Em 2018, pela primeira vez haverá ‘publicidade eleitoral paga’ nas redes sociais

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Charge do Lynch (maisum.altervista.org)

Bertha Maakaroun
Correio Braziliense

Embora o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, tenha anunciado a formação de um comitê no âmbito da Justiça Eleitoral, para enfrentar o que ele chama de “notícias falsas” nas eleições de 2018, essa é uma batalha que já nasce perdida: a começar pela tênue linha entre a censura e a identificação das notícias falsas. E a terminar pela dificuldade, não do monitoramento, mas da suspensão desse material, armazenado no exterior.

O problema que se coloca é como agir rapidamente quando o conteúdo de fake news está postado em provedor no exterior e, a partir do link, são feitos os compartilhamentos. “A legislação determina que qualquer propaganda eleitoral seja realizada em sites que estejam abrigados em provedores brasileiros. Contudo, se a fonte das notícias falsas está fora do país, as ações para retirar o material do ar são mais complicadas”, avalia Diogo Cruvinel.

NOVA LEGISLAÇÃO – A reforma política aprovada pelo Congresso Nacional traz poucas mudanças relacionadas ao uso da internet e redes sociais para as eleições de 2018. A principal delas: permite que candidatos impulsionem as suas postagens. “A legislação permite que o candidato, o partido e as coligações paguem as redes sociais para impulsionar o seu conteúdo. É um gasto que tem de ser declarado na prestação de contas”, informa Edson Resende, coordenador da Coordenadoria Estadual de Apoio aos Promotores Eleitorais (Cael). As resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vão regulamentar esses novos dispositivos da reforma eleitoral.

A legislação em vigor até o pleito passado vedava qualquer tipo de propaganda paga na internet. “Agora é possível pagar não só pelo impulsionamento nas redes sociais, como também pelo mecanismo de busca do Google”, afirma Diogo Cruvinel, secretário de Gestão de Atos Partidários e da Informação do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), que lembra: continua proibida a propaganda eleitoral em sites de notícias, em sites de pessoas jurídicas, com ou sem fim lucrativo, e sites públicos .

No âmbito das redes sociais, o impulsionamento só poderá ser feito em benefício do candidato. “Um candidato que quiser falar mal do adversário na rede social não poderá impulsionar a postagem”, acrescenta Cruvinel.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Vai ser interessante acompanhar como se processará essa propaganda eleitoral paga nas redes sociais. Será muito ridículo, porque só vale elogiar o candidato que patrocina a rede social, mas não pode falar mal do concorrente. Quem vai fiscalizar. A Justiça Eleitoral? Só se for Piada do Ano. (C.N.)

Crise na Globo é grave e desdobramento do caso Fifa assusta os irmãos Marinho

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

O desdobramento do processo contra a Fifa nos Estados tirou o sossego dos irmãos Marinho e da cúpula da Rede Globo, porque a Justiça norte-americana está avançando com celeridade as investigações, com a ajuda do empresário argentino Alejandro Buzarco. Quando o promotor lhe perguntou se o pagamento de propinas a dirigentes da Fifa em busca dos direitos de transmissão era realizado em parceria com as emissoras, o delator citou empresas de comunicação de diversos países: “Várias. Fox Sports, dos Estados Unidos, Televisa, do México, Media Pro, da Espanha, TV Globo, do Brasil” – disse ele, que também afirmou ter-se associado a companhias com atuação no mesmo ramo de negócios que a sua Torneos y Competencias, como a brasileira Traffic e a argentina Full Play.

O delator já revelou também que a TV Globo, a mexicana Televisa e sua empresa Torneos y Competencias pagaram juntas US$ 15 milhões em propina a Julio Humberto Grondona, ex-chefe do futebol argentino, pelos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026 e 2030. O valor, que garante direitos de TV, rádio e internet, teria sido depositado no banco Julius Bär, sediado na Suíça.

GLOBO NEGA TUDO – A TV Globo nega qualquer participação em irregularidades. Afirma que em 2015, um ano após o surgimento do escândalo conhecido como Fifagate, abriu “amplas investigações internas” e teria sido apurado que o Grupo Globo “jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos”.

Se for conferida a contabilidade da TV Globo, essas declarações serão consideradas verdadeiras, porque não houve participação direta da emissora nas mutretas da Fifa. Quem se encarregava do chamado papel sujo era a empresa de marketing Traffic, do ex-repórter esportivo J. Hawilla, que se tornou empresário de enorme sucesso, e o próprio diretor da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto, que foi demitido em 2015, logo depois da prisão de José Maria Marin, presidente da CBF, na Suíça.

No mundo dos negócios esportivos, J. Hawilla foi do zero ao milhão numa rapidez impressionante, de fazer inveja ao filho fenômeno de Lula. Associou-se à Globo e, por coincidência, passou a ser dono ou controlar grande número de emissoras no interior de São Paulo, filiadas à rede da família Marinho. No embalo, virou empresário internacional de sucesso, comprou um time da segunda divisão portuguesa, o Estoril Praia, e levou-o disputar a Liga Europa. Para ele, o céu parecia ser o limite.

PARCEIRO DE SUCESSO – O sucesso da Traffic era espantoso. Disputava com a Globo, a Record e a Bandeirantes os direitos de transmissão de importantes eventos esportivos na Fifa e saía vencedora.

Hoje, o problema dos irmãos Marinho, que faziam negócios pessoalmente com J. Hawilla, é saber até onde vai a lealdade do parceiro. O FBI começou as investigações em 2011, para apurar ocorrências desde 1991. E os policiais federais americanos logo chegaram à Traffic. Quando constatou que seria apanhado, J. Hawilla se adiantou e, em 12 de dezembro de 2014, confessou-se culpado perante a Justiça dos Estados Unidos. Assumiu as acusações de extorsão, conspiração por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça e concordou em restituir US$ 151 milhões, tendo pago US$ 25 milhões no momento do acordo.

Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o dinheiro está reservado caso as vítimas dos crimes devam ser restituídas.

NÃO PODE MENTIR – Em seus depoimentos, o empresário argentino Alejandro Buzarco está citando diretamente a Globo, não a Traffic. Ele sabe que não pode mentir, porque sua delação premiada logo seria anulada. A Globo alega que jamais pagou propina, mas tudo indica que esse papel sujo esteve a cargo da Traffic, até porque J. Hawilla sempre transferiu à rede da família Marinho os direitos de transmissão dos campeonatos que a Traffic conquistou junto à Fifa, mediante propina. Se você acredita em coincidência, é um prato feito.

O relacionamento íntimo entre J. Hawilla e os irmãos Marinho não tarda a ser investigado. É aí que mora o perigo. Hoje, J. Hawilla é um homem muito rico, com patrimônio de aproximadamente R$ 2 bilhões. Aos 74 anos, no final de emocionante jornada, não deve nada a ninguém. Já é delator, mas não disse tudo o que sabe. Sua lealdade à Globo hoje está por um fio e não vale uma nota de três dólares.

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P.S.
O assunto é instigante, empolgante e eletrizante. Amanhã, voltaremos a ele, com informações rigorosamente verdadeiras sobre a situação de pânico que desespera os irmãos Marinho, por causa do escândalo da Fifa. O tema é importantíssimo e envolve também o presidente Michel Temer, que entrou de gaiato na história, ajudou com presteza os irmãos Marinho num momento de dificuldade e agora está sendo detonado por eles. Como dizia nosso amigo Ibrahim Sued, que era íntimo de Roberto Marinho e ficou famoso por causa dessa amizade com ele, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

Polícia Federal apreende drogas, joias, arma e munição em casas de deputados

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Silval Barbosa entregou a quadrilha inteira

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

Joias, entorpecentes e até mesmo uma arma estão entre os itens apreendidos em endereços ligados a deputados estaduais de Mato Grosso, alvo da Operação Malebouge, embasada na ‘monstruosa’ delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). As buscas e apreensões investigam o pagamento de propinas a políticos do Estado, entre eles, os flagrados nas imagens da romaria para o recebimento de maços de dinheiro no gabinete de Silval, o delator peemedebista.

A Operação Malebolge, deflagrada no dia 14 de setembro, por ordem do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, tem como alvo sete deputados estaduais de Mato Grosso. Naquele dia, a Polícia Federal vasculhou por mais de duas horas os gabinetes e endereços residenciais de Wagner Ramos (PSD), Silvano Amaral (PMDB), Baiano Filho (PSDB), Romoaldo Júnior (PMDB), José Domingos Fraga (PSD), Oscar Bezerra (PSB) e Gilmar Fabris (PSD)

ECSTASY – Na residência de Itamara Cenci, ex-mulher do deputado Fraga, foram encontradas cápsulas de ecstasy ‘em formato de sorvete’, como descreveu a Polícia Federal. A perícia ainda vai avaliar o conteúdo de um envelope com 14,5 gramas de pó branco. As drogas estavam em um cofre. Diversos brincos, pulseiras e anéis também foram localizados na casa de Itamara.

Fraga é um dos deputados que aparecem em vídeos pegando dinheiro no gabinete de Silval. Ele levou os maços em uma caixa de papelão.

No endereço de Airton Rondina (PSD), que foi flagrado em vídeo pegando dinheiro no gabinete de Silval tinha em casa uma garrucha de cano simples e 50 cartuchos de munição.

DOAÇÃO DE 300 MIL – Maria Aparecida Gonçalves, com quem o deputado Romualdo Júnior tem uma filha, também foi conduzida coercitivamente e alvo de buscas e apreensões. Na casa dela, foi encontrada, na declaração de seu imposto de renda de 2015/16 uma doação do parlamentar no valor de R$ 300 mil.

Ao pedir a investigação sobre a origem do repasse, a procuradora-geral Raquel Dodge afirmou que é ‘importante destacar que entre os crimes investigados, em tese praticados por Romoaldo Júnior, encontra-se o crime de corrupção passiva por ter recebido a quantia de R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais), em doze parcelas de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) do então governador Silval Barbosa na condição de Deputado Estadual para manter a governabilidade, votar de acordo com os projetos do governo e não investigar os membros do alto escalão”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Como disse o ministro-relator Fux, trata-se de uma “delação monstruosa” e envolve o atual ministro Blairo Maggi, da Agricultura. E as investigações estão apenas começando… (C.N.)

TV Globo e grupo do México deram US$ 15 milhões em propina nas Copas

Alejandro Burzaco prestou depoimento pelo segundo dia seguido em Nova York

Burzaco chorou antes de prestar novo depoimento

Silas Martí
Folha

Em mais um dia de depoimento, Alejandro Burzaco disse que a TV Globo, a mexicana Televisa e sua empresa de marketing esportivo, Torneos y Competencias, pagaram juntas US$ 15 milhões em propina a Julio Humberto Grondona, ex-chefe do futebol argentino, pelos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026 e 2030. O valor, que garantia direitos de TV, rádio e internet para os eventos esportivos, teria sido depositado no banco Julius Bär, sediado na Suíça.

Essa conta era controlada pela T&T, empresa criada pelo grupo de Burzaco para fazer pagamentos com verbas ilícitas. De acordo com ele, os valores pagos eram abaixo do mercado para que pudessem ser inflados com propinas.

DETALHES – Uma das principais testemunhas da acusação no julgamento de José Maria Marin, ex-presidente da CBF que está sendo julgado em Nova York no escândalo de corrupção da Fifa, Burzaco deu detalhes de um suposto encontro há quatro anos no hotel Waldorf Hilton, em Londres, onde teria fechado o acordo.

Também na capital britânica, Burzaco disse ter se encontrado com Marin, Marco Polo Del Nero, atual presidente da CBF, e executivos da americana Fox Sports que queriam “ampliar suas operações no Brasil e ter laços mais estreitos com o futebol”.

Na ocasião, Marin e Del Nero teriam reclamado do atraso em seus pagamentos de propina relativos à Copa Libertadores da América e a Copa Sul-Americana daquele ano. Eles discutiram ainda pagamentos pendentes de US$ 2 milhões e US$ 3 milhões, relacionados a outras negociações de direitos de transmissão de campeonatos.

E-MAILS COMPROMETEDORES – Numa série de e-mails mostrados pelos promotores americanos entre a testemunha e o chefe administrativo de sua empresa, Eladio Rodríguez, Burzaco discute os detalhes do pagamento, que teria que ser realizado às pressas dada a “irritação e insatisfação” dos cartolas brasileiros identificados juntos como “brasilero” em alguns dos e-mails.

Marin e Del Nero, depois do encontro em Londres, estavam, segundo as mensagens, nos Estados Unidos e exigiam receber o pagamento aqui, operação que o empresário considerava arriscada, mas concordou em fazer.

Burzaco, que está em prisão domiciliar há dois anos em Nova York e fechou um acordo de delação premiada com a Justiça americana, ainda aguarda a sua sentença.

CAIU NO CHORO – Na corte do Brooklyn, ele chorou no início do segundo dia de depoimentos, interrompendo o julgamento. Isso foi menos de 24 horas depois do suicídio de um advogado argentino citado por ele como um dos que receberam propina no esquema -Jorge Delhon se jogou na frente de um trem em Buenos Aires.

Depois de sua crise de choro, Burzaco foi reconduzido ao tribunal. Ele então deu mais detalhes de suas ligações com a TV Globo e a Fox. Num café da manhã num restaurante do Copacabana Palace, no Rio, durante a Copa do Mundo de 2014, o empresário teria se encontrado com Marcelo Campos Pinto, então responsável na emissora brasileira pela compra dos direitos de transmissões.

Segundo Burzaco, eles discutiram a intenção da Globo de estender o pagamento de propinas para a Conmebol via T&T, empresa do argentino com sede na Holanda, em troca de direitos da Libertadores e da Copa Sul-Americana.

HAVIA PRESSÕES – “Não queríamos que essa estrutura mudasse”, explicou a testemunha. Ele disse que o encontro com o executivo da Globo tinha como objetivo garantir a continuidade dos pagamentos do canal, já que estava sofrendo pressões de outros grupos, como a Fox.

Burzaco também detalhou os valores e as datas de pagamento de propina a cartolas da Conmebol, prevendo gastar pelo menos US$ 66 milhões em propina sobre contratos das edições de 2015, 2019 e 2023 da Copa América, além da edição especial do torneio realizada em 2016.

Entre os destinatários desses pagamentos estavam José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. Eles haviam passado a receber a cota de dinheiro ilícito antes paga a Ricardo Teixeira, que deixou o comando da CBF, há cinco anos, sob uma série de suspeitas.

EMPRESAS FALSAS – Burzaco também detalhou como criou empresas e contratos falsos para realizar suas operações, entre elas a Datisa, junção de sua firma Torneos y Competencias com a brasileira Traffic, de José Hawilla, e a argentina Full Play.

Ele disse que negociou com Hugo Jinkis e Mariano Jinkis, os donos da Full Play, para fazer com que Hawilla assinasse contratos de US$ 20 milhões -acima dos valores antes acordados- para evitar que uma eventual venda da Traffic revelasse o esquema.

Esses valores, no caso, também estariam ligados a pagamentos de propina pelos direitos de transmissão da Copa América. Burzaco estava preocupado que o brasileiro saísse do negócio do futebol e que futuros donos da Traffic barrassem os acordos.

DIZ O GLOBO – Procurado pela Folha, o Grupo Globo, detentor da TV Globo, manteve o mesmo posicionamento que havia passado na terça-feira (14) após ter seu nome citado em pagamento de propinas para diversos torneios internacionais.

Em nota enviada à reportagem, o grupo afirma “veementemente” que “não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina”. “Após mais de dois anos de investigação [o Grupo Globo] não é parte nos processos que correm na Justiça americana”, lembra a empresa no comunicado.

O Grupo Globo afirma ainda que conduziu “amplas investigações internas” desde que o escândalo da Fifa foi revelado, em 2015. Nelas, ainda segundo o comunicado, foi apurado que o Grupo Globo “jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como dizia o slogan da série Arquivo X, um dos maiores sucessos da história da TV, “a verdade está lá fora”. Como se sabe, todas as grandes emissoras mundiais. No entanto, segundo o grupo Globo, a empresa brasileira não participou do esquema. Seria um bom tema para a próxima novela do horário nobre, que poderia ter o título “Me Engana que Eu Gosto”. (C.N.)

Advogado envolvido no escândalo da Fifa se suicida e o suspense aumenta

Resultado de imagem para Advogado argentino Jorge DelhonDeu na ESPN

O advogado argentino Jorge Delhon, de 52 anos, supostamente envolvido no esquema de corrupção conhecido como “Fifagate”, se suicidou na terça-feira, ao se jogar sob um trem em movimento, em Lanús, em Buenos Aires, de acordo com informações passadas à Agência Efe por fontes policiais. O fato aconteceu depois que Alejandro Burzaco, ex-diretor-executivo da empresa argentina de marketing Torneos y Competencias, que admitiu ter subornado a Fifa para obter direitos de transmissão de futebol, declarou na terça, nos Estados Unidos, que entre os anos e 2011 e 2014 pagou propinas milionárias a Delhon e Alejandro Paladino, segundo divulgaram os meios de comunicação da Argentina.

Paladino foi coordenador do programa “Fútbol Para Todos”, recentemente cancelado, no qual as partidas eram transmitidas desde 2009, durante o governo de Cristina Kirchner, através de canais de televisão aberta. Por sua parte, Delhon era um advogado ligado ao kirchnerismo.

PROPINAS – “Nós pagamos propinas a esses dois senhores por US$ 4 milhões”, disse Burzaco, segundo o jornal argentino “La Nación”, quando a justiça americana lhe perguntou pelo papel dos dois ex-funcionários do “Fútbol Para Todos”.

As fontes da segunda delegacia de Lanús confirmaram à Efe o suicídio de Delhon, depois que soldados o encontraram na terça nas ferrovias. O “Fifagate” foi revelado no final de maio de 2015, às vésperas do congresso em que o suíço Joseph Blatter seria reeleito presidente, quando a polícia, numa operação conjunta entre os EUA e Suíça, entraram no hotel de Zurique onde estava a maioria dos dirigentes e realizou várias prisões.

A Torneos y Competencias, dedicada a transmitir eventos esportivos, admitiu ter subornado a Fifa para obter os direitos das Copas do Mundo de 2018, 2022, 2026 e 2030. Em dezembro do ano passado, a empresa negociou um acordo com as autoridades americanas para pagar quase US$ 113 milhões de multa para fechar o caso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O suicídio do advogado argentino, envolvido no Fifagate, indica que seriam verdadeiras as revelações do delator Alejandro Burzaco, ex-diretor-executivo da empresa argentina de marketing Torneos y Competencias, sobre suborno das autoridades da Fifa pelas emissoras que transmitem a Copa do Mundo e outros campeonatos organizados pela Federação. Como dizia nosso vizinho Miguel Gustavo, na diretoria da Vênus Platinada o suspense é de matar o Hitchcock... (C.N.)

Diretor da PF frustra o Planalto e vai acelerar investigações de políticos no STF

Obstinação de Segóvia leva o Planalto ao desespero

Jailton de Carvalho
O Globo

O diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, afirmou que vai aumentar o número de policiais responsáveis pelos inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) contra deputados, senadores e ministros para, a partir daí, acelerar as investigações sobre políticos, a maioria deles citados na Operação Lava-Jato. Segóvia disse, no entanto, que as investigações devem ser mantidas em sigilo até serem concluídas e que não admitirá vazamentos ou exploração política de inquéritos.

O diretor disse que até já existem duas investigações na Corregedoria-Geral sobre supostos desvios de conduta com objetivo político na Lava-Jato. Depois de negar que tenha sido indicado para o cargo pelo ex-presidente José Sarney ou pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, expôs as linhas gerais de seu plano à frente da PF.

MAIOR VELOCIDADE – “Talvez seja o momento de a Polícia Federal, quem sabe, dar um upgrade na equipe de investigação dos inquéritos do STF para que haja uma velocidade maior nessas investigações. Para que a gente possa concluí-las no menor prazo possível” — afirmou Fernando Segóvia.

O diretor-geral explica que alguns ministros do STF já reclamaram sobre a lentidão dessas investigações. Disse ainda que diretores da gestão anterior também reconheceram a necessidade de imprimir velocidade aos inquéritos sobre deputados, ministros e senadores. Para Segóvia, é importante agilizar as apurações e dar uma resposta à sociedade sobre os políticos acusados de corrupção. Como vários deles serão candidatos nas eleições de 2018, os eleitores teriam o direito de saber se as suspeitas levantadas até agora têm ou não fundamento à luz de uma investigação criminal.

Segóvia disse ainda que, se for necessário, criará forças-tarefa nos estados para aprofundar outras frentes de investigação, algumas delas relacionadas à Lava-Jato.

SEM VAZAMENTOS – O diretor deixou claro que não vai aceitar vazamentos ou desvios político-partidários em inquéritos criminais. Segundo ele, a polícia deve ser republicana, investigar em silêncio e não pode, em hipótese alguma, interferir no processo político-eleitoral do país.

“A gente percebe que algumas investigações ao longo da história da Polícia Federal tiveram alguns desvios dentro das linhas investigativas. Alguns delegados nossos tiveram desvios no sentido que eu diria até meio político-partidários. Então há uma necessidade grande de que a PF tenha um trabalho muito profissional para que a gente busque somente a verdade real dos fatos” — disse, sem citar os policiais que teriam se desviado.

NA LAVA JATO – Ao responder se esse tipo de desvio também teria ocorrido na Lava-Jato, Segóvia disse que há uma suspeita e que já existem duas investigações na Corregedoria-Geral para apurar a denúncia de um suposto grampo ilegal na cela onde estava preso o doleiro Alberto Youssef, um dos delatores da Lava-Jato. Ele disse que, no momento oportuno, o resultado das investigações será divulgado: “Todas essas suposições, nada provado, estão sendo investigadas. A nossa Corregedoria mandou uma, duas vezes já pessoal (para Curitiba) para fazer esse tipo de investigação. Qualquer desvio de conduta de qualquer delegado nosso, que houver suspeita, faremos uma investigação”.

O diretor disse ainda que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, partilha da preocupação com o sigilo das investigações. Os dois conversaram por quase três horas na última sexta-feira. Segóvia foi ao encontro da procuradora-geral minutos depois de tomar posse, um gesto inédito na história dos diretores da PF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O importante é que o diretor-geral confirmou que a Superintendência do Paraná, posto estratégico da Lava Jato, será ocupada pelo delegado Maurício Valeixo, atual diretor de Combate ao Crime Organizado. Quer dizer, não haverá boicote à Lava Jato, para desespero do Planalto e da bancada da Oposição. (C.N.)

TV Globo nega envolvimento no escândalo da Fifa, mas a questão é delicadíssima    

Ex-executivo  revela como funcionava o esquema

Deu em O Globo

O julgamento de José Maria Marin, ex-presidente da CBF, em um tribunal no Brooklyn, em Nova York, teve um desdobramento importante nesta terça-feira: além de cartolas como Marin e o atual presidente da confederação, Marco Polo Del Nero, agora grupos de mídia, como a TV Globo, a Televisa, do México, e a Fox Sports dos EUA também foram acusados de receber propina. O delator é o argentino Alejandro Burzaco, ex-executivo da empresa Torneos y Competencias, que fazia a mediação entre as competições e as redes interessadas em sua transmissão.

Burzaco falou por mais de três horas no tribunal americano e confessou os crimes de lavagem de dinheiro, fraude e conspiração.

MARIN E TEIXEIRA – O delator citou nominalmente Marin, Juan Manuel Napout, ex-presidente da Conmebol e da federação paraguaia, e Manuel Burga, que comandava a federação peruana. Marin teria recebido propina entre 2012 e 2015, quando deixou a CBF.

Em outro momento do depoimento, disse também que a Torneos y Competencias teria pago propina a Ricardo Teixeira, presidente da entidade entre 1989 e 2012. O ex-dirigente teria recebido US$ 600 mil (cerca de R$ 2 milhões) por ano entre 2006 e 2012, em contas bancárias indicadas por ele mesmo ou por seu secretário, Alexandre Teixeira.

Burzaco também citou pelo nome grupos de comunicação de diversos países, quando o promotor lhe perguntou se o pagamento de propinas a dirigentes em busca dos direitos de transmissão era realizado em parceria com elas: “Várias. Fox Sports, dos Estados Unidos, Televisa, do México, Media Pro, da Espanha, TV Globo, do Brasil – disse ele, que também afirmou ter-se associado a companhias com atuação no mesmo ramo de negócios que a Torneos y Competencias, como a brasileira Traffic e a argentina Full Play.

SOMENTE A FOX – No entanto, quando o promotor perguntou se as empresas eram informadas de que parte do valor pago era destinado a subornar dirigentes, ele mencionou apenas a Fox Panamerican Sports – que compraria mais tarde uma grande parte da Torneos e Competencias.

A maior ênfase do ex-executivo – que foi demitido da Torneos y Competencias poucos dias depois da prisão de vários dirigentes, inclusive Marin, em Zurique, na Suíça, em maio de 2015 e se entregou às autoridades americanas no mês seguinte – foi no pagamento de propina a dirigentes sul-americanos, entre os anos de 2006 e 2015.

– (Pagamos) para todos. Presidentes, integrantes do comitê executivo, vice-presidentes, secretário-geral, presidentes de federações nacionais. Todos.

TV GLOBO NEGA – A TV Globo emitiu um comunicado (ao lado) defendendo-se das acusações de Burzaco.

“Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que após mais de dois anos de investigação não é parte nos processos que correm na justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos. Por outro lado, o Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Não seria diferente, mas é fundamental garantir aos leitores, ouvintes e espectadores do Grupo Globo de que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O assunto é importantíssimo e merece tradução simultânea. O grupo Globo está sendo varrido por um furacão interno, que balança a Vênus Platinada. Os irmãos Marinho estão muito preocupados, quer dizer, preocupadíssimos, com os desdobramentos. Por isso, vão investir pesado na sucessão presidencial, que será decisiva para eles. O assunto é tabu e a grande mídia faz um silêncio respeitoso, digamos assim. Vamos escrever a respeito aqui na Tribuna da Internet, com informações exclusivas e rigorosamente verdadeiras. (C.N.)

 

 

Black Friday de Temer começa com a volta do PP aos cofres públicos

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Charge do Gilmar (gilmar.zip.net)

Bernardo Mello Franco
Folha

No governo Temer, a Black Friday vai começar mais cedo. A debandada do PSDB antecipou o saldão de cargos na Esplanada. O presidente promete negociar até 17 ministérios, segundo as contas do senador Romero Jucá. A primeira pasta em liquidação é a das Cidades, que ficou vaga com a saída do tucano Bruno Araújo. O favorito para arrematar a cadeira é o PP, partido com mais políticos investigados na Lava Jato.

O ministério foi criado em 2003, no início do governo Lula. No discurso, serviria para melhorar as políticas públicas de saneamento, transporte e habitação. Na prática, virou mais uma mercadoria a ser trocada por votos no Congresso.

PASTA DO PP – O fisiologismo abocanhou a pasta em 2005. Em plena crise do mensalão, Lula demitiu o petista Olívio Dutra e entregou o lugar ao PP. A escolha do novo ministro coube a Severino Cavalcanti, que renunciou à presidência da Câmara após ser acusado de achacar um dono de lanchonete.

Nas Cidades, o partido descobriu uma vocação insuspeita para os assuntos urbanos. Os pepistas comandariam a pasta por dez anos. Foi um período marcado por obras milionárias e operações da Polícia Federal.

PP NÃO É BURRO – A revoada dos tucanos abriu caminho para que o PP volte ao ministério, que terá R$ 8 bilhões para gastar no ano eleitoral. O clima de flashback é tão forte que os dois candidatos mais cotados para assumir o cargo já passaram por ele: Aguinaldo Ribeiro e Gilberto Occhi.

Líder do governo na Câmara, Ribeiro foi denunciado ao Supremo no mês passado, sob acusação de integrar uma organização criminosa. Presidente da Caixa Econômica Federal, Occhi foi delatado por Lúcio Funaro, que o acusou de cobrar propina em empréstimos do banco.

Quando Lula despejou Olívio, perguntaram a Severino por que seu partido tinha tanto interesse no Ministério das Cidades. “Tem uma coisa que vocês precisam admitir: o PP não é burro”, respondeu o ex-deputado.

TV Globo exige que Huck se defina sobre a eleição, mas ele não está nem ai…

Resultado de imagem para luciano huck candidatoNelson de Sá e Eliane Trindade (Folha)

Sem citar Luciano Huck ou sua mulher, Angélica, a Rede Globo informou à Folha que vem realizando “várias conversas” neste final de ano com funcionários seus, visando confirmar eventuais candidatos em 2018 e tirá-los do ar. “A Globo tem por hábito, no período que antecede anos eleitorais, conversar com diversos profissionais de seu ‘casting’ para lembrar a política interna de eleições”, afirmou a emissora, questionada sobre o apresentador.

“Por essa diretriz interna, já em vigor há anos, quem tem a intenção de se candidatar ou de participar de alguma campanha eleitoral deve avisar com antecedência à emissora.”

DIZ A VEJA – A revista “Veja” publicou que a direção da Globo teve uma “conversa franca” com Huck e decidiu que, se ele quiser se lançar candidato, “terá de sair da emissora até dezembro, sem volta”.

A pressão sobre o apresentador aumentou após suas reuniões públicas com o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), sondado para vice, e com o PPS.

No caso da Globo, a rede define até dezembro a sua nova programação, inclusive orçamentos, para a temporada que começa em abril.

Mas a pressão não se restringe à televisão. Também os patrocinadores, tanto do programa quanto aqueles diretamente ligados a Huck, vêm cobrando uma definição do apresentador quanto à sua candidatura a presidente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As informações da Glogo são um monte de conversa fiada. 1) A Globo não quer perdê-lo para a política, de jeito algum. 2)  A emissora jamais realizou “conversas” com empregados que pretendam entrar na política. 3) Não há pressão de patrocinadores, eles estão adorando o crescimento da fama de Huck. 4) Se o apresentador entrar na política, os patrocinadores simplesmente migram para outro programa. 5) Hulk é um tremendo astro, seu programa é um sucesso nacional, ele não precisa da Globo para nada, fará sucesso em qualquer emissora. 6) Por fim, a Globo está vivendo a maior crise interna dos últimos tempos, mas isso é motivo de uma análise ampla, que faremos amanhã. (C.N.)

Desembargador solta ex-governador André Puccinelli e filho, um dia após prisão

André Puccinelli (ao centro), ex-governador do Estado, na Polícia Federal. (Foto: Marcos Ermínio)

Puccinelli se livra da prisão pela segunda vez…

Evelin Cáceres
MidiaMax

O desembargador federal Paulo Fontes, do TRF3 (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, que fica em São Paulo, acatou o pedido de habeas corpus ingressado no início da tarde desta terça-feira (14) pelo advogado Antonio Mariz, criminalista nacionalmente reconhecido. Com isso, o ex-governador André Puccinelli e o filho serão soltos ainda nesta quarta-feira (15). De acordo com o desembargador, em entrevista exclusiva ao Jornal Midiamax, a medida foi tomada, porque, para o magistrado, não há a contemporaneidade vislumbrada pela Polícia Federal nos supostos recebimentos de propina, relatados pelo pecuarista Ivanildo Miranda na delação premiada.

“Os principais fatos datam de 2006 a 2013, ou seja, não há contemporaneidade. É mesma situação de maio, quando o ex-governador pediu habeas corpus para finalizar o uso da tornozeleira”, disse.

SEM PASSAPORTES – Fontes disse que Puccinelli e o filho devem comparecer em juízo, entregar os passaportes e estão proibidos de deixar o país.

O desembargador explicou que a prisão cautelar também foi entendida como desnecessária em maio pela 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande. “Também como em maio, a 5ª Turma ainda deve analisar, nos próximos dias, se mantém a liminar que eu concedi hoje.

A liminar já foi encaminhada para Campo Grande e deve ser cumprida ainda antes do almoço, já que falta apenas a emissão dos alvarás de soltura e entrega de ambos no Centro de Triagem, onde os dois dividem uma cela com outros 18 presos.

LAMA ASFÁLTICA – A Polícia Federal, a Controladoria Geral da União e a Receita Federal deflagraram na terça-feira (14) a quinta fase da Operação Lama Asfáltica, nomeada de Papiros de Lama por conta da compra de material jurídico, sem justificativa plausível, por parte de empresa concessionária de serviço público, e direcionamento dos lucros por um dos membros do que foi chamado de ‘organização criminosa’ pelas investigações. Ao todo, teriam sido desviados mais de R$ 235 milhões.

Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, de Puccinelli e o filho, dois mandados de prisão temporária, João Paulo Calves e Jodascil Gonçalves Lopes, seis mandados de condução coercitiva, de André Luiz Cance ex-secretário de Estado de Fazenda, os empresários João Amorim e João Baird, o dono da gráfica Alvorada Mirched Jafar Júnior, dono da PSG Antônio Cortez e o engenheiro João Maurício Cance e 24 mandados de busca e apreensão, além do sequestro de valores nas contas bancárias de pessoas físicas e empresas investigadas.

SUPEROPERAÇÃO – As medidas foram sendo cumpridas em Campo Grande/MS, Nioaque/MS, Aquidauana/MS e São Paulo/SP, com a participação de mais de 300 Policiais Federais, servidores da CGU e servidores da Receita Federal.

A operação teve como objetivo desbaratar a organização criminosa que desviou recursos públicos por meio do direcionamento de licitações públicas, superfaturamento de obras públicas, aquisição fictícia ou ilícita de produtos, financiamento de atividades privadas sem relação com a atividade-fim de empresas estatais, concessão de créditos tributários com vistas ao recebimento de propina e corrupção de agentes públicos. Os recursos desviados passaram por processos elaborados de ocultação da origem, resultando na configuração do delito de lavagem de dinheiro, segundo a Polícia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O ex-governador escapou pela segunda vez, nem precisou apelar ao ministro Gilmar Mendes e ainda livrou também o filho, e isso aconteceu numa velocidade impressionante, em menos de 24 horas. E depois ainda dizem que a Justiça brasileira é lenta… (C.N.)

Gilmar Mendes evita comentar a nova prisão de Jacob Barata e Lélis Teixeira

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Gilmar faz cara de paisagem e não está nem aí

Karla Gamba
O Globo

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), evitou comentar, nesta terça-feira, a Operação “Cadeia Velha”, deflagrada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. Entre os alvos estão os empresários do setor de tranportes Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira, que foram beneficiados por dois habeas corpus, concedidos por Gilmar em dois dias seguidos, em agosto. Em setembro, a Segunda Turma do Supremo manteve a decisão de Gilmar, deixando Lélis e Barata fora da prisão. “São decisões da turma, vamos aguardar, eu não conheço a fundamentação, vamos aguardar as informações” — declarou Gilmar.

Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira foram presos em julho no âmbito da Operação Ponto Final, que investiga o pagamento de propina por parte de empresários de ônibus a políticos. Em agosto, após o habeas corpus de Gilmar, passaram a cumprir recolhimento domiciliar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É claro que Gilmar Mendes não vai comentar a nova prisão dos empresários corruptores que ele generosamente soltou. Da mesma forma, o ministro não comenta a estranha prisão domiciliar de José Dirceu, com participação em rodas de samba em Brasília e livre atuação política, inclusive publicando artigo no site Nocaute, que reproduzimos aqui na TI, para mostrar o que o mentor do PT anda tramando. Gilmar também não comenta suas antigas decisões, como a libertação do médico estuprador Roger Abdelmassih, que fugiu para o Paraguai e demorou anos até ser preso e extraditado. Gilmar fala muito, mas tem horas em que prefere ficar estrategicamente calado. (C.N.)

‘Enquanto o Rio definha, eles se empapuçam com a corrupção’, diz o procurador

O procurador da República, Carlos Alberto Aguiar, explica esquema de fraudes

Aguiar se espantou com o volume da corrupção

Miguel Caballero
O Globo

Ao descrever o esquema de pagamento de propinas a deputados pela Fetranspor, em troca da aprovação de leis e de subsídios fiscais de interesse das empresas de ônibus, o procurador regional do MPF no Rio, Carlos Aguiar, destacou a fraude voluntária da atividade parlamentar pelos deputados: “As empresas (de ônibus) pagavam rotineiramente propina (aos deputados). Parlamentares dissimularam a função parlamentar para prestigiar seus interesses políticos e financeiros. Através da agremiação política que detém a hegemonia no Rio (PMDB), esses agentes vem ganhando força política quase insuperável e enriquecendo. Enquanto o Rio definha, esses sujeitos se empapuçam com o dinheiro da corrupção”.

Deputados estaduais, empresários e intermediários são acusados de manter uma caixinha de propina destinada à compra de decisões na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para o setor de transportes.

COISA ANTIGA – O esquema atual, concluíram os investigadores, teria começado nos anos 1990, por Cabral, e hoje seria comandado pelo presidente da Casa, deputado Jorge Picciani, por seu antecessor, deputado Paulo Melo, e pelo líder do governo Edson Albertassi, caciques do PMDB fluminense. Os três foram levados coercittivamente hoje para prestar depoimento na Operação “Cadeia Velha”.

A caixinha mantida pelos empresários de ônibus usava um sistema financeiro clandestino, gerido por transportadoras de valores. Em delação homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o doleiro Álvaro José Novis, encarregado de distribuir estes valores, disse que o dinheiro era recolhido inicialmente pela Transegur e, posteriormente, pela TransExpert, na garagem das empresas de ônibus, e passava pelo cofre-forte das transportadoras antes de chegar às mãos das autoridades corrompidas.

R$ 260 MILHÕES – Esta contabilidade paralela, cujas planilhas foram entregues por Novis, movimentou de 2010 a 2016, a quantia de R$ 260 milhões, circunstância que, para os investigadores, denota a sofisticação e estabilidade do esquema, cuja operação se assemelha a uma “instituição financeira” clandestina.

Para o melhor controle do fluxo de propinas, as empresas de ônibus possuíam “contas” nas transportadoras. Novis também teve de abrir “contas” para poder movimentar os valores e fazê-los chegar aos beneficiários finais. Bilhetes, enviados pelo empresário José Carlos Lavouras, dirigente da Fetranspor, ao doleiro, indicavam em código o nome dos beneficiados pela propina, que era entregue aos destinatários, incluindo a Alerj, em carros da TransExpert.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Este esquema é anterior às gestões de Picciani e Cabral na Assembleia Legislativa. O que os dois fizeram foi aperfeiçoar e profissionalizar o esquema, que funciona também na Câmara Municipal e na Prefeitura do Rio, conforme em breve será conhecido. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe e cavalo não desce escada. (C.N.)

Especialistas explicam que privatizar a Eletrobras é mais um crime de lesa-pátria

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Ferreira se orgulha de desnacionalizar a empresa

Mário Assis Causanilhas

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr, concedeu importante entrevista ao Broadcast (agência de notícias do Estadão), defendendo a privatização da estatal sob argumentos frágeis e inconsistentes, contestados com veemência pelos especialistas do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina), que comentam e desmentem as justificativas do governo, que pretende desnacionalizar a empresa sem promover um amplo debate com a sociedade. Confira a entrevista do presidente da Eletrobras e as réplicas dos especialistas do Ilumina.

Broadcast: Por que as tarifas podem cair para o consumidor com a privatização da Eletrobras?
Eu vou diminuir a necessidade do consumidor de colocar dinheiro na CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), essa é a vantagem que ele terá com a descotização das usinas. Ele não terá mais nenhum risco hidrológico, vai ser coberto pelo operador da usina e a necessidade de bandeiras vai diminuir. E uma parte dos recursos que o operador faturar, ele vai ter que capitalizar a CDE. Isso gera uma redução também.

Ilumina:  Consumidor com risco hidrológico? Total sandice! Só pode assumir riscos quem tem alguma gestão sobre o estoque de água nos reservatórios. Na realidade, pelo atual sistema, nem os geradores deveriam assumir esse risco porque, afinal, quem decide o uso das usinas hidroelétricas ou térmicas é o Operador Nacional do Sistema!! Como a mercantilização criou uma fragmentação de responsabilidades, nem o ONS pode ser totalmente responsabilizado, pois não é ele que decide a expansão. Nós sempre denunciamos esse problema. Nunca ouvimos o Sr. Ferreira falar qualquer coisa sobre isso. As bandeiras tarifárias só serão reduzidas se houver mais usinas baratas. Pergunte aos atuais donos de usinas não cotizadas qual é a dívida judicializada. 

Broadcast: Como o risco vai voltar para o operador?
O que o Ministério de Minas e Energia propôs é trazer esse risco novamente para o operador da usina. Vamos oferecer a oportunidade de descotizar. E o ato de descotizar significa você dar um novo contrato de concessão ao detentor da usina, na forma da produção independente de energia – ou seja, volta como era antes, com um preço diferente. Esse preço tem que ser avaliado de novo agora, vai ser objeto de proposição do MME, ele vai fazer essa proposição de um novo valor, onde o operador que tiver que comprar esse direito de operar essa usina, no caso, a Eletrobras, vai pagar um valor para fazer isso, e vai ter uma tarifa mais alta.

Ilumina: Que coisa confusa! Trazer o risco “novamente” para o operador da usina??? Nunca esteve com ele! O que o Sr. Wison propõe? Que, a partir de agora, o plano de operação que otimiza o sistema seja abandonado? O ONS define uma estratégia de operação e os donos da usina não cumprem? A vantagem do sistema interligado acabou? Se isso é verdade, é preciso se preparar para um desastre. Os donos das usinas sabem que o critério de operação está por trás de todos os parâmetros do modelo comercial? É bom também avisar ao mercado livre que vai acabar o PLD, aquele preço que imita o custo marginal de operação e que os comercializadores adoram. Basta ver as audiências do ONS.

Broadcast: Mas se o operador vai receber um preço maior do que recebe agora, como a tarifa vai cair?
O objetivo do aumento de capital da Eletrobras é pagar pelo direito de transformar essa usina, que era uma cota, e que vendia energia por R$ 35 o MWh sem risco hidrológico, para eu ganhar um valor maior do que R$ 35, por exemplo, R$ 150 o Mwh. Isso ficaria abaixo dos R$ 185 por MWh que você pagou esses mês, mas fico respondendo pelo risco hidrológico pelo prazo inteiro da concessão.

Ilumina: Em primeiro lugar, o Sr. sabe o que é a RAG (Receita Anual de Geração)? Sabe do que ela é composta? Nós explicamos: Nela estão inclusos Taxa de Pesquisa e Desenvolvimento, Taxa de fiscalização da ANEEL, Custos de conexão TUST, Bens não reversíveis, Receitas eventuais e a GAG que é o custo de operação e manutenção. A receita da usina é somente a GAG! Se a RAG é os R$ 35, como o Sr. diz, quanto o sr. acha que é a GAG? Sabe quanto é para a CHESF? R$ 9,50!! Quer dizer que vai subir de R$ 9,50 para R$ 150 e a tarifa não vai subir? Certamente teremos um prêmio Nobel de matemática.

Broadcast: O que vai acontecer com as empresas da Eletrobras que não poderão ser vendidas por motivos legais, como Itaipu e Eletronuclear?
Elas terão que ser cindidas da Eletrobras. Em princípio são esses dois, mas temos que olhar outros projetos que a companhia está envolvida, projetos binacionais. Aí não existem os ativos, mas existem os projetos, e tudo isso vai ficar melhor especificado na modelagem. O processo prevê que você execute as recomendações da modelagem nesse primeiro semestre de 2018.

Ilumina: Na realidade é possível perceber que nem o caráter estratégico da Eletrobras está sendo respeitado por vocês. Na realidade, ele também não sabe! Tudo foi feito às pressas!

Broadcast: Quais projetos?
Existem hoje projetos que estamos fazendo com Argentina e Bolívia. A gente tem um sócio para desenvolvimento desses projetos. No processo de modelagem da criação da empresa ‘espelho’ da Eletrobras, que vai ter capital predominantemente estatal, esses projetos serão todos levados para ela.

Ilumina: Ahhh, que genial esse processo de privatização de vocês! Vão criar estatais? Puxa, certamente será o primeiro processo de privatização que estatiza! Será foco de atenção no mundo corporativo!

Broadcast: Quem vai fazer a modelagem da privatização da Eletrobras?
É o PPI, o Moreira Franco que vai nomear um gestor. Ele pode nomear também o BNDES, ou um órgão da administração pública direta ou indireta. Não tenho essa decisão, como ele (BNDES) é parte interessada, porque é sócio, talvez não possa ser ele.

Ilumina: Ahhhh… o BNDES vai estar envolvido também? Outra jabuticaba! Privatização com a ajuda de banco público (leia-se recursos do contribuinte). Na realidade, é briga de foice no escuro. Talvez possa ser? O presidente da Eletrobras não sabe!

Broadcast: E como funciona essa nomeação?
A Eletrobras também está privatizando as distribuidoras. No final do ano passado, o PPI nomeou o BNDES como gestor desse programa de desestatização. O BNDES contratou no final do ano passado consultores que começaram a trabalhar em 14 de fevereiro deste ano e agora, no mês de outubro, apresentou as conclusões de modelagem e de valuation (avaliação) das distribuidoras. Está sendo apreciada agora pelo nosso Conselho de Administração, isso é um procedimento normal. Ele segue uma rotina que significa que o PPI vai ter que nomear um gestor e esse gestor contrata as consultorias a assessorias que julgar necessárias para efetivar e concluir os projetos de modelagem. Vai ser brevemente, fará antes do final do ano.

Ilumina: Esse caso é a grande vergonha brasileira. Vende-se um conjunto de distribuidoras rentáveis e as problemáticas são jogadas nas costas da Eletrobras que é obrigada a pegar empréstimo para comprá-las. Depois a acusam de ineficiente! É como vender aeroportos que geram receita e os de estados problemáticos ficam com o contribuinte. Depois, se os aeroportos não geram o lucro esperado, são devolvidos!! Além disso, haverá muita consultoria contratada e certamente mais BNDES para encarecer ainda mais o processo.

Broadcast: Como ficará a Eletrobras depois do processo de privatização?
Uma tendência no mundo é que as empresas de energia, por serem de capital intensivo, sejam corporações em parceria muito estreita com o mercado de capitais. Não é para ter aqui nenhum governo preponderante. Na Enel, o governo italiano tem 20% da companhia, não é o controlador da empresa. Participa, mas não manda. Quem manda é o conselho de administração, há critérios específicos.

Ilumina: Quanta contrainformação! Desde quando a ENEL é o paradigma? E a EDF francesa? E a Hydro Quebec? E a British Columbia? E a Bonneville Power Administration? E as empresas Norueguesas? E a TVA? Todo esse padrão poderia ser feito com a Eletrobras estatal. Bastaria ter mandatos fixos para seus diretores, contrato de gestão fixando limites tanto para o estado como para a empresa e punição severa para crimes contra o interesse público. Mas, quem quer isso?

Broadcast: O limite dos novos acionistas será mesmo de 10%, enquanto o governo pode ficar com cerca de 40%?
Você pode ter mais ações, mas você só vai votar por 10%. As corporações do mundo têm limite de concentração de votos. No caso aqui, a gente percebeu que, na média, o mais pulverizado, que são as empresas americanas, costumam ter limite de voto de 5%. Algumas outras que estão mais em emergentes, têm 15%. Nós temos o mercado de capitais mais maduro no caso brasileiro e a recomendação, nesse primeiro momento, é que seja de 10%. São regras da corporação que a modelagem vai ter que desenvolver, a recomendação é que se chegue nessa faixa. O governo tem 40%, mas só vota 10%.

Ilumina: Desde quando estamos tratando de empresas genéricas? A Eletrobras não é o Wal Mart ou o Mc Donalds! Desde quando o “mercado de capitais” resolve os problemas de um país tão diverso e desigual como o Brasil? Pelo menos olhe para a nossa história e veja que, se temos o que temos, devemos à instituições públicas como a Eletrobras e a Petrobras. Simplesmente é falsa a informação de que essas empresas não podem ser bem geridas.Para finalizar, por que o Sr. não explica a razão da tarifa ter subido mais de 50% real mesmo com as usinas da Eletrobras “doando” energia? E a sua promessa é uma redução de 1,5%??? 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Repete-se o problema da reforma da Previdência e da dívida pública. Também no caso da Eletrobras, falta debate. O governo Temer aproveita-se da crise para impor a desnacionalização desta estratégica empresa, quando se sabe que o Brasil pode construir mais 120 hidrelétricas de médio porte, para reduzir o custo da energia e aumentar a competitividade de nossa indústria. Como não existe debate, a Tribuna da Internet está aberta aos especialistas do setor, para que se saiba a verdade sobre esta estranha desnacionalização da Eletrobras, que corre o risco de ser adquirida por estatais de outros países, o que demonstrará, mais uma vez, como somos primários e ridículos em matéria de administração pública. (C.N.)

O trono de William e a invenção de Gutenberg

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Sebastião Nery

Velhinho miúdo de cabeça grande e longos cabelos e bigodes brancos, ele não nasceu em Estrasburgo. Nasceu perto, do outro lado do Reno, na Alemanha, onde o Meno se encontra com o Reno, em Mainz, que portugueses, espanhóis, italianos chamam de Mogúncia. Nasceu em 1400 e também não morreu em Estrasburgo, mas na sua Mainz, em 1468.

Mas é em Estrasburgo, à beira do Reno, na maravilhosa cidade, que já foi romana, germânica, alsaciana, francesa, alemã, de novo francesa e ocupada quando Hitler ocupou a França, que está seu trono, todo em bronze, no meio da praça, sobre um pedestal, segurando uma página de sua primeira Bíblia: – “Et la lumière fut”. “E a luz se fez”.

E Gutenberg iluminou para sempre a humanidade, criando a imprensa.

PERSEGUIDO –  Como geralmente acontece com a imprensa, Gutenberg sempre perseguido. Viveu correndo entre Mainz (Mogúncia) e Estrasburgo. Operário modesto, empregado nos fundos do palácio do arcebispo, começou a fazer pesquisas, tomou dinheiro emprestado, que não pagou, e por isso foi perseguido. Um dia inventou uma maquina tosca que acabou derrubando todo o império da Igreja Medieval.

É arrepiante entrar na pequena oficina, lá da sua Mainz (Moguncia), em que ele pesquisou 25 anos seguidos, para afinal, em 1432, 500 anos antes de eu nascer, editar pela primeira vez uma página impressa. Nos mais mínimos detalhes, foi criando um a um os tipos gráficos, fazendo a composição à mão, inventando a prensa de imprimir. Ameaçado por motivos políticos, fugiu de Estrasburgo e trabalhou como ourives.

BIBLIA DE MOGÚNCIA – De volta a Mainz em 1448, em 1455 terminava a primeira edição de um livro : a Bíblia, que por isso se chama a “Biblia de Mogúncia”. Apesar disso, de escolher a Bíblia para primeira obra impressa, acabou novamente perseguido. Tomaram-lhe os exemplares impressos, expulsaram-no do palácio, prenderam-no, alegando que não havia pago as dívidas.

Na verdade, a nobreza e o clero medieval sabiam que ali estava o fim de seu Império de mil anos. Gutenberg, o velhinho miúdo de cabeça grande, tinha dado à humanidade seu melhor pedaço de pão: a palavra impressa, onde ela poderia alimentar a liberdade de pensar e de existir.

Seu monumento é de 1840, quatro séculos depois de sua invenção. Numa cidade bem própria: além de belo e poderoso centro cultural, Estrasburgo é a capital política da Europa, sede do Conselho da Europa e do Parlamento Europeu. Em Bruxelas funciona o Poder Executivo da União Européia. Mas as decisões políticas, coletivas, são tomadas em Estrasburgo.

POLO CULTURAL – A França teve razão de lutar séculos por ela, disputando-a com a Alemanha. Estrasburgo é contemporânea da humanidade. Desde a Idade de Bronze já lá morava uma comunidade de pescadores. Conquistada pelos romanos, que a chamaram de “Argentoratum” (“cidade da prata”), no ano 12 antes de Cristo, logo virou posto militar para vigiar as tribos germânicas.

Conta a historiadora Annamaria Giusti: – “Na Idade Media, a maior autoridade eram os bispos. Em 1262, foi liberada da tutela deles. Em 1300, construíram uma ponte sobre o Reno, para negociar madeira, vinho, algodão. No século 15, transformou-se numa Republica Livre, governada por um Conselho de Representantes. E logo aderiu à Reforma Protestante, virou polo cultural com a presença de pensadores, pregadores e perseguidos políticos da França, Itália, Suíça,etc”.

Toda minha solidariedade ao exemplar William Waack, também ele vítima do atraso como Gutenberg foi.

Uma homenagem a um poeta do povo, chamado Luiz Carlos da Vila

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Luiz Carlos da Vila, uma presença que faz falta

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

O carioca, administrador de empresa e poeta Marcos Fernandes Monteiro ou, simplesmente, Coquito, na sua forma peculiar de escrever, registra com sutileza, beleza e simplicidade o cotidiano, a sabedoria e a arte do compositor, cantor e poeta Luiz Carlos da Vila, ou das Vilas, porque era compositor da escola de samba Unidos de Vila Isabel e morava na Vila da Penha, bairro suburbano do Rio de Janeiro.

O amigo e compositor Candeia, o bloco Cacique de Ramos e o bar Papo de Esquina, onde Luiz reunia os amigos para conversar e cantar, jamais poderiam ficar ausentes do poema. Vale ressaltar que, este poema foi escrito antes do falecimento do Poeta da Vila, em 2008, depois musicado e gravado por Johnny do Matto, no CD Parcerias, produção independente em 2009.

POETA DA VILA
(A Luiz Carlos da Vila)
Johnny do Matto e Coquito

Luiz Carlos da Vila, mas antes de tudo, Luiz da emoção
Da noção exata que o verso precisa dizer ao coração
Quando imortaliza em samba no mundo, uma bela canção
Quando eterniza na soma do mundo mais uma canção

Luiz da legítima aldeia do lume do mestre Candeia
Eterno Cacique que registrado fique esta luz que clareia
Poeta do samba, da terra, dos mares, a semente semeia
Poeta dos campos, das serras, dos ares, tua nação te nomeia

O mago das palavras vai combinando o que não combina
Versando um verso clareando o Universo com seu estandarte
Abrindo fronteiras reparte com todos essa bênção divina
Nada mais que rotina à sina que ensina é de um filho da arte

Luiz é do povo, do velho, do novo, do Papo e da Esquina
Brasileiro e poeta com a mais genuína obra suburbana
No peito à sina de quem sempre aprende o que a vida ensina
E assim ele assina o diploma com a força da raça africana

Tribunal Regional Federal vai decidir se manda prender Picciani, Melo e Albertassi

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Fizeram uma maldade com meu filho, diz Picciani

Julia Affonso
Estadão

A Primeira Seção Especializada do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF2) vai decidir se manda prender os deputados estaduais do PMDB do Rio Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi. O Ministério Público Federal, na 2.ª Região, pediu a prisão e o afastamento dos peemedebistas dos cargos na Assembleia Legislativa do Rio. Os parlamentares estão na mira da Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira, 14.

Picciani, Melo e Albertassi têm foro por prerrogativa de função perante o Tribunal. O Ministério Público Federal sustenta que os crimes atribuídos aos peemedebistas ‘são inafiançáveis, que os deputados seguem em flagrante delito, sobretudo de associação criminosa e lavagem de ativos, e que não é preciso a Assembleia avaliar suas prisões’.

LAVAGEM DE DINHEIRO – “Os requeridos (Picciani, Melo e Albertassi) vêm contribuindo diuturnamente para a violação da paz pública e promovendo processos de lavagem de dinheiro, de modo que o estado de flagrância é manifesto. Não é ilógico defender que, no combate à criminalidade organizada, é de suma importância a intervenção externa, com o fim de neutralizar o grupo ou, ao menos, diminuir os seus efeitos lesivos”, afirmam os procuradores regionais da República Andréa Bayão, Carlos Aguiar, Mônica de Ré, Neide Cardoso de Oliveira e Silvana Batini.

“Por esta razão é que se anseia a urgente e imediata aplicação de medida de autodefesa da sociedade, proporcional aos injustos praticados, como a captura, a condução coercitiva e a respectiva lavratura de prisão em flagrante delito dos integrantes da organização criminosa.”

Em nota, o Tribunal afirmou que o desembargador federal Abel Gomes entendeu que os pleitos do Ministério Público Federal devem ser analisados pela Primeira Seção Especializada do TRF2, da qual o magistrado faz parte. Segundo nota da Corte Federal, Abel Gomes mandou oficiar o presidente do colegiado, pedindo a convocação de sessão extraordinária, ‘com a urgência que a natureza dos requerimentos requer’.

SÓ NO DIA 23 – A Primeira Seção Especializada tem sessões ordinárias na quarta quinta-feira de cada mês. O próximo encontro da Seção será no dia 23 de novembro.

Em manifestação à Corte Federal, os procuradores apontam uma ‘uma inegável situação de permanência das práticas delituosas’ dos deputados. Segundo a Procuradoria, o ‘usufruto de bens e valores originados de vantagens indevidas obtidas ao longo das últimas décadas são mantidos ocultos ou dissimulados aos olhos da fiscalização e do Sistema Financeiro Nacional’.

“A hipótese é, portanto, de genuíno flagrante próprio de crimes permanentes”, afirma a Procuradoria.

CORRUPÇÃO CONTÍNUA – No documento, os procuradores destacam a ‘imprescindibilidade da atividade política para o desenvolvimento social e para a manutenção do Estado de Direto’. Alertam no entanto, que ‘ao longo da titularidade de seus mandatos, a atuação política de Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi sempre foi dissimulada, pautando-se pela priorização dos seus respectivos objetivos, políticos e financeiros, em detrimento do interesse público’.

“Importante ressaltar que não se busca aqui superar os cânones da separação dos poderes, caros às repúblicas democráticas. Nem mesmo desafiar a discricionariedade dos agentes públicos nas indicações de postos estratégicos. Mas o momento não é para ingênuos. Nem para tibiezas”, argumentam.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quando Sérgio Cabral foi preso, Picciani fez a Piada do Ano, ao declarar: “O ex-governador vai provar que é inocente”. Um ano se passou, Cabral já foi condenado a mais de 70 anos, e agora Picciani é que se diz inocente e está revoltado com a “maldade” que fizeram com o filho dele. Ele se esquece de que é o culpado de tudo, porque não tinha nenhuma necessidade de corromper o filhos, podia criá-los como homens de bem, mas preferiu lhes oferecer a rota do crime, que não leva a nada de bom. (C.N.)

Procuradoria pede bloqueio de R$ 154 milhões de Picciani e de seu filho Felipe

Paulo Melo, ex-presidente da Alerj, já depôs  à PF

Gabriela Mattos
O Dia

O Ministério Público Federal pediu ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) o bloqueio de R$ 154,46 milhões do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB) e de um dos filhos dele, Felipe Picciani. Os dois são alvos da Operação “Cadeia Velha”, desdobramento da Lava Jato. O parlamentar foi levado coercitivamente a depor e Felipe foi preso pela Polícia Federal.

“Mostra-se necessária e urgente a decretação de ordem judicial para determinar o bloqueio dos ativos em nomes dos representados, incluindo pessoas jurídicas vinculadas diretamente envolvidas nos atos de corrupção e as que se relacionam com a lavagem de ativos, conforme já explicitado na medida cautelar de afastamento do sigilo bancário e fiscal e reconhecido ante o deferimento do pedido”, requereu a procuradoria. O MPF quer que o bloqueio atinja ainda as empresas da família Picciani.

OUTROS ENVOLVIDOS – A operação investiga os também deputados estaduais Paulo Melo (PMDB) e Edson Albertassi (PMDB) e outros dez suspeitos por corrupção envolvendo a Alerj. A Procuradoria da República pediu o bloqueio de R$ 108,61 milhões de Paulo Melo, de R$ 7,68 milhões de Edson Albertassi.

A operação “Cadeia Velha” cumpriu mandados de prisão contra empresários do setor de ônibus, Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira. Edson Albertassi e Paulo Melo também foram levados para prestar depoimento nesta terça. Segundo o MPF, a condução coercitiva dos parlamentares foi ordenada como alternativa inicial à prisão deles, já que eles têm foro privilegiado. Apesar disso, o órgão já pediu ao 2º Tribunal Regional Federal (TRF) a prisão dos três deputados.

ILÍCITOS GRAVÍSSIMOS – “Havendo demonstração cabal de ilícitos gravíssimos e até mesmo alguns em estado de flagrância, à vista de sua natureza permanente, e que a liberdade dos referidos alvos implicaria perigo concreto à ordem pública, além da aplicação da lei penal, requer o MPF sejam deferidas prisões preventivas em desfavor dos deputados estaduais ora investigados”, afirmam os procuradores regionais.

Além de Lélis Teixeira e Jacob Barata Filho, o empresário José Carlos Lavouras, também ligado a Fetranspor, também é alvo da ação. No entanto, ele está fora do país e ainda não foi preso. Os policiais cumprem mandados de prisão contra Sávio Mafra, assessor especial do gabinete da presidência da Alerj; Jorge Luiz Ribeiro, braço direito de Picciani; Andréia Cardoso do Nascimento, chefe do gabinete de Paulo Melo; e o irmão dela, Fábio, um dos assessores do parlamentar.

SOLTOS POR GILMAR – Os empresários Jacob Barata e Lélis Teixeira já haviam sido presos no início do ano pela Operação Ponto Final, que investiga um suposto esquema de pagamento de propina a políticos e fraudes em contratos do governo estadual com empresas de transporte público.

No entanto, em agosto, os empresários foram beneficiados por um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Desta vez, Gilmar vai ter de encontrar outros argumentos para soltar Barata e Teixeira. Quanto a Picciani, seu problema é só o filho, porque ele se garante com o apoio massivo da Assembléia. (C.N.)

Mais Piada do Ano: G1 anuncia que Meirelles está fora da reforma ministerial…

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Valdo Cruz
G1 Brasília

Diante da ideia inicial do governo de trocar todos os ministros que possam ser candidatos no ano que vem, assessores do presidente Michel Temer disseram ao blog que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não entra nessa lista. O argumento é que ele, até o momento, não é um candidato declarado e sua permanência é importante para a condução da política econômica do governo Temer.

Além disso, esses assessores destacam que essa é uma intenção inicial de Temer, de não ter candidatos em sua equipe, mas que o presidente ainda não sabe se ela será totalmente viável porque os partidos aliados podem resistir a essa regra.

MINISTROS-CANDIDATOS – Muitos ministros que são candidatos só querem sair em abril, prazo final para desincompatibilização, e não agora. Por outro lado, a equipe presidencial diz que o chefe deseja que os novos ministros, a serem indicados pelos partidos aliados, garantam que não serão candidatos.

“A princípio, o presidente gostaria que não tivesse nenhum candidato na sua equipe, mas sabe que isso não é totalmente garantido. Mas ele quer pelo menos que os novos ministros não sejam”, afirmou ao blog um assessor.

Após a saída do tucano Bruno Araújo do Ministério das Cidades, o presidente Temer oficializou sua decisão de promover uma reforma ministerial, que ele pretende concluir até meados de dezembro. A reformulação da Esplanada dos Ministérios foi uma condição imposta pelos aliados para votação da reforma da Previdência Social.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Com todo o respeito ao excelente jornalista Valdo Cruz, esta reportagem parece ser a “antimatéria” que o cientista César Lattes tanto procurava. Meirelles não está nem nunca estará na lista dos ministros demissíveis, porque ele é o verdadeiro presidente, uma espécie de Rasputin careca e sem barba, que personifica o famoso “imexível” citado pelo então ministro Rogério Magri na gestão de Collor. O presidente virtual Michel Temer é apenas o coadjuvante nesta novela governamental. (C.N.)