é uma delas. Há famílias tão unidas que coitado daquele que se agregar, seja nora, seja genro. Viajam juntos, frequentam a mesma religião, têm suas manias e rituais, como, por exemplo, a obrigação de almoçar todo domingo na casa do patriarca ou da matriarca.

DE VÁRIOS TIPOS – Organizadas ou bagunceiras, silenciosas ou barulhentas, essas famílias “grudadas” têm vantagens e desvantagens. Empobrecem socialmente, enriquecem na solidez dos laços familiares. Vivem coletivamente, mas sacrificam o individual.

Há famílias briguentas, cheias de rivalidade, em que um não conversa com o outro, e competitivas, muitas vezes por conta de brigas por heranças. São também carentes de afeto, com pais secos ou distantes. Encontros são esporádicos, ocorrendo em velórios ou em casamentos. Gente emburrada, atritos constantes. Famílias doentes e que adoecem. Triste, mas costumam gerar exemplos contrários, e a segunda ou a terceira geração geralmente propõe novas formas, muito mais saudáveis e maduras, de formar família.

DESAGREGAÇÃO – Tem também a família “cada um cuida de si e Deus de todos”. Por falta de um elemento agregador, uma referência forte, costuma gerar um ambiente frio, individualista, em que cada um fica na sua. Cedo, filhos buscam seus destinos, e muito raramente se reúnem; em geral, em ocasiões formais. Normalmente, ligam-se à família de seus parceiros, carentes de um vínculo que sempre é forte e necessário. Isso é muito comum no norte europeu, onde o sistema de bem-estar social cumpre tão bem o papel de proteção que compete com o papel familiar.

Da mesma forma, as famílias de origens italiana, espanhola, portuguesa ou árabe são naturalmente muito apegadas, com fortes vínculos afetivos e muita passionalidade, dramas, ciúmes, brigas e conciliações, respeito aos pais e avós, a ponto de morarem próximo, em vilas ou “tendas”.

Algumas famílias que antes eram grandes, rurais e mexiam com a lavoura se urbanizaram, diminuíram de tamanho. Tornaram-se eletrônicas, são intermediadas por telas, redes sociais. Distantes, menos afetivas, quase não se falam.

NOVA FAMÍLIA – Em crise de identidade, a “nova família” ainda não se identifica. Não cabe no modelo tradicional, após séculos de culturas e normas que hoje nada representam. Valores, moral e ética não são temas discutidos em casa. Exemplos não servem no dia a dia.

Casais separados conflitam não apenas seus egos, ressentimentos mal resolvidos, mas transferem aos filhos os estilhaços de uma munição triste e dolorosa, que é falar mal da metade genética familiar, a qual, inexoravelmente, habitará coração, mente e alma dos filhos de casais separados. E o inevitável: “Igual ao pai (ou mãe ), a mesma praga!”

Enfim, família. Essa célula civilizatória. Aquele ninho onde, creia, se tudo der errado em sua vida, te acolherá, pois, acima dos desamores e das diferenças de personalidades, seremos sempre pais, mães, irmãos, filhos, netos. Abençoemos, perdoemos, agradeçamos por termos uma família!

Apesar da corrupção e da crise, Temer consegue ser menos pior do que Dilma

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Willy Sandoval

Os petistas não tem motivos para reclamar. Antes de mais nada, não podem esquecer que foram eles mesmos que colocaram os golpistas no poder . O bigodudo Olivio Dutra, ex-prefeito de Porto Alegre, definiu muito bem o acumpliciamento do PT com partidos fisiológicos, principalmente o PMDB: “Quem com os porcos se junta, também se chafurda na lama!“. Como era de se esperar, até mesmo porque colocaram uma governanta incompetente no poder, acabaram tomando uma bela de uma rasteira – ou, como queiram chamar, um golpe jurídico-parlamentar. Mas isso só acontece com incompetentes-arrogantes que não sabem fazer politica, porque é precisa mesmo ser muito ruim para acabar derrubado do poder.

Independente de julgar se Temer é corrupto ou não, culpado ou não, acho que provavelmente é. Mas há que se seguir o que diz a Constituição, e por ela, pelas vias constitucionais-legais, é praticamente impossível tirar Temer do poder.

LADO POSITIVO – Vamos ver o lado positivo das coisas e, por incrível que pareça, há alguns. Temer não tem medo do trabalho, sabe e gosta de fazer política, não se omite na tomada de decisões, em suma, está muito longe de ser ideal, mas é o presidente que temos e consegue ser claramente melhor (ou menos ruim) do que a antecessora.

Vai aqui mais uma vez uma crítica construtiva que poderia ajudar ainda mais a economia do país e também o governo dele. Com relação ao Refis (Refinanciamento Fiscal), ou se cancele imediatamente a possibilidade de fazê-lo neste governo (seria o ideal) ou então que se defina o mais rapidamente possível (no máximo, um mês), pois boa parte do empresariado simplesmente está deixando de recolher tributos e/ou não tem o mínimo interesse no parcelamento de tributos atrasados, pois o tempo dos trouxas acabou e ninguém está disposto a aceitar condições que os mais espertos (muitos políticos e empresários) vão tirar proveito num futuro Refis.

Contraditoriamente, o fato de muitos empresários estarem deixando de recolher tributos tem seu lado positivo, pois o dinheiro circula e está ajudando na recuperação econômica. Mas tem o lado nefasto, pois não ajuda em nada no combate ao desequilíbrio fiscal. E o principal motivo, no meu modo de ver, é principalmente a expectativa desse imoral Refis.

Delação da OAS, que atinge Temer, Lula, Dilma, Aécio e Serra, fica em sigilo

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Léo Pinheiro fez muitos amigos nos tribunais

Deu em O Tempo

Acabou um pedaço da novela da delação da OAS, iniciada há dois anos. O acordo de colaboração firmado por oito executivos da empresa foi enviado na última sexta-feira pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, ao gabinete do ministro Edson Fachin, do Supremo. A delação da OAS relataria pagamento de suborno e contribuições via caixa 2 aos ex-presidentes Lula (PT) e Dilma (PT), aos senadores Aécio Neves e José Serra, ambos do PSDB, e a aliados próximos ao presidente Michel Temer (PMDB). Os documentos estão sob sigilo.

O acordo do principal delator da OAS, Léo Pinheiro, não faz parte desse pacote enviado ao Supremo. Também não foram enviados os documentos de dois acionistas que controlam o grupo, César Mata Pires Filho e Antônio Carlos Mata Pires.

CAIXA DOIS – Os executivos cujos acordos serão analisados por Fachin cuidavam de pagamento de caixa dois. São considerados personagens menores na trama de corrupção da OAS.

A delação da empresa é considerada comprometedora para o ex-presidente Lula. Pinheiro disse em depoimento ao juiz Sergio Moro, num gesto para que seu acordo de delação fosse aceito, que o triplex de Guarujá (SP) era para o ex-presidente e que os recursos gastos na obra (cerca de R$ 2 milhões) saíram de um centro de custo que contabilizava propinas pagas em contratos com a Petrobras.

A declaração de Pinheiro supriu uma das principais lacunas da força-tarefa de Curitiba no caso do triplex: a ligação da obra no apartamento com os recursos desviados da Petrobras. Não havia essa prova na apuração. Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão no caso do triplex e recorre da decisão. A defesa do ex-presidente alega que Pinheiro fez a acusação contra Lula, de quem era amigo, para escapar da prisão.

TUCANOS ACUSADOS – Há nas delações de Pinheiro e integrantes da cúpula da OAS uma série de acusações contra os tucanos. Pinheiro relata que Aécio Neves formou um cartel para as obras da Cidade Administrativa. Aécio nega que tenha recebido propina da OAS.

Os executivos contam que pagaram suborno a Serra e a outros tucanos quando ele era governador de São Paulo em obras do Rodoanel e do metrô, o que Serra nega enfaticamente. Há também relatos de formação de cartel para obras do metrô.

Fachin vai analisar a legalidade dos acordos, sobretudo a espontaneidade dos delatores, para decidir se irá homologá-los. O acordo da OAS, que deve contar com a assinatura de 20 delatores, é mais enxuto do que o da Odebrecht (77 executivos) e não foi enviado ao Supremo em sua integralidade por falta de tempo da Procuradoria Geral da República para analisar todos os documentos em razão da confusão em torno da JBS.

SIGILO MANTIDO – Se for homologada, a delação volta para a Procuradoria Geral da República para que os investigadores apontem quantos inquéritos querem abrir no Supremo. Isso ficará a cargo de Raquel Dodge.

Até a delação da JBS, o Supremo costumava manter o sigilo dos acordos de delação até que fossem abertos os inquéritos decorrentes das provas apresentadas. Em seguida, a delação se tornava pública.

Na delação da OAS, o tratamento deve ser diferente. Isso porque, em junho, três dos cinco ministros da Segunda Turma, que julga processos da Lava Jato, mostraram-se inclinados a deixar futuras delações premiadas em sigilo por mais tempo. A tendência é que as delações permaneçam secretas até a Corte receber a denúncia do Ministério Público e transformar o inquérito em ação penal. Se houver mudança na regra pelos ministros, os inquéritos a partir da delação da OAS serão abertos no tribunal sem a divulgação do assunto tratado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O rigor com o sigilo tem explicação. Léo Pinheiro deixou de fechar a delação porque vazaram informações de suas relações com ministros dos tribunais superior, especialmente Dias Toffoli e Gilmar Mendes, que é amigo de todo mundo em Brasília. (C.N.)

No Planalto, já se sabe que Geddel vai se tornar o novo homem-bomba

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Andréia Sadi
GloboNews

Sob a ótica de amigos do presidente Michel Temer – que hoje dividem com ele a acusação de integrar uma organização criminosa – Geddel Vieira Lima vai delatar. Mas, se falar, vai delatar o quê? E quem? Geddel Vieira Lima é descrito por aliados como um político que aponta o dedo sempre que está encurralado em alguma situação delicada, no melhor estilo “eu posso até ter feito, mas ele também fez”. Estratégia parecida com a de outro ex-político encrencado – e hoje preso – Eduardo Cunha.

Quando Cunha estava na iminência de perder o mandato, encontrou-se com Michel Temer, então presidente em exercício, para pedir ajuda. O encontro era secreto, no escurinho do Palácio do Jaburu.

ERA SIGILO… – Procurado, Cunha negou à época que tivesse ido ao encontro do presidente. Mas o Palácio do Planalto foi obrigado a confirmar após os questionamentos da imprensa.

Temer não queria que viesse a público que havia se encontrado com Cunha naquele momento. Estavam em etapas diferentes de carreira: Cunha, em decadência, prestes a ser cassado. Temer se organizando com a sua base aliada para confirmar o impeachment de Dilma Rousseff.

Mas, ali, o histórico de Cunha com Temer falara mais alto: Cunha queria ajuda do presidente para salvar seu mandato. Temer repetia a aliados que nada poderia fazer. E Cunha ameaçava o Planalto: dizia ter munição para “explodir” o quarto andar do palácio.

SEMPRE QUE POSSÍVEL – O “quarto andar” era formado por Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima. Cunha sempre negou ter dito essa frase ao presidente, mas os interlocutores de Temer confirmavam que haviam recebido a mensagem. Por isso, explicavam, cediam aos pleitos de Cunha sempre que possível.

Geddel e Cunha se aproximaram no PMDB nos últimos anos. Mas a primeira linhagem de Geddel é ao lado de Temer. São amigos há mais de três décadas. Geddel trata Temer por “Michel”, assim como Padilha e Moreira Franco, mesmo após Temer virar presidente.

Geddel, quando abatido pelo primeiro apartamento polêmico de sua trajetória no governo Temer, negou-se a deixar o cargo.  Diferentemente do que se viu em outros governos, aqui, nenhum ministro do PMDB coloca o cargo à disposição do presidente. Pelo contrário: comunica que não sai (Geddel) ou que vai se licenciar (Eliseu Padilha) sempre que enrolado em algum escândalo. Uma relação de iguais.

APONTOU O DEDO – No episódio do apartamento embargado, Geddel argumentava que não sairia do governo porque não havia sido o único a pressionar o ex-ministro Marcelo Calero a derrubar junto ao Iphan o empreendimento imobiliário de alto luxo em Salvador no qual ele adquirira um apartamento.

À Polícia Federal, Calero havia afirmado que fora “enquadrado” pelo presidente Michel Temer e se sentiu pressionado a “construir uma saída” ao pedido de Geddel sobre a obra na Bahia.

No relato de um peemedebista, Geddel apontou o dedo aos aliados e dizia que, “se fosse assim, então todo mundo tinha que renunciar”. E o episódio foi resgatado por integrantes do governo após o novo apartamento polêmico de Geddel, este com R$ 51 milhões em dinheiro vivo dentro.

E OS OUTROS? – Nos bastidores do Planalto, poucos demonstram surpresa com o fato de Geddel “estar operando”. Mas sim com o valor encontrado. E agora o principal temor do Planalto é que Geddel explique que aquele valor tinha mais donos.

De olho nisso, palacianos já adotaram um discurso-vacina para afastar qualquer ligação com peemedebistas na ativa. Afirmam que, se Geddel for explicar o dinheiro, pode ser que o ligue a Cunha, de quem tinha se aproximado nos últimos tempos.

Do lado de Geddel, silêncio sobre seus próximos passos incomodam o governo. Lembram aliados do presidente que, no dia seguinte da primeira prisão, em julho, apareceu no Palácio do Planalto o irmão do ex-ministro, o deputado Lucio Vieira Lima, diferentemente do que ocorreu na prisão após apartamento.

Para palacianos, o silêncio da família Vieira Lima é ensurdecedor: Geddel não é Joesley Batista, e, se falar, tem potencial para se transformar no verdadeiro homem-bomba do Planalto de Temer.

A organização criminosa balançou a democracia no Brasil

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Charge do Amorim (amorimcartoons.com.br)

Percival Puggina

O funcionamento da Orcrim está descrito nesta parte da nova denúncia encaminhada no último dia 14 pelo Procurador Geral da República contra o presidente Temer:

A organização criminosa objeto da investigação no âmbito da Operação Lava Jato foi constituída em 2002 para a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula Da Silva — Lula à presidência da República, quando integrantes do PT uniram-se a grupos econômicos com o objetivo de financiar a campanha de Lula em troca do compromisso assumido pelo então candidato e outros integrantes da organização criminosa do PT de atender interesses privados lícitos e ilícitos daqueles conglomerados.

Com isso, Lula foi eleito e a organização criminosa passou a ganhar corpo após a sua posse, quando então se estruturou um modus operandi que consistia em cobrar propina em diversos órgãos, empresas públicas, sociedades de economia mista controladas pela União e Casas do Congresso Nacional, a partir de negociações espúrias com as empresas que tinham interesse em firmar negócios no âmbito do governo federal e na aprovação de determinadas medidas legislativas (…) 

Todo este estratagema não foi desenvolvido para beneficiar indevidamente apenas os integrantes do PT que constituíram a organização criminosa, serviu também para atender interesses escusos de integrantes de outras agremiações partidárias que, ao longo do governo Lula, aderiram ao núcleo político desta organização criminosa com o objetivo de comandar, por meio da nomeação de cargos ou empregos públicos chaves, órgãos e entes da Administração, um verdadeiro sistema de arrecadação de vantagens indevidas em proveito, especialmente, dos integrantes da organização criminosa. Em contrapartida aos cargos públicos obtidos junto aos integrantes do PT envolvidos no esquema ilícito, os integrantes do PMDB e do PP que ingressaram na organização criminosa ofereceram apoio aos interesses daqueles no âmbito do Congresso Nacional.

SEM NOVIDADE – Como se vê, nada que até o semanário de Burundi já não tenha noticiado. No entanto, a organização descrita passou ao largo e o TSE fez que não viu algo muito relevante sob o ponto de vista político e institucional. Refiro-me à propagação sobre o baixo clero dos efeitos políticos e éticos da atividade criminosa desenvolvida pelas cúpulas das organizações partidárias.

Os caciques que comandavam os negócios da tribo supriam suas tropas de recursos para custeio das respectivas campanhas eleitorais. O motivo é evidente: quanto maior o número de fieis seguidores, mais valiosa se tornava sua posição política e mais bem remunerada a participação nos negócios. Sabe-se, hoje, que o topo da cadeia alimentar, o ápice da carreira consistia em ter apelido e arquivo próprio no departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht.

EFEITO DEVASTADOR – O tipo de ganância que essa organização permitiu prosperar gerou e ainda preserva um efeito político devastador. Não fossem as coisas assim, a representação da sociedade brasileira, a proporcionalidade entre as diferentes bancadas e muitos daqueles a quem hoje chamamos deputado e senador estariam em outras atividades, longe dos centros de poder. Devem seus mandatos aos caciques em cuja cisterna beberam água e, hoje, se empenham, juntos, em encontrar uma regra de jogo eleitoral que os agasalhe da rejeição do eleitorado.

A distorção causada pelo crime virou o país pelo avesso, influenciou o Direito e a Justiça, a economia, a moral nacional e a doutrinação nas salas de aula. A próxima legislatura, porém, não pode ser uma cópia carbonada da atual; a Orcrim não pode continuar reproduzindo seus efeitos na representação política. A democracia é muito mais do que um conjunto de normas e formalidades; o que lhe dá vida é a adesão da sociedade política a elevados princípios e valores.

É comovente o esforço dos países ricos para salvar o meio ambiente no Brasil

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O jornal Libération ataca a política ambiente do Brasil

Francisco Vieira

A desculpa que os países ricos usam para nos manter no atraso como fornecedores de produtos primários é a mesma: salvar-nos! E para isso, financiam regiamente as milhares de ONGs que infestam o Brasil. Querem nos salvar, da mesma forma que salvaram os iraquianos, afegãos, líbios e sírios, só que de uma maneira mais sutil, mais lenta, mais elaborada, haja vista a imensidão e a diversidade do nosso país.

Eles querem, simultaneamente, nos salvar da devastação da natureza; do aumento do buraco de ozônio; do sufocamento resultante da destruição do “pulmão do mundo”; da poluição causada pela exploração das enormes jazidas minerais do nosso subsolo; da perda da nossa biodiversidade; da falta de água global; do desmatamento causado pela agricultura e pela pecuária; dos alagamentos, das cheias e das tempestades resultantes do desequilíbrio ecológico causado pela construção de hidrelétricas; do genocídio de nossas tribos indígenas e do desmatamento para a construção de ferrovias.

MAIS SALVAMENTOS… – Também querem nos salvar da produção de armas atômicas; do perigo das usinas nucleares; do risco de produzirmos lixo nuclear; do consumo dos poluidores combustíveis fósseis; e do monóxido de carbono que sai do escapamento dos veículos.

Além disso, insistem em salvar nossos animais silvestres de atropelamentos em estradas pavimentadas, assim como querem evitar o desmatamento desenfreado da Amazônia e das reservas ecológicas do país, para nos salvar do aquecimento global antropogênico…

Cada motivo para nos salvar tem seu tempo e seu prazo de validade. Quando as pessoas começam a perceber que o motivo divulgado pela imprensa era uma fraude, passa-se para o próximo motivo, elencados desde os anos 60 em uma infinita lista politicamente correta.

ENQUANTO ISSO…  – A situação ambiental do Brasil brasileira é conhecida por todos, vive sendo noticiada de forma alarmante na imprensa internacional, mas os países ricos se negam a discutir o desmatamento das florestas no mundo, em milhares de quilômetros quadrados, conforme está divulgado no Almanaque Abril 2014 (pág. 205), com dados até 2005:

ÁFRICA: Cobertura original 6.799 mil km². Restam 7,8%.
ÁSIA: Cobertura original 15.132. Restam 5,6%.
AMÉRICA DO NORTE: Cobertura original: 10.877. Restam 34,4%.
AMÉRICA CENTRAL: Cobertura original: 1.779. Restam 9,7%.
AMÉRICA DO SUL: Cobertura original 11.709. Restam 54,8%.
EUROPA: Cobertura original: 4.690. Restam 0,3%.
RÚSSIA: Cobertura original 11.759. Restam 29,3%.
OCEANIA: Cobertura original 1.431. Restam 22,3%.

Como se vê, na América do Sul ainda há 54,8% da cobertura original. Na América do Norte este número cai para 34,4%, mas são estatísticas enganosas, porque incluem a vegetação das extensas regiões frígidas e desabitadas do Canadá, mascarando a brutal devastação ocorrida no México e nos Estados Unidos. Quanto à Europa, só restam míseros 0,3% da cobertura original.

CADÊ AS ONGs? – Agora, me responda a algumas perguntas. Quantas ONGs brasileiras estão na Europa e nos EUA ensinando-os a preservar a natureza como nós preservamos até os dias de hoje? Quantas ONGs estão na Justiça americana pleiteando indenização aos descendentes dos massacres perpetrados pelo General Custer e outros heróis?

E quantas ONGs defensoras dos direitos dos “povos indígenas” estão na ONU denunciando o genocídio dos aborígenes australianos? Quantas ONGs estão na França protestando pela poluição do meio-ambiente com a radiação proveniente de mais de 210 testes nucleares, 17 dos quais realizados no Saara argelino e os outros 193 no Pacífico Sul? Onde estavam esses ecologistas quando milhões de animais e plantas foram dizimados pela radiação dos testes nucleares franceses?

Pois é, eles querem nos salvar, mesmo que seja contra a nossa vontade… Mas, curiosamente, parece que não querem ser salvos, pois continuam a fazer tudo que tentam nos proibir!!!

Economista do BNDES denuncia desmonte e avisa que “haverá muita quebradeira”

Imagem relacionadaDeu no site Nocaute

A economista Beatriz Meirelles, da Associação dos Funcionários do BNDES, analisa os impactos do fim da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), principal ferramenta de atuação do banco de desenvolvimento. Em sua opinião, as micros, pequenas e médias empresas serão as mais prejudicadas com a medida. E adverte que “o parque industrial de máquinas e equipamentos brasileiro vai acabar”.

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INDÚSTRIA DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS SOB AMEAÇA
Beatriz Meirelles

A extinção da TJLP (taxa de juros de longo prazo) acaba com qualquer instrumento que o BNDES possa usar para fazer fomento. Havia uma emenda à medida provisória incluindo isenção tributária ou algum outro instrumento e foi tudo rejeitado pelo Congresso.

O argumento deles é que qualquer tipo de subsídio ou de instrumento de fomento vai ter que passar pelo Congresso via Orçamento Geral da União. Eles gostam de usar a ideia de que seria um instrumento mais democrático, porque passa pelo Congresso, mas a gente sabe que o gasto primário está congelado por 20 anos, então dificilmente vai haver espaço fiscal orçamentário para esse tipo de subvenção.

O estado perde o controle, abre mão de um instrumento de política econômica, que passa a ser uma taxa arbitrada pelo mercado. E é uma taxa muito mais alta e volátil. Então para as decisões de investimento a gente considera que vai ser bastante problemática, especialmente para as micro, pequenas e médias empresas.

ABIMAQ ALARMADA – Certamente o parque industrial de máquinas e equipamentos brasileiro vai acabar. A associação Abimaq já fez essa conta mostrando os preços dos bens de capital com TJLP e com TLP, mostrando que fica mais caro que o importado, então vai ser mesmo uma substituição de importações às avessas. A gente vai estar regredindo a substituição de importações que se fez ao longo desses 60 anos de história.

Costuma-se acusar o BNDES de ser bolsa-empresário para grandes empresas, já é um argumento complicado porque nenhum país, nenhuma economia sobrevive só de micro, pequena e média empresa, a gente precisa incentivar setores grandes.

Nenhum país do mundo que se industrializou de fato fez isso sem apoio estatal. Você tem diversos bancos desenvolvimento no mundo tão grandes quanto o BNDES. O KFW, banco alemão, ele tem mais ou menos a mesma participação, os desembolsos da KFW sobre o PIB alemão é mais ou menos o mesmo tamanho do BNDES; o Japão, a Coreia, China, Canadá.

DESMONTE DO BNDES – Abrir mão desse instrumento de política econômica é o que faz a gente imaginar que é um projeto de desmonte do BNDES mesmo. Qualquer governo que venha depois vai ter que desfazer essa lei para recuperar esse instrumento importantíssimo.

Eu acho que vai ter muita quebradeira. A gente perde o último instrumento de política industrial que ainda existia, em um ambiente macroeconômico adverso para industrialização. Com taxa de juros alta, taxa de câmbio valorizada, carga tributária que incide sobre consumo, diversas disfunções, o BNDES era o último instrumento para fomentar desenvolvimento. Havia também o Ministério da Ciência e Tecnologia, que também foi desmontado por esse governo, então é muito assustador o que nos espera em termos de política industrial.

O mais intuitivo é que o demonte do BNDES interessa aos bancos privados, também bancos internacionais, mas de forma tão draconiana… O próprio congelamento do gasto público da PEC 55 também é uma medida exagerada que não interessa nem ao capital, isso que me causa surpresa.

RENTISMO – Ver agora a FIESP rachada com o governo, rachada com o Ministério da Fazenda, que estaria em tese representando o capital financeiro, algo que a gente achava que já tinha saído de moda – essa separação entre capital produtivo e o financeiro, a gente vê que não: que existe a ofensiva mesmo do rentismo.

Mas nenhum país vive só de rentismo, então parece que ou está associado ao interesse internacional mesmo, tanto o mercado financeiro internacional quanto empresas que concorrem com empresas brasileiras, como parece também uma coisa mais básica, que é uma espécie de fundamentalismo liberal, ideológico. E esse discurso neoliberal de estado mínimo está passando do limite do razoável, inclusive para o próprio capital. Por isso que é quase um enigma.

VENDER O PAÍS – E agora está surgindo um novo movimento que é o “Não vendo o meu país”, articulação de vários sindicatos associados estatais que estão na mira do desmonte ou da privatização: a Eletrobras, a Cedae, a Casa da Moeda, a Petrobras e diversos sindicatos também de empresas de setor privado preocupados com essa ofensiva de desmonte do estado.

A opinião pública no Brasil tem uma consciência de bem estar social, não é à toa que esse desmonte está sendo feito em um governo que não foi eleito. A gente tem a convicção de que se fosse passar por um debate eleitoral, isso não seria chancelado pela população.

Se você pensar que nos anos 90, por mais que tenha sido uma primeira ofensiva de desmonte, ainda era um movimento tímido, não se vendia como liberal explicitamente. Era o PSDB, um partido social democrata, então acho que ainda havia ali algum tipo de pudor em se autodenominar um neoliberal. Era disfarçado. E tinha também programas sociais, vários programas sociais foram criados nos anos 90. Mas a gente acha que realmente agora parece o Chile de Pinochet: o que eles não conseguiram destruir nos anos 90, agora é para acabar de vez.

É urgente voltar a Marx para entender nova fase da economia, diz professor

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Charge do Allan Sieber (Arquivo \Google)

Luís Costa
Folha

Um século e meio depois de Karl Marx lançar o primeiro volume de “O Capital”, a sua análise da economia capitalista ainda hoje é a ferramenta teórica mais importante para compreender o mundo do trabalho, avalia F. Nick Nesbitt, 52 anos, professor da Universidade Princeton, nos Estados Unidos.

Nesbitt organizou “The Concept in Crisis: Reading Capital Today” (“O conceito em crise: ler O Capital hoje”), livro que acaba de ser lançado nos EUA e rediscute o clássico “Ler o Capital” (1965), escrito pelo marxista francês Louis Althusser (1918-90).

Em entrevista à Folha por e-mail, Nesbitt, que leciona no Departamento de Literatura omparada, afirma que Marx antecipou o que ele chama de “capitalismo pós-humano”, isto é, uma dupla tendência à eliminação gradual do trabalho humano das cadeias produtivas e à precarização da força de trabalho.

A economia global não é mais industrial como aquela de que Marx falava. Por que retornar a “O Capital” hoje?
Marx não gastou toda a energia intelectual das últimas três décadas de vida para descrever apenas as condições da classe trabalhadora no século 19. “O Capital” transcende a especificidade histórica de seu lugar e momento de escrita. Como o subtítulo diz, é uma crítica sistemática da economia política do capitalismo, com a proeza e a influência da ordem de “Princípios da Filosofia do Direito”, de Hegel [livro publicado em 1820], ou mesmo de “A República”, de Platão [datada do século 4º a.C.].

Marx trabalhou para desenvolver uma compreensão conceitual do sistema capitalista. Ao contrário das incontáveis descrições superficiais do capitalismo (preços e lucros, as perdas e os luxos dos capitalistas e das nações, as condições dos trabalhadores, a política de produção, distribuição, consumo e redistribuição da riqueza), “O Capital” é, sobretudo, um trabalho de filosofia conceitual e crítica.

Diante das enormes transformações potencialmente catastróficas do capitalismo hoje –que apenas se aceleraram neste século–, se quisermos compreender as forças que conduzem a globalização, não aprenderemos nada olhando para estatísticas e análises neoliberais sobre PIB, emprego, lucro, crescimento e outras categorias do cálculo econômico, que são apenas descritivas. Em vez disso, devemos voltar à análise conceitual de Marx.

Que debates o sr. procura criar ou revisitar no livro?
Quis chamar a atenção para a leitura filosófica e conceitual iniciada por Althusser e seus alunos [o livro de Nesbitt tem capítulos escritos por frequentadores dos seminários que deram origem a “Ler o Capital”, como o filósofo Étienne Balibar].

Trato “Ler o Capital” como a maior realização filosófica de Althusser para entender as crises, transformações e potencialidades do capitalismo tardio. O livro argumenta que Marx construiu em “O Capital” uma filosofia da forma-valor que é surpreendentemente atual e nos ajuda a entender o capitalismo contemporâneo.

Na contramão do revisionismo e das rupturas pós-marxistas dos anos 1960, Althusser se manteve fiel a uma leitura marxista-leninista tradicional. Essa ainda é uma perspectiva teórica e política viável?
Penso que não. A virtude contemporânea de “Ler o Capital” é ter deixado de lado as inclinações políticas datadas de Althusser, concentrando-se unicamente na crítica teórica do capitalismo.

Althusser afirmava que “O Capital” era mais bem compreendido entre operários do que entre intelectuais, porque estes não experimentavam a exploração de que fala o livro. O sr. concorda com essa afirmação?
Acho que essas afirmações de Althusser não são mais do que atormentada má-fé de um brilhante pensador iconoclasta em sua recusa a deixar o Partido Comunista francês, tentando encaixar-se em seu próprio círculo existencial. Embora qualquer um possa potencialmente compreender “O Capital”, esse trabalho filosófico-crítico é de ordem de complexidade totalmente diferente de algo como o “Manifesto Comunista”. Com um livro tão complexo e exigente, qualquer um que fizer o esforço de entender seus volumes interpretará seus argumentos de acordo com posições subjetivas. Ao mesmo tempo, podemos alcançar uma compreensão mais aguda da lógica objetiva do texto, como ocorreu, acredito, nas últimas décadas de pesquisa.

O que havia no século 19 e ainda há de equivocado sobre a visão econômica de Marx entre estudiosos?
A economia dominante continua ignorando o poder de muitos dos conceitos-chave de Marx: força de trabalho, valor excedente absoluto e relativo, tempo de trabalho socialmente necessário, tendência à queda da taxa de lucro. No entanto, o conceito fundamental para a crítica de Marx é sua teoria do valor-trabalho [relação entre o valor da mercadoria e o tempo dedicado à sua produção]. Ao abandonar qualquer forma da teoria do valor-trabalho, de Adam Smith a Marx, a economia neoliberal ganhou na habilidade de quantificar e analisar lucros e os vários movimentos internos ao capitalismo, mas perdeu a capacidade de entendê-lo como uma prática social, para não falar dos meios para construir qualquer crítica viável a suas crises, danos e limites.

É possível verificar empiricamente a ideia de que o desenvolvimento do capitalismo resultaria em maior prejuízo para os trabalhadores?
A leitura atenta de “O Capital” aponta para uma grande transformação na estrutura e na operação do capitalismo na atual conjuntura. É um desenvolvimento que eu chamaria de capitalismo pós-humano, tendência recém-dominante no capitalismo do século 21 para a força de trabalho humana tornar-se o que Marx chamou de “infinitesimal e em extinção”. Essa tendência não é contrariada pelo fato de que, desde a década de 1980, sempre mais pessoas no mundo “trabalham” em condições sempre mais precarizadas. Pelo contrário, são duas consequências da mesma tendência.

Esse aumento numérico é a forma visível da tendência de que a humanidade continua a depender do trabalho assalariado para a sobrevivência. A desvalorização da força de trabalho é, por outro lado, a forma conceitual da tendência, em que a automação reduz constantemente o valor da força de trabalho aos níveis “infinitesimais”.

No passado, novas commodities e novos setores de serviços reempregavam força de trabalho dispensada devido à automatização de outros segmentos. Hoje, as novas áreas e processos criados já são automatizados.

Pode-se argumentar que o capitalismo entrou nessa nova fase nos últimos dez ou 20 anos. Sua característica é a automatização generalizada dos processos produtivos, com a tendência de eliminação de postos de trabalho não só no Norte mas também no Sul, de forma ainda mais devastadora.

Os sinais dessa transformação estão em toda parte, mas sua natureza e as forças que a dirigem mal foram compreendidas, a meu ver, tanto pela esquerda quanto pelos economistas neoliberais.

A automatização avança…
Por volta do ano 2000, estudiosos da tecnologia ainda diziam que seria impossível fabricar um carro de forma totalmente automatizada; hoje não só vemos tais carros nas estradas como temos previsões de que 85% de toda a produção global possa estar automatizada dentro de uns 20 anos.

No entanto, esse processo ainda não foi devidamente compreendido como um momento no desenvolvimento histórico e estrutural do capitalismo. Nos artigos sobre o assunto, encontramos meras descrições desses novos processos de automatização e seus efeitos sobre PIB, trabalhadores, salários e empregos, mas nunca uma explicação que vá além de referências vagas e superficiais a “competição” global e “forças do mercado”.

É por isso que a análise de Marx sobre a estrutura do capitalismo é mais urgente do que nunca. Embora as transformações que têm ocorrido desde o ano 2000 não pudessem ser fenomenologicamente percebidas por Althusser em 1965, elas eram bem compreendidas por Marx, que claramente delineou a lógica estrutural desse processo em “Fragmento sobre as Máquinas”, texto de 1858.

Para formular o que pode ser uma política pós-capitalista, acredito que seja necessário atingir uma compreensão clara e adequada sobre a natureza e os limites dessa nova forma do capitalismo. O lugar para começar e desenvolver esse entendimento contemporâneo, com toda complexidade e rigor, tenho certeza de que continua sendo a obra-prima de Marx.

O que é ser marxista hoje?
Há mais de 150 anos, os escritos políticos e filosóficos de Marx são a referência mais penetrante para a crítica sistemática do capitalismo e a luta militante para derrubar seu reinado de iniquidade sobre uma parcela cada vez maior da humanidade. Ao mesmo tempo, ao longo do século passado, “marxismo” e “marxista” designaram uma sistemática incompreensão e simplificação de sua teoria.

Não me consideraria um “marxista”. Sou um estudioso da monumental crítica conceitual de Marx ao capitalismo, tentando compreendê-la para desenvolver o mais rigorosamente possível sua implicação para o capitalismo contemporâneo e o imperialismo tardio. Talvez, então, ser marxista hoje significaria, no mínimo, a recusa firme em abandonar o pensamento de Marx e orientar a própria crítica e ação na luz que ele lança sobre os obscuros desastres da era atual do capitalismo pós-humano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA própria Folha fez a tradução simultânea, nos seguintes termos: “Nick Nesbitt afirma que nem a esquerda nem os neoliberais têm explicação adequada para a atual transformação do capitalismo, com a automatização da produção e a substituição quase completa da mão de obra humana”. 

Como defensor de um neomarxismo, eu peço licença para acrescentar que é preciso encontrar uma terceira via. A situação é de tal gravidade que os bancos brasileiros, mesmo explodindo de lucros, querem diminuir o número de funcionários e estão proibindo os caixas de lidar com dinheiro. A ganância parece ser o sentimento predominante no mundo de hoje. Que Deus proteja os jovens e os ajude a mudarem este mundo sinistro que estamos legando a eles, conscientemente. (C.N.)

Sem participação de Lula, a sucessão de 2018 vira uma corrida maluca

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Charge do Clayton (O Povo/CE)

Merval Pereira

A provável barração na Justiça eleitoral da candidatura presidencial do ex-presidente Lula devido à Lei da Ficha Limpa, caso venha a ser confirmada sua condenação no Tribunal Regional Federal-4, está alterando a corrida presidencial, na quantidade de potenciais candidatos, e no alinhamento ideológico.

Ciro Gomes, o candidato escolhido pelo PDT, já abriu mão de um acordo com o PT e, sobretudo, do apoio de Lula, a quem vem criticando cada vez com mais desembaraço. As acusações de Palocci a Lula, que deverão se transformar em uma delação premiada com mais detalhes e, sobretudo, provas, acabaram com as esperanças da esquerda de ter Lula como candidato.

HADDAD OU WAGNER – Já não é mais segredo que o PT, confirmada a inviabilidade de Lula, deve lançar o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad ou o ex-governador da Bahia Jacques Wagner, como maneira de não virar um partido do segunda linha, apoiando candidato alheio do grupo da esquerda, cujo preferido já foi Ciro Gomes.

Mas o PT já não é uma aliança bem vista em parte da esquerda, e Lula a cada revelação perde a força de seu apoio, o que está levando Ciro Gomes a esconjurá-lo publicamente. Sem Lula na disputa, a corrida ficará aberta a todo tipo de candidato, enfraquecendo apenas um, o prefeito de São Paulo João Doria, que se organizou desde o início de seu projeto para ser conhecido pelo eleitorado como o antilula, embora ainda lhe reste uma identificação de gestor não-político, que tem boa acolhida em parte do público que busca o novo pelo novo.

O DEM já lhe ofereceu legenda, mas, como diria Johnny Alf, o inesperado pode fazer uma surpresa. Mesmo às voltas com uma segunda denúncia contra si, que deve ser derrubada novamente pela Câmara, o presidente Michel Temer voltou a aspirar uma improvável reeleição pelo PMDB caso a economia confirme a recuperação. Nada mais antigo, mas a força da economia não pode ser desconsiderada.

EXEMPLO DE LULA – Lula, aliás, quando se elegeu presidente pela primeira vez em 2002, ganhou muitos eleitores centristas, ou mesmo de direita, por ter assumido publicamente na Carta aos Brasileiros um compromisso de não radicalizar à esquerda na economia.

Mas boa parte desse eleitorado também o escolheu por ser um candidato diferente de todos os que já haviam estado na presidência da República. Não era um candidato novo, depois de disputar e perder três vezes a presidência, sendo duas para Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno. Mas era o representante de uma novidade política, sobretudo no que se referia ao combate à corrupção. Deu no que deu.

Ao contrário, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, um político de antiga estirpe, pode ter a seu favor justamente sua experiência, e, sobretudo, o equilíbrio com que conduz sua atividade política. Com tanta radicalização, talvez o eleitorado encontre nesse equilíbrio a segurança de que o país reencontrará seu caminho sem grandes choques. Não ter sido denunciado pelo Procurador-Geral Rodrigo Janot pelas acusações da Odebrecht foi um passo importante para firmar sua candidatura.

MUITAS OPÇÕES – Assim como em 1989, na primeira eleição direta para presidente depois da ditadura militar, muitos candidatos, de várias tendências políticas, se apresentarão ao eleitor. Uns pela primeira vez na política, outros antigos políticos querendo representar a parte boa da política, como Marina Silva pela Rede, Álvaro Dias pelo Podemos, os ex-ministros do Supremo Joaquim Barbosa e Ayres Brito. Também podem aparecer no páreo o atual presidente do BNDES, o economista Paulo Rabello de Castro, que nunca teve cargo eletivo, e o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, deputado federal eleito que nunca exerceu o mandato, pois renunciou para assumir a presidência do Banco Central no governo Lula.

Há ainda o deputado federal Jair Bolsonaro, que para alguns representa essa parte boa da política, mas para muitos é justamente o representante de uma atitude política regressiva, mesmo não havendo até agora nada que o comprometa em termos de corrupção.

O combate à corrupção, como se vê, por si só não pode ser a base de uma candidatura. Inclusive porque já tivemos exemplos de caçadores que acabaram cassados. O eleitorado estará confrontado em 2018 com uma diversidade de candidaturas que precisam apresentar muito mais do que uma vida pregressa sem deslizes éticos. Essa é uma condição essencial, mas não suficiente.

Piada do Ano: PT abre processo Palocci por denunciar crimes de Lula

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Charge do Jota A (Portal O Dia/PI)

Catia Seabra
Folha

O diretório do PT de Ribeirão Preto se reunirá nesta segunda-feira (dia 18) para abertura de processo contra o ex-ministro Antonio Palocci no conselho de ética do partido. O ex-ministro terá prazo para apresentação de defesa caso pretenda manter-se filiado ao partido. A situação de Palocci ainda será objeto de debate, informal, na quinta e sexta-feira, durante reunião do diretório nacional do partido. O ex-ministro dos governos Lula e Dilma negocia um acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

Em depoimento ao juiz Sergio Moro, Palocci disse que Lula e o empresário Emílio Odebrecht, dono da Odebrecht, firmaram um “pacto de sangue” após a saída do petista da Presidência da República. Disse também que o empresário fez um caixa de R$ 300 milhões para Lula e o PT e entre a propina ao ex-presidente estavam no acordo o sítio de Atibaia, um terreno para o Instituto Lula e a remuneração por palestras.

CALCULISTA – Na quarta-feira (13) Lula prestou depoimento ao juiz Sergio Moro e disse que Palocci é “calculista, frio e simulador” e negou que tenha feito qualquer tipo de acerto ilícito com a empreiteira Odebrecht.

“Conheço o Palocci bem. Se ele não fosse um ser humano, ele seria um simulador. Ele é tão esperto que é capaz de simular uma mentira mais verdadeira que a verdade. O Palocci é médico, é calculista, é frio.”

 

Tanto Lula quanto Palocci depuseram na ação em que o ex-presidente é acusado de se beneficiar de vantagens indevidas pagas pela empreiteira Odebrecht – incluindo a compra de um terreno que seria destinado ao Instituto Lula, e cuja negociação teria sido intermediada por Palocci, assim como o apartamento vizinho em São Bernardo e o sítio em Atibaia.

DINHEIRO VIVO – A revista “Veja” deste final de semana afirmou que na delação premiada de Palocci o ex-ministro afirma que fez entregas de dinheiro vivo ao ex-presidente Lula em pelo menos cinco ocasiões.

O dinheiro teria sido entregue pessoalmente por Palocci a Lula, em pacotes de R$ 30 mil, R$ 40 mil ou R$ 50 mil. A informação foi confirmada pela Folha.

O relato sobre as entregas a Lula está nos anexos do acordo —uma espécie de sumário do que o delator irá contar, caso o acordo seja fechado. Não há prazo para o compromisso ser fechado nem certeza se a informação será mantida na versão final do acordo. As quantias entregues a Lula eram destinadas a despesas pessoais do ex-presidente, segundo o relato do ex-ministro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Já se sabe como vai terminar o processo contra Palocci no PT. O ex-ministro terá veredicto de culpado por graves atos de corrupção e o ex-presidente Lula será considerado inocente e vítima de perseguição política. (C.N.)

Ataques a Janot demonstram apenas o desespero da “Operação Abafa”

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Charge do Mário (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, tem razão quando afirma que o procurador-geral Rodrigo Janot nada fez de errado ao aceitar a delação da JBS. Aliás, Barroso vem surpreendendo com suas posições da mais alta relevância, sempre em favor da justiça para todos, nesta luta contra a corrupção. Seus votos são irrepreensíveis e sua conduta nas votações demonstra notável saber jurídico e ilibada reputação.

Sua defesa do procurador-geral, atingido por ataques e flechadas desferidas por gregos e troianos, principalmente dos execráveis réus da Lava Jato, é uma postura que engrandece o Supremo. Afinal, se um membro da equipe de Janot costeou o alambrado e passou para o outro lado, o lado do crime, esse fato não pode ser imputado ao procurador-geral da República.

STF TAMBÉM ERRA – Errar é uma condição humana, afeita a todos. Quantos criminosos soltos através de habeas corpus por ministros do STF, depois fugiram para o exterior, como Cacciola, Pizzolato, Abdelmassih e companhia limitada. Então, se é para julgar Janot, vamos abrir a porteira dos erros do próprio Supremo, que não foram poucos.

Acusar Janot equivale a destruir a limpeza que o Procurador vem fazendo nessa lama que envolve os três podres Poderes da República. É muito roubo em todas as esferas de poder, que a Polícia Federal, o Ministério Público e a Receita vêm desvendando e impedindo que continue. Logo, os ataques d “Operação Abafa” a Janot, aos federais e aos procuradores têm um único objetivo: interromper a sangria das delações, para continuar a roubalheira que empobrece a nação, mergulhando-nos no caos e no desemprego e propiciando a desintegração da nação, como ocorre atualmente na Síria e na Venezuela.

As cartas estão dadas e impedir a decadência do país depende dos cidadãos brasileiros, que não participaram dessa roubalheira ampla, geral e irrestrita.

Uma casa escancarada, onde todos são bem-vindos, na visão de Walter Queiroz

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Queiroz abre as portas para o mundo

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

O advogado, publicitário, cantor e compositor baiano Walter Pinheiro de Queiroz Júnior usa várias figuras de linguagem, tornando mais bonito o conteúdo poético da letra de “Pode Entrar”, na qual ele fala da sua casa. Walter Queiroz gravou a música “Pode Entrar” no LP “Filho do Povo”, em 1975, pela Phonogram.

PODE ENTRAR
Walter Queiroz

A casa escancarada a lua alí
Meu cachorro nunca morde
Meu quintal tem sapotí
tem um roseiral crescendo lindo
Quem for louco ou for poeta
Pode entra e seja bem vindo

Aqui passa o bonde da Lapinha
Passa a filha da rainha
Passa um disco voador
As vezes ele gira para e pisca
Como quem quase se arrisca
A parar pra conversar

Mas não me sinto só tenho um vizinho
Que é um bêbado velhinho que acredita no destino
Ele mora em cima do arvoredo
Ele tem muitos brinquedos
Ele sempre foi menino

Agora se vocês me dão licença
Eu vou ver um passarinho
Que me chama no quintal
Depois vou me deitar para sonhar
E dançar com a cigana
Que eu perdi no carnaval

Com medo do panelaço, Temer desistiu do pronunciamento neste sábado

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Temer foi ao Planalto reunir-se com Nunes Ferreira

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

Depois de discussões internas entre integrantes de sua equipe, o presidente Michel Temer bateu o martelo e avisou que não fará pronunciamento neste sábado (dia 16) sobre a segunda denúncia contra ele. Na quinta-feira (dia 14), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, antes de deixar o cargo, denunciou Temer por formação de organização criminosa e obstrução de justiça.

Na equipe do Palácio do Planalto, auxiliares que defendiam que o presidente fizesse um pronunciamento. Temer, que estava em dúvida se devia ou não fazer se manifestar, ouviu inúmeros interlocutores e foi convencido de que a nota divulgada na quinta-feira, 14, na qual afirmava que a segunda denúncia é “recheada de absurdos”, “falta de credibilidade” e “realismo fantástico em estado puro”, era suficiente, pelo menos, neste momento.

REUNIÃO NO SÁBADO – Mesmo assim, Temer decidiu seguir para o Palácio do Planalto na manhã deste sábado para se reunir com o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, além de outros assessores. O presidente quer dar prosseguimento aos preparativos para a viagem a Nova York, a partir de segunda-feira, 18, onde participará da cerimônia de abertura da Assembleia-Geral da ONU – Organização das Nações Unidas.

Mais cedo, Aloysio Nunes se reuniu no Itamaraty com seus auxiliares para preparar os temas a serem tratados por Temer durante a viagem.

Além de rever o discurso que fará na ONU, o presidente quer discutir mais profundamente os problemas decorrentes da crise da Venezuela na região, que será o tema do jantar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outros chefes de Estado na América Latina, na noite desta segunda-feira.

A comitiva presidencial prevista inclui além de Aloysio Nunes, os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco.

OUTRAS REUNIÕES – Temer quer acertar ainda as agendas bilaterais que serão realizadas durante a viagem, que incluirá reunião com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.

Temer poderá se encontrar também com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi. As agendas bilaterais, no entanto, ainda não estão totalmente fechadas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Era tudo conversa fiada da Assessoria do Planalto. Jamais houve a intenção de fazer pronunciamento, porque Temer sabe que o panelaço e o buzinaço seriam devastadores. Quanto à viagem a Nova York, no exterior ninguém dá importância a Temer, todos sabem que é apenas um presidente-tampão, que será descartado como um absorvente de uso eventual. Desta vez, está levando Padilha e Moreira para tirá-los da linha de fogo das denúncias de corrupção. Apenas isso. E Meirelles também vai na comitiva, porque é o verdadeiro presidente aqui na Sucursal e sempre é bem recebido lá na Matriz. (C.N.)

Helio Fernandes reconta a História, na ótica dos vice-presidentes golpistas

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Café Filho conspirou contra Vargas e se deu mal

Carmen Lins

Vejam que magnífico artigo o lendário e reverenciado Helio Fernandes publicou recentemente em seu espaço no Facebook e que já foi republicado em diversos sites e blogs. De Floriano Peixoto a Michel Temer, o decano dos jornalistas mundiais, que deveria ter seu nome imortalizado no Livro Guinness (se é que já não está lá…), dá uma bela aula de História a todos nós.

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TEMER E A HISTÓRIA DOS VICES NO BRASIL
Helio Fernandes

Temer, Corrupto, corruptor, farsante, delinquente, acumulando denúncias de roubalheiras, caçado pelos Três Poderes e pela Policia Federal. Aos pés do cadafalso, acredita e se imagina um redivivo Robespierre, mas serà enterrado politicamente no Departamento de Limpeza Pública

Desde que o vice Floriano Peixoto derrubou Deodoro e se apoderou arbitrariamente do poder, muitos vices assumiram, usando o mesmo subterfúgio. E a mesma tática e estratégia da conspiração das madrugadas. Em apenas três anos, de 1951 a 1954, levaram Vargas a um fim glorioso e histórico, desprezando o poder, preferindo deixar a vida para entrar na História. O vice, articulador de tudo, assumiu mas não governou, porque queria mais poder. Foi afastado pelo Supremo Tribunal Federal em 22 de novembro de 1955.

Rapidamente, para lembrar e comparar com o Supremo de hoje. O advogado do vice em exercício, Café Filho, entrou no Supremo pretendendo que ele continuasse no poder. Sorteado relator, o notável Nelson Hungria levantou e, mesmo de pé, improvisou um voto magistral, afirmando que “o vice conspirador não pode continuar”. Seguido por unanimidade o voto de Hungria, Café Filho foi afastado, Juscelino assumiu sem susto em 31 de janeiro de 1956, depois de viajar 32 dias pelo mundo, como presidente eleito e ainda não empossado.

Assisti a essa sessão histórica, sentado na primeira fila, entre os extraordinários Milton Campos e Dario de Almeida Magalhães. Alguns ministros de hoje, não todos (mas a maioria) poderiam rever os anais. Que diferença. Talvez agissem de outro modo, recuperando o prestigio do Judiciário e salvando o país.

OS TRÊS PODERES SÃO DESUNIDOS E DESARMÔNICOS

Agora, 57 anos depois desse episódio,um outro vice usurpador está no poder. Café Filho tinha apoios isolados, era conspirador desde 1935, mas não roubava. Antes da vice, morava num apartamento modestissimo. Como vice continuou morando ali, no Rio, só o presidente da Republica tinha palácio.

Vargas tinha dois: o Catete para trabalhar, o Guanabara para morar. Achou um exagero, eram vizinhos, ficou morando e trabalhando no belíssimo Catete, doou o Guanabara para o então Distrito Federal. (Temer, logo vitoriosa a conspiração, se apossou de três palácios).

Michel Temer preparou e consumou a conspíração parlamentar que o levou ao poder, com apoio ostensivo, enrustido ou escondido dos Três Poderes. E dentro deles, o que havia de mais podre em toda a História Republicana. Os que não participaram se acumpliciaram coletiva e pessoalmente pela omissão. Estão sendo recompensados até agora pela bandalheira comandada diária e diretamente, pelo maior LADRÃO da Republica. O próprio Temer, na acusação publica do ex-amigo tambem LADRÃO, Joesley Batista.

O POVO NÃO SUPORTA TEMER, QUE FOGE DO POVO

Depois de mais de 16 meses da elevação do vice a presidente, caiu para 3% de popularidade.. Presidentes, ditadores, vices em exercício, se exibiam e gostavam da comemoração do 7 de Setembro. Temer foi o primeiro que assistiu de longe, não participou,teve medo da repulsa geral. Não vai a lugar algum, se apavora com a possibilidade ou a expectativa de uma simples vaia, que ele sabe que virá.

Sua realidade, quase certeza, que transmite a áulicos e cúmplices, pelo menos os que ainda estão em liberdade, apesar de vastamente denunciados: “Nosso mandato vai até 2018, conto com vocês”. E não abandona aquele sorriso melífluo, blandicioso, dúbio, supérfluo, cansativo. Sua outra ideia fixa e repetida: se comparar com Robespierre e com a Revolução Francesa.

Temos que nos livrar de Temer, nada a ver com a Revolução de1789. A bela “Marselhesa” (que era para ser o hino da oposição mas não da Revolução), em determinado momento chama e conclama: “Ás armas, Cidadãos”. Não queremos as armas e sim os cidadãos.

Temos que expulsar Temer. Com apoio do Legislativo e do Judiciário se for possível. Sem eles, se for necessário

Atacar o arqueiro, o truque para escapar das flechas

Charge do Chico Caruso (O Globo)

Clóvis Rossi
Folha

A newsletter do excelente jornal português “Expresso” queixou-se, outro dia, de que “no Brasil começa a ficar difícil acompanhar todas as diligências da polícia e todos os casos em que surge o nome do presidente Temer”. Tem razão, ainda mais depois da nova denúncia do procurador-geral Rodrigo Janot contra o presidente e quase todos os seus homens de confiança e/ou ministros.

Como tenho uma dívida de gratidão com o “Expresso”, pela ajuda que seus jornalistas me deram na cobertura da Revolução dos Cravos (1974), proponho-me a ajudá-los a ver o quadro.

Não vou entrar nos meandros jurídicos, já muito bem analisados, no que se refere à denúncia mais recente, pelos professores da FGV Eloísa Machado e Rubens Glezer, em texto desta sexta-feira (15) para a Folha. No geral da Operação Lava Jato, Marcelo Coelho tem feito um relato indispensável, com o seu inexcedível talento habitual.

DESVIAR A ATENÇÃO Prendo-me, pois, ao quadro político mais amplo e mais imediato: o que está em curso é uma indecente tentativa, em especial do mundo político, mas não só, de atingir o “arqueiro” Rodrigo Janot, para desviar a atenção das flechas que ele dispara.

Na verdade, não é correto fulanizar a ofensiva e restringi-la a Janot. Trata-se, mais amplamente, de procurar atingir o Ministério Público, a Polícia Federal e o juiz Sergio Moro (este no caso específico das flechas contra Luiz Inácio Lula da Silva).

Claro que Janot, Moro e a PF não são deuses e, como mortais, cometem erros. Porém, mais relevante que os erros dos “arqueiros” é discutir a qualidade das flechas disparadas. E, nesse caso, os fatos –não meras opiniões contra ou a favor – são definitivos. A eles, portanto:

1 – Corruptores, como a Odebrecht, a OAS e a JBS, confessaram. Cometeram crimes e, em alguns casos, estão devolvendo dinheiro ou pagando as multas devidas.

2 – Corruptos, caso de alguns ex-diretores da Petrobras, também confessaram, também estão devolvendo dinheiro.

3 – Do lado político do balcão de negócios em que se transformou a política brasileira, tem-se, agora, a confissão de Antonio Palocci. Com ela, fecha-se o círculo: a Odebrecht confessa que corrompeu e um dos corrompidos (Palocci) admite os “ilícitos”, para usar a expressão de Lula no seu depoimento a Sergio Moro.

Tudo somado, têm-se, portanto, flechas da mais alta qualidade, seja qual for o juízo que se faça do “arqueiro”.

FATOS INEGÁVEISNo caso Temer, se Janot errou ou acertou, não mudam alguns fatos inegáveis, a saber:

1 – Rodrigo Rocha Loures tinha tanto prestígio junto ao presidente que agendou uma conversa noturna e sem registro oficial em pleno Palácio do Jaburu entre Temer e Joesley Batista. O encontro foi confirmado pelo próprio presidente.

2 – Rocha Loures foi flagrado com uma mala de dinheiro, fato igualmente não desmentido, até porque a mala e o dinheiro foram entregues pelo próprio Loures à Polícia Federal.

3 – Por que um empresário daria tanto dinheiro a uma figura em tese secundária como Rocha Loures? Só pode ser para comprar facilidades junto ao governo Temer.

Ou, mais amplamente, como está no já citado texto de Eloísa Machado e Rubens Glezer: “A presença (da organização criminosa) na Petrobras, em Furnas, no Ministério da Integração Nacional, no Ministério da Agricultura, na Caixa Econômica Federal e até na própria Câmara era um meio para o esquema de arrecadação de propinas. A história é conhecida: empresas que queriam ser contratadas ou ter uma lei em seu benefício repassavam propina a Temer e seus aliados”. Nem é preciso mencionar outro fato indesmentível: as malas e caixas de dinheiro apreendidas com as digitais de Geddel Vieira Lima, homem de confiança de Temer.

SEM RENÚNCIAEm qualquer país decente, um presidente que está cercado de pessoas denunciadas seguidamente se vê compelido a renunciar. Já no Brasil, prefere atacar o arqueiro. Não é nem original. Na Operação Mãos Limpas na Itália, aconteceu a mesma coisa, conforme o relato de Maria Cristina Pinotti:

“Avolumaram-se as denúncias na imprensa sobre abuso de poder nas investigações e foi iniciada uma verdadeira indústria de dossiês, sobretudo contra a figura principal da Operação, o juiz Di Pietro. Em meados de 1994 o conselho de ministros do novo governo aprovou um decreto lei que ficou conhecido com o nome do novo ministro da justiça [Decreto Biondi] ou, popularmente, como decreto ‘salva ladrões’ [salva ladri], que impedia prisão cautelar para a maioria dos crimes de corrupção. Com isso, a maior parte dos presos na Mãos Limpas foi solta, indo para prisão domiciliar, provocando um enorme dano nas investigações”.

É o que se busca fazer no Brasil, atacando o “arqueiro” para escapar de suas certeiras flechas. Por ser o Brasil como é, sou capaz de apostar que a indecente manobra acabará dando certo – e a lama continuará escorrendo em abundância no esgoto político.

Um guia sobre o PMDB de Temer está disponível na internet

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Fotocharge reproduzida do Arquivo Google

José Casado
O Globo

Um guia sobre o PMDB de Michel Temer foi divulgado quinta-feira, em Brasília. É obra relevante para quem tenta compreender a desconstrução da política no Brasil nas últimas duas décadas. É grátis e está disponível na internet. Tem 245 páginas, leva o selo do Ministério Público Federal, foi assinado e protocolado no Supremo pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que deixa a função nesta segunda-feira.

Será melhor compreendida, se percebida como parte de uma tragédia política sobre a partilha e o usufruto do poder público para benefícios privados. É indissociável das denúncias anteriores, contra o PT de Lula e outros partidos.

MEIO BILHÃO – Ela está circunscrita a meio bilhão de reais de exemplos de fraudes em negócios públicos realizados nas empresas estatais Petrobras, Furnas, Caixa Econômica, nos ministérios da Integração Nacional e da Agricultura, na Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República e na Câmara dos Deputados.

Temer reagiu, classificando-a como “realismo fantástico em estado puro”, num exercício do direito de defesa prévia.

Seu problema, porém, é a realidade ululante descrita em viva-voz do presidente da República; nos depoimentos de vários aliados do PMDB no Congresso; nos depoimentos dos coletores de propinas; no mapeamento das sucessivas entregas de malas de dinheiro — algumas registradas em video e fotografias; em milhares de e-mails, telefonemas e conversas eletrônicas rastreadas pela polícia; nas contas bancárias, planilhas e comprovantes de pagamentos entregues por algumas das maiores empresas do país, entre elas Odebrecht e JBS.

INTERESSE PRIVADO – O Ministério Público descreve um padrão de comportamento — o uso da política para enriquecimento pessoal, a prevalência do interesse privado sobre o público. É o que se vê, por exemplo, nos R$ 29 bilhões de prejuízos provocados na Petrobras e nas vendas de emendas “jabuti” negociadas em Medidas Provisórias.

O comércio de leis, no governo e no Congresso, é um capítulo à parte. Alguns casos até foram denunciados durante a votação no plenário da Câmara, como ocorreu na Medida Provisória sobre o setor elétrico (nº 579). Outras encomendas são mais recentes, como a autorização de ingresso de capital externo no controle de hospitais, laboratórios médicos e de empresas de planos de saúde. Esta foi negociada diretamente pelo ex-deputado Eduardo Cunha com líderes do grupo Amil, o falecido empresário Edson Bueno, e da empresa Rede D’Or, o banqueiro André Esteves, do grupo BTG.

A partir da citação de Ulysses Guimarães (“o poder não corrompe o homem, é o homem que corrompe o poder”), esse guia sobre o PMDB de Temer, às vezes, parece mesmo descrição de um mundo fantástico. Seria ótimo, se fosse apenas coisa do realismo mágico. O problema é que é tudo é verdade, informa a coletânea de provas judiciais anexada.