No último dia de Casa Branca, Trump está isolado, furioso e escolhendo a quem perdoar…

Assim é a vida do presidente Trump: vive sozinho, é viciado em televisão e não lê livros | Internacional | EL PAÍS Brasil

Um final melancólico para o presidente que roubava atenções

Steve Holland, Jeff Mason, Matt Spetalnick e Andrea Shalal
Reuters/O Globo

Os últimos dias de Donald Trump na Casa Branca têm sido marcados por raiva e turbulência, segundo mais de 12 funcionários ouvidos. Assessores do presidente o descrevem como cada vez mais iracundo, inquieto e isolado. Um deles disse estar fazendo “o melhor que pode para manter tudo sob controle até que Biden assuma o poder”.

Trump assistiu na última quarta a parte do debate sobre o seu segundo processo de impeachment na TV e ficou irritado com os 10 deputados republicanos que votaram contra ele.

TRAIÇÃO REPUBLICANA – Pouco antes, ele passara por uma ruptura com seu vice-presidente, Mike Pence, pela saída de auxiliares do primeiro escalão, por um número pequeno, mas crescente, de parlamentares republicanos virando-lhe as costas, pelo banimento no Twitter e em outras redes sociais, e por uma série de corporações se recusando a fazer negócios com sua empresa.

Trump dedica muito tempo a desabafar com auxiliares e confidentes, mas também a uma questão prática: como aplicar seu poder de conceder perdões antes do fim de seu mandato. A maior dúvida é se ele concederá um perdão sem precedentes a si mesmo e a seus parentes antes de deixar o cargo.

As chances de Trump fazer tal movimento, inédito e de legalidade duvidosa, podem ter se multiplicado depois do discurso de 6 de janeiro, no qual ele incitou seus apoiadores a “lutarem” por ele.

VIU TUDO PELA TV – O presidente, disseram assessores, pretendia marchar até o Capitólio, mas foi dissuadido pelo Serviço Secreto, que afirmou que não teria como garantir a sua segurança. Enquanto seus seguidores seguiam para o Congresso, Trump voltou para a Casa Branca, onde assistiu à invasão pela TV bastante agitado.

Nas semanas anteriores, ninguém o convencera a reconhecer a derrota. Seus conselheiros achavam que Trump poderia se tornar uma força majoritária no Partido Republicano nos próximos anos, formando uma dinastia e, possivelmente, retornando ele próprio em 2024. Seu futuro político agora pode estar em perigo, e seu humor só piorou desde então.

Irritou-o particularmente a decisão do Twitter de suspender permanentemente sua conta. Conforme tentava, sem sucesso, voltar para o site, seu genro e conselheiro, Jared Kushner, ajudou a impedir uma tentativa de outros assessores de inscrevê-lo em sites de mídia social de extrema direita, acreditando que não eram o melhor veículo para o presidente.

PENCE, O EX-AMIGO – Os atuais e ex-funcionários da Casa Branca dizem que ficaram horrorizados com a forma como Trump tratou seu Mike Pence, que sempre lhe foi leal. Eles ficaram magoados com as críticas do presidente e a insistência falsa de que o vice-presidente poderia intervir para anular os resultados do Colégio Eleitoral.

Na última segunda-feira, os dois se encontraram sozinhos no Salão Oval, provavelmente após esforços da filha Ivanka Trump e seu marido Kushner. No dia seguinte, Pence disse à presidente democrata da Câmara, Nancy Pelosi, que não aplicaria a 25ª Emenda da Constituição dos EUA, para destituir o presidente por incapacidade.

ALVOS DA JUSTIÇA – As decisões sobre uma rodada final de perdões presidenciais devem ocupar grande parte dos poucos dias restantes de Trump no cargo.

Nas últimas semanas, ele perdoou aliados condenados na investigação sobre e intromissão russa na eleição de 2016, agentes de segurança privada condenados por matar civis iraquianos e o pai de Kushner, Charles, um incorporador imobiliário condenado a dois anos de prisão após se declarar culpado em 2004 por sonegação fiscal e outros crimes.

Trump e sua família podem se tornar eles mesmos alvos de investigações jurídicas, incluindo em Nova York, ligadas a impostos e negócios. Um funcionário da Casa Branca sugeriu que o ato final de Trump como presidente poderia ser um perdão preventivo para membros da família e para ele mesmo.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Perdoar a si mesmo será a gota d’água para a desmoralização total e absoluta. E ele merece isso. (C.N.)

Mourão diz que “Forças Armadas não estão comprometidas com nenhum projeto ideológico”

Mourão, mais uma vez, minimiza as declarações estapafúrdias de Bolsonaro

Pedro Henrique Gomes
G1

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta terça-feira, dia 19, que a democracia fica comprometida se as Forças Armadas forem “indisciplinadas” ou comprometidas com “projetos ideológicos”. Mourão foi questionado por jornalistas, na chegada ao Palácio do Planalto, sobre a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que “quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura são as suas Forças Armadas”.

“O presidente já tocou neste assunto várias vezes. É óbvio que se você tiver Forças Armadas indisciplinadas ou comprometidas com projetos ideológicos, a democracia fica comprometida, né? Não é o caso aqui no Brasil, obviamente. Mas nós temos nosso vizinho aí, a Venezuela, que vive uma situação dessas aí”, afirmou Mourão.

DISCIPLINA – O vice-presidente afirmou que as Forças Armadas no Brasil são disciplinadas e não têm lado político. “As Forças Armadas são totalmente despolitizadas. Não estão comprometidas com nenhum projeto ideológico. As Forças Armadas estão comprometidas com a missão delas. Já foi dito isso, várias vezes, pelo ministro da Defesa e pelos comandantes de Força”, completou o vice.

O vice-presidente foi questionado se as críticas ao trabalho do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não poderiam desencadear críticas às Forças Armadas. Pazuello é general da ativa do Exército Brasileiro. “Qualquer militar sempre é visto com representante das Forças. A situação do ministro Pazuello como ministro da Saúde: ele vem procurando as melhores soluções para essa crise da pandemia. Óbvio que isso tem pontos a favor e pontos que são contra a gestão dele”, afirmou Mourão.

ATRASO – Mourão disse ainda que não viu como erro o atraso em alguns voos com carregamento de vacina para os estados nesta segunda. “Eu acho que não deu errado. Vamos lembrar o que o ministro já tinha falado algumas semanas atrás: que a partir do momento que a vacina fosse aprovada, se levaria de dois a três dias para que ela tivesse colocada em todos os pontos do Brasil”, disse.

Segundo Mourão, houve uma expectativa que a vacina chegaria de que a vacina chegaria “da noite para o dia” em todos os lugares do Brasil, o que não corresponde à realidade.

Coordenador desmente Pazuello: Manaus faz tratamento precoce, mas não está resolvendo

Médico diz que segunda onda de Covid-19 em Manaus 'aniquila' e desmente Bolsonaro

Médico da UTI  avisa que essa segunda onda é devastadora

Deu no UOL

O coordenador da UTI do Hospital Getúlio Vargas, em Manaus, no Amazonas, Anfremon Neto, fez um desabafo nas redes sociais ontem diante da negação do Governo Federal sobre o quadro crítico que as unidades de saúde locais enfrentam. O médico alegou que todos os pacientes que ele atendeu fizeram uso precoce de medicamentos recomendados pelo Ministério da Saúde sem eficácia comprovada e também alertou sobre a segunda onda da pandemia no Brasil “ainda vai levar muitas vidas”.

As declarações do médico contrariam o que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, declarou sobre as razões que teriam agravado a pandemia no estado.

50 PACIENTES/DIA – Nas imagens compartilhadas, Anfremon diz que atende cerca de 50 pacientes infectados pela covid-19 por dia nas UTIs de Manaus. “Eu sei, todos eles fizeram tratamento precoce. Todos eles fizeram azitromicina, ivermectina, que é o mais atual, alguns fizeram anita, até mesmo cloroquina. Tudo aquilo que é preconizado como tratamento precoce foi feito. Alguns doentes utilizaram corticoide em casa, sem ter sintomas respiratórios, o que nem é legal fazer. Tem que ter critério para começar as coisas”, explicou.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) alegou hoje de manhã que o governo fez a sua parte para evitar o colapso da saúde em Manaus “com recursos, meios”. O ministro Eduardo Pazuello, disse que a situação do estado é fruto da ausência de “tratamento precoce”. No entanto, o médico alerta que as pessoas que estão infectadas pela covid-19 em Manaus estão seguindo as recomendações sobre medicamentos feitas pela pasta, mas ainda assim estão lotando as Unidades de Terapia Intensiva.

ESTOQUE EM CASA – “Eles sabem, já compram, fazem estoque em casa e começam a tomar sozinhos. Então, gente, quem for ver esse vídeo: não é falta de tratamento precoce. Isso é sacanagem com a gente que trabalha aqui. Dizer que o que tá acontecendo aqui é falta de tratamento precoce”. Ao finalizar a mensagem, o coordenador de UTI Anfremon Neto disse que perdeu muitos amigos e que a “situação lastimável” que acontece no Amazonas pode ser o cenário futuro do Brasil.

“O que está acontecendo aqui, não quero jogar praga pra ninguém, não desejo que isso se repita em outros locais. O que a gente passou hoje, eu não gostaria que ninguém passasse. Mas acho que o governo ao invés de fazer manobras evasivas e dizer que tá tudo tranquilo, tá tudo bem, tem que preparar o país para a segunda onda. Se preparem para a segunda onda, porque ela é devastadora. Ela é cruel e vai levar muitas vidas. Perdi muitos amigos, estou perdendo colegas de trabalho. Enfim, tudo isso é lastimável, infelizmente’. Críticas

COMENTÁRIOS – O vídeo foi compartilhado nas redes do doutor em microbiologia Atila Iamarino, que fez comentários sobre o caso.

“Colocar a culpa nos profissionais de saúde por não receitarem isso ou recomendar isso como saída é chancelar massacre”, disse o divulgador científico.

O número de infectados pelo novo coronavírus em Manaus tem aumentado. Hospitais estão enfrentando dificuldades para conseguir cilindros de oxigênio para todas as alas de tratamento e não apenas para os pacientes de covid. A Força Aérea Brasileira enviou pacientes com covid-19 de Manaus para outros estados.

Parlamentares reagem à afirmação de Bolsonaro sobre as Forças Armadas e a democracia

Mourão diz que Bolsonaro foi 'mal interpretado' em fala sobre Forças Armadas e democracia | Política | G1

Não é a primeira vez que ele diz bobagens sobre os militares

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

Deputados usaram suas redes sociais para comentar as declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, que afirmou nesta segunda-feira, 18, em conversa com apoiadores no Palácio do Planalto, que “quem decide se o povo vai viver em uma democracia ou ditadura são suas Forças Armadas”.

O ex-relator da reforma da Previdência, deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP), disse que o presidente instiga a opinião pública a fim de criar desordem.

CRIAR CONFUSÃO – “É um irresponsável que cultiva o hábito de provocar a opinião pública, com o objetivo de criar confusão, porque é na confusão que ele pensa reinar. Quem garante a democracia é a Constituição”, afirmou.

Moreira também pediu que o Bolsonaro “pare de bla-bla-blá e comece a governar”.

Para o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), o presidente representa uma “ameaça à democracia ao dizer que ela é uma concessão dos militares e não uma conquista da sociedade brasileira”. O deputado também defende que as funções das Forças Armadas estão relacionadas “a defesa do território e da soberania, mas elas não têm o papel de escolher se teremos ou não eleições”.

NA CONSTITUIÇÃO – Rodrigo de Castro (PSDB), deputado federal por Minas Gerais, afirmou que o papel das Forças Armadas está definido pela Constituição. “A história nos mostra que toda vez que as Forças Armadas extrapolaram a sua missão, a experiência foi extremamente negativa”, afirmou.

Para o parlamentar, a democracia brasileira precisa ser fortalecida diariamente. “Não há espaço para retrocessos e, sequer, para suposições ou ameaças de que as Forças Armadas poderiam atuar em sentido contrário”, concluiu.

ESTÁ ACUADO – Já a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) disse que o presidente está “derrotado e acuado na guerra da vacina”, além de defender que, com as declarações, Bolsonaro “volta a flertar com o golpismo e o autoritarismo”. “O povo quer a democracia e o seu impeachment!”, disse Kokay.

Da mesma forma, Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirma que Bolsonaro está “rastejando na sarjeta” e “ventila mais uma baboseira polêmica para ganhar relevância”. A deputada conclui: “Pelo que todo mundo vê, o sr. é uma vergonha. E as Forças são do Estado, não apenas de um governo, como o seu fracassado”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro está delirando. As Forças Armadas não estão nem aí para o que ele diz. Se o presidente vai sofrer impeachment ou não, isso é problema dos civis. Os militares só intervirão se houver desordens, mas o farão apenas topicamente, sem ditatorizar o país. (C.N.)

Incompetência, negacionismo e morosidade despencam popularidade de Bolsonaro em redes sociais

Charge do Jota A. (portalodia.com)

Vera Rosa
Estadão

Na virada do ano, o presidente Jair Bolsonaro cruzou o Cabo das Tormentas e iniciou a segunda metade de seu mandato com a aprovação em queda nas redes sociais. A popularidade de Bolsonaro nas mídias digitais já vinha caindo e é atribuída por analistas dessas plataformas a uma tempestade perfeita que vai da economia à política, mas, principalmente, ao imbróglio relacionado à demora para a vacinação contra o novo coronavírus.

Com todo o mundo se imunizando e o Brasil no fim da fila, Bolsonaro paga o preço de seus desacertos e tenta vencer a crise no gogó, o que tem provocado pânico na equipe de comunicação. “Estou há quatro meses apanhando por causa da vacina”, disse Bolsonaro a apoiadores.

DEBOCHE – “Entre eu e a vacina tem a Anvisa. Eu não sou irresponsável. Não estou a fim de agradar quem quer que seja”, emendou ele. O presidente ironizou a taxa de eficácia da Coronavac, de 50,38%, comprada pelo governo de São Paulo, sob o comando de João Doria (PSDB), seu rival político.

A vacina é produzida pelo Instituto Butantã, de São Paulo, em parceria com o laboratório chinês Sinovac. “Essa de 50% é uma boa? Agora estão vendo a verdade”, provocou o presidente. Doria aproveitou a deixa para dar uma estocada no adversário. “Enquanto brasileiros perdem vidas e empregos, Bolsonaro brinca de ser presidente”, reagiu o tucano.

Bem longe do palanque montado para a disputa presidencial de 2022, porém, está a triste realidade. O estoque de oxigênio acabou em hospitais de Manaus, levando pacientes à asfixia, mais de 200 mil brasileiros já morreram em consequência dos efeitos da covid-19 e o País não consegue sair da crise.

“DIA D E HORA H” – Nesta quinta-feira, 14, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse a prefeitos que o “Dia D e a Hora H” para o início da vacinação será o próximo dia 20 – por coincidência, a mesma data da posse do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

O revés sofrido por Bolsonaro nas redes sociais, no entanto, não se resume ao impasse sobre a aquisição da vacina. Monitoramento em tempo real feito pela empresa AP Exata indica que a queda da popularidade do presidente no mundo virtual ocorre de forma consistente desde 6 de dezembro do ano passado e já ultrapassa 20 pontos. Nesta quinta-feira, 14, por exemplo, o número de menções positivas sobre Bolsonaro está em 36% e o de negativas chega a 64%.

A contestação a Bolsonaro cresce entre liberais e perfis ligados ao mercado financeiro. A pesquisa da AP Exata indica que existe, ainda, um ambiente de “falta de paciência” para o vaivém do governo na condução da economia e pressão por privatizações que não saem do papel. Cresce a percepção de que o presidente está mais preocupado em tomar medidas populistas para se reeleger e não dá trela ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

QUEDA DE BRAÇO – Enquanto isso, Bolsonaro continua sua queda de braço com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e pede votos para o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), chefe do Centrão. A eleição que vai escolher os novos presidentes da Câmara e do Senado está marcada para fevereiro. O resultado desse confronto é o embrião da correlação de forças que pode se formar para a disputa de 2022 contra Bolsonaro.

Em outra frente da batalha, bolsonaristas que convivem com o chefe do Executivo incentivam os seguidores a migrar para mídias alternativas. Desde que Donald Trump foi derrotado por Biden na eleição para a Casa Branca e banido do Twitter após a invasão do Capitólio promovida por seus discípulos, Bolsonaro e ministros aderiram ao Telegram. Mesmo assim, não saíram dos canais de comunicação tradicionais, sob o argumento de que não podem professar sua fé apenas em “guetos”, como disse o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Filipe Martins.

“(…) Temos que brigar para fortalecer e popularizar plataformas alternativas sem deixar de brigar para preservar nosso espaço em plataformas tradicionais, nas quais há muita gente que não pode ser deixada à mercê da desinformação e das narrativas de esquerda”, escreveu Martins no Twitter.

TÁTICA  – Na tentativa de puxar seguidores para o Telegram, o assessor Tercio Arnaud Tomaz – que integra o “gabinete do ódio” no Planalto e foi apontado pelo Facebook como responsável pela administração de perfis falsos – tem usado essa plataforma para divulgar conversas de Bolsonaro com eleitores.

Agora, a ala ideológica também faz apelos para que aliados do governo entrem em mídias como DuckDuckGo, no lugar do Google, e MeWe, em substituição ao Facebook, que suspendeu Trump. Nada disso, porém, resolverá a crise da comunicação enquanto o presidente não começar a governar, deixando para trás o Cabo das Tormentas.

Itamaraty adota oficialmente a teoria conspiratória do ‘globalismo’, de Olavo de Carvalho

TRIBUNA DA INTERNET | Brasil diz à ONU que não houve golpe em 64 e militares afastaram ameaça comunista e terrorista

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Leandro Prazeres
O Globo

O “globalismo”, controverso conceito usado pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, passou, oficialmente, a fazer parte do curso de formação de diplomatas do Instituto Rio Branco, vinculado ao Itamaraty. O GLOBO analisou as ementas dos cursos ministrados entre 2009 e 2020 e constatou que os termos “globalismo” e “globalista”, denotando uma suposta conspiração global para acabar com a soberania dos países, entraram na grade curricular dos futuros diplomatas a partir de 2019, primeiro ano da gestão de Araújo no comando do Itamaraty.

A formação acadêmica dos diplomatas brasileiros voltou a chamar atenção na semana passada depois que o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que colocou o Instituto Rio Branco diretamente subordinado ao chanceler. Antes, o comando do órgão, responsável pelos concursos e formação dos diplomatas, ficava sob a estrutura da Secretaria de Comunicação e Cultura do Itamaraty.

COM VIÉS NEGATIVO-Usado até meados do século passado, sobretudo em países de língua inglesa, para designar uma visão de mundo que vai além das fronteiras nacionais, o termo “globalismo” ganhou um viés negativo na boca de ideólogos do nacional-populismo, incluindo Olavo de Carvalho, uma das principais influências intelectuais de Araújo.

Nesse sentido, o globalismo seria uma espécie de ideologia por trás de um suposto plano para reduzir o poder de governos locais e instituir um tipo de “ditadura global”. Esse “plano” seria apoiado por bilionários de todo o mundo, como o megainvestidor e filantropo George Soros, e por políticos de esquerda ou classificados como “progressistas”.

Entidades internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e suas agências, além de outras instituições multilaterais e organizações não governamentais, seriam braços dessa suposta conspiração.

NO BLOG DE ARAÚJO – O termo é atualmente usado por radicais de direita para fazer sua própria crítica ao processo de globalização. O blog que Araújo mantém na internet traz o termo no título: “Metapolítica 17 – Contra o globalismo”.

No mundo acadêmico e no Itamaraty, o termo globalismo e a tal “conspiração globalista” nunca foram considerados relevantes, mas o assunto ganhou força com a chegada de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos e, depois, com a eleição de Jair Bolsonaro e a chegada do grupo de Ernesto Araújo ao comando da política internacional do país.

Isso se refletiu no conteúdo pedagógico usados na formação dos futuros diplomatas formados pelo Instituto Rio Branco, vinculado ao Ministério das Relações Exteriores (MRE).

NA ERA BOLSONARO – O GLOBO analisou as ementas de cursos oferecidos pelo instituto desde 2009. A primeira vez que o termo “globalista” aparece no conteúdo pedagógico do órgão foi em 2019.

Na ementa do curso de formação de diplomatas de 2020, já há cinco menções ao termo “globalista”. Elas aparecem na ementa das disciplinas “Defesa, segurança e política externa” e “Política internacional I e II”. Na primeira, a ementa cita o termo para estudar a atuação dos Estados Unidos na política internacional durante o governo Trump.

Na ementa da disciplina Política internacional I para 2020, o termo globalista aparece no planejamento de uma aula sobre o atual momento da diplomacia brasileira. O plano de aula previa que os alunos debatessem as causas da eleição de Trump. A aula é no formato de debate em que os estudantes precisam analisar algumas premissas e discuti-las.

“AVANÇO DEMOCRÁTICO” – As duas premissas em questão eram, primeiro, se a eleição de Trump foi um “acidente de percurso, causado por ingerências externas, pelas ‘fake news’ e pelo machismo” ou, contrariamente, se representou um “avanço democrático importante, uma vez que parcela considerável da população, até então excluída do debate político pela hegemonia globalista, finalmente se fez ouvir”.

O pesquisador e professor de Relações Internacionais Dawinsson Belém Lopes, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que o globalismo na concepção utilizada por Olavo de Carvalho e discípulos como Ernesto Araújo não é um conceito tido como relevante pelo mundo acadêmico.

“Essa ideia de uma megaconspiração marxista para tomar o mundo de assalto não encontra guarida nas principais academias. É uma coisa muito de gueto, de nicho. É uma ideia muito peculiar que acabou sendo transplantada para o Brasil” — afirmou.

FORA DO CONTEXTO – “Não é algo que conste no mainstream da teoria das Relações Internacionais nessa forma como é apresentada pelo grupo do Ernesto — explica Belem Lopes.

A reportagem enviou questionamentos sobre o assunto para a assessoria de imprensa do Itamaraty, mas até o fechamento desta reportagem, nenhuma resposta foi recebida.

Planalto articula para desgastar Doria e evitar que tucano tenha ganhos políticos com vacinação

Charge de Gilmar Fraga (gauchazh.com.br)

Andréia Sadi
G1

A briga entre o governo federal e o governo de São Paulo, pelo início da vacinação, ganhará novos desdobramentos. Diante da bem sucedida operação de João Doria(PSDB) neste domingo, dia 17, dando início à vacinação em São Paulo, o Palácio do Planalto trabalha, nos bastidores, para desgastar o governador de São Paulo junto a outros governadores, além de intensificar a artilharia virtual com ataques à sua gestão nas redes sociais.

O objetivo do governo federal agora é evitar que Doria capitalize politicamente – com desdobramentos para a eleição presidencial de 2022 – o resultado da vacinação em São Paulo.

“PIOR DERROTA” – Já João Doria, segundo o blog apurou, repete a aliados que esta foi a “pior derrota de Bolsonaro desde que o presidente foi eleito”. Por isso, acredita, o governo federal vai buscar culpados para a sua “sucessão de erros”, espera novos ataques do governo Bolsonaro mas já prepara novos lances na “guerra da vacina”: pretende organizar um evento com ex-presidentes, como Lula e FHC, para serem vacinados.

Dentro do roteiro de evitar que Doria colha novos louros políticos, assessores presidenciais trabalham para desgastar Doria junto a governadores. Eles repetem nos bastidores que governadores têm procurado o ministro Pazuello para reclamar do início da vacinação por João Doria, o que teria sido um gesto “sem pensar no resto do país”.

O governador de São Paulo tem dito que é natural uma ou outra reclamação, mas que recebeu elogios e cumprimentos de governadores pela atuação do Instituto Butantan para antecipar a vacinação no estado governado por ele – como faria qualquer governador- e que foi exatamente sua atuação que pressionou o governo federal a divulgar informações sobre a vacinação em todo país.

SUSTO – Na última semana, quando o governo foi avisado de que não haveria a vacina de Oxford, vinda da Índia, o governo federal assustou: foi um choque de realidade perceber que a vacinação no país dependeria da Coronavac, justamente a vacina que o presidente disse que não compraria, por ser “do Doria”.

Sem saída, diante da pressão de governadores, o ministério da Saúde foi obrigado a solicitar as doses do Butantan. Doses que, segundo fontes dos Palácio do Bandeirantes, ainda não foram pagas pelo governo federal, embora já enviadas. Doria cogita ir à Justiça se o governo federal não pagar as doses.

PAZUELLO –  Em meio aos próximos lances da “guerra da vacina”, Doria diz a aliados acreditar que o presidente Bolsonaro culpe Pazuello pela derrota na estratégia federal sobre o plano de vacinação.

Mas não só pela vacinação: também pelo caos em Manaus. Na semana passada, no auge da crise de Manaus, o ministério da Saúde solicitou a secretários de saúde dos Estados a situação de oxigênio nos hospitais. O governo federal quer evitar ser “surpreendido” com a falta de oxigênio em outros estados, caso o cenário de Covid se agrave em outras regiões.

Pazuello, de fato, tem sido muito criticado. Porém, apesar das críticas nos bastidores à atuação do ministro, vindas de políticos, integrantes do Judiciário e até de assessores presidenciais, aliados de Bolsonaro não acreditam na demissão do ministro. “O presidente gosta dele, que está firme como uma rocha”.

Ayres Britto diz que Bolsonaro vive de “costas para a Constituição” e que tal postura é digna de impeachment

Para o ex-ministro, ‘conjunto da obra’ sinaliza crime de responsabilidade

Anna Virginia Balloussier
Folha

Ao dar reiteradas amostras de que “tem o pé atrás” com a Carta Magna de 1988, o presidente Jair Bolsonaro se credenciou para o impeachment, uma sanção tão severa que “somente se aplica àquele presidente que adota como estilo um ódio governamental de ser, uma incompatibilidade com a Constituição”, diz Carlos Ayres Britto, 78, ministro aposentado do STF.

“Respostas [para a crise sanitária] como ‘e daí?’ ou ‘não sou coveiro’ não sinalizam um caminhar na contramão da Constituição?”, questiona. “Tudo do ponto de vista jurídico, porque cabe ao Congresso decidir o destino do chefe do Executivo, e é bom que seja assim”, afirma.

NÃO É GOLPE – Ministro do Supremo Tribunal Federal de 2003 a 2012, nomeado por Lula no primeiro ano de governo do petista, em 2016 ele disse à Folha que impeachment não é golpe. Comentava, então, a possibilidade de Dilma Rousseff ser destituída, o que acabou acontecendo naquele ano.

“Ortodoxamente quarentenado”, saindo apenas uma vez por mês, “de carro e máscara, só pra espairecer”, Britto espera a vacina contra a Covid-19 chegar. De casa, concede esta entrevista, em que sugere “menos incontinência verbal e mais continência à Constituição” para o Brasil.

Boa tarde, ministro.
Queria, antes, falar uma coisa. Não se pode tapar sol com peneira: há uma crise que é múltipla. Os Poderes não se entendem devidamente. Definição antiga de Antonio Gramsci: crise é aquele estado de coisas em que o velho demora a morrer, e o novo não consegue nascer. No caso brasileiro, o velho que não larga o osso é uma espécie de visceral pé atrás com a Constituição. Há um boicote a ela. As forças mais reacionárias temem que, de tão humanizada que é, ela vai dar jeito no país.

O governante central é assim, tem o pé atrás com essa Constituição, consciente ou inconscientemente. Quanto ao impeachment, essa mais severa sanção tem explicação. Somente se aplica àquele presidente que adota como estilo um ódio governamental de ser, uma incompatibilidade com a Constituição. É um mandato de costas para a Constituição, se torna uma ameaça a ela. E aí o país se vê numa encruzilhada. A nação diz, “olha, ou a Constituição ou o presidente”. E a opção só pode ser pela Constituição.

Então o sr. crê que a conduta de Bolsonaro na crise sanitária o credenciou ao impeachment?
Diria que o conjunto da obra sinaliza o cometimento de crime de responsabilidade. Porém, o processo é de ordem parlamentar.

Do ponto de vista jurídico, quais seriam esses crimes de responsabilidade?
Pelo artigo 78, o presidente assume o compromisso de observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro. Ou seja, não é representante dos que votaram nele, dos ideólogos que pensam igual a ele. É de todo o povo. Menos incontinência verbal e mais continência à Constituição.

A sociedade civil vai entendendo que regime democrático é para impedir que um governante subjetivamente autoritário possa emplacar um governo objetivamente autoritário. Se o presidente não adota políticas de promoção da saúde, segmentos expressivos da sociedade —a imprensa à frente— passam a adverti-lo de que saúde é direito constitucional. Prioridades na Constituição não estão sendo observadas: demarcação de terra indígena, meio ambiente.

E no contexto da pandemia?
O povo diz “saúde é o que interessa, o resto não tem pressa”, a Constituição, que saúde é dever do Estado e direito de todos. Salta aos olhos: ele promove aglomerações, não tem usado máscara, não faz distanciamento social. Respostas como “e daí?” ou “não sou coveiro” não sinalizam um caminhar na contramão da Constituição?

A atuação da Anvisa é independente?
A agência deve dançar conforme a música da ciência, atuando sempre tecnicamente. Por isso e para isso é que ela foi criada por lei, sob a forma de autarquia. E autarquia é pessoa jurídica. Não órgão de uma outra pessoa jurídica —no caso, a União. Sua fidelidade não a esse ou aquele partido, essa ou aquela ideologia, esse ou aquele governo.

Acredita que haverá vontade política para remover Bolsonaro?
Esse tipo de análise é mais da ciência política.

Muita gente diz que o impeachment é um trauma forte demais para um país, sobretudo no meio de uma pandemia. Concorda?
Trata-se de uma avaliação que incumbe às duas casas do Congresso. Pondero o seguinte: o ideal, em qualquer democracia, é que todo presidente popularmente eleito inicie e conclua o seu mandato. Foi eleito democraticamente para isso. Agora, à luz da Constituição, há intercorrências que podem caracterizar crimes de responsabilidade com suficiente gravidade para a decretação do impeachment.

Outra crítica comum: o Congresso pode sentar em cima do impeachment por razões pouco republicanas, como conchavos políticos, e que não é bom que só ele possa decidir se o presidente sai.
É uma opção constitucional. Muitas vezes você não tem a melhor saída, salvo todas as outras. Como Winston Churchill dizia sobre a democracia ser o pior regime, exceto todos os outros. Olha, entendo que não há saída que supere em qualidade essa de entregar ao Congresso a avaliação do crime de responsabilidade. Agora, os parlamentares vão responder pelos seus votos eleitoralmente.

Bolsonaro mais de uma vez usou tom de ameaça contra o STF. A corte está a perigo ou as instituições estão funcionando?
Sim, elas estão. Já internalizamos a ideia fundamental de que a democracia não é regime de força, mas tem que ser suficientemente forte para não se deixar matar nunca. Por exemplo, já há compreensão de que as próprias Forças Armadas estão regradas num título constitucional para defender as instituições democráticas.

Descarta um novo 1964?
Internalizaram o sucesso civilizatório e não embarcarão em nenhuma canoa furada do autoritarismo.

Não teria como fechar o Supremo com um cabo e um soldado, como disse Eduardo Bolsonaro?
Não prosperaria de jeito nenhum.

O líder do governo Bolsonaro [na Câmara, Ricardo Barros, do PP] advoga por um plebiscito para nova Constituinte.
Uma Assembleia Nacional Constituinte a gente sabe como começa, mas não como termina. O pressuposto da convocação de uma é a falência múltipla da Constituição em vigor, uma que já deu o que tinha que dar. Não é o caso do Brasil, pois a nossa precisa é de tempo para dizer a que veio. E veio, reconheçamos, como um projeto de vida nacional tão democrático quanto humanista e civilizado.

Quando Bolsonaro diz que o STF o proibiu de “qualquer ação” contra a Covid, que pelo tribunal ele tinha que “estar na praia, tomando cerveja”, ele mente. Atitudes assim exigem um enfrentamento aberto pelos ministros ou uma postura de contenção de danos, de não enervar mais uma relação já tensa entre Poderes?
É muito subjetivo e passa muito por quem estiver na presidência, que exerce uma orientação institucional. Mas a autocontenção depende das circunstâncias. Há momentos em que é preciso uma reação mais pronta, mais enérgica até, e há momentos em que se faz uma avaliação de que não é motivo para uma interpelação.

E nesse caso?
Diria: por exemplo, quando o presidente reiteradamente coloca dúvida sobre a precisa quantidade de votos que obteve na última eleição, e vai além para questionar a eficácia da urna eletrônica, pode sim vir a ser interpelado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Porque esse tipo de afirmação coloca em xeque a qualidade da Justiça Eleitoral e aturde o próprio eleitor soberano.

Como avalia a indicação de Kássio Nunes ao STF?
Não conheço mais de perto o ministro. Mas o que sei dele é de que, tecnicamente, dá conta do recado.

Bolsonaro garantiu a pastores que sua segunda nomeação seria terrivelmente evangélica.
Tão difícil às vezes qualificar esses pronunciamentos do Bolsonaro. Requisito de investidura do cargo não é a embocadura religiosa de ninguém. Até porque a Constituição instituiu o Estado laico. Diz o artigo 19: é vedado ao Estado “estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança”. Não sei por que essa referência à qualidade evangélica de um dos futuros nomeados. É um indiferente jurídico a formação religiosa da pessoa, mas dizer como se fosse condição de investidura é estranhável.

O Supremo deve atuar em pautas de costumes que não prosperam no Legislativo?
A Constituição enuncia, didaticamente: as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Aí você diz, “mas se tais direitos e garantias padecerem da falta de norma regulamentadora, não é preciso esperar o Congresso editar essa lei”?

A Constituição é um posto Ipiranga, dá resposta para tudo: “Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais”. Isso ao lado da ação direta de inconstitucionalidade por omissão legislativa. Por isso que o STF, diante da mora do Legislativo, fez incidir sobre os atos de homotransfobia a lei criminalizadora do racismo.

O apreço da população pelo STF já foi mais alto. A rejeição é agravada com, por exemplo, o pedido de reserva de vacinas. A autocrítica da corte é válida?
Sempre válida. No caso da vacina, parece que houve mal entendido. O Supremo não reivindicou, apenas se inscreveu por antecipação. Não é, segundo me pareceu, reivindicar para si a primazia. Hoje nós temos essa universal circunstância da internet. A Internet empoderou as pessoas. As redes sociais estão se tornando antissociais. Então é isso, você trouxe à baila outra variável. Nós ainda vamos ralar para administrar com sensatez as plataformas.

Nossa democracia corre perigo?
Toda democracia vive sob risco de morte, porque todas as que morreram foi de “morte matada”, não de “morte morrida”. O que varia é o tamanho do risco. Dois poderosos antídotos contra os democraticidas já existem no país: é que ninguém pode impedir que a imprensa fale primeiro sobre as coisas, nem que o Judiciário fale por último. Assim como já existe aquela parelha de antídotos que se lê no pensamento de Thomas Jefferson, o segundo presidente dos EUA: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”; “a arte de governar consiste exclusivamente na arte de ser honesto”.

E o caso Trump?
É que a democracia não está a salvo de acidentes eleitorais de percurso. Daí que, ante extrema sectarizacão, surjam eleitos de extrema esquerda, ou de extrema direita, e até mesmo os de extrema ignorância, no sentido negacionista da própria ciência. É quando essa democracia mesma aciona mecanismos aptos a fazer a ficha cair: a sociedade se apercebe de que não pode continuar a pagar um mico civilizatório. E na primeira oportunidade eleitoral, o povo se decide a apear tais governantes.

Fica a lição de que um povo que elege mal os seus governantes se torna tão vítima quanto cúmplice de sua própria desgraça.

Solidariedade muda de lado, abandona candidatura de Arthur Lira e declara apoio a Baleia Rossi

Argumento é a defesa da democracia sem se submeter ao Executivo

Bruno Góes
O Globo

O Solidariedade anunciou nesta segunda-feira, dia 18, que apoiará a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência da Câmara dos Deputados. A legenda chegou a negociar e fechar uma acordo com Arthur Lira (PP-AL), deputado apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Porém, após nova rodada de conversas com Rodrigo Maia (DEM-RJ), aliado de Rossi, houve uma mudança de posição. Também nesta segunda, a Mesa da Câmara decidiu que a eleição ocorrerá de forma presencial para todos os parlamentares e no dia 1º de fevereiro.

FRENTE DE DEFESA – Em nota, o presidente do partido, Paulinho da Força (SP), diz que é indispensável montar uma frente de defesa à democracia, sem se submeter ao Executivo. “O enfrentamento da maior crise sanitária e de um dos mais graves índices de desemprego na história do país devem ser enfrentados com soluções bem negociadas pelos poderes Executivo e Legislativo, sem subordinação de qualquer espécie”, diz a trecho da nota.

O Solidariedade tem 14 deputados federais. A adesão ao bloco de Rossi, porém, não significa que o emedebista terá todos os votos da legenda. A votação é secreta e parte da bancada tem boa relação com Lira.

“O conjunto político-partidário formado em torno da candidatura e os compromissos assumidos por ele para esse equilíbrio e independência indispensáveis entre os poderes da República são as razões que fazem o Solidariedade se empenhar também pela adesão de outras forças sociais e políticas no apoio à candidatura de Baleia Rossi à presidência da Câmara Federal”, diz a carta assinada por Paulinho. Até o momento, o bloco de Rossi conta com o apoio de DEM, MDB, PSDB, Cidadania, PSL, Solidariedade, PT, PSB, PDT, PCdoB, Rede e PV. Já Lira conquistou o apoio de PP, PSD, Republicanos, PL, PROS, PSC, Avante e Patriota.

AGU alega que colapso no oxigênio foi informado de maneira tardia ao governo federal

Saúde foi informada da crítica situação no dia 8 de janeiro, por email

Fernanda Vivas e Márcio Falcão
G1 / TV Globo

A Advocacia-Geral da União afirmou neste domingo, dia 17, ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o “colapso no estoque de oxigênio hospitalar” em Manaus “foi informado de maneira tardia aos órgãos federais, que empregaram toda a diligência possível para contornar a situação”.

A resposta da AGU à Corte atende a uma determinação do ministro Ricardo Lewandowski, que na última sexta-feira, dia 15, determinou que o governo apresentasse um plano para o enfrentamento da crise na saúde em Manaus

RESPOSTA – “A União repassou um volume extremamente significativo de insumos estratégicos e de recursos financeiros aos estados brasileiros, como um todo, e ao estado do Amazonas, em especial. O colapso do estoque de oxigênio hospitalar na cidade de Manaus foi informado de maneira tardia aos órgãos federais, que empregaram toda a diligência possível para contornar a situação, sobretudo mediante a mobilização da Força Nacional de Saúde do SUS”, disse a AGU ao tribunal.

No início da semana passada, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, foi a Manaus. Na ocasião, o Amazonas já tinha hospitais lotados e aumento nos casos de Covid-19. Durante a visita, o governo do estado informou que não tinha oxigênio suficiente para suportar o aumento das internações. Na quinta-feira, dia 14, em reunião com mais de 100 prefeitos, Pazuello disse que não havia aeronaves da Força Aérea Brasileira para levar oxigênio para o Amazonas.

Ainda na quinta, no início da noite, Pazuello mudou o discurso. Em uma transmissão ao vivo ao lado do presidente Bolsonaro, Pazuello afirmou que aviões da FAB transportando oxigênio já estavam a caminho de Manaus. Ele reconheceu o colapso do sistema de saúde de Manaus, mas atribuiu o aumento do número de casos ao período de chuvas e a falta de tratamento precoce. O tratamento precoce que o ministro se refere não tem eficácia comprovada pela comunidade científica.

POR EMAIL – Na comunicação ao STF, a AGU declarou que o Ministério da Saúde foi informado “da crítica situação do esvaziamento de estoque de oxigênio em Manaus” no dia 8 de janeiro, por meio de um e-mail enviado pela empresa que fornece o insumo. O documento cita, no entanto, que “na última semana de dezembro de 2020, o acompanhamento da situação sanitária relativa à cidade de Manaus revelou aumento significativo no número de hospitalizações”.

A AGU também afirmou que “jamais deixou de oferecer canais de interação” para a cooperação com o estado e o município. Defendeu ainda que repassou “um volume extremamente significativo de insumos estratégicos e de recursos financeiros” ao estado do Amazonas.

Assinado pelo ministro José Levi Mello do Amaral Júnior, o relatório lista ainda dados como a quantidade de cilindros de oxigênio fornecidos, envio de equipamentos de proteção individual, transferência de pacientes a outros estados e a montagem de hospital de campanha. E cita, ainda, o envio de 120.000 comprimidos de hidroxicloroquina – estudos mostram que não há medicamentos eficazes para prevenir ou curar a Covid-19.

Desgaste no Exército: Militares do governo defendem saída de Pazuello após derrota em vacina

Charge do Gilmar Fraga (gauchazh.com.br)

Gustavo Uribe e Daniel Carvalho
Folha

A derrota do governo federal na queda de braço pelo início da vacinação contra o coronavírus aumentou o apoio de militares da atual gestão para que o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, se afaste do comando da pasta responsável pelo combate à pandemia.

Para integrantes das Forças Armadas de alta patente, a vitória do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que conseguiu sair na frente do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na imunização da população, vinculou ao general da ativa uma imagem de negligência com a saúde da população, colocando em risco a aprovação das Forças Armadas.

NEGACIONISMO – O diagnóstico feito à Folha, em caráter reservado, é de que, ao ter começado a encampar, desde o final do ano passado, o discurso negacionista do presidente, o militar compromete a postura institucional de independência do Exército.

A avaliação no Exército e de militares que integram o Executivo é de que o ministro resolveria a questão passando para a reserva, como os demais militares do primeiro escalão da gestão federal. Ele, assim, teria mais liberdade para defender posições políticas.

Desde o ano passado, quando era pressionado por não conseguir conter o crescente número de infectados e mortos com a Covid-19, no entanto, Pazuello tem resistido a essa alternativa e, de acordo com assessores do presidente, já disse que prefere deixar o governo a passar para a reserva. A postura resoluta tem feito com que parte do núcleo verde-oliva considere que a única alternativa se tornou realmente a sua saída da pasta.

DESGASTE – O desgaste na imagem do Pazuello também levou integrantes do centrão a retomarem pressão para uma mudança no comando da Saúde. O bloco de partidos aliado à atual gestão tem interesse no comando da pasta.

Desde o ano passado, porém, ministros palacianos já avaliavam o timing ideal para que Pazuello deixasse a pasta. Segundo relato feito à Folha, em dezembro, em uma reunião no Palácio do Planalto, o nome do líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), foi defendido para substituir o general no final do primeiro semestre deste ano.

A incapacidade do Ministério da Saúde em adquirir doses da vacina e o fracasso da pasta na negociação com a Índia, porém, foram episódios considerados pelo braço militar a gota d’água para que a mudança no comando da pasta seja antecipada.

TRAPALHADAS – A insatisfação com Pazuello entre os militares do governo não se deve apenas às trapalhadas do ministro relacionadas à imunização. A avaliação é também de que ele não tem feito uma defesa enfática das Forças Armadas no transporte de insumos a cidades em situação de emergência por causa da doença.

O último mal-estar ocorreu na crise recente em Manaus. No dia 8, o Ministério da Defesa iniciou operação de transporte de cilindros de oxigênio para o Amazonas. No dia 11, Pazuello visitou Manaus e, na opinião de militares do governo, não deu o devido destaque à operação iniciada quatro dias antes.

O incômodo é tamanho que militares palacianos costumam se contrariar com matérias jornalísticas que lembrem da patente militar do ministro da Saúde. Para evitar uma vinculação com o Exército, preferem que jornalistas se refiram a ele apenas como ministro, não como general.

EXPLICAÇÕES – No domingo, dia 17, outro episódio gerou mais desgate na imagem de Pazuello. A PGR (Procuradoria-Geral da República) deu 15 dias para o ministro explicar por que não agiu para garantir o fornecimento de oxigênio aos hospitais de Manaus. O pedido foi feito com base em reportagem publicada pela Folha no sábado (16).

Na semana passada, com o aumento das críticas a Pazuello, Bolsonaro fez uma defesa enfática do ministro e disse que não tem motivos de ele deixar o governo. “Pazuello está fazendo um trabalho excepcional. Não vai sair de lá. Não tem motivo de sair de lá”, disse.

Com a derrota do domingo que, segundo aliados do presidente, o deixou irritado, a aposta é de que, em busca de culpados, Bolsonaro possa ser convencido a rifar o general da ativa, deslocando-o para outro cargo no governo.

PONDERAÇÃO – Auxiliares civis do presidente e parlamentares do centrão, contudo, não acreditam em uma troca agora. Eles ponderam que os militares sempre reclamam, mas que Bolsonaro gosta do perfil “cumpridor de ordens” de Pazuello.

Além disso, apesar da pressão de alguns integrantes do centrão, a cúpula do bloco diz ser preferível assumir a pasta depois que o desgaste com o início da campanha de imunização tenha sido superado. Para o comando do bloco, é mais viável que a troca seja efetuada durante a reforma ministerial aguardada para fevereiro.

Além de Pazuello, Bolsonaro avalia outras mudanças em sua equipe ministerial após a eleição da presidência da Câmara dos Deputados. São discutidas alterações em pastas como Turismo, Educação, Minas e Energia e a Secretaria de Governo.

REPUBLICANOS –  Para o lugar do ministro Onyx Lorenzoni, por exemplo, que hoje comanda a Cidadania, a ideia é nomear um indicado do Republicanos, sigla a qual se filiaram dois filhos do presidente: o senador Flávio Bolsonaro (RJ) e o vereador Carlos Bolsonaro, do Rio de Janeiro.

Em entrevista no domingo, Pazuello mentiu ao afirmar que o governo federal tinha em mãos vacinas do Butantan e da AstraZeneca, e criticou o governador de São Paulo, que iniciou a vacinação no estado.

Até o início da manhã desta segunda-feira, dia 18, Bolsonaro ignorou nas redes sociais o início da campanha de vacinação em São Paulo. Desde domingo, ele, seus filhos e auxiliares ligados ao gabinete do ódio têm se empenhado em compartilhar publicações que confrontem a letargia do governo federal no enfrentamento à pandemia.

Pesquisa: Moro vence no segundo turno e sobe para 40% quem acha Bolsonaro ‘ruim ou péssimo’

Bolsonaro x Moro - Renato Aroeira - Brasil 247Marlla Sabino Estadão  / Charge do Aroeira (site 247)

A parcela da população que reprova o governo de Jair Bolsonaro aumentou pela primeira vez desde março de 2020, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira (18) pela XP Investimentos em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe).

O levantamento de janeiro aponta que subiu de 35% para 40% a fatia que considera a gestão como ‘ruim ou péssima’. O porcentual é semelhante ao do início da pandemia do novo coronavírus no País, em abril de 2020.

AVALIAÇÃO NEGATIVA – Já a parcela que avalia a administração do governo como ‘ótima ou boa’ caiu de 38% para 32%. É a primeira vez desde julho em que a avaliação negativa supera a positiva. De acordo com a pesquisa da XP Investimentos, o movimento coincide com uma piora na percepção da atuação do presidente para enfrentar a covid-19. São 52% os que consideram ‘ruim ou péssima’, 4 pontos percentuais a mais que em dezembro de 2020.

A pesquisa também aponta que 50% dos entrevistados defendem que o governo recrie um benefício semelhante ao auxílio emergencial por mais alguns meses. Contudo, apenas 27% dizem acreditar que o governo tomará essa decisão.

O benefício foi adotado pelo governo federal ao longo de 2020 para mitigar os efeitos econômicos causados pela pandemia. Bolsonaro, no entanto, vem descartando uma nova rodada de pagamentos.

IMUNIZAÇÃO – Questionados sobre a disposição de tomar uma vacina contra o coronavírus, 69% dizem que com certeza irão se imunizar. Entre os eleitores declarados que votaram em Bolsonaro nas últimas eleições, 58% afirmaram que irão se vacinar com certeza, enquanto 78% dos demais eleitores afirmaram tal intenção.

Os dados apontam que Bolsonaro segue à frente na disputa presidencial de 2022, tanto na pesquisa espontânea como na estimulada, quando são mencionados nomes dos candidatos. O presidente atinge 28% das intenções de voto, à frente de Sergio Moro, seu ex-ministro da Justiça e Segurança (12%), Ciro Gomes (11%) e Fernando Haddad (11%).

Já na pesquisa espontânea, quando não há apresentação de candidatos, Bolsonaro se mantém na liderança com 22% – abaixo do registrado em dezembro, quando tinha 24% das intenções de voto.

PERDE PARA MORO – A pesquisa de janeiro indica que Bolsonaro perderia para Moro no segundo turno, que bateria o atual presidente por 36% a 33%. No último levantamento, os dados apontavam que o presidente derrotaria seu ex-ministro. Bolsonaro, no entanto, ganha numericamente de todos os outros cenários de segundo turno em que é testado.

Foram realizadas 1.000 entrevistas com abrangência nacional, no período de 11 a 14 de janeiro. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Delirante, Bolsonaro continua tentando desmentir a mais célebre afirmação de Abraham Lincoln, que até hoje se manteve imbatível: “Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo”. E como diz Roberto Carlos, “daqui pra frente, tudo será diferente, o seu orgulho não vale nada, nada!”. (C.N.)

Saúde altera voos, deixa autoridades na mão nos aeroportos e atrasa vacinação nos estados

Autoridades estaduais já estavam aguardando quando foram surpreendidas

Camila Mattoso
Folha

O Ministério da Saúde mudou horários dos voos de entregas de vacinas para os estados. A pasta fez mais de uma vez alterações entre a madrugada e o início da tarde desta segunda-feira, dia 18. Pela programação mais atualizada, diversos estados só receberão os pacotes de noite, atrasando o início da imunização.

Em alguns casos, autoridades estaduais já estavam aguardando nos aeroportos, quando foram surpreendidas pelas mudanças. Ao menos seis locais que receberiam antes das 16h, agora só vão receber na parte da noite.

ATRASO – “Todo mundo foi esperar no aeroporto, e nada. A previsão era meio-dia, depois mudou para 16h. Agora já deve ser 18h. Até que descarregue, não tem como iniciar hoje. Impossível. Só devo começar amanhã”, disse o governador de Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD), ao Painel.

“Não explicaram nada. Simplesmente avisaram em cima da hora. Problema de logística. Eu não fui a Guarulhos [para o evento com Pazuello]. Mas se tivesse ido, teria voltado e a vacina ainda não teria chegado”, completou.

PRESSÃO – O início mais cedo da vacinação foi combinado na manhã desta segunda, no evento em Guarulhos, com a presença do ministro Eduardo Pazuello (Saúde). Após pressão dos governadores, o começo da imunização seria adiantado. Pela nova tabela, três estados estão sem previsão de horários, por ora: Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraná.

O Rio de Janeiro, que fica a menos de uma hora de voo de São Paulo, onde estão as vacinas, está na tabela para receber na madrugada de terça-feira, dia 19. A previsão anterior era de receber 13h desta segunda.

Os estados afetados: Maranhão chegaria 12h40 e passou pra perto de 22h. Paraíba era 12h15 e passou para depois das 19h. Sergipe receberia 12h e agora apenas após 18h. Rio Grande do Sul passou de 16h para perto das 20h. Minas Gerais passou de 15h para 18h. Bahia passou das 9h para quase 22h. Pará era 15h40 e mudou para 21h. Pernambuco das 15h20 para após 17h.

Sob pressão, Bolsonaro ameaça: “Quem decide se um povo vai viver democracia ou ditadura são as Forças Armadas”

Bolsonaro está acuado pelo fracasso no enfrentamento da pandemia

Daniel Carvalho
Folha

Pressionado pelo fracasso de seu governo no enfrentamento da pandemia de Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou ao discurso mais ideológico ao falar com apoiadores na manhã desta segunda-feira, dia 18. Além de orar, reforçar diferenças entre homens e mulheres e criticar o socialismo, Bolsonaro enalteceu as Forças Armadas e disse que delas depende a democracia ou a ditadura em um país.

“Por que sucatearam as Forças Armadas ao longo de 20 anos? Porque nós, militares, somos o último obstáculo para o socialismo. Quem decide se um povo vai viver na democracia ou na ditadura são as suas Forças Armadas. Não tem ditadura onde as Forças Armadas não apoiam”, disse Bolsonaro no jardim do Palácio da Alvorada.

AMEAÇA – A conversa com apoiadores foi publicada, em um vídeo cheio de cortes, por um canal bolsonarista na internet. “No Brasil, temos liberdade ainda. Se nós não reconhecermos o valor destes homens e mulheres que estão lá, tudo pode mudar. Imagine o Haddad no meu lugar. Como estariam as Forças Armadas com o Haddad em meu lugar?”, indagou Bolsonaro referindo-se a seu adversário na eleição de 2018, Fernando Haddad (PT).

Como foco no socialismo, Bolsonaro ironizou o ditador Nicolás Maduro e o envio de cilindros de oxigênio pela Venezuela para Manaus. “Agora se fala que a Venezuela está fornecendo oxigênio para Manaus. É White Martins, é uma empresa multinacional que está lá também. Agora, se o Maduro quiser fornecer oxigênio para nós, vamos receber, sem problema nenhum. Agora, ele poderia dar auxílio emergencial para o seu povo também. O salário mínimo lá não compra meio quilo de arroz”, disse Bolsonaro, que também falou em tom de ironia sobre o corpo de Maduro.

SOCIALISMO – “Vem uns idiotas, eu vejo aí, elogiando ‘olha o Maduro, que coração grande ele tem’. Realmente, daquele tamanho, 200 kg, 2 metros de altura, o coração dele deve ser muito grande. Nada mais além disso”, afirmou Bolsonaro. Ainda na pauta do socialismo, o presidente da República aproveitou que um apoiador falou sobre aborto para atacar a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência da Câmara. Ele não citou nominalmente o candidato, mas o padrinho político de Rossi, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“Acho que o Parlamento nosso ainda não aprovaria isso não. A configuração, né… Acho que não vingaria um projeto neste sentido. Poderia vingar com a Mesa sendo de esquerda. Tem uma parte da esquerda com o Rodrigo Maia. Rodrigo Maia tem um grande apoio da esquerda aqui no Brasil. PT, PC do B e PSOL estão com ele. Se crescesse essa quantidade de pessoas na Mesa, poderia entrar em pauta”, afirmou Bolsonaro. Até o momento, o PSOL não declarou apoio a Baleia Rossi. Bolsonaro patrocina a candidatura de Arthur Lira (PP-AL).

Procuradoria investiga má conduta do ministro Pazuello na crise da saúde no Amazonas

Pazuello e a Covid - Nando Motta - Brasil 247

Charge do Bruno Motta (Arquivo Google)

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
TV Globo — Brasília

A Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu uma apuração preliminar para analisar a conduta do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Amazonas, especialmente sobre a falta de oxigênio que vitimou pessoas e agravou a crise local.

A PGR quer saber se o ministro foi informado com antecedência sobre os problemas para o fornecimento de oxigênio no estado. Em documento obtido pela TV Globo, a Procuradoria pede que Pazuello preste informações em 15 dias.

ESCASSEZ DE OXIGÊNIO – “Solicito ao representado [ministro] que envie, em até quinze dias, informações sobre o cumprimento, ou não, de medidas que são de competência do Ministério da Saúde, ante a notícia de que teria sido previamente avisado, na condição de titular da pasta, “sobre a escassez crítica de oxigênio em Manaus por integrantes do governo do Amazonas, pela empresa que fornece o produto e até mesmo por uma cunhada […] mas não agiu”, diz a PGR.

Pazuello ainda não é formalmente investigado, mas, se a Procuradoria avaliar que há elementos, pode requisitar ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para investigar o ministro.

CHEGOU A RECONHECER – Na semana passada, o ministro esteve no Amazonas e chegou a reconhecer publicamente a crise do oxigênio.

“Quando cheguei na minha casa ontem, estava a minha cunhada. O irmão não tinha oxigênio nem para passar o dia. ‘Ah, acho que chega amanhã. O que você vai fazer?’ Nada. Você e todo mundo vai esperar chegar o oxigênio para ser distribuído”, afirmou.

Em outra frente, a PGR pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para ampliar um inquérito que investiga suspeita de desvios para o combate à Covid-19 no Amazonas com fatos relacionados à crise de oxigênio.

MENOS RECURSOS – O que já se sabe, com precisão, é que Manaus (AM), que enfrenta um colapso do sistema de saúde, foi a segunda entre as 27 capitais do país que menos recebeu recursos federais por habitante em 2020.

A capital do Amazonas recebeu R$ 2,36 bilhões no ano passado, o que equivale a um valor médio de R$ 1.063,26. Esse valor só não é mais baixo que o da cidade do Rio de Janeiro, que recebeu o equivalente a R$ 946 por habitante em 2020.

No topo aparecem Vitória (R$ 4.017 por habitante), Palmas (R$ 4.015) e Porto Alegre (R$ 3.473). Os valores consideram todos os repasses federais, inclusive verba para ações de combate à pandemia.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O ministro-general-logístico Eduardo Pazuello não deveria ser investigado sobre suas “realizações”. O mais certo seria condená-lo sumariamente pelo conjunto da obra. (C.N.)

Está tudo dominado! Baleia Rossi também não prioriza prisão após segunda instância…

STF: “Dois pesos e duas medidas” | Asmetro-SN

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Bruno Góes
O Globo

Parada há quase um ano na Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permite a prisão após a condenação em segunda instância deverá seguir a passos lentos sob o comando da próxima Mesa Diretora, que tomará posse no mês que vem.

A tendência é que os dois principais candidatos à presidência da Casa, Baleia Rossi (MDB-SP) e Arthur Lira (PP-AL), não tratem a aprovação do texto como prioridade. Os dois deputados já se pronunciaram sobre temas como o auxílio emergencial e reformas econômicas, mas, até o momento, ignoram a proposta que antecipa a execução da pena.

OBSTÁCULOS POLÍTICOS – Parlamentares ligados à pauta entendem que haverá obstáculos políticos para que o assunto seja deliberado ao longo do ano, independentemente de qual dos dois seja o vencedor. Há, tanto no arco de alianças de Lira quanto no de Baleia, partidos e deputados que são contra a mudança.

O tema ganhou impulso na Câmara no fim de 2019, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) reverteu o entendimento anterior e condicionou a prisão ao trânsito em julgado dos processos, ou seja, o esgotamento de todos os recursos. A admissibilidade da proposta — o reconhecimento de que não fere o texto constitucional — já foi aprovada, por 50 votos a 12, na Comissão de Constituição e Justiça, e o projeto foi em seguida para análise de uma comissão especial. O relatório final já foi apresentado, mas as reuniões do colegiado foram interrompidas com o início da pandemia.

DECISÃO COLETIVA – Autor da PEC, o deputado Alex Manente (Cidadania-SP) procurou Baleia e Lira para cobrar a votação da proposta. Ambos responderam que não há objeção contra a pauta, mas condicionaram o andamento a uma decisão coletiva dos líderes partidários.

— Os dois disseram que pautarão, desde que seja uma demanda do colégio de líderes. Mais do que esperar compromisso de campanha, temos que tornar o tema uma mobilização da população. É óbvio que a pandemia tomou conta da pauta, mas só com mobilização da sociedade conseguiremos efetivamente pautar a PEC — diz Manente.

O partido de Manente, o Cidadania, apoia a candidatura de Baleia Rossi. Entretanto, o parlamentar não esconde a simpatia pela candidatura de Marcel Van Hattem (Novo-RS), que trabalha pela aprovação da matéria.

SEM CONSENSO – Em 2020, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chegou a prometer a votação para dezembro. Sem consenso, no entanto, o texto não avançou.

Relator da PEC, Fábio Trad (PSD-MS) diz que o projeto está pronto. O texto estende a possibilidade de cumprimento da condenação em segunda instância a todas as esferas do direto. Além do processo criminal, valerá, por exemplo, para causas trabalhistas, cíveis e tributárias.

— Não vou mudar o relatório, porque ele está pronto, acabado, fruto de um amplo entendimento da comissão.

Em fevereiro do ano passado, o ex-ministro Sergio Moro foi à comissão e defendeu que a mudança se aplicasse, inclusive, para processos já em andamento, mas o relatório prevê que a nova regra seja válida para ações protocoladas após a promulgação da PEC.

LIRA É SUSPEITO – Réu em duas ações penais derivadas de investigações da Operação Lava-Jato, Lira se empenhou no ano passado em costurar entendimentos contra trechos do pacote anticrime apresentado por Moro.

O assunto integrava o conjunto de propostas que o então ministro levou à Câmara, mas a comissão que analisou as sugestões entendeu que a execução da pena após a condenação em segunda instância precisaria ser tema de uma PEC, não de um projeto de lei.

Em seu discurso de campanha, Lira costuma dizer que não fará avaliações sobre o mérito de propostas específicas. Afirma que pautará projetos com maioria entre líderes.

SEM RESPOSTA – Ex-líder do Podemos, José Nelto (GO) tentou condicionar o apoio do partido a um candidato que fosse a favor da pauta. Até agora, no entanto, não obteve resposta.

— Estamos querendo o compromisso dos candidatos Arthur Lira e Baleia Rossi a favor da PEC da segunda instância e do fim do foro privilegiado. Mas, até agora, ninguém me respondeu — disse Nelto ao GLOBO.

A tendência do Podemos é anunciar apoio a Lira no fim de janeiro. A presidente do partido, Renata Abreu, centraliza as negociações. As condições sugeridas por Nelto, no entanto, não devem influenciar na decisão.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Estamos mal na foto. O mais importante projeto do momento está engavetado na Câmara, por conta da pandemia, e não vai mesmo avançar, deixando o Brasil na vergonhosa posição de único país do mundo a só mandar criminoso para a cadeia após a quarta instância. Detalhe importante: a maioria do países nem tem quarta instância. (C.N.)

Após a vacinação, vamos voltar as ruas para tirar do país o vírus da incompetência e da corrupção

Charge 23/09/2019 | Um Brasil

Charge do Adão (Arquivo Google)

Antonio Fallavena

Reli o que escrevi em 2019 sobre Bolsonaro. Acho que não vence 2021! Mourão fará um governo para preparar o país para o próximo presidente. Os antigos (puxa, antigo sou eu hoje), usavam uma expressão que cabe ainda hoje: “é uma besta quadrada!”

Não mudo uma vírgula no que escrevi. Bolsonaro não pode/não deve ficar mais tempo a frente do país! Ser ignorante, boçal, sem noção, isso estaria nos níveis de Lula/Dilma. Mas ele é pior que os dois juntos, quando se trata de dizer/fazer bobagens. Seu ministério está restrito a poucos de qualidade e muitos de coisa nenhuma!

“DONO DA BOLA” – Bolsonaro é pior do que pensávamos! Sua desonestidade mental está acima de qualquer limite. É o “dono da bola”, mas não joga nada. Se escala primeiro, escolhe o resto do time e, se alguém jogar melhor do que ele – o que não é difícil – é logo substituído!

Por fim e ao cabo, ser chamado a atenção e cobrado pelo governador paulista João Doria é uma vergonha que poucos aceitariam. E ele, o “Minto”, tem de aceitar. Doria, certamente pode ser um quase zero, mas Bolsonaro é zero total!

Agora, precisamos entender como fazer para nos livrar dele. E convenhamos, para quem tirou o do poder o PT e seus quadrilheiros, usando um tosco assim, tenho a crença de que podemos começar a pensar em coisas melhores e usar nossas energias para construir coisas boas.

PRECISAMOS NOS PREPARAR – Os brasileiros de verdade precisam estar unidos e solidários. Após sermos vacinados, vamos voltar às ruas para vacinar o país contra o vírus da corrupção, dos desmandos e das impunidades!

Vamos mostrar aos falsos brasileiros (aqueles que seguem seus “ídolos de barro”) que existem ainda milhões que farão a diferença. Acreditem que o Brasil tem jeito, mas nós temos de lhe dar uma chance de se tornar uma nação!

Nas panelas batem brasileiros. Espero que o pessoal da esquerdalha não entre no panelaço. Se com eles foi golpe, como praticarão golpe contra outro? Assim perderiam a moral que nem possuem mais!

Mourão diz que Anvisa fez um excelente trabalho e que briga entre Bolsonaro e Doria é “tudo politicagem”

Mourão pediu que a população siga protocolo de higiene após a vacinação

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou na manhã desta segunda-feira, dia 18, que a briga entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria, em torno das vacinas contra a covid-19 é “tudo politicagem”. Ele não quis entrar em maiores detalhes sobre o assunto.

No domingo, dia 17, se antecipando ao plano nacional de imunização, o tucano iniciou a vacinação em São Paulo em um evento simbólico e saiu na frente do mandatário em meio à guerra de imunizantes.

“POLITICAGEM” – “Eu não vou entrar nesse detalhe. Isso aí tudo é politicagem. Eu não entro na politicagem. O meu caso aqui, você sabe que eu lido com as coisas de forma objetiva. Isso aí eu deixo de lado”, disse esta manhã a jornalistas no Palácio do Planalto.

O general defendeu ainda que as doses da vacina sejam aplicadas na população o mais rápido possível. “Ah, é lógico. Estão sendo distribuídas as vacinas hoje. A ideia é que, a partir de quarta-feira, diferentes estados comecem a vacinar. É óbvio que este primeiro lote, ele vai permitir 15%, 20% daquele grupo 1, mas a partir daí começam a chegar aqueles outros lotes. Eu julgo, aí, pelos cálculos que estão sendo feitos, que em abril a gente entra em um outro modo contínuo de vacinação e, consequentemente, né, numa situação melhor para o Brasil como um todo”, apontou.

ANVISA – O vice-presidente ressaltou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez um “excelente” trabalho ao aprovar o uso emergencial da Coronavac e da vacina de Oxford.

“Gente, há 3 meses, vocês são testemunhas. O que que eu falei? Que nós íamos ter vacina, que a vacina seria aprovada, a Anvisa fez um excelente trabalho. Tem duas vacinas aprovadas, tem vacina contratada para até o final do ano vacinar 70% da população brasileira. Consequentemente, a gente chegaria numa situação, ao fim deste ano, com liberdade de manobra em relação a esta pandemia”, disse.

PROTOCOLO – Por fim, ele pediu que a população continue seguindo o protocolo de higiene após a vacinação. “Faço minhas as palavras do Almirante Barra Torres [presidente da Anvisa], ontem, quando ele disse que não é porque a pessoa tomou a vacina hoje que amanhã pode estar na rua, aí, sem as medidas de proteção. O próprio ministro [Eduardo] Pazuello falou isso na semana passada, leva um tempo para a vacina fazer seus efeitos, e consequentemente é seguir dentro das regras que foram estabelecidas, os diferentes grupos”, destacou, emendando que o próximo passo do governo é melhorar a economia do Brasil.

“E o principal, que vem depois, é a gente resolver a situação econômica do país, de modo que a gente consiga retomar uma situação melhor de emprego para o nosso povo. E o país entre num ciclo de crescimento. É isso que a gente tá esperando”, concluiu.

Presidência da Câmara já tem 61 pedidos de impeachment contra o presidente Bolsonaro

POLÍCIA FEDERAL JÁ TEM PROVAS MATERIAIS QUE JUSTIFICAM IMPEACHMENT DE  BOLSONARO – Cariri é Isso

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Rosana Hessel

Enquanto o Brasil continua atrasado para o início de um programa de vacinação e o estado do Amazonas sofre novo colapso no sistema de saúde, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que criticou nas redes sociais o “negacionismo de líderes partidários” como motivo para o caos em Manaus, segue engavetando pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro.

Até esta sexta-feira (15/01), conforme dados da Secretaria-Geral da Mesa da Câmara acessados pelo Blog, foram protocolados 61 pedidos desde fevereiro de 2019. Quatro deles foram arquivados e duas novas denúncias foram realizadas neste ano e estão sob análise junto com outras 55.

NEGACIONISMO – Maia não comenta o assunto, mas criticou o governo nas redes sociais sobre a crise no Amazonas. “A falta de oxigênio em Manaus, o atraso na vacina, a falta de coordenação com estados e municípios, é resultado da agenda negacionista que muitas lideranças promovem”, escreveu o Maia, ontem à noite, nas redes sociais. Em outra postagem, defendeu a volta dos trabalhos do Legislativo “na semana que vem”.

Apesar de Bolsonaro tentar se isentar da responsabilidade do colapso da saúde no Amazonas, esse episódio é a “cereja do bolo” para coroar os motivos, que não faltam, para que o presidente sofra um processo de impeachment, na avaliação do advogado e especialista em direito constitucional Ricardo Pantin, que critica a falta de coordenação do Ministério da Saúde na condução da crise provocada pela pandemia.

MORTE POR SUFOCAÇÃO – “A situação em Manaus é dramática. Leitos de hospitais lotados e os que vagam não tem oxigênio. Pessoas morrem sufocadas aos montes. A ausência dessa coordenação gerou um caos nos estados e municípios, daí que é acertado sustentar, não bastasse os inúmeros pedidos de impeachment protocolados na Câmara contra Bolsonaro por diversos crimes de responsabilidade que ameaçam as instituições, a democracia e a soberania”, afirmou.

Para ele, mais do que legítimo, “é urgente seja o presidente impedido, sob pena de multiplicarem-se exponencialmente o número de mortes, com evidente prejuízo do direito à vida, constitucionalmente assegurado e que está o Presidente a violar de forma sistemática e deliberada”.

VAZIO NA SAÚDE – O advogado Ricardo Pantin lembrou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes também criticou, recentemente, falta de coordenação do Ministério da Saúde e a presença de militares na pasta.

“Não é aceitável que se tenha esse vazio. Pode até se dizer: a estratégia é tirar o protagonismo do governo federal, é atribuir a responsabilidade a Estados e Municípios. Se for essa a intenção é preciso se fazer alguma coisa. Isso é péssimo para a imagem das Forças Armadas. É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável. É preciso pôr fim a isso”, apontou Mendes em uma videoconferência.

Na avaliação do especialista, Bolsonaro, além de afastado, precisa ser investigado “por crimes contra a humanidade” tanto tanto pelo Tribunal Penal Internacional quanto pela Justiça Brasileira, considerando o que prevê o art. 7º, “b” do Estatuto de Roma. “Estamos diante do crime de extermínio que se configura pela sujeição intencional a condições de vida que podem causar a destruição de uma parte da população”, afirmou. “Digno de nota é que não se trata de incompetência do governo, como muitos têm afirmado, mas de uma política deliberada de extermínio de parte da população, o que deixa os outros pedidos de impeachment protocolados junto à Câmara na “soleira”, adicionou.

VIDAS HUMANAS – De acordo com Pantin, os crimes cometidos pelo presidente da República “alcançaram patamares antes não imaginados por qualquer governo, independente de sua linha ideológica ou plataforma político-partidária”.

“A crise sanitária pela qual passa o Brasil não é uma pauta nem de direita nem de esquerda. Não se trata de política e sim de vidas humanas”, complementou.

Das 61 denúncias contra Bolsonaro por crimes de responsabilidade protocoladas na Câmara, duas foram realizadas neste ano. A primeira, feita em 11 de janeiro, foi assinada pelos deputados  Gleisi Hoffmann (PT-PR),  Enio Verri (PT-SP), Rogério  Correia (PT-SP) e Dep. Rui Falcão (PT-SP). E a outra é de autoria do deputado Alexandre Frota (PSDB-SP).