‘Não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado’, diz Bebianno a interlocutores

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Bebianno alega que nada fez de errado e não pedirá demissão

Gerson Camarotti
G1 Política

Em conversas com interlocutores, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, tem demonstrado forte mágoa com todo o episódio de fritura a que está sendo submetido pelo presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro. “Não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado. É preciso ter um mínimo de consideração com quem esteve ao lado dele o tempo todo”, desabafou Bebiano em uma conversa.

Segundo esses relatos, Bebianno está impressionado com o fato de o presidente dar muito apoio aos argumentos do filho nesse episódio, e deixá-lo de lado no caso.

DESGASTE – “Não vou sair escorraçado pela porta dos fundos”, relatou o ministro a colegas, em uma demonstração de que, se Bolsonaro quiser demiti-lo, terá que assumir o desgaste público de ter que mandar o auxiliar embora com pouco mais de um mês de governo.

Segundo ele, se Bolsonaro quisesse tirá-lo do cargo, deveria ter construído uma saída elegante, sem o desgaste na mídia. Ele ressaltou que não pretende pedir demissão.

A esses interlocutores, Bebianno disse que manteve sim contato com o presidente durante o período de internação de Bolsonaro, e que isso está registrado não só nas mensagens enviadas em seu celular, mas também nas mensagens recebidas por ele.

“DIFERENCIADO” – Ele também demonstra surpresa por ter tratamento diferenciado quando caso semelhante foi registrado em Minas Gerais, envolvendo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Gustavo Bebianno foi um dos coordenadores da campanha eleitoral do presidente. Ele presidiu o PSL, partido de Bolsonaro, no ano passado e durante toda a campanha. Deixou o posto depois de ter sido nomeado ministro da Secretaria de Governo.

No último domingo, reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” informou que Bebianno liberou R$ 400 mil de dinheiro público, do fundo partidário, para uma candidata “laranja” de Pernambuco, que concorreu a uma vaga de deputada federal e recebeu 274 votos. A “Folha” também noticiou caso semelhante envolvendo o ministro do Turismo.

ARGUMENTO – O ministro também ressalta a interlocutores que o PSL nacional não cuida de candidaturas estaduais, mas que mesmo assim acha estranho a hipótese de o atual presidente da sigla, Luciano Bivar, ter feito algo de irregular.

Lembrou para um colega que quando assumiu o partido, no início do ano passado, havia acúmulo de verbas do fundo partidário, no caixa do PSL Mulher e na convenção do partido, e que, por isso, acha improvável que Bivar quisesse desviar dinheiro do partido. Ele alega ainda que Bivar tem boa condição financeira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Essa estratégia de defender Bivar é errada e não vai dar resultado. O caso da verba eleitoral é claríssimo. Quem pediu os recursos foi o Diretório pernambucano, o então presidente Bebianno apenas liberou. É por isso que Bebiano não se sente culpado e não pedirá demissão. Na verdade, os filhos de Bolsonaro não gostam de Bebianno e querem fritá-lo, porque ele não aceita a interferência deles no governo, e está com toda a razão. Os três “príncipes-regentes” precisam se recolher às próprias insignificâncias. Bebianno é um advogado de renome e está sendo atacado injustamente. (C.N.)

Relação com os filhos se torna fator de desestabilização do governo Bolsonaro

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Carlos (o filho 01) atua como se fosse “preposto” do presidente

Merval Pereira
O Globo

A família Bolsonaro parece gostar de um enfrentamento. Ontem à noite, o presidente avalizou pelo twitter uma afirmação do filho Carlos, que desmentia o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que dissera que mantivera contato com Bolsonaro no hospital. Queria desfazer assim os boatos de que estaria desgastado com o presidente devido a denúncias de uso indevido de verba propagandística durante a eleição. Pelo jeito, talvez não seja mais ministro hoje.

O PSL está debaixo de fogo cruzado devido à suspeita de ter desviado dinheiro da campanha eleitoral utilizando-se de candidatas “laranjas”.

A ACUSAÇÃO Gustavo Bebianno, que foi presidente do PSL e teve papel de relevo na campanha, está sendo acusado por um grupo de bolsonaristas, entre eles o próprio Carlos, de ter participado dessa tramóia que está sendo investigada pela Justiça.

Já na transição do governo houve uma briga entre os dois, Carlos atribuía a Bebianno o convite a Marcos Carvalho, dono da agência AM4, responsável pela campanha digital do presidente eleito, para participar da equipe.

Carlos considera-se o responsável pela comunicação de Bolsonaro nas mídias sociais, tem até mesmo as senhas do pai, e não admite concorrência. Acusou Marcos Carvalho de querer aparecer como “marqueteiro digital” vencedor, sem ter tido tal importância. 

MACIEL, O EXEMPLOCerta vez o vice-presidente Marco Maciel ouviu de Heitor Ferreira, ex-secretário particular dos presidentes Geisel e Figueiredo, a definição do posto que ocuparia no governo de Fernando Henrique Cardoso: “Vice-presidente é nada à véspera de tudo”.

Maciel soube equilibrar-se nessa linha quase etérea entre o “nada” e o “tudo”, e hoje é exemplo de comportamento para um vice-presidente, discreto e eficiente. Ontem, o vice-presidente Hamilton Mourão recebeu com um sorriso o presidente Bolsonaro, que voltava a Brasília depois de 16 dias internado no Hospital Albert Einstein em São Paulo.

Sorriso que desfez qualquer desconforto que poderia ter causado uma ironia do presidente, ao telefone: “Quer me matar?”, perguntou a Mourão, que tratou de revelar a “brincadeira” para retirar dela qualquer conotação outra.

ESTADO DE ESPÍRITOEmbora estivesse se referindo ao churrasco de confraternização de sua turma, de que Mourão participara enquanto ele estava no hospital, o presidente Bolsonaro refletia um estado de espírito inoculado pelo vereador Carlos Bolsonaro, o filho 02, que mantém a desconfiança de que existem pessoas interessadas na morte de seu pai.

Antes da posse, ele usou o twitter para dizer que a morte de seu pai interessaria “também aos que estão muito perto” (…) “Principalmente após sua posse”. Na posse, ele fez questão de aboletar-se no Rolls Royce que conduzia seu pai. O 02 acordara com um mau pressentimento e, armado de uma Glock, pediu para ser o guarda-costas do pai.

Mourão é considerado por um grupo de bolsonaristas, que inclui até mesmo o guru Olavo de Carvalho e o estrategista americano Steve Bannon, como um potencial inimigo, um Cavalo de Tróia que tenta se diferenciar de Bolsonaro recebendo líderes do MST ou defendendo a memória do ambientalista Chico Mendes.

DIZIA VINICIUS“Filhos, melhor não tê-los”, já advertia ironicamente o poeta Vinicius de Moraes, para completar: “Mas sem tê-los, como sabê-lo?”. A relação do presidente com seus filhos é um dos fatores desestabilizadores desse governo que mal se iniciou.

As confusões envolvendo os três filhos políticos de Bolsonaro provocam intrigas dentro do próprio grupo de governo, especialmente os militares. O senador Flávio Bolsonaro, o 01, tenta se desvencilhar do caso de seu ex-assessor Fabricio Queiroz, apanhado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em uma “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão.

O deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro, o 03, flagrado em uma palestra afirmando que para fechar o Supremo Tribunal Federal bastaria chamar “um soldado e um cabo”, considera-se um assessor presidencial especialíssimo, e trabalha para ligar o PSL ao conjunto de partidos de direita pelo mundo, que o estrategista americano Steve Bannon sonha reunir. Já admitiu se candidatar à sucessão do pai caso Bolsonaro acabe mesmo com a reeleição, como prometeu. O 01 nunca recebeu apoio do 02. E o 03 ontem se recusou a falar sobre a crise em que o 02 está metido.

Militares agem para evitar demissão de Bebianno e neutralizar filhos de Bolsonaro

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Tânia Monteiro
Estadão

Diante da crise instalada no Palácio do Planalto envolvendo o ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, e o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), interlocutores do presidente Jair Bolsonaro, principalmente militares, estão agindo para tentar conter o imenso problema criado no dia em que o governo queria anunciar qual a proposta da reforma da Previdência vai encaminhar ao Congresso.

A temperatura da crise se elevou após a TV Record exibir na noite de quarta-feira, dia 13, uma entrevista com o presidente, a primeira após receber alta do hospital Albert Einstein. À emissora, Bolsonaro praticamente rifou Bebianno ao dizer que ele poderá “voltar às origens” caso fique comprovado seu envolvimento em suspeitas de desvio de recursos eleitorais.

MAGOADO – O ministro, que foi presidente do PSL, disse a interlocutores que está “muito magoado”. Só que Bebianno já avisou que não pede demissão e que só sai demitido pelo presidente. Ninguém duvida também que ele pode deixar o governo atirando.

Preocupados com a ação dos filhos, que em vários momentos têm trazido diferentes crises para o governo e com a proteção que eles têm recebido do pai, os “bombeiros” do Planalto estão agindo para tentar evitar que a saída de Bebianno possa aprofundar a crise e espalhá-la para outros setores.

Mais do que proteger Bebianno, esses interlocutores do presidente estão convencidos de que “é preciso estancar” essa ação dos filhos de Bolsonaro, que estariam prejudicando o País. Lembram que misturar família e governo nunca deu bons resultados e isso, mais uma vez, está sendo provado com seguidos episódios nestes menos de dois meses de nova administração.

MOBILIZAÇÃO – Nesta quinta-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão, e os ministros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno e da Secretaria de Governo, Santos Cruz, estão agindo para conter essa tempestade que tomou conta de Brasília. Eles, no entanto, não são os únicos.

Outros ministros e outras pessoas próximas da Bolsonaro estavam buscando o presidente nesta quinta-feira, dia 14, para tentar lhe mostrar as implicações desses atos, com sérias consequências para o País e a governabilidade. Os desajustes do Executivo imediatamente atravessam a rua levam problemas à já desarrumada e conflituosa base aliada.

PELO TWITTER – Os auxiliares do presidente entendem que não é possível governar com ímpetos pelo Twitter, repetindo até um pouco do comportamento do norte-americano Donald Trump. Advertem que isso tem consequências, normalmente, desastrosas.

A publicação por Carlos Bolsonaro do áudio enviado pelo presidente a Bebianno pelo WhatsApp foi considerada “inadmissível” porque está ligado à violação da segurança das comunicações do presidente da República. Os interlocutores do presidente vão tentar mostrar a ele que existe uma liturgia do cargo e que ela precisa ser respeitada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente matéria de Tânia Monteiro. Traça um retrato perfeito da situação. Se continuar a reboque dos filhos, Bolsonaro se arrisca a jogar seu prestígio na lata do lixo. Tem de se assumir como presidente e colocar os filhos em seus devidos lugares. Eles se julgam “príncipes-regentes”, mas acontece que o Brasil é uma república. (C.N.)

Dante escreveu a “Divina Comédia” ou usou os antigos textos muçulmanos?

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Jamais houve dúvida sobre a autoria do poema clássico “A Divina Comédia”. Mas agora há quem afirme que o grande Dante Alighieri apenas copidescou o famoso texto. O verbo copidescar vem dos antigos gráficos como eu, revisor em priscas eras da máquina de linotipo. “Copy desk” é como chamamos o redator final do texto.

O fato concreto é que a “Divina Comédia” é uma das belezas da Literatura Universal. Mas vez por outra nos surpreendemos e descobrimos verdadeiras preciosidades sobre os textos literários. No caso da “Divina Comédia”, agora há o debate saudável sobre as origens da obra-prima, que teria sido inspirada na literatura muçulmana. Com a palavra, os estudiosos, os especialistas e outros que tais… eu sou apenas um aprendiz.

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“MUNDO ÁRABE – BERÇO DA CIVILIZAÇÃO”
Compilação de Ricardo Roman Blanco

“Simplesmente de pasmar as descobertas sensacionais que a alta pesquisa histórica moderna está realizando no campo das instituições e quanto à autoria das grandes epopeias da humanidade; por exemplo: as instituições do Salteo ou dos Alfaqueques, ambas por nós descobertas e, por incrível que pareça, a autoria da própria “Divina Comédia” atribuída a Dante Alighieri.

Pois bem, saibam todos que a maior epopeia do renascimento não é de Dante Alighieri, como até agora estudávamos e ensinávamos: ela é cópia quase literal dos ensinamentos da escola mística muçulmana-espanhola de Ibn-Massarra, como prova de maneira irrefutável o grande arabista espanhol, professor Assim Palácios, na sua imortal obra intitulada “La Escatologia Muçulmana en la Divina Comedia”, que, por incrível luxo de detalhes, prova extremos tão curiosos como os conhecimentos da gíria siciliana por parte de Dante Alighieri.

Por exemplo: existem na Divina Comédia dois versos que ninguém até hoje soube traduzir. E sabem o que esses versos dizem? Pois pasmem: são dois solenes palavrões utilizados na gíria árabe da Universidade Siciliana de Palermo, onde reinava Frederico II, íntimo amigo e protetor de Dante Alighieri e tão arabizado, apesar de ser cristão caudatário do Papa, que até harém possuía; e que, como diz o velho ditado espanhol: “Lo cortés no quita lo valiente” (cortesia não é sinal de fraqueza).

Nem o famoso intelectual Bartolomeu Mitre, presidente da República Argentina, foi capaz de traduzir os ditos versos na sua versão espanhola da “Divina Comédia”. E o autor de tão hilariante descoberta foi nada mais nada menos que o nosso modesto e despretensioso professor Taufik Kurban, recentemente falecido, nesta mesma metrópole paulistana”.

(trecho do livro “Mundo Árabe Berço da Civilização”, editora Fearab – Brasil – Confederação de Entidades Árabe-Brasileiras, 2006, p. 37 e 38).

Ministro Bebianno está por um fio no governo ou é o homem que sabe demais?

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O caso Bebianno parece ter saído da filmografia de Hitchcock

Francisco Leali
O Globo

Eleito com ajuda do impulso das redes sociais, onde os comentários, ataques e impropérios prosperaram, o presidente Jair Bolsonaro , livrou-se das bactérias do pulmão, recuperou-se da última cirurgia e desembarcou de volta ao Planalto Central pronto para reassumir as rédeas de sua gestão. O primeiro ato foi verbal: deixar por um fio o emprego daquele que já tinha sido o auxiliar mais próximo, o secretário-geral da Presidência da República, o advogado Gustavo Bebianno .

No que pode vir a ser a primeira demissão do governo Bolsonaro, a situação do ministro, seguindo moldes e costumes do poder, estaria mais para figurar na seção 2 do Diário Oficial – onde publica-se atos de nomeação, mas também exoneração de servidores.

FRITAR OU TORRAR – O linguajar clássico da corte brasiliense usa o verbo “fritar” quando está em curso ação para induzir a demissão de uma autoridade. E o poder dá um jeito de ir minando por dentro a sustentação do alvo.

Na era Bolsonaro, seria mais apropriado falar em “torrar” ou “arder”. A fogueira em que Bebianno foi colocado pode ser indicativo do método bolsonariano de tirar gente do seu governo. A estratégia foi construída nas mesmas redes sociais que inflaram o apoio ao então candidato. O porta-voz foi o mesmo filho, Carlos, que protagonizou as ondas de mensagens mais virulentas.

Para espanto de seguidores que ontem pedindo em sua rede para ele ter calma e não prejudicar o governo do pai presidente, Carlos denunciou a mentira de Bebianno.

ATÉ O ÁUDIO – Não bastasse isso, publicou um áudio com a voz do pai. No final da noite, o próprio presidente declarou em em uma entrevista à TV Record que a frase do ministro era mesmo mentirosa. Bebianno havia declarado ao Globo que tinha conversando três vezes num só dia com o presidente, na ocasião, ainda internado em São Paulo.

Quando o presidente diz que o ministro mente, ao invés de declarar que acredita que o auxiliar tem sua confiança e espera que ele prove a inocência, a porta da rua parece ser a serventia da casa.

Mas há que se considerar que Bebianno estava em todos os momentos decisivos de 2018 ao lado do candidato. Ouviu conversas, sabe como foram tomadas as decisões estratégicas de campanha, das corriqueiras às menos ortodoxas. Ou seja, se ministro que arde sabe demais, o presidente pode ser aconselhado a mantê-lo ali ao alcance da sua vista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Cá entre nós, esse ministério do Bolsonaro é muito esquisito. Parece que os ministros foram escolhidos a dedo para que o governo não dê certo. É a impressão que me passa. (C.N.)

Vale privilegiou lucros em detrimento da segurança, diz parecer da Procuradoria

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Procurador Saboia redigiu um parecer devastador contra a Vale

Aguirre Talento
O Globo

Em um parecer enviado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o caso de Brumadinho (MG), o Ministério Público Federal aponta que a mineradora Vale “privilegiou a lucratividade em detrimento da segurança de seus trabalhadores e dos habitantes de seu entorno” e alerta para o risco de impunidade dos dirigentes da empresa.

A manifestação é assinada pelo subprocurador-geral da República João Pedro de Saboia Bandeira de Mello Filho e foi enviada na tarde da quarta-feira (13) ao ministro do STJ Nefi Cordeiro. Trata-se do primeiro posicionamento técnico de um integrante da Procuradoria-Geral da República sobre o caso, abordando mais especificamente a soltura dos técnicos da Vale que haviam sido presos.

ENGENHEIROS Saboia se posiciona favoravelmente à soltura dos dois engenheiros da empresa TÜV SÜD, Andre Jum Yassuda e Makoto Namba – eles já foram soltos no último dia 5 por decisão liminar da Sexta Turma do STJ em um habeas corpus. Falta ainda, porém, a decisão de mérito, por isso foi solicitada a manifestação da PGR.

O subprocurador aponta que não houve comprovação de que a atuação dos engenheiros, que atestaram a segurança da barragem, tenha colaborado para o acidente. “Até agora não há nenhum laudo pericial, ainda que por perícia indireta, dizendo a que se deve atribuir a ruptura da barragem”, escreveu.

Na sua avaliação, o acidente está mais relacionado a uma opção econômica da Vale em detrimento da segurança e, por isso, a investigação não pode punir apenas técnicos e poupar os dirigentes da empresa. Essa opção seria o uso da técnica da construção da barragem “à montante”, cujo risco envolvendo acidente tem potencial muito maior.

SENSO COMUM“Creio oportuno exprimir meu ponto de vista, ressalvando que sou leigo em engenharia mas não desprovido do senso comum, que leva a supor que não a tragédia em si, mas suas proporções gigantescas, com centenas de mortos e desaparecidos, se deve não a qualquer fraude ou negligência dos técnicos, mas à decisão gerencial de utilizar uma técnica potencialmente perigosa, por motivos econômicos, no que diz respeito à escolha do local de construção”, escreveu.

Prossegue o raciocínio do subprocurador: “Finalmente: se, como também é notório, se o depósito de rejeito estava há anos desativado, porque não se o esvaziou, prevenindo a tragédia? Igualmente por opção econômica, para, quando fosse decidido melhor convir, se reprocessar aqueles rejeitos e extrair mais metal. Outra explicação no momento não encontro para que se mantenha por anos, sem aparente utilidade, aquela situação no mínimo potencialmente perigosa”. Por esses elementos, conclui, a Vale privilegiou os lucros em detrimento da segurança.

IMPUNIDADESob esse raciocínio, Saboia aponta risco de impunidade caso a investigação seja focada nos técnicos que assinaram os laudos. “Mas desde logo presumir que houve falsidade e fraude, é abrir uma larga porta para não se apurar responsabilidade dos dirigentes empresariais que optaram por construir uma barragem “à montante”, que a mantiveram em operação por anos, e, depois de desativá-la, também por anos a mantiveram repleta ou quase”, escreveu.

“Por isso, a matéria deve ser, em todas as instâncias, examinada com atenção redobrada, para não favorecer a impunidade daqueles que podem ser (não afirmo que o sejam, pois se trata de investigação inicial ainda) os maiores, se não os únicos, responsáveis”, afirmou o subprocurador.

O mérito do habeas corpus ainda será julgado na Sexta Turma do STJ, que decidirá se mantém a liberdade dos engenheiros ou se reverte a decisão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Afinal, o que está faltando para ser pedida a prisão dos dirigentes da Vale envolvidos na tragédia, especialmente o engenheiro Fábio Schvartsman, que preside a empresa e é o principal responsável? Há mais de uma semana o Ministério Público de Minas anunciou estar pronto para pedir a prisão deles. E o que falta?(C.N.)

Bispo rebate ofensiva do governo contra a Igreja: “Igual, só vimos na ditadura”

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Governo não pode interferir nos assuntos da Igreja, diz o bispo

Bernardo Mello Franco
O Globo

A Igreja Católica não deve se intimidar com a ofensiva do Planalto contra a sua atuação na Amazônia. O ministro Augusto Heleno fez críticas a um seminário convocado pelo papa Francisco para discutir os problemas da região. Em vez de calar os bispos, aumentou a insatisfação do clero com o governo.

O jornal “O Estado de S. Paulo” revelou que relatórios da Abin descrevem a CNBB como “potencial opositora”. O general Heleno se referiu ao Sínodo da Amazônia como “interferência em assunto interno do Brasil”. Acrescentou que pretende “neutralizar” o evento religioso.

“ARAPONGAS” – O bispo do Marajó, dom Evaristo Spengler, afirma que não cabe ao governo monitorar os debates da Igreja. Ele diz que o clero já suspeitou da presença de arapongas numa assembleia em Marabá. “Isso é um retrocesso que só vimos na ditadura militar”, protesta.

Dom Evaristo esclarece que o papa anunciou o seminário em 2017, muito antes da eleição de Jair Bolsonaro. Ele diz que a Igreja “não é neutra”, o que não significa que tenha partido. “A Igreja está do lado dos mais fracos, dos mais pobres, dos ribeirinhos e dos indígenas”, afirma.

INTERESSES – Para o religioso, o discurso do governo esconde interesses econômicos. “Estão incentivando um modelo predatório de desenvolvimento, que extrai as riquezas da floresta e deixa a população na pobreza”, critica. “Querem construir hidrelétricas, abrir rodovias e permitir o avanço do agronegócio e das mineradoras”.

Desde a campanha, Bolsonaro trata ONGs e ambientalistas como inimigos. Ele acusa as entidades de atentarem contra a soberania nacional e planejarem a “internacionalização” da Amazônia. A pregação tem eco no núcleo militar do governo. “Isso é uma fantasia para justificar a exploração predatória da floresta. Estamos no tempo das fake news”, rebate dom Evaristo.

CHICO MENDES – Na segunda-feira, o ministro do Meio Ambiente aumentou a tensão com a Igreja ao ofender a memória de Chico Mendes, assassinado em 1988. Segundo Ricardo Salles, o líder seringueiro usava a luta ambiental para “se beneficiar”.

A declaração revoltou a ala progressista do clero. “Querem desqualificar quem defende os povos da Amazônia”, afirma o bispo do Marajó.

Verba pública eleitoral liberada por Bebianno parou em minigráfica de filiado do PSL

Gráfica Vidal, na cidade de Amaraji (PE), responsável pela impressão de material de campanha do PSL

O dono da gráfica não guardou um só impresso para exibir…

Deu na Folha

Uma gráfica de pequeno porte de um membro do diretório estadual do PSL — legenda do presidente Bolsonaro— foi a empresa que mais recebeu verba pública do partido em Pernambuco nas eleições. Sete candidatos declararam ter gasto R$ 1,23 milhão dos fundos eleitoral e partidário na gráfica Vidal, que nunca havia participado de uma eleição e funciona em uma pequena sala na cidade de Amaraji, interior de Pernambuco.

Levantamento da Folha identificou que pelo menos 88% deste valor, a quase totalidade dos repasses de fundo partidário e fundo eleitoral, foram de responsabilidade oficial do presidente nacional do PSL à época, Gustavo Bebianno, então coordenador de campanha de Bolsonaro e hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

VIDAL E BIVAR – O dono da Vidal Assessoria e Gráfica LTDA é Luis Alfredo Vidal Nunes da Silva, 28, que se apresenta como presidente do PSL em Amaraji. A Folha visitou nesta quarta-feira (13) a empresa. Na sala, havia duas máquinas e uma recepcionista.

Vidal esteve com o já presidente eleito Jair Bolsonaro em sua casa, no Rio, em novembro. “Fui só para tirar uma foto”, diz ele, que foi o responsável pela coordenação da campanha do presidente na Mata Sul de Pernambuco.

Fundador e principal cacique do PSL, o deputado federal Luciano Bivar (PE) também teve importante papel nessas decisões. À época presidente licenciado, ele está novamente no comando da sigla.

Desde que a Folha começou a publicar no último dia 4 as reportagens sobre candidatas laranjas, Bivar e Bebianno têm dado declarações conflitantes, apontando um ao outro como responsável pelos repasses.

“SEM PROBLEMA” – Vidal é filiado ao PSL desde março de 2018, mesma época em que Bolsonaro e seus aliados entraram na legenda. “Não vejo nenhum problema”, disse o dono da gráfica sobre ter recebido mais de R$ 1 milhão de verba pública por meio de seu partido.

A estrutura modesta da gráfica contrasta com o volume de material que teria sido impresso no local. Bivar, por exemplo, destinou R$ 848 mil à empresa para a impressão —de acordo com as notas fiscais— de mais de 5 milhões de santinhos e adesivos, entre outros materiais.

Érika Siqueira, ex-assessora de Bebianno no PSL, declarou ter gasto R$ 233 mil na Vidal, de um total de R$ 250 mil repassados. Ela foi postulante a deputada estadual e teve apenas 1.315 votos. O restante da verba, que totaliza R$ 56,5 mil, ela declarou ter gasto em uma outra gráfica, a Itapissu, sem sinais de funcionamento efetivo nos endereços que constam na Receita Federal e nas notas fiscais.

NEGÓCIO INFORMAL – Vidal diz ainda que abriu sua empresa em 2013 e que só investiu “nesse negócio de cliente político agora”. “Coloquei quase 40 pessoas em turno de 24 horas. No momento certo, eu vou apresentar [as provas]. Agora, não tenho aqui. É um negócio informal.”

Os outros candidatos que declaram gasto na firma são Major Pedro Mendes (R$ 54,9 mil), Thiago Paes (R$ 40,5 mil), Silvio Nascimento (R$ 25 mil), Frederico França (R$ 13,9 mil) e Fred Teixeira (R$ 13,7 mil). Nenhum foi eleito.

Nesta quarta, a recepcionista da Vidal informou que só ela e outro funcionário trabalham no local. O empresário Luis Vidal afirmou que não havia irregularidades na prestação de serviços. Disse que a empresa dele conseguiu ser contratada porque apresentou o preço mais baixo e uma maior disponibilidade de entrega. “A empresa trabalhou. Tudo o que foi declarado foi rodado e entregue. Aqui, a gente não tem nada de errado”, diz.

SÓ NA JUSTIÇA – Questionado se teria como mostrar alguns exemplares do material que havia sido impresso, disse que nem tudo estava lá. “Se for necessário, eu apresento à Justiça”, disse.

Quando lhe foi perguntado se a estrutura da empresa estaria compatível com a demanda recebida, disse que tem tudo registrado nos seus arquivos. “Rodamos um bocado de candidato. É uma loucura, a maior agonia. Tenho tudo no sistema e posso apresentar à Justiça.”

Procurado pela Folha, Bebianno não se manifestou. Bivar declarou que não cometeu nenhuma ilicitude e que as contas do partido foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Chamar as candidatas de “laranjas” é um exagero, porque todo partido tem de cumprir a cota feminina e é difícil encontrar mulheres que queiram se candidatar. A maior irregularidade, sem dúvida, é pagar por material que não foi impresso. O dono da gráfica não tinha nenhum santinho para mostrar ao repórter? Na linguagem policial, isso é chamado de “batom na cueca”. (C.N.)

Vale conhecia os riscos, previu as mortes e calculou até os danos em US$ 1,5 bilhão

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Afinal, o que está faltando para prender o presidente da Vale?

Lucas Vettorazzo, Nicola Pamplona e Thiago Amâncio
Folha

Um documento interno da Vale estimou em outubro de 2018 quanto custaria, quantas pessoas morreriam e quais as possíveis causas de um eventual colapso da barragem de Brumadinho (MG), que acabou se rompendo no dia 25 de janeiro. O relatório é usado pelo Ministério Público de Minas Gerais em ação civil pública em que pede a adoção de medidas imediatas para evitar novos desastres, já que dez barragens, incluindo a de Brumadinho, estariam em situação de risco, segundo o documento da própria mineradora.

A Vale questiona a Promotoria e diz que o estudo indica estruturas que receberam recomendações de manutenção, as quais já estariam em curso. A empresa defende ainda que a barragem de Brumadinho não corria risco iminente.

PREVIU MORTES – O estudo projeta que um eventual colapso provocaria mais de cem mortes — até o momento, as autoridades contabilizam 165 mortos e 155 desaparecidos. O número considera um cenário de rompimento durante o dia e com funcionamento dos alertas sonoros instalados para evitar emergências.

A maior parte das vítimas estava no refeitório e na sede administrativa da mina do Córrego do Feijão, onde está a barragem que se rompeu. No começo do mês, a Folha mostrou que o plano de emergência da barragem previa a inundação dessas estruturas.

De acordo com o estudo da Vale, chamado Resultados do Gerenciamento de Riscos Geotécnicos, os custos de um eventual rompimento na barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão poderiam chegar a US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 5,6 bilhões, ao câmbio atual).

CAUSAS PROVÁVEIS – A empresa também projetava como causas prováveis de rompimento a erosão interna ou liquefação. Inspeções já tinham encontrado indícios de erosão na ombreira (lateral da barragem) e indícios de alagamento.

O documento inclui a estrutura que se rompeu entre dez barragens em uma zona de atenção. As outras são: Laranjeiras (em Barão de Cocais), Menezes 2 e 4-A (em Brumadinho), Capitão do Mato, Dique B e Taquaras (Nova Lima) e Forquilha 1, Forquilha 2, Forquilha 3 (Ouro Preto).

A análise de estabilidade exigida pela legislação atestou as condições de segurança da barragem que se rompeu, mas indicou uma série de problemas que deveriam ser resolvidos pela mineradora.

DIZ A EMPRESA – Procurada pela Folha, a Vale afirmou em nota que “os estudos de risco e demais documentos elaborados por técnicos consideram, necessariamente, cenários hipotéticos para danos e perdas”.

A Vale disse que “não existe em nenhum relatório, laudo ou estudo conhecido, qualquer menção a risco de colapso iminente da barragem” e reafirmou que a estrutura tinha “todos os certificados de estabilidade e segurança”.

Em entrevista nesta terça (12), o gerente-executivo de planejamento da área de minério de ferro e carvão da empresa, Lúcio Cavalli, disse que “em momento algum essa estrutura deu sinais de que estava com problema”.

ZONA DE ATENÇÃO – De acordo com a Vale, a “zona de atenção” compreende barragens em que os técnicos apontaram recomendações, mas não risco iminente.

Segundo a empresa, no caso da estrutura que se rompeu, as recomendações eram dar continuidade ao processo de descomissionamento e reduzir os níveis do lençol freático, o que já vinha sendo feito, de acordo com a companhia.

A Justiça de MG determinou uma série de ações preventivas nas barragens citadas. A Vale diz que todas as exigências já vinham sendo cumpridas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Vejam a que ponto vai a desfaçatez dos dirigentes da Vale. O ordem dada à equipe foi de prosseguir o descomissionamento, que significa reprocessar o rejeito da barragem, para separar e revender as sobras do minérios. Com a barragem em situação de risco, revolver os resíduos com máquinas pesadas deve ter desestabilizado a barragem, é claro, mas a Vale não admite ter errado. Na cadeia, talvez algum diretor (ganham R$ 1,5 milhão por mês) peça delação premiada e conte mais detalhes do que já se sabe. Mas quem se interessa em prendê-los? (C.N.)

Bolsonaro manda Polícia Federal investigar Bebianno, que não admite se demitir

Bolsonaro na Record

Jair Bolsonaro já transformou a Record em sua emissora “oficial”

Robson Bonin
O Globo

Na entrevista concedida a Record nesta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro poderia ter defendido seu ministro Gustavo Bebianno das denúncias da “Folha de S.Paulo” de uso irregular de recursos do fundo eleitoral do PSL durante a campanha. Poderia, mas não o fez. Abriu o caminho da demissão, ao dizer que pediu investigação da Polícia Federal sobre o caso e ao dar a entender que uma minoria no partido comete irregularidades. Se algo restar comprovado contra Bebianno…

— Se tiver envolvido (Bebianno), logicamente, e responsabilizado, lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens — disse o presidente.

APOIO AO FILHO – Não perguntaram a Bolsonaro se ele colocaria a mão no fogo pelo auxiliar – e nem precisava. O presidente fez coro com o filho Carlos ao chamar Bebianno de mentiroso em rede nacional de televisão. Estranhamente, porém, não anunciou, na sequência, a demissão do autor das “mentiras”. Preferiu manter, ainda que na berlinda, o aliado na Secretaria-Geral da Presidência.

A crise reafirma a impressão de que o presidente move-se pelo temperamento dos filhos e por postagens em redes sociais. Algo que apavora a ala militar do Planalto, afeita aos movimentos de bastidores. Com um novo dia inteiro para Carlos tuitar, a quinta-feira no palácio promete.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente a análise de Robson Bonin. Mas faltou dizer ter ficado claro que Carlos Bolsonaro agiu com autorização do pai. No caso, o ministro Bebianno foi ingênuo, tentou se proteger se escondendo atrás de Bolsonaro. Deveria ter jogado a culpa no Diretório de Pernambuco (comandado por Luciano Bivar, presidente licenciado do partido), responsável por armar a jogada da gráfica que nem tinha máquinas impressoras. E a entrevista de Bolsonaro à Record já estava acertada. Ele deu as declarações no Palácio da Alvorada em Brasília, ainda usando a mesma roupa com que viajara de São Paulo. Conforme anunciamos ontem, aguarda-se a demissão de Bebianno. (C.N.)

Pente-fino da Receita que mira Gilmar selecionou outros 134 agentes públicos

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Gilmar e Guiomar foram flagrados em movimentação atípica

Fabio Serapião e Adriana Fernandes
Estadão

A força-tarefa criada pela Receita Federal para mapear agentes públicos com indícios de irregularidades tributárias selecionou 134 pessoas de um universo de 800 mil. O trabalho foi desenvolvido pela Equipe Especial de Programação de Combate a Fraudes Tributárias (EEP Fraude).

A criação do grupo foi revelada pelo Estado em maio de 2018. O grupo, diz a nota em que a equipe apresentou seus resultados, procurou identificar agentes públicos de todas as esferas de poder cujos dados tributários apontassem para a possibilidade de crimes tributários e correlatos, como lavagem de dinheiro e corrupção. Um dos selecionados foi o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

TUDO EM SIGILO – Os nomes de todos citados são mantidos em sigilo e não há informações se foram instauradas investigações formais para cada caso.

“Não existe foro privilegiado na Receita Federal”, afirmou à época da criação do grupo o subsecretário de Fiscalização da Receita, Iágaro Jung Martins. Segundo ele, o trabalho do grupo visava utilizar a experiência acumulada na atuação conjunta com PF e MPF em grandes operações para fortalecer o trabalho de fiscalização tributária.

Para esse objetivo, explica a nota, o Fisco desenvolveu uma metodologia que, além da pessoa física alvo, mira pessoas relacionadas em 1º e 2º grau (cônjuge, dependentes e empregados), sócios relacionados a pessoas com ligação em 1º e 2º grau e empresas associadas a essas pessoas.

O CASO GILMAR – Foi exatamente o que aconteceu no caso no ministro Gilmar Mendes. Ao comparar as declarações de sua esposa, Guiomar Feitosa, e do escritório onde ele trabalha, a Receita encontrou discrepâncias entre valores declarados.

Assinada por dois auditores fiscais, a nota explica que nem todos 134 contribuintes selecionados cometeram crimes irregularidades tributárias e, em alguns casos, mesmo com irregularidade tributária não existe necessidade de uma representação para fins penais. Esse tipo de representação é feita à PF e ao MPF quando os auditores encontram, além de problemas de ordem tributárias, indícios de outros crimes como lavagem de dinheiro.

“É certo que cada situação analisada pode ter uma situação particular, não havendo uma fórmula única nem um conjunto de indícios determinados para decidir-se pela abertura de um procedimento fiscal. A metodologia ora apresentada visou a identificação de indícios, que não prescindem de um aprofundamento em Âmbito regional, ainda em sede de programação”, diz trecho da nota.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, isso significa que Gilmar Mendes não está sendo perseguido; simplesmente foi flagrado junto com outras 134 autoridades que apresentam movimentação financeira atípica, que é sinônimo de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele pode espernear à vontade, mas não adianta nada. Vai acabar sendo estraçalhado pela máquina, que não funciona mais a seu favor. (C.N.)

O homem que evitou a hora da morte, na criatividade de Chico Salles

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Chico Salles era representante da música nordestina no Rio

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O engenheiro, cantor, compositor e cordelista paraibano Francisco de Salles Araújo (1951-2017) conta, em forma de cordel, “A Hora da Morte”, uma engraçada estória de ficção.

 
A HORA DA MORTE
Chico Salles

Esta primeira história
Me contou Jota Canalha
Afirmando ser verídica
Se deu em Maracangalha
O conto do Carochinho
Foi com Nelson Cavaquinho
Que se passou a batalha.

O sujeito teve um sonho
Do dia em que morreria
Seria na terça-feira
Vinte oito era o dia
Do primeiro fevereiro
Já estava em janeiro
Começou sua agonia.

No dia seguinte do sonho
Procurou a cartomante
Que confirmou a história
Ele mudou de semblante
Dizendo-lhe até o horário
Marcando no calendário
Ali naquele instante.

Seria às vinte e três horas
Reafirmou com certeza
O cara saiu dali
Carregado de tristeza
Murmurando repetia
Meu Deus mais que agonia
Mostre-me sua grandeza.

E com o passar dos dias
Aumentava a aflição
Ele cheio de saúde
E naquela situação
Meu Deus o que faço agora
Passava outra aurora
E nada de solução.

Quando chegou fevereiro
Seu peito alto batia
Procurou um hospital
E na cardiologia
Naquela dúvida infame
Fez tudo o que é exame
Até radiografia.

Fez exame de esforço
Urina e colesterol
Também exame de sangue
E fezes estavam no rol
Teve no ácido úrico
Um resultado telúrico
Feito isca no anzol.

A saúde era perfeita
Não tinha nem dor de dente
Ficou um pouco animado
Mais ou menos sorridente
Outra semana passou
O calendário voou
Deixando-lhe impaciente.

Até que chegou o dia
Daquela interrogação
Foi então dormir mais cedo,
Mas sua imaginação
Resolveu naquele instante
Tomar um duplo calmante
Haja, haja coração.

O relógio despertador
Em cima de uma banqueta
Ele embaixo do lençol
Aquela triste faceta
Um minuto era um mês
Olha o relógio outra vez
Batendo feito o capeta.

Depois, se passar das onze
Ele estaria salvo
Daquela situação
Não seria mais o alvo
Mas o tempo é assim
Quando quer fazer pantin
Não dá nem um intervalo.

Passava das dez e meia
Quando chegou o destino
Bateu na sua cabeça
Feito badalo de sino
Ali naquele momento
Veio no seu pensamento
Sair daquele pepino.

Pegou o despertador
Atrasou em quatro horas
Em seguida adormeceu
Feito anjos na aurora.
Isto já faz vinte anos
Vivinho e cheio de planos
Nem pensa em ir embora.

Decepção! TV CNN Brasil será um “puxadinho” da Record para apoiar o governo

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Charge do JR Mora (Arquivo Google)

Deu no Portal Imprensa

A CNN Brasil anunciou nesta segunda-feira (dia 11) mais três integrantes de sua estrutura. Os jornalistas Leandro Cipoloni e Virgilio Abranches serão, respectivamente, vice-presidentes de jornalismo e de programação e multiplataforma. O jornalista Fabiano Falsi será o chefe de redação. A dupla será responsável pela gestão editorial a operacional da emissora em todas as plataformas. Abranches deixou a Record TV, onde estava desde 2014, para se juntar ao novo projeto.

EX-RECORD – Cipoloni era diretor de jornalismo tanto do portal R7 quanto da TV. Ele comandava a estrutura técnica e operacional de 11 horas de telejornalismo na emissora e também liderou o núcleo investigativo da casa tendo sido responsável pelas reportagens que culminaram com a renúncia da antiga presidência da CBF e que originaram o livro “O Lado Sujo do Futebol”, finalista do prêmio literário Jabuti. A dupla atuará junto ao vice-presidente de conteúdo, Américo Martins, anunciado no cargo na semana passada e que trabalhou na RedeTV e na EBC.

Falsi também trocou a Record TV pela CNN Brasil. Nos três últimos anos, ele foi responsável por comandar o jornalismo da Record na Bahia. Antes, teve passagens pelas rádios Globo e Eldorado, jornal Agora, portal Terra e pelas TVs Globo e SBT.

Até o momento, única emissora nacional afetada pelas movimentações com a chegada da CNN Brasil, a Record TV inicia a semana promovendo mudanças em seu departamento de jornalismo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É mais uma decepção. Quando se pensava que estava surgindo uma nova emissora de TV no Brasil, o fato é que a CNN não passa de um “puxadinho” da TV Record, pois será dirigida por Douglas Tavolaro, o “biógrafo” de Edir Macedo.  A esperança da Record com a CNN Brasil é enfrentar a GloboNews, que jamais teve sua hegemonia ameaçada pela RecordNews. Na verdade, o jornalismo brasileiro precisa de veículos independentes, mas a CNN Brasil será uma emissora criada exclusivamente para agradar e apoiar o governo Bolsonaro, de olho nas verbas publicitárias que serão parcialmente retiradas do grupo Globo. Isso nada tem a ver com jornalismo. (C.N.)

Governador Zema, de Minas, dá exemplo e manda leiloar o jatinho estadual

Deu em O Tempo

Uma publicação postada na tarde desta quarta-feira (dia 13), na conta oficial do governador Romeu Zema, no Instagram, intrigou os seguidores do administrador. O post em questão anuncia a venda de um avião “muito usado, mas bem conservado”.

A aeronave Learjet, modelo 35A, pertence à frota aérea do governo de Minas Gerais e, de acordo com a legenda postada, é apenas o primeiro avião colocado à venda entre aqueles que serviram aos ex-governadores do Estado. No post, Zema afirmou que “a farra dos voos em Minas vai acabar”.

O lance inicial para o leilão, realizado pelo Sistema Eletrônico de Leilões, gira em torno dos R$ 2 milhões e foi informado que, além do bom estado de conservação, a aeronave está com a manutenção em dia. Até o momento, a assessoria do governador não informou qual o destino da quantia arrecadada no leilão e nem se outras aeronaves terão o mesmo destino do Learjet.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Parabéns ao governador mineiro, que enfrenta uma crise terrível. O exemplo se dá em casa, diz o ditado. Na verdade, R$ 2 milhões nada significam no Orçamento estadual, mas valem uma fortuna em termos de ética e respeito ao interesse público. Espera-se que seu exemplo seja seguido em outros estados e municípios que gastam os recursos públicos com mordomias para os governantes. (C.N.)

Deveria haver um certo recato da TV Globo no apoio à reforma da Previdência

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Charge do Ivan Cabral (Arquivo Google)

Rubens Barbosa Lima

Alguém poderia orientar os jornalistas da Globo e da Globonews a mostrarem um certo recato…, um certo pesar…, na divulgação da pretendida “reforma” da Previdência Social e do apoio explícito ao ministro da Economia, Paulo Guedes, afinal de contas, as Organizações Globo são oposição ao Governo Bolsonaro. São? Ou não são?

Alguém poderia ainda explicar para estes jornalistas que se recomenda o recato, porque esta “reforma” pretende única e exclusivamente retirar direitos conquistados com sacrifícios pelo Povo Brasileiro, ao invés de combater privilégios de alguns (como por exemplo – juízes, procuradores, deputados federais, senadores e militares).

A alegria eufórica demonstrada por estes jornalistas, além de não pegar bem, ofende o Povo Brasileiro e sugere que são interessados neste crime que se pretende praticar contra a cidadania, em benefício da manutenção criminosa do Sistema da Dívida Pública no Brasil.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente suelto, como antigamente chamávamos os pequenos editoriais. Além d postura tendenciosa denunciada por Rubens Barbosa Lima, é preciso lembrar que muitos desses jornalistas são “pejotas” (falsas pessoas jurídicas), ganham altíssimos salários e “legalmente” sonegam Imposto de Renda e INSS, permitindo que a empresa também sonegue “legalmente” estes Impostos e também o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Mas quem se interessa? (C.N.)

Membro da equipe econômica elogia a Vale e compara tragédia à queda de um avião

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Mattar é um personagem sinistro, saído de um filme de terror

Manoel Ventura
O Globo

O secretário especial de Desestatização e Desinvestimentos, Salim Mattar, responsável por tocar a agenda de privatizações do ministro Paulo Guedes (Economia), defendeu, nesta quarta-feira, não “demonizar” a Vale após o rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho. Ele comparou o desastre em Minas Gerais a queda de um avião.

— Nós temos uma média de um ou dois grandes aviões (que caem) por ano. Morrem 120, 250 pessoas. Quando acontece um acidente dessa monta pede-se que a diretoria caia, demoniza-se a companhia, ou os órgãos buscam as causas? Em Brumadinho caiu um grande avião, ou dois aviões. Como seria um tratamento de uma companhia aérea? — perguntou o secretário.

NO SEU CPF – Para o secretário, os responsáveis devem responder no seu CPF, mas a empresa tem que ser preservada para manter empregos e a arrecadação de impostos. Segundo ele, cabe às empresas reparar os danos ambientais e pagar as indenizações devidas.
– Eu sou a primeira voz dentro do governo a defender a Vale. Defendo que um gerador de riqueza e emprego que tem um histórico espetacular, já foi penalizada perdendo bilhões de reais. Não deveríamos separar a empresa dos CPFs responsáveis? — questionou.

— Quando aconteceu o evento da Samarco, eu presenciei e fiquei horrorizado a que ponto chegamos. Eu presenciei a imprensa, Ministério Público, Polícia Federal, sociedade civil como eles destruíram a reputação de uma companhia espetacular chamada Samarco. Nem uma única voz levantou a favor da Samarco se não fosse eu — relatou. — Demonizaram a Samarco, quando nós devíamos correr atrás dos CPFs, das pessoas que foram responsáveis pelo desastre. A empresa tem que arcar com os aspectos indenizatórios.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esse empresário sinistro e calculista (grupo Localiza) precisa ser demitido imediatamente, não pode fazer parte do governo, sua participação depõe contra a honorabilidade de Bolsonaro. Quando um avião cai por descaso da manutenção ou da empresa, como a Lamia do time da Chapecoense, a imprensa imediatamente divulga. No caso de Brumadinho, já se sabe que a culpa é da diretoria da Vale, que deveria estar atrás da grades, mas isso não acontecerá. Aliás, esse tal de Samir Mattar faz jus ao sobrenome. Nota-se que não se importa em matar, se for para ganhar dinheiro. Mas se uma filha dele estivesse entre as vítimas, será que ele defenderia a Vale???. (C.N.)

Filho de Bolsonaro desmente Bebianno, que deve pedir demissão do governo

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Carlos Bolsonaro desmentiu o ministro Bebianno no Twitter

Deu na Folha

O vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) afirmou nesta quarta-feira (dia 13) em rede social que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, mentiu ao dizer que conversou três vezes com seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, no dia anterior. “Ontem estive 24h do dia ao lado do meu pai e afirmo: ´É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano [sic] que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo Antagonista´”, disse Carlos Bolsonaro.

A postagem do filho do presidente, em rede social, foi feita na conta do vereador no Twitter.  Minutos depois, o filho do presidente adicionou um áudio de Bolsonaro se negando a atender uma ligação. E publicou mais uma mensagem: “Não há roupa suja a ser lavada! Apenas a verdade: Bolsonaro não tratou com Bebiano o assunto exposto pelo O Globo como disse que tratou”: pic.twitter.com/pJ4bkvMMGj

DISSE BEBIANNO – Nesta terça-feira, o ministro Bebianno negara que estivesse protagonizando uma crise no governo Bolsonaro e disse que trocou mensagens sobre o caso com o presidente.

Para negar seu desgaste, especialmente após a revelação pela Folha do esquema de candidaturas laranjas do PSL, Bebianno declarou ao jornal O Globo: “Não existe crise nenhuma. Só hoje falei três vezes com o presidente”.

A manifestação pública do filho do presidente da República reforçou o cenário de fritura do ministro, que enfrentou críticas internas após as suspeitas de laranjas nas eleições de 2018 pelo fato de ele ser presidente interino do PSL na época.

PEDE PARA SAIR… – A pressão de Bolsonaro levou Bebianno a cancelar agendas, e aliados do presidente têm dito extraoficialmente esperar que ele peça para sair do governo.

Nesta quarta-feira (13), a Folha revelou que Bebianno liberou R$ 250 mil de verba pública para a campanha de uma ex-assessora, que repassou parte do dinheiro para uma gráfica registrada em endereço de fachada —sem maquinário para impressões em massa.

Anteriormente, após a Folha revelar a suspeita sobre candidatura laranja em Pernambuco, Luciano Bivar, fundador do PSL e atual presidente da legenda, disse que a decisão de repasse de dinheiro para ela era do então presidente nacional do partido —no caso, Bebianno.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Folha diz que, oficialmente, Bebianno alegou que sua viagem ao Pará foi suspensa porque o presidente pediu que todos os ministros estivessem em Brasília. Mas é “menas verdade”, como diria Lula, porque Bolsonaro mandou o ministro também cancelar agendas, inclusive uma reunião com o vice-presidente de Relações Institucionais da Rede Globo, que é considerada hostil ao governo. A crise existe, portanto, e é grave. (C.N.)

Furioso com Bebianno, Bolsonaro proibiu a viagem de três ministros ao Pará.

Gustavo Bebianno

Bebianno iria hoje a Belém para discutir o pacote amazônico

Tânia Monteiro e André Borges
Estadão

 O governo ia começar o seu plano de desenvolvimento pela região amazônica e enviaria três ministros ao oeste do Pará para avaliar investimentos de infraestrutura e definir grandes obras na região.  Mas o presidente Jair Bolsonaro, insatisfeito com o ministro  Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, mandou abortar a viagem dele, em companhia de Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos).

Eles estariam nesta quarta-feira, 13, em Tiriós (PA) para discutir com líderes locais a construção de uma ponte sobre o Rio Amazonas na cidade de Óbidos, uma hidrelétrica em Oriximiná e a extensão da BR-163 até a fronteira do Suriname.

ENERGIA – A nova hidrelétrica teria, na avaliação do governo, o propósito de abastecer a Zona Franca de Manaus e região, reduzindo apagões. A ampliação da BR-163 – construída nos anos 1970, ainda inacabada e notícia por causa de seus atoleiros – cumpriria uma meta de integração da Região Norte. Já a ponte ligaria as duas margens do Amazonas por via terrestre, ainda feita por travessia de barcos e balsas. O projeto serviria como mais um caminho para o escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste.

Bebianno comparou as iniciativas à retomada do Calha Norte, projeto do governo José Sarney para fixação da presença militar na Amazônia. “A retomada do Calha Norte é fundamental para o Brasil como um todo. Estamos fazendo um mapeamento da região e vamos lá olhar pessoalmente”, afirmou o ministro ao Estadão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Bolsonaro está furioso com Bebianno, por causa das candidaturas-laranjas do PSL, denunciada pela Folha de S. Paulo, com repasse de R$ 400 mil à candidata Lourdes Paixão, secretária do partido em Recife, quatro dias antes da eleição e R$ 380 mil foram gastos numa gráfica também fechada. Espera-se a demissão de Bebbiano ainda hoje, é o que se diz em Brasília. (C.N.)

Sérgio Moro prepara novo pacote para acelerar uso do dinheiro de criminosos

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Luiz Beggiora é um dos criadores da legislação anticrime

Renata Mariz
O Globo

A equipe do ministro da Justiça, Sergio Moro, prepara um segundo pacote de alterações legislativas para ser enviado ao Congresso, desta vez com o objetivo de antecipar a arrecadação do dinheiro decorrente dos bens apreendidos com traficantes e outros criminosos. Além de permitir a venda antecipada de móveis e imóveis produto do crime, o projeto define que o recurso obtido nessa transação já seja depositado na conta do Tesouro para ser destinado a políticas públicas.

Nas regras atuais, essa destinação final dos bens apreendidos só ocorre quando a ação penal transita em julgado, ou seja, esgotam-se as possibilidades de recursos. Se o dono do patrimônio for inocentado ao fim do processo, o governo ficará com o encargo de devolver o montante corrigido em três dias, prevê o projeto em elaboração.

DOIS OBJETIVOS – Mas essa hipótese de devolução é bastante residual, de menos de 10% dos casos, segundo Luiz Beggiora, titular da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), vinculada à pasta de Moro.

À frente da elaboração dos projetos, Beggiora disse ao Globo a medida tem dois objetivos principais: evitar a deterioração dos bens apreendidos que hoje ficam em pátios a céu aberto e tornar mais dinâmico o repasse dos recursos confiscados do crime para projetos de prevenção de drogas, aperfeiçoamento das polícias e programas de reinserção social de dependentes.

— É melhor inclusive para o próprio acusado. Digamos que ele seja absolvido dali a cinco anos, vai preferir receber um bem deteriorado ou o valor corrigido pela Selic? — diz Beggiora.

DEPÓSITO EM JUÍZO – Hoje, é possível fazer a venda antecipada dos bens apreendidos do crime. Uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 2010, orientou juízes criminais nesse sentido no caso de patrimônios que perdem valor com o tempo. O montante arrecadado, no entanto, fica em depósito judicial, rendendo pelo índice da poupança, até o encerramento do processo. O governo quer a correção pela Selic nos cofres do Tesouro, explica Beggiora, com a permissão de gastar.

Apesar da recomendação do CNJ, a venda antecipada dos bens ainda não é uma realidade. Um inventário feito pelo atual governo verificou que há nada menos que 30 mil itens aptos a serem leiloados, cujos processos já transitaram em julgado, e outros 50 mil em poder da Justiça que poderiam ser vendidos. Não há estimativa do valor total do acervo. Ano passado, cerca de 1,2 mil bens foram leiloados, com arrecadação de R$ 6 milhões.

VENDA ANTECIPADA – A atual gestão quer deixar claro em uma futura lei que os bens imóveis, como casas e apartamentos, também podem ser vendidos antecipadamente. Isso porque o próprio Código de Processo Penal (CPP) prevê regras mais rígidas para a alienação desse tipo de patrimônio. A recomendação do CNJ, por sua vez, também é interpretada com a mesma restrição por falar em bens que podem perder valor no tempo, o que, em tese, excluiria os imóveis.

A equipe da Senad quer apressar essa modificação específica, recomendando uma emenda ao projeto de revisão do CPP, cujo relator na Câmara, deputado João Campos (PRB-GO) pediu sugestões da pasta.

UM EXEMPLO – O caso de uma fazenda em Mato Grosso do Sul, avaliada em R$ 20 milhões, que era de um traficante, mas foi dada pela Justiça em favor da União, é usada como exemplo. Sem destinação por anos, a propriedade foi retomada pelo tráfico.

O governo pretende, nesse mesmo pacote de mudanças na lei, criar um sistema de repasse para agilizar a transferência dos recursos provenientes da venda desses bens para as polícias.

— Isso vai estimular esses parceiros estratégicos. Se fizerem um bom trabalho para alienação daqueles bens, terão recursos de imediato — afirma Beggiora.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Moro está comandando uma revolução legislativa que vai permitir que se combate a impunidade. É isso que se espera dele, que está cumprindo a missão a contento. (C.N.)