Partido de Bolsonaro criou candidata laranja para usar verba de R$ 400 mil

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Lourdes diz que não se lembra do que fez com os R$ 400 mil

Camila Mattoso, Ranier Bragon e Joana Suarez
Folha

​O grupo do atual presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), recém-eleito segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, criou uma candidata laranja em Pernambuco que recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição de 2018.

Maria de Lourdes Paixão, 68, que oficialmente concorreu a deputada federal e teve apenas 274 votos, foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, mais do que o próprio presidente Jair Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), essa com 1,079 milhão de votos.

DIAS ANTES… – O dinheiro do fundo partidário do PSL foi enviado pela direção nacional da sigla para a conta da candidata em 3 de outubro, quatro dias antes da eleição. Na época, o hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, era presidente interino da legenda e coordenador da campanha de Bolsonaro, com foco em discurso de ética e combate à corrupção.

No último dia 4, reportagem da Folha revelou que o ministro do Turismo de Bolsonaro e deputado federal mais votado em Minas, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), patrocinou um esquema de candidaturas laranjas que direcionou verbas do PSL para empresas ligadas ao seu gabinete na Câmara.

Após essa revelação, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou que esse caso deveria ser investigado.

SECRETÁRIA DO PSL – No caso de Lourdes Paixão, a prestação de contas dela, que é secretária administrativa do PSL de Pernambuco, estado de Bivar, sustenta que ela gastou 95% desses R$ 400 mil em uma gráfica para a impressão de 9 milhões de santinhos e cerca de 1,7 milhão de adesivos, tudo às vésperas do dia que os brasileiros foram às urnas, em 7 de outubro.

Cada um dos quatro panfleteiros que ela diz ter contratado teria, em tese, a missão de distribuir, só de santinhos, 750 mil unidades por dia –​ mais especificamente, sete panfletos por segundo, no caso de trabalharem 24 horas ininterruptas.

SEM EXPLICAÇÃO – A Folha visitou os endereços informados pela gráfica na nota fiscal e na Receita Federal e não encontrou sinais de que ela tenha funcionado nesses locais durante a eleição.

À reportagem Lourdes Paixão diz não se lembrar do nome do contador que aparece em sua prestação de contas, da gráfica que afirma ter contratado nem de quanto gastou ou o volume de material que encomendou. Também não soube explicar as razões de ter sido escolhida candidata e agraciada com a terceira maior fatia de verba pública do partido de Jair Bolsonaro.

“Recebi um valor expressivo do partido, mas acontece que quando eu vim a receber já era campanha final, entendeu, e não deu tempo para eu meu expandir”, diz Lourdes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Dependendo da explicação a ser dada pela gráfica, pode ficar comprovado o crime eleitoral do PSL, configurado como desvio dos recursos públicos. (C.N.)

Estadão afirma que filhos de Bolsonaro incentivam o boicote ao vice Mourão

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Mourão, o vice, não passa recibo e continua dando entrevistas

Julia Lindner e Tânia Monteiro
Estadão

A internação prolongada do presidente Jair Bolsonaro (PSL), aliada a resistências de sua família, e até mesmo de ministros com assento no Palácio do Planalto, que não deixam o general Hamilton Mourão, vice-presidente da República, assumir temporariamente o governo, tem provocado a paralisia de ações do Executivo.

Na prática, assuntos que precisam do aval de Bolsonaro estão suspensos, aguardando seu retorno às atividades para uma decisão final. Além de mandar segurar, “até segunda ordem”, nomeações e dispensas no segundo escalão em repartições federais, para conter brigas por cargos entre aliados – como mostrou ontem o jornal O Estado de S. Paulo -, Bolsonaro não bateu o martelo sobre a melhor proposta para a reforma da Previdência.

DIVERGÊNCIAS – O núcleo político do governo diverge da equipe econômica, por exemplo, em relação às regras de transição para o novo modelo de aposentadoria. Além disso, outro projeto que depende da alta de Bolsonaro para ter continuidade é a medida provisória do recadastramento de armas de fogo.

Segundo o ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF), que auxiliou o Planalto na preparação do decreto regulamentando a posse de armas, o governo só espera Bolsonaro voltar às suas funções para editar a medida. “Estamos aguardando o presidente sair do hospital para tratar disso”, disse Fraga.

O acordo sobre a cessão onerosa do excedente da Petrobrás é outra agenda que está em compasso de espera. Líderes do governo no Senado e no Congresso também não foram confirmados ainda porque precisam passar pelo crivo do presidente.

CIRURGIA – Bolsonaro completará 15 dias de internação na próxima segunda-feira. Ele se submeteu a uma cirurgia para reconstrução do trânsito intestinal no último dia 28. Ontem, segundo os médicos, o presidente retirou dreno e sonda, mas continua se recuperando de uma pneumonia. À época da cirurgia, Mourão chegou a assumir o comando do governo por 48 horas. Extrovertido, deu várias entrevistas, mas acabou desagradando a filhos de Bolsonaro, que aconselharam o pai a não prolongar a licença médica.

A expectativa inicial era de que o presidente deixasse o hospital na semana passada, mas, com as complicações ocorridas, como a pneumonia diagnosticada anteontem, ainda não há prazo definido para a alta. Aliados esperam que até o meio da próxima semana Bolsonaro volte a despachar no Planalto. A previsão dos médicos é de que ele fique hospitalizado de cinco dias a uma semana.

ÀS TERÇAS-FEIRAS – Mourão está isolado em seu gabinete e só às terças-feiras coordena a reunião do Conselho de Governo com ministros. O clima de indefinição no Planalto é alimentado pela falta de um canal direto permanente tanto do núcleo político quanto do grupo de militares com Bolsonaro.

Na semana passada, por exemplo, a reunião ministerial com Mourão terminou apenas com um balanço geral, sem decisões relevantes. O objetivo era debater o plano de cortar 21 mil cargos, comissões e funções gratificadas. A proposta faz parte do pacote de metas para os primeiros cem dias do governo, mas ainda não avançou.

Nos bastidores, a avaliação de filhos do presidente e até mesmo de alguns militares é a de que Mourão busca protagonismo desde o período de transição. Com isso, Bolsonaro teria sentido o seu espaço invadido. No Planalto, os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, também foram contrários à interinidade do general. O vice diz ser leal a Bolsonaro e fica muito aborrecido com o que chama de “intrigas”

NA ÚLTIMA HORA – De qualquer forma, o receio é tamanho que Bolsonaro optou por retomar o trabalho no hospital na sexta-feira, um dia após ser diagnosticado com pneumonia. Ele se reuniu com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e com o subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Jorge Oliveira.

A viagem dos dois para São Paulo foi decidida na última hora. Tudo porque o presidente ficou preocupado com notícias de que o governo estava paralisado e decidiu mostrar que está se recuperando. “Sem sonda, alimentado, em recuperação plena, necessária e sem distorções. Agora, despachando com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, e com o subchefe de Assuntos Jurídicos, Jorge Francisco de Oliveira. O Brasil não pode parar!”, escreveu Bolsonaro no Twitter.

Um ministro disse que Bolsonaro está sendo “poupado” de boa parte das atividades de governo, mas se queixa de “especulações” de que estaria desligado da função.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, o Estadão deixa claro que são os filhos de Bolsonaro que incentivam esse boicote ao vice-presidente, postura não tem nenhuma razão de ser. O fato concreto é que todos sabem que Bolsonaro não é nada sozinho, só foi eleito porque os militares, inclusive Mourão, apoiaram sua candidatura. Com filhos desse tipo, Bolsonaro nem precisa de inimigos. (C.N.)

A tragédia da escravidão, a bordo do “Navio Negreiro”, de Castro Alves

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Site Poemas & Canções

O baiano Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), considerado um dos mais brilhantes poetas românticos brasileiros, é chamado de “cantor dos escravos” pelo seu entusiasmo diante das grandes causas da liberdade e da justiça: a Independência na Bahia, a insurreição dos negros de Palmares, o papel da imprensa e, acima de tudo isso, a luta contra a escravidão.

Um dos poemas mais conhecido da literatura brasileira é “O Navio Negreiro – Tragédia no Mar”, concluído pelo poeta em São Paulo, em 1868. Quase vinte anos depois, portanto, da promulgação da Lei Eusébio de Queirós, que proibiu o tráfico de escravos, de 4 de setembro de 1850. A proibição, no entanto, não vingou de todo, o que levou Castro Alves a se empenhar na denúncia da miséria a que eram submetidos os africanos na cruel travessia oceânica. É preciso lembrar que, em média, menos da metade dos escravos embarcados nos navios negreiros completavam a viagem com vida.

O NAVIO NEGREIRO
Castro Alves

I
‘Stamos em pleno mar… Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm… cansam
Como turba de infantes inquieta.

‘Stamos em pleno mar… Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro…
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro…

‘Stamos em pleno mar… Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes…
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?…

‘Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas…

Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.

Bem feliz quem ali pode nest’hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento…
E no mar e no céu — a imensidade!

Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!

Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!

Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia…

Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!

Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.

II

Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.

Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!

Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!

O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!

Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu…
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! …

III

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais … inda mais… não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí… Que quadro d’amarguras!
É canto funeral! … Que tétricas figuras! …
Que cena infame e vil… Meu Deus! Meu Deus! Que horror!

IV

Era um sonho dantesco… o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros… estalar de açoite…
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar…

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente…
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais…
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos… o chicote estala.
E voam mais e mais…

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!…”

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais…

Qual um sonho dantesco as sombras voam!…
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!…

V

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura… se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?…
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa…
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!…

São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus…
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .

São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe… bem longe vêm…
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N’alma — lágrimas e fel…
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.

Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis…
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus …
… Adeus, ó choça do monte,
… Adeus, palmeiras da fonte!…
… Adeus, amores… adeus!…

Depois, o areal extenso…
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos… desertos só…
E a fome, o cansaço, a sede…
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p’ra não mais s’erguer!…
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.

Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d’amplidão!
Hoje… o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar…
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar…

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder…
Hoje… cúm’lo de maldade,
Nem são livres p’ra morrer…
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute… Irrisão!…

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro… ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!…
Ó mar, por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! …

VI

Existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!…
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa… chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! …

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança…
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!…

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! … Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!

Bolsonaro assina indulto, mas veta benefícios aos condenados por corrupção

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Decreto será publicado nesta segunda-feira

Deu em O Globo

O presidente Jair Bolsonaro assinou decreto de indulto para conceder liberdade a presos portadores de doenças graves, como revelou edição deste sábado de O Globo. O benefício de liberdade não será dado aos que forem condenados a crimes de corrupção, tráfico de drogas e crimes violentos.

O decreto será publicado no Diário Oficial na segunda-feira. Segundo documento divulgado pelo governo, o indulto irá conceder perdão da pena para presos que “por motivos posteriores à condenação, adquiriram deformidade ou doença grave incurável, de modo que o sofrimento impingido pela moléstia seja imensamente maior àquele provocado pela privação de liberdade”.

DIZ O DECRETO – Segundo o ato assinado pelo presidente, podem ser libertados os presos que tenham paraplegia, tetraplegia ou cegueira adquirida posteriormente à prática do delito ou dele consequente.

Da mesma forma, quem tenha doença grave, permanente, que, simultaneamente, imponha severa limitação de atividade e que exija cuidados contínuos que não possam ser prestados no estabelecimento penal. Ou doença grave, como câncer ou AIDS em estágio terminal.

Não podem ser indultados os condenados por crime hediondo, por crime cometido com grave violência contra pessoa, por crimes de tortura, organização criminosa e terrorismo, assim como estupro, assédio sexual, peculato, concussão, corrupção passiva e ativa, tráfico de influência e tráfico de drogas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro prometeu e cumpriu, ao conceder um indulto de caráter apenas humanitário. Como se aprende no escurinho do cinema, em filme de Mark Robson com Paulo Newman em grande forma, “criminosos não merecem prêmio”. (C.N.)

Instituto criado por Gilmar Mendes foi investigado pela Receita no ano passado

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Gilmar imita Lula e diz que também sofre “perseguição política”

Mônica Bergamo
Folha

O IDP (Instituto Brasiliense de Direito Privado), que tem entre seus sócios o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), foi objeto de diligência da Receita Federal no fim de 2018. Neste ano, o próprio magistrado e a mulher dele, Guiomar, passaram a ser investigados.

Quando as primeiras diligências na empresa começaram a ser feitas, o ministro orientou os gestores do instituto a fornecerem toda a documentação necessária à Receita.

ATAQUE – A abertura de averiguação contra a mulher dele, e em especial o vazamento da informação, no entanto, levaram Mendes a considerar que está sendo vítima de um ataque.

No ofício que encaminhou na sexta-feira (dia 8) ao presidente do Supremo, Dias Toffoli, o ministro explicitou a suspeita. Entre outras coisas, afirmou acreditar que há hoje no país “uma estratégia deliberada de ataque reputacional a alvos pré-determinados”.

FATOS - A notícia de que Mendes está sendo investigado repercutiu entre grupos e entidades de advogados. “Os órgãos de fiscalização do governo devem investigar fatos, e não pessoas. Quando investiga pessoas, eles não investigam: eles perseguem”, diz o criminalista Fábio Tofic Simantob, presidente do IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa).

O secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, determinou que a corregedoria apurasse os fatos. Segundo ele, a decisão foi ratificada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Qual é o problema do Gilmar Mendes? Se ele e a mulher não estão fazendo nada de errado, por que estranhar a fiscalização da Receita. Agora, Gilmar imita Lula e Flávio Bolsonaro, dizendo que também sofre “perseguição política”. É uma boa candidatura à Piada do Ano. Por fim, há um detalhe importante nesse artigo de Mônica Bergamo: se a Receita investigou o Instituto em 2018 e agora resolveu investigar o casal Mendes, é porque encontrou algo errado. Elementar. (C.N.)

No Brasil, o exercício do poder ainda é um prática sempre reservada às elites

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Charge do André Dahmer (Arquivo Google)

César Cavalcanti

É realmente lamentável que se tenha a triste percepção de que ainda paira um clima de ódio, de intolerância, de denúncias e de acusações de uns para os outros que pensam diferentemente, que se posicionam de uma outra forma e que estão politicamente do outro lado. Parece que a atmosfera eleitoral ainda continua vigorando, muito forte mesmo.

Aparenta existir agora a proibição de se opor, de pensar forma diversa, de se dizer diferente. O fato é que isso sempre houve, até porque seria inadmissível uma sociedade na qual imperasse o pensamento único, onde ninguém não questionasse nada, apenas abaixasse a cabeça e seguisse os passos da multidão.

CULTURA DA OPRESSÃO – Essa radicalização é arriscada. Quando estamos em ares perigosos de se respirar, é preciso cautela e muita atenção para que não se corra risco. Na atual realidade brasileira, a cultura da opressão tende sempre a cair sobre os ombros dos mais fracos, não pode ser mascarada em discursos que se disfarçam sob manto de direcionamento politicamente correto.

A questão que manifesta é simples – por que esse clima? O filósofo Michel Foucault, na “Microfísica do Poder, obra que investiga as nuances deste fenômeno sempre presente na humanidade, diz o seguinte:

“Onde há poder, ele se exerce. Ninguém é seu titular; e, no entanto, ele sempre se exerce em determinada direção, com uns de um lado e outros do outro; não se tem conhecimento quem o detém; porém se sabe quem não o possui”.

PODER NO BRASIL – Essa reflexão de Foucault ilumina a atual condição que se tem no Brasil. O poder percebido como fenômeno está para ser exercido em alguma direção, ou seja, sempre segue um rumo, percorre um caminho. E esse percurso é ladeado, uns se situam de determinado lado e outros dos outros, numa relação bipolar.

Talvez a impossibilidade de definição do possuidor do poder se deva à constante busca por tê-lo nas mãos, não apenas de um dos lados, mas certamente bem direcionado. A tradição é prova de que a trilha que o poder persegue é das elites, referendando e perpetuando os privilégios, fazendo crescer as desigualdades. Infelizmente, esta é a situação do poder no Brasil.

 

Cientistas brasileiros ficam sem perspectivas e procuram oportunidades no exterior

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Ilustração reproduzida do site “ceticismo.net”

Mário Assis Causanilhas

Recebi este artigo sobre “Oportunidades Perdidas”, em que o autor reforça a convicção de que existem incentivos à ciência no Brasil, mas eles não são aproveitados devido à falta de conhecimento dos responsáveis pela análise dos projetos apresentados. Acho que esses fatos precisam ser divulgados, para que haja providências destinadas a evitar a evasão de cientistas e pesquisadores de altíssimo nível, como é o caso.

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OPORTUNIDADES PERDIDAS
Wilson Vargas

Minha filha é bolsista da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo) e está desenvolvendo um projeto de pesquisa sobre abate humanitário de animais para consumo (peixes, aves, suínos, bovinos, ovinos etc.).

Esta instituição (FAPESP) tem um programa chamado PIPE (Programa de Incentivo à Pequena Empresa), que disponibiliza até R$ 1.200.000.00 para cada trabalho apresentado, pagando uma bolsa para cada pesquisador no valor de R$ 8.000,00, tendo este pesquisador a responsabilidade de apresentar em cada etapa do processo, um relatório, detalhando o andamento do trabalho, relatório este que é submetido aos técnicos da instituição para análise e aprovação da liberação da verba destinada à continuidade da experiência.

Um colega dela (minha filha), que é engenheiro, com doutorado em Harvard, inventou um método de eliminar as interferências das explosões solares nos satélites, principalmente os de comunicações, feito de valiosa grandeza para a ciência. O relatório parcial deste método foi apresentado à FAPESP, porém, por falta de técnicos especializados, ficou engavetado durante nove meses, sem que o gênio inventor recebesse a bolsa estabelecida.

OUTRAS TENTATIVAS – Vendo-se em dificuldade para sobreviver pela falta da bolsa, o inventor procurou o CTA (Centro Tecnológico da Aeronáutica, o Ministério da Defesa e outros órgãos governamentais para tocar em frente sua invenção, a qual demandava uma grande quantidade de verba para a finalização (algo em torno de um bilhão de reais), não encontrando apoio em nenhum destes órgãos.

Eis que repentinamente apareceu uma licitação da NASA, a procura desta tecnologia. Nosso engenheiro, rapidamente submeteu seu projeto à NASA, e já está de malas prontas, junto com toda a família, partindo para um belo emprego, onde certamente irá ganhar bem mais do que os R$ 8.000,00 que recebia.

Assim termina bem para o engenheiro brasileiro, verdadeiro gênio da raça, esta história que um país pobre e sem visão não pôde suportar.

P.S. – Especialistas de outras nações apresentaram projetos semelhantes e foram contratados pela NASA.

 

Bolsonaro anuncia general Jesus Corrêa como novo presidente do Incra

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Na teoria,, o general está subordinado à ministra da Agricultura

Por G1 — Brasília

O presidente Jair Bolsonaro anunciou neste sábado (9), por meio de rede social, a indicação do general do Exército Jesus Corrêa como o novo presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O Incra é responsável por executar a reforma agrária e o ordenamento fundiário nacional. Desde o início do governo Bolsonaro, o Incra passou a ser subordinado ao Ministério da Agricultura. Até então, o instituto estava dentro da estrutura da Casa Civil.

No início do ano, Bolsonaro transferiu para o Ministério da Agricultura a atribuição de identificar, delimitar e demarcar terras indígenas e quilombolas. Até então, a atribuição sobre as terras indígenas ficava com a Fundação Nacional do Índio (Funai), vinculada ao Ministério da Justiça; e sobre os quilombolas, com o Incra.

POLÊMICA – No começo do ano, o Incra se envolveu em uma polêmica depois de publicar memorandos que ordenavam a suspensão de todos processos de reforma agrária no país.

Os memorandos foram revogados por ordem do presidente Jair Bolsonaro. O responsável pelo Incra na época afirmou que os documentos haviam sido publicados sem anuência do presidente do instituto.

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nota da redação do blog
Em tradução simultânea, pode-se dizer que somente na teoria o Incra continua subordinado ao Ministério da Agricultura. Na verdade, o general Jesus Corrêa vai se reportar diretamente ao presidente e ao núcleo duro do Planalto – Augusto Heleno, Santos Cruz, Onyx Lorenzoni e Gustavo Bebianno. Antigamente, o vice Hamilton Mourão integrava o núcleo duro, mas agora ninguém sabe mais o que se passa nos bastidores do poder. (C.N.)

Vale manteve detonações na mina de Brumadinho mesmo após a auditoria vetar

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Confirmado: Vale sabia dos riscos, mas seguiu explorando a mina

Mateus Coutinho
O Globo

A Vale contrariou as recomendações da empresa alemã TÜV SÜD e manteve a utilização de detonações em minas próximas à região da barragem da Mina do Córrego do Feijão , que rompeu no último dia 25 de janeiro, acarretando a morte de ao menos 157 pessoas. O relatório de Revisão Periódica de Segurança de Barragem foi feito pelos engenheiros da TÜV SÜD em setembro do ano passado e atestou a segurança da barragem, mas também pediu que a empresa adotasse providências para garantir melhorias na segurança da estrutura.

Dentre as providências sugeridas estava a de não realizar detonações em áreas próximas à barragem:

RECOMENDAÇÕES – “De modo a aumentar a segurança da barragem quanto ao modo de falha liquefação, recomenda-se a adoção de medidas que diminuam a probabilidade de ocorrência de gatilhos.Desta forma, deve-se evitar a indução de vibrações, proibir detonações próximas, evitar o trafego de equipamentos pesados na barragem, impedir a elevação do nível de água no rejeito, não executar obras que retirem material dos pés dos taludes ou obras que causem sobrecarga no reservatório ou na barragem. Recomenda-se também instalação de registro sismológico no entorno da barragem”, diz o trecho do documento que agora está no centro das investigações sobre a causa da tragédia.

Em depoimento à PF no dia 31 de janeiro, o geólogo da Vale Cesar Augusto Paulino Grandchamp disse que “todas as minas assim comno a Minas do Feijão utilizam detonações na atividade de mineração”. Grandchamp foi um dos três funcionários da mineradora presos semana passada e que foram soltos nesta quinta-feira após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

DETONAÇÕES – A própria Vale admitiu, segundo revelou a Veja, que continuou a realizar detonações nas minas dos Córregos do Feijão e Jangada, que ficam no complexo minerário de Brumadinho. A mineradora afirmou que mantinha uma média de 26 explosões por mês somando as detonações nas duas minas.

A mina do Córrego do Feijão fica a cerca de 1,5  km da barragem que rompeu. Já a mina de Jangada fica a cerca de 5 km. A Polícia Federal e o Ministério Público ainda estão analisando quais foram as causas da tragédia e não chegaram a uma conclusão.

A Revisão Periódica de Segurança de Barragem é um estudo que faz parte dos requisitos estabelecidos pelo governo federal para monitorar a situação das barragens e identificar as medidas que precisam ser adotadas para garantir a segurança delas. No caso da barragem que rompeu em Brumadinho, a Vale contratou a empresa alemã para realizar o estudo atestando a segurança da estrutura.

PRESSÕES – Um deles, chamado Makoto Namba, relatou em depoimento à Polícia Federal que sofreu pressão de funcionários da Vale para que o laudo fosse aprovado. Em uma reunião com a equipe da mineradora sobre o laudo de estabilidade assinado por ele, o engenheiro relatou ter ouvido de um funcionário da Vale chamado Alexandre Campanha: “A TÜV SÜD vai assinar ou não a declaração de estabilidade?”. Na ocasião, Namba disse que assinaria o documento se a mineradora se comprometesse com as melhorias.

 “Apesar de ter dado esta resposta para Alexandre Campanha, o declarante sentiu a frase proferida pelo mesmo e descrita neste termo como uma maneira de pressionar o declarante e a TÜV SÜD a assinar a declaração de condição de estabilidade sob o risco de perderem o contrato”, seguiu o engenheiro no depoimento.

Ainda segundo Namba, a TUV SUD realizou estudos de revisões periódicas em 31 barragens de rejeitos minerários da Vale, e a de Brumadinho foi a que apresentou os riscos mais altos de rompimento. O engenheiro também foi solto nesta quinta-feira após determinação do STJ

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mais impressionante é que o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, afirmou repetidas vezes que a mina estava desativada desde 2015. Agora se sabe que apenas a barragem estava desativada, a minha continuava em funcionamento. Dizem que o Ministério Público vai pedir a prisão dele. Será mesmo? (C.N.)

Francisco Bendl, com problemas renais, está hospitalizado em Porto Alegre

Carlos Newton

Todos estranharam a ausência do Francisco Bendl, porque há alguns dias nosso comentarista-mor está sem poder se comunicar conosco. Seu filho Alexandre nos relata que o Bendl está com problemas renais e teve de ser internado. Daqui, desejamos votos de pronta recuperação e estamos aguardando a volta dele, para agitar os debates da TI.

Ministério Público vai pedir a prisão do presidente da Vale, diz a revista IstoÉ

Fábio Schvartsman não quis cumprir as exigências da auditoria

Deu no Infomoney

De acordo com duas fontes ouvidas pela revista IstoÉ, o Ministério Público de Minas Gerais já teria pronto o pedido de prisão contra o presidente da Vale, Fabio Schvartsman. Logo após a notícia, por volta das 17h45, os papéis da Vale, que chegaram a subir 4,81% na reta final do pregão, amenizaram os ganhos, mas ainda fecharam em forte alta. As ações da mineradora encerraram a sexta-feira com valorização de 3,77%, a R$ 43,16.

O pedido de prisão de Schvartsman ocorre por conta do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte. Schvartsman é CEO (Chief Executive Officer) da Vale desde 2017 e, em dezembro do ano passado, renovou o seu mandato à frente da mineradora por mais dois anos.

BUSCAS CONTINUAM – O último balanço da Defesa Civil de Minas Gerais informou que foi para 157 o número de mortes em consequência do rompimento da barragem em Brumadinho, ocorrido no último 25 de janeiro. Deste total, foram identificadas 134 vítimas. As equipes ainda buscam 182 desparecidos. Segundo a Defesa Civil, entre os não localizados, 55 são da equipe da Vale, proprietária da mina, e os demais (127) são moradores e turistas que estavam nos arredores da barragem rompida.

Cabe ressaltar que, em reportagem publicada nesta sexta-feira, o Valor Econômico informa que a possibilidade de punição de executivos da Vale aumentou, sendo ainda mais agravada após o desastre em Brumadinho (MG), devido ao maior rigor de juízes após os escândalos do mensalão e da Petrobras.

PROVAS MATERIAIS – Se houver prova de que a empresa sabia do risco de desabamento da barragem e não tomou providências, a acusação pode ser por homicídio doloso (com intenção), culposo (sem intenção) ou com dolo eventual (sem intenção, mas consciente dos riscos). Há, ainda, chance de enquadramento na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98), que prevê detenção de três meses a um ano em casos de omissão.

Nesta sexta de madrugada, a Vale retirou cerca de 500 moradores de Barão de Cocais (MG), a 100 quilômetros de Belo Horizonte por causa da Barragem Sul Superior da Mina de Gongo Seco. A prefeitura de Barão de Cocais informou, em nota, que foi acionado o nível 2 de risco da barragem.

A decisão foi tomada diante de observações e monitoramentos feitos pela Agência Nacional de Mineração, a Defesa Civil do estado e do município e pela empresa Vale.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As provas já existem e são abundantes. Os depoimentos dos três engenheiros mostram que a auditoria proibiu detonações nas minas do Córrego do Feijão e do Jangada, mas a empresa não seguiu as recomendações e fazia praticamente uma explosão por dia. Há muitas outras provas, como os e-mails trocados e os registros dos sensores que monitoravam a barragem. Como disse a mulher do ministro da Justiça, a advogada Rosângela Moro, é preciso prender logo os responsáveis. (C.N.)

Receita apura se houve ato ilícito de auditores que denunciaram Gilmar e a mulher

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Esta é a modesta sede do instituto fundado por Gilmar Mendes

Luiz Felipe Barbiéri
G1 — Brasília

O secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, mandou nesta sexta-feira (8) a corregedoria do órgão apurar supostos atos ilícitos cometidos por auditores em razão de uma proposta de investigação fiscal do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e da mulher dele, Guiomar Feitosa Mendes.

A determinação atende a pedido do presidente do STF, Dias Toffoli, a quem Gilmar Mendes enviou ofício ao presidente do tribunal solicitando “providências urgentes” ao tomar conhecimento pela imprensa de um documento da Receita que propõe a abertura de “fiscalização” sobre ele e a mulher.

DEVIDA APURAÇÃO – “O secretário determinou, imediatamente, que a Corregedoria da Receita Federal inicie a devida apuração dos mesmos. A decisão tomada pelo secretário especial da Receita Federal foi ratificada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes”, diz comunicado divulgado pela assessoria de imprensa do Ministério da Economia, ao qual a Receita Federal é subordinada.

A existência do documento foi revelada em reportagem publicada no site da revista “Veja” na manhã desta sexta. O G1 teve acesso ao documento.

O texto informa que, segundo o documento da Receita – uma “Análise de Interesse Fiscal” –, a Equipe Especial de Fraudes do órgão aponta indícios da prática dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência do ministro e da mulher dele.

QUESTÃO CRIMINAL – Para o ministro, a apuração tem “nítido viés de investigação criminal” e não é de competência dos servidores da Receita. Gilmar Mendes diz no ofício que não recebeu intimação até o momento e que os documentos vazados à imprensa não trazem fatos concretos.

“O que causa enorme estranhamento e merece pronto repúdio é o abuso de poder por agentes públicos para fins escusos, concretizado por meio de uma estratégia deliberada de ataque reputacional a alvos pré-determinados”, escreveu o ministro no ofício encaminhado ao presidente do STF.

Diante da manifestação de Gilmar Mendes, Toffoli então solicitou providências à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao secretário da Receita, Marcos Cintra.

APOIO AOS AUDITORES – Em nota divulgada nesta sexta, a Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) afirmou que a apuração do caso de Gilmar Mendes “não pode servir para impedir prosseguimento do trabalho da Receita Federal”.

De acordo com a entidade, eventual quebra de sigilo fiscal do ministro “deve ser rigorosamente apurada e punida, assegurando-se a ampla defesa e o contraditório aos acusados”.

Mas, para a Unafisco, “nada há de ilegal ou anormal na existência de investigação” na vida fiscal de Gilmar Mendes. Por isso, segundo a entidade, “não há qualquer justificativa, moral ou legal, portanto, para qualquer nível de indignação do referido Ministro do STF ou de qualquer outra autoridade pública quanto à existência da investigação de sua vida fiscal”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quem não deve não teme, diz o ditado que Gilmar Mendes desconhece. Suas relações com o Poder são vexaminosas. Eventos de seu Instituto são bancados pela Itaipu Binacional, onde Gilmar conseguiu empregar a primeira mulher, Samantha Ribeiro Meyer, no cargo de Conselheira de Administração. Ora, ministro do Supremo não pode ser empresário. Em Brasília, até os postes sabem que Gilmar é o dono do Instituto Brasiliense de Direito Público, codinome de uma faculdade de Direito que promove eventos nacionais e internacionais com recursos públicos. Age assim, afrontosamente, e não quer ser investigado… (C.N.)

A inspiração na fonte da saudade, numa canção de Nelson Angelo e Cacaso

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O professor, poeta e letrista mineiro Antônio Carlos de Brito (1944-1987), conhecido como Cacaso, pergunta à fonte da saudade onde estará sua amada. A música faz parte do CD Mar Mineiro lançado por Nelson Angelo, em 2002, pela Lua Discos.

A FONTE
Nelson Angelo e Cacaso

Fonte da saudade
Toda essa água tão limpinha
Toda canção que ninguém fez
Coisa sem porquê e sem destino
Não avisa quando vem
Quando vai…
Passou a vida inteira
A fonte não secou
Pra que lugar, me diga
Foi o meu amor, ah!
Passou a noite inteira
Essa noite serenou
O meu bem dormiu comigo
E a gente acordou
Fonte da saudade
Onde deságua tão limpinha
Toda canção
Que ninguém fez
Coisa sem porquê e sem destino
Não avisa quando vem
Quando vai
Deságua…

Para se reunir com Bolsonaro, ministro e assessor usaram máscaras cirúrgicas

bolsonaro reuniao ministro

Os visitantes usam máscaras cirúrgicas, mas Bolsonaro não usa

Mateus Fagundes e Lu Aiko Otta
Estadão

O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, afirmou em coletiva de imprensa nesta sexta-feira, 8, que as visitas ao presidente Jair Bolsonaro “estão restritas, mas não proibidas”. Ele admitiu ainda que ministros venham a encontrá-lo nos próximos dias, mas que não há agenda prevista para este fim de semana.

A declaração foi feita em resposta ao questionamento do motivo pelo qual a primeira visita de ministro a Bolsonaro foi feita nesta sexta-feira pelo titular da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, acompanhado do subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil, Jorge Oliveira. “Foi uma questão de oportunidade”, disse o porta-voz.

AVIAÇÃO CIVIL – Bolsonaro e Tarcísio discutiram o programa nacional de segurança da aviação civil contra atos de interferência ilícita. “Eles vão conversar para posterior promulgação de nova legislação”, afirmou Rêgo Barros.

Em toda a coletiva, o porta-voz manteve o tom otimista em relação ao estado de saúde de Bolsonaro. “Por ele, receberia alta hoje mesmo”, disse, sorrindo. “Estou convencido que os médicos só liberarão o presidente quando ele tiver capacidade de sair do hospital pela porta da frente.”

BEM-HUMORADO – Ao Estadão, o ministro Tarcísio Gomes de Freitas afirmou que Bolsonaro está bem-humorado e acompanhando de perto os temas do governo.

Tarcísio foi tratar de uma norma para inspecionar quem trabalha nos aeroportos brasileiros. Mas, segundo relatou, Bolsonaro despachou vários outros assuntos.

“Passou recomendações e diretrizes. Está acompanhando tudo. Saí, além de otimista, impressionado. Ele tem um vigor físico impressionante”, informou o ministro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É estarrecedor que os médicos permitam que Bolsonaro, com baixa imunidade devido à deficiência alimentar, receba visitantes para tratar de assunto sem a devida importância, apenas para fingir estar exercendo a Presidência. Os médicos do Einstein demonstram não ter a menor autoridade sobre o paciente. (C.N.)

Luiz Antônio Bonat substitui Moro como novo juiz da Lava Jato em Curitiba

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Bonat é experiente e especializado em processos criminais

José Carlos Werneck

Como se esperava, o juiz federal Luiz Antônio Bonat, de Curitiba, é o novo responsável pelos processos da Lava Jato na 13a Vara da capital paranaense. Seu nome foi indicado por unanimidade nesta sexta-feira, em sessão no Tribunal Regional Federal da 4a Região, em Porto Alegre. Ele tem 64 anos, desde 1993 exerce o cargo de juiz federal e agora será é o novo responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, em Curitiba.

O magistrado ocupará a vaga deixada por Sérgio Moro, que assumiu o Ministério da Justiça, no governo Bolsonaro. O anúncio de seu nome já era esperado, porque o critério para a escolha é o tempo de serviço. Vinte e cinco juízes inscreveram-se para concorrer à vaga, e Luiz Antônio Bonat era o mais antigo.

TRAMITAÇÃO – A nomeação do novo titular, agora, será encaminhada à Corregedoria Regional da Justiça Federal da 4ª Região, que determinará a data da entrada em exercício e a publicação do ato de remoção do ex-juiz, Sérgio Moro, no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 4a Região.

Bonat já exerceu o cargo na 1ª Vara de Foz do Iguaçu , na 3ª Vara Federal de Curitiba, na 1ª Vara Federal de Criciúma, em Santa Catarina e, recentemente, ocupava a 21ª Vara Federal de Curitiba, especializada em casos referentes à área previdenciária.

“Será sempre respeitado o princípio da publicidade dos atos processuais, que é uma garantia fundamental de Justiça, ressalvando-se, claro, as questões que demandem sigilo”, ressaltou o indicado.

ESPECIALISTA – Ao longo de sua carreira, Bonat julgou muitos processos que tratavam de matéria criminal e declarou: “Isso despertou meu interesse no assunto e foi fundamental na decisão de me candidatar a ocupar a vaga aberta pela exoneração da magistratura do atual ministro Sérgio Moro”.

A juíza Gabriela Hardt, que atuava como substituta na 13ª Vara de Curitiba, deixa o cargo pois como substituta e não pode assumir em definitivo. Ela foi a responsável pela sentença do processo que tratava do sítio de Atibaia, na última quarta-feira e a pena imposta por ela a Lula foi de 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente tem um outro processo ainda sem condenação, referente à ação que trata da propriedade de um novo terreno do Instituto Lula e de um apartamento vizinho ao de Lula, localizado na cidade paulista de São Bernardo do Campo. O juiz Bonat será o responsável por esse processo.

Em Nova York, o chanceler brasileiro é questionado sobre abertura comercial

Chanceler brasileiro, Ernesto Araújo

O chanceler brasileiro está descobrindo que “promessa é dívida”

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

A passagem do chanceler brasileiro Ernesto Araújo pelos Estados Unidos, destinada a abrir caminho para a visita do presidente Jair Bolsonaro ao americano Donald Trump, incluiu conversas não só com autoridades americanas, mas também com o setor privado. Parte da agenda do ministro incluiu jantares e encontros organizados por “think tanks” (consultores) e empresários, em Washington e em Nova York, nos quais Araújo apresentou as perspectivas do governo e ouviu as demandas do setor empresarial

Os encontros não contaram com a participação da imprensa, mas fontes presentes reuniões relataram ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’ o que é o maior interesse do setor privado americano: como e quando um processo de abertura comercial do Brasil irá tomar corpo.

INTERLOCUTOR – Araújo foi o primeiro integrante do alto escalão do governo a pisar nos EUA para falar pelo governo Bolsonaro, depois da posse presidencial em 1.º de janeiro. Representantes de empresas multinacionais do setor de alimentos, bebidas, automotivo, petrolífero e de higiene foram alguns dos que compareceram a encontros com o ministro e o questionaram sobre os próximos passos do governo.

Entre perguntas levantadas ao ministro estão a possibilidade de acordos que prevejam proteção ao investimento e também a liberalização de barreiras regulatórias no País. Araújo disse aos presentes, segundo fontes, que o Brasil está aberto aos negócios e disse saber que o País deu “tiros no pé” na questão da agenda regulatória, mas prometeu que daqui para a frente a ideia é simplificar. Para disso, disse que o setor privado ajudará a apontar os problemas atuais.

INTERESSES COMUNS – Questionado sobre a relação entre Brasil e EUA, o ministro destacou que há uma oportunidade de aproximação em que, pela primeira vez em muito tempo, há interesses e valores comuns dos dois lados. Ele comemorou, por exemplo, que o assessor de Segurança Nacional, John Bolton, tenha usado o Twitter para destacar a “aliança” mais forte do que nunca com o Brasil após se encontrar com o brasileiro.

Segundo o chanceler, o termo “aliança” é mais interessante e forte do que uma menção a “parceria”. Segundo ele, há o mesmo comprometimento entre os dois países sobre o estreitamento das relações.

O ministro também foi questionado sobre a posição do País na Organização Mundial do Comércio, frente à posição assumida em Davos de apoio à reforma da organização.

EUA E CHINA – Conhecido entusiasta do presidente americano Donald Trump, Araújo foi questionado também sobre como o Brasil vai se posicionar em meio à guerra comercial entre EUA e China. A disputa, na visão do ministro, poderá criar oportunidades para o Brasil tentar mudar o que classificou como hiperdependência da China. Segundo ele, é preciso diversificar a parceria.

Sobre as questões domésticas, uma em especial é o tema onipresente: a reforma da previdência. Ao falar sobre o Brasil a empresários, Araújo não se limitou aos temas econômicos. Fontes presentes afirmaram que o chanceler sustentou que o novo governo tem um forte comprometimento com valores conservadores, com lei e ordem e com valores da família, além do liberalismo econômico.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Valores conservadores, com lei e ordem e com valores da família, além do liberalismo econômico, nada disso interessa aos empresários americanos. Eles só se preocupam com o tal do “Money”. O resto é folclore, (C.N.)

Geólogo da Vale recebeu e-mail sobre as alterações na barragem, 15 dias antes

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Depoimento comprova que as mortes poderiam ter sido evitadas

Mateus Coutinho e Bela Megale
O Globo

O geólogo Cesar Augusto Paulino Grandchamp, da Vale, admitiu em depoimento à Polícia Federal (PF) que recebeu no dia 10 de janeiro um e-mail constatando anormalidade na leitura de um dos piezômetros, equipamento que mede a pressão nas barragens de rejeitos, da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho. O rompimento da estrutura, 15 dias depois, causou a morte de ao menos 157 pessoas. De acordo com o geólogo, não é “normal” que até o dia 25 de janeiro, quando ocorreu a tragédia, nenhuma providência tenha sido adotada pela mineradora.

“Que recebeu a leitura de um piezômetro que estava com anormalidade do dia 10/01/2019, em sua caixa de e-mails, sendo que a mensagem dava conta de que estavam analisando qual era o problema; que não é normal que uma leitura dessa, feita no dia 10, chegue ao dia 25 sem que alguma avaliação e providência efetiva seja adotada”, diz a transcrição do depoimento.

UM DOS PRESOS – Grandchamp foi um dos três funcionários da Vale presos na semana passada no âmbito da investigação que apura os culpados pelo rompimento da barragens de Brumadinho. Ele foi solto nesta quinta-feira, dois dias após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A PF já identificou trocas de e-mails entre funcionários da Vale e da empresa TÜV SÜD (que emitiu o laudo atestando a segurança da estrutura) que mostram que a mineradora já havia constatado as irregularidades dias antes do incidente.

O geólogo foi o primeiro funcionário da Vale a confirmar que recebeu e-mail informando sobre anormalidade nas medições da barragem. Ele disse ainda que não era o responsável pela área e nem tinha conhecimento técnico para conduzir o assunto, mas que os dados dos medidores foram encaminhados à Gerência de Geotecnia da Vale.

CONSULTOR – O e-mail do dia 10, de acordo com Grandchamp, teria sido o primeiro enviado automaticamente pelo piezômetro e por isso ele também recebeu a mensagem. O geólogo também explicou que atua sob demanda na empresa, como uma “espécie de consultor”, que pode ser acionado para fiscalizar até 42 barragens da Vale.

O geólogo relatou que, em junho de 2018, seis meses antes do rompimento da barragem, houve um incidente na drenagem da barragem que poderia provocar uma erosão. Segundo Grandchamp, na ocasião foram tomadas providências necessárias, e pouco tempo depois os medidores voltaram a mostrar níveis de pressão normais, o que levou a equipe a descartar a necessidade de evacuar a área. O geólogo também deixou claro que os superiores da mineradora tomaram conhecimento do episódio.

COMUNICAÇÕES – “Os fatos ocorridos em junho de 2018 foram reportados pelo declarante a Joaquim Toledo (gerente-executivo do Corredor Sudeste) que, por sua vez, reportou ao Diretor do Corredor Sudeste, Silmar Magalhães; que Silmar é subordinado ao diretor-executivo Peter Poppinga, o qual é subordinado ao Presidente da Vale S/A”, disse no depoimento.

Como o Globo revelou, Poppinga é um dos réus acusados de homicídio no caso do desabamento da barragem da Mina do Fundão, da Samarco, em Mariana, e participou de uma das reuniões de executivos da cúpula da Vale (uma das acionistas da Samarco) com o governo federal sobre Brumadinho.

Ainda de acordo com Grandchamp, depois do incidente em junho do ano passado foi criada uma “comissão de avaliação de incidentes informal” formada por técnicos da Vale e da TÜV SÜD, além de outros dois consultores externos. Após algumas discussões, o grupo teria entendido ser necessário utilizar uma técnica para aprimorar a segurança na barragem para a colocação de drenos que vinha sendo realizada pela Vale no local.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Em tradução simultânea, pode-se dizer que é surpreendente a irresponsabilidade da Vale em relação aos moradores de Brumadinho e aos seus próprios empregados. Com diretores que ganham mais de R$ 1 milhão por mês, como se acreditar que algum deles seja preso aqui na Filial Brasil? Se fosse na Matriz EUA, os dirigentes responsáveis  já teriam sido algemados diante das câmaras de TV. (C.N.)

 

Dança das cadeiras faz 12 senadores trocarem de partido na nova legislatura

Jorge Kajuru

O jornalista esportivo Kajuru saiu do PRP e voltou para o PSB

Renan Truffi, Matheus Lara e Paulo Beraldo
Estadão

Mesmo após uma eleição marcada pelo discurso de novas práticas políticas, 12 senadores já trocaram de partido desde outubro do ano passado. O troca-troca partidário mudou a dinâmica de forças entre as bancadas da Casa, diminuindo a importância de siglas tradicionais, como o PSDB, e colocando em destaque novos grupos partidários, a exemplo do Podemos e do PSD.

A forte renovação obtida em 2018 – apenas 8 dos 54 senadores foram reeleitos – não evitou que uma parcela significativa desses parlamentares protagonizasse ‘traições’ partidárias ou acordos envolvendo 12 partidos.

DE COLLOR A KAJURU – A dança das cadeiras envolve tanto figuras tradicionais, como o ex-presidente Fernando Collor (AL), como os estreantes Jorge Kajuru (GO) e o Capitão Styvenson (RN). Com as mudanças, cinco siglas foram “expulsas” do Senado: PTC, PRP, PHS, PTB e Solidariedade. Todas saíram das urnas com pelo menos um senador, mas começaram o ano legislativo esvaziadas.

O PTB, partido do ex-deputado Roberto Jefferson, conhecido pelo envolvimento no caso do “mensalão”, é o mais prejudicado. A legenda elegeu dois novos senadores em outubro e, como já tinha um parlamentar em meio de mandato, terminou 2018 projetando uma bancada de três parlamentares, o que lhe garantiria uma estrutura de liderança partidária – com gabinete próprio e cargos em comissão. Nesses 90 dias, porém, a sigla perdeu seus três senadores, sendo dois deles para o PSD, e perdeu representação na Casa. O Broadcast Político apurou que Roberto Jefferson, irritado, tentou reverter as saídas, mas não conseguiu.

PSD E PODEMOS – Na outra ponta está o PSD, de Gilberto Kassab. O ex-ministro articulou a ampliação da bancada durante o recesso e conseguiu atrair três nomes, elevando de sete para dez o número de senadores filiados ao partido que criou. Os novatos na legenda são Nelsinho Trad (MS) e Lucas Barreto (AP), ambos originários do PTB, além do Carlos Viana (MG), do PHS. Em compensação, a sigla perdeu o senador Lasier Martins (RS) para o Podemos. Ainda assim, o PSD ultrapassou o PSDB em tamanho e força. Os tucanos não conseguiram seduzir nenhum novo senador e permaneceram com uma bancada de oito parlamentares, contra nove do PSD.

A ofensiva de Kassab serviu para que o partido pudesse requisitar mais espaço no Senado, devido à regra da proporcionalidade. Nas negociações, a sigla conseguiu garantir a primeira-secretaria do Senado, além da presidência de uma das mais importantes comissões, a de Assuntos Econômicos (CAE).

O Podemos, partido do senador Álvaro Dias (PR), também se fortaleceu. A sigla filiou, além de Lasier Martins, o senador Eduardo Girão (CE), que era do PROS, e o Capitão Styvenson (RN), ex-Rede. Com isso, a legenda subiu de cinco parlamentares, após as eleições, para oito nomes agora. O crescimento fez com que Álvaro Dias garantisse a indicação para a segunda vice-presidência do Senado, um dos cargos mais importantes da Mesa Diretora.

REDE EM BAIXA – O assédio dos partidos sobre os eleitos foi tanto que houve quem atuasse para evitar uma debandada. A articulação de Álvaro Dias representou um duro golpe, por exemplo, para a Rede, partido de Marina Silva. A saída de Styvensson foi a segunda baixa na sigla, que já havia perdido o Delegado Alessandro Vieira (SE) para o PPS. As mudanças enxugaram a bancada da legenda, que deixou de ter cinco senadores, como definido pelas urnas em outubro, para reunir apenas três parlamentares.

Um dos principais aliados de Marina, o senador Randolfe Rodrigues atuou para evitar que a debandada fosse maior. Se perdesse três senadores, a Rede não teria direito, por exemplo, a uma estrutura de liderança na Casa. A chamada cláusula de barreira, válida para a eleição da Câmara dos Deputados, explica as mudanças. Como o partido não alcançou o número mínimo de cadeiras exigido pela legislação eleitoral, perdeu o direito de ter acesso a fundos públicos com verbas para financiar as atividades partidárias e eleitorais.