A escolha desastrada de um chanceler que idolatra o “Deus” Trump

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Bolsonaro coloca um diplomata radical no Itamaraty

Merval Pereira
O Globo

A decisão de escolher um diplomata de carreira para comandar o Itamaraty parecia ser uma sensatez do novo governo Bolsonaro, indicativo de que entendia, afinal, que as relações internacionais do Brasil têm mais importância do que revelavam seus comentários apressados sobre questões delicadas, como a transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém ou as críticas à China, que estaria “comprando o Brasil”.

Mas a escolha do ministro das Relações Exteriores do futuro governo Bolsonaro não poderia ter sido mais desastrada, a começar de como ele chegou ao posto máximo da carreira depois de nomeado embaixador há pouquíssimo tempo, sem nunca ter chefiado uma embaixada.

EXTRAVAGÂNCIAS – O concorrente mais visível, Luis Fernando de Andrade Serpa, já era considerado uma extravagância perigosa. Pela carreira sem grandes vôos, e pelo fato de que era talvez o único embaixador que Bolsonaro conhecia, por ter viajado recentemente para a Coréia do Sul.

Mas Ernesto Araujo, diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos, é uma surpresa desagradável, que indica, pela primeira vez na montagem do ministério, uma decisão de fazer na política externa exatamente o que criticava nos governos petistas, com sinal trocado. 

O secretário-geral do Itamaraty no começo da gestão de Celso Amorim, considerado o ideólogo da política petista de relações internacionais, Sebastião Pinheiro Guimarães, considerava que o futuro da diplomacia brasileira estava na África, e taxava os Estados Unidos de desimportante como posto de carreira. TRUMPISTA – Ernesto Araujo coloca Trump acima de tudo e Deus acima de todos. É preocupante sua visão mística e religiosa do papel do Ocidente no mundo, em artigo que publicou recentemente na revista Cadernos de Política Exterior da Fundação Alexandre de Gusmão, do Itamaraty.

No seu blog, ele, discípulo de Olavo de Carvalho, assumiu um apoio aberto a Jair Bolsonaro, e foi através de André Marinho, filho de Paulo Marinho, suplente do senador Flávio Bolsonaro, que ele chegou ao núcleo duro do bolsonarismo. Sabatinado pelos filhos de Bolsonaro, não passou no teste, prevalecendo a opinião do filho de Paulo Marinho.

André, que tem o dom da imitação e diverte quem o vê mimetizando Trump e Bolsonaro, foi quem fez a tradução do telefonema que Bolsonaro recebeu de Trump depois da vitória. Ernesto Araujo se equipara ao Bolsonaro dos velhos tempos quando fala do PT, que chama de “Partido Terrorista”.

“IMPÉRIO DO CRIME” – Mistura alhos com bugalhos quando diz que um novo governo petista seria “novo regime, um império do crime, apoiado no conluio entre as oligarquias nacionais e num novo eixo socialista latino-americano, sob os auspícios da China maoísta que dominará o mundo”. O eixo socialista apoiado por uma China maoísta que vai dominar o mundo é pura teoria da conspiração, mas mostra de onde Bolsonaro tirou a idéia de que a China está comprando o Brasil.

Que o eixo socialista ganharia força com, a vitória do PT, não há duvida. Que a China será a maior potência econômica do mundo dentro em pouco, não se discute. Mas que a China ainda seja maoísta, acho que nem o presidente Xi Jinping tem muita certeza disso, embora tenha ressuscitado há dias o objetivo da auto-suficiência, desta vez para a tecnologia e inovação. Esse conceito maoísta surpreendeu os próprios chineses, e foi retirado da versão oficial de seu discurso.

DEUS TRUMP – Mas nosso futuro chanceler vê Trump como nada menos que um Deus, que vai salvar o Ocidente.   Segundo ele, a visão do Ocidente proposta por Trump não é baseada no capitalismo e na democracia liberal, mas na recuperação do passado simbólico, da história e da cultura das nações ocidentais. Em seu centro, está não uma doutrina econômica e política, mas o anseio por Deus, o Deus que age na história.

Segundo nosso futuro chanceler, o Brasil necessita refletir e definir se faz parte desse Ocidente, como resume a apresentação de seu artigo, que diz que é necessário recuperar aspectos históricos da simbologia nacionalista e da identidade ocidental. Nesse contexto, a exemplo de Trump, o futuro chanceler acha que o espírito ocidental estaria sendo mitigado por uma política globalista, e é preciso reforçar a herança histórica, cristã, cultural, bem como o papel da família e do estado de direito a partir da tradição do liberalismo dos EUA e de seu destino manifesto.

ACORDOS ESPÚRIOS – No seu blog ele defende que deixemos “de louvar ditaduras assassinas e desprezar ou mesmo atacar democracias importantes como EUA, Israel e Itália. Não mais faremos acordos comerciais espúrios ou entregaremos o patrimônio do povo brasileiro para ditadores internacionais.”.

Ele crê que “as forças antiocidentais”, externas ou internas, “minarão nossa coragem, solaparão nosso espírito e enfraquecerão nossa vontade de defender a nós mesmos e nossas sociedades”. Para ele, o problema não está no terrorismo, nem muito menos na diminuição da competitividade, mas no desaparecimento da vontade de ser quem se é, como coletividades identificadas com um destino histórico e uma cultura viva.

Algumas sugestões para os futuros Secretários de Educação dos Estados

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Disciplina é um bem a ser cultivado em todas as escolas

Antonio Rocha

Prezados Senhores, em primeiro lugar, parabéns pelos cargos, almejo ótima gestão. Considerando que a nossa TI – Tribuna da Internet – tem um alcance nacional, quero sugerir aqui o que já ando amadurecendo há muito tempo. Com as posses dos novos governadores, quem sabe algum futuro Secretário Estadual tenha interesse na matéria. Vez por outra vem à minha mente o saudoso curso primário que fiz na antiga Escola Presidente Roosevelt, no bairro do Realengo, hoje pertence ao município do RJ, mas naquela época ainda era Distrito Federal. Comecei aos sete anos, portanto, em 1959.

Diariamente, de segunda à sexta-feira, nos reuníamos às 7 horas da manhã no pátio: diretoras, professores, alunos e funcionários. Formávamos filas, por turmas, cantávamos o Hino Nacional e hasteávamos a Bandeira, enquanto uma pequena fanfarra de taróis, caixas e tambores, dos alunos mais velhos, marcavam a cerimônia matinal.

INCENTIVO A TODOS – A meu ver era emocionante e principalmente por saber que, democraticamente, cada aluno hasteava o Pavilhão Nacional, um por dia, então, ao longo do ano, todos seriam contemplados.

Após o hasteamento, a diretora ou coordenadora falava algumas palavras de incentivo aos alunos, estimulando o bom comportamento, noções de respeito, fraternidade etc.

Se possível, eu gostaria que essa questão fosse retomada, reconsiderada, readaptada etc. Penso que isso fará bem aos alunos, começarem o dia escolar com uma mensagem de apoio, palavras positivas e o senso de brasilidade.

NA DITADURA – Certa feita contei isso em uma escola e um jovem professor afastou com desdém a minha proposta: “Isso foi no tempo da ditadura!’. Ingenuamente eu tinha sugerido fazermos uma experiência. Mas o professor nem queria saber e o assunto morreu ali, embora eu tenha explicado que o então Presidente da República era o Juscelino Kubistchek, e Brasília só foi inaugurada em 1960, portanto, o Rio de Janeiro ainda era Distrito Federal.

Reapresentando a proposta, acrescento mais alguns detalhes, por exemplo: Na segunda-feira cantava-se o Hino Nacional, na terça o Hino do Estado, na quarta o Hino do Município, na quinta o Hino da Proclamação da República e na sexta o Hino da Independência. Sendo que alguns destes hinos poderiam ser alternados com outros.

CANTO CORAL – A medida é boa, os alunos iriam treinar música, canto coral todo dia pela manhã e já está comprovado que estudar música abre o cérebro, ajuda o desenvolvimento do raciocínio e similares. Em cada canto da sala de aula, no alto, deveria ter uma miniatura da Bandeira do Brasil, a Bandeira do Estado e a Bandeira do Município.

Como sonhar ainda é grátis, vou continuar alimentando este meusaudosismo, que muito me ajudou ao longo da vida.

E, feliz Dia da República para todos (as)!!!

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Antonio Rocha é professor de Língua Portuguesa e Literaturas da Rede Estadual RJ, com mestrado e doutorado em Ciência da Literatura na UFRJ.

Temer diz que decisão sobre reajuste do STF só será tomada “lá na frente”

Temer diz que está analisando com ‘muito cuidado’

Deu no G1

O presidente Michel Temer disse nesta quarta-feira, dia 14, que está analisando com “muito cuidado” o projeto de reajuste salarial para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e que vai decidir “lá na frente” se vetará ou sancionará o texto. O reajuste foi aprovado pelo Senado na última semana. Pelo texto, os subsídios dos ministros passariam dos atuais R$ R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil.

O tema causa incômodo em setores do governo que defendem maior rigor com as contas públicas. O argumento é que o salário de ministros do Supremo serve de baliza para outras categorias. Portanto, o reajuste geraria um “efeito cascata” indesejado neste momento em que o país lida com rombo fiscal. “Eu estou examinando. Você sabe que eu tenho 15 dias. Eu estou examinando esse assunto com muito cuidado. Só decidirei lá na frente. Vamos ver como fazemos”, afirmou o presidente, após ser questionado por jornalistas sobre o tema.

GASTOS PREOCUPANTES – Ele participou de um evento em Campinas de inauguração do projeto Sirius, o maior acelerador de partículas do país. “Temos até o dia 28 de novembro para sanção”, completou Temer. Após o texto ser aprovado no Congresso, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou que via o aumento de gastos com preocupação.Ele disse que este não era o “momento” de se ampliar despesas. O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, também na última semana, afirmou que o reajuste no salários dos ministros do Supremo será compensado com o fim do auxílio-moradia para magistrados.

O aumento nos salários dos ministros gera o chamado “efeito cascata” nas contas públicas, porque representa o teto do funcionalismo público. Quando o teto é elevado, aumenta também o número de servidores que poderão receber um valor maior de gratificações e verbas extras que hoje ultrapassam o teto. Segundo cálculos de consultorias da Câmara e do Senado, o reajuste poderá causar um impacto de R$ 4 bilhões nas contas públicas.

TRAMITAÇÃO – O projeto que o Senado votou foi encaminhado ao Congresso em 2015 pelo ministro Ricardo Lewandowski, então presidente do STF. Em 2016, o projeto foi aprovado na Câmara, mas ficou parado no Senado e só foi votado na última semana.

Durante todo o período em que a ministra Carmen Lúcia presidiu o tribunal (entre setembro de 2016 e setembro de 2018), ela foi contra incluir no orçamento o reajuste em razão da crise fiscal. Mas, em sessão administrativa em agosto deste ano, a maioria do tribunal decidiu incluir a proposta de aumento no orçamento de 2019. Ficaram vencidos, além de Cármen Lúcia, os ministros Celso de Mello, Rosa Weber e Edson Fachin.

Prefeitos e secretários pedem para manter cubanos no Mais Médicos

Médicos cubanos chegaram ao Brasil em 2013

Daniela Lima
Folha

A Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) encaminharam nesta quarta-feira, dia 14, às equipes do governo Michel Temer e do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) um ofício no qual “lamentam a interrupção” da cooperação de profissionais cubanos no Mais Médicos e pedem a “revisão do posicionamento do novo governo, que sinalizou mudanças drásticas nas regras do programa”.

As entidades dizem que as declarações de Bolsonaro foram determinantes para a decisão do governo de Cuba, que anunciou nesta quarta o fim da parceria com o Brasil. O ofício alerta o governo eleito para “os iminentes e irreparáveis prejuízos à saúde da população”  e “em caráter emergencial, sugerem a manutenção das condições atuais de contratação, repactuadas em 2016, pelo governo Michel Temer, e confirmadas pelo Supremo Tribunal Federal, em 2017”.

“PERDA CRUEL” – “O cancelamento abrupto dos contratos em vigor representará perda cruel para toda a população, especialmente para os mais pobres. Não podemos abrir mão do princípio constitucional da universalização do direito à saúde, nem compactuar com esse retrocesso.” O documento ressalta que os cerca de 8.500 profissionais cubanos representam mais da metade dos médicos do programa e que, sem eles, mais de 29 milhões de brasileiros ficarão sem assistência. A nota diz que “a rescisão repentina desses contratos aponta para um cenário desastroso em, pelo menos, 3.243 municípios”. 

“Dos 5.570 municípios do país, 3.228 (79,5%) só têm médico pelo programa e 90% dos atendimentos da população indígena é feito por profissionais de Cuba. Além disso, o Mais Médicos é amplamente aprovado pelos usuários, 85% afirma que a assistência em saúde melhorou com o programa”, informa o documento.

DEMANDA – Segundo as entidades, foi possível verificar que “houve maior permanência e fixação desses médicos” nos locais onde eles trabalham e que o programa serve como uma resposta a uma demanda da FNP sobre a dificuldade de encontrar profissionais que trabalhem no interior do país e na periferia de grandes cidades.

“Com a missão de trabalhar na atenção primária e na prevenção de doenças, a interrupção abrupta da cooperação com o governo de Cuba impactará negativamente no sistema de saúde, aumentando as demandas por atendimentos nas redes de média e alta complexidade, além de agravar as desigualdades regionais”, afirma o documento.

Onyx nega caixa 2 em 2012, ataca a Folha e diz que querem fazer terceiro turno

Onyx diz que é um combatente contra a corrupção

Letícia Casado
Gustavo Uribe
Folha

O futuro ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), rebateu nesta quarta-feira, dia 14, delação da JBS que indica que ele recebeu via caixa dois uma doação eleitoral da empresa no ano de 2012. Reportagem publicada pela Folha mostrou que uma planilha entregue por delatores da JBS à Procuradoria-Geral da República sugere que Onyx recebeu R$ 100 mil via caixa dois naquele ano.
 
O pagamento a “Onyx-DEM”, segundo a tabela, foi feito em 30 de agosto de 2012, em meio às eleições municipais. De acordo com os colaboradores, o dinheiro foi repassado em espécie. Na época, Onyx já comandava o DEM-RS. No ano passado, o congressista confessou ter obtido da empresa, para a campanha de 2014, R$ 100 mil não declarados à Justiça Eleitoral. Nesta quarta-feira, Onyx criticou a reportagem, atacou a Folha e pediu uma trégua a todos para que o governo Bolsonaro seja montado. 
 

“COMBATENTE” – “Agora se requenta uma informação do ano passado, dada por alguém que não sei quem é, se passo na rua não sei quem é, não conheço, nunca vi. No episódio de 2014, reconheci e fiz o que uma pessoa que carrega a verdade consigo tem que fazer. Nada temo, não é a primeira vez que o sistema tenta me envolver com a corrupção. Alto lá, sou um combatente contra a corrupção e essa é a história da minha vida. O que a Folha quer? O Haddad, que tem 30 processos? O que a Folha quer? A Folha queria o Lula? E a mídia engajada queria o Lula, a Dilma, o José Dirceu? Perderam a eleição”, afirmou o futuro ministro da Casa civil.

As declarações foram feitas quando ele chegou ao Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB)  para uma reunião com a equipe de transição do governo Bolsonaro. Questionado pelos jornalistas se o delator da JBS teria mentido, Onyx não respondeu. Ele tampouco disse se recebeu o dinheiro de caixa dois, conforme indica a planilha da JBS. “Faz um ano que muitos tentam destruir Jair Messias Bolsonaro, seus filhos, seus colaboradores, quem está próximo dele, mas qual foi a resposta da sociedade brasileira? Uma vitória esmagadora. Eu não temo. Tenho a verdade comigo. Quando a verdade foi dura contra mim, ela foi usada contra. A verdade para mim é um valor do qual eu não me afasto. Tenho 24 anos de vida pública sem um processo. Portanto, nada temo. Vamos enfrentar isso com altivez”, disse.

TRÉGUA – Ele defendeu uma espécie de trégua para montar o governo Bolsonaro. “No governo que está sendo montado, não houve nenhuma trégua desde o final da eleição. Todo dia tem alguém batendo num governo que não teve paz para tentar se organizar. Eu pedi a todos que nos dessem uma trégua, que nós pudéssemos organizar o governo. Depois nos cobrem pelos erros e pelos acertos que todos os governos cometem, que todas as pessoas cometem. Agora, ficar tentando fragilizar, não vão nos fragilizar”, afirmou.

“Portanto, senhoras e senhores. Eu não temo a Folha, não temo JBS, não temo a ninguém. O que eu desejo, junto com Jair Bolsonaro e toda equipe, é fazer uma transformação verdadeira no Brasil. Não me assusta. Eu sei quem é esse sistema corrupto que está por trás de tudo isso. Estamos preparados. Temos Deus e o povo brasileiro do nosso lado. E nós vamos enfrentar com altivez, com coragem, toda e qualquer tentativa de nos conectar à corrupção”, disse.

RECURSOS – Onyx disse ainda que a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência do governo federal, deu recursos ao UOL, empresa do Grupo Folha, durante o governo de Dilma Rousseff (PT). “E por fim, por que é mesmo que a Finep, em vez de financiar pesquisas médicas, combate ao câncer, medicamentos e remédios, deu no governo Dilma R$ 340 milhões para o UOL? A troco de quê? Será por isso que tem essa paixão da Folha pelo PT?”. O UOL recebeu um financiamento da Finep, agência pública que incentiva empresas que investem em inovação.

“A Folha de S.Paulo quer o terceiro turno das eleições. Vou relembrar a história. Em 2005 o PT falsificou a assinatura do ex-ministro e ex-governador Tarso Genro para tentar cassar o meu mandato na Câmara dos Deputados, fato comprovado por quatro perícias. No ano em que saiu a delação da Odebrecht, com estardalhaço, a Folha fez uma acusação a este parlamentar. Qual foi o resultado depois de um ano e cinco meses? Provei que a planilha era falsa. Disse que nunca tive contato com a Odebrecht, não há um registro. Provei que o senhor Alexandrino Alencar mentia. E sei quem era o inimigo, e não era eu”, disse.

DEM tenta condicionar apoio ao governo à reeleição de Maia na Câmara

Aliados de Maia temem que Bolsonaro tente “queimá-lo”

Vera Rosa
Estadão

O DEM tenta condicionar a adesão ao governo de Jair Bolsonaro ao apoio do Palácio do Planalto à recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara ou ao menos à neutralidade da equipe do PSL nessa disputa. A eleição que renovará o comando do Congresso está marcada para 1.º de janeiro de 2019 e Maia já recebeu sinais de que Bolsonaro não quer avalizar um novo mandato para ele.

Nesta quarta-feira, dia 14, o presidente eleito agendou um encontro com Maia, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, e pretende desfazer o que chama de mal-entendidos. Sua intenção é dizer ao comandante da Câmara que o governo não pretende interferir na sucessão do Congresso. “O governo não vai intervir nas definições do comando da Câmara nem do Senado”, afirmou o futuro ministro da Casa Civil, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

INCÔMODO – “Todos os governos que forçaram a mão e fizeram intervenção se deram muito mal com isso. Essa decisão tem de ser dos parlamentares”, acrescentou. Maia não esconde o incômodo com críticas feitas até mesmo por aliados sobre o tamanho do DEM no governo de Bolsonaro. Nos bastidores, deputados do Centrão argumentam que o partido já está bem contemplado no primeiro escalão e, nesse cenário, não precisa mais ocupar a chefia da Câmara.

Atualmente, o DEM tem dois filiados nomeados para o governo Bolsonaro; Onyx e Tereza Cristina, que assumirá o Ministério da Agricultura. O deputado Luiz Henrique Mandetta, também do DEM, é cotado para a Saúde. O presidente do DEM, ACM Neto, vai se reunir com Onyx na próxima quarta-feira, dia 21, em Brasília, para acertar como será a relação do partido com o novo governo. “O apoio estará relacionado à agenda de projetos para o País, e não a cargos”, disse ACM Neto, que é prefeito de Salvador.

INTRIGAS – Para ele, as críticas sobre o espaço do DEM na Esplanada são improcedentes. “Não cola essa história de quererem tirar o partido da presidência da Câmara com base em intrigas. Todos sabem que as escolhas foram feitas pelo presidente Bolsonaro. Não foram indicações do partido”, argumentou. Atritos. As movimentações para a sucessão de Maia já provocam atritos no Congresso. Embora Bolsonaro tenha orientado seu partido, o PSL, a não entrar nesse confronto, aliados do presidente da Câmara acham que o futuro governo está agindo nos bastidores para queimá-lo e emplacar um nome que possa “tratorar” o Legislativo.

Na prática, o PSL de Bolsonaro resiste a apoiar a reeleição de Maia, mas pretende endossar outro nome. “Se o Luciano Bivar (presidente nacional do PSL) quiser ser candidato, será. Caso contrário, vou fazer gestões para que o PSL apoie Capitão Augusto”, afirmou o senador eleito Major Olímpio (PSL-SP), em referência ao deputado do PR. Major Olímpio admitiu haver um vácuo na atual articulação política, mas disse estar certo de que assumirá alguma missão nessa área, ao lado do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito. “Nessa transição, a mochila é pesada demais. Até o celular do Onyx deve ter travado”, brincou.

BANCADA DA BALA – A portas fechadas, interlocutores de Bolsonaro dizem que o nome preferido dele para a presidência da Câmara, atualmente, é João Campos (PRB-GO). Delegado e pastor da Igreja Assembleia de Deus, o deputado integra tanto a “bancada da bala” quanto a frente parlamentar evangélica. “Eu tenho a convicção de que o PSL fecha comigo, mas quem vai definir mesmo é o zero um”, resumiu Capitão Augusto, recorrendo à expressão militar usada para se referir a Bolsonaro.

No MDB, há dois pré-candidatos; o atual vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (MG), e Alceu Moreira (RS), da frente parlamentar de agropecuária. “Se o governo Bolsonaro não mudar o tratamento com os deputados e com os partidos, terá uma derrota histórica na Câmara”, afirmou o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), presidente do Solidariedade e aliado de Maia. “Esse modelo de negociar com frente parlamentar e insuflar o lançamento de candidatos por fora, contra Maia, não vai funcionar”, emendou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –  Os democratas podem esperar sentados qualquer tipo de apoio. Bolsonaro já disse que não  vai interferir na eleição para a Presidência da Câmara dos Deputados, mas deixou claro também  que outros “bons nomes” estão surgindo para a sucessão de Maia. Nem precisa desenhar. (M.C.)

“Goza a euforia do voo do anjo perdido em ti”, sugeria Menotti Del Picchia

Resultado de imagem para menotti del picchiaPaulo Peres   Site Poemas & Canções

O jornalista, tabelião, advogado, político, romancista, cronista, pintor, ensaísta e poeta paulista Paulo Menotti Del Picchia (1892-1988), no poema “O Voo”, nos fala da importância do esforço que devemos realizar diante dos obstáculos que o cotidiano nos impõe, em voos semelhantes aos pássaros. O poema também pode ser interpretado como “uma lição de vida”.

O VOO
Menotti Del Picchia

Goza a euforia do voo do anjo perdido em ti
Não indagues se nossas estradas, tempo e vento
desabam no abismo.
que sabes tu do fim…
Se temes que teu mistério seja uma noite,
enche-o de estrelas
conserva a ilusão de que teu voo te leva sempre para mais alto
no deslumbramento da ascensão

Se pressentires que amanhã estarás mudo, esgota como
um pássaro as canções que tens na garganta
canta, canta para conservar a ilusão de festa e de vitória
talvez as canções adormeçam as feras que esperam
devorar o pássaro

Desde que nasceste não és mais que um voo no tempo
rumo ao céu?
que importa a rota
voa e canta enquanto resistirem as asas.

Bolsonaro diz aos governadores eleitos que medidas serão “um pouco amargas”

Bolsonaro disse que população “espera mudanças”

Daniel Gullino
O Globo

Em encontro com 20 governadores eleitos, realizado nesta quarta-feira, dia 14, em Brasília, o presidente eleito Jair Bolsonaro fez um discurso de conciliação e pregou a união entre todos, independentemente dos partidos de cada um. De acordo com Bolsonaro, é preciso dar uma satisfação à população, que espera mudanças.

“Vamos dividir o desafio com vocês, e os senhores podem dividir o desafio de vocês conosco. Faremos todo o possível para atendê-los, independente de coloração partidária. Não interessa se o colega é do PT ou de outro partido, do DEM ou do meu PSL”, afirmou. Em outro momento, Bolsonaro afirmou que o partido de todos agora “é o Brasill”. “A partir desse momento não existe mais partido. Nosso partido é o Brasil”, disse..

DEMANDAS – O encontro foi organizado pelos governadores eleitos de São Paulo (Joao Doria), Rio de Janeiro (Wilson Witzel) e Distrito Federal (Ibaneis). Todos os presentes fizeram uma breve fala para apresentar as demandas de seu estado. Bolsonaro chegou acompanhado pelos indicados para três ministérios em seu governo; Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Paulo Guedes (Economia) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).

“Confio em vocês, e podem confiar em mim. Como irmãos, vamos buscar soluções e, mais do que isso, vamos dar satisfação a esse povo que acredito em mim e acreditou nos senhores”, disse Bolsonaro. Ao falar sobre o seu recuo na intenção inicial de unir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, o presidente eleito ressaltou que é preciso saber reconhecer os erros. “A virtude nossa é reconhecer e retroceder em algum momento”, destacou.

De acordo com Doria, os governadores devem voltar a se reunir em Brasília no dia 12 de dezembro. Para essa próxima reunião, serão convidados o juiz Sergio Moro, indicado para ocupar o Ministério da Justiça, e os presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli; do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha; do Tribunal de Contas da União (TCU), Raimundo Carreiro.

MEDIDAS AMARGAS – O presidente eleito defendeu ainda a aprovação de medidas “um pouco amargas” no Congresso. Em um discurso no fim do evento, Bolsonaro disse que a União e os estados vivem momento de dificuldade e que a equipe econômica de seu governo está concluindo propostas de reformas que devem ser apresentadas ao Congresso. Ele não citou especificamente a quais reformas se referia.

“As reformas passam pela Câmara e pelo Senado e nós pedimos neste momento, os senhores têm realmente a perfeita noção do que tem que ser feito. Algumas medidas são um pouco amargas, mas nós não podemos tangenciar com a possibilidade de nos transformarmos naquilo que a Grécia passou, por exemplo”, afirmou Bolsonaro.

Ele lembrou que tem pedido ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a aprovação de medidas do interesse do próximo governo ainda neste ano. Eunício também estava presente no encontro com os governadores.

SOLUÇÕES – “Temos que aprovar reformas, que estão sendo ultimadas pela minha equipe econômica. Já temos pedido aos presidentes da Câmara e do Senado determinadas matérias. Temos de buscar soluções, não apenas econômicas. Se conseguirmos diminuir a temperatura da insegurança no Brasil, a economia começa a fluir”, completou.

Piada do Ano!!! Lula depõe e diz que vai provar que o sítio de Atibaia não é dele

Lula presta depoimento à juíza Gabriela Hardt, que substitui o juiz Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba Foto: Reprodução

Estratégia da defesa é colocar a culpa em dona Marisa

Cleide Carvalho, Dimitrius Dantas, Sérgio Roxo e Silvia Amorim
O Globo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta quarta-feira que teve interesse em comprar o sítio de Atibaia, mas que não levou o plano adiante porque sabia que Fernando Bittar, dono da propriedade, não queria vender. Disse que tinha dinheiro para adquirir o sítio, mas que a família Bittar não cogitava a venda.

– Pensei em comprar o sítio em 2016 para agradar a dona Marisa. Se eu quisesse, eu tinha dinheiro. Acontece que o Jacob Bittar (pai de Fernando) não pensava em vender o sítio – afirmou o ex-presidente.

SÃO 13 RÉUS – O ex-presidente é réu junto com outras 12 pessoas na ação que   investiga os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do sítio de Atibaia. Lula é acusado de ser o real proprietário do imóvel e de ter sido beneficiado por reformas orçadas em R$ 1.020.500, e feitas pelas construtoras OAS e Odebrecht entre o fim de 2010, quando ele ainda ocupava a Presidência da República, e 2014.

A juíza Gabriela Hardt, que provisoriamente substitui Sergio Moro na 13ª Vara Federal, perguntou se ele não estranhou que uma grande empreiteira, a OAS, estivesse fazendo obras na propriedade. O ex-presidente afirmou que não foi ao sítio durante as reformas e que as obras da OAS foram feitas em 2014, quando ele não era mais presidente da República e também não disputava eleição.

– Estamos falando de 2014, eu não era mais presidente da República, e nem disputava mais eleição – afirmou Lula.

NÃO ESTRANHOU… – Indagado se não estranhou que uma “grande empreiteira” como a OAS estivesse reformando o sítio, Lula respondeu:

– Eu não estranhei porque não era uma grande empreiteira fazendo uma reforma. Era uma pessoa que eu tinha relação há mais de 20 anos, fazendo uma coisa, sem falar de caixa geral (..). Achei que ele tinha cobrado – disse Lula, referindo-se ao empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS.

Em outro trecho, o representante do Ministério Público Federal cita depoimento em que Léo Pinheiro relata que Lula pediu que a OAS fizesse obras no sítio.

– Não é verdade – responde o ex-presidente, sobre a acusação.

NÃO LEMBRA – Também disse não se lembrar de qualquer conversa com o empresário sobre a necessidade de obras na cozinha e negou ter procurado o empresário para tratar das obras mesmo depois que a imprensa publicou reportagens sobre as intervenções da OAS na propriedade.

– Eu já disse que nunca conversei com o Léo sobre dinheiro de reforma  porque eu partia do pressuposto de que o interesado era ele.  Se não tivesse recebido, iria se queixar.

Lula também afirmou ainda que só soube que a Odebrecht havia feito obras na propriedade quando a imprensa começou a noticiar o fato. Mesmo quando saíram reportagens sobre o sítio, o ex-presidente disse que não procurou Fernando Bittar, proprietário do sítio, ou os donos da Odebrecht para obter informações.

GALINHA E GAMBÁ – “Eu repudio qualquer tentativa de qualquer pessoa dizer que foi feita uma obra pra mim naquele sítio” – disse, acrescentando que nunca tratou sobre qualquer obra da Odebrecht na propriedade.

“Eu nunca tive preocupação se a galinha comeu um gambá ou o gambá comeu a galinha. Isso não era meu problema” – afirmou o ex-presidente Lula ao responder sobre os e-mails enviados pelo caseiro do sítio de Atibaia, conhecido como Maradona, para o Instituto Lula.

O ex-presidente disse que os e-mails devem ter sido mandados para o instituto para que os seguranças levassem para sua mulher, Marisa Letícia, que era quem teria acompanhado as questões do sítio.

OBRAS PRONTAS – Lula disse que não discutiu nada sobre reformas, porque só foi conhecer a propriedade em 15 de janeiro de 2011, quando as obras já estavam prontas.

O ex-presidente negou ter qualquer conhecimento sobre as conversas relatadas por delatores da Odebrecht com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, e com o ex-ministro Antonio Palocci.  Irritado, Lula afirmou só ter tido conhecimento pela TV.

– Quando eu vejo alguém dizer que tinha conta no meu nome, sem que eu soubesse da conta, no mínimo alguém achou que sou um imbecil – disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A estratégia da defesa é clara, desde o depoimento de Fernando Bittar. Tentam colocar a culpa de tudo em dona Marisa, que já morreu e não pode mais ser condenada. Se der errada a estratégia, como tudo indica, Fernando Bittar vai acompanhar Lula na cadeia de Curitiba. Ele diz ser dono do sítio, mas no local não havia um quarto dele, um calção de banho ou uma sandália havaiana. Quando esteve lá para participar de uma festa, o dono do sítio dormiu num hotel em Atibaia. (C.N.)

Diplomata admirador de Trump será o ministro do Exterior de Bolsonaro

Macaque in the trees

Araújo é da ala radical é chama o PT de Partido Terrorista

Deu no Jornal do Brasil

O anúncio do futuro ministro das Relações Exteriores saiu nesta quarta-feira, 14. O indicado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro é Ernesto Araújo. Bolsonaro divulgou o nome do novo chanceler em seu perfil no Twitter. “A política externa brasileira deve ser parte do momento de regeneração que o Brasil vive hoje. Informo a todos a indicação do Embaixador Ernesto Araújo, diplomata há 29 anos e um brilhante intelectual, ao cargo de Ministro das Relações Exteriores”, postou o presidente eleito.

O diplomata é Diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Itamaraty. Araújo enviou, à época da eleição presidencial nos Estados Unidos, artigo de sua autoria, no qual revelou partilhar das ideias similares do Trumpismo. Jair Bolsonaro, vale frisar, é fã confesso do mandatário norte-americano.

ELOGIO A TRUMP – “O presidente Donald Trump propõe uma visão do Ocidente não baseada no capitalismo e na democracia liberal, mas na recuperação do passado simbólico, da história e da cultura das nações ocidentais. A visão de Trump tem lastro em uma longa tradição intelectual e sentimental, que vai de Ésquilo a Oswald Spengler, e mostra o nacionalismo como indissociável da essência do Ocidente. Em seu centro, está não uma doutrina econômica e política, mas o anseio por Deus, o Deus que age na história. Não se trata tampouco de uma proposta de expansionismo ocidental, mas de um pannacionalismo. O Brasil necessita refletir e definir se faz parte desse Ocidente”, afirma o texto.

CRÍTICAS AO PT – O novo ministro das Relações Exteriores mantém um blog pessoal. Nele, declarou apoio à candidatura de Jair Bolsonaro e fez duras críticas ao Partido dos Trabalhadores. Na página, afirma que “o PT (partido terrorista) está se preparando para tomar o poder no Brasil”.

Araújo relatou ainda em sua página eletrônica ter participado das manifestações pró-Bolsonaro em Brasília. “O movimento popular por Bolsonaro não se nutre de ódio, mas de amor e de esperança… Só me lembro de uma atmosfera cívica desse tipo em duas ocasiões: a campanha das Diretas Já em 1984 e o movimento pelo impeachment em 2016. Isso significa que se trata de muito mais do que uma eleição… Trata-se de uma luta pela sobrevivência da pátria”, escreveu.

REPERCUSSÃO – Em nota, o Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty) saudou a escolha de Araújo.

“A entidade se coloca à disposição para colaborar no enfrentamento dos desafios da política externa brasileira e na modernização das relações de trabalho em prol de todos os servidores do ministério”, comentou a entidade, desejando êxito ao futuro ministro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fica confirmado, portanto, o artigo publicado na TV por José Carlos Werneck em 31 de outubro, anunciando o nome do futuro Chanceler. (C.N.)

Onyx Lorenzoni anuncia criação do Ministério da Cidadania

Pasta será responsável por políticas públicas tipo Bolsa Família

Guilherme Mazui
G1

O ministro que coordena a transição de governo e futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou nesta quarta-feira, dia 14, que o “martelo está batido” para a criação do “Ministério da Cidadania” no governo de Jair Bolsonaro (PSL). Em entrevista à Rádio Gaúcha, Lorenzoni explicou que a nova pasta cuidará das áreas de desenvolvimento social, direitos humanos e políticas de combate às drogas – atualmente o governo federal tem o ministério do Desenvolvimento Social e o ministério dos Direitos Humanos.

Lorenzoni declarou na entrevista que parte do Ministério do Trabalho poderá ficar com a nova estrutura, mas que o modelo será analisado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro. “O Ministério do Trabalho ficará junto com a ‘produção’ ou vai para um outro ministério chamado de Cidadania, que aí tem lá o Desenvolvimento Social, os Direitos Humanos”, disse o ministro. “Esse martelo está batido… Ele vai cuidar dos direitos humanos, do desenvolvimento social e vai trazer a Senad [Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas]… E ele vem para trabalhar com recuperação de drogados”, completou.

Nas discussões sobre a estrutura do novo governo, chegou a se especular a fusão das pastas de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social sob o nome de Ministério da Família, com o senador Magno Malta (PR-ES) entre os cotados para ser ministro. A pasta do Desenvolvimento Social, por exemplo, é responsável pelo programa Bolsa Família e por outras iniciativas na área social, como os programas Progredir e Criança Feliz.

MINISTÉRIO DO TRABALHO – Nesta terça-feira, dia 13, Bolsonaro afirmou em entrevista em Brasília que o Ministério do Trabalho manterá o “status” ministerial, reunido com outras áreas. “Vai ser ministério disso, disso e Trabalho. É igual o Ministério da Indústria e Comércio, é tudo junto, está certo? O que vale é o status”, disse o presidente eleito.

Questionado sobre a declaração, Lorenzoni explicou que Bolsonaro recebeu “dois desenhos” de estrutura para toda a Esplanada, o que ainda está em análise. Nos dois modelos a atual estrutura do Trabalho terá funções divididas. Segundo o ministro, a futura pasta da Cidadania pode absorver parte das funções do Ministério do Trabalho. “A parte da Secretaria de Políticas Públicas para Emprego e outras que estão conectadas a essa área podem ir para aí [Cidadania]”, disse Lorenzoni.

A área responsável pela concessão de cartas sindicais poderá ser deslocada para o Ministério da Justiça, cujo titular será o juiz federal Sérgio Moro. Bolsonaro ainda não tomou a decisão. “Num dos desenhos propostos, mas que ele [Bolsonaro] ainda não bateu o martelo, a concessão das cartas sindicais está prevista ir para o Ministério da Justiça, para as mãos do doutor Mouro, porque é um foco permanente de corrupção”, declarou Lorenzoni.

PRODUÇÃO – Lorenzoni também comentou a possibilidade de um governo ter um ministério da “Produção”, que poderá absorver parte das atuais funções do Ministério do Trabalho. Segundo ele, esse novo ministério herdaria parte das atribuições do atual Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). A futura pasta da Economia deverá ficar com a área de comércio exterior do MDIC.

“A parte do comércio exterior iria lá para a Fazenda [Economia] e a parte do MDiC que não lida com comércio exterior ficaria com o ministério da Produção”, explicou. A equipe de transição pretende apresentar os modelos de primeiro escalão a Bolsonaro nesta quarta para que ele possa avaliar as mudanças nos próximos dias.

SAÚDE – Lorenzoni reforçou que o deputado federal Luiz Mandetta (DEM-MS) é o favorito para ser o Ministro da Saúde do governo de Jair Bolsonaro. O parlamentar tem a “preferência” do presidente eleito, conforme Lorenzoni.

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P.S. – Será que a nova pasta vai cuidar também de acomodar mais um aliado do governo ? Afinal, ninguém (sobre) vive sozinho (…). Ensaios e movimentos estratégicos para começar a gestão em 2019 com o pé direito. (M.C.)

Cuba abandona o programa Mais Médicos em represália à decisão de Bolsonaro

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Luciano Ferreira
O Globo

O governo de Cuba anunciou, na manhã desta quarta-feira, que deixará de participar do programa Mais Médicos . A decisão vem após o presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmar que pretende modificar os termos de colaboração com o país caribenho. Em vigor há cinco anos, o programa traz médicos de outros países para atuarem em regiões em que há déficit de profissionais de saúde. A maioria dos médicos do programa (51%) vem de Cuba, após acordo de parceria do Ministério da Saúde do Brasil com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

“O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, com referências diretas, depreciativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, declarou e reiterou que modificará os termos e condições do Programa Mais Médicos, com desrespeito à Organização Pan-Americana da Saúde e o que foi acordado com Cuba “, diz a nota do Ministério da Saúde de Cuba.

CORTAR RELAÇÕES – Bolsonaro já havia indicado que pretendia romper laços diplomáticos com países liderados por governantes com viés ideológico de esquerda . Segundo ele, não havia motivo para manter a embaixada em Cuba, por exemplo. A declaração foi publicada em entrevista ao jornal “Correio Braziliense” e à TV Rede Vida há duas semanas.

— Olha, respeitosamente, qual o negócio que podemos fazer com Cuba? Vamos falar de direitos humanos? Foi acertado há quatro anos, quando Dilma era presidente, que se alguém pedisse exílio (no Brasil, como os médicos cubanos) seria extraditado. Dá para manter relações diplomáticas com um país que trata os seus dessa maneira? Queremos o Mais Médicos? Podem continuar. Revalida, salário integral e traz a família para cá. Eles topam? — afirmou Bolsonaro na ocasião.

CONDIÇÕES INACEITÁVEIS – Ainda segundo a nota do órgão cubano, cerca de 20 mil médicos cubanos atenderam 113,3 milhões de pacientes, em mais de 3.600 municípios, e que as condições

“As mudanças anunciadas impõem condições inaceitáveis e descumprem as garantias acordadas desde o início do programa, que foram ratificadas em 2016 com a renegociação do Acordo de Cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil e o Acordo de Cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde Pública de Cuba. Essas condições inadmissíveis impossibilitam a manutenção da presença dos profissionais cubanos no Programa”, afirma o comunicado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Para variar, Bolsonaro deu mancada. Mas o assunto é intrincado e necessita de maiores explicações. Vamos voltar a ele, com mais profundidade. (C.N.)

Democratas querem emplacar o terceiro nome no Ministério de Bolsonaro

“Não se trata de indicações partidárias”, alega o presidente

Amanda Almeida
O Globo

Com dois deputados do partido na lista de futuros ministros de Jair Bolsonaro , o DEM ainda não se decidiu sobre o apoio ao presidente eleito, diz o presidente do partido, ACM Neto . O prefeito de Salvador e o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que será chefe da Casa Civil no governo Bolsonaro, se reúnem na próxima semana para conversar sobre o assunto. “Fico muito honrado por ter quadros qualificados do partido sendo escolhidos pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro. Mas são escolhas exclusivamente dele. Não se tratam de indicações partidárias”, diz Neto.

Segundo ele, a decisão sobre o apoio a Bolsonaro se dará depois de o partido conhecer a agenda do governo para o país. “Vamos ter essa conversa com o deputado Onyx. Depois, a escolha se dará de forma coletiva, jamais será uma decisão minha. O apoio dependerá da agenda do governo, se tem convergência com a do partido”, afirma o presidente do DEM.

AGRICULTURA – Também do partido, a deputada Tereza Cristina (MS) será ministra da Agricultura. Bolsonaro a escolheu por ter sido uma indicação da Frente Parlamentar da Agropecuária, mais conhecida como bancada ruralista. O presidente eleito indicou ainda que pode escolher um terceiro quadro do DEM para sua Esplanada. É o deputado Luiz Henrique Mandetta (MS), cotado para o Ministério da Saúde.

Questionado sobre o desejo do partido de ter apoio de Bolsonaro para a candidatura à reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara, Neto disse que isso será tratado posteriormente. “A candidatura dele é natural e ele é o melhor candidato entre os nomes que já apareceram. Mas isso será tratado depois”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGBolsonaro deverá escolher o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (MS) para o Ministério da Saúde. Será o terceiro democrata escalado para o time governamental, ao lado de Onyx, confirmado como chefe da Casa Civil, e Tereza Cristina (MS) como ministra da Agricultura. Tem gente que jura de pés juntos que Bolsonaro não conversou nenhuma vez a respeito com o prefeito de Salvador e com Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados. “Ambos teriam ficado cientes pela imprensa”.(M.C.)

Bebianno, do PSL, é oficializado como secretário-geral da transição

Bebianno foi um dos coordenadores de campanha de Bolsonaro

Eduardo Bresciani
O Globo

O advogado Gustavo Bebianno foi oficializado como secretário-geral da transição no Diário Oficial desta quarta-feira, dia 14.. Ele vai atuar como um “número dois” na estrutura, abaixo apenas do ministro extraordinário, Onyx Lorenzoni. A nomeação visa um equilíbrio de forças entre os principais grupos de apoiadores de Jair Bolsonaro . Bebianno presidiu o PSL durante a eleição e é homem de confiança do presidente eleito.

A Secretaria Geral responde pela assessoria direta do ministro da transição, Onyx Lorenzoni, em temas sobre segurança institucional, administração, gestão interna, agenda e cerimonial. Bebianno é um dos integrantes do núcleo mais próximo de Bolsonaro. O advogado chegou a ser cotado para assumir o Ministério da Justiça, que ficará com o juiz Sérgio Moro. Bebianno pode assumir o cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

O Diário Oficial traz ainda a delegação para que seis integrantes da transição possam “requisitar informações dos órgãos e entidades da Administração Pública Federal, assim como requisitar apoio técnico administrativo necessário ao regular desenvolvimento dos trabalhos de transição governamental aos servidores”. São eles os futuros ministros Augusto Heleno, Paulo Guedes e Marcos Pontes, o agora secretário-geral do grupo, Bebbiano, o deputado federal eleito Julian Lemos e o assessor Arthur Bragança Weintraub.

COORDENADORES – Há ainda a designação dos primeiros coordenadores de grupos de trabalho. Augusto Heleno ficará a frente da Defesa, Paulo Guedes de Economia e Comércio Exterior, Marcos Pontes de Ciência e Tecnologia, Arthur Weintraub, do grupo de Saúde, Previdência e Desenvolvimento Social, Julian Lemos da área de Desenvolvimento Regional, e Bebianno do grupo de Modernização do Estado. Há ainda quatro grupos sem coordenadores indicados.

A publicação designa ainda quatro assessores para auxiliar Bebianno na Secretaria-Geral da Transição: Antonio Thomaz Lessa Júnior, Luiz Henrique dos Santos Machado, Paulo Uchoa Ribeiro Filho e Rafael Moya Fernandes Lopes.

Alvo do superescândalo de corrupção, Odebrecht negocia dívida de US$ 3 bilhões

Construtora deixou de pagar US$ 11 milhões em juros

Renée Pereira
Estadão

A construtora Odebrecht deu início a um processo de reestruturação de uma dívida de US$ 3 bilhões. A decisão ocorre alguns dias depois de a empresa deixar de pagar US$ 11 milhões em juros e entrar no período de carência de 30 dias previsto no contrato. Na ocasião, a companhia afirmou que usaria o período para avaliar as condições do setor e da própria empresa no médio e longo prazos.

Para fazer a negociação com os detentores dos títulos, chamados de bondholders, a Odebrecht contratou como assessores o banco Moelis & Company e o escritório de advocacia Cleary Gottlieb, além de contar com o apoio da Munhoz Advogados. Do lado dos bondholders, as negociações serão feitas pela Rothschild. Procurados, Odebrecht e Moelis não se manifestaram. As negociações sobre como será feita a reestruturação deverão começar oficialmente após o fim do período de carência, no dia 26 de novembro. A proposta com as condições do reperfilamento, está em elaboração.

JUROS – Metade dos US$ 3 bilhões de dívida vence em 2042 e a outra metade se refere a títulos perpétuos, sem vencimento do valor principal. Hoje, a Odebrecht paga algo em torno de US$ 170 milhões por ano de juros. Com a renegociação, a ideia seria dar um fôlego ao caixa da empresa e, ao mesmo tempo, diminuir o prazo desses títulos. Embora não tenha emitido essa dívida, a construtora é a garantidora dos títulos. Os recursos foram usados em várias outras unidades de negócios da holding.

Fontes ligadas às negociações afirmam que o fraco desempenho da economia brasileira e a falta de obras dificultaram os planos da construtora – centro do maior escândalo de corrupção do país – para se reerguer. Por isso, há necessidade de renegociar a dívida. Na época do não pagamento dos juros, em outubro, a maior preocupação era de que a empresa entrasse com pedido de recuperação judicial, o que fez com que várias agências de classificação de risco cortassem a nota da companhia.

PREOCUPAÇÕES – A Fitch chegou a dizer que o uso dos 30 dias de carência indicava que um “processo semelhante ao de inadimplência” havia começado. Na opinião da agência, o atraso de um montante relativamente pequeno gerava preocupações sobre a intenção e a capacidade da empreiteira amortizar juros e a dívida no futuro. Além dos US$ 11 milhões vencidos no mês passado, a empresa teria de arcar com o pagamento de mais US$ 60,8 milhões, em dezembro.

Para a Standard & Poor’s, o caixa da OEC está entre US$ 400 milhões e US$500 milhões, o que cobriria sua dívida de curto prazo. “Mas, devido às condições de negócios desafiadoras e ao consumo contínuo de caixa, acreditamos que existe maior risco de reestruturação da dívida.”

ACORDO – As negociações para uma nova reestruturação ocorrem seis meses após a conclusão de um acordo de R$ 2,6 bilhões com os principais bancos do país. A empresa adotou a mesma estratégia na época, quando usou o período de 30 dias de carência para pagar uma dívida de R$ 500 milhões. Quase metade dos recursos conseguidos na renegociação ficou com a construtora do grupo para pagar a dívida de R$ 500 milhões e para capital de giro da empreiteira.

As conversas para o fechamento do acordo demoraram quatro meses para serem fechadas. Desta vez, no entanto, a expectativa é que a conclusão de um acordo seja mais rápida, já que os detentores dos títulos têm demonstrado interesse em rever as condições da dívida.

Planilha investigada pela PGR aponta caixa dois para Onyx também em 2012

Repasse ocorreu em 2012, quando Onyx presidia o DEM-RS

Fábio Fabrini
Rubens Valente
Folha

Uma planilha entregue por delatores da JBS à Procuradoria-Geral da República (PGR) sugere que o futuro ministro da Casa Civil, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), recebeu via caixa dois uma segunda doação eleitoral, por ele não admitida até agora. No ano passado, o congressista confessou ter obtido da empresa, para a campanha de 2014, R$ 100 mil não declarados à Justiça Eleitoral. O documento agora revelado mostra que ele recebeu outros R$ 100 mil em 2012.

O pagamento a “Onyx-DEM” foi feito em 30 de agosto daquele ano, em meio às eleições municipais. Segundo os colaboradores, o dinheiro foi repassado em espécie. Na época, o deputado não concorreu a cargos eletivos, mas era presidente do DEM no RS e apoiou vários candidatos. Nos registros do Tribunal Superior Eleitoral, não consta doação oficial da JBS ou da J&F — holding que a controla— para a sigla naquelas eleições. Os executivos da JBS relataram esquemas de caixa dois de 2006 a 2014.

APURAÇÃO PRELIMINAR – Os dois pagamentos estão sendo investigados pela Procuradoria desde agosto, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin. A pedido da PGR, ele determinou a instauração de uma petição autônoma — espécie de apuração preliminar — sobre as suspeitas de contribuições ilegais a Onyx e mais 35 políticos. Em 3 de maio do ano passado, o ex-diretor de Relações Institucionais da J&F Ricardo Saud entregou à PGR anexo de sua colaboração informando que a JBS doou via caixa dois R$ 200 mil a Onyx em 2014.

Foi após o caso ser divulgado que o deputado admitiu ter recebido R$ 100 mil da empresa. Ele não mencionou pagamento em 2012. Afirmou que o dinheiro foi usado para quitar gastos eleitorais e concordou que deveria “pagar pelo erro”. As informações sobre a doação em 2012 foram detalhadas pelos delatores depois disso. Elas constam de anexos complementares entregues por Joesley Batista, dono da J&F, Saud e Demilton Castro, responsável por pagamentos ilegais.

“BENEVOLÊNCIA” – A planilha “Doações-2012”, com os registros de caixa dois, foi entregue para corroborar as acusações.  Joesley disse que todas as contribuições não declaradas foram feitas a pedido dos políticos. Os objetivos, explicou, eram evitar retaliações e contar com a boa vontade deles. Saud relatou que os pagamentos a partidos e políticos foram feitos sem contrapartida, no intuito de que se tornassem benevolentes ou simpáticos com a JBS. Segundo ele, isso faria a empresa economizar com subornos.

“Negociações específicas de propina em troca de atos de ofício costumam envolver somas de dinheiro bastante elevadas. Por isso, fazer um pagamento genérico a título de doação de campanha pode ser uma forma menos custosa de obter o mesmo resultado”, justificou, dizendo que “a simpatia de um parlamentar é sempre um bom investimento”.

Castro explicou que, entre as doações não oficiais listadas na planilha, há entregas de valores em espécie a nomes diversos, entre eles Onyx. A instauração da petição foi requisitada em maio pela procuradora-geral, Raquel Dodge, juntamente com providências sobre outros casos. No mês seguinte, Fachin autorizou apuração sobre todos os fatos narrados nos anexos. Desde setembro passado, o caso está na PGR para providências.

CITADOS – Uma petição autônoma é uma investigação preliminar, mas, segundo a PGR, caso haja elementos suficientes, pode redundar em pedidos de quebra de sigilos, prisões e até na apresentação de denúncia. A Procuradoria não  informou quais medidas tomou no caso.Outros citados por recebimento de caixa dois são o presidente Michel Temer, o ministro Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Eunício Oliveira (MDB-CE) e José Serra (PSDB-SP), além dos ex-governadores tucanos Marconi Perillo (GO) e Beto Richa (PR). Eles negam ilicitudes.

Sobre a doação ilegal feita a Onyx em 2014, Saud contou ter usado como intermediário Antônio Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). Como chefe da Casa Civil, caberá a Onyx negociar com o Congresso. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, fez campanha defendendo a ética na política e o combate à corrupção.

Questionado sobre a situação de Onyx, o juiz Sergio Moro, futuro ministro da Justiça, disse ter admiração por ele pela defesa que o deputado fez, no Congresso, das medidas anticorrupção, e lembrou que o deputado pediu desculpas.

OUTRO LADO – Questionado pela Folha, o deputado Lorenzoni não respondeu especificamente sobre o suposto caixa dois delatado pela JBS na campanha de 2012. A assessoria do futuro ministro afirmou, em nota, que ele não recebeu da empresa, mas da Abiec, em 2014. “Os recursos foram usados na campanha de 2014 e o ministro só soube da origem quando os diretores da JBS falaram a respeito, pois ele havia recebido do presidente da Abiec, Camardelli, amigo de 30 anos.”  Naquele ano, ele se candidatou a deputado federal — está em seu quarto mandato seguido na Câmara.

A assessoria do deputado gaúcho ressaltou que, segundo a versão de Saud, os recursos eram para campanha, sem contrapartida. Acrescentou que não há inquérito em andamento contra Onyx. “Onyx Lorenzoni está fazendo uma devolução do dinheiro [de 2014] por meio de doações para entidades filantrópicas de assistência, educação e saúde, entre elas a Santa Casa de Porto Alegre. No total, já foram doados aproximadamente R$ 50 mil. Ao final, o ministro fará uma prestação de contas.”

Também por escrito, o presidente da Abiec disse ter “total interesse no esclarecimento dos fatos”. “Ao longo de toda a sua vida profissional, [Camardelli] pautou seu comportamento no respeito aos ditames legais e éticos, e jamais praticou qualquer comportamento indevido.”

CASOS ANTERIORES – Ao ser confrontado com acusação feita pela JBS, em maio de 2017, Onyx Lorenzoni admitiu na época que recebeu R$ 100 mil de caixa dois na eleição de 2014. Ele afirmou na ocasião que iria ao Ministério Público dizer que recebeu os valores e que assumiria a responsabilidade. Na Lava Jato, Onyx chegou a ser alvo de um inquérito aberto em decorrência da delação da Odebrecht, em 2017. Nesse caso, porém, o Ministério Público entendeu que não foram encontradas provas, e o procedimento foi arquivado neste ano.

A paz não é apenas um desejo, mas necessita da responsabilidade de todos

Imagem relacionadaMário Assis Causanilhas

No Carnaval de 1970, Dalva de Oliveira fazia um grande sucesso com a música “Bandeira Branca”, que dizia: “Bandeira branca, amor, / eu peço Paz, / pela saudade que me invade,/ eu peço Paz...”. Décadas depois, vez por outra vemos movimentos, sempre na mesmice de eleger um belo domingo de sol, mobilizar as elites intelectuais, políticas, mundanas, empresariais… ONG’s, artistas, todos vestidos de branco, na orla de Ipanema – Leblon ou no entorno da Lagoa, pedindo… paz!

Há pouco mais de 40 anos pedia-se paz por amor, hoje pedem paz por causa da violência. A exclusão e as desigualdades sociais e econômicas geraram ao longo do tempo um quadro grave de desintegração e decadência da sociedade brasileira.

GUETOS OU NAÇÕES? – Referimo-nos aos guetos que, coincidentemente, se acentuaram a partir da extinção do BNH (Banco Nacional da Habitação), que mal ou bem realizava projetos na área da habitação popular.

Esses guetos, caracterizados de favelas, se transformaram em micronações com códigos próprios. Seriam, assim, as cidades “informais”. Possuem valores sobre vida, cidadania e relações sociais muito distintos dos valores do Estado “formal”. Dessa forma, as transgressões às regras vigentes na cidade “formal” são normais e aceitas pelos moradores dos guetos.

Daí o incremento da crueldade na prática dos delitos e o desrespeito pela vida e patrimônio. Tendo sempre como pano de fundo o sentimento de impunidade que viceja em ambas as sociedades ou cidades : a “formal” e a “informal”.

DESEJO UNÂNIME – Observo que a paz é um desejo unânime. Das elites, dos despossuídos de Vigário Geral ou da Baixada, cujas manifestações se caracterizam pelas “barricadas” que interrompem o trânsito nas vias centrais e rodovias para reivindicar a paz na forma de segurança para as suas vidas. As manifestações das elites não interrompem o trânsito porque, antes, as autoridades já providenciaram.

Por paradoxal que possa parecer, a paz também é desejo dos presidiários e do chamado “crime organizado”. “Paz, Justiça e Liberdade”, clama o PCC ou o “Comando Vermelho”.

É desejo dos artistas globais que, em uníssono, proclamam: “Paz, a gente é que faz…”. Como?

AUTOESTIMA – Penso que para atingirmos um ambiente de paz precisamos fazer o resgate da autoestima do povo excluído, promover a inserção na economia formal da grande massa de marginalizados sociais e econômicos. Melhorar as condições de vida dessa massa, oferecendo reais perspectivas de ascensão social.

A exclusão e a desigualdade geram um caldo de cultura onde proliferam a violência, a degradação do meio ambiente e a perda da dignidade humana e dos valores éticos e morais de uma sociedade civilizada.

Para nós do Rio de Janeiro, a paz não significa apenas a sensação de um ar de segurança física e patrimonial.

ATO DE CIDADANIA – Paz é o fim dessa “guerra civil” não declarada, mas caracterizada pelos assaltos à mão armada, invasão de residências, balas perdidas, roubos e furtos de veículos, rebeliões nos presídios, chacinas, homicídios como uma das principais causa-mortis, menores abandonados nas ruas, tráfico, consumo de drogas, cracudos, mendigos, desordem urbana, fim dos mafuás montados nas ruas e calçadas, stress, violência no trânsito, assaltos nos coletivos, transporte “pirata”, eufemisticamente chamado de alternativo, desemprego, subemprego, miséria.

A paz é um desejo mas também uma responsabilidade de todos. É um ato de cidadania, como o voto.

O voto pode ajudar no restabelecimento das condições para uma sociedade civilizada. Quem reparte o pão, alimenta a paz.

Mãe de Geddel e Lúcio Vieira Lima será julgada pela Justiça Federal de Brasília

Dona Marluce guardava em seu closet os R$ 51 milhões

Mariana Oliveira
G1 / TV Globo

O ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira, dia 13,  que Marluce Vieira Lima, mãe do ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB-BA), seja julgada pela 10ª Vara Federal de Brasília. Marluce é ré no processo que apura a origem dos R$ 51 milhões encontrados em malas de dinheiro em um apartamento em Salvador (BA) .

Todos os réus no caso respondem desde maio deste ano pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa. Geddel está preso desde o ano passado no presídio da Papuda, em Brasília.
No fim de outubro os réus foram ao interrogatório, menos a mãe de Geddel. Ela seria ouvida na Bahia, mas não compareceu e apresentou atestado com necessidade de manter-se em repouso domiciliar por 30 dias. Geddel e o irmão dele, o deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA), foram, mas permaneceram em silêncio.

PROCESSO PARALISADO – Segundo Fachin, o fato de Marluce não ter sido ouvida paralisou o processo. “À luz desse cenário, constato que a marcha processual atualmente encontra óbice ao seu prosseguimento, inicialmente, em razão das condições de saúde da denunciada Marluce Vieira Lima, cujo quadro clínico certamente será objeto de reavaliação médica oportuna, não havendo garantias de que ao final do prazo de repouso estipulado no atestado acostado aos autos será possível a realização do seu interrogatório”, destacou o ministro.

Para Fachin, o “grau de indefinição” confronta a garantia constitucional da razoável duração do processo, ainda mais porque Geddel está preso. O ministro citou que a lei prevê a separação do processo desde que não haja prejuízo para os acusados. “Nessa ambiência, por não se encontrar a denunciada Marluce Vieira Lima investida em cargo detentor de foro por prerrogativa nesta Corte, o processo que se originará a partir de cópia destes autos deverá ser encaminhado à 10ª Vara Federal da Subseção Judiciária do Distrito Federal, perante a qual teve iniciada a sua tramitação”, afirmou.

PROPINAS – Na denúncia apresentada ao STF, a Procuradoria Geral da República (PGR) afirmou que os R$ 51 milhões têm como possíveis origens propinas da construtora Odebrecht; repasses do operador financeiro Lúcio Funaro; e desvios de políticos do MDB. 

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse que estatais como Petrobras, Furnas e Caixa Econômica Federal tiveram prejuízo de ao menos R$ 587,1 milhões. Só no banco, teriam sido desviados para propina R$ 170 milhões pela ingerência de Geddel, segundo a PGR. A Procuradoria também apura se uma parte dos R$ 51 milhões corresponde à parte dos salários de assessores que, segundo a PF, eram devolvidos aos irmãos Vieira Lima.

Uma bela canção de amor a Minas Gerais, composta por Paula Fernandes

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Paula Fernandes não perde a mineiridade

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

A arranjadora, cantora e compositora mineira Paula Fernandes de Souza retrata, peculiarmente, na letra da música “Seio de Minas”, seus sentimentos por sua terra natal. A música faz parte do CD Paula Fernandes – ao vivo gravado, em 2011, pela Universal Music Brasil.

SEIO DE MINAS
Paula Fernandes

Eu nasci no celeiro da arte
No berço mineiro
Sou do campo, da serra
Onde impera o minério de ferro
Eu carrego comigo no sangue um dom verdadeiro
De cantar melodias de Minas
No Brasil inteiro

Sou das Minas de ouro
Das montanhas Gerais
Eu sou filha dos montes
E das estradas reais
Meu caminho primeiro
Vem brotar dessa fonte
Sou do seio de Minas
Nesse estado um diamante