Votei em Jair Bolsonaro e acho péssimas as suas escolhas (com raras exceções)

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É certo que Bolsonaro vem escolhendo as pessoas erradas

Armando Temperani Pereira

Sempre me vi na esquerda! Nasci em berço getulista e de pai professor de economia e um dos maiores conhecedores da obra de Marx. Nunca esposou paixão política em aula, fato de que se orgulhava. Como dizia ele, sua obrigação era ensinar e traduzir as versões dos clássicos seja de que tendência fossem. O conhecimento não pode sofrer preconceitos e tabus. Para ter raízes, o conhecimento precisa ter profundidade e universalidade. Assim, sempre convivi bem com aqueles que pensam de forma adversa.

O idealismo é sempre bom, seja de que lado for, forma o pensamento dinâmico. Já as doutrinas criam paixões e formam dogmas estáticos e cruéis.

ATRASO MACARTHISTA – Digo isto porque mesmo de esquerda e tendo sofrido no golpe militar de 1964 com prisão, com cassação e tortura na família e nos amigos, vi a estupidez da pretensão militar no atraso da doutrina macartista do pós guerra e xenófobos degenerados e antissociais.

Negar a ditadura militar e seus atropelos e roubalheiras é desconhecimento histórico. E apoiar suas torturas é ignorância humana e desequilíbrio mental.

Votei em Bolsonaro. Mas por uma causa melhor. Acabar com a esquerda de merda que se apresentou após a abertura. Lula surgiu como um meteoro nos espaços sindicais consentido e apoiado por inteligência militar. Não tenho dúvidas!

APARELHAMENTO – Como continuar com um Estado que não instrui doutrina e está aparelhando um partido que quer se perpetuar no poder às custas de um povo cada dia mais ignorante e pedinte Os programas do PT, não tem um que não seja para cargos, distribuir dinheiro aos seus sectos e a escravizar seus militantes a troco de pouco troco como esmola.

Um partido de trabalhadores que desprezava e despreza Getúlio Vargas. Um partido de gente sem qualificação e degenerados sociais, formado por grupos de complexados e despeitados.

Acredite, o racismo negro é oficializado com as cotas raciais. Os sem terra ganharam diploma de vandalismo, mas não a reforma agrária. Os Índios conseguiram enormes reservas para permitir o extrativismo das riquezas nacionais em roubalheiras ainda não apuradas.

LULOPETISMO – Nunca fui e nunca serei petista. Tenho muitos amigos nesta “agremiação”, mas sempre soube de seu pecado original ou pecado mortal de ser filho biológico do SNI e filho do engano paterno de um povo engando e amargurado. Que não quer acreditar na verdade!

Não sou contra Bolsonaro, ele faz o que prometeu. Sou oposição às idéias dele. Sou inimigo dos traidores da esquerda, do petismo e da prepotência medíocre.

Bolsonaro acredita que governará com homens que têm a mesma ideia retrógrada de Estado e que governam acreditando em milagres. Mas suas escolhas tem sido péssimas, com raras exceções.

Sem cubanos, 600 municípios podem ficar sem médico na rede pública

Cuba enviava profissionais para atuar no Brasil desde 2013

Fernanda Calgaro
G1

Com a saída dos cubanos do programa Mais Médicos, cerca de 600 municípios brasileiros podem ficar sem nenhum médico da rede pública a partir do dia 25 de dezembro, segundo o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). De acordo com o presidente da entidade, Mauro Junqueira, nessas cidades há apenas médicos cubanos, que começam a deixar o programa federal em 25 de novembro – a data já constava de um comunicado do governo cubano a médicos que atuam no Paraná. Os últimos cubanos deverão deixar o país até o Natal.

Na última quarta-feira, dia 14, o governo de Cuba anunciou a decisão de deixar o Mais Médicos, citando “referências diretas, depreciativas e ameaçadoras” feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro à presença dos médicos cubanos no Brasil. Bolsonaro afirma que o governo cubano deixar o programa por não concordar com o teste de capacidade. Para ele, é “desumano” dar aos mais pobres atendimento médico “sem garantia”.

EDITAL – Cuba enviava profissionais para atuar no Brasil desde 2013, quando o programa foi criado durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Pouco mais da metade dos atuais 16 mil participantes do Mais Médicos são de Cuba. Como medida emergencial para suprir as vagas que serão abertas, o Ministério da Saúde disse que lançará um edital nos próximos dias. Na segunda-feira, dia 19, representantes do Conasems e do Ministério da Saúde vão se reunir para discutir detalhes do edital. Junqueira explica que o objetivo é tentar encurtar ao máximo os prazos de convocação dos novos médicos para preencher o quanto antes as vagas.

“O ministério se comprometeu a publicar o edital e aí tem os prazos legais para a primeira chamada. Queremos ver se é possível diminuir os prazos para os primeiros médicos já começarem a trabalhar em fevereiro [de 2019]”, afirmou. Na avaliação dele, a situação nesses cerca de 600 municípios deverá ficar mais crítica em janeiro, quando os médicos cubanos já terão partido e os brasileiros ainda não estarão aptos a trabalhar.

“Se for apenas um mês, dá para passar, mas ficará muito complicado se demorar três ou quatro meses para preencher essas vagas”, disse. Segundo ele, a situação se agrava porque atualmente já há cerca de 1.600 vagas dentro do programa não preenchidas.

CHAMADAS – Pelas regras do Mais Médicos, os médicos brasileiros e estrangeiros formados no Brasil têm prioridade para ingressar no programa. Depois, são convocados médicos formados fora do Brasil que tenham revalidado o diploma no país, com o exame chamado Revalida. Na sequência, são chamados médicos brasileiros formados no exterior. Depois, a regra prevê que sejam convidados médicos estrangeiros formados no exterior.

Somente depois dessas etapas é que governo brasileiro oferecia as vagas aos médicos cubanos. Segundo Mauro Junqueira, nos últimos editais, só médicos brasileiros ingressaram no programa. Para substituir os cubanos, uma das alternativas estudadas pelo Ministério da Saúde é chamar médicos brasileiros que se formaram usando recursos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Em troca, eles teriam parte da dívida do financiamento abatida. Os detalhes da proposta, que será levada à equipe de transição de Bolsonaro, ainda não estão fechados, segundo o ministro da Saúde, Gilberto Occhi.

Bolsonaro precisa de um certo isolamento para conseguir planejar seu governo

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Jair Bolsonaro precisa se recolher para depois emergir 

Waldemar Valim

É preciso sedimentar o terreno para os brasileiros que confiam e acreditam em Jair Bolsonaro e também para aqueles que não votaram no candidato do PSL, mas continuam a torcer a favor do Brasil, não importa quem esteja à frente do governo. Na esteira da continuidade dos resultados obtidos nas urnas, agora é preciso oferecer ao futuro presidente um voto de confiança de que continuamos a acreditar e estamos certos de que novos rumos benfazejos este país irá usufruir.

Para que isso ocorra, é necessário promover um certo isolamento do novo chefe do governo, para que tenha paz e tranquilidade no planejamento de sua administração, não tendo que se preocupar com os problemas da China, da capital de Israel e dos médicos cubanos que ainda estão entre nós.

QUESTÃO DE OPÇÃO – O presidente Bolsonaro precisa se ver como um bom estrategista, como ficou provado em sua vitoriosa campanha, feita sem espaço na TV e sem os generosos recursos públicos oferecidos aos grandes partidos políticos.

Haverá tempo para que Bolsonaro se dedique à política externa, para elevar o país a um patamar acima da situação atual, em que se procura fazer do Brasil um mero quintal, aniquilando suas potencialidades e colocando o país numa atitude de subserviência, com seu povo em baixa estima e complexo de inferioridade.

No momento, porém, é hora de concentrar esforços para resolver os principais problemas internos do país. Por isso, faria muito bem ao presidente eleito conquistar seu isolamento das mídias impressas e televisivas.

ÉTICA E MORAL – Os dois principais problemas do Brasil são de ordem ética e moral, que provocam desigualdade de renda, falta de hospitais, criminalidade, insegurança e todas as mazelas que nem é preciso citar. Quando o governo mostrar sua disposição para moralizar a administração pública e a política, o presidente não precisará temer a ninguém. Se explicar ao povo os meandros da política, os partidos serão pressionados a colaborar e nada impedirá a retomada do desenvolvimento socioeconômico há muito esperado.

Nesta escalada, teremos sempre em tempo real a informação através da nova mídia que elegeu o presidente, e daí saberemos das tentativas de fisiologismos, achaques e manobras nada republicanas, se assim ocorrer, o que é muito provável.

Com a verdade coadunada com o povo, que fará sua principal armadura, o governo Bolsonaro tem tudo para ser bem sucedido, inclusive porque conta com apoio das Forças Armadas, cujas equipes especializadas podem colaborar com o governo de uma forma mais direta. E assim o Brasil será um grande país acordado e nunca mais um país inconsciente e corrompido.  

PSL dará ‘curso’ a novatos eleitos para fortalecer Bolsonaro no Congresso

Terminada a eleição, Bivar retomou o comando da legenda

Marianna Holanda,
Pedro Venceslau e
Cecília do Lago
Estadão

Nanico até março deste ano, o PSL terá a missão de dar sustentação no Congresso ao presidente eleito, Jair Bolsonaro. O partido saltou de um parlamentar eleito em 2014 para a segunda maior bancada da Câmara na próxima legislatura, com 52 deputados. Destes, segundo um levantamento do Estadão Dados, 47 nunca haviam sido eleitos para prefeito, governador, assembleias legislativas ou o próprio Congresso.

Com uma bancada cuja diversidade varia de youtuber a coronel, o desafio será dar unidade ao grupo parlamentar. Para isso, o partido pretende capacitar seus parlamentares com uma bateria de “aulas” sobre temas como regimento da Câmara, economia e saúde. Segundo o presidente da sigla, Luciano Bivar, as palestras devem acontecer em janeiro, após a posse de Bolsonaro. Filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP), no final de seu primeiro mandato, é um dos mais experientes na bancada. No entanto, existe apenas um projeto de lei aprovado com a sua assinatura – que liberou para a venda a chamada “pílula contra o câncer”.

Recentemente, ele se envolveu em polêmica, ao dizer que o novo presidente da Câmara deveria “tratorar” os projetos da oposição.  A legenda recebeu neste ano R$ 6,2 milhões de Fundo Partidário, que saltará para a maior fatia, com R$ 110 milhões em 2019, segundo estimativa do Estado. Há ainda uma chance de a bancada aumentar, com a incorporação de partidos ou deputados de siglas que não ultrapassaram a cláusula de barreira.

REUNIÃO – O desafio a partir de agora será estruturar o partido para a nova estatura e tornar a bancada a mais coesa possível, como disse Bivar ao Estado. A primeira reunião dos parlamentares eleitos desde o fim do segundo turno foi antecipada em uma semana – será na próxima quarta-feira, dia 21. No encontro, a sigla deve discutir encaminhamento de bancada, escolha de líder e prioridades do governo no Congresso, especialmente as reformas econômicas.

“A ideia é dar boas vindas e ter uma palestra sobre o liberalismo do Partido Social Liberal. Os deputados são eleitos e são colegas, mas não se conheciam antes. Tem deputado que nem eu conheço”, disse Bivar. As aulas serão organizadas, segundo ele, pela Fundação do partido, o Instituto de Inovação e Governança (Indigo). Atualmente, a fundação continua sob o comando do filho de Bivar, Sérgio, que deixou o partido em fevereiro com outros membros do Livres, depois que o clã Bolsonaro migrou para a legenda.

RETRIBUIÇÃO – No próximo ano, quem deve comandar o braço teórico da legenda é Marcos Cintra, o economista responsável pela área tributária na equipe de Paulo Guedes, futuro ministro da Economia. O professor da FGV também deve ministrar as aulas para a bancada do PSL, ao lado de Eduardo Bolsonaro. Há ainda a possibilidade de o partido pleitear a presidência da Câmara. O apoio do DEM ao governo Bolsonaro está vinculado à retribuição dos bolsonaristas em dar suporte à manutenção de Rodrigo Maia (DEM-RJ) no comando da Casa. Parlamentares do PSL, no entanto, ainda relutam em apoiá-lo.

O PSL existe desde 1994, mas se projetou com a entrada de Bolsonaro neste ano. Para abrigar a família, o partido realizou algumas mudanças no estatuto e Bivar abriu mão da presidência para dar lugar a um dos assessores de Bolsonaro durante a campanha, o advogado Gustavo Bebianno. Terminada a eleição, o pernambucano de 73 anos, fundador do PSL, retomou o comando da legenda. Até a última sexta-feira, dia 16, apenas dois dos 27 diretórios estaduais não eram provisórios. Foi feita uma votação que homologou os presidentes interinos e reconduziu Bivar, oficialmente, para a presidência da sigla.

ALTERAÇÕES – “O Bivar é o mais experiente ali. Sabe o que faz. Se ele achar que deve compor a executiva nacional com eleitos, ok. Se o critério for número de votos ou experiência, ok. Eu assino embaixo”, disse a deputada federal eleita por São Paulo, Joice Hasselmann. Segundo apurou o Estado, o estatuto da sigla deve sofrer algumas alterações. O presidente do PSL admite mudanças para adaptar o partido a algumas questões técnicas estabelecidas pelo TSE, mas um interlocutor afirmou que outros pontos também podem ser modificados.

Questionado se avalia que deveriam haver mudanças no partido, o deputado eleito Carlos Jordy (RJ) lembra que quando entrou para o PSL, no início do ano, o nome foi um dos pontos mais polêmicos. “Quando pegamos o partido, se questionou muito a sigla ‘partido social liberal’ porque nosso grupo é muito mais conservador nos costumes e liberal na via econômica. E social liberal tende muito mais para liberalismo libertário.”

O vereador de Niterói, egresso do PSC, disse que está mais focado em estudar para sua estreia na Câmara do que se envolver em questões partidárias. Para ele, seria “bacana mudar o nome mais para frente, mas isso está a cargo da nacional”.

“Mais Médicos” é uma crise política que pode ser resolvida com facilidade

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Charge do Cazo (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

A crise que pode afetar milhões de brasileiros com a saída imediata dos médicos cubanos deve ser atribuída, em primeiro lugar, ao governo de Cuba, que decidiu usar os carentes brasileiros para retaliar um governo de direita que venceu a eleição presidencial com críticas ao programa e a Cuba. Ficou claro que o governo Bolsonaro iria exigir que os médicos cubanos fizessem o teste para revalidação do diploma, com o que Cuba não concorda. A exigência nem é uma decisão ideológica, mas as críticas ao que seria “trabalho escravo” dos médicos, sim, e com razão.

A forma de pagamento do trabalho, com o governo cubano ficando com a maior parte do salário, e a proibição de que as famílias dos médicos viajem junto, representam uma atitude de governo que não se coaduna com os hábitos e costumes de uma democracia, com uma ameaça implícita aos que deixaram suas famílias por lá.

SOLUÇÃO FÁCIL – A saída poderia ter sido anunciada com antecedência, para não deixar desamparados os milhões de brasileiros atendidos pelos médicos nos rincões do país. A solução, porém, é mais fácil do que parece.

No lugar dos cerca de 8 mil médicos cubanos que deixarão o país, basta convocar imediatamente os cerca de 8 mil médicos que se candidataram na mais recente seleção para o programa, para apenas 983 vagas oferecidas aos brasileiros.

O programa, na verdade, pode ser feito integralmente por médicos brasileiros, pois o fato é que o país não tem falta de médicos, mas o problema é a má distribuição deles pelo território nacional. Mais da metade está no eixo MG, RJ, SP, PR, SC E RS.

MAIS DO DOBRO – Segundo o médico Marco Lages, do hospital Miguel Couto no Rio, temos mais que o dobro da recomendação da Organização Mundial de Saúde, em vez de um mínimo de 1 médico para cada mil habitantes, temos 2,18.

O problema começa por um dos princípios do SUS, transferir a responsabilidade da gestão da saúde para cada município ou estado. Um médico que aceita proposta de uma prefeitura para trabalhar em outra cidade, larga tudo para se transferir para essa região, não tem garantias e pode se dar mal quando muda o prefeito ou acaba a verba. Lages diz que essa situação é comum.

Com a chegada do Mais Médicos, diversos desses brasileiros foram demitidos para a contratação de cubanos. A fonte do pagamento passou a ser o Governo Federal, os estados e municípios ficam sem esse gasto. Além disso, o Governo Federal tinha o interesse político de usar o programa cubano, que é uma das maiores fontes de recursos de Cuba, a exportação de mão de obra médica.

PLANO DE CARREIRA – O médico Marco Lages diz que a alocação de médicos brasileiros poderia ser organizada com um Plano de Carreira de Estado que Bolsonaro prometeu na campanha presidencial. A formação desse médico cubano que se transformou em um produto de exportação tão ou mais importante que a cana-de- açúcar e o tabaco, é criticada pelo Conselho Federal de Medicina, que os vê como técnicos preparados para emergências, mas não com a formação completa, e por isso o Revalida deveria ser um filtro.

O médico Francisco Cardoso, perito previdenciário em São Paulo, escreveu um artigo no portal do Conselho Federal de Medicina no início do programa Mais Médicos contando a origem desses médicos cubanos, profissionais formados em “saúde básica”, que trabalham em áreas remotas, rurais e periferias, com base em experiências bastante antigas feitas na Alemanha e na antiga União Soviética. São, segundo ele, práticos de saúde, ou paramédicos como são chamados hoje em dia, e exerciam cuidados básicos junto às populações dessas regiões.

OUTROS EXEMPLOS – Lages relembra que não somos o único país continental com problemas de acesso à saúde no interior. Canadá e Austrália passam por isso também. E como eles resolveram? Com médicos estrangeiros, mas com uma diferença: todos são avaliados em 2 ou 3 fases antes de assumir o emprego no Yukon ou no Outback, ambientes tão inóspitos quanto a caatinga ou a selva amazônica. 

Seria até possível usar paramédicos ou técnicos médicos para uma ação de emergência em áreas carentes nos rincões brasileiros. Seria possível também fazer trabalhos sociais em regiões inóspitas, dentro do espírito de pagar o financiamento do FIES estimulado pelo governo, como está em estudos. Já sabemos que no momento existem pelo menos 8 mil médicos brasileiros querendo trabalho.

No jardim da fantasia, a saudade de um amor que já não se encontra

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Paulinho, em show com Rogério Flausino, do Jota Quest

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor, compositor e poeta mineiro Paulo Hugo Morais Sobrinho nasceu na cidade de Pedra Azul, a qual adotou como nome artístico. É tido como um dos cantores mais conhecidos de Minas Gerais. Sua música registra influências que vão desde os Beatles e o samba até o mineiro Clube da Esquina. A música “Jardim da Fantasia” foi composta em Pedra Azul, numa época em que ele estava voltando pra lá, depois de morar um ano em Vitória, no Espírito Santo, antes mesmo de sair de lá pra morar em São Paulo. “ Ela foi feita pra uma namorada, digamos, a minha primeira namorada séria. Sei que às vezes o pessoal comenta que a música é pra alguém que morreu”.

Paulinho Pedra Azul salienta que, acabou fazendo essa canção, inspirado realmente na relação com essa namorada, na separação. “Onde estás? Voei por esse céu azul…”. A música fala de alguém que sonha e, quando acorda, não acha a outra pessoa. E muita gente interpreta que esse “Onde estás?” é porque a outra pessoa morreu. “Eu tento explicar que não, mas não tem jeito. A força do povo é maior, isso virou folclore mesmo (risos)… Então, deixa o povo. Já que ele se apoderou dessa música, deixa cada um interpretar da sua forma”, acrescenta Paulinho. A música intitulou o LP “Jardim da Fantasia” gravado por Paulinho Pedra Azul,  em 1982, pela BMG/Ariola.

JARDIM DA FANTASIA
Paulinho Pedra Azul

Bem te vi, bem te vi
Andar por um jardim em flor
Chamando os bichos de amor
Tua boca pingava mel
Bem te quis, bem te quis
E ainda quero muito mais
Maior que a imensidão da paz
Bem maior que o sol
Onde estás?
Voei por este céu azul
Andei estradas do além
Onde estará meu bem?
Onde estás?
Nas nuvens ou na insensatez
Me beije só mais uma vez
Depois volte prá lá.

Lewandowski nega pedido do PSOL que questionava reajuste do Judiciário

Alegação do PSOL é que houve vício na tramitação do projeto

Karla Gamba
O Globo

O ministro Ricardo Lewandowski , do Supremo Tribunal Federal ( STF ), negou, nesta sexta-feira, DIA 16, um pedido do PSOL que questionava o aumento de 16,38% no salário dos ministros do próprio STF. A alegação principal do partido é que houve vício na tramitação do projeto no Congresso.

O aumento foi aprovado no Senado no último dia 7 e no dia seguinte o líder do PSOL na Câmara, deputado Chico Alencar, protocolou um mandado de segurança na Corte.  No pedido o PSOL argumentava que, como houve uma alteração do texto no Senado, ele deveria voltar para a Câmara, onde já havia sido aprovado em 2016, o que não aconteceu pois o texto seguiu direto para a sanção do presidente Michel Temer.

A expectativa é de que Temer sancione o reajuste até o dia 28, último dia de prazo. Lewandowski aplicou entendimento já pacificado na Corte de que os supostos vícios apontados pelo PSOL tratam de interpretação de normas do regimento interno do Congresso, sendo assim, questões internas do Poder Legislativo, onde o Judiciário não pode avançar.

TETO – O reajuste aprovado pelo Senado é de 16,38% nos rendimentos dos ministros do STF. Os contracheques passarão de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil. Esse percentual incide nos salários de toda a magistratura do país. A medida implica, ainda, no aumento do teto dos servidores públicos. O impacto do reajuste é bilionário e incidirá no orçamento do presidente eleito Jair Bolsonaro. Segundo cálculos de técnicos da Câmara, o rombo para os cofres públicos será de R$ 4 bilhões.

Brasil tem enorme potencial turístico, mas não sabe como atrair os visitantes

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Vanderson Tavares

Vejo com bons olhos que o futuro Presidente tem excelentes ideias para alavancar o turismo nacional. É notório que nosso país é repleto belezas naturais, porém sem estímulo ao turismo, o setor está muito aquém ao seu potencial. Particularmente falarei de minha área. Moro em Araruama-RJ, e a chamada Região dos Lagos é um polo turístico muito extenso, impulsionado por cidades como Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Maricá e Saquarema. No entanto, poderíamos ter uma qualidade turística muito maior do que temos, se pudéssemos oferecer melhor infraestrutura a essas cidades.

Para começo de conversa, o ministério do turismo deveria fazer parceria com o MEC ou alguma instituição, no intuito de oferecer curso de idiomas (inglês, entre outros), aos garçons e profissionais da rede hoteleira, pois a grande parte de turistas estrangeiros não consegue ter um bom atendimento decorrente da falta de comunicação.

DIFICULDADE – Na maioria das cidades turísticas dificilmente se encontra algum restaurante ou pousada que tenham profissionais que falem inglês. Isso de fato desestimula muito a malha turística brasileira.  

Trabalhei por 18 Anos com noruegueses, e essa questão de idiomas era a maior dificuldade (em hipótese alguma deveríamos perder turistas como esses, que possuem grande poder aquisitivo). Essa nossa deficiência faz com que eles busquem países onde não terão problemas para se comunicarem.

SEGURANÇA – Outro ponto abordado é a questão da segurança. Por que não criar zonas turísticas nas cidades, conforme existe em Amsterdã? Lá, na chamada “red light zone”, existe uma grande quantidade de atuando em forte esquema de policiamento, tipo 24 horas, oferecendo segurança aos turistas. Isso é difícil fazer? Não! Basta que possamos delimitar esses polos turísticos e oferecer ronda policial constante, pois inibiria haver assaltos, furtos e violências brutais.

E OS CASSINOS? – Uma outra fonte de turismo que poderíamos oferecer seria a abertura de cassinos. Temos o exemplo de Las Vegas, Atlantic City, Punta del Este e tantas outras que têm uma enorme presença turística de pessoas com alto poder aquisitivo.

Poderíamos fazer isso em cidades litorâneas do Nordeste, pois teria o atrativo das belas praias e com seus grandes cassinos, impulsionando o mercado imobiliário e a economia local.

Araruama (onde moro), tem uma lagoa enorme, onde poderia ser incentivado a prática de esporte aquáticos como “StandUp Paddle” dentre outros, oferecendo campeonatos nacionais e internacionais, impulsionando o turismo local.

SEM LUZ – Com relação a infraestrutura, gostaria também que fosse analisado por que a Rodovia Amaral Peixoto (RJ-016) e a Rodovia dos Lagos (RJ 124) têm centenas de postes que custaram uma fortuna e estão instalados há mais de 5 anos, sem que uma única lâmpada tenha sido acesa, tornando muito perigoso o acesso à Região dos Lagos à noite, sem contar que as estradas estão em péssimo estado de conservação, e a pista privatizada (Via Lagos) cobra, covardemente, o pedágio mais caro do Brasil.

O Ministério do Turismo terá que se inventar para contornar todos esses temas e nos colocar na roda do turismo mundial.

Senadores eleitos gastaram até R$ 26 por cada voto que conquistaram

Charge do Arionauro (www.arionaurocartuns.com.br)

Gabriela Caesar
G1

O custo do voto dos 54 senadores eleitos para compor a Casa, junto aos demais eleitos em 2014, variou de R$ 0,03 a R$ 26,21. Mecias de Jesus (PRB-RR) teve o custo do voto mais alto entre os eleitos para o Senado. Ele declarou ao TSE despesas de R$ 2,2 milhões e conquistou 85.366 votos. Cada voto do senador eleito saiu, portanto, por R$ 26,21. O menor custo do voto foi de Major Olímpio (PSL-SP), que informou gastos de R$ 278,9 mil e recebeu 9.039.717 votos. Cada voto ficou por R$ 0,03. No levantamento do G1 com os dados dos 513 deputados federais eleitos, a média do custo do voto foi de R$ 10,10.

Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deve notificar, no prazo de cinco dias, os candidatos que não apresentaram as contas até 6 de novembro. Após a notificação, os candidatos têm um prazo de 72 horas para regularizar a situação. Depois de Mecias de Jesus, os votos saíram mais caro nas candidaturas de Márcio Bittar (MDB-AC) e Confúcio de Moura (MDB-RO). Bittar gastou R$ 10,97 a cada voto que recebeu, e Confúcio desembolsou R$ 10,18.

LIMITE – A partir deste ano, há um limite de gastos na disputa ao Senado de acordo com o número de eleitores no estado. O valor do teto varia de R$ 2,5 milhões a R$ 5,6 milhões. Nas eleições de 2010, quando 2/3 do Senado também foram renovados, o custo de voto mais alto foi registrado por Ivo Cassol (PP-RO). Na época, Cassol informou gastos de R$ 7,9 milhões e conquistou 454.087 votos – ou seja, cada voto custou R$ 17,39.

Dos 54 senadores eleitos, a campanha mais cara foi registrada por Mara Gabrilli (PSDB-SP). A tucana informou gastos que totalizam R$ 5,3 milhões. O valor é bem superior ao registrado pela segunda campanha mais cara, a do senador eleito Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Pacheco informou ao TSE gastos de R$ 3,7 milhões. Os senadores que também gastaram mais de R$ 3 milhões na disputa ao Senado foram Eduardo Girão (PROS-CE), Professor Oriovisto Guimarães (PODE-PR), Weverton Rocha (PDT-MA) e Vanderlan Cardoso (PP-GO).

Quatro senadores eleitos informaram despesas abaixo de R$ 100 mil. São eles: Capitão Styvenson (Rede-RN), Soraya Thronicke (PSL-MS), Delegado Alessandro Vieira (Rede-SE) e Marcos do Val (PPS-ES). A campanha com o menor volume de recursos foi a de Capitão Styvenson, com R$ 35,6 mil.

CAMPANHA MILIONÁRIA – Nas eleições de 2010, 29 dos 54 senadores eleitos (53,7% do total) gastaram mais de R$ 3 milhões na campanha. A campanha mais cara entre os eleitos foi de Lindbergh Farias (PT-RJ), que informou despesas de R$ 14 milhões.

Outros três senadores também tiveram gastos acima de R$ 10 milhões em 2010; Aécio Neves (PSDB-MG), Marta Suplicy, então filiada ao PT de SP, e Itamar Franco, que concorria pelo PPS de MG. Jorge Viana (PT-AC) foi quem declarou o valor mais baixo em despesas (R$ 54 mil). Os dois senadores eleitos por São Paulo são os líderes no número de votos entre os eleitos para o Senado. Major Olímpio (PSL) conquistou 9.039.717 votos, enquanto Mara Gabrilli (PSDB) ficou com 6.513.282 votos.

São Paulo é também o maior colégio eleitoral do país, com 33 milhões de eleitores, e concentra 22,4% do eleitorado apto a votar. O terceiro senador eleito mais bem votado foi Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), com 4,4 milhões de votos. Em seguida, vêm os dois senadores eleitos pela Bahia: Jaques Wagner (PT), com 4,3 milhões de votos, e Angelo Coronel (PSD), com 3,9 milhões de votos.

MENOS VOTOS – Os senadores com menos votos foram eleitos por Roraima, estado com 333,5 mil eleitores aptos a votar (0,2% do total). São eles: Mecias de Jesus (PRB), com 85.366 votos, e Chico Rodrigues (DEM), com 111.466 votos. Nas eleições de 2010, o senador mais votado foi Aloysio Nunes (PSDB-SP), com 11,2 milhões de votos. Marta Suplicy e Aécio Neves também ficaram entre os mais bem votados, com 8,3 milhões e 7,6 milhões de votos, respectivamente.

Novamente, os senadores que conquistaram menos votos estavam em Roraima: Angela Portela, então filiada ao PT, com 110 mil votos, e Romero Jucá, que concorreu pelo PMDB (atual MDB), com 118 mil votos.

Eliseu Padilha pede que seja extinta a investigação sobre propina no Trensurb

Defesa alega ‘ausência de provas e prescrição etária’

Agência Estado

A defesa do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, solicitou à ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, o fim da tramitação do inquérito que o investiga por suposto recebimento de propina na execução das obras da Linha 1 da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A. Trensurb (São Leopoldo Novo Hamburgo), no Rio Grande do Sul. No documento enviado à ministra Rosa Weber, relatora do inquérito, a defesa afirma que não há provas do que foi narrado pelos ex-executivos da Odebrech em seus depoimentos.

“Por isso mesmo a investigação, que dura quase dois anos, nada produz de material que confirme a hipótese acusatória”, escreveu o advogado criminalista Daniel Gerber na peça. À Operação Lava Jato, delatores da empreiteira apontaram que, em 2008, políticos e agentes públicos pediram vantagem indevida para a empresa após ter vencido uma licitação para a construção da linha que ligaria as cidades de Novo Hamburgo e São Leopoldo.

PROPINA – Segundo ex-executivos, Padilha teria recebido propina da Odebrecht “entre o fim de 2008 e o início de 2009”. Valter Lana, que trabalhava na empreiteira, contou às autoridades que, durante um encontro, Padilha teria afirmado que tinha ajudado a Odebrecht a vencer a licitação em 2001. À época, o agora ministro-chefe da Casa Civil chefiava a pasta de Transporte do governo Fernando Henrique Cardoso. Em razão disso, teria demandado algo em torno de 1% do valor do contrato.

A defesa pediu ainda a “declaração imediata de extinção de punibilidade do investigado”. O advogado lembrou à ministra Rosa Weber que Padilha é maior de 70 anos, “motivo pelo qual já teve dois inquéritos com pedido de arquivamento solicitado pela própria PGR, em virtude da prescrição etária”. Na semana passada, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu o arquivamento de um inquérito que investiga Padilha por suposta prática dos crimes de prevaricação ou advocacia administrativa, porque entendeu que houve prescrição da pretensão punitiva estatal devido à idade do ministro.

PRESCRIÇÃO – “O caso em concreto demanda solução idêntica, na medida em que se passaram dez anos entre a data do suposto fato e o momento atual, lapso este que, coroado pela regra do artigo 1152, do Código Penal e combinado com os prazos do artigo 1093, do mesmo diploma, acarreta a extinção do poder de punir do Estado”, escreveu o advogado na petição.

“Nem há que se dizer que suposta solicitação possa ter ocorrido em ‘início de 2009’ como obstáculo ao presente requerimento, pois a investigação está ‘estacionada’ há meses sem nenhuma espécie de movimentação probatória e, sem dúvida, inviável de ser concluída no ‘início de 2019’, “, acrescenta. No início de agosto, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu a Rosa Weber a prorrogação do prazo para a conclusão do inquérito por 60 dias por entender que restavam pendentes diligências necessárias à conclusão das investigações.

“Ora, se Vossa Excelência deferir o requerimento da PGR, o limite de ‘início de 2019’ estará automaticamente vencido e a prescrição resta concretizada; caso Vossa Excelência não o defira, o Inquérito será arquivado por falta de provas”, concluiu o advogado.

Esse escandaloso cavalo de Troia chamado Enem

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Percival Puggina

O Enem, desde que caiu em mãos petistas em 2003, virou um cavalo de Troia do tipo que chega relinchando, fazendo sujeira no calçamento, recheado de invasores, braços para fora, acenando bandeiras vermelhas. Pensado, originalmente, com o intuito de avaliar a aprendizagem dos alunos de ensino médio, uma vez confiado ao PT a partir de 2003, virou componente de relevo na máquina totalitária que o partido montou no MEC.

É tão útil como instrumento de propaganda, tão alinhado com as estratégias do partido que se pode intuir nele o dedo mágico dos publicitários da legenda e sua inspiração na Agitprop (agitatsiya propaganda) soviética.

PAUTAS POLÍTICAS – Imagine o contexto: de um lado, uma prova que habilita os bem colocados, num sistema de cotas e notas, a ingressar na universidade sem custo no tempo presente; de outro, um inteiro temário de questões onde as pautas políticas do partido aparecem como textos de motivação, objeto de interpretação, ou respostas a serem assinaladas como corretas. Se estudantes cubanos, venezuelanos, ou nicaraguenses fossem submetidos a algum certame nacional, ele certamente seria assim.

O cavalo de Troia tem o poder de agir nacionalmente e de influenciar a quase totalidade dos estabelecimentos de ensino médio do país, mobilizando algo entre 5 e 7 milhões de estudantes por edição. O atrativo que oferece e a pressão de demanda que determina, leva as escolas a condicionarem seus conteúdos às pautas do ENEM.

TOM IDEOLÓGICO – Desse modo, a burocracia do MEC dá o tom ideológico que devem entoar as salas de aula de todo o país. E depois – imenso paradoxo! – esses cavalheiros que impõem regras a todos, agitam suas bandeirinhas vermelhas em defesa da liberdade de cátedra e da autonomia do professor… Dá-me forças, Senhor!

O Enem dá continuidade a um conjunto de procedimentos que há muito tempo se espalha como inço renitente. É uma praga, do tipo que se infiltra até em rachadura de piso, e envolve provas em concursos públicos, atividades escolares e acadêmicas, critérios para concessão de verbas à atividades culturais, critérios para seleção de estudantes para cursos de pós graduação. E por aí vai.

CARRAPATO IDEOLÓGICO – Quem se surpreendeu com a inclusão de vocabulário pajubá na prova deste ano possivelmente não conhece a música nem metade da letra tocada pela militância de esquerda agarrada no MEC como carrapato ideológico. Imagine o efeito desse e de tantos outros enxertos da prova sobre milhões de alunos que a elas compareceram levando-as a sério. Nenhuma dessas questões estava ali por acaso, nem por falta de assunto útil, mas para dar mais algumas marteladas no processo de desconstrução da nossa cultura e de seus valores.

Espera-se que o governo Bolsonaro esvazie o cavalo de troia, acabe com o Enem, e ponha o sistema a trabalhar em coisa séria, sob gestão qualificada, que tenha em vista a promoção humana de nossa juventude numa cultura de valores para uma vida digna.

Supremo gastará até R$ 3,2 milhões com carros blindados para ministros

STF gasta R$ 24 milhões por ano com empresas de segurança privada

Lorenna Rodrigues
Breno Pires
Estadão

O Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para licitar a compra de carros blindados para o transporte dos ministros da Corte. Depois de o tema da violência ganhar destaque na campanha eleitoral, o órgão, sob orientação da área de segurança, decidiu adquirir 14 veículos blindados para uso dos 11 ministros. O contrato deverá ter teto de R$ 3,206 milhões – vence a proposta de menor valor na concorrência, que será feita por pregão eletrônico.

O edital, que deve ser lançado na próxima semana, prevê a compra de carros sedã de grande porte, sem especificar marca – os R$ 3,2 milhões são uma estimativa baseada em preços do mercado. Os ministros não costumam utilizar carros blindados para se locomover no Distrito Federal, mas apenas no Rio de Janeiro e São Paulo, onde têm à disposição veículos alugados à prova de balas. Brasília tem índices de violência menores na comparação com as duas cidades.

SEGURANÇA – Segundo uma fonte ouvida sob reserva, o STF já dispõe de alguns blindados, mas em baixa quantidade, e não necessariamente para ministros. Ao assumir a presidência do STF, o ministro Dias Toffoli nomeou como assessor de seu gabinete o agora indicado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, para o ministério da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva. Na época da nomeação, uma das responsabilidades atribuídas ao militar era a área de segurança.

Ao longo do ano, foram registradas ameaças a alguns dos magistrados. Em abril, o Supremo ampliou de cinco para sete o efetivo à disposição no Paraná para a segurança do ministro relator da Lava Jato, Edson Fachin, após ele relatar ameaças a familiares. Em outubro, a ministra da Corte e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosa Weber, também foi alvo de ameaças, que motivaram a abertura de investigação.

Segundo dados de maio, o Supremo gasta R$ 24 milhões por ano com empresas de segurança privada – R$ 12 milhões com guarda-costas armados dos 11 ministros e o restante com um contrato de vigilantes da sede em Brasília.

Para o futuro chanceler, a Europa já se tornou “um espaço culturalmente vazio”

Jair Bolsonaro e Ernesto Araujo

Araújo não revela a menor vocação para a Diplomacia

Jamil Chade
Estadão

Textos acadêmicos escritos pelo futuro chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, passaram a circular pela comunidade diplomática em Bruxelas nesta quinta-feira, 15, deixando autoridades da União Europeia preocupados com a postura que o novo governo brasileiro adotará em relação aos europeus. Num desses textos, o novo ministro diz que a Europa significa hoje “apenas um conceito burocrático e um espaço culturalmente vazio regido por ‘valores’ abstratos”.

Suas críticas foram publicadas nos Cadernos de Política Exterior, do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), no segundo semestre de 2017. No texto, o futuro ministro indicado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro sai em defesa das políticas de Donald Trump e seu papel em “salvar” o Ocidente. No Parlamento Europeu, a notícia sobre o novo ministro também foi recebida com “cautela”.

ALIANÇA COM EUA – Nos bastidores da Comissão Europeia, o Estado apurou que a escolha do novo chanceler foi recebida como uma confirmação de que o governo brasileiro buscará uma aliança estratégica com os Estados Unidos. Diante da vitória de Bolsonaro, Bruxelas passou a tentar avançar nas negociações para a criação de um acordo comercial com o Brasil, antes do final do governo de Michel Temer.

Oficialmente, porém, a ordem é a de mostrar o compromisso com Brasília. “A UE e o Brasil tem uma parceria de longa data na esfera internacional em muitas áreas, tais como paz e segurança, comércio, ciência e tecnologia, energia, clima e direitos humanos”, indicou a Comissão em um comunicado. “Não prejulgamos as ações que o futuro ministro de Relações Exteriores tomará uma vez no trabalho e trabalharemos para fortalecer nossa parceria com o novo governo”, declarou.

Mas trechos de seu texto chamaram a atenção nos corredores em Bruxelas, principalmente diante das críticas em relação à construção da UE. Nele, o futuro chanceler aponta que “a fundação da União Europeia anulou, pasteurizou todo o passado”.

SEM HISTÓRIA? – “Os europeus de hoje podem até estudar sua história, mas não a vivem como um destino, muito menos a celebram, nem a entendem como ‘sua’, não veem nela um sentido nem um chamado”, escreveu Araújo.

“É interessante ler lado a lado os historiadores europeus que escrevem hoje sobre a Grécia e Roma, por exemplo, ou sobre qualquer outro assunto, e aqueles que escreviam no Século XIX, antes do grande cataclisma, da grande desnacionalização do Ocidente a partir da Primeira Guerra”, disse. “Aqueles de então viam‐se claramente dentro da História que contavam, participavam, falavam com a paixão e o empenho de quem sente, de quem conhece as pessoas de que fala, eram íntimos de Péricles e Godofredo de Bulhões”, apontou.

“Os de hoje escrevem uma história fria, seus personagens não têm vida, são meras figuras esquemáticas, parece que estão escrevendo história por obrigação, nenhum sentimento do destino ou do mistério os conduz, não têm imaginação, não conseguem ver‐se a si mesmos empunhando uma lança na falange macedônia ou içando as velas na Santa Maria”, destacou o futuro ministro.

NOS ESTADOS UNIDOS – “Já os historiadores norte‐americanos de hoje – pelo menos alguns deles, os que escrevem para o grande público e não para a academia – parecem‐se àqueles europeus do século XIX, pois ainda contam a história americana como uma história de carne e osso, uma história que consegue comunicar o presente com o passado”, comparou.

“A Europa pós‐moderna – junto com os Estados Unidos que, até Obama, cada vez mais se assemelhavam à Europa – viviam ultimamente numa espécie de tanque de isolamento histórico, viviam já fora da história, depois da história, num estado de espírito (ou falta de espírito) onde o passado é um território estranho”, escreveu.

ANTEPASSADOS – “Os europeus de hoje não sentem mais que façam parte da mesma história que seus antepassados, como sentiam até o começo do século XX”, disse.

“Já não se percebem como atores do mesmo drama que colocou em cena os cretenses e seu minotauro, os aqueus às portas de Troia, Eneias caindo de joelhos ao entender que o Lácio era sua terra prometida (salve fatis mihi debita tellus), Salamina e as Termópilas, Alexandre em busca da imortalidade, Aníbal com seus elefantes às portas de Roma, as legiões chegando à Lusitânia e maravilhando‐se ao contemplar pela primeira vez as ondas majestosas do Atlântico”, escreveu.

“Nada disso significa mais nada para um europeu – é como se ele houvesse deixado o palco e sentado‐se na plateia, ‘já não é comigo’”, apontou o futuro chanceler. “Só quem ainda leva a sério a história do Ocidente, só quem continua sendo ator e não mero espectador, são os norte‐americanos, ou pelo menos alguns norte‐americanos. Hoje, é muito mais fácil encontrar um ocidentalista convicto no Kansas ou em Idaho do que em Paris ou Berlim”, completou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSinceramente, o futuro chanceler está na carreira errada. Não  tem a menor vocação para Diplomacia, mas revela invulgar talento para a Sociologia.  Deveria trabalhar no Instituto FHC, para cultuar mais à vontade seu americanismo, que domina o seu ego como se fosse uma espécie de furor uterino intelectual. (C.N.)

Defensoria aciona Justiça para manter as regras do programa Mais Médicos

Cubanos são mais da metade dos médicos deste programa

Deu no G1

A Defensoria Pública da União (DPU) informou nesta sexta-feira, dia 16, ter pedido à Justiça Federal de Brasília que determine à União a manutenção das atuais regras do programa Mais Médicos. A DPU pede que os profissionais estrangeiros não precisem ser submetidos ao Revalida. Na última quarta-feira, dia 14,  o presidente eleito Jair Bolsonaro informou que o governo cubano havia decidido deixar o Mais Médicos por não concordar com o teste de capacidade.

SEM GARANTIA – Para ele, é “desumano” dar aos mais pobres atendimento médico “sem garantia”. O Ministério de Saúde Pública de Cuba, contudo, informou ter deixado o programa em razão de declarações “depreciativas e ameaçadoras” de Bolsonaro. O presidente eleito disse que iria expulsar os cubanos do Brasil. 

“Indica-se como pedido principal, nos termos do art. 303 do CPC/2015, seja determinada à União a manutenção das atuais regras do programa ‘Mais Médicos’ para a participação de médicos estrangeiros de qualquer nacionalidade, condicionando quaisquer alterações, especialmente no tocante a desnecessidade de submissão ao Revalida, à realização de prévio estudo de impacto e comprovação da eficácia imediata das medidas compensatórias que assegurem a plena continuidade do serviços, como medida de Justiça”, argumenta a DPU.

IMPACTO – Conforme a Defensoria, os profissionais cubanos representam mais da metade dos médicos do programa e, por isso, a rescisão “repentina” dos contratos impactará negativamente, deixando 29 milhões de pessoas em um “cenário desastroso” em pelo menos 3.243 municípios. Cuba enviava profissionais ao Brasil desde 2013.

No Mais Médicos, pouco mais da metade dos profissionais – 8,47 mil dos mais de 16 mil profissionais – vieram de Cuba, segundo dados obtidos pelo G1. Segundo o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), a embaixada de Cuba já avisou que todos os médicos cubanos deixarão o Brasil até o fim do ano.

Ainda nesta sexta-feira, o Ministério da Saúde informou que a seleção de médicos brasileiros para as vagas deixadas pelos profissionais cubanos ocorrerá ainda em novembro. O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, informou que vai propor a Bolsonaro chamar médicos que se formaram pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para substituir os cubanos.

PROVIDÊNCIAS – Questionado sobre o assunto na Guatemala, onde participou da Cúpula Iberoamericana, o presidente Michel Temer disse ter pedido a Occhi para tomar as providências necessárias para a população não ficar sem médicos. “Se Cuba realmente cumprir aquilo que alardeou, que divulgou, nós estamos preparados […] não só para fazer concursos, mas já falei com o ministro Gilberto Occhi com vistas à contratação de médicos para suprir a eventual falha dos médicos”, afirmou Temer

Segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), a saída dos médicos cubanos afetará mais de 28 milhões de pessoas que vivem em municípios onde só há médicos do país. “O valor do Programa Mais Médicos (PMM), ecoado nos diversos cantos do Brasil, demonstrou ser uma das principais conquistas do movimento municipalista frente à dificuldade de realizar a atenção básica, com a interiorização e a fixação de profissionais médicos em regiões onde há escassez ou ausência desses profissionais”, afirmou a CNM em nota.

“EXTREMA PREOCUPAÇÃO” – “Entre os 1.575 Municípios que possuem somente médico cubano do programa, 80% possuem menos de 20 mil habitantes. Dessa forma, a saída desses médicos sem a garantia de outros profissionais pode gerar a desassistência básica de saúde a mais de 28 milhões de pessoas”, acrescentou a entidade. Ainda na nota divulgada nesta quinta, a Confederação Nacional dos Municípios afirmou que a situação é de “extrema preocupação” e exige a superação “em curto prazo”.

Bolsonaro culpa sistema do TSE e erros de doadores por “falhas” nas contas

Bolsonaro contesta haver descumprimento de prazos

Letícia Casado
Ranier Bragon
Folha

A advogada Karina Kufa, que representa o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), informou ao  Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta sexta-feira, dia 16,  que não é responsabilidade da campanha se algumas pessoas vetadas pela legislação fizeram doações para o candidato. Os técnicos do TSE apontaram vários doadores que seriam “permissionários”, com valor total de R$ 5.200 sob suspeita. A legislação proíbe que candidatos recebam doação de pessoa física que exerça atividade comercial decorrente de permissão pública.

Segundo ela, Bolsonaro recebeu “mais de 24.896 doações por meio de financiamento coletivo, o que torna esse tipo de pesquisa cadastral muito difícil de ser realizada, em vista do volume de doadores a serem ‘investigados'”. Kufa disse que “apenas 40 doadores foram identificados como permissionários, representando um número ínfimo em relação ao total de registros”. Ela destacou que as empresas privadas que prestam serviços de análise cadastral “não têm informações a esse respeito de permissões públicas, tornando muito difícil a apuração desse tipo de fonte vedada, a qual depende, única e fundamentalmente, da declaração do doador”, afirmou.

ESCLARECIMENTOS –  As afirmações constam de resposta enviada ao TSE. A área técnica pediu esclarecimentos sobre 17 indícios de irregularidade na documentação entregue pela equipe do presidente eleito, além de outros seis temas em que apontam inconsistências na prestação de contas da campanha. O ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso, determinou que os esclarecimentos fossem prestados.

Conforme mostrou a Folha, os indícios de irregularidade representam 38% das receitas (R$ 1,6 milhão) e 12% das despesas (R$ 296 mil) declaradas pela campanha do presidente eleito. Os técnicos contestaram um descumprimento de prazo para entrega de relatório financeiro no valor de R$ 1,57 milhão. A lei determina que os valores gastos e recebidos sejam informados ao tribunal em 72 horas.

Ela disse que o sistema de prestação de contas eleitorais do tribunal demorou a processar as informações com o detalhamento dos doadores, “não tendo decorrido de culpa do candidato, em razão da quantidade significativa de dados a serem carregados pelo sistema, o que, de forma alguma, comprometeu a regularidade da informação, que foi prestada devidamente”. 

CUSTOS MENORES – Segundo a advogada, a campanha de Bolsonaro ficou mais barata porque ele buscou fornecedores fora do mercado político tradicional. Kufa destaca que “a postura do candidato eleito foi buscar fornecedores fora do mercado político tradicional, com preços compatíveis ao do mercado privado, os quais ostentavam a mesma qualidade, porém, diferiam no preço”. Para Kufa, “isso, somado ao uso de mecanismos gratuitos das redes sociais, como canal efetivo de comunicação com a sociedade, desde seu mandato, barateou de forma significativa o custo da campanha”.

Entre os problemas listados pela equipe de análise de prestação de contas está o descumprimento de prazos para informe à Justiça Eleitoral de receitas e gastos, inconsistências entre dados informados pela campanha e aqueles registrados em órgãos oficiais e recebimento de doações de fontes vedadas. Os técnicos questionaram as contratações de seis advogados e três escritórios. Kufa afirmou que apenas dois advogados trabalharam na campanha eleitoral como consultores jurídicos, enquanto os outros atuaram no contencioso judicial.

CONSULTORIA – Segundo ela, a lei determina que a consultoria jurídica é a única despesa com advogado considerada gasto eleitoral, e, portanto, passível de pagamento com recursos de campanha. “Assim, os serviços declarados na presente prestação de contas referem-se à consultoria jurídica da candidatura, relativa à prestação de contas, não havendo de se falar em apresentação de relação de processos judiciais, não englobados no âmbito do serviço prestado nesta categoria”, afirmou.

Entre os advogados que trabalharam para Bolsonaro estão Gustavo Bebianno, um dos principais auxiliares do presidente eleito, e Tiago Ayres, que fez sustentações orais em julgamentos no TSE e assinou documentos da campanha — como a contestação do registro de candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para concorrer este ano.

“À REVELIA” – Os técnicos também pediram esclarecimentos sobre R$ 95 mil recebidos pela campanha e devolvidos por Bolsonaro. Kufa disse que as doações foram realizadas na conta de campanha sem que ele tivesse plena ciência da regularidade de sua origem, sendo que ele havia decidido aceitar apenas doações realizadas pelo sistema de financiamento coletivo. Ela ressaltou que não há, na legislação, vedação à devolução de receitas que ingressaram na conta de campanha à revelia do candidato.

Indagaram também sobre a relação da AM4, maior fornecedora da campanha de Bolsonaro, com a Ingresso Total, plataforma responsável pelo site de financiamento coletivo. A AM4 não tem autorização da Justiça Eleitoral para fazer arrecadação de doações pela internet, maior fonte de recursos da campanha do capitão reformado. 

Kufa disse que a AM4 e a Ingresso Total fazem parte do mesmo grupo, sendo esta última a responsável por efetuar o cadastro no TSE para arrecadar dinheiro. O módulo de arranjo de pagamentos e plataforma de arrecadação online foi feito por outra empresa, segundo ela. O dono da AM4, Marcos Aurélio Carvalho, foi nomeado para a equipe de transição do governo e depois disse ter renunciado à remuneração. Ao todo, Bolsonaro declarou ter recebido R$ 3,7 milhões de financiamento coletivo, 85% de tudo aquilo que informou como receita (R$ 4,4 milhões).

PRESTAÇÃO DE CONTAS – Reportagens da Folha mostraram, antes do resultado da eleição, que a campanha de Bolsonaro havia omitido uma série de informações na prestação de contas parcial que todos os candidatos têm que apresentar na primeira quinzena de setembro. O mesmo problema foi apontado pelos técnicos do TSE na análise da prestação de contas final.

Agora, os técnicos do TSE farão nova análise das informações e apresentarão novo relatório, sugerindo aprovação, aprovação com ressalvas ou rejeição das contas. A palavra final cabe ao Plenário do tribunal, formado por sete ministros. Eventual rejeição das contas de Bolsonaro não o impedirá de ser diplomado nem de tomar posse em janeiro. A diplomação está marcada para 10 de dezembro. No caso de desaprovação, as contas são encaminhadas ao Ministério Público Eleitoral para avaliar a proposição de investigação.

Jogados para escanteio, aliados reclamam de “escalação” de Bolsonaro

Indicações de Lorenzoni têm prevalecido na composição do governo

Jussara Soares
O Globo

A formação do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro vem causando descontentamento entre aliados. Duas semanas após o início da transição, apoiadores de primeira hora durante a campanha e integrantes de grupos técnicos sentem-se preteridos pela falta de sinalização de Bolsonaro de que terão espaço na administração federal. A reclamação é que as indicações do futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) têm prevalecido na composição do futuro governo, deixando em segundo plano apoiadores que apostaram no militar ainda na pré-candidatura.

Ao longo da campanha, entusiastas da candidatura de Bolsonaro se reuniam em grupos de WhatsApp para discutir propostas para áreas técnicas como saúde, educação, infraestrutura, agricultura e meio-ambiente. Assim como aconteceu com o general Osvaldo Ferreira, que coordenou o grupo de planejamento mas deve ficar fora, não são poucos os nomes que perderam força ao longo do tempo.

PELO CAMINHO –  O senador Magno Malta, que chegou a confirmar seu nome como ministro, tem tido pouco espaço na composição do governo. Também ficaram pelo caminho Henrique Prates, diretor do Hospital do Amor, antigo Hospital do Câncer de Barretos, Luiz Antonio Nabhan Garcia, principal conselheiro de Bolsonaro para o agronegócio, e Stravos Xanthopoylos, especialista na área de educação que chegou a ter conversas com o então presidenciável.

Com a eleição, no entanto, os consultores deixaram de ser solicitados, ao passo em que novos nomes, levados a Bolsonaro pelas mãos de Onyx e outros políticos, começaram a ser cogitados para cargos. “Eu fui convidado para ser consultor quando o presidente eleito ainda era pré-candidato. Também havia generais trabalhando e, depois, unimos esforços. Outros nomes surgiram após a eleição”,  disse um dos consultores que chegou a integrar um grupo coordenado por Paulo Guedes, que assumirá o superministério da Economia.”Eu me sinto com o dever cumprido e pronto para servir ou, então, seguir o meu caminho”, disse.

INDICAÇÕES – Na última quarta-feira, dia 14, Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, esteve em Brasília para uma reunião com Bolsonaro, na qual indicou nomes para compor o Ministério da Educação. A irmã do piloto de Fórmula 1, que se aproximou de Bolsonaro por meio da deputada federal eleita Joice Hasselmann (PSL-SP), estava acompanhada de Mozart Neves, diretor do Instituto Ayrton Senna, e de Priscila Cruz, da ONG Todos Pela Educação. Mozart é agora um dos cotados para a pasta.

O futuro incerto do senador Magno Malta tem gerado constrangimento. Malta garantiu que será ministro, mas ainda não foi anunciado por Bolsonaro. O presidente eleito, que sonhava com o senador como vice, declarou após a vitória que queria tê-lo ao seu lado no Planalto. Entretanto, diante dos últimos movimentos de transição, uma das hipóteses é que Malta ocupe um cargo sem o status de ministro.

“O Bolsonaro tem gratidão a ele (Malta), mas um cargo que não seja o de ministro soará como um “prêmio de consolação””,  observou um integrante da equipe de Bolsonaro. Entre os “escanteados”, o temor é que se repita o que aconteceu com Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista (UDR). Considerado o principal conselheiro de Bolsonaro durante a campanha para o agronegócio, perdeu força e viu o Ministério da Agricultura parar nas mãos da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS), da Frente Parlamentar para o Agronegócio.

“VELHA POLÍTICA” – Após a escolha, Nabhan, que criticou a atuação de Onyx Lorenzoni, declarou que no futuro governo ainda permanece “a velha política”. Desde então, o ruralista está afastado do núcleo duro de Bolsonaro. Quem também não deve compor o futuro governo é o empresário Paulo Marinho, cuja casa no Jardim Botânico, no Rio, abrigou profissionais que produziam programas de TV de Bolsonaro para o segundo turno. Ao O Globo, ele disse que nunca teve a pretensão de integrar a equipe em Brasília.

Lembranças: Jango queria ficar no poder, os generais queriam tomar o poder

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Jango faz o discurso no 13 de março, selando seu destino

Helio Fernandes
(heliofernandesonline)

A História do Brasil é inundada e conspurcada por golpes e mais golpes. O primeiro aconteceu em 1889, quando República foi dizimada por dois marechais cavalarianos, que mal podiam subir num cavalo. Essa República, que não é a dos nossos sonhos, se dissipou nos 41 anos do partido Republicano, até 1930.

Aí veio outro golpe a longo prazo, que se transformou numa ditadura de 15 anos, que chamaram de Revolução. Os primeiros sete anos, poder de apenas um homem (Vargas), pelo menos não havia violência, tortura, prisão, perseguição. Era apenas preparação para o que surgiria em 1937, o assombroso e cruel “Estado Novo”, com o mesmo Vargas, apoiado e garantido pelos generais.

CIVIL E MILITAR – Como explico sempre, não existe ditadura civil ou ditadura militar, e sim a conjugação de civis e militares. Uns não podem manter o poder sem os outros, são aliados sem o menor constrangimento. Pulemos logo para 1960, quando foi dado o início ao golpe de 64.

Naquele ano, pela primeira e única vez, os vice-presidentes eram eleitos pelo voto direto, junto com os presidentes. Era registrada uma chapa, dois nomes, o cidadão-contribuinte-eleitor votava duas vezes, no presidente e no vice.

Jânio Quadros, franco favorito, apoiadíssimo pela UDN, teve que aceitar um candidato da UDN, o responsabilíssimo Milton Campos. Queria como vice, João Goulart, sabia que este faria tudo o que ele mandasse. Coisa que não aconteceria com um homem como Milton Campos.

COMITÊ JAN-JAN- Sem caráter, escrúpulos ou convicções, Jânio corrigindo as coisas, criando o Comitê Jan-Jan, mandando que votassem em Jango para vice-presidente, o que aconteceu.

Jânio chegou ao poder em janeiro de 61, começou logo a articulação com os generais que o apoiavam, para que “conquistasse” o poder sem tempo sem limitação. Meses depois mandou o vice João Goulart para Cingapura, o outro lado do mundo, sem nenhum projeto, nenhuma negociação ou acordo com outros países.

Jango que não era brilhante, mas não tinha nada de tolo, desconfiou da viagem, mas foi. Quando estava lá, recebeu duas notícias. 1 – Jânio renunciara, não se sabia onde estava. 2 – Os generais não dariam posse a ele, apesar de ser vice e o substituto natural, não assumiria. Confusão terrível, os generais tinham armas mas não tinham popularidade. Tiveram que negociar.

EM MONTEVIDÉU – Jango voltou, mas não veio direto para o Brasil, parou em Montevidéu. Tancredo Neves, que fora ministro da Justiça de Vargas em 1951, e tinha ficado intimíssimo de Jango, ministro do Trabalho, negociou. E os generais para não perderem tudo, sugeriram o “parlamentarismo com Tancredo de Primeiro Ministro”, o que aconteceu.

(De passagem, esclarecimento para mostrar o péssimo relacionamento de Jango com os militares, exatamente o contrário do seu mestre e protetor, Getúlio Vargas. Ministro do Trabalho, em 1952 Jango dobrou o salário mínimo, os militares não gostaram. Publicaram então o que se chamou de “Manifesto dos Coronéis”. 69 deles exigiam a demissão de Jango, este aceitou cordatamente. Tancredo aconselhou-o a ficar, Jango não aceitou).

PARLAMENTARISMO – Brizola não queria que Jango aceitasse o Parlamentarismo, obteve do cunhado, a resposta: “Já aceitei. Tancredo é nosso amigo, estamos no poder”. Todo o ano de 1962, foi de preparação para o referendo.

Conseguiu marcar a escolha para o dia 6 de janeiro de 1963. Vitória facílima, 8 milhões para o presidencialismo, apenas 2 milhões parlamentarias, Jango tomou posse logo, era outro Jango inteiramente diferente. A eleição estava marcada para outubro de 1965, tinha muito tempo pela frente, começou a agir.

Em março desse 1963, manda Mensagem ao Congresso, decretando Intervenção na Guanabara. O objetivo nítido e visível é tirar Carlos Lacerda do governo da Guanabara. O Congresso reage assombrado, não concorda, nem mesmo os partidos que o apoiavam.

SEM CLIMA – Os líderes Waldir Pires (PSD) e Doutel de Andrade (PTB) vão ao palácio Laranjeiras, (Jango quase não ia a Brasília) dizem a ele, “não há clima para a intervenção”. Jango imediatamente retira a Mensagem.

Chega a vez deste repórter. Em 21 de julho, recebo de um extraordinário informante, cópia autêntica de uma circular que o ministro da Guerra, Jair Dantas Ribeiro, mandara a 12 generais. (no total eram 36). No envelope, dois carimbos: “Sigiloso e confidencial”.

Lógico, publiquei no mesmo dia, assim que a Tribuna sai, Jango telefona para o ministro, e deu a ordem: “mande prender o jornalista audacioso, e enquadre na Lei de Segurança”.

BANHO DE SOL –  Fui preso no mesmo dia, no Batalhão de Polícia, na Barão de Mesquita, onde anos depois se abrigaria o Doi-Codi, comandado inicialmente pelo general Orlando Geisel, mais tarde ministro da Guerra. Na hora do banho de sol, pude constatar a tremenda divisão do Exército.

 

Alguns oficiais cruzavam comigo, diziam, “resista, Hélio, estamos com você”. Outros me olhavam com ar feroz, se pudessem me fuzilavam. Enquanto isso, meus advogados, Sobral Pinto, Prado Kelly, Adauto Cardoso e Prudente de Moraes, neto, entravam com Habeas-Corpus no Supremo.

O bravo presidente, Ministro Ribeiro da Costa mandou ouvir o Ministro para “saber quem mandara me prender”. O general confirmou, aí o Supremo teve que julgar. Desconfiando de que havia alguma coisa fora da curva, o ministro-presidente ficou como relator, o que o regimento interno permite. Aceleraram o julgamento, para que terminasse em julho mesmo, os poderosos são supersticiosos, têm pânico do mês de agosto.

POR UM VOTO – Ganhei de 5 a 4, surpresa para o presidente Jango e seu ministro da Guerra. Tudo estava preparado para que me condenassem a 15 anos de prisão.

Vou numerar os quesitos para facilitar a compreensão.

1- “Em março de 63 foi feita pesquisa, Jango aparece com 70% de aprovação. 86 na classe pobre, 62 na A e B”. Desculpe, não houve nenhuma pesquisa oficial. Se tivesse havido, Jango não teria obtido 62%  nas classes A e B.

2- Outra suposta pesquisa, perguntava. “se Jango pudesse ser candidato, o que aconteceria?”. Não houve mais essa “pesquisa”, a reeleição era impossível.

3- Folha e Estadão não tinham censores nas redações. Os censores só foram impostos para alguns jornais, a partir de 1968, pouco antes do macabro AI-5. A situação do Estadão, sempre foi a mesma, desde 1932, quando surgiu a “Revolução Constitucionalista de 32”, comandada pelo Doutor Julio Mesquita. Em 1937 ele foi exilado em Portugal, junto com o ex-presidente Bernardes. Em 64 apoiou o golpe, não demorou muito foi dos maiores combatentes da ditadura. Doutor Julio era assim, gostava do que considerava o bom combate.  Não tinha interesse, acima de tudo convicções. Diferente de quase todos os outros.

4- Depois foi sempre contra o golpe, a tortura, a perseguição, não transigia. O jornal foi sempre independente, contra ou a favor.

5- Juscelino era franco favorito para 1965. Pouco antes de terminar seu mandato, fez sondagens sobre uma possível reeleição, confessou, “não havia clima, desisti”. Mas lançou seu nome para 65, não perderia.

6- Jango nem era considerado, jamais ganhou eleição, a não ser a fraude da vice montada por Janio em 1960.

7- Os candidatos para disputarem contra JK,se não tivesse havido o golpe, seriam Ademar de Barros pelo PPS, e Lacerda pela UDN. Este sempre admitiu que “sua grande meta era a presidência”.

FINAL – Vi, vivi, convivi. Tudo aqui é fato. Conclusão é outra coisa, cabe a cada um. Os jornalões enriqueceram com o golpe, ganharam canais de radio, televisão (que mal havia na época), hoje explicam o passado: “Apoiar a ditadura foi equívoco jornalístico”.

Enriquecidos mas não arrependidos. Só que sabem que nada é esquecido, tudo precisa ser explicado.

Uma conversa no sinal fechado, na genialidade de Paulinho da Viola

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Paulinho tem obras verdadeiramente inesquecíveis

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Paulo César Batista de Faria, o Paulinho da Viola, é tido como um dos mais talentosos representantes da MPB. A canção “Sinal Fechado” foi escrita na década de 60, mas letra e melodia continuam tão atuais quanto na época. Apesar de ser um sambista tradicional, essa música é também experimental.

Naquele tempo, se interpretava a letra como a dificuldade das pessoas se expressarem no período do AI-5. Hoje, esse clássico da MPB nos fala sobre o encontro de duas pessoas que já foram íntimas, mas não se vêem há muito tempo e que por acaso se encontram em um sinal fechado. A música “Sinal Fechado” foi gravada por Paulinho da Viola no LP Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida”, em 1970, pela Odeon.

SINAL FECHADO
Paulinho da Viola

Olá, como vai ?
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe …
Quanto tempo… pois é…
Quanto tempo…
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe ?
Quanto tempo… pois é…
(pois é… quanto tempo…)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal …
Eu espero você
Vai abrir…
Por favor, não esqueça,
Adeus…