Por violações contra a sociedade brasileira, Bolsonaro é denunciado pela OEA e ONG Humans Right Watch

Bolsonaro tem acusado de sabotar ações de agentes ambientais

Roger Dias
Correio Braziliense /Estado de Minas

O governo de Jair Bolsonaro segue colecionando polêmicas a nível internacional. Depois da Corte Penal Internacional, denúncias contra Bolsonaro chegaram à Organização dos Estados Americanos (OEA) e à ONG Humans Right Watch, ligada às questões ambientais no planeta.
 
A política de abrir mão do isolamento social durante o período de pandemia do coronavírus está entre os principais aspectos criticados pelos órgãos. Lideranças de organizações e órgãos brasileiros que atuam na defesa dos direitos humanos foram ouvidas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA).
 
VIOLAÇÕES – Por meio de uma reunião virtual que durou pelo menos duas horas, foram relatadas violações que o governo Bolsonaro vem cometendo contra a sociedade brasileira, especialmente populações mais pobres e vulneráveis, no contexto da pandemia da COVID-19.
 
Entre as questões relatadas, estão os efeitos da omissão, da desinformação e do negacionismo em relação à gravidade da doença que pôs o mundo em quarentena e de uma política que elegeu a economia em detrimento da saúde e da vida. Bolsonaro vem contrariando as orientações das autoridades de saúde e aparecendo em manifestações que defendem seu governo.
 
AMAZÔNIA – Já a Humans Right Watch denunciou o governo federal em virtude do desmatamento ilegal na Amazônia. A ONG enfatizou que o presidente suspendeu as multas por desmatamento desde outubro de 2019 depois de um decreto emitido por Bolsonaro para definir novas regras no pagamento das infrações.

Segundo a Humans,o governo está sabotando o trabalho dos fiscais do Ibama, já que apenas cinco multas por crimes ambientais foram cobradas desde outubro. Por outro lado, os alertas em tempo real do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram um aumento de 53% na área desmatada na região amazônica entre outubro de 2019 e abril de 2020, comparado com os alertas no mesmo período de 2019.

SABOTAGEM – “Os agentes ambientais têm trabalhado com afinco – frequentemente expondo-se a riscos consideráveis – para fazer cumprir o Estado de Direito e as leis ambientais do Brasil, mas veem seus esforços sabotados pelo governo Bolsonaro”, disse a diretora da Human Rights Watch no Brasil, Maria Laura Canineu.

Segundo as novas regras, um núcleo de conciliação ambiental pode oferecer descontos ou declarar nulo o auto de infração. O Ministério do Meio Ambiente estabeleceu ainda a suspensão dos prazos para pagar essas multas até que a audiência de conciliação seja realizada.

Segundo a ONG, a grande maioria dos infratores não fazia o pagamento, mas apresentava recursos protelatórios para conseguir a prescrição da multa. Agora, os fiscais notificam os infratores sobre uma audiência que pode nunca ocorrem, na prática.

Morre no Rio o jornalista Murilo Melo Filho, da Academia Brasileira de Letras

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Murilo Melo Filho morreu aos 91 anos, no Rio de Janeiro

José Carlos Werneck

Morreu nesta quarta-feira, aos 91 anos, o escritor e jornalista Murilo Melo Filho, membro da Academia Brasileira de Letras. Estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, e foi vítima de falência múltipla de órgãos. O sepultamento será no mausoléu da Academia Brasileira de Letras e, atendendo às recomendações de se evitar reuniões e aglomerações por conta do coronavírus, não haverá velório.

O  presidente da ABL, Marco Lucchesi, disse que“Murilo Melo Filho foi um dos grandes jornalistas brasileiros da segunda metade do século XX. Acompanhou de perto a política nacional, a construção de Brasília e a guerra do Vietnã. Conheceu inúmeros chefes de Estado, a quem dedicou páginas antológicas, dos mais variados espectros políticos. Foi também um acadêmico exemplar, assíduo, com a disposição de emprestar seu talento aos mais diversos cargos e serviços na Academia. Guardo a imagem de um homem bom, de uma alta sensibilidade humana, voltada sobretudo para os mais vulneráveis e desprovidos. Um momento de tristeza”.

TRAJETÓRIA – Murilo Melo Filho nasceu em Natal no dia 13 de outubro de 1928, sendo  o mais velho de sete irmãos.  Aos 12 anos de idade começou a trabalhar no Diário de Natal, com Djalma Maranhão, escrevendo um comentário esportivo. Posteriormente passou por outras publicações do Nordeste.

Aos 18 anos, veio para o Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio Melo e Souza e foi aprovado em concursos públicos para datilógrafo do IBGE e do Ministério da Marinha, ingressando a seguir no Correio da Noite, como repórter de polícia.

Trabalhou também na Tribuna da Imprensa, com Carlos Lacerda; no Jornal do Commercio, com Elmano Cardin, San Thiago Dantas e Assis Chateaubriand; no Estado de S. Paulo, com Júlio de Mesquita Filho e Prudente de Moraes Neto; e na Manchete, com Adolpho Bloch.

ERA ADVOGADO – Estudou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e na Universidade do Rio de Janeiro, pela qual se formou em Direito, e exerceu a advocacia durante sete anos.

Como repórter free-lancer, entrou para a Manchete, criando a seção “Posto de Escuta”, que escreveu por 40 anos. Nessa  época, dirigiu e apresentou na TV-Rio, com  Walter Clark, Boni e Péricles do Amaral, o programa político Congresso em Revista, que ficou no ar ininterruptamente por sete anos,  inicialmente produzido e apresentado no Rio e, depois, em Brasília.

Murilo morou em Brasília de 1960 a 1965, onde fez inúmeras reportagens e acompanhou a construção da sede de Bloch Editores e da Manchete. A convite de Darcy Ribeiro e de  Pompeu de Souza, foi professor de Técnica de Jornalismo na Universidade de Brasília.

GRANDE REPÓRTER – Como repórter, acompanhou os ex-presidentes Juscelino Kubitschek a Portugal; Jânio Quadros a Cuba; João Goulart aos Estados Unidos, e ao México e Chile; Ernesto Geisel à Inglaterra e à França; e José Sarney a Portugal e aos Estados Unidos.

Cobriu a Guerra do Vietnã, com o fotógrafo Gervásio Baptista, em 1967, e foi o primeiro jornalista brasileiro a cobrir a Guerra do Camboja, com o fotógrafo Antônio Rudge, em 1973, tendo chegado a Saigon e Phnom-Penh, via Tóquio.

Murilo Melo Filho foi o sexto ocupante da Cadeira nº 20 da ABL, para a qual foi eleito em 25 de março de 1999, na sucessão de Aurélio de Lyra Tavares sendo recebido em 7 de junho de 1999 pelo acadêmico Arnaldo Niskier, seu colega da Manchete.

Procuradoria abre inquérito sobre patrocínio do governo a sites de “fake news”

Uma babá para Carluxo | Bernardo Mello Franco - O Globo

Carluxo mandou que o Banco do Brasil retomasse os anúncios

Leandro Prazeres
O Globo

O Ministério Público Federal (MPF) determinou a abertura de inquérito para apurar suspeitas de que a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) esteja direcionando verba publicitária para sites ideológicos alinhados ao governo do presidente Jair Bolsonaro. O pedido de abertura do inquérito, conduzido pela Procuradoria da República no Distrito Federal, foi feito na segunda-feira.

O inquérito vai apurar acusações feitas pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão vinculado ao MPF, que, na semana passada, acusou o governo federal de “falta de transparência” na aplicação da verba da Secom.

CONSEQUÊNCIAS – Segundo representação movida pela PFDC, essa “falta de transparência” pode levar à “má aplicação dos recursos públicos, eventuais direcionamentos por motivação pessoal ou político-ideológica” e “censura indireta” a veículos não alinhados com o governo.

O inquérito foi aberto em meio à repercussão causada pela revelação de que a Secom e o Banco do Brasil pagaram por anúncios em sites que divulgam informações falsas ou que são alinhados ao governo Bolsonaro.

NOTÍCIAS FALSAS – Na semana passada, o perfil Sleeping Giants Brasil, no Twitter, revelou que o Banco do Brasil pagou por anúncios no site Jornal da Cidade Online, que, em 2018, publicou notícias falsas sobre as eleições presidenciais.

Após a revelação, o comando do Banco do Brasil informou que deixaria de anunciar no site, mas o chefe da Secom, Fábio Wajngarten, criticou a postura do banco e disse que o governo estaria “contornando a situação”.

Dois dias depois, o Banco do Brasil anunciou que recuou da decisão e voltou a permitir a veiculação de publicidade estatal no site.

SECOM SE DEFENDE – Em nota, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República disse que “não direciona a alocação de investimentos publicitários a qualquer veículo”.

“Há transparência na destinação das verbas de campanhas institucionais bem como os critérios técnicos adotados para a escolha dos meios e dos veículos”, completou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO SITE
O pior de tudo isso é que o filho de Mourão, funcionário do Banco do Brasil, mandou cancelar os anúncios ao site Jornal da Cidade, principal fabricante de notícias falsas, mas o filho Carluxo pressionou a diretoria do BB e os anúncios foram retomados. (C.N.)

Por unanimidade, STJ decide liberar Wesley e Joesley Batista a ocupar cargos executivos no grupo J&F

Irmãos também poderão participar de operações no mercado financeiro

Rafael Moraes Moura
Estadão

Por unanimidade, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira (26) permitir que os irmãos Joesley e Wesley Batista voltem a ocupar cargos executivos no grupo J&F. Os ministros também autorizaram que eles participem de operações no mercado financeiro.

O relator do caso, ministro Rogerio Schietti, destacou que mais de dois anos e três meses depois das investigações, não há notícia de que Joesley tenha descumprido as medidas cautelares impostas pela Justiça. O entendimento firmado no caso do executivo acabou sendo estendido para Wesley, seu irmão.

ACORDO – “Além disso, os autos indicam, sem margem a dúvidas, que o requerente celebrou acordo de leniência com o Ministério Público, no qual se comprometeu a instalar regras de conformidade em suas empresas, o que, como reconhecido pelo Parquet federal, vem sendo cumprido”, observou Schietti.

“Segundo a defesa, além da implementação de um rigoroso sistema de compliance nas empresas do grupo J&F, houve a estruturação das equipes que atuam nesta área, com uma evolução visível na contração de colaboradores, que faz parte do aprimoramento e da evolução dos programas de conformidade das empresas do grupo”, acrescentou o relator.

Para os advogados Pierpaolo Bottini e Tiago Sousa Rocha, defensores de Joesley, foi corrigida uma injustiça. “O tribunal reconheceu a ilegalidade da situação, evitando a continuidade de uma cautelar que já durava dois anos e meio”, comentaram os advogados, em nota.

Falta de planejamento caracterizou o falso feriadão criado em São Paulo

Fábio Galvão: A primeira ISO antissuborno O Dia - Opinião

Ao armar o feriadão, esqueceram a Bolsa de Valores, diz Galvão

Fábio Galvão

Para os brasileiros que seguem as recomendações científicas, não se questiona o fato de ainda não haver protocolos de eficácia comprovada para o enfrentamento da pandemia do Novo Coronavírus (Covid-19), embora algumas vacinas e medicamentos estejam na fase de testes.

Com se trata de uma pandemia nova, não existem medidas de prevenção que possam ser descartadas, o que reforça a necessidade de que tenham a devida adesão para que seus resultados sejam avaliados corretamente.

FALTOU PREPARAÇÃO – No caso de São Paulo, não há que se discutir a importância de estratégias como o isolamento social e “lockdown” para preservação da vida, já que são consideradas pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) como as medidas mais adequadas para reduzir a possibilidade de transmissão da Covid-19 no contexto brasileiro, por não haver meios de realizar testes em massa, como seria recomendável.

Entretanto, a resposta tímida à adoção destas medidas na capital paulista demonstra que as tentativas de aumentar a taxa de isolamento precisam ser acompanhadas de maior preparação e planejamento. A recente antecipação de feriados pela Prefeitura e Governo de São Paulo não surtiu o efeito esperado, pois o crescimento da adesão ao isolamento, medido pelo Sistema de Monitoramento Inteligente (SIMI-SP), foi de apenas 2%, passando de 49% para 51%, quando a meta era de 55%, no mínimo.

FEITO ÀS PRESSAS – A celeridade da decretação do “mini ockdown” na cidade de São Paulo, entre os dias 20 e 25/5/20, resvalou na pouca adesão que a medida teve por parte das entidades do sistema financeiro, considerando que não houve tempo suficiente para negociar com as instituições bancárias e a bolsa de valores os ajustes que precisariam ter sido feitos no calendário de operações praticadas no mercado financeiro, que segue prazos rígidos para liquidação dos negócios realizados.

A Federação Brasileira de Bancos – Febraban esclareceu que o funcionamento dos bancos é matéria disciplinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e decidiu manter as operações das instituições associadas.

Na mesma linha, a Caixa Econômica Federal anunciou que suas agências abririam normalmente durante o feriado de 6 dias decretado em São Paulo, para não alterar o calendário de pagamento da segunda parcela do auxílio emergencial, a fim de evitar aglomerações.

DISSE A BOVESPA – A Bolsa de Valores B3 informou, por sua vez, que foi autorizada pelo Banco Central a funcionar normalmente, pois a antecipação do feriado de Corpus Christi no município de São Paulo (20/5) não foi ajustada para o calendário do mercado financeiro.

O Banco Central emitiu o Comunicado nº 35.690, de 19/5/20, esclarecendo que o dia dedicado a Corpus Christi continuará sendo 11 de junho de 2020, para os fins da Resolução nº 2.932, de 28 de fevereiro de 2002, que estabelece o horário de funcionamento e os dias úteis para operações praticadas no mercado financeiro.

Neste Comunicado, foi enfatizada a responsabilidade do Banco Central pelo funcionamento regular do Sistema de Transferência de Reservas (STR) e do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), assim como pela apuração e divulgação da Taxa de câmbio Real/Dólar (PTAX) e da Taxa Selic.

OPERAÇÕES DIGITAIS – A autoridade monetária deve garantir o funcionamento regular dos sistemas de crédito e de pagamento digital, que ganhou ainda mais relevância na atual pandemia, devido à orientação das autoridades sanitárias para ser dada prioridade à utilização de cartões de débito e crédito, como forma de prevenir o contágio pelo coronavírus.

O chamado Sistema de Transferência de Reservas (STR) foi criado pelo Banco Central em 2002, para possibilitar a realização de transferências bancárias em tempo real, pois, como se sabe, uma ordem de transferência é sempre condicionada à existência de saldo suficiente na conta bancária de origem.

TÍTULOS PÚBLICOS -A liquidação em tempo real também é utilizada nas operações feitas no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), que realiza a liquidação e custódia de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional.

Assim, os rígidos prazos para efetivação de operações entre instituições financeiras e a responsabilidade do Banco Central pela integração dos sistemas de transferência, liquidação e custódia foram os reais motivos da não adesão do mercado financeiro ao “mini lockdown” em São Paulo, porque faltou tempo para preparação dos ajustes que seriam necessários no calendário de operações dos bancos e da bolsa de valores.

Por Fábio Galvão, especialista em Finanças e Administração Pública.

Aras se opôs à operação da PF que teve como alvo aliados de Bolsonaro em polêmico inquérito do STF

Para Aras, investigados estão abrigados na liberdade de expressão

Fábio Fabrini e Bruno Boghossian
Folha

O procurador-geral da República, Augusto Aras, se manifestou no inquérito das fake news contra os mandados de busca e apreensão contra políticos, empresários e ativistas bolsonaristas. Mesmo assim, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes os mandou expedir nesta quarta-feira, dia 27.

Provocado por Moraes a dar seu parecer sobre as medidas, ele argumentou, entre outras coisas, que os comentários dos investigados em redes sociais e em outros meios de comunicação estão abrigados na liberdade de expressão, protegida pela Constituição.

CRÍTICAS ADMISSÍVEIS – Segundo pessoa com acesso ao caso, um dos pontos considerados pelo procurador é que, entre os posts e declarações que são alvo do inquérito das fake news, não há somente ataques à honra de ministros do Supremo, mas também críticas que, embora contundentes, são admissíveis no sistema constitucional brasileiro, como aquelas em que se apoia o impeachment dos integrantes da corte.

O inquérito das fake news apura a disseminação de notícias falsas, ofensas, ataques e ameaças contra integrantes do STF. Inicialmente, a PGR (Procuradoria-Geral da República) não participava da investigação, propondo as medidas investigativas. A ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge tentou arquivá-la várias vezes, sem sucesso, por esse motivo.

Numa guinada em relação ao entendimento anterior, no entanto, Aras considerou que não há inconstitucionalidade na apuração, desde que suas conclusões sejam submetidas ao Ministério Público, único órgão capaz de propor ações penais. Desde então, a PGR tem sido chamada a dar pareceres no caso.

CENSURA – Foi no âmbito deste inquérito que Moraes mandou tirar do ar reportagem dos sites da revista Crusoé e O Antagonista que ligavam Toffoli à empreiteira Odebrecht. Dias depois, o ministro voltou atrás e derrubou a censura.

No Supremo, com exceção do ministro Marco Aurélio, mesmo os críticos ao procedimento têm evitado comentá-lo, seja para não enfraquecer o tribunal perante o público, seja porque, como observam, desconhecem a gravidade do que a apuração ainda pode encontrar.

O motivo dos questionamentos sobre o inquérito é que, segundo seus críticos, há uma série de vícios de origem. A investigação foi aberta em março pelo presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, sem provocação de outro órgão —no jargão jurídico, foi instaurada de ofício.

SEM SORTEIO – Moraes foi escolhido relator por Toffoli sem que houvesse um sorteio entre todos os ministros. E o objeto da apuração é amplo demais, sem um fato criminoso bem definido, o que permite que várias situações sejam enquadradas no escopo da investigação, como tem ocorrido.

A investigação foi aberta em uma semana marcada por derrotas da Operação Lava Jato no STF e troca de farpas entre magistrados, congressistas e membros da força-tarefa em Curitiba. O anúncio causou descontentamento no Congresso e no Ministério Público. Podem ser alvo parlamentares e procuradores que, no entendimento dos ministros, tenham levado a população a ficar contra o tribunal.

Lewandowski rejeita recurso do “Estado de S. Paulo” sobre exames de Bolsonaro

O STF jamais esteve acovardado', diz Lewandowski em resposta a ...

Testes foram revelados e a ação terminou, assinalou LewandowskiI

José Carlos Werneck

Demonstrando sua isenção e total independência a quaisquer influências políticas, ideológicas ou partidárias, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, em uma bem fundamentada decisão, rejeitou o recurso apresentado pelo jornal “O Estado de São Paulo” para certificar que o presidente Jair Bolsonaro entregou mesmo à Justiça todos os exames realizados para identificar se foi contaminado ou não pelo novo coronavírus.

A Justiça Federal de São Paulo e o Tribunal Regional Federal da 3ª Região haviam garantido o direito do jornal ter acesso aos laudos de todos os exames do presidente da República por conta de um alegado interesse público sobre sua saúde.

O governo, no entanto, conseguiu barrar a divulgação no Superior Tribunal de Justiça, o que levou o jornal a entrar com recurso ao Supremo.

TESTES NEGATIVOS – Antes mesmo de o ministro Ricardo Lewandowski decidir sobre o caso, a defesa de Bolsonaro encaminhou ao Supremo três laudos, com resultados negativos.

 Para o jornal, a entrega dos referidos exames não encerrava o feito, mas o ministro Lewandowsk, acertadamente entendeu que:

“São manifestamente incabíveis os embargos que tão somente exprimem o inconformismo da parte com o resultado do julgamento, persistindo em rediscutir matéria já decidida, sobretudo sem demonstrar – como ocorre no caso sob análise – os vícios previstos na legislação de regência”.

“Esses 3 (três) exames foram juntados aos autos por petição subscrita pelo Advogado-Geral da União. Por tal motivo, quanto a esse tópico penso que também não existe qualquer obscuridade”, disse o magistrado em sua sensatíssima decisão.

Para ele, eventuais questionamentos sobre a validade dos exames entregues pela defesa de Bolsonaro devem ser esclarecidos na Justiça Federal de São Paulo.

Celso de Mello encaminha à PGR pedido de investigação por tráfico de influência contra Carla Zambelli

Zambelli tentou convencer Moro a trocar o comando da PF

André de Souza
O Globo

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre um pedido feito por parlamentares do PT para investigar a deputada Carla Zambelli (PSL-SP). A consulta ao órgão é praxe em processos criminais no STF.

O PT viu crimes de advocacia administrativa e tráfico de influência em mensagens trocadas entre Zambelli e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Nelas, Zambelli tentou convencer Moro a trocar o comando da Polícia Federal por ajuda para fazer o presidente Jair Bolsonaro a indicá-lo para o STF.

INVESTIGAÇÕES – Ela também fez perguntas a ele sobre investigações a cargo da PF em relação ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Em 24 de abril deste ano, Moro deixou o governo acusando de Bolsonaro de tentar interferir na PF.

Celso destacou que, uma vez tendo chegado à Corte a notícia de supostos crimes, o Ministério Público, do qual a PGR faz parte, deve apurar o ocorrido. Ele também é o relator do inquérito aberto para investigar se houve ingerência de Bolsonaro na PF.

“A indisponibilidade da pretensão investigatória do Estado impede, pois, que os órgãos públicos competentes ignorem aquilo que se aponta na ‘notitia criminis’, motivo pelo qual se torna imprescindível a apuração dos fatos delatados, quaisquer que possam ser as pessoas alegadamente envolvidas, ainda que se trate de alguém investido de autoridade na hierarquia da República, independentemente do Poder (Legislativo, Executivo ou Judiciário) a que tal agente se ache vinculado”, diz trecho do despacho do ministro.

DESAPEGO – No pedido feito ao STF, o PT destacou: “De modo geral, a Deputada Federal Carla Zambelli demonstrou o seu completo desapego para com a coisa pública, com a democracia e com o Estado Democrático de Direito, tratando as cúpulas do Poder Executivo Federal e o Congresso Nacional como espaço para alcançar seus interesses, que em nada representam o interesse público, tal como influenciar na autonomia da Polícia Federal ou buscar inferir em investigações sobre o Presidente da Câmara dos Deputados.”

O Código Penal define advocacia administrativa como “patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário”, com pena de até um ano de detenção. Tráfico de Influência ocorre ao “solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função”. A pena, nesse caso, pode chegar até sete anos e meio.

Após saída da imprensa do Alvorada por falta de segurança, Bolsonaro ironiza: “Estão se vitimizando”

Apoiadores de Bolsonaro ameaçam a imprensa diariamente

Renato Machado
Folha

O presidente Jair Bolsonaro disse na noite desta terça-feira, dia 26, que os veículos de comunicação que deixaram de fazer a cobertura no Palácio do Alvorada por questões de segurança — entre eles a Folha— estão se vitimizando.

Desde esta terça-feira, a Folha e os veículos do Grupo Globo deixaram a cobertura no local, após uma série de incidentes envolvendo os apoiadores do presidente, que ficam a poucos metros do espaço destinado para a imprensa. Ameaças e agressões verbais viraram uma constante.

SEGURANÇA – A Folha decidiu suspender a cobertura jornalística temporariamente até que o governo federal ofereça segurança aos profissionais de imprensa. A mesma decisão foi tomada pelo Grupo Globo, abrangendo os jornalistas de suas emissoras de televisão, os jornais O Globo e Valor Econômico e o portal G1.

Ao terminar sua entrevista, o presidente provocou os jornalistas, perguntando se não havia nenhum repórter dos veículos que haviam decidido não participar dessa cobertura. “A Folha não está mais aqui, não? O Globo não está? Estadão também não”, questionou o presidente, arrancando risos de seus militantes.

ATAQUE – Em seguida, ao ouvir explicação de um jornalista sobre a decisão de alguns veículos de não estar ali por questão de segurança, Bolsonaro atacou esses grupos de mídia. “Estão se vitimizando. Quando eu levei a facada, eles não falaram nada. Não vi a Folha falando quem matou o Bolsonaro”, disse o presidente.

Ao contrário do informado pelo chefe do Executivo, a Folha se manifestou editorialmente de maneira imediata, condenando o ato de violência contra o então candidato. No editorial intitulado “Repúdio Geral”, o jornal afirmou, em 7 de setembro de 2018, que o “atentado contra Bolsonaro não tem acolhida num país que está comprometido com a democracia”.

IMPRENSA LIVRE – Bolsonaro em seguida argumentou que nunca promoveu nenhum ato contra a mídia e que defende uma imprensa livre. “Nunca persegui ninguém, mas o ditador sou eu”, disse. Na manhã desta terça-feira, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) informou em nota que continuará aperfeiçoando a segurança do local.

“Continuaremos aperfeiçoando esse dispositivo, para que o local permaneça em condições de atender às expectativas de trabalho e de livre manifestação dos públicos distintos que, diariamente, comparecem ao Palácio do Alvorada”, afirma o texto.Na nota, o GSI afirmou avaliar “ininterruptamente as condições de segurança dos locais onde o presidente esteja ou possa vir a estar”. “Em decorrência desta avaliação, implementa as medidas necessárias e suficientes para garantir a segurança adequada.”

MEDIDAS – O órgão também lista algumas medidas que foram adotadas na área em frente à residência oficial, onde tanto apoiadores quanto repórteres comparecem diariamente para acompanhar a saída e a entrada de Bolsonaro.

Entre as ações, há a separação física, por meio de gradis, dos locais destinados para os visitantes e repórteres; registro e inspeção dos presentes, inclusive com detector de metal; orientação quanto ao uso de equipamentos de proteção individual contra a disseminação do novo coronavírus; e presença de agentes de segurança.

Com a escalada de hostilidades, o GSI havia instalado duas grades, com espaço de uma pessoa em pé entre elas, para separar os dois grupos. O reforço da proteção, no entanto, foi removido e, nos últimos dias, há apenas uma grade e uma fita de contenção, ignorada pela claque.

Parlamentares reagem à operação da Polícia Federal e Carla Zambelli pede impeachment de Moraes

Carla Zambelli disse que país vive “um estado de exceção”

Iara Lemos, Danielle Brant eTalita Fernandes
Folha

Alvo da operação da Polícia Federal contra fake news, deputados aliados ao presidente da República Jair Bolsonaro reagiram nesta quarta-feira, dia 27, e classificaram como ilegais as investigações. Eles não são alvo de mandados de busca e apreensão, mas o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que sejam ouvidos em dez dias e que suas postagens em redes sociais sejam preservadas.

Trata-se dos deputados federais Bia Kicis (PSL-DF), Carla Zambelli (PSL-SP), Daniel Lúcio da Silveira (PSL-RJ), Filipe Barros (PSL-PR), Junior do Amaral (PSL-MG), Luiz Phillipe Orleans e Bragança (PSL-SP), além dos deputados estaduais Douglas Garcia (PSL-SP) e Gil Diniz (PSL-SP).

“ILEGAL” – “Toda pessoa que respeite a lei tem a obrigação de repudiar essas buscas no âmbito de um inquérito ilegal e inconstitucional, sem fato determinado e já arquivado pela PGR. Se você aplaude a ação ilegal contra seu adversário, não adianta reclamar quando ela se voltar contra você”, escreveu a deputada Carla Zambelli, em uma rede social.

Zambelli está no centro de outra polêmica, sob suspeita de ter informações prévias sobre operações da Polícia Federal contra governos estaduais, como a que ocorreu na manhã desta terça-feira, dia 26, no Rio de Janeiro.

CONHECIMENTO PRÉVIO – Na noite de segunda-feira, em entrevista à Rádio Gaúcha, a deputada disse ter conhecimento de que investigações contra governadores estavam em andamento, por conta dos gastos para combater a Covid-19, e que em breve operações seriam lançadas. Ela nega que tenha tido informações privilegiadas.

Zambelli ainda defendeu que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) coloque para análise os pedidos de impeachment que tramitam contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. O presidente do Senado não se manifestou.

“Estamos vivendo um estado de exceção, ironicamente sob os aplausos dos que acusam o Presidente @JairBolsonaro de querê-lo. Está na hora do Sr. @davialcolumbre cumprir seu dever constitucional e analisar com carinho os pedidos de impeachment contra o responsável por esse absurdo.”

FAKE NEWS – Ao todo, a PF cumpre 29 mandados de busca e apreensão no chamado inquérito das fake news, que apura ofensas, ataques e ameaças contra ministros do STF. O ex-deputado Roberto Jefferson, o empresário Luciano Hang (dono da Havan), assessores do deputado estadual paulista Douglas Garcia (PSL) e ativistas bolsonaristas estão entre os alvos.

O principal foco da operação é um grupo suspeito de operar uma rede de divulgação de notícias falsas contra autoridades, além de quatro possíveis financiadores dessa equipe. As ordens foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e estão sendo executadas no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. A investigação corre em sigilo.

APREENSÕES – A deputada Bia Kicis, um dos alvos da operação, disse também por uma rede social que a Polícia Federal não esteve na sua casa “Acordei com a notícia de que a PF estava na minha porta. Não está! Mas está na casa do @allantercalivre do @tercalivre e do Rey Bianchi. Apreenderam celular e computador do Allan. Parece que o luciano_hang tb é alvo.#InqueritoIlegal”.

“Estamos vivendo um estado de exceção, ironicamente sob os aplausos dos que acusam o Presidente @JairBolsonaro de querê-lo. Está na hora do Sr. @davialcolumbre cumprir seu dever constitucional e analisar com carinho os pedidos de impeachment contra o responsável por esse absurdo.”

CARLUXO – Filho do presidente da República, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) considerou a operação como uma “ordem ditatorial”. Ele não é alvo da operação desta quarta-feira. “Informando-me sobre este lamentável fato. Aos que acreditavam que o Brasil teria medidas autoritárias após as eleições de 2018 acertaram, só não contavam que a ordem ditatorial não viria do presidente que eles tanto xingam de ditador.”

Já o deputado Douglas Garcia, um dos investigados, disse que a operação é inconstitucional. “Polícia Federal no meu gabinete: a perseguição do inquérito inconstitucional 4.781 estabelecido pela ditatoga com o intuito de criminalizar a liberdade de expressão e a atividade parlamentar.”

O deputado Cabo Junior Amaral também repudiou a operação. “PF está na casa do @allantercalivre e em outros endereços cumprindo ordens de busca e apreensão do inquérito inconstitucional que corre no STF. O crime? “Ofensas” à corte!”

Carluxo critica ação da Polícia Federal contra fake news: “Inquérito inconstitucional, político e ideológico”

Carluxo é apontado como um dos mentores do “gabinete do ódio”

Rayanderson Guerra
O Globo

O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos) afirmou em suas redes sociais na manhã desta quarta-feira, dia 27, que a operação da Polícia Federal contra aliados e apoiadores de seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, busca “incentivar rachaduras diante de inquérito inconstitucional, político e ideológico”.

A PF cumpre 29 mandados de busca de apreensão no inquérito que apura fake news e ataques contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). “O que está acontecendo é algo que qualquer um desconfie que seja proposital. Querem incentivar rachaduras diante de inquérito inconstitucional, político e ideológico sobre o pretexto de uma palavra politicamente correta? Você que ri disso não entende o quão em perigo está!”, escreveu Carlos Bolsonaro.

ALIADOS – Entre os alvos da PF nesta quarta-feira estão o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP), o blogueiro Alllan dos Santos, o empresário Luciano Hang e da ativista Sara Winter. Os cinco alvos são aliados e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. As ordens judiciais estão sendo cumpridas no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Mato Grosso, no Paraná e em Santa Catarina.

Carlos Bolsonaro é apontado como um dos integrantes e mentores do “gabinete do ódio”, grupo que monitora e produz conteúdos para redes sociais. O grupo é apontado como responsável por ataques a opositores do presidente Jair Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Dois pesos e duas medidas. Ontem o clã Bolsonaro ironizou as ações da PF contra governadores e se isentou de qualquer possibilidade de perseguição política. Hoje, com a batata assando, Carluxo critica o “caráter político” da ação e se exalta sobre o avanço das investigações que já identificaram indícios de seu envolvimento no esquema de notícias falsas. Mais alguns elementos e o inquérito poderá comprovar a de forma sustentável a sua ligação, juntamente com o irmão Eduardo, também suspeito. (Marcelo Copelli)

Bolsonaro nega relação com operação da PF no Rio e ironiza Witzel: “Tem gente preocupada”

Witzel disse que operação foi um ato de perseguição política

Vinícius Valfré
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro negou novamente qualquer interferência na Polícia Federal e rebateu acusações do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, investigado por suposto envolvimento em esquema de fraudes na Saúde do Estado.

Em entrevista concedida em frente ao Palácio da Alvorada nesta terça-feira, dia 26, Bolsonaro reclamou do Supremo Tribunal Federal (STF) e provocou Witzel. “A operação no Rio não tem nada a ver comigo.

IRONIA – A PF foi cumprir decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Não fui eu que decidi. Eu nunca decidi operação nenhuma. Agora, tem gente preocupada, querendo botar a culpa em mim, falando do meu filho”, afirmou o presidente, em referência a Witzel.

Após ser alvo de busca e apreensão, no Palácio das Laranjeiras, nesta terça-feira, dia 26, o governador fluminense afirmou que a operação significou que a “interferência” de Bolsonaro na Polícia Federal “está devidamente oficializada”.

O comando da PF no Rio é um dos principais pontos do inquérito que investiga se houve interferência do presidente na instituição, como acusou o então ministro da Justiça Sérgio Moro. “A PF está trabalhando, no meu entender, com muita liberdade. Da nossa parte, não existe, nem nunca existiu, nenhuma interferência. Se existia, não era minha, era de quem estava à frente da PF, que no caso era o ministro. Não vou acusar o Moro disso daí”, afirmou Bolsonaro.

SANÇÃO – Ao retornar para o Palácio da Alvorada, o presidente também confirmou que deverá sancionar nesta quarta-feira, dia 27, a proposta de auxílio de R$ 60 bilhões a Estados e municípios. O chefe do Executivo aproveitou para mandar um recado aos governantes locais.

“Prefeitos e governadores já sabem que não vão ter outra oportunidade. Não podemos continuar socorrendo Estados e municípios que devem, no meu entender, de forma racional, começar a abrir os mercados”, disse ele, antes de reclamar do Supremo. “Tenho a obrigação, como chefe do Estado, de tomar decisões. Estou de mãos amarradas por decisão do STF, que delegou a Estados e municípios essas medidas”.

SISTEMA PARTICULAR – Bolsonaro também voltou a mencionar o seu “sistema de informações reservado” para dizer que recebe vídeos frequentemente sobre apuros econômicos de cidadãos de várias partes do País e de pessoas “algemadas por estarem nas ruas”. Segundo ele, esse sistema consiste em uma rede de amigos que o abastece com informações pelas redes sociais e pelo WhatsApp.

Ao se dirigir a jornalistas,Bolsonaro também disse que o governo se prepara para reabrir fronteiras que haviam sido fechadas para conter o avanço do novo coronavírus. O presidente encerrou a entrevista ao ser questionado sobre a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de cobrar explicações do ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Na reunião ministerial do dia 22 de abril, Weintraub pediu a prisão dos magistrados. “Por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”, afirmou o ministro da Educação.

Roberto Jefferson, Luciano Hang e apoiadores de Bolsonaro são alvos da PF em inquérito que apura fake news e ataques contra STF

Investigação apura ações de grupo suspeito de operar contra autoridades

Fábio Fabrini e Bruno Boghossian
Folha

A Polícia Federal cumpre 29 mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira, dia 27, no chamado inquérito das fake news, que apura ofensas, ataques e ameaças contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). O ex-deputado Roberto Jefferson, o empresário Luciano Hang, assessores do deputado estadual paulista Douglas Garcia (PSL) e ativistas bolsonaristas estão entre os alvos.

O principal foco da operação é um grupo suspeito de operar uma rede de divulgação de notícias falsas contra autoridades, além de quatro possíveis financiadores dessa equipe. As ordens foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e estão sendo executadas no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. A investigação corre em sigilo.

AMEAÇAS À DEMOCRACIA – Um dos alvos é o ex-deputado federal Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB e novo aliado do presidente Jair Bolsonaro. De acordo com as investigações, o ex-parlamentar fez ameaças à democracia ao publicar uma foto com um fuzil “os traidores”.

Ex-aliado de Fernando Collor de Melo e um dos condenados no escândalo do mensalão, Jefferson preside um dos partidos do Centrão e passou a defender efusivamente Bolsonaro nos últimos tempos.

O próprio presidente da República chegou a assistir e recomendar uma live em que Jefferson acusava o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de arquitetar um golpe parlamentar. Bolsonaro tem se articulado com siglas do centrão, distribuindo cargos a essas legendas em troca de apoio no Congresso. Outros alvos da operação são os bolsonaristas Allan dos Santos (blogueiro) e Sara Winter (ativista).

APOIADORES – Allan dos Santos é apoiador de Bolsonaro e editor do site Terça Livre. Ele prestou depoimento à CPMI das Fake News, no ano passado, e negou receber verba oficial do governo para manter a página. Já a ativista Sara Winter lidera um grupo denominado 300 do Brasil, que formaram um acampamento para treinar militantes dispostos a defender o governo Bolsonaro. Em entrevistas recentes, ela reconheceu que alguns de seus integrantes estão armados.

Também é alvo o humorista Rey Bianchi, que postou em suas redes sociais um vídeo com o mandado de Moraes, no qual critica a operação. A operação mira ainda quatro supostos financiadores de fake news.

CARLUXO – A Folha mostrou no dia 25 de abril que as investigações identificaram indícios de envolvimento do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, no esquema de notícias falsas. O inquérito busca elementos que comprove sua ligação e sustente seu possível indiciamento dele ao fim das apurações. Outro filho de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo PSL de SP, também é suspeito.

Como mostrou a Folha, enquanto procuradores e juízes da primeira instância têm arquivado, nos estados, os desdobramentos do inquérito aberto pelo STF para apurar fake news e ameaças contra integrantes do tribunal, há em Brasília uma confluência entre Supremo, governo federal e Ministério Público que respalda o prosseguimento da investigação.

CONSTITUCIONALIDADE – A AGU (Advocacia-Geral da União), que representa o governo Jair Bolsonaro, tem dado pareceres favoráveis à continuidade do inquérito, cuja constitucionalidade é questionada em ações no próprio Supremo e na Justiça Federal de primeiro grau em Brasília.

No entendimento da AGU, o ministro Moraes, que preside a investigação, não será o responsável por denunciar e julgar os suspeitos, o que assegura a separação entre as funções prevista na Constituição.

País registra 1.039 novas mortes em 24 horas e Bolsonaro repete a sua ladainha contra o isolamento social

Charge do Duke (domtotal.com)

Vinícius Valfré
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro voltou a se posicionar contra as medidas de isolamento social para combater o novo coronavírus. “Não dá pra continuar assim. Nós sabemos que devemos nos preocupar com o vírus, em especial os mais idosos, quem tem doenças, quem é fraco, mas (sem) essa de fechar a economia. 70 dias a economia fechada. Até quando isso vai durar? Nós vamos enfrentar isso daí, eu lamento. Eu estou com 65 anos de idade, eu estou no grupo de risco”, disse o presidente nesta terça-feira, dia 26, sem fazer uso da máscara, item obrigatório em todo Distrito Federal.

A fala de Bolsonaro ocorreu antes de o ministério da Saúde divulgar o registro de 1.039 novas mortes causadas pela covid-19 nas últimas 24 horas. Com o balanço desta terça-feira, o total de óbitos pela doença no País passou para 24.512. O isolamento social é recomendado pelas autoridades de Saúde do mundo como único método eficaz para combater o novo coronavírus.

QUEIXAS – Em entrevista, Bolsonaro voltou a se queixar do Supremo Tribunal Federal (STF), que deu aos governadores o poder de decidir sobre medidas de isolamento social, e repetiu seu novo discurso de que é “fácil colocar uma ditadura no Brasil”.

A tese exposta pelo presidente na reunião ministerial que teve seu teor divulgado pelo Supremo na última sexta-feira é a de que as pessoas precisam se armar para impedir uma ditadura que, segundo ele, seria implementada por prefeitos e governadores que adotaram medidas de isolamento social.

“Eu tenho obrigação como chefe de Estado de tomar decisões. Estou de mãos amarradas por decisão do Supremo Tribunal Federal que delegou a Estados e municípios essas medidas. Continuam chegando videos pra mim de pessoas sendo algemadas por estarem na rua. Isso não pode continuar assim. Como disse lá para o ministro, reservadamente, que eu não queria que tornasse público é fácil colocar uma ditadura no Brasil. O povo tá com medo dentro de casa”, afirmou.

“GRIPEZINHA” – Desde o início da pandemia, Bolsonaro já afirmou que a doença que matou 347.836 pessoas no mundo até agora, é uma “gripezinha” e respondeu com um “é daí?” a questionamento de um jornalista sobre o crescente número de mortes no País.

Dois ministros da Saúde pediram demissão por discordar de suas ordens para o combate à pandemia. Atualmente, a pasta é comandada por um interino, o general Eduardo Pazuello, que aceitou liberar a cloroquina para pacientes com sintomas leves da doença, o que seus antecessores na pasta discordaram por não haver comprovação científica da eficácia do medicamento.  

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro parece o samba de uma nota só. Bate na mesma tecla diariamente e dá como saída para a crise na Saúde “enfrentar isso aí”. Ou seja, reabre a economia, “fracos”, “idosos” e “doentes” se cuidam em casa sozinhos e o resto do povo brinca de roleta russa com a pandemia. Os que forem infectados têm a opção de dormir em hotéis ou levar o vírus para dentro de casa. Em tradução simultânea, como diz o amigo Carlos Newton, sem plano estratégico definido ou qualquer noção das consequências de suas estapafúrdias orientações, Bolsonaro rubrica sua gestão com as marcas das ferraduras com as quais administra o País e conduz o seu rebanho. (Marcelo Copelli)

Major Olímpio chama Flávio de ‘bandido’ e diz que Bolsonaro tenta proteger o filho

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Decepcionado, o senador anuncia que abandonará a política

Pedro Venceslau e Marcelo Godoy
Estadão

Eleito em 2018 com mais de 9 milhões de votos, o senador Major Olímpio (SP), líder do PSL no Senado, disse nessa terça-feira, 26, que está sendo pressionados por colegas da Polícia Militar a ter “lealdade cega” ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e que por isso decidiu abandonar a política após o fim de seu mandato, que termina em 2026. O senador afirmou que Bolsonaro rompeu com ele “de forma pessoal” para “proteger filho bandido”.

“Todo mundo sabe que meu sonho era disputar o governo em 2022, mas estou fora. Não quero mais me candidatar. Estou enojado com essa situação. Policiais militares estão me cobrando lealdade cega ao presidente. Me chamaram de traíra. Não sou traíra. Quem está desviando conduta é o presidente”, disse Olímpio ao Estadão.

CONVERSA PRIVADA – A indignação do senador, que foi eleito na esteira do bolsonarismo, se difundiu entre policiais após Olímpio responder o áudio de um colega que o procurou (ouça abaixo). “Era um conversa privada, mas ele resolveu dar publicidade”, disse o parlamentar. Olímpio preferiu não revelar o nome do colega, que na gravação é chamado de Azevedo. O senador ingressou na Polícia Militar há 42 anos e entrou na política tendo como base a categoria.

O motivo com do rompimento com Bolsonaro, diz Olímpio, foi o fato de ele ter sido um dos senadores que assinaram a CPI do Lava Toga.  “Quem se desviou foi o presidente (Bolsonaro), que não quis que eu assinasse a CPI da Lava Toga para proteger filho bandido. Eu não tenho bandido de estimação”, disse o senador na gravação.

ACORDO COM CENTRÃO – “Isso de palavrão em reunião (ministerial) é besteira. Estou enojado mesmo é com o comportamentos que ele adotou e vem adotando. Adotou comigo. Essa negociação com o Centrão por cargo. Essa safadeza que nós tanto lutamos contra. Não quero mais disputar eleição para nada. Estou pendurando as chuteiras. Procurem um novo representante. Não sou gado humano”, acrescentou o parlamentar na gravação.

Na época, Flávio Bolsonaro, que hoje está no Republicanos, foi o único dos quatro senadores do PSL que não assinou a petição pela abertura da comissão. A CPI era defendida principalmente por parlamentares classificados como “lavajatistas”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No caso, os eleitores devem constatar quem foi que mudou de postura – se foi o Major Olímpio ou o próprio Bolsonaro. (C.N.)

Uma rosa imortal, cultivada na genialidade de Pixinguinha e Otávio de Souza

TRIBUNA DA INTERNET | Uma rosa imortal, cultivada na genialidade ...

Pixinguinha, um dos gigantes da música brasileira

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor e mecânico Otávio de Souza, na letra de “Rosa”, em parceria com Pixinguinha, expressa o mais alto refinamento do romantismo do início do século XX. Esta valsa foi gravada por Orlando Silva, em 1937, pela RCA Victor.

ROSA
Pixinguinha e Otávio de Souza

Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu

Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza

Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer

No desespero, Jair Bolsonaro agora tenta reconquistar o apoio das Forças Armadas

TRIBUNA DA INTERNET | Ao contrário do que alegam, militares têm ...

Charge do Junião (Arquivo Google)

Carlos Newton

Na fase atual de desgaste corrosivo, qualquer argumento é válido para o presidente Jair Bolsonaro tentar reaver o apoio que as Forças Armadas lhe deram na campanha eleitoral de 2018 e no primeiro ano de gestão. Nessa missão, o ministro-chefe do Gabinete Institucional de Segurança, general Augusto Heleno, continua sendo o principal avalista do governante, depois que o ex-comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, teve de se afastar devido à grave doença que enfrenta.

Bom de briga e rápido no gatilho, Heleno aproveitou bem as duas oportunidades que surgiram para despertar a solidariedade dos militares, que não estão nada satisfeitos com as maluquices de Bolsonaro e sua trupe terraplanista.

ERRO DE CELSO DE MELLO – A primeira oportunidade foi um erro estratégico do ministro Celso de Mello. Ao convocar os depoimentos dos três generais do Planalto, usou a linguagem de praxe dos magistrados, citando a possibilidade de condução coercitiva, ”debaixo de vara”, para demonstrar que se tratava de intimação e não um simples convite, que os ministros podem declinar.

Heleno bateu forte em Celso de Mello, despertando o corporativismo dos militares, e Bolsonaro deu uma respirada. Poucos dias depois, novo vacilo do ministro do Supremo, ao pedir que o procurador-geral da República se manifeste sobre a queixa-crime que pede apreensão dos celulares de Bolsonaro e de seu filho Carluxo. O relator Mello nada mais fez do que agir na forma da lei, mas foi inábil, poderia ter esperado alguns dias, ficou parecendo provocação.

Resultado, Heleno deu mais uma pancada corporativista, com direito a confirmação pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, que alegou ter sido informado previamente da nota de Heleno, mas fica difícil de acreditar.

BOLSONARO EUFÓRICO – As três manifestações militares deixaram eufórico o presidente Bolsonaro, que deu entrevista exaltando o apoio que tem nas Forças Armadas. Assim, em meio a seus pesadelos, de repente ressurge o sonho de Bolsonaro novamente fazer as Forças Armadas se sentirem representadss por ele.

Bem, sonhar ainda não é proibido, e tem gente grande que costuma cair da cama. O fato concreto é que os militares (leia-se: os Altos-Comandos) já estão “por aqui” com Bolsonaro, como dizia o Seu Peru na Escolinha do Professor Raimundo. E como afirmou o general Heleno na semana passada, não há a menor condição de ocorrer um golpe civil ou militar.

Em tradução simultânea, isso significa que os Altos-Comandos vão aguardar o presidente Jair Bolsonaro cair de podre, para ocorrer sua substituição pelo general Hamilton Mourão, com os militares prestando serviços à la carte, diretamente do produtor ao consumidor, ao invés de manter um intermediário mambembe, desbocado e incompetente como Bolsonaro, que já vai tarde. (C.N.) 

Moraes manda Weintraub explicar o pedido de prisão dos ministros do Supremo

Moraes deu prazo de 5 dias para Weintraub prestar depoimento

Rafael Moraes Moura
Estadão

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu cobrar explicações do ministro da Educação, Abraham Weintraub (Educação), sobre a declaração feita na reunião ministerial de 22 de abril. Na ocasião, Weintraub afirmou: “Por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”.

A decisão de Moraes foi feita no âmbito do inquérito que investiga ameaças, ofensas e fake news disseminadas contra integrantes da Corte e seus familiares.

EM CINCO DIAS – “Diante do exposto, determino que Abraham Weintraub, atualmente exercendo o cargo de Ministro da Educação, seja ouvido pela Polícia Federal, no prazo máximo de 5 (cinco) dias para prestar esclarecimentos sobre a manifestação acima destacada”, escreveu Moraes.

Para Alexandre de Moraes, a manifestação de Weintraub “revela-se gravíssima, pois não só atinge a honorabilidade e constituiu ameaça ilegal à segurança dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, como também reveste-se de claro intuito de lesar a independência do Poder Judiciário e a manutenção do Estado de Direito”.

Ao levantar o sigilo do vídeo da reunião, o ministro Celso de Mello, do STF, apontou aparente “prática criminosa” cometida pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub.

CRIME DE INJÚRIA – Segundo o decano, a “gravíssima aleivosia” feita por Weintraub, “num discurso contumelioso e aparentemente ofensivo ao patrimônio moral” dos ministros, põe em evidência que tal afirmação configuraria possível delito contra a honra (como o crime de injúria). Mello ainda determinou que todos os ministros do STF fossem comunicados sobre o fato, enviando a eles cópia de sua decisão, para que possam, “querendo, adotar as medidas que julgarem pertinentes”.

No despacho, obtido pelo Estadão, o ministro escreveu: “Encaminho a Vossa Excelência cópia da decisão por mim proferida no inquérito em epígrafe em 22 de maio de 2020 (com especial para o item 8), bem assim reprodução da degravação procedida pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal para que vossa excelência possa adotar, querendo, as medidas que julgar pertinentes”. O item 8 é o que trata da fala do ministro da Educação.

REPERCUSSÃO – Nesta terça-feira, Celso de Mello e a ministra Cármen Lúcia rechaçaram os ataques feitos contra o STF. Para Cármen, os ministros do STF honram a história da instituição e comprometem-se com o futuro da democracia brasileira e não serão abalados por ‘agressões eventuais’.

“Nós, juízes deste Supremo Tribunal, exercemos nossas funções como dever cívico e funcional, sem parcialidade nem pessoalidade. Todas as pessoas submetem-se à Constituição e à lei no Estado Democrático de Direito. Juiz não cria lei, juiz limita-se a aplicá-la. Não se age porque quer, atua-se quando é acionado. Nós, juízes, não podemos deixar de atuar. Porque sem o Poder Judiciário, não há o império da lei, mas a lei do mais forte”, disse Cármen Lúcia.

MELLO RATIFICA – Relator do inquérito que investiga as acusações levantadas pelo ex-juiz Sérgio Moro de que Bolsonaro tentou interferir politicamente na PF, o ministro Celso de Mello reforçou a posição da colega Cármen Lúcia. “Eu também acompanho e subscrevo integralmente o pronunciamento de vossa excelência, e o faço porque também entendo que sem um poder judiciário independente que repele injunções marginais e ofensivas ao postulado da separação dos poderes, e que buscam muitas vezes ilegitimamente controlar a atuação dos juízes e dos tribunais, jamais haverá cidadãos livres nem regime político fiel aos princípios e valores que consagram o primado da democracia”, disse Celso de Mello.

“Em uma palavra: sem um poder judiciário independente não haverá liberdade nem democracia”, acrescentou o decano.

Após a repercussão, Weintraub afirmou nas redes sociais que sua fala teria sido ‘deturpada’. “Não ataquei leis, instituições ou a honra de seus ocupantes. Manifestei minha indignação, em ambiente fechado, sobre indivíduos. Alguns, não todos, são responsáveis pelo nosso sofrimento”, postou.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Educação ainda não se pronunciou.

Deputada representa à Procuradoria para anular o protocolo da cloroquina

Deputada criticou o protocolo instituído pelo governo federal

Deu no O Tempo

Horas depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) determinar a paralisação de um estudo sobre o uso da hidroxicloroquina em pacientes com coronavírus, a Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu nesta segunda-feira, dia 25, um pedido da deputada Sâmia Bomfim (PSOL) para proibir o novo protocolo do medicamento aprovado pela Ministério da Saúde.

Em suas redes sociais, a deputada criticou o protocolo instituído pelo governo federal e citou as ponderações de entidades internacionais sobre a falta de comprovação da eficácia do remédio no combate à Covid-19.

URGÊNCIA – “Contra todos os indícios, na última quarta-feira, o Ministério da Saúde liberou o uso em massa da cloroquina. Esse protocolo pode custar milhares de vidas e nos impede de atuar de maneira eficaz contra a doença. É urgente parar esse governo anti-ciência e anti-povo”, escreveu Sâmia Bomfim.


Na semana passada, após determinação do presidente Jair Bolsonaro, o Ministério da Saúde implementou um protocolo que prevê o uso do medicamento em estágios iniciais de pacientes com o novo coronavírus. Procurada pela reportagem, a PGR ainda não informou se tem algum prazo para analisar o pedido da parlamentar ou se pode anular o protocolo do Ministério da Saúde.