Chefe da Lava-Jato decepciona o Planalto e diz que operação será intensificada 

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Ricas: Lava Jato vai avançar, ao invés de recuar 

Bruno Dalvi
O Globo

O novo diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal (PF) Eugênio Ricas, que comandará todas as operações federais no Brasil, prometeu intensificar a operação Lava-Jato e garantiu que não há a menor possibilidade de reduzir os esforços da operação. Após se reunir nesta segunda-feira com o novo diretor-geral da PF, Fernando Segóvia, e o governador Paulo Hartung (PMDB), Ricas também afirmou que vai ampliar o combate ao tráfico de drogas e ao tráfico de armas.

— Lava-Jato é uma instituição dentro da Polícia Federal. Não tem como estancar uma instituição. A nossa missão é intensificar ainda mais os trabalhos que são feitos lá. A sociedade brasileira pode ficar tranquila com relação a isso. A nossa missão é dar mais condições, mais suporte, pra que todos os trabalhos da Policia Federal sejam feitos. Então, a partir do momento que os fatos criminosos aparecem em outros lugares, é necessário criar outros núcleos — garantiu Ricas.

PREVENÇÃO – Ricas é secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo e recebeu o convite para assumir a diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF logo após Segóvia ser nomeado pelo presidente Michel Temer (PMDB).

— A prevenção é um dos caminhos para se combater a corrupção. Por isso, fomentamos a transparência e melhoramos o controle interno aqui no estado. Agora, chega o momento de trabalhar em outra área. É uma missão que será a mais desafiadora da minha vida. Todos sabemos o momento que o país vive — afirmou Ricas, que acrescentou:

 

— O desafio é fazer com que a Polícia Federal continue atuando de forma responsável, ampliando as ações de combate à corrupção, ao tráfico de drogas e ao tráfico de armas. A questão da segurança pública é uma questão que, junto à corrupção, tem afligido a família brasileira.

ENTROSAMENTO – Na cúpula da PF, Ricas vai substituir o atual diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Maurício Leite Valeixo. Segóvia e Ricas tiveram uma experiência profissional entre 2009 e 2011, quando Segóvia era superintendente da Polícia Federal no Maranhão e Ricas foi seu braço-direito.

Segóvia esteve no Palácio Anchieta, em Vitória, nesta segunda-feira, onde almoçou com Hartung e Ricas.

— Sei da grandiosidade do trabalho que terá de ser feito. Ele (Eugênio) vai conduzir todas as investigações de grande prioridade nesse país. Ele será um pilar fundamental na nova administração. A PF, como um todo, foi unanime, de norte a sul do país, em aclamar o nome dele. Isso será muito bom para o país — disse Segóvia, na sede do governo capixaba.

No Espírito Santo, Ricas se destacou por adotar duras medidas no combate a irregularidades em contratos públicos e desvio de verbas, além de abrir 37 processos administrativos contra microempresas e até multinacionais. As medidas estão se tornando uma referência no setor. Entre elas, uma chama a atenção: o livre acesso dos cidadãos a informações sobre gastos, contratos e obras do governo local.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como previmos aqui na Tribuna da Internet, a nova direção da PF continua decepcionando o Planalto. A Lava Jato é indestrutível e não será um governo fraco e corrupto que curvará a corporação. Se vocês ainda têm dúvida, perguntem ao Picciani… (C.N.)

Picciani levou propina de R$ 58 milhões, afirma o Ministério Público Federal

Jorge Picciani é escoltado por agentes da PF no aeroporto Santos Dumont

Picciani ligou para Pezão assim que chegou ao Rio

Deu em O Dia
(Agência Estado)

O Ministério Público Federal na 2ª Região, apontou propina de R$ 58,58 milhões ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), entre 15 de julho de 2010 e 14 de julho de 2015. Deste montante, o peemedebista identificado como “Platina” ou “Satélite” levou R$ 49,96 milhões a mando da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) e R$ 8,62 milhões a mando do ex-governador do Estado Sérgio Cabral (PMDB).

Jorge Picciani foi levado a depor na Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato, nesta terça-feira. Seu filho Felipe Picciani foi preso pela Polícia Federal em Uberaba, Minas Gerais. Ele é irmão de Leonardo Picciani, ministro dos Esportes do Governo Michel Temer (PMDB) e de Gabriel, deputado estadual.

PARTE DAS PLANILHAS – O operador financeiro e delator da Lava Jato Álvaro Novis relatou que “os pagamentos efetuados a mando da Fetranspor para Picciani iniciaram na década de 90 e perduraram até a véspera da Operação Xepa da Lava Jato, em 2016, mas que só possuía parte das planilhas de pagamentos feitos a Jorge Picciani”.

Segundo o delator, o presidente da Fetranspor José Carlos Lavoura “lhe disse que o parlamentar recebia o valor total a ser distribuído entre os deputados da Alerj por ser o presidente do órgão”. “As entregas para Jorge Picciani, a mando de José Carlos Lavoura, foram feitas, na maior parte das vezes a Jorge Luiz Ribeiro, por meio da Transexpert, que usava veículos normais blindados. Jorge Luiz quando solicitava a entrega do dinheiro dizia para procurarem Manoel, codinome usado por ele”, relata a Procuradoria.

MELO E ALBERTASSI – Também são investigados na Cadeia Velha os deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, ambos do PMDB, e outros dez investigados por corrupção e outros crimes envolvendo a Assembleia.

A pedido do Núcleo Criminal de Combate à Corrupção (NCCC) do Ministério Público Federal na 2ª Região, o desembargador federal Abel Gomes, relator dos processos da força-tarefa da Lava Jato, no Rio, no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, ordenou as conduções coercitivas dos parlamentares, seis prisões preventivas e quatro temporárias e buscas e apreensões nos endereços de 14 pessoas físicas e sete pessoas jurídicas. A condução coercitiva dos deputados foi ordenada como alternativa inicial à prisão deles.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No ranking da corrupção, Picciani só perde para Cabral. Esta conta de R$ 58 milhões não está batendo, porque a Procuradoria está pedindo bloqueio de R$ 154 milhões de Jorge Picciani e de filho Felipe. Vamos aguardar novos números. (C.N.)

Hoje é um dia especial, porque minha mãe está completando 100 anos…

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O mestre budista Ikeda carregando a mãe

Carlos Newton

Para quase todo mundo, é uma terça-feira como outra qualquer. Mas minha mãe está completando 100 anos e vamos comemorar dando boas risadas. Dona Yolanda mora com o irmão Webster, que tem 97 anos, está em ótima forma e seu hemograma faz inveja a muita gente de 50 anos. O dela, também. Os dois têm ligeira hipertensão, mas nada de diabetes, colesterol, triglicerídeos, Parkinson ou Alzheimer… Minha mãe já tem uma ligeira desorientação senil, não lembra de muita coisa, mas toma banho, vai ao banheiro, come e dorme sozinha, é capaz de reconhecer todas as pessoas que lhe são próximas e tem uma alegria de viver realmente admirável. Fica encantada com qualquer pessoa que a visite. Divertiu-se muito ao conhecer nosso amigo gaúcho Antonio Carlos Fallavena, fez uma festa quando ele esteve conosco, em agosto.

Meu tio está inteiro aos 97 anos. É um deslumbramento conversar com ele sobre Cinema ou História. Tem uma cultura absurda, domina o cinema mudo com poucos. Você sabe quem foi Norma Shearer? Pergunte a ele. Conhece a obra e a vida íntima dela, uma das maiores atrizes de Hollywood. Pergunte sobre Pola Negri, Ricardo III, Errol Flynn, Mary Stuart, Greta Garbo…

NO MESMO PRÉDIO – Jamais estive distante de minha mãe, porque sempre morei no mesmo prédio dela, o edifício Zacatecas, no Rio de Janeiro, um edifício classe média em Laranjeiras, onde viveram e vivem muitas personalidades de destaque, como o poeta Manuel Bandeira, o advogado Sobral Pinto, a miss Marta Rocha, os jornalistas Armando Nogueira, Octavio Bonfim (criador do bonequinho do cinema de O Globo), Genilson Gonzaga, Oliveira Bastos, Marçal Versiani e os ainda residentes Arthur Dapieve e João Batista Abreu, com suas mulheres Manya e Alda, também jornalistas, sem falar no cineasta Paulo Cesar Sarraceni e seus sobrinhos Denise e Sérgio, nas atrizes Maria Pompeu e Rossana Ghessa, no compositor Miguel Gustavo, no comediante Benvindo Siqueira, no chefe de Polícia Manoel Vidal, na cantora e atriz Márcia Cabral, nossa vizinha, é um nunca acabar de celebridades com as quais nos relacionamos nestes 70 anos em que moramos no prédio que o humorista Cláudio Paiva chama de “inesquecível”.

Mas só comecei a cuidar diretamente de minha mãe quando ela fez 92 anos. Nesta época, Yolanda já andava de bengala, caía muito, se machucava. Notei que tomava um remédio de tarja preta, que eu joguei fora. Para levantar o astral, nada de calmantes. Passei a lhe dar café e chá preto. que contém muita cafeína. Resultado: oito anos depois, não cai mais, é difícil isso acontecer, e ela deixou de usar bengala… Como dizia Belchior, precisamos todos rejuvenescer.

ÔNUS E BÕNUS – Cuidar de idosos tem bônus e ônus. Posso abraçá-los e beijá-los, damos gargalhadas, é uma maravilha viver, diria Vinicius de Moraes, que no final da vida morava aqui pertinho, no Parque Guinle. Mas há também os bônus. Sem a tarja preta, D. Yolanda de vez em quando surta, quer bater na gente. Aí eu lhe dou um “Dramin” e ela apaga. O maior problema é quando tem dor de barriga, porque nunca dá tempo de chegar ao banheiro, ela suja a casa toda. Eu ajudo a limpar, a dar banho nela. No início, era um problema para mim, depois acostumei. Yolanda toma banho sozinha, mas a gente precisa enxugar as pernas dela, que é gordinha, depois colocar a fralda nela, é assim que funciona. E faço isso 365 dias ao ano, é igual a editar o Blog, são meus dois trabalhos.

Quando o filósofo Luiz Felipe Pondé defendeu na Folha a tese de que os jovens, para serem “felizes”, têm direito de colocar os idosos em asilo, protestei aqui na TI contra essa desumanidade. Na minha família e na de minha mulher, nunca houve caso de internar os idosos para que os mais jovens sejam felizes. Mas é claro que nem todo mundo pensa assim, que Deus os perdoe e a nós não desampare.

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P.S.Às vezes fico impaciente e nervoso com essa rotina, é natural. Mas aí lembro a famosa fotografia do mestre budista Daisaku Ikeda carregando a mãe nas costas, numa festa, e ela está felicíssima. Neste sentido (e em muitos outros), os orientais são bem mais humanos do que nós. E vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha, que faz uma falta enorme à bancada comunista. (C.N.)

Piada do Ano: Advogado ainda não sabe por que o filho de Picciani foi preso…

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Depois do filho felipe, Picciani se tornou a boa da vez

Vanessa Pires e Bruno Sousa
G1 Triângulo Mineiro

A Polícia Federal prendeu em Uberlândia, na manhã desta terça-feira (14), Felipe Picciani, filho do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani. A ação foi feita durante Operação Cadeia Velha, um desdobramento da Lava Jato, que acontece no Rio de Janeiro e Triângulo Mineiro. Havia um mandado de prisão temporária contra Felipe. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Uberaba.

Segundo confirmou o delegado-chefe da PF em Uberlândia, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo, Felipe foi preso por volta das 6h perto do aeroporto da cidade. Ele havia levado o pai, Jorge Picciani, para embarcar para o Rio de Janeiro. Assim que desembarcou no RJ, Jorge Picciani foi conduzido para depor na sede da PF. Já o filho segue preso em Uberlândia e será levado para o Rio de Janeiro à tarde, em um voo comercial.

SEM INFORMAÇÕES – O advogado Cláudio Fontoura está na sede da PF acompanhando Felipe Picciani e informou que ainda não foram esclarecidas as razões do mandado de prisão. “Nós não temos ciência. A Polícia Federal de Uberlândia tá cumprindo uma ordem que veio de fora. O meu cliente não sabe as razões, eu também não tive acesso. Eu estou aqui apenas para assegurar se está tudo bem”, disse.

Foram presos na operação desta terça o empresário Jacob Barata Filho e o ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) Lélis Teixeira.

O presidente da Alerj, Jorge Picciani, é suspeito de receber propina da Fetranspor, em um esquema de corrupção no setor que envolveria políticos. Segundo a PF, as empresas de ônibus colocavam dinheiro em uma “caixinha”, destinada ao pagamento de propina a políticos para aprovar leis que beneficiariam o setor. A informação chegou ao Ministério Público Federal (MPF) com a delação premiada do doleiro Álvaro José Novis.

35 MANDADOS – Também são cumpridos 35 mandados de busca e apreensão na operação desta terça-feira. Em Uberaba, a PF cumpriu quatro desses mandados, sendo três em imóveis rurais e um residencial da família Picciani. Documentos foram apreendidos nos imóveis.

Um dos alvos foi uma fazenda às margens da BR-050 onde fica a empresa Agrobilara, que pertence à família Picciani. A Agrobilara é uma das principais fornecedoras de genética de gado nelore do Brasil. Felipe estaria à frente dos negócios, que tem como sócios o pai, Jorge, e os irmãos Leonardo Picciani, ministro do Esporte, e Rafael Picciani, deputado estadual.

Por volta das 6h, equipes da Polícia Federal chegaram à sede da fazenda. Eles foram recebidos por funcionários, que não tinham chaves do imóvel. Um terceiro funcionário chegou e abriu. Por volta das 8h, a equipe da PF deixou a fazenda. Documentos apreendidos foram encaminhados à sede da Polícia Federal em Uberaba.

A Agrobilara Comércio e Participações Ltda já foi citada em investigações da Lava Jato por supostas atividades ilícitas na delação premiada de Jonas Lopes, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). Segundo a delação, a compra de gado foi usada para lavar dinheiro de propina.

OUTRAS PRISÕES – O ex-presidente da Fetranspor, Lélis Teixeira, chegou na sede da PF às 9h30. Assim como Barata Filho, ele teve mandado de prisão preventiva – sem prazo definido – expedido pela Justiça na operação Cadeia Velha.

Barata Filho e Lélis Teixeira já tinham sido presos na operação Ponto Final, em julho. Porém, em agosto, foram liberados por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Trinal Federal. Eles tiveram a prisão revertida em recolhimento domiciliar noturno.

Dono de mais de 25 empresas de ônibus no Rio e filho de Jacob Barata, conhecido como “Rei do ônibus”, Barata Filho é suspeito de pagar propina para políticos em troca de decisões favoráveis a seus negócios, como aumento da tarifa de ônibus. Lélis Teixeira é suspeito de ser o responsável por dar as ordens para o pagamento de propina na ausência de José Carlos Lavouras, que era o presidente do Conselho de Administração da Fetranspor e também foi preso na Ponto Final.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Piada do Ano é do advogado da famiglia, que procura saber por que o filho de Picciani foi preso. No presente caso, é uma paródia da velha piada da mulher do árabe. Nem é preciso a Polícia ter motivos para fazer as prisões, porque os envolvidos sabem exatamente por que estão sendo trancafiados. (C.N.)

Polícia Federal enfim acaba com a farra da quadrilha do PMDB no Rio de Janeiro

Agentes fazem busca no gabinete de Picciani na Alerj

Bernardo Mello Franco
Folha

Os tribunais de contas foram criados para evitar a pilhagem dos cofres públicos. Com frequência, fazem o contrário. Tapam os olhos para os desvios e embolsam parte do dinheiro roubado. Em março, a Polícia Federal promoveu uma faxina no Tribunal de Contas do Estado do Rio. Dos sete conselheiros, cinco foram varridos para a cadeia. Um sexto, que delatou os comparsas, passou a cumprir prisão domiciliar.

De acordo com as investigações, o grupo participou ativamente da quadrilha de Sérgio Cabral. O governador armava as negociatas e repassava uma comissão aos fiscais corruptos. O propinoduto operou em diversas áreas, da reurbanização de favelas à partilha de linhas de ônibus.

INDICAÇÃO POLÍTICA – Todos os presos chegaram ao tribunal de contas por indicação política. Quatro foram deputados estaduais. Os outros dois prestaram serviços a governos do PMDB. Ao menos um deles esteve na memorável farra dos guardanapos em Paris.

A Operação Quinto do Ouro deu ao Rio uma chance de começar de novo. O governador Luiz Fernando Pezão, herdeiro político de Cabral, preferiu ignorá-la. Na semana passada, ele indicou outro deputado estadual para uma cadeira no TCE.

O escolhido, Edson Albertassi, é ninguém menos que o líder do governo na Assembleia. Está no quinto mandato e, nas horas vagas, comanda uma rádio evangélica. Para surpresa de ninguém, é filiado ao PMDB.

ERA VEZ DE AUDITOR – A oposição protestou contra a escolha. Pelo que determina a Constituição estadual, o governador deveria ter indicado um auditor de carreira. Ele driblou a regra e optou por mais um político aliado.

Nesta segunda, o Tribunal de Justiça suspendeu a nomeação de Albertassi. Com isso, Pezão ganhou outra oportunidade de nomear um fiscal independente. Ao que tudo indica, ele vai arremessá-la pela janela. Cabral já foi condenado a 72 anos de prisão, mas a farra do PMDB fluminense não terminou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nesta terça-feira, a Polícia Federal desbaratou a gangue do PMDB estadual, chefiada por Jorge Picciani, cuja prisão será requerida pela Procuradoria, em um pedido que incluirá também os deputados Paulo Mello e… Edson Albertassi. Um dos filhos de Picciani, Felipe, foi preso em Uberaba. Mas ficou faltando prender Pezão, o novo chefe da quadrilha. E isso é apenas questão de tempo. (C.N.)

Villas Bôas novamente descarta intervenção e não fala nada sobre Bolsonaro

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Doente, Villas Bôas vai abandonar o cargo

Deu na BBC Brasil

O general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, comandante-geral do Exército, é um dos responsáveis por assegurar a defesa do país. Ao mesmo tempo, é um homem que trava uma batalha pessoal com a própria saúde. Em março deste ano, ele revelou, em um vídeo institucional divulgado no YouTube, estar enfrentando uma doença neuromotora degenerativa que afeta a musculatura. Cinco meses depois, com a mobilidade bastante restrita e a respiração mais ofegante, ele tem participado de eventos usando uma cadeira de rodas.

Em entrevista à BBC Brasil, por telefone, o próprio comandante classificou a situação dele como “inaudita”. Mas garante que a saúde mais fragilizada, que contrasta com a imagem de um soldado pronto para a guerra, não é, para ele, motivo para ele deixar o posto. O trabalho, diz ele, o ajuda a enfrentar a doença. Nos bastidores da caserna, porém, já se especula quem será seu sucessor.

SEM TUTELA – Questionado sobre os pedidos de intervenção militar que surgiram em certos setores nos últimos anos, o Villas Bôas foi categórico em dizer que a própria sociedade brasileira é capaz de encontrar uma solução para a crise sem que isso ocorra. “O Brasil tem um sistema que dispensa a sociedade de ser tutelada”, declarou.

O comandante falou também sobre o emprego – e limitações – das Forças Armadas para conter a escalada da violência urbana. Para ele, que mais de uma vez já criticou o uso delas em ações para garantir a manutenção da lei e da ordem em cidades, o Exército nas ruas pode melhorar a sensação de segurança apenas de forma passageira.

E chamou ainda de “alarmistas” os críticos do exercício militar que o Exército fez na Amazônia com a participação de representantes de 20 países.

A DOENÇA – Villas Bôas se diz frustrado por não poder percorrer as unidades do Exército, mas garante que o exercício da função o ajuda a enfrentar a doença. “Me fortalece e me anima”, diz, complementando, no entanto, “que não quer dar um caráter heroico ao que está acontecendo”.

O general afirma não ver razão para ir para a reserva e que desde que assumiu publicamente a doença tem recebido “muitas manifestações de solidariedade e apoio”.

Após o comandante assumir a doença publicamente, as especulações sobre sua sucessão ganharam corpo. Há quem acredite que ele esteja resistindo no cargo e enfrentando pressões internas para evitar que nomes mais “linha-dura” e ícones dos “intervencionistas” – como o general Antonio Hamilton Mourão, atual secretário de Economia e Finanças do Exército – assumam o comando da Força.

PERFIL IDEAL – Questionado sobre o perfil de um comandante em tempos de crise política, turbulência econômica e apelos cada vez mais crescentes por intervenção, Villas Bôas diz não ser possível traçar características ideais.

“Com relação ao perfil ideal para comandante do Exército, não se pode traçar um perfil considerado ideal, já que os estilos de liderança são absolutamente individualizados. Cada pessoa estabelece seu estilo de liderança de acordo com as circunstâncias, com sua capacidade, com o ambiente e de acordo com os objetivos que ele estabelece. Não há como traçar um perfil para essa função.”

Sobre os apelos por intervenção militar agregarem complexidade à missão de comandar o Exército e a tropa de mais de 200 mil homens, Villas Bôas diz que não há nenhuma dificuldade interna e salienta a necessidade de ficar longe das disputas político-partidárias.

UNIÃO – “O Exército está coeso e absolutamente consciente de que é uma instituição de Estado e de que não cabe participar de uma dinâmica de caráter político e de caráter partidário”, afirma.

Ele próprio cita 1964, ano em que os militares assumiram o comando do Brasil, para salientar quão diferentes eram as circunstâncias daquela época se comparadas com o momento atual.

“Sempre vêm lembranças relativas ao período de 1964… O Exército continua o mesmo daquele período, com os mesmos valores, os mesmos princípios, os mesmos objetivos, mas as circunstâncias mudaram muito”, diz, acrescentando que eram tempos de Guerra Fria, em que até mesmo a coesão do Exército estava ameaçada. “O Exército estava na eminência de rachar.”

AMADURECIMENTO – Hoje, afirma Villas Bôas, o país tem instituições amadurecidas. “Tanto que a gente vem nessa crise já há algum tempo e as instituições permanecem cada uma cumprindo as suas funções. O Brasil é um país complexo, tem um sistema de pesos e contrapesos que dispensa a sociedade de ser tutelada. Então ela própria, a sociedade, tem que encontrar os caminhos para a superação dessa crise.”

Além de se posicionar contra a necessidade de intervenção militar para resolver a atual crise, o comandante também tem uma visão crítica em relação ao uso das Forças Armadas para conter a violência urbana.

“Quero ressaltar que não se pode esperar que o emprego das Forças Armadas, no nosso caso o Exército, vai resolver o problema de segurança pública. Essa é uma problemática que tem raízes muito profundas e decorre de falência, de não funcionamento ideal de vários outros setores da atuação governamental ou até mesmo de responsabilidade da sociedade”, afirma.

FALTA EDUCAÇÃO – “Aí vem o problema da educação e da disciplina social, das quais a nossa sociedade está carente. Vem o problema de falta de alternativa para a juventude e algo que lhes dê uma esperança no futuro.”

“Faço questão de ressaltar que o emprego das Forças Armadas simplesmente não vai resolver a problemática de segurança pública. Pode contribuir? Sim para a sensação de segurança da sociedade, mas isso é passageiro.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Infelizmente, o general não tocou no assunto da sucessão presidencial nem deu sua opinião sobre Bolsonaro. Saber o que ele pensa sobre o candidato seria muito interessante e importante. Ou será assunto-tabu, que o general pediu que não fosse abordado? (C.N.)

‘Financial Times’ e ‘The Economist’ resistem aos esforços de Bolsonaro ser “liberal”

‘Financial’ relaciona Bolsonaro a um passado brutal

Nelson de Sá
Folha

As publicações londrinas “Financial Times” e “The Economist”, vozes tradicionais do mercado financeiro global, resistem aos esforços de Jair Bolsonaro para se apresentar como representante liberal. O jornal sublinhou que seus “oponentes temem uma volta aos dias sombrios”, pois ele “invoca passado brutal”.

A revista diz que a retórica de Bolsonaro é “ainda mais indecorosa” do que a de Donald Trump, que o candidato procura criticar.

CASO WAACK – O “New York Times” publicou na página 4 de sábado uma reportagem mostrando como a frase “É coisa de preto”, de William Waack, jornalista da Globo, se transformou em campanha de afirmação das realizações de negros brasileiros, na internet.

Por outro lado, a autora do texto, Shasta Darlington, ex-CNN, o editor da “Americas Quarterly”, Brian Winter, ex-Reuters, e outros correspondentes reagiram via Twitter ao “dilúvio de jornalistas (brancos) brasileiros que defendem publicamente Waack (‘ele é talentoso / realizado / perseguido pela esquerda’)”, em ação tão “grosseira” quanto a ofensa inicial.

DIREITOS DE MÍDIA – O “Wall Street Journal” noticia que começou nesta segunda-feira (13) o julgamento de José Maria Marin e outros dirigentes esportivos, num tribunal no Brooklyn, em Nova York. O esquema envolveria “mais de US$ 200 milhões em subornos em conexão com direitos de mídia para torneios de futebol” como Copa América e Copa do Mundo.

Diz o “Wall Street Journal” que devem ser “revelados novos detalhes sobre as formas complicadas com que os acusados moviam dinheiro”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, o “Wall Street Journal” está anunciando que a TV Globo deve botar as barbas de molho, como se dizia antigamente. (C.N.)

Polícia Federal começa a desmontar a gangue de Picciani na política estadual

Picciani corrompeu os próprios filhos e Felipe será preso

Chico Otavio e Daniel Biasetto
O Globo

Na mais importante ofensiva contra a corrupção no Rio de Janeiro desde a prisão do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), em novembro do ano passado, a Procuradoria Regional da República da 2ª Região (PRR-2), em parceria com a Polícia Federal (PF), desencadeou na manhã desta terça-feira a operação “Cadeia Velha”. A PF está nas ruas para cumprir mandados de prisão contra Felipe Picciani, filho do presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani, e também gerente da Agrobilara, a empresa que conduz os negócios da família. Há ainda mandados de busca e apreensão nos gabinetes da presidência da Alerj e de Picciani, e dos deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB. Os procuradores também pediram a prisão dos parlamentares, que serão conduzidos coercitivamente a depor neste primeiro momento.

Os mandados de prisão se estendem ainda a Jorge Luiz Ribeiro, braço direito do presidente da Alerj; Andréia Cardoso do Nascimento, chefe de gabinete do deputado Paulo Melo; e do irmão dela, Fábio, também assessor de Melo. E também contra empresários ligados a Fetranspor, Lélis Teixeira, José Carlos Lavouras e Jacob Barata Filho.

SEM FLAGRANTE – Jorge Picciani, Melo e Albertassi só não serão presos neste momento porque a Constituição estadual, no Artigo 120, estabelece como única possibilidade de prisão provisória o flagrante de crime inafiançável, à exceção de casos com licença prévia da Alerj. Mas as três prisões não estão descartadas. No mesmo instante em que a operação ocorre, os procuradores regionais da República responsáveis vão pedir ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), fórum competente para o caso, que considere flagrantes os crimes atribuídos a Picciani, Melo e Albertassi.

A PRR-2 vai pedir as prisões preventivas e em flagrante dos parlamentares. No mesmo pedido enviado ao TRF-2 foi solicitado também o afastamento imediato dos alvos de suas funções políticas na Assembleia.

CRIME CONTINUADO – Os procuradores sustentam que o flagrante existe porque o trio de parlamentares comete até hoje crime continuado de lavagem de dinheiro, já que o esquema não cessou, de acordo com a investigação. Este pedido será submetido pelo relator do caso, desembargador Abel Gomes, ao colegiado da Seção Criminal do TRF-2, formada pelos seis desembargadores das turmas de Direito Penal, em sessão especial provavelmente nesta quinta-feira.

Deputados estaduais, empresários e intermediários são acusados de manter uma caixinha de propina destinada à compra de decisões na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para o setor de transportes. O esquema, concluíram os investigadores, teria começado nos anos 1990, por Cabral, e hoje seria comandado pelo presidente da Casa, deputado Jorge Picciani, por seu antecessor, deputado Paulo Melo, e pelo líder do governo Edson Albertassi, caciques do PMDB fluminense.

MANDATOS DE PRISÃO – Estão ainda na lista de presos os principais nomes da cúpula da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor), Lélis Teixeira (presidente), José Carlos Lavouras e Jacob Barata Filho, todos alvos da primeira fase da Operação “Ponto Final”, deflagrada em julho, e que haviam sido libertados por liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

São alvos de condução coercitiva: os deputados Jorge Picciani, presidente da Alerj, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB. Como alvos de prisão temporária: Felipe Picciani, Ana Cláudia Jaccoub, Márcia Rocha Schalcher de Almeida e Fábio Cardoso Nascimento

Alvos de prisão preventiva: Jorge Luiz Ribeiro, Carlos Cesar da Costa Pereira, Andreia Cardosso do Nascimento, Lélis Teixeira, Jacob Barata Filho e José Carlos Lavouras.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Vamos ver se o ministro/sinistro Gilmar Mendes terá coragem de soltar Jacob Barata novamente. Quanto à Picciani, o nome já diz que se trata de uma famiglia, altamente mafiosa e muito prestigiada, que inclusive participa do Ministério de Michel Temer. (C.N.)

Financiamento para amante de Bendine no Banco do Brasil foi irregular, diz TCU

Resultado de imagem para val marchiori e bendineFábio Fabrini / Folha        (Fotocharge do site Abobado)

Auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) concluiu que o Banco do Brasil concedeu irregularmente um financiamento à socialite e apresentadora de TV Val Marchiori. O relatório diz que os gestores da instituição descumpriram normas internas ao liberar R$ 2,79 milhões para uma empresa da qual ela é sócia.

O caso foi revelado pela Folha em 2014. O documento, obtido pela reportagem, propõe que os ministros do TCU apliquem multas de até R$ 58,2 mil a 13 gestores do banco por, supostamente, darem pareceres favoráveis à concessão do crédito, “sem fazer as análises técnicas necessárias”. Além dos auditores do tribunal, o Ministério Público de Contas sugere as mesmas sanções.

PEDIDO DE VISTA – O julgamento foi iniciado em 13 de setembro, mas suspenso por um pedido de vista, após divergência entre os integrantes do plenário.

Os recursos foram liberados em 2013, durante a gestão do ex-presidente do BB Aldemir Bendine —atualmente preso pela Operação Lava Jato—, que era amigo de Marchiori. O empréstimo foi concedido à Torke Empreendimentos, que tinha a socialite como administradora.

O dinheiro vinha do Programa de Sustentação do Investimento, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A Folha revelou que Marchiori foi orientada pelo BB e, menos de um mês antes de pedir o apoio financeiro, alterou o objeto social da empresa para enquadrá-la nas regras para obtenção de crédito. A Torke passou, então, a ter entre suas atividades “o transporte rodoviário de produtos perigosos”.

CINCO CAMINHÕES – O financiamento se destinou à compra de cinco caminhões. Os veículos foram alugados para uma transportadora do irmão dela, prestadora de serviços para o frigorífico Big Frango, adquirido pela JBS em 2014.

O TCU analisou as condutas dos gestores do banco que deram aval à operação. Eventuais irregularidades atribuídas a Bendine e Marchiori não estavam no foco da fiscalização.

A auditoria sustenta que o empréstimo foi aprovado em desacordo com os normativos do BB porque a apresentadora tinha histórico de inadimplência com o próprio banco, o que impediria a concessão de crédito não só para ela, mas para a empresa que representava. “Verificou-se que não foram realizadas análises técnicas suficientes para a aprovação do referido financiamento e, tampouco, houve, no dossiê da operação, qualquer menção ao normativo que regula a realização de operações customizadas”, diz trecho de relatório.

PORSCHE – O TCU também fiscalizou outro empréstimo do BB à Torke, de R$ 200 mil. O montante era proveniente de uma linha de crédito do próprio banco e foi empregado na compra de um Porsche Cayenne, de uso da apresentadora. A auditoria concluiu que, nesse caso específico, não houve irregularidade, pois, pela legislação, o uso do veículo não precisa estar associado aos objetivos sociais da empresa. Além disso, as prestações foram quitadas.

O financiamento de R$ 2,79 milhões ainda está em curso. Não há data para que o processo volte a julgamento. Na sessão de 13 de setembro, o relator, ministro José Múcio Monteiro, votou para que as multas não fossem aplicadas aos gestores do BB. Argumentou que a operação não representou “risco ou efetivo prejuízo” à instituição. Considerou também que não ficou demonstrada ilegalidade nas condutas.

O ministro citou decisão da Justiça Federal em São Paulo que rejeitou denúncia do MPF (Ministério Público Federal) contra Marchiori, o irmão dela, Adelino Marchiori, e o gerente do BB Alexandre Canizela. A decisão foi mantida pelo TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), mas a Procuradoria da República recorreu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). O ministro André Luís de Carvalho discordou da posição de Múcio e pediu vista do processo. A decisão dependerá do plenário do TCU.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O ministro José Múcio, ex-deputado pelo PFL e PTB, deveria ter vergonha de seu relatório. A “empresa” de Valdirene Marchiori não tinha nem endereço (no empréstimo, o endereço é da agência do BB…). Além dessa armação, Bendine mandou o BB bancar as aparições de Valdirene na TV. É o fim da picada, mas Múcio é agradecido ao PT e a Lula, que o nomeou para o TCU em 2009. (C.N.)

Um poema de amor que busca a liberdade, na visão de Eda Carneiro

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Eda, poeta carioca

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

A professora e poeta carioca Eda Carneiro da Rocha utiliza a prosopopeia (figura de linguagem) para escrever o poema “Roupas na Corda”.

ROUPAS NA CORDA
Eda Carneiro

Cantantes, alegres, lá estão elas…
Voando, querendo se desprender,
como se fosse possível!..

Presas, por um pregador
que cerceiam sua liberdade,
esvoaçam, como seres, dizendo:
“Quero sair por este céu afora,
levar meu canto e meu pranto,
dizer tudo o que fiz .
os lugares em que fui,
dos mais simples aos mais deslumbrantes!…

Frequentei museus, salas de música,
palácios, casebres, gente rica e pobre.
A todos levava uma palavra:
a do Amor”!
Da minha roupa mais luxuosa,
à calça jeans,
companheira de todos os dias,
em que me deliciava
em dar a volta, ao mundo…

Agora, estou presa neste varal!
Não mais corro, não mais sonho.
Soltem-me! Deixem-me ir!…

Só quero a liberdade de ir, novamente,
acompanhada com meu amor,
por este mundo sem fim!”…

Cristovam Buarque se lança à sucessão, mas o PPS prefere ir de Luciano Huck

Cristovam Buarque

Na tribuna, Cristovam anunciou sua candidatura

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) anunciou nesta segunda-feira, 13, que vai tirar uma licença de quatro meses para iniciar a sua campanha como pré-candidato do PPS à Presidência da República em 2018. Para isso, ele pretende “viajar” e “convencer” os militantes do partido. Com a saída, quem assume como suplente é o petista Wilmar Lacerda, ex-secretário do governo Agnelo Queiroz no Distrito Federal e citado no caso do mensalão.

Segundo Cristovam, existe uma possibilidade real do apresentador Luciano Huck ser o candidato do PPS na próxima eleição presidencial. “Não é boato, é verdade, e acho que seria muito positivo se ele entrasse no partido. Vou disputar com ele”, declarou ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

FALTA JUNGMANN – Buarque disse ainda que seria “muito importante” se o ministro Raul Jungmann (da Defesa) também pleiteasse a vaga – a convenção nacional da sigla para definir o candidato está prevista para março do ano que vem.

“Eu creio que eu tenho condições – e os outros candidatos também devem ter – de dizer como é que eu penso que o Brasil pode fazer para retomar a coesão e definir um rumo para o seu futuro, se o meu Partido me escolher. Mas, para isso, eu vou precisar convencer os militantes do meu partido e ouvir o povo”, explicou, ponderando que, se houvesse apoio unânime ao seu nome na sigla, ele não precisaria se afastar por quatro meses do Senado neste momento.

Apesar das pretensões de Buarque, aliados de seu suplente petista Wilmar Lacerda afirmam que ele vinha cobrando o afastamento do senador desde o início do ano. Os dois teriam firmado um acordo ainda no período da campanha eleitoral, em 2010, para dividir parte do mandato de oito anos. Na época, Cristovam era mais próximo do Partido dos Trabalhadores.

É UMA LICENÇA – Nesta segunda-feira, no entanto, Cristovam negou que tenha feito um acordo político para se licenciar. “Se houvesse pressão, seria para eu renunciar ao mandato, e não para me afastar por apenas quatro meses, isso não faz sentido. Eu sempre digo que acho importante senadores se licenciarem por um período, pois oito anos de mandato é muito tempo”, rebateu.

Mais cedo, no plenário, Cristovam afirmou que mantém “grande relação pessoal” com Lacerda. “Meu suplente não financiou campanha, meu suplente não é daqueles que chegam só para ajudar, é um velho militante do Partido dos Trabalhadores, que não é o meu Partido, mas é o suplente que eu tenho. E eu estou tranquilo de deixar (o mandato) nas mãos dele “, defendeu da tribuna do Senado.

Lacerda ocupa atualmente um cargo na liderança do PT no Senado. Ele foi secretário de Administração Pública do governo de Agnelo Queiroz, que comandou o Distrito Federal entre 2011 e 2014. Após o fim do mandato, foi condenado junto do ex-governador por improbidade administrativa, mas acabou absolvido após entrar com recurso. Ex-presidente do PT no DF, ele também foi envolvido na CPI do Mensalão por ter sacado dinheiro depositado pelo publicitário Marcos Valério na conta do partido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quatro meses (120 dias) é o período necessário para haver convocação de suplente. Quando o senador se afasta (ou é afastado) por menos de 120 dias, como foi o caso de Aécio Neves, o suplente não é convocado. Isso significa que Cristovam Buarque está homenageando seu suplente, pois esta estória de “compromisso” para dividir o mandato é uma conversa fiada. Em 2010, Cristovam era o favorito e ganhou a eleição para Senado com folga. Seu suplente Wilmar Lacerda nem era do PT, mas do PMDB. Na verdade, Cristovam vai disputar a reeleição para o Senado. A candidatura à Presidência é só para ganhar visibilidade, porque o PPS jamais o lançará. O partido vai de Huck ou faz coligação com outra legenda mais forte. (C.N.)

Brasil vai ficar “insolvente” na dívida pública, adverte o economista-chefe do Itaú

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Mesquita exibiu a verdade sobre a dívida bruta

Carlos Newton

A reforma da Previdência Social é necessária, mas é preciso ficar claro que os três apodrecidos Poderes da União têm culpa nesse cartório. É claro que o aumento da expectativa de vida muda o quadro atuarial, mas a recessão, a terceirização e a pejotização também são importantes fatores de aumento do déficit previdenciário, embora o governo não diga uma palavra a respeito. Aliás, a recessão, a terceirização e a pejotização reduzem também a arrecadação do Imposto de Renda, mas o governo também jamais comenta este fato

A questão econômica interessa a todos os brasileiros, todos os detalhes precisam ser claros, transparentes e exibidos à opinião pública com antecedência. Mas não é isso que se vê. O governo se comporta como se estivesse tudo sob controle, e decididamente não está, muito pelo contrário.

DÍVIDA PÚBLICA BRUTA – O problema mais grave é a dívida pública bruta (governos federal, estaduais e municipais, fora Tesouro Nacional e estatais), que aumenta perigosamente e já chega a R$ 4,6 trilhões, cerca de 73% do PIB.

Conforme dados exibidos pelo economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, durante o 1º Seminário Internacional da Dívida Pública, recentemente realizado pelo Tesouro Nacional, entre 2012 e 2017 a dívida pública bruta cresceu 23 pontos percentuais, o país entrou na recessão mais profunda da história e, se nada for feito, em 2025 a dívida bruta equivalerá a 103% do Produto Interno Bruto (PIB).

“A trajetória de crescimento da dívida é insustentável. Temos, sim, um problema de solvência”, admitiu Mesquita, que foi diretor do Banco Central de junho de 2006 a março de 2010. Ele é o primeiro integrante da cúpula do sistema bancário a revelar a verdade sobre a situação da economia. Outros o seguirão…

CAOS A CAMINHO – Se até os banqueiros estão preocupados, vejam que a situação é gravíssima, mas o governo não diz uma palavra a respeito. Comporta-se como se a reforma da Previdência tivesse o condão de resolver tudo, e isto não é verdade.

As informações são contraditórias, no Brasil tudo é feito de forma bagunçada, chega a ser desanimador. Temos de exigir que as coisas sejam claras, transparentes e exibidas à opinião pública com antecedência. O maior problema é a falta de um debate profundo. Amordaçada pelos bancos, que têm interesse direto no fortalecimento da Previdência Privada, que é um engodo, a imprensa silenciou.

Mas agora são os bancos que estão ameaçados pela “insolvência” e querem reverter a situação. É paradoxal, mas verdadeiro.  Isso significa que a mídia enfim vai ter de começar a falar sobre a dívida pública, que deveria ser o mais importante  tema da atualidade

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P.S
. – A grande imprensa precisa entrevistar todos os presidenciáveis (ou seus gurus econômicos) sobre a dívida pública. Como cidadão e eleitor, eu gostaria de saber o que pensam a respeito, antes de definir meu voto. Na verdade, todos os problemas brasileiros dependem do equacionamento da dívida pública. Mas quem se interessa?

P.S 2Em seguida, é claro que logo iremos voltar ao assunto, para tratar de três assuntos que são considerados tabus – o déficit previdenciário, a terceirização e a pejotização. São questões fundamentais, mas o governo e a mídia não aceitam fazer um debate profundo a respeito. (C.N.)

Ministro tucano pede demissão, mas Luislinda não abandona a sua “escravidão”‘  

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Bruno Araújo diz que não dava mais para segurar

Cristiane Jungblut E Maria Lima
O Globo

O ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), entregou nesta segunda-feira uma carta de demissão ao presidente Michel Temer. No documento, Bruno Araújo afirma que “não há mais” apoio no seu partido para seguir no cargo, mas ressalta ter convicção de que o governo de Temer será reconhecido pelos seus “resultados profundamente positivos para a sociedade brasileira”. Na tarde desta segunda, o ministro participou, ao lado de Temer, da cerimônia de lançamento do cartão-reforma, no Palácio do Planalto. (LEIA MAIS: ‘Cada um sabe de si’, diz Aloysio, após ministro tucano pedir demissão)

“Agradeço a confiança do meu partido, no qual exerci toda a minha vida política, e já não há mais nele apoio no tamanho que permita seguir nesta tarefa. E de modo especial aos pernambucanos, na certeza de que procurei, na nossa mais fiel tradição, desempenhar com zelo a minha missão, ajudando o país e meu querido estado”, diz o tucano, na carta.

FALTAM TRÊS – Desde maio, quando foi revelada a delação da JBS, integrantes do PSDB discutem a possibilidade de deixar o governo. Recentemente, os líderes do partido concordaram com o desembarque, mas não definiram uma data. A legenda ainda tem outros três ministros: Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Luislinda Valois (Direitos Humanos).

Para colegas de Bruno Araújo na Câmara dos Deputados, ele, como ex-líder do partido na Casa, sentiu o peso das convenções estaduais do PSDB, realizadas no fim de semana, onde o apoio ao desembarque foi amplamente majoritário. Os parlamentares lembram também que Bruno foi o primeiro a se manifestar pela saída do governo, em maio, quando explodiu a delação da JBS.

“Ontem, na convenção do PSDB no Rio, colocamos na cédula (a pergunta) se era a favor ou contra o desembarque. O desembarque teve o apoio de 97% dos convencionais. O ministro Bruno revela estar antenado e sintonizado com o sentimento amplamente majoritário hoje no partido” — disse o presidente do diretório fluminense, deputado Otávio Leite (RJ).

COM EDUCAÇÃO – O governador de Goiás, Marconi Perillo, candidato a presidente do partido, disse que a saída de Bruno seguiu o que ele vem pregando: o desembarque “com educação”, de forma natural e elegante.

O líder do PSDB na Câmara dos Deputado, Ricardo Tripoli (SP), afirmou que Bruno Araújo tomou a decisão correta. Tripoli vinha cobrando o desembarque e liderando a ala que queria a ruptura com o governo. “Estou num painel na Alemanha, mas acredito que tomou a decisão correta” — disse. Perguntado se esperava que os demais ministros tomasse a mesma atitude de sair do governo, ele disse: “Espero que sim”.

Já o líder do partido no Senado, Paulo Bauer (SC), divulgou nota para elogiar a gestão do ex-ministro. De acordo com Bauer, ele contribuiu “para que o Brasil vença de forma substantiva as dificuldades que o governo do PT deixou para o país”. O senador ressaltou ainda que o PSDB tem o projeto de oferecer uma candidatura presidencial em 2018.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Enquanto isso, a ministra Luislinda Valois encenava mais um capítulo de sua versão da novela “A Escrava Isaura”. Sem medo do ridículo, ela afirmou nesta segunda-feira que é “preta, pobre e da periferia”. A declaração foi dada em evento no Rio de Janeiro que também contou com a presença do presidente Michel Temer, que é o feitor da senzala ministerial.  Sinceramente, essa ministra merece ser entrevistada pelo William Waack. (C.N.),

Supremo aprova dia 23 as restrições ao foro privilegiado, acredite se quiser!!!

Cármen Lúcia enfim decidiu marcar o julgamento

Carolina Brígido
O Globo

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, marcou para o dia 23 o julgamento que poderá restringir o alcance do foro privilegiado. No mesmo dia, será analisado em plenário o habeas corpus do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, preso em Curitiba há mais de um ano por ordem do juiz Sérgio Moro. Os dois julgamentos têm impacto direto na Lava-Jato. A retomada da discussão do foro privilegiado, por exemplo, será uma espécie de resposta às discussões no Congresso Nacional para enfraquecer a Lava-Jato.

O resultado prático seria a transferência para a primeira instância de 90% de processos penais contra autoridades que hoje tramitam na corte, segundo o relator, ministro Luís Roberto Barroso. Isso desafogaria o tribunal e abriria o caminho para a conclusão mais rápida dos processos remanescentes.

FORO SERÁ RESTRITO – Já foram dados quatro votos a favor da restrição da regra do foro em maio, quando o tema começou a ser debatido: Barroso, Cármen Lúcia, Marco Aurélio Mello e Rosa Weber. Pelo menos outros dois votos são esperados para reforçar o time do relator: Luiz Fux e o relator da Lava-Jato, Edson Fachin. O mais antigo integrante do STF, Celso de Mello, também já deu declarações contrárias ao foro privilegiado.

Portanto, a tendência é de que a maioria dos onze integrantes da corte votem com a proposta de Barroso – ou seja, defendendo que a autoridade seja investigada pelo foro correspondente ao cargo ocupado na época em que o suposto crime foi cometido, desde que haja conexão direta dos fatos com a função pública.

Pela Constituição, senadores, deputados, ministros de tribunais superiores e o presidente da República devem ser investigados pelo STF. Mas, se um ocupante desses cargos for acusado de assassinato, por exemplo, o julgamento deveria ocorrer na primeira instância.

MORAES PEDIU VISTA – Alexandre de Moraes deu a entender que votaria contra a tese, mas pediu vista. O voto dele já está pronto para ser dado. Embora não tenham votado, Gilmar, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski deram opiniões contrárias à mudança da regra do foro.

Quanto a Palocci teve o habeas corpus negado pelo relator da Lava-Jato, ministro Edson Fachin, em maio. Segundo os advogados, o petista está preso há muito tempo, mesmo sem ter sido condenado por um tribunal de segunda instância. O novo julgamento do caso será em plenário e o resultado poderá servir de parâmetro para outros réus.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A repórter Carolina Brígido está dando show na cobertura do Supremo. Dando as notícias “avant la lettre”, como dizem  os franceses. A ministra Cármen Lúcia despertou do sono eterno e resolver marcar o julgamento. E só falta a Câmara ratificar o projeto moralizador de Álvaro Dias, já aprovado pelos senadores.  O foro privilegiado já era, acredite se quiser. (C.N.)

A festa acabou e os irmãos Batista fazem leilões de seus bens particulares

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Mariana Fonseca
Revista Exame

Joesley Batista, sócio do grupo J&F com o irmão Wesley Batista, está colocando à venda alguns de seus itens mais luxuosos, segundo a coluna de Lauro Jardim no veículo O Globo. Batizado do “feirão do Joesley” por Jardim, os desapegos incluem um apartamento na cidade de Nova York em frente ao Museu de Arte Moderna (MoMA). A residência possui cinco quartos e uma área de 685 metros quadrados. O imóvel é avaliado em 45 milhões de reais.

Além do apartamento, também está à venda uma ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Ela foi comprada por Joesley Batista em 2013 e inaugurada com um show da dupla sertaneja Bruno e Marrone, de acordo com O Globo. A ilha é avaliada em 25 milhões de reais. Completam a lista o iate batizado de “Why not”, com 30 metros de comprimento, avaliado em 10 milhões de reais.

PRISÃO PREVENTIVA – Os empresários Joesley e Wesley Batista, do Grupo J&F (que inclui a JBS), foram presos preventivamente em setembro na Operação Tendão de Aquiles, por suposta prática do crime de insider trading, uso de informação privilegiada para lucrar no mercado financeiro.

Os irmãos Batistas teriam lucrado cerca de R$ 100 milhões com compra de dólar no mercado futuro e a termo, além de terem deixado de perder R$ 138 milhões com o processo de venda e recompra de ações da JBS, nas vésperas da divulgação da delação dos empresários no dia 17 de maio, afirmaram procuradores do Ministério Público Federal.

O ministro Rogerio Schietti Cruz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou pedidos de liminar em habeas corpus impetrados em favor dos irmãos e sócios.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como dizia Vinicius de Moraes, a vida é uma grande ilusão. Pessoas como Joesley e Wesley Batista, Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo, Aécio e Andréa Neves, Michel Temer e Eliseu Padilha, Lula e Marisa Letícia, todos estavam muito bem de vida, eram importantes, famosos e tinham um destino grandioso, mas a ganância falou mais alto do que tudo e eles venderam sua dignidade e seu futuro por alguns trinta dinheiros e um punhado de dólares. Valeu a pena? (C.N.)

Caminho para eleger Lula é criar milhares de comitês do candidato do PT, diz Dirceu

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Charge do chico Caruso (O Globo)

José Dirceu
Site Nocaute

O ano de 2017 seguramente se encerra de forma tragicômica, com o espetáculo da Suprema Corte e do Senado fazendo justiça unicamente para Aécio Neves. Antes valia tudo: ônus da prova cabendo ao acusado, condenação sem provas (por convicção ou pela literatura jurídica), domínio do fato (uma aplicação que nem o autor da teoria aprova) e trânsito em julgado parcial, com execução penal após condenação em segunda instância.

Paralelamente, o país assiste, bestificado, ao festival de compra de votos e de barganhas para livrar o usurpador de ser processado por denúncia apoiada em delações altamente suspeitas, forjadas a fórceps. À base de chantagem, fraude e escutas arquitetadas a quatro mãos, entre a Procuradoria Geral da República e investigados também suspeitos de tramarem nas sombras a montagem de falsas provas e flagrantes.

A LADAINHA – Tudo pode acontecer. Menos anular delações, por mais ilegais que sejam. Não importa se fraudadas e montadas por meios criminosos, sob a suspeita de colaboração com os delatores, inclusive de membros da própria PGR.

A ladainha é que ilegalidades e práticas condenáveis não contaminam as delações, como se elas se constituíssem em provas em si e de per si, por um sopro divino. Mas o que se constata é a interferência da mão um tanto demoníaca, vingativa e punitiva da PGR.

Enquanto isso, vende-se o país, violentam-se e extinguem-se direitos. Até o da liberdade do próprio trabalho, por meio de um decreto infame, restabelecendo a escravidão.

MERCENÁRIOS – Nada detém a sanha dos que traíram o juramento constitucional e o pacto social e político que refundou nossa democracia. Por dinheiro e poder, não descartam o uso da força, como alertam seus apaniguados mercenários, pois há que proteger e sustentar o rentismo e a usura, em nome de promessas que jamais serão cumpridas. Como não foram no passado recente, seja na ditadura ou na era FHC.

Não satisfeitos com o golpe, praticam o poder sem limites, delegado por um Congresso Nacional submisso e vendido em praça pública. Não se inibem com a vizinhança de uma Suprema Corte entretida com discursos retóricos sobre a moralidade e os princípios constitucionais que os próprios ministros rasgaram ao darem passagem a um golpe parlamentar agora desmascarado, porque comprado com dinheiro da corrupção. Fato que se tornou público e notório e que todos os integrantes do STF estavam cansados de saber – é vedado a eles o direito de alegar desconhecimento, engano ou engodo.

PODER REAL – E a força do poder real se manifesta no mercado, no capital financeiro bancário, nos interesses dos rentistas. Assim como na tecnoburocracia policial e judicial encastelada no Estado, ávida por ascender à faixa do 1% habitada pelos mais ricos, com seus estilos de vida luxuosos e faustosos, almejando ser celebridade. Manifesta-se também na mídia controlada pela família Marinho, uma das mais ricas do país – riqueza conquistada à sombra da ditadura, manchada pelo sangue dos torturados e assassinados, pela corrupção sistêmica e impune da era militar.

Essa tríplice aliança decretou que Lula não pode ser candidato, que nosso povo não pode ser nacionalista, que o Estado não deve e não pode ser de bem-estar social. E que o trabalho e sua renda, como toda renda, devem servir ao deus mercado – leia-se, ao interesse da minoria dominante.

A eleição acontecerá, apesar de desejo explícito das elites de acabarem com ela, seja pelo prolongamento do golpe parlamentar, com um quê de legalidade e moralidade via parlamentarismo e voto distrital.

HAVERÁ REAÇÃO – Mas o medo do povo — afinal, os políticos têm que salvar a própria pele e precisam pensar nas próximas eleições — emperra as reformas “salvadoras” e já derrotou o distritão. E a reação dos trabalhadores das cidades e do campo e das classes médias, duramente atingidos pelas reformas, certamente irá colocar em risco a reeleição de centenas dos hoje servidores fieis do golpista – e que amanhã serão opositores desde sempre.

Tudo estava preparado para a eliminação civil e, se possível, física de Lula, com condenação de dezenas de anos de prisão, sem direito de responder em liberdade, após condenação em segunda instância. Mas eis que o povo não desiste e insiste em eleger Lula presidente pela terceira vez, incapaz de entender os desejos dos senhores da vez. Não por ignorância, mas por desconfiança, conhecimento e experiência passada.

Não podemos nos comportar como se nada tivesse ocorrido. Nem o golpe e nem a perseguição implacável a Lula e ao PT, com sistemática campanha de criminalização do ex-presidente e do nosso partido. Tampouco toda a violência estimulada pela mídia contra nós, desde as manifestações de 2013. Manifestações copiadas e manipuladas pela direita e pelos golpistas com apoio externo – hoje comprovado –, a serviço das privatizações e da entrega do patrimônio nacional. Indignação, revolta e protestos que desapareceram não só da mídia e dos tribunais, mas também das ruas, quando chegou a hora do PSDB, da mídia, dos bancos e da própria Justiça.

GOLPE EM MARCHA – Nenhum de nós poderá, de boa-fé, alegar desconhecimento do que significa o golpe em marcha, até pela experiência histórica do caráter violento e da total ausência de qualquer compromisso moral por parte de nossos adversários, da nossa direita e da nossa elite. Eles jamais vacilam e são capazes de toda violência e do uso da força, como vimos várias vezes em nossa história e das quais estamos agora mesmo sendo vítimas.

Daí, a necessidade urgente de dizer em alto e bom som que é preciso se preparar para fazer Lula candidato, garantir seu registro, fazer sua campanha, vencer a eleição e garantir sua posse. Uma vez no governo, garantir o exercício do poder para fazer as mudanças estruturais que o país exige, sob pena de governamos para eles, para gerir sua crise e atender a seus interesses, não os da nação e do povo.

E só há uma forma, uma maneira de garantir a eleição de Lula e o exercício do governo: com poder. E o único que temos para garantir o poder é a consciência política e social de nosso povo, sua organização e mobilização, a luta nas ruas, bairros, fábricas, campos, escritórios, comércios, escolas de todo o país. Começando por organizar um, dois, três…centenas, milhares de comitês em defesa de Lula, com o povo, ao lado do povo e pelo povo trabalhador.

PREÇO DA REAÇÃO – Fora disso, vamos lançar nosso país e nosso povo numa aventura e, como sempre acontece, quem pagará o preço da reação dos de cima será o próprio povo trabalhador e seus filhos, incluindo seus legítimos líderes e condutores.

Não temos o direito de errar de novo, como no impeachment, quando não fomos capazes de defender a Constituição e o mandato popular soberano da presidente eleita em 2014. Que a lição nos ensine que não há alternativa, a não ser a luta e o combate no nosso campo, com nossas armas. E não no campo e com as armas do adversário, ou inimigo – se formos tratá-los como eles nos tratam.

A hora é de definições, de escolher o lado e a luta, criar um, dois, três…muitos comitês, tantos quantos forem necessários para fazer Lula candidato, vencer a eleição, tomar posse e governar com o povo.

Pauta-bomba no Congresso pode jogar no lixo o ajuste fiscal do governo

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Charge de Marco Jacobsen (Folha de Londrina)

Deu no Estadão

Perdão de parte da dívida dos produtores rurais, atualização da tabela do Imposto de Renda em 11,4% e parcelamento de valores devidos pelas prefeituras à Previdência são alguns projetos antigos que, discretamente, os parlamentares estão tirando da gaveta e que podem dificultar a tentativa de ajuste das contas do governo federal.

O Congresso, que já tem dificultado a aprovação de medidas do ajuste fiscal, ameaça com esses projetos criar gastos que podem superar R$ 20 bilhões no primeiro ano após sua aprovação. O movimento chega a ser comparado ao da “pauta-bomba” armada pelo ex-deputado Eduardo Cunha contra Dilma Rousseff em 2015.

EFEITO CONTRÁRIO – Com a anuência de presidentes de comissões e a ajuda de parlamentares da base insatisfeitos com o governo, tem havido avanço de projetos com efeito exatamente contrário ao do plano de ajuste executado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que tem feito cortes até em programas sociais para economizar as despesas do governo.

Um exemplo de criação de gastos pelos parlamentares é a recente ampliação do Programa de Regularização Tributária Rural. Em um acordo de última hora na semana passada, governistas e oposição aprovaram condições mais amigáveis aos devedores, com perdão integral de multas e juros, sem limite para inclusão de dívidas no Refis Rural. Assim, crescerá a renúncia fiscal originalmente calculada em R$ 5 bilhões. Na mesma linha, a bancada municipalista pressiona por nova rodada de negociação de dívidas com a União.

O Congresso também avalia mudança da Lei Kandir – programa de compensação a exportadores -, que exigiria repasse anual de R$ 9 bilhões da União aos estados.

TRAMITAÇÃO – Em todos esses casos, as iniciativas precisam seguir a tramitação normal no Congresso e dependem dos presidentes da Câmara e do Senado para chegar ao plenário, mas o simples avanço pode virar munição para pressão contra o governo.

Projetos menos conhecidos também têm seguimento e várias iniciativas vêm do Centrão – bloco de partidos cada vez mais insatisfeitos com Temer. A proposta feita em 2011 pela deputada Gorete Pereira (PR-CE) é um exemplo: obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a criar uma unidade de atendimento para mulheres a cada 100 mil brasileiras.

O texto ficou seis anos parado e chegou a ser arquivado, mas, nas últimas semanas, foi retomado e aprovado pela primeira vez em uma comissão. O projeto obrigaria o governo a criar mais de mil unidades de saúde.

PISO SALARIAL – Há, ainda, proposta de criação de piso salarial para agentes de saúde; projeto para conceder bolsas de estudos a filhos de policiais mortos em serviço; concessão de indenização a vítimas de violência familiar; inclusão de remédios contra depressão e tireoide no programa Farmácia Popular, entre outros.

Responsável pela proposta de atualização da tabela do IR em 11,4%, o deputado Pepe Vargas (PT-RS) reconhece que esse tipo de iniciativa pode se transformar em instrumento de pressão: “O pessoal do Centrão pode até usar o projeto para chantagear Temer”.

O governo aposta em um novo desbloqueio de despesas do Orçamento, ainda este mês, e nas negociações em torno da montagem da reforma ministerial para acalmar os ânimos dos deputados e conseguir apoio para aprovar das medidas fiscais. Com isso, espera desarmar a tramitação dos projetos que podem ampliar o buraco das contas públicas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ preciso lembrar a Constituição do historiador Capistrano de Abreu, conterrâneo de Chico Anysio: “Art. 1º – Todo brasileiro deve ter vergonha na cara; Artigo 2º – Revogam-se as disposições em contrário”. Já estaria de bom tamanho, seria suficiente. (C.N.)

No Brasil, todos os partidos e facções têm espalhado notícias falsas sem punição

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Alvo de notícias falsas, Judith Butler foi até agredida

Bertha Maakaroun
Correio Braziliense

“Queimem a bruxa!”, berram extremados empunhando crucifixos, antes de reproduzir simbolicamente o ritual clássico da Inquisição contra hereges. O fogo é ateado à boneca com o rosto da filósofa Judith Butler, professora da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, uma das principais referências nos estudos de gênero, cujo combate se tornou principal tópico da plataforma de políticos brasileiros da extrema direita. A cena se deu na semana passada, diante do Sesc Pompeia, em São Paulo, onde Judith proferiu palestra a convite da Universidade de São Paulo (USP) sobre outro tema: “Caminhos divergentes – Judaicidade e crítica do sionismo”, no contexto do seminário “Os Fins da Democracia”.

A “versão corrente” sobre o que seriam os estudos de gênero que motivam manifestantes enfurecidos, também transborda à classe média, junto a eleitores medianamente engajados, sob o batismo de “ideologia de gênero”.

VERSÃO TOSCA – Trata-se de interpretação que vem à sombra de vídeos e notícias falsas que circulam pelas redes sociais, que, em sua versão mais tosca, dá conta de que essa “ideologia destrói a família e pretende mudar a orientação sexual de seu filho nas escolas”. O que de fato sejam os estudos de Judith Butler pouco importa, na “bolha” virtual de relacionamentos que reproduz a desinformação e rechaça como “mentirosos” todos e quaisquer argumentos em direção contrária.

O caso da filósofa é apenas mais um em que a crença é dissociada do conteúdo real, sobrepondo-se aos fatos por meio de milhares de notícias falsas, estrategicamente produzidas e compartilhadas nas redes sociais.

ATIVISMO VIRTUAL – Auxiliado por robôs eletrônicos, os espalhadores de notícias manipuladas fazem os algoritmos manter ativo o conteúdo nas timelines. Verdadeiros ou não os argumentos, o ativismo virtual no mundo todo se transforma em ação política material porque influencia na formação de opiniões políticas.

A eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, o Brexit na Inglaterra, a crise da Catalunha na Espanha, as eleições francesa e alemã e, no ano passado, a mobilização pelo impeachment de Dilma Rousseff, são exemplos. Mas não os únicos.

No Brasil, as fake news têm sido usadas por todos os partidos, da direita à esquerda, crescentemente nas eleições gerais e municipais a partir de 2008.

BATALHA PERDIDA – Embora o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, tenha anunciado a formação de um comitê no âmbito da Justiça Eleitoral, para enfrentar o que ele chama de “notícias falsas” nas eleições de 2018, essa é uma batalha que já nasce perdida: a começar pela tênue linha entre a censura e a identificação das notícias falsas. E a terminar pela dificuldade, não do monitoramento, mas da suspensão desse material, armazenado no exterior.

“Nas eleições de 2018 o volume de fake news vai superar de longe o de todas as eleições anteriores”, acredita a cientista política e pesquisadora Helcimara Telles, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenadora do grupo Opinião Pública. Ela constata que cresce a tecnologia com emprego de robôs para impulsionamento nas redes sociais e acumula-se expertise para ataques cognitivos sofisticados, porque são dirigidos aos segmentos de eleitores segundo as suas preferências registradas nos algoritmos.

DISCURSOS DE ÓDIO – “Movimentos on-line de extrema-direita, que em nome de uma radical liberdade de expressão, professam valores de intolerância, discursos de ódio, extremamente dogmáticos e negando qualquer afirmação que possa ser comprovada em métodos científicos, crescem no mundo todo”, avalia Helcimara Telles.

“No Brasil, esses grupos contestam que tenha existido uma ditadura no país, espalham que o nazismo foi um fenômeno da esquerda, interpretam fatos segundo o seu interesse, atacam movimentos feministas e fazem a caricatura dos estudos de gênero, cooptando muitos jovens pelo desalento com a representação política e pela linguagem que utilizam na internet”, diz a pesquisadora.

Num contexto de polarização política – em que extremos estão motivados ao ativismo –, o Brasil tem todos os ingredientes para a ebulição do caldo da insegurança sobre o que venha a ser verdade e mentira nas eleições de 2018.

BOLHAS NARRATIVAS – Além dos usuários das redes interagirem, preferencialmente, com pessoas com quem partilham ideologias e visões de mundo – formando as chamadas bolhas narrativas –, os brasileiros estão, ao lado dos chilenos, entre os usuários das redes que mais compartilham informação no mundo: 64% têm esse tipo de engajamento, segundo pesquisa feita este ano com 70 mil pessoas em 36 países pela Reuters Institute for the Study of Journalism, da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Ao mesmo tempo, 65% usam smartphones, portanto, levam o clique e a possibilidade de compartilhamento para onde vão. E mais: 60% acreditam nas notícias com as quais interagem, que chegam principalmente pelo Facebook e pelo WhatsApp.

“Nesse cenário de bolhas narrativas, em que as fake news pipocam e se reproduzem indiscriminadamente por instant messages com notícias que as pessoas acreditam ser verdadeiras, podem ser produzidos mundos alternativos, e realidades paralelas, que permitem que as pessoas acreditem que a terra é plana”, afirma Marco Konopacki, administrador e cientista político do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio, em referência ao movimento virtual internacional que advoga essa teoria.

NÃO HÁ DIÁLOGO – “As pessoas são envolvidas numa bolha de argumentos e atacam qualquer um que apresente informação contrária. Esse comportamento explica, por exemplo, a formação de grupos radicais que acreditam que a terra seja plana e mesmo as distorções em torno dos estudos de gênero”, acrescenta.

Para lidar com as fakes news que circulam na internet, não há novidades para 2018. O ato é crime. “A lei veda o anonimato, prevê multa e a retirada imediata do conteúdo do ar. Dessa forma, as fake news continuam tratadas com a mesma disciplina de antes, que inclusive, até criminaliza essa ação”, sustenta Edson Resende, da Coordenadoria Estadual de Apoio aos Promotores Eleitorais (Cael).

“A veiculação de fatos inverídicos, injuriosos e difamatórios é um tipo penal. Além disso, no contexto das eleições, basta que o fato seja mentira para que constitua crime eleitoral”, adverte Resende.

Proposta enxuta da Previdência vai equiparar servidor com trabalhador privado

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Charge do Latuff (Arquivo Google)

Lisandra Paraguassu e Maria Carolina Marcello
Yahoo Notícias/Reuters

A nova proposta de reforma da Previdência vai manter a idade mínima, regra de transição até 2037 e equiparação entre o regime dos servidores e o regime geral da Previdência, e irá retirar a incidência da Desvinculação das Receitas da União (DRU) das receitas previdenciárias, diz o relator da reforma, deputado Arthur Maia (PPS-BA).

O texto da emenda aglutinativa, que substituirá a proposta aprovada na Comissão Especial, expurgará os pontos mais polêmicos, sairão as modificações previstas nos Benefícios de Prestação Continuada e das aposentadorias rurais.

TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO -Maia disse à Reuters que a intenção é que fique de fora na nova proposta também o aumento no tempo mínimo de contribuição, que iria dos atuais 15 anos para 25. No entanto, ainda existe resistência a isso na equipe econômica.

“Hoje o tempo mínimo de contribuição para a pessoa se aposentar com 65 anos é 15 anos de contribuição para o trabalhador urbano. Então a ideia seria manter isso”, disse Oliveira Maia, acrescentando que outra alternativa seria acabar com o acúmulo de pensões e aposentadorias.

“Tudo isso são propostas que estão sobre a mesa. Agora é possível fazer tudo? Não. Temos que eleger aquelas que são as mais importantes”, disse.

GRANDE VITÓRIA – De acordo com o relator, a reunião serve para ver o que “toca mais as bancadas”, mas o cenário no momento é de convergência.

“Se conseguirmos recuperar metade da economia que se imaginava no começo da reforma da Previdência será uma grande vitória”, disse o deputado.

A proposta que foi aprovada em comissão especial da Câmara, em maio deste ano, representava 76 por cento da economia inicial prevista pelo governo com a proposta original, que era de 800 bilhões. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, diz esperar que com a nova proposta essa economia não fique abaixo da metade da expectativa inicial. “Qualquer mudança que diminua o benefício fiscal (na reforma da Previdência) terá de ser compensada”, disse Meirelles.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esta reforma está muito esquisita. O servidor público que ingressou recentemente já foi equiparado ao trabalhador da iniciativa privada, segundo a última reforma. As informações são contraditórias, no Brasil tudo é feito de forma bagunçada, chega a ser desanimador. É preciso que as coisas sejam claras, transparentes e exibidas à opinião pública com antecedência. Mas quem se interessa? (C.N.)