O amor total, na poesia romântica e delirante de Vinicius de Moraes

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Site Poemas & Canções

O diplomata, advogado, jornalista, dramaturgo, compositor e poeta Vinícius de Moraes (1913-1980) foi um poeta essencialmente lírico, e notabilizou-se pelos seus sonetos, como o belíssimo “Soneto do Amor Total”, que se refere a sua realidade interior do poeta, confessando seus sentimentos dirigidos à pessoa amada.

SONETO DO AMOR TOTAL
Vinicius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, como grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo, de repente
Hei-de morrer de amar mais do que pude.

“Flecha de prata” contra Temer e ministros é baseada em sete delações diferentes

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Charge do Baggi (Bobaggi Ilustrada)

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu que o ex-ministro Antonio Palocci seja arrolado como testemunha de acusação no processo contra o “quadrilhão” do “PMDB da Câmara”, que incluiu o presidente Michel Temer, acusado de organização criminosa e tentativa de obstrução à Justiça. A denúncia é a flechada derradeira de Janot, que deixa o cargo no dia 17, e tem como base as investigações do “quadrilhão” formado por membros do PT, do PMDB e do PP, acusados de corrupção pela Operação Lava Jato.

A acusação diz que houve recebimento de R$ 587 milhões, em propinas, pelo grupo encabeçado por Temer e que inclui dois ministros, Eliseu Padilha e Moreira Franco, além do ex-ministro Geddel Vieira Lima, o homem das malas de R$ 51 milhões, o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala de R$ 500 mil.

44 TESTEMUNHAS – No rol de testemunhas da PGR, Janot colocou 44 nomes, sendo que 40 deles são delatores – a denúncia considera 36 como colaboradores, no caso – e outros candidatos a delatar, como Antonio Palocci e José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS. Na lista dos não colaboradores está o amigo de Temer e ex-assessor Jose Yunes.

Palocci confirmou a existência do esquema de fatiamento político da Petrobras entre PT, PMDB e PP e apontou Lula como maior beneficiário. São quatro denúncias do quadrilhão da Lava Jato: uma contra políticos do PP, uma contra os do PT, que inclui Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff, uma contra o PMDB do Senado e essa contra o PMDB da Câmara.

Só na Petrobras, o grupo liderado por Temer é acusado de receber R$ 350 milhões em propinas. Com a inclusão das descobertas da corrupção ligadas à JBS e de outras, como no Ministério da Integração Nacional, a denúncia alcança o valor de R$ 857 milhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A segunda denúncia de Janot, chamada de “flecha de prata”, tem base em sete delações diferentes, que se interligam e se completam, e há abundância de provas materiais. Muitas delas foram entregues pelo doleiro Lúcio Funaro, que era muito organizado, fazia anotações, guardava registros e recibos de depósitos. A pedido de Temer, Joelsey comprou o silêncio de Funaro e de Eduardo Cunha por R$ 100 milhões, cada um. Os dois eram justamente os integrantes do “quadrilhão” que operacionalizam o esquema.  Por isso. O silêncio deles tinha tão alta cotação. (C.N.)

Moro manda prender executivos condenados em 2ª instância e o próximo é Dirceu

José Aldemário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, em depoimento à CPI da Petrobras no ano passado

Preso em Curitiba, Pinheiro sonha com a delação

Estelita Hass Carazzai
Folha

Condenados em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato, os executivos da OAS Leo Pinheiro e Agenor Franklin Medeiros, que negociam acordo de delação premiada, vão começar a cumprir pena pela condenação. Pinheiro já está detido preventivamente na Polícia Federal em Curitiba. Já Medeiros, que era diretor da área internacional da OAS, está em liberdade e deve voltar à prisão.

A ordem veio do juiz Sergio Moro, que determinou, nesta quinta-feira (dia 14), a execução provisória da pena – ou seja, a prisão após condenação em segunda instância, mesmo que ainda existam recursos em tribunais superiores.

PRESOS EM CURITIBA – Eles devem ficar recolhidos na sede da Polícia Federal em Curitiba. Mesmo que estejam negociando delação, Moro entendeu que, “para evitar riscos a ambos”, cabia a prisão.

Os dois executivos foram condenados no TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região a 26 anos e 7 meses de prisão, pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa em contratos da OAS na Petrobras.

Além deles, o ex-funcionário da OAS José Ricardo Breghirolli também foi condenado na mesma ação, mas deve cumprir pena em regime semiaberto. Sua pena é de quatro anos e um mês de prisão. A primeira sentença, emitida por Moro, saiu em agosto de 2015; já o julgamento no TRF ocorreu em novembro de 2016.

HISTÓRICO –  A prisão após decisão em segunda instância é baseada em julgamento do Supremo Tribunal Federal, que decidiu, por 6 votos a 5, a favor da execução provisória da pena.

“[A prisão após condenação em segundo grau] impõe-se sob pena de dar causa a processos sem fim e a, na prática, impunidade de sérias condutas criminais”, escreveu Moro, no despacho.

No mês passado, Moro já havia ordenado a prisão de outros dois réus condenados na Lava Jato, que antes respondiam ao processo em liberdade.

Os mandados de prisão já foram expedidos, mas, até a tarde desta quinta-feira (dia 14), nenhum havia sido cumprido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A fila está andando e um dos próximos a voltar à prisão é José Dirceu, que não tem chances de reverter a condenação em segunda instância, porque o julgamento foi suspenso com placar de 2 a 0 e só falta um voto. Daqui a pouco a gente volta para explicar por que, para José Dirceu, o sonho já acabou. (C.N.)

 

Flecha de prata atinge Temer, que reage chamando o procurador de ‘irresponsável’

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Guilherme Mazui
G1, Brasília

O Palácio do Planalto divulgou uma nota nesta quarta-feira (dia 14) na qual afirmou que a nova denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer está “recheada de absurdos”. Para o Planalto, que divulgou nota oficial, o procurador-geral, Rodrigo Janot, “continua sua marcha irresponsável”. Disse que a denúncia apresentada pelo PGR é recheada de absurdos. São ilações que misturam fatos, para confundir e ganhar ares de verdade. O presidente também postou mensagem no Twitter com conteúdo semelhante. Procurada, a PGR informou que Janot não vai comentar o assunto.

Janot denunciou Temer novamente ao Supremo Tribunal Federal, desta vez pelos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça.

MINISTROS & CIA – Além do presidente, foram denunciados, por organização criminosa, os ministros do PMDB Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral); os ex-ministros do PMDB Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Henrique Eduardo Alves (Turismo); o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ); e o ex-assessor de Temer Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

Assim como Temer, também foram denunciados por obstrução de Justiça os executivos do grupo J&F Joesley Batista e Ricardo Saud, cujos acordos de delação foram rescindidos pela PGR.

No caso do presidente da República, o Supremo só poderá analisar a acusação do Ministério Público se a Câmara dos Deputados autorizar. Em relação aos demais acusados, somente quando o processo retornar ao Supremo é que o ministro Edson Fachin, relator, decidirá sobre o prosseguimento.

NOTA DO PLANALTO – “O procurador-geral da República continua sua marcha irresponsável para encobrir suas próprias falhas. Ignora deliberadamente as graves suspeitas que fragilizam as delações sobre as quais se baseou para formular a segunda denúncia contra o presidente da República, Michel Temer. Finge não ver os problemas de falta de credibilidade de testemunhas, a ausência de nexo entre as narrativas e as incoerências produzidas pela própria investigação, apressada e açodada.

Ao fazer esse movimento, tenta criar fatos para encobrir a necessidade urgente de investigação sobre pessoas que integraram sua equipe e em relação às quais há indícios consistentes de terem direcionado delações e, portanto, as investigações. Ao não cumprir com obrigações mínimas de cuidado e zelo em seu trabalho, por incompetência ou incúria, coloca em risco o instituto da delação premiada. Ao aceitar depoimentos falsos e mentirosos, instituiu a delação fraudada. Nela, o crime compensa. Embustes, ardis e falcatruas passaram a ser a regra para que se roube a tranquilidade institucional do país.

A segunda denúncia é recheada de absurdos. Fala de pagamentos em contas no exterior ao presidente sem demonstrar a existência de conta do presidente em outro país. Transforma contribuição lícita de campanha em ilícita, mistura fatos e confunde para tentar ganhar ares de verdade. É realismo fantástico em estado puro.

O presidente tem certeza de que, ao final de todo esse processo, prevalecerá a verdade e, não mais, versões, fantasias e ilações. O governo poderá então se dedicar ainda mais a enfrentar os problemas reais do Brasil.”, diz a nota da Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Já está ficando monótono. Sem condições de se defender das gravíssimas acusações, o presidente Temer segue na única estratégia que lhe resta – tentar a desmoralização do procurador-geral Rodrigo Janot. Mas a estratégia tem data de vencimento e acaba no próximo domingo. Na segunda-feira, assume a procuradora-geral Raquel Dodge e a defesa do Planalto precisará mudar de rumos. Mas como fazê-lo? (C.N.)

Supremo, suspeitos e suspeições, em meio ao corporativismo

Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Felipe Recondo
Site Jota/Folha

As suspeitas tomaram o plenário do Supremo Tribunal Federal. Para o presidente da República, Michel Temer, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é suspeito para investigá-lo. Para Janot, o ministro Gilmar Mendes, do STF, é suspeito e não poderia julgar Eike Batista e Jacob Barata Filho. As gravações recentes do dono da JBS, Joesley Batista, e do executivo Ricardo Saud alimentaram as suspeitas no tribunal de que ministros podem ter sido gravados ou citados em conversas comprometedoras.

E o acordo de delação premiada da JBS, homologado pelo ministro Edson Fachin, está agora eivado de suspeitas pela possível atuação dupla do ex-procurador Marcelo Miller —como investigador e como advogado, ao mesmo tempo.

CELERIDADE – A defesa do presidente da República, de forma inédita, arguiu a suspeição do procurador-geral da República para investigá-lo no dia 15 de agosto. Fachin negou o pedido no dia 30. Na semana passada, a defesa de Temer agravou a decisão. No mesmo dia, Fachin liberou o caso para julgamento em plenário. E, três dias depois, a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, incluiu o processo para julgamento em plenário.

Se Fachin houvesse esperado mais uma semana para julgar o processo, o faria em outras circunstâncias: 1) Janot estaria fora do cargo; 2) Raquel Dodge, nomeada por Temer, seria a nova procuradora-geral da República; 3) a segunda denúncia contra Temer já teria chegado ao Supremo.

Mas a decisão do ministro de enfrentar o julgamento, dando ao caso a celeridade que se espera, levava em consideração que o caso seria objetivo —ou Janot era suspeito ou não. E contava que teria votos suficientes para rejeitar os argumentos de Temer de que o PGR seria um “inimigo pessoal” e que, portanto, não poderia oferecer uma nova denúncia contra ele. Fachin queria encerrar esta discussão antes de Janot deixar o cargo.

OUTRAS SUSPEITAS – Mas o ministro também tinha suas suspeitas. E eram compartilhadas por colegas. Como votaria Gilmar Mendes? O ministro foi alvo de Janot e vem criticando, nos últimos dias, a condução das investigações da Operação Lava Jato pelo Ministério Público. “É uma gestão de bêbado, desorientada, sem nenhuma qualidade”, disse o ministro em entrevista à Rádio Gaúcha. Mendes teria isenção para julgar Janot ou também seria suspeito? O ministro não se declarou suspeito. Não apareceu para participar do julgamento.

Mas é interessante notar que o ritmo do julgamento da suspeição de Janot não foi o mesmo impresso pela presidente do Supremo para o pedido feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República) em relação ao ministro Gilmar Mendes. Janot arguiu a suspeição do ministro no dia 21 de agosto. Na semana seguinte, Cármen Lúcia pediu que Mendes se manifestasse. Mas até o momento, o pedido não foi liberado para julgamento nem pautado. O histórico do tribunal mostra que nunca se julgou a arguição de suspeição em relação a um ministro. Qualquer que seja ele.

SUSPEITAS NO AR – Ou seja, o Supremo leva a julgamento o pedido de suspeição contra o procurador-geral da República, a quem não cabe ser imparcial exatamente pelas funções que exerce. Por unanimidade, o Supremo eliminou todas as suspeitas.

Já em relação aos próprios integrantes —sejam aqueles que antecipam votos em entrevistas, sejam aqueles que se manifestam sobre questões políticas fora dos autos— sobre estes, algumas das suspeitas permanecem no ar.

Doria teme candidatura de Meirelles e sugere que ele se dedique à economia

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Doria sabe que Meirelles vai lhe tirar preciosos votos

Guilherme Seto
Folha

Diante da possível pré-candidatura do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, à Presidência, esboçada nesta quarta-feira (13) por lideranças do PSD, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), mostrou-se crítico, dizendo que o ministro deve se concentrar em suas funções e deixar o jogo político para o futuro.

“Quero ressaltar o bom trabalho que o ministro Meirelles vem fazendo à frente do ministério, que espero que continue a fazer e não se contamine pela questão política. Não é hora, tem tempo para isso. Final deste ano e o início do ano que vem serão bons momentos para a manifestação final do PSD em relação à sua candidatura”, disse Doria após evento em São Paulo do Movimento Brasil Competitivo, grupo de empresários encabeçado por Jorge Gerdau.

É PRECISO FOCO – “É cedo ainda para esse debate e para colar essa imagem no ministro Meirelles. Acho que isso pode até prejudicar um pouco sua conduta à frente da política econômica do país. Preferiria que ele estabelecesse toda a sua jornada focado na economia, porque está dando certo, e dando certo é bom para ele e para o Brasil”, concluiu.

Questionado se suas viagens também não estariam atrapalhando seu mandato como prefeito, ele negou. “Acho o contrário, acho que é bom e tem produzido bons resultados. E vamos continuar as viagens, não só no Brasil como fora também. São Paulo é uma cidade global. Eu comando uma cidade global, não uma pequena província, como comandava o PT aqui em São Paulo, pensando pequeno, com gestos pequenos. Prefiro gestos grandes e entendo São Paulo como uma cidade que pede investimentos internacionais”, afirmou.

KASSAB EMPOLGADO – No encontro do Movimento Brasil Competitivo, o ministro Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) também mostrou empolgação ao falar da possível candidatura de Meirelles. “É um extraordinário nome, com formação invejável, com uma experiência muito grande e no momento certo é evidente que o partido dará prioridade a uma candidatura própria.”

Por meio das redes sociais, Meirelles tentou negar que seja pré-candidato.

PÉLE E COUTINHO – O encontro do Movimento Brasil Competitivo também contou com a presença do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que trava disputa com o prefeito pela indicação tucana à Presidência em 2018. Alckmin teve papel decisivo na escolha de Doria como candidato tucano na disputa municipal.

Em sua fala, Doria encheu Alckmin de elogios, chamando a parceria entre ambos como “uma tabelinha entre Coutinho e Pelé”, comparando o governador ao Rei do Futebol. Já Alckmin foi mais econômico. Não mencionou Doria, que já havia deixado o local, em sua apresentação. Após o evento, disse que parte da imprensa tenta criar indisposição entre ele e Doria. “Vejo que há uma vontade de criar uma animosidade minha com o prefeito. E eu quero desfazer isso”, afirmou.###

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEm tradução simultânea, são dois farsantes. Já foram amigos, agora são adversários. Travam uma disputa infantil, preocupam-se mais com as candidaturas do que com os trabalhos no governo estadual e na prefeitura. Em breve se tornarão inimigos e a farsa acabará, porque guerra é guerra, como se dizia antigamente. (C.N.)

Gustavo Ferraz, cúmplice de Geddel, já pediu à PF para fazer delação premiada

Geddel e Ferraz, uma grande amizade que já acabou

Vinicius Sassine
O Globo

Preso em razão de ter suas digitais em pacotes de dinheiro apreendidos num “bunker” em Salvador, o advogado Gustavo Ferraz (PMDB) afirmou à Polícia Federal (PF) que deseja colaborar com as investigações. Ferraz deu detalhes sobre como buscou uma mala com notas de R$ 100 em São Paulo e disse que se sentiu “traído” pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), também preso preventivamente em Brasília em razão dos indícios de que é o responsável pelos R$ 51 milhões encontrados na capital baiana.

Gustavo e Geddel são aliados políticos e as digitais dos dois foram encontradas em pacotes apreendidos. Agora, Gustavo vem se candidatando a implodir a parceria e a entregar o que está por trás da maior apreensão de dinheiro já feita no país.

O Globo revelou na edição de terça-feira que o advogado admitiu em depoimento à PF ter viajado a São Paulo em 2012, a mando do ex-ministro, para buscar quantias em espécie. Na ocasião, Geddel era vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, nomeado pela presidente Dilma Rousseff.

PEDIDO DE PRISÃO –  O episódio foi citado pela PF para embasar o pedido de prisão preventiva da dupla — o dinheiro teria sido repassado por um emissário do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Agora, novas informações obtidas pela reportagem mostram que Ferraz detalhou essa busca das quantias. O cúmplice de Geddel já prestou dois depoimentos. No primeiro, foi genérico nas afirmações. No segundo, acrescentou detalhes e deixou evidente a intenção de colaborar com a Justiça. Geddel, por sua vez, ficou em silêncio.

Ferraz disse que buscou uma mala num endereço em São Paulo, numa rua cujo nome não se lembrava, e que achava que a bagagem seria leve, tendo notado depois o peso. O advogado afirmou que entregou a encomenda na residência de Geddel em Salvador, sem abri-la.

DETALHES – Depois, em novo depoimento, Ferraz acrescentou detalhes: forneceu elementos do carro que usou, do imóvel onde buscou o dinheiro e do avião que o transportou, que já estaria preparado no aeroporto para ele. O aliado de Geddel afirmou que ele e o ex-ministro abriram a mala em Salvador e notaram a existência de diversos pacotes de dinheiro. De Geddel ouviu que as quantias iriam abastecer campanhas de candidatos do PMDB da Bahia. Ele disse ter se sentido “traído” por Geddel, pois não haveria destinação de dinheiro para seu grupo político.

De janeiro até o dia de sua prisão, na sexta-feira, Gustavo exerceu o cargo de diretor-geral da Defesa Civil de Salvador, nomeado pelo prefeito ACM Neto (DEM). A Justiça autorizou a transferência dele do Presídio da Papuda para o Núcleo de Custódia Militar, onde advogados ficam presos.

Por haver indícios de que o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel, tem ligação com o “bunker” dos R$ 51 milhões, o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira encaminhou ontem o caso para análise do Supremo Tribunal Federal (STF). Lúcio pode ser acusado de lavagem de dinheiro.


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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Geddel está esquentando os motores para fazer a delação que acabará de destruir Temer e o chamado “quadrilhão” do PMDB. Todos sabem que já estão com os dias contados, como se dizia antigamente. (C.N.)

Com Wesley preso, a JBS quer um novo presidente, mas Meirelles não pode assumir

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E desta vez Meirelles ainda nem foi convidado…

Raquel Landim e Joana Cunha
Folha

Com a prisão de Wesley Batista, a JBS vai acelerar a busca por um novo presidente. Wesley foi preso na manhã desta quarta-feira (13) por suspeita de fraude no mercado de capitais. Por pressão do BNDES, sócio minoritário com 21% de participação, o comando da JBS, maior empresa de proteína animal do mundo, já vinha fazendo sondagens.

A empresa trabalha com dois nomes internos – Gilberto Tomazoni e Tarek Farahat – e com um “outsider”, Cledorvino Belini, ex-presidente da Fiat.

ERA DA SADIA -No comando das operações globais da JBS, Tomazoni chegou a receber um convite formal, mas não aceitou. Ele é considerado a melhor opção porque já dirigiu a Sadia. A expectativa de executivos ligados às tratativas é que Tomazoni reconsidere sua posição, devido à prisão de Wesley.

Farahat, ex-presidente da P&G e atual presidente do conselho de administração da JBS, é outra alternativa. Ele e Tomazoni, no entanto, vinham insistindo para Wesley permanecer no cargo.

Belini surgiu como um nome de peso para assumir o comando da JBS, mas sua indicação pode ser inviabilizada pelas suspeitas, investigadas na Operação Zelotes, de que a Fiat teria se envolvido com a “compra” de medidas provisórias. E com menos chance de emplacar, surge também Gilberto Xandó, que estava no comando da Vigor Alimentos, vendida recentemente pelos Batista para a mexicana Lala.

EXIGÊNCIA DO BNDES – A saída de Wesley é uma exigência do BNDES, que pediu a convocação de uma assembleia extraordinária de acionistas para que a JBS processe os irmãos Joesley e Wesley Batista por danos provocados à empresa pelos crimes que confessaram em sua delação premiada.

Após uma briga judicial, a assembleia foi suspensa e os dois sócios vinham negociando a saída de Wesley. A JBS havia proposto uma transição controlada entre 90 e 180 dias.

Segundo executivos próximos às conversas, os representantes dos Batista alegavam que Wesley era fundamental em meio à turbulência porque estava renegociando as dívidas com os bancos.

NECESSIDADE – Com a prisão do executivo, no entanto, a troca de comando deve ser mais rápida. A J&F, holding que congrega os negócios dos Batista, contratou o especialista em conflitos Ricardo Lacerda, da BR Partners, para negociar com o BNDES.

Desde que assumiu a presidência do BNDES, em junho, por indicação do presidente Michel Temer, o economista Paulo Rabello de Castro tornou a saída dos Batista uma de suas principais bandeiras.

Joesley Batista acusou Temer de corrupção em sua delação premiada. Joesley está preso em Brasília após a Procuradoria-Geral da República alegar que ele omitiu informações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É uma pena que Henrique Meirelles não possa assumir. Foi dele a ideia (frustrada) de transferir a sede da J&F para a Europa, para pagar menos impostos ao Brasil. Como se vê, Meirelles é um tremendo nacionalista… (C.N.)

Temer influenciou diretamente a aprovação da MP dos Portos, diz Funaro

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Desde 2011, Temer já vinha sendo investigado

Fabio Serapião e Fábio Fabrini
Estadão

O corretor Lúcio Bolonha Funaro afirmou em seu acordo de colaboração premiada que o presidente Michel Temer tem negócios com a empresas Rodrimar e por isso influenciou diretamente a aprovação da MP 595/13, conhecida como Medida Provisória dos Portos, para defender interesses de grupos ligados a ele. A MP foi aprovada em maio de 2013. Na segunda-feira, 12, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou abertura de inquérito para investigar a relação de Temer com a Rodrimar, que atua no Porto de Santos.

“Os elementos colhidos revelam que Rodrigo Rocha Loures, homem sabidamente da confiança do Presidente da República, menciona pessoas que poderiam ser intermediárias de repasses ilícitos para o próprio Presidente da República, em troca da edição de ato normativo de específico interesse de determinada empresa, no caso, a Rodrimar S/A”, assinalou Barroso ao abrir a investigação contra Temer.

SEM DETALHES – Em sua colaboração, Funaro, que é apontado como principal arrecadador de propina do grupo político de Temer, o PMDB da Câmara, não citou valores. Mas segundo o corretor, após a aprovação da MP, ele acredita que tenham recebido comissão o presidente Temer, Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves. Funaro também não soube informar como foi operacionalizado os pagamentos, mas que Cunha teria contado sobre a atuação no caso dos Portos.

“Após a provação da MP acredita que tenham recebido uma comissão pela aprovação da mesma as seguintes pessoas dentre outras: Temer, Cunha, Henrique Alves (que era presidente da câmara a época), o Ministro dos Transportes, tendo conhecimento de repasses por Gonçalo Torrealba proprietário do Grupo Libra”, diz o anexo sobre o tema.

EMENDA INCLUÍDA – O Estado revelou em 2016 que graças a uma emenda parlamentar incluída por Cunha na nova Lei de Portos, o Grupo Libra foi o único beneficiário de uma regra que permitiu a empresas em dívida com a União renovar contratos de concessão de terminais portuários. Na campanha de 2014, o Grupo Libra doou R$ 1 milhão para a Michel Temer, então candidato à vice-presidência.

“Essa referida Medida Provisória foi feita para beneficiar os grupos já instalados nos Portos, tendo Eduardo Cunha como o articulador e o responsável pela arrecadação frente a algumas empresas tinham interesse na redação dessa MP”, explica Funaro em um dos anexos aos quais o Estado teve acesso.

TEMER NEGA – Em nota divulgada nesta quarta-feira, 13, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República afirmou que as declarações do corretor Lúcio Funaro não são dignas de crédito.  “Versões de delator já apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como homem que traiu a confiança da Justiça não merecem nenhuma credibilidade. O criminoso Lúcio Funaro faz afirmações por ‘ouvir dizer’ ou inventa narrativas para escapar de condenação certa e segura”, diz o comunicado.

A Presidência contestou a afirmação de que Temer, quando vice-presidente, tramava diariamente com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a deposição de Dilma Rousseff. “No caso do impeachment, o delator se arvora estar bem melhor informado do que os jornalistas de vários veículos de comunicação de Brasília, que acompanharam de perto todo o caso e noticiaram acordo fechado por Eduardo Cunha com o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, pelo qual ele teria apoio do PT na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados. Esses veículos publicaram que, como o PT não cumpriu seu acordo, Cunha deu seguimento ao pedido de impeachment”, argumentou o Planalto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Funaro sabia tanta coisa que Joesley Batista, a pedido de Temer e do “quadrilhão”, se comprometeu a pagar R$ 100 milhões ao doleiro. É dinheiro pra Dedéu, como se dizia antes, ou dinheiro pra Geddel, como se diz hoje em dia. (C.N.)

Piada do Ano: Meirelles diz que não pretende ser candidato à Presidência

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Meirelles na Assembléia de Deus, em Juiz de Fora

Ranier Bragon
Folha

O líder do PSD na Câmara dos Deputados, Marcos Montes (MG), afirmou nesta quarta-feira (dia 13) que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, recebeu com “entusiasmo” o pedido da bancada para que ele se candidate à sucessão de Michel Temer em 2018. Meirelles recebeu cerca de 20 deputados do PSD, partido ao qual é filiado, em almoço na sua casa, no Lago Sul, região nobre de Brasília.

“Ele começa a se descolar como um candidato que tem afinidade com o mercado e com a sociedade. Ele recebeu [o pedido da bancada para se candidatar] com entusiasmo. Se vier a ser chamado, ele não disse isso, mas o partido tem certeza de que ele atenderá ao chamado da sociedade”, afirmou Montes na saída do almoço.

PELO TWITTER – Meirelles não falou com a imprensa. Mas logo depois da reunião, o ministro da Fazenda usou sua conta em rede social para negar a pré-candidatura à Presidência.

“Eu não sou pré-candidato à Presidência da República. Estou concentrado em meu trabalho na Fazenda, para colocar o Brasil na rota do crescimento sustentado. Fiquei muito honrado com as palavras de todos os deputados do PSD. Seguirei debatendo a política econômica com todos os parlamentares”, afirmou Meirelles.

Segundo relato de deputados e do próprio Montes, o ministro sorriu ao ser mencionado como candidato da legenda à Presidência da República. “Sorriu, o que é melhor do que palavras”, afirmou Montes, segundo quem Meirelles autorizou a bancada a falar politicamente em seu nome. “Viemos aqui comemorar os números econômicos e colocar um verniz político nessa atuação econômica.”

PRÉ-CANDIDATO – O ministro da Fazenda já foi cogitado outras vezes para disputar o Planalto. Ele é um dos nomes que despontam entre os aliados de Temer, presidente que tem atualmente uma rejeição popular recorde.

O último cargo eletivo disputado por Meireles foi há mais de 15 anos: em 2002 ele foi eleito deputado federal com a maior votação de Goiás. Mas não exerceu o mandato, porque teve de renunciar para presidir o Banco Central nos dois governos de Lula.

O hoje ministro da Fazenda acabou deixando a gestão petista pouco antes do início do governo Dilma Rousseff (2011-2016).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nesta única vez em que foi candidato, em 2002, Meirelles concorreu pelo PSDB. Com a força da grana, bateu recorde estadual na eleição de deputado, sem fazer nenhum comício e sem visitar um só eleitor. O plano era ser governador de Goias em 2006 e depois ser candidato à Presidência. Os planos mudaram, mas ele só pensa naquilo. Está filiado ao PSD e já iniciou campanha, fazendo visitas a igrejas evangélicas, onde sabe que é mais fácil comprar, digo, arranjar votos. (C.N.)

Delação “monstruosa” prossegue com busca e apreensão na casa de Blairo

Deu no G1

A Polícia Federal (PF) cumpriu na manhã desta quinta-feira (14) mandado de busca e apreensão no apartamento ex-governador de Mato Grosso e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), na Asa Sul, zona nobre de Brasília. Policiais federais também fizeram diligências nesta manhã em São Paulo e no Mato Grosso. Os mandados de busca fazem parte da Operação Malebolge, 12ª fase da Ararath, que desmantelou um esquema de corrupção em Mato Grosso. Em delação premiada, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) acusou Blairo Maggi de pagar para testemunha mudar seu depoimento (veja mais detalhes abaixo).

As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR).

MUITOS MANDADOS – Ao todo, estão sendo cumpridos mandados em 64 endereços, em dois estados e na capital federal. Em Mato Grosso, há diligências em nove municípios: Cuiabá, Rondonópolis, Primavera do Leste, Araputanga, Pontes e Lacerda, Tangará da Serra, Juara, Sorriso e Sinop.

Luiz Fux ordenou buscas na casa e no gabinete do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB). Emanuel foi flagrado em um vídeo gravado na sala do então chefe de gabinete do ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) enchendo de dinheiro os bolsos do paletó, deixando até cair no chão. Ele, em seguida, se agacha e junta os maços de dinheiro.

O ministro do STF também determinou o afastamento de conselheiros do Tribunal de Contas do Mato Grosso. Policiais também cumpriram mandados no gabinete do deputado Ezequiel Fonseca (PP-MT) na Câmara.

GRANDE OPERAÇÃO – Segundo a assessoria da PF, há 270 policiais federais e procuradores da República envolvidos na operação desta quinta.

A assessoria de Blairo no Ministério da Agricultura informou ao G1 que só irá se manifestar sobre as buscas em endereços do ministro por meio de nota que deve ser divulgada no final da manhã desta quinta.

Blairo Maggi é investigado na Operação Lava Jato por suposto recebimento de R$ 12 milhões em sua campanha à reeleição, em 2006, com base em relatos de delatores da construtora Odebrecht. O governo Temer tem dez ministros investigados no Supremo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGRealmente, o ministro Luiz Fux tinha razão, ao classificar de “monstruosa” a delação de Silval Barbosa. O ministro Blairo Maggi é considerado o chefe da quadrilha de Mato Grosso. E continua indemissível e imexível na equipe de Temer, que chefia uma quadrilha paralela. (C.N.)

Janot conclui a segunda denúncia e dispara hoje a flecha de prata contra Temer

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Talita Fernandes
Folha

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, concluiu nesta quarta-feira (13) a nova denúncia contra o presidente Michel Temer. A Folha apurou que o peemedebista será acusado dos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça. A peça tem de mais de 200 páginas e a previsão é que seja apresentada até o fim da tarde desta quinta-feira (14) ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Além do presidente, Janot citará a cúpula do PMDB da Câmara, alvo do relatório da Polícia Federal entregue ao Supremo na segunda-feira (12). Nem todos serão acusados sob a suspeita de mais de um crime.

BASE EM DELAÇÕES – O documento da PGR tem como base as delações de executivos da JBS e do corretor de valores Lúcio Funaro, que teve delação premiada homologada. De acordo com pessoas próximas às investigações, as acusações contra Temer foram fortalecidas com dados fornecidos por Funaro à Procuradoria.

Esta é a segunda denúncia contra o peemedebista apresentada por Janot com base na delação de executivos da JBS, hoje pivô de uma crise que levou dois colaboradores, Joesley Batista e Ricardo Saud, à prisão.

A colaboração de ambos foi suspensa pelo ministro Edson Fachin, relator do caso no Supremo, mas Janot já declarou que isso não invalida as provas obtidas.

OBSTRUÇÃO – O crime de obstrução de Justiça é caracterizado pela PGR no episódio em que Temer, segundo Janot, deu aval para Joesley comprar o silêncio de Funaro e Eduardo Cunha, ambos presos pela Lava Jato.

A organização criminosa está na atuação do chamado “quadrilha do PMDB da Câmara”. A PF aponta Temer como tendo o “poder de decisão” no grupo. O presidente nega as acusações.

O mandato de Janot à frente da PGR termina neste domingo (17). No seu lugar, assumirá Raquel Dodge, indicada por Temer.

PROVAS EM XEQUE – A primeira denúncia, por corrupção passiva, foi barrada no início de agosto pela Câmara. A nova acusação deve ser submetida novamente aos deputados. Por determinação da Constituição, o caso só será analisado pelo STF se ao menos 342 parlamentares concordarem. Caso contrário, o processo é suspenso até que Temer deixe a presidência.

A denúncia pode demorar para ser enviada à Câmara porque o Supremo adiou nesta quarta a discussão sobre a validade das provas da delação da JBS em meio ao episódio da suspensão da delação.

A nova acusação contra Temer chegará num momento em que o acordo de colaboração da JBS foi colocado em xeque.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Vai começar tudo de novo. Fachin vai aceitar a segunda denúncia, que será encaminhada à Câmara, a Comissão de Constituição e Justiça votará o parecer e em plenário os deputados dirão: “Em nome de minha mãe, de meus filhos, de meus netos” e por aí afora... (C.N.)

Não pode ser levada a sério uma CPI que já nasceu sob suspeita

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Marun, o relator, é da tropa de choque de Cunha 

Bernardo Mello Franco
Folha

Desde o escândalo do mensalão, as comissões parlamentares de inquérito têm perdido força e prestígio no Congresso. A marcha para a irrelevância deve ganhar um novo capítulo nesta terça-feira, com a abertura da CPI da JBS.

No discurso, a comissão foi criada para investigar os negócios suspeitos do frigorífico. Na prática, seus idealizadores querem usá-la para retaliar os delatores da empresa e intimidar procuradores da Lava Jato.

DEPOIS DA GRAVAÇÃO – As intenções da turma estão claras desde o início. O senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) começou a coletar as assinaturas dias depois de Joesley Batista entregar as gravações com o presidente Michel Temer.

Escolhido para presidir a CPI, o tucano não tem se esforçado nem para simular independência. No último sábado, enquanto a maioria dos políticos passava o feriadão longe de Brasília, ele foi recebido em beija-mão no Palácio do Jaburu.

O governo ainda Instalou outro aliado no cargo de relator, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), líder da tropa de choque de Temer e amigo dileto de Eduardo Cunha.

LEVAR A SÉRIO? – Ninguém discorda que a JBS precisa ser investigada. O dono do grupo corrompeu dezenas de políticos, confessou crimes em série e ainda tentou tapear o Supremo Tribunal Federal, como mostraram as fitas liberadas na semana passada.

O problema é saber se essa CPI tem chance de levar a tarefa a sério. Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), tudo indica que não. “O Planalto quer usar a CPI para intimidar o Ministério Público. Nos últimos anos, a maioria das CPIs tem se dividido entre o circo e o achaque. Acho que desta vez teremos circo, achaque e intimidação”, prevê.

A CPI parecia natimorta até a semana passada, mas foi ressuscitada pela barbeiragem da Procuradoria no caso JBS. As novas denúncias contra dirigentes do PMDB e do PT forjaram a aliança que faltava para o início dos trabalhos.

O canto do Uirapuru, imortalizado pelo maestro Waldemar Henrique

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Waldemar Henrique, o maestro da Amazônia

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

O maestro, escritor e compositor paraense Waldemar Henrique da Costa Pereira (1905-1955), na letra de “Uirapuru”, aborda temas do folclore amazônico e do pássaro que ao cantar todos param para ouvir. A música faz parte do LP 80 Anos de Música Brasileira – Radamés Gnattali/ Waldemar Henrique, lançado em 1991, pela Kuarup.

UIRAPURU
Waldemar Henrique

Certa vez de montaria
Eu descia um “paraná”
O caboclo que remava
Não parava de falar, ah, ah
Que caboclo falador!

Me contou do “lobishomi”
Da mãe-d’água, do tajá
Disse do juratahy
Que se ri proluar, ah, ah
Que caboclo falador!

Que mangava de visagem
Que matou surucurú
E jurou com pavulagem
Que pegou uirapuru, ah, ah
Que caboclo tentadô

Caboclinho, meu amor
Arranja um pra mim
Ando roxo pra pegar
Unzinho assim…

O diabo foi-se embora
Não quis me dar
Vou juntar meu dinheirinho
Pra poder comprar

Mas no dia que eu comprar
O caboclo vai sofrer
Eu vou desassossegar
O seu bem querer, ah, ah
Ora deixa ele pra lá…

No Supremo, Rodrigo Janot derrotou Temer por 9 a 0, e Gilmar Mendes sumiu…

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Gilmar esta ano Supremo e não compareceu à sessão

Pedro do Coutto

Nesta quarta-feira, 13, o dia não foi nada bom politicamente para o presidente Michel Temer. O Supremo Tribunal Federal, em sessão transmitida pela Globonews e pela TV Justiça, derrotou a representação do presidente Michel Temer, que pedia o afastamento do procurador geral da República, Rodrigo Janot, da ação voltada contra ele, por 9 votos a zero. Só não votaram os ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes. O primeiro porque se encontrava nos Estados Unidos, o segundo por vontade própria, estava no gabinete e não quis participar.

Presume-se que o placar, se ambos votassem, em vez de 9 a zero seria de 10 a um. A derrota do Governo foi fragorosa e irrecuperável. Sobretudo, porque Rodrigo Janot encerra seu mandato do cargo no domingo próximo. Segunda-feira assume Rachel Dodge.

NOVAS DENÚNCIAS – Mas eu disse que quarta-feira foi um dia muito negativo para o Presidente da República. A derrota no STF foi precedida pela publicação de novas denúncias contra ele formuladas – manchete de primeira página de O Globo – pelo operador Lúcio Funaro, que destacou ter acertado com Joesley Batista o recebimento de 100 milhões de reais para permanecer em silêncio, portanto, não relatando os sinuosos caminhos que conduziram a estrada de mão dupla entre o poder e a corrupção. Na delação, Lúcio Funaro traçou um amplo roteiro de como se verificava a distribuição do dinheiro.

E o que o presidente Michel Temer fazia no que Funaro e a Polícia Federal sustentaram como a posição de comandante de uma quadrilha. A Polícia Federal destacou que Michel Temer era o gestor da organização criminosa do PMDB. A parte relativa a este aspecto da questão está contida em reportagem de André de Souza, em O Globo.

POWER POINT – A Polícia Federal formulou um quadro (power point) incluindo os agentes corruptos e suas ligações com o presidente da República. Surgem no primeiro plano os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha e o ex-ministro Geddel Vieira Lima.

A presença de Gedel Vieira Lima na linha de frente do esquema de suborno coloca-o ao lado de Eduardo Cunha. O doleiro Lúcio Funaro, que resolveu falar, revelou um detalhe singular: possuía e operava uma conta conjunta com Gedel Vieira Lima.

Na mesma denúncia a Polícia Federal incluiu Rocha Loures, o homem da mala noturna. E governo não conseguiu apresentar uma resposta convincente. Michel Temer apenas chamou de facínoras os delatores que decidiram colaborar com as investigações.

ALTO RISCO – O governo entrou novamente na faixa de alto risco, sinal vermelho aceso e cintilante. O som e a imagem da organização criminosa foram transmitidos intensamente a toda a população do país durante a tarde e a noite de ontem.

Escrevo este artigo ao anoitecer de quarta-feira. Na alvorada de quinta os jornais estarão reproduzindo a crise da véspera e a elevada temperatura que está atingindo registrada nos termômetros da opinião pública. Nesta altura dos acontecimentos, tão críticos eles são, que o surgimento de nova denúncia contra o presidente Temer deixa de ser formalmente importante.

Essa nova denúncia já está configurada nas telas e nas páginas da imprensa. Michel Temer não tem mais poder de evitar o desabamento, embora possa permanecer no Palácio do Planalto. Não poderá descer a planície dos fatos.

No segundo embate com Moro, um Lula nervoso foi mais réu que candidato

2º depoimento do ex-presidente Lula a Sergio Moro

Lula já sabe que está cada vez mais perto da cadeia

Igor Gielow
Folha

Quatro meses atrás, Luiz Inácio Lula da Silva permeou seu primeiro encontro com Sergio Moro de ironias e com um firme propósito de estabelecer um discurso para a militância do PT. Nesta quarta-feira (dia 13), o que se viu em Curitiba foi o petista acuado e agressivo, obrigado a falar sobre o objeto da ação que responde e tolhido em suas manifestações mais politizadas. Se isso deveria ser a normalidade num processo judicial, a realidade aguda da crise política brasileira tornou o episódio uma exceção.

De lá para cá, Lula se manteve à frente de pesquisas de intenção de voto para a Presidência em 2018, mas foi condenado pelo mesmo Moro e agora sua elegibilidade depende de uma improvável reversão total da sentença pelo Tribunal Regional Federal de Porto Alegre.

PERTO DE EXPLODIR – A expressão corporal de Lula mudou. Se demonstrava algum nervosismo e ansiedade no depoimento de maio, agora ficou perto de explodir verbalmente em vários momentos. Foi notável seu embate com a representante do Ministério Público, que acabou mal para Lula: num dado momento, ele a chama de “querida” e é repreendido por Moro, que exige o “doutora” ou “senhora procuradora”.

Em outro ponto, Lula sugere que ela não está “prestando atenção”. Não estivesse a agenda feminista mais militante alinhada à esquerda no país, as críticas em rede social seriam inevitáveis.

Lula só conseguiu sair um pouco das cordas nas curtas considerações finais, quando acusou o Judiciário de “estar refém da imprensa”.

JANOT DE FORA – Mas quando tentou engatar uma crítica ao processo de revisão da delação da JBS citando o procurador-geral Rodrigo Janot, foi impedido por Moro. “Não tem nada a ver com Brasília, com o doutor Janot”, respondeu o juiz, delimitando os espaços e claramente ciente do momento de fragilidade da Operação Lava Jato.

Moro também foi frio quando respondeu à provocação final de Lula, que perguntou se ele poderia ser descrito como juiz imparcial . “Primeiro, não cabe ao senhor fazer esse tipo de pergunta para mim. Mas de todo modo, sim”, disse, recusando-se a discutir sua sentença condenatória no caso do tríplex do Guarujá.

Em resumo, se o anticlimático embate de maio acabou com Lula mostrando discurso de candidato pronto, o de setembro assistiu a um réu sob pressão.

Advogado de Palocci diz que Lula é dissimulado e mentiu no depoimento

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Palocci disse a verdade sobre Lula, afirma Bretas

Deu no G1

O ex-presidente Lula é “dissimulado” e mudou de opinião após Antonio Palocci ter decidido “falar a verdade”, afirmou nesta quarta-feira (13) Adriano Bretas, advogado do ex-ministro. “Enquanto Palocci mantinha o silêncio, era inteligente e virtuoso; depois que resolveu falar a verdade, passou a ser tido como calculista e dissimulado”, afirmou Bretas.

Foi uma referência ao depoimento do ex-presidente dado nesta quarta ao juiz Sérgio Moro. “Eu vi o Palocci mentir aqui”, afirmou Lula. Ele chamou o ex-ministro de “calculista e frio” e disse que Palocci só citou seu nome para reduzir alguns anos de condenação. “Fiquei com pena disso”.

PROPINA DA ODEBRECHT – No processo, Lula é acusado de receber propina da empreiteira Odebrecht por meio da compra de um terreno para a nova sede do Instituto Lula e de um apartamento vizinho ao que mora em São Bernardo do Campo (SP).

“Dissimulado é ele [Lula], que nega tudo o que lhe contraria e teve a pachorra de dizer que se encontrava raramente com o Palocci a cada oito meses”, disse Bretas. “Quando lhe foi apresentada a agenda do doutor Emilio Odebrecht, esquivou-se, dizendo que o documento é falso. Essa é a lógica dele: os que o acusam mentem, os documentos são falsos, e só ele diz a verdade.”

PACTO DE SANGUE – Palocci foi interrogado por Moro nesta mesma ação na semana passada e afirmou que Lula tinha um “pacto de sangue” com o dono da empreiteira Odebrecht, que incluia um “pacote de propinas” para o ex-presidente no valor de R$ 300 milhões.

Em seu depoimento, que durou mais de duas horas, Lula afirmou que a delação de Palocci é focada nele numa tentativa de redução de pena. “Palocci tem o direito de querer ser livre, tem o direito de querer ficar com um pouco do dinheiro que ele ganhou fazendo palestra, ele tem família, tudo isso eu acho. O que não pode é, se você não quer assumir a tua responsabilidade pelos fatos ilícitos que você fez, não jogue em cima dos outros”, afirmou o ex-presidente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se dizia antigamente, “um pelo outro, eu não quero troca”, o que significa que nenhum dos dois vale nada. É o caso de Lula e Palocci. Certamente, nenhum dos dois está dizendo a verdade completa. São dois farsantes, destinados a cumprir pena no mesmo presídio. (C.N.)

Dirceu já está condenado e voltará a cumprir pena na prisão de Curitiba

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Hygino Vasconcellos e Luã Hernandez
Deu no G1 RS

Um pedido de vista do desembargador Victor Luiz dos Santos Laus adiou a decisão do julgamento dos recursos do ex-ministro José Dirceu e outros oito réus, realizado nesta quarta-feira (13) pela da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre. A defesa de Dirceu pedia absolvição após a condenação do juiz Sérgio Moro, em primeira instância, de 20 anos e 10 meses de prisão, que Dirceu cumpre fora da cadeia, com tornozeleira eletrônica, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

O TRF4 é responsável pelos julgamentos em segunda instância dos processos no âmbito da Operação Lava Jato. O relator do processo, desembargador João Gebran Neto, votou pelo aumento da pena de Dirceu para 41 anos e quatro meses de prisão, por considerar o concurso material – quando os crimes deixam de ser considerados um só, e as penas são somadas. Leandro Paulsen também deu parecer pela elevação, mas para 27 anos, 4 meses e cinco dias de reclusão. Victor Laus foi o autor do pedido de vista que interrompeu a sessão. Não há data prevista para a retomada.

RECALL DE DELAÇÕES – “O que tem acontecido, infelizmente, com essas delações, é que as pessoas fazem recall de delações. Omitem informações e voltam para fazer correções nas delações. A defesa não tem a mesma paridade de arma da acusação”, reclamou o advogado de Dirceu, Roberto Podval. Segundo ele, a defesa não teve acesso a todos os documentos do processo, a exemplo do MPF.

Ex-ministro-chefe da Casa Civil no governo Lula, José Dirceu foi condenado duas vezes a mais de 31 anos de prisão em dois julgamentos ligados às investigações da Polícia Federal. Preso em Operação da Lava Jato em agosto de 2015, e foi solto após decisão do STF, no dia 2 de maio de 2017.

José Dirceu chegou a cumprir 1 ano e 9 meses de prisão, com o mandado preventivo solicitado por Moro. A alegação do magistrado era de que o ex-ministro poderia reincidir nos crimes, justamente o que o Supremo negou.

STF AMACIOU – A Suprema Corte considerou que o tempo passado na cadeia reduziu a capacidade de Dirceu de voltar a cometer crimes, porque o grupo político sobre o qual tinha influência (o PT) já estava fora do poder, com o impeachment de Dilma Rousseff.

Com o habeas corpus da 2ª Turma do Supremo, concedido por Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, ele foi liberado, sob a recomendação de utilizar tornozeleira eletrônica e de não deixar o país.

No âmbito da Lava Jato, a prisão de Dirceu aconteceu em agosto de 2015, durante a 17ª fase da operação, nomeada Pixuleco. Também foram presos na ocasião o irmão dele Luiz Eduardo de Oliveira e Silva e mais seis pessoas. A denúncia atribuía a Dirceu atos ilícitos praticados na diretoria de Serviços da Petrobras, entre 2004 e 2011.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
  – A matéria está curiosamente incompleta e requer tradução simultânea. O julgamento é de apenas três votos. Já está 2 a 0 pela condenação de Dirceu em segunda instância. A dúvida é a duração da pena (41 anos ou 27 anos). Mesmo se for absolvido pelo terceiro desembargador, isso não muda nada. Dirceu, que é formado em Direito, já sabe que terá de voltar para a cadeia, assim que o terceiro magistrado apresentar seu voto e o acórdão do TRF-4 for publicado. É só questão de tempo. (C.N.)