Garotinho cumpre a prisão domiciliar e sua defesa já está recorrendo

Resultado de imagem para garotinho chega a campos

Garotinho está proibido até de usar telefone celular

Amaro Mota e Ariane Marques
G1 Norte Fluminense

O ex-governador do RJ Anthony Garotinho (PR) chegou a Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, na tarde desta quarta-feira (13) para cumprir prisão domiciliar, usando tornozeleira. Ele chegou em casa às 15h50 depois de passar pela sede da Polícia Federal onde colocou a tononezeleira eletrônica. Anteriormente, Garotinho também fez exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) da cidade, acompanhado do advogado, Carlos Azeredo, e da mulher, Rosinha Garotinho.

Garotinho foi preso nesta manhã no Rio de Janeiro, após decisão do juiz Ralph Manhães, da 100ª Zona Eleitoral de Campos. O ex-governador foi condenado a mais de 9 anos de reclusão por comandar um esquema de compra de votos na cidade em 2016, quando era secretário de Governo. A pena, no entanto, foi transformada em prisão domiciliar com medidas cautelares até a decisão em segunda instância.

OBSTRUÇÃO – Ao justificar a prisão domiciliar, o juiz afirmou que grupo de Garotinho tentou atrapalhar o avanço da ação penal e usou até armas para intimidar testemunhas.

“Eu estou proibido pelo juiz de dar entrevista. Ele reimpôs a censura”, disse Garotinho à equipe do RJ Inter TV ao chegar na Polícia Federal.

Rosinha, ex-prefeita de Campos, afirmou que a defesa está recorrendo da decisão.”Essa prisão é uma medida arbitrária, não há nada provado contra o Garotinho. Ele nunca desviou dinheiro público. Vamos reverter essa decisão na Justiça”, afirma Rosinha.

Durante a prisão domiciliar, Garotinho será fiscalizado por agentes da Polícia Federal, que estão autorizados a entrar na sua casa, quando necessário, independente de comunicação judicial ou comunicação prévia.

PRISÃO NA RÁDIO – A prisão de Garotinho ocorreu por volta das 10h30 desta quarta após um intervalo na programação da Rádio Tupi. O locutor Cristiano Santos assumiu o “Fala Garotinho” e afirmou que o ex-governador teve de deixar o programa por questões de saúde (ouça abaixo).

“A vinheta não entrou errada, não. Estou de volta para fazer companhia pra você. Nosso Garotinho até tentou, você viu, até tentou fazer o programa hoje, mas a voz foi embora, e a orientação médica é que ele pare de falar, agora tem que se cuidar. O marido que pertence à Rosinha vai se cuidar para amanhã estar de volta, se Deus quiser, quando estiver bom. Já falei com ele, volta quando estiver bom. Eu cuido aqui do programa com muito carinho”, afirmou Santos nesta quarta.

MEDIDAS CAUTELARES – A sentença que determina a prisão de Garotinho afirma que ele ficará em prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico. Durante este período, só pode entrar em contato com a esposa, a ex-governadora Rosinha Matheus, com os filhos, netos e a mãe, assim como com os advogados.

Durante o período da prisão domiciliar, Garotinho também não poderá entrar em contato com nenhum meio de comunicação eletrônica, como telefones celulares ou internet e nem dar entrevistas. O ex-governador foi intimado a entregar o passaporte.

O QUE DIZ A DEFESA – Por meio de nota, a defesa do ex-governador Anthony Garotinho afirmou que repudia os motivos apresentados para a prisão do ex-governador e entende que a decisão de mantê-lo preso em casa, em Campos, tem a intenção de privá-lo de seu trabalho na Rádio Tupi e em seus canais digitais e, com isso, evitar que ele continue denunciando políticos criminosos importantes, alguns deles que já foram até presos.

A defesa nega, ainda, as acusações imputadas a Garotinho e informa que ele nunca nem foi acusado de roubo ou corrupção. O processo fala de suspeitas infundadas de compra de votos, o que por si só não justifica prisão.

O advogado afirma, por fim, que a prisão domiciliar, além de não ter base legal, causa danos à sua família já que o impede de exercer sua profissão de radialista e sustentar sua família. O ex-governador irá recorrer da decisão.

Esclarecimentos sobre o projeto de ampliar a Tribuna da Internet

Resultado de imagem para keynes

Keynes: ‘A longo prazo, todos estaremos mortos’

Carlos Newton

Está havendo muita confusão, muito tiroteio. Alguns participantes não entenderam o projeto de ampliação da “Tribuna da Internet” e a possível transformação em site, com lançamento de livros e realização de eventos. Surgiu até o temor de que o blog ira deixar de ser um espaço aberto a todas as tendências ideológicas e passaria a ter orientação editorial, como acontece em praticamente todos os sites e blogs.

As dúvidas são procedentes, porque essa questão ainda não foi tratada nos textos de Fallavena e Bendl. E aproveito para esclarecer minha posição. Acho ótima a ideia de fazer livros, porque congrega os autores e incentiva o debate sobre os temas nacionais. Também me agrada a possibilidade de a TI organizar eventos, tipo seminários. Quanto à ideia de transformar em site, com certeza não me incomodo que outros participantes queiram se reunir e criar uma ONG para gerir o blog quando eu não mais estiver por aqui…

A LONGO PRAZO… – Como dizia o genial economista John Maynard Keynes, a longo prazo todos estaremos mortos. Portanto, mudanças e substituições são naturais,  ninguém fica aqui para sempre. No meu caso, caminho para os 74 anos e já virei o Cabo da Boa Esperança, como se dizia antigamente. Se a “Tribuna da Internet” puder sobreviver sem mim, com a característica de espaço livre, eu ficaria grato, é claro.

Já abordei esse assunto, tempos atrás, e revelei ter indicado dois grandes jornalistas cariocas para me substituírem na TI – Elifas Levi e Marcelo Copelli, plenamente capacitados para tocar o blog e manter o respeito às diversas tendências ideológicas e sociais.

Na época, muitos participantes até pensaram que eu estava doente e prestes a passar o bastão. Mas não era isso, apenas sei que a idade pesa e não conseguirei manter o blog para sempre. Conclusão: ou alguém me substituirá ou a TI simplesmente vai parar de circular.

UMA ALTERNATIVA – Foi diante dessa realidade que Fallavena e Bendl passaram a discutir, sem a minha participação, uma maneira de preservar este espaço na internet. No momento, eles querem apenas discutir com os comentaristas a melhor maneira de atingir este objetivo. Nada tenho a opor. Acho maravilhosas as ideias deles, as intenções são ótimas.

Mas faço questão de não participar do debate, que gostaria que não se travasse aqui no blog, mas pelo e-mail criado por Fallavena e Bendl. Troquem ideias, briguem à vontade, mas no bom sentido, depois cheguem a alguma conclusão e me comuniquem. Eu apenas faço questão de manter a indicação de Elifas e Copelli para conduzirem o blog, porque eles sabem fazer melhor do que eu.

Mais uma vez, lembro que o e-mail é tribunainterpesquisa@hotmail.com

Lula depõe, diz ter pena de Palocci e espera que o MPF lhe peça desculpas

Resultado de imagem para lula depoe pela segunda vez

Lula foi recebido pela torcida organizada do PT

Deu no G1 PR

Em depoimento na Justiça Federal de Curitiba nesta quarta-feira (13), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o ex-ministro de seu governo Antonio Palocci “mentiu” em depoimento ao juiz Sérgio Moro. “Eu vi o Palocci mentir aqui essa semana”, afirmou. Para Lula, o ex-ministro citou seu nome apenas para reduzir alguns anos de condenação. “Fiquei com pena disso”.

Palocci foi interrogado por Moro nesta mesma ação na semana passada e afirmou que Lula tinha um “pacto de sangue” com o dono da empreiteira Odebrecht, que incluia um “pacote de propinas” para o ex-presidente no valor de R$ 300 milhões.

POWER POINT – Lula também negou as acusações do Ministério Público Federal (MPF) de que recebeu propina da Odebrecht e disse que a força-tarefa da Lava Jato quer transformá-lo no “power point” deles.

“Eles [a força-tarefa da Lava Jato] inventaram que o triplex era meu porque ‘O Globo’ disse e não é, o senhor sabe disso. Agora, inventaram que o apartamento é meu, e não é, e eles sabem disso. Como inventaram a história do sítio, que é meu, e não é. Ou seja, três denúncias do Ministério Público por ilação, porque eles têm a ideia de transformar o Lula no power point deles”, afirmou.

O ex-presidente se referia a uma das apresentações de denúncia feita pelos procuradores da Lava Jato contra Lula, na qual o nome dele aparecia no centro de um esquema de corrupção. O ex-presidente disse que vai provar ser inocente e espera um dia receber desculpas do MPF.

ASSESSOR DE PALOCCI – O interrogatório do ex-presidente na Operação Lava Jato terminou por volta das 16h20, depois de 2 horas e 10 minutos de depoimento, na sede da Justiça Federal, em Curitiba. Outro réu, o ex-assessor do ex-ministro Antonio Palocci, Branislav Kontic, foi interrogado logo depois de Lula.

Logo no início do interrogatório com o juiz federal Sérgio Moro, Lula afirmou que queria falar. Na condição de réu, ele poderia optar por ficar em silêncio. “Apesar de entender que o processo é ilegítimo e injusto, eu pretendo falar. Talvez eu seja a pessoa que mais queira a verdade neste processo”, afirmou o ex-presidente.

Em uma das ocasiões em que deu a palavra para Lula, Moro afirmou que não era hora de “discurso de campanha”. “O senhor gostaria de dizer alguma coisa ao final, Sr. ex-presidente? Só assim, senhor presidente [levanta a voz]: não é momento de campanha, não é momento de discurso, é para falar do objeto da acusação, se for o caso. Certo?”

ACUSAÇÃO – Esta é a segunda vez que Lula presta depoimento como réu em um processo da Lava Jato conduzido por Moro. A acusação é sobre um suposto pagamento de propina por parte da construtora Odebrecht, envolvendo o sítio de Atibaia, um terreno para a construção de uma nova sede para o Instituto Lula e um apartamento vizinho ao que o ex-presidente mora, em São Bernardo do Campo (SP). O imóvel é alugado desde 2002 e abriga, principalmente, os seguranças que fazem a escolta de Lula.

No caso anterior, quando Lula foi ouvido por Moro pela primeira vez como réu, ele era acusado de receber R$ 3,7 milhões em propina, de forma dissimulada, da empreiteira OAS. Em troca, ela seria beneficiada em contratos com a Petrobras. O ex-presidente acabou condenado naquela ação penal a nove anos e meio de prisão.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria contém um equívoco. O apartamento vizinho não é usado pelos seguranças e motoristas de Lula, que ficam em outro andar, num terceiro apartamento. E ficou provado que Lula jamais pagou “aluguel” pelo apartamento, que está em nove de um primo do empresário José Carlos Bumlai, um dos melhores amigos de Lula. (C.N.)

Por unanimidade, Supremo mantém Janot à frente das investigações sobre Temer

Resultado de imagem para antonio mariz de oliveira

‘Deixe-o em paz’, pediu em vão o advogado de Temer

Renan Ramalho
G1, Brasília

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votou nesta quarta-feira (13) para manter o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, à frente das investigações sobre o presidente Michel Temer. Votaram nesse sentido os 9 ministros da Corte presentes na sessão: Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Cármen Lúcia. Também integrantes do tribunal, Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes não participaram da sessão.

Relator da Operação Lava Jato na Corte, Fachin foi o primeiro a votar sobre um pedido da defesa do presidente para considerar Janot “suspeito” de atuar contra Temer. A defesa aponta perseguição pessoal por parte do procurador-geral, o que retiraria sua imparcialidade.

NO PLENÁRIO – Fachin já havia negado o pedido, no fim de agosto, em decisão individual, mas como Temer recorreu, o tema foi levado para decisão dos 11 ministros do STF.  Em seu voto, Fachin disse não enxergar “inimizade pessoal capital” nos procedimentos adotados por Janot contra Temer – na denúncia já apresentada por corrupção passiva e rejeitada pela Câmara, como também nas investigações que poderão levar a uma nova denúncia.

“Entendo não se qualificar com inimizade capital a expressão de atividades do Ministério Público consentânea com a transparência que deve caracterizar o agir republicano”, afirmou o ministro.

Além da “suspeição” sobre Janot, os ministros do STF também vão analisar pedido para impedir Janot de apresentar uma nova denúncia contra Temer. A defesa do presidente quer também que a Corte examine a validade das provas entregues pelos delatores da J&F, que embasam as investigações.

FACHIN É CONTRA – Em seu voto, Fachin já adiantou, no entanto, ser contrário a avaliar nesse momento a validade das provas, citando as gravações de Joesley Batista, um dos sócios da J&F, que gravou conversa com Temer. Lembrou o ministro que uma eventual nova denúncia contra Temer ainda terá de ser autorizada pela Câmara antes de ser analisada pelo STF.

Acompanhando o relator, o ministro Luiz Fux também não encontrou motivos para afastar Janot das investigações. “É o único integrante do Ministério Público que pode processar o presidente. É da sua atribuição processar o presidente a luz dos documentos levados à sua excelência, que a meu modo de ver sempre agiu no limite de suas atribuições institucionais. Em todo os momentos, agiu nos estritos limites da sua representação institucional, sem revelar em qualquer dos fatos, sentido de rancor, de sentimento, de vingança”, disse o ministro.

‘DEIXE-O EM PAZ’ – Primeiro a se manifestar no julgamento, o advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, disse que Janot é responsável por deixar o país “numa fase de incerteza, insegurança social, política, institucional, de todas as espécies”.

“O presidente quer trabalhar, ele não consegue, a cada momento aparece uma nova denúncia, quando não é a denúncia, é ameaça de denúncia. Flechadas, bambu, enquanto tiver a caneta na mão, não é assim que um procurador-geral se expressa. É preciso que haja comedimento, cautela, cuidado. Se está acusando um cidadão brasileiro, que é presidente da República, é o homem que responderá pelo país por um ano e meio daqui para a frente. Deixe-o em paz”, afirmou da tribuna do STF.

NOVA GRAVAÇÃO – Mariz chamou a atenção para a nova gravação de Joesley Batista e Ricardo Saud, que segundo ele, que coloca em dúvida de “forma absolutamente incontestável todas as provas” juntadas por Janot contra o presidente. Na conversa, os executivos da JBS tratam de uma suposta ajuda do então procurador Marcello Miller, ex-auxiliar de Janot, na seleção de fatos e agentes a serem delatados.

“Eventual nova denúncia não poderia ter curso, não poderia ser processada, não poderia ser enviada a Câmara, antes do término das apurações, determinadas pela presidente desta Casa e pelo procurador-geral”, disse.

SEM BENESSES? – O advogado também negou que, na gravação da conversa entre Joesley e Temer, num encontro em março no Palácio do Jaburu, o presidente tenha “solicitado, favorecido ou aceitado qualquer benesse”. “Quando o presidente solicitou algo? Quando recebeu algo? Quando aceitou? Os núcleos da ação penal não estão presentes”.

O vice-procurador-geral Nicolao Dino chamou de “absolutamente infundadas” as imputações feitas pela defesa de Temer contra Janot.

“Nada, absolutamente nada autoriza a conclusão de que haveria inimizade capital entre o procurador e o presidente da República”, disse Dino, que representou Janot no julgamento.

IMPERATIVO LEGAL – Ele disse que o chefe da PGR adotou medidas que “constituem imperativo legal no que se refere aos valores republicanos”. “Numa república ninguém está acima ou à margem da lei. Nada retira a convicção de haver trilhado e estar trilhado o caminho certo, reto”, disse Dino, acrescentando ser natural que as medidas de Janot “contrariem interesses”, já que cabe a ele o papel de acusador. “Janot está apenas cumprindo sua espinhosa missão”.

Ele também rebateu críticas a expressões ditas por Janot. “A expressão de ‘lançar flecha’ nada mais significa que o procurador-geral exercerá seu mandato até o fim, manejando os instrumentos processuais que a lei lhe confere”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComo previu o jurista Jorge Béja, a defesa de Temer não tinha a menor chance e o resultado foi 9 a 0. (C.N.).

Doleiro Funaro revela que Temer dividiu com Geddel uma propina da Odebrecht

Resultado de imagem para geddel e temer

Ao se despedir, Geddel chamou Temer de ‘fraterno amigo’

Fabio Serapião e Fábio Fabrini
Estadão

O doleiro e corretor Lúcio Funaro disse em sua delação premiada que o presidente Michel Temer dividiu com Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), ex-homen forte de seu governo, propina da Odebrecht. Nos anexos de sua colaboração, já homologada pelo Supremo, ele afirmou ter buscado R$ 1 milhão em espécie, supostamente pagos pela empreiteira, no escritório do advogado e ex-deputado José Yunes, amigo de Temer. Relatou também ter mandado a quantia para Geddel, na Bahia.

As declarações de Funaro se coadunam com a versão apresentada pelo ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Mello Filho, em sua delação. Ele relatou ter negociado com Temer e seus aliados, entre eles o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), doações de caixa 2 para campanhas em 2014, no total de R$ 10 milhões. Parte desse valor teria sido distribuída por meio de Yunes, apontado como um dos “operadores” do presidente. À Procuradoria-Geral da República (PGR), Yunes já disse ter sido usado como “mula” de Padilha para a entrega de um pacote.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
E o presidente Temer, sem ter como se defender, inventa umas frases de efeito, dizendo que “as garantias individuais estão sendo violentadas, diuturnamente”; que “facínoras roubam do país a verdade”; e que “bandidos constroem versões por ouvir dizer”. Chega a ser patético. Em qualquer país decente, Temer já teria sido algemado, mas aqui na Carnavália ainda não pode, porque falta Temer reformar a Previdência (C.N.)

Depois da Procuradoria, agora é a Polícia Federal que “persegue” o presidente

Resultado de imagem para pf denuncia temer

No esquema da PF, Temer surge como poderoso chefão

Bernardo Mello Franco
Folha

O inquérito do “quadrilhão” do PMDB implode o discurso de que Michel Temer seria vítima de perseguição da Procuradoria. Agora é a Polícia Federal, e não mais o Ministério Público, quem sustenta que o presidente está no topo de uma organização criminosa.

O relatório da PF faz um raio-x na atuação do chamado PMDB da Câmara. São quase 500 páginas de uma longa crônica de assaltos aos cofres públicos. O documento descreve falcatruas milionárias na Petrobras, na Caixa Econômica, em Furnas, no Ministério da Agricultura, na Secretaria de Aviação Civil e no Congresso.

VERSATILIDADE – De acordo com a investigação, o esquema operava em diversas modalidades: do pedágio em obras à venda de medidas provisórias, da fraude em licitações à cobrança de propina para liberar empréstimos.

Sua aposta mais lucrativa foi a eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara, em 2015. Com um investimento de R$ 30 milhões, repassados pela JBS, o grupo teria subornado dezenas de parlamentares para conquistar a cadeira. Nela, ampliou o poder de chantagem e multiplicou o faturamento dos negócios.

A PF afirma que o “quadrilhão” reunia seis amigos de longa data. A Lava Jato já prendeu metade do time: Cunha, Henrique Alves e Geddel Vieira Lima, o homem de R$ 51 milhões. Os outros três estão no Palácio do Planalto: Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, todos protegidos pelo foro privilegiado.

TEORIA CONSPIRATÓRIA – Nesta terça-feira, o presidente ensaiou fazer um pronunciamento para rebater as conclusões do relatório. Assessores conseguiram demovê-lo da ideia. Sem a opção de atacar Janot, ele teria que criar outra teoria conspiratória envolvendo a Polícia Federal, que é subordinada a seu governo.

Por fim, Temer divulgou uma nota em que protesta contra “toda forma de injustiça”, chama os delatores de “bandidos” e afirma que “facínoras roubam do país a verdade”.

Se o roubo se limitasse a isso, o país ainda estaria no lucro.

Gilmar Mendes acha que também foi gravado por Joesley, mas nem precisava…

Resultado de imagem para gilmar mendes dando entrevista

Conversa com  Joesley foi “institucional”, diz Gilmar

Marianna Holanda
Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que acha ter sido gravado por Joesley Batista, afirmou nesta terça-feira, 12, que a conversa com o dono da JBS teria sido “institucional”. Em entrevista à Rádio Gaúcha, Gilmar afirmou que o áudio deve ser de abril, quando os dois se encontraram no Instituto de Direito Público (IDP), do qual é sócio e professor. De acordo com o ministro, eles conversaram sobre as dificuldades do setor e o julgamento do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural).

“Institucional (a conversa). Foi sobre um julgamento que havia ocorrido, envolvendo o Funrural. Ele apareceu no instituto, eu estava dando aula, e conversamos sobre isso, as dificuldades do setor… Disse a ele que não havia muito o que fazer sobre a matéria, porque já havia sido decidido pelo tribunal, inclusive com meu voto contrário à pretensão dele (Joesley)”, afirmou.

COBRANÇA LEGAL – O Supremo decidiu, em 30 de março, que é legal a cobrança de contribuição previdenciária ao Funrural de empregador pessoa física. A cobrança, que já era feita, foi alvo de um recurso da União pelo parecer contrário da Primeira Turma do STF, que tinha avaliado que era indevida. A maioria dos ministros votou favoravelmente ao recurso do governo.

Questionado se ele conheceria Joesley e como teria sido feito o pedido do encontro, o ministro se limitou a responder que “tem impressão” que teria vindo da diretoria do IDP.

SUSPEIÇÃO DE JANOT – A um dia do pleno da Corte analisar a suspeição do procurador-geral, Rodrigo Janot, a quem Gilmar é crítico, o ministro avalia que não as delações não tem influência sobre o Supremo.

“Não vejo nenhuma repercussão sobre o STF. Acho que o Supremo equivocou-se ao não colocar limites nas delações premiadas, nos abusos perpetrados, não fazer análise dessas investigações”, afirmou.

Na entrevista, ele voltou a criticar a Procuradoria-Geral, a que disse que foi “utilizada” por Joesley, na delação da JBS. “Eu acho que o grande problema nesse contexto tem a ver com a Procuradoria-Geral. A PGR se serviu e também acho que foi utilizada pelo Joesley Batista”, disse.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Na entrevista, Gilmar Mendes voltou a humilhar Rodrigo Janot, dizendo que a atuação dele na Procuradoria-Geral da República foi “gestão de bêbado”. Com essa postura debochada, Gilmar está desmoralizando o Supremo e deveria sofrer impeachment por falta de decoro. Nem precisa ser usada a gravação de Joesley. (C.N.)

Anthony Garotinho é preso quando apresentava seu programa de rádio

Resultado de imagem para garotinho preso

Garotinho é preso pela segunda vez, pelo mesmo juiz

Deu no G1 Rio

O ex-governador do Estado do Rio de Janeiro Anthony Garotinho foi preso na manhã desta quarta-feira (dia 13) no Rio de Janeiro. Ele teria sido detido quando apresentava o programa de rádio que ancora na Rádio Tupi. E a Polícia Federal está levando Garotinho para Campos dos Goytacazes.

A ordem de prisão é do juiz Ralph Manhães, da 100º Zona Eleitoral de Campos dos Goytacazes. Garotinho é suspeito de comandar um esquema de troca de votos pela inclusão de famílias no programa social Cheque Cidadão, em Campos dos Goytacazes, de acordo com denúncia do Ministério Público Eleitoral (MPE). Ele foi secretário municipal na cidade.

OPERAÇÃO CHEQUINHO – Garotinho havia sido preso no dia 16 de novembro do ano passado pela Operação Chequinho, que apurou o mesmo esquema.

Após a prisão, o ex-governador passou mal e foi levado para um hospital do Rio. De lá, foi levado à força, por decisão judicial, para uma unidade de saúde dentro do complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu. Dias depois, Garotinho conseguiu uma autorização para fazer cirurgia cardíaca em um hospital particular e, em seguida, para cumprir prisão domiciliar.

A detenção de Garotinho foi revogada, então, em 24 de novembro, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decretou uma fiança de R$ 88 mil, além de uma série de restrições.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Vamos aguardar informações mais detalhadas, porque o ilustre magistrado já demonstrou que é meio confuso, para se dizer o mínimo. Geralmente, juiz eleitoral não costuma decretar prisão de infrator. Por isso, é bom aguardar para saber os fundamentos da prisão. (C.N.)

Funaro revela esquema de corrupção de Temer para receber propinas em Angra 3

Resultado de imagem para angra três corrupção

Em março, o TCU já denunciara o esquema em Angra 3

Deu em O Globo

Em seu processo de colaboração, o doleiro Lúcio Funaro, operador financeiro do PMDB, afirmou que o presidente Michel Temer sempre soube dos pagamentos de propina e se beneficiou do esquema de corrupção em Angra 3. No acordo, já homologado pelo ministro Edson Fachin, Funaro foi além e nomeou quatro pessoas que teriam atuado como operadores do presidente Temer: José Yunes, seu ex-assessor especial e amigo há 40 anos; o coronel João Batista Lima Filho, dono da Argeplan; Wagner Rossi, ex-ministro da Agricultura e ex-presidente da Companhia Docas de São Paulo (Codesp) e Marcelo Azeredo, que também presidiu a Codesp, a administradora do Porto de Santos. As informações foram antecipadas no site do Globo na coluna Poder em Jogo, da jornalista Lydia Medeiros.

De acordo com o relato, Yunes seria o principal intermediário e usava a empresa do coronel Lima, a Argeplan, para lavar os ganhos indevidos com o contrato de Angra 3. Delatores de empreiteiras — UTC, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa — já relataram à Lava-Jato que houve propina envolvendo o PMDB na obra. A empresa AF Consult, que já teve sede na Finlândia e Suíça, fechou um contrato de R$ 162 milhões com a Eletronuclear para participar das obras de Angra 3 e subcontratou duas empresas brasileiras, a empreiteira Engevix e a AF Brasil, que tem como sócia a Argeplan do coronel Lima.

PORTO DE SANTOS – A coluna também revelou que Wagner Rossi e Azeredo, segundo Funaro, operavam as propinas do Porto de Santos. O delator detalhou pagamento de propina feito à cúpula do PMDB pela empresa Cibe. Segundo Funaro, a empresa pagou 4% de propina para obter empréstimo do FI-FGTS no valor de R$ 300 milhões. Segundo o relato, o dinheiro foi dividido entre Moreira Franco (60%), Eduardo Cunha (25%) e o próprio Funaro (15%).

Procurado para comentar as acusações de Funaro, o presidente não se pronunciou. Moreira diz que não praticou ato ilícito.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se diz no jogo do bicho, Temer está cercado pelos sete lados, sem escapatória. Como registrou hoje, aqui na TI, o jornalista Pedro do Coutto, pela primeira vez na História do Brasil a Polícia Federal apresenta denúncia gravíssima contra um presidente da República, demonstrando que ele é o chefe de um “quadrilhão” que rouba a República. E o mais curioso é que nada acontece, sob pretexto de que o presidente não pode sair, porque ainda tem de reforma a Previdência. Tente explicar essa situação a um cientista político estrangeiro, e ele vai dizer que é a Piada do Ano. (C.N.)

Dizer que Temer e Cunha tramavam “diariamente” a queda de Dilma é o óbvio

Resultado de imagem para temer e cunha charges

Charge do Latuff, reprodução do Arquivo Google

Fabio Serapião e Fábio Fabrini
Estadão

O doleiro e corretor Lúcio Funaro disse em sua delação premiada que, na época do impeachment, o então vice-presidente Michel Temer tramava “diariamente” a deposição de Dilma Rousseff com o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A afirmação consta de um dos anexos da colaboração de Funaro, já homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na qual ele descreve a relação com a cúpula do PMDB e nomeia os “operadores” de Temer em supostos esquemas de corrupção.

Conforme Funaro, Cunha sempre foi o arrecadador de propinas para o chamado “quadrilhão” do PMDB, enquanto Temer atuava no núcleo político, viabilizando interesses de empresas que pagavam subornos ao grupo.

Funaro afirmou que a relação de Cunha e Temer oscilava, dependendo do “momento político”. “Na época do impeachment de Dilma Rousseff, eles confabulavam diariamente, tramando a aprovação do impeachment e, consequentemente, a assunção de Temer como presidente”, exemplificou o corretor num dos trechos do anexo.

Temer e seu partido romperam com Dilma meses antes de o afastamento dela ser aprovado e confirmado, mas o agora presidente sempre rejeitou a pecha de “conspirador” ou “golpista”.

Procurado, o Palácio do Planalto ainda não comentou as declarações de Funaro. E a defesa de Eduardo Cunha diz que. “enquanto não for levantado o sigilo, não comentará os supostos termos de delação”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Funaro fez uma delação verdadeiramente substancial, mas não trouxe a menor novidade no caso do impeachment. Para chegar ao poder, Temer e Cunha fizeram acordos com muitos grupos políticos e empresariais. Agora, estão pagando a conta com a abertura da terceirização, a defloração das leis trabalhistas e a reforma da Previdência. Como se sabe, a dívida já está quase paga e o prazo de validade de Temer termina em 31 de dezembro de 2018. Depois, terá de prestar contas à Justiça, junto com os demais integrantes do “quadrilhão”. (C.N.)

Prisão de Wesley indica que Joesley e Saud passarão para regime de preventiva

Resultado de imagem para wesley batista

Wesley vai fazer companhia ao irmão em Brasília

Bela Megale. Camila Mattoso e Mônica Bergamo
Folha

O empresárioWesley Batista,  sócio da JBS e irmão de Joesley Batista, foi preso na manhã desta quarta-feira (dia 13) em São Paulo. O pedido de prisão é preventiva, ou seja, sem data para sair, segundo pessoas ligadas à empresa. Wesley ficará preso em São Paulo.

Também há um pedido de prisão preventiva expedido contra Joesley, que já está detido em Brasília desde terça-feira (dia 12).  O empresário se entregou à Polícia Federal no domingo (dia 10), após o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinar seu pedido de prisão.

“É absurda e lamentável a prisão e o inquérito aberto há vários meses em que investigados se apresentaram para dar explicações. Mais vez o Estado brasileiro é desleal com quem colabora com a Justiça”, diz o advogado de Wesley, Pierpaolo Bottini.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Diz o ditado popular que “pau que dá em Chico também pode dar em Francisco”. Ou seja, se Joesley está preso por omitir informações, o irmão também sonegou. Faz sentido a decisão do relator Édson Fachin. E a prisão de Wesley sinaliza que o irmão Joesley e o executivo Ricardo Saud também ficarão presos, com a ordem de provisória (apenas cinco dias) transformada em preventiva. O diretor jurídico Francisco de Assis e Silva, não se sabe por quê, até agora escapou da prisão, mostrando que pau que dá em Chico às vezes não dá em Francisco”. Daqui a pouco Kakay entra em cena, para protestar junto à mídia falada, escrita e televisionada. (C.N.)

Delator contradiz Janot e relata que houve reunião antes de Temer ser gravado

Resultado de imagem para francisco de assis e silva

Assis relatou os reuniões com a Procuradoria

Camila Mattoso, Letícia Casado e Raquel Landim
Folha

O advogado e delator da JBS, Francisco de Assis e Silva, afirmou em depoimento que esteve reunido com Eduardo Pelella, principal assessor do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, cinco dias antes da gravação escondida feita por Joesley Batista do presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu, no dia 7 de março. Assis e Silva contou que teve mais de três contatos, entre telefonemas e encontros, com a Procuradoria-Geral da República antes do dia 27 de março.

O procurador-geral escreveu em manifestação que “nenhum dos atuais colaboradores, direta ou indiretamente, haviam buscado tratativas com a PGR para iniciar negociação, fato que só veio a acontecer por volta do dia 27 de março”.

SOBRE GRAVAÇÕES – No depoimento prestado no último dia 7, o delator disse ter ouvido “abstratamente” de um outro integrante do grupo de trabalho da Lava Jato montado por Janot, o promotor Sérgio Bruno, que “uma coisa era ter a gravação de um deputado e outra, do presidente”.

Assis e Silva não fornece a data de quando isso teria sido falado, mas pontua que foi antes de 24 de março. O advogado acrescentou que no encontro do dia 2 de março, participaram, além dos dois, Sérgio Bruno, a advogada Fernanda Tórtima, que também atuava para a JBS, e mais uma pessoa da qual ele não se recorda.

Foi levado para a reunião, ainda segundo o delator, um documento com 13 itens detalhados sobre o que os executivos interessados em colaborar poderiam revelar.

TRÊS PREMISSAS – No depoimento, ele também fala que a JBS levou para a PGR três premissas: rapidez, sigilo e continuação dos irmãos Joesley e Wesley Batista à frente da direção da empresa. De acordo com os fatos narrados por Assis e Silva, esse teria sido o segundo contato com o grupo de Janot, mas o primeiro pessoalmente.

Procurada pela Folha, a Procuradoria nega contradição e diz que o primeiro encontro com o advogado ocorreu “para externar a vontade do cliente de fazer acordo”. “Apresentaram itens, que não são anexos, mencionando alguns temas sem detalhar nenhum deles ou dizer que tipo de prova trariam à negociação”, disse a assessoria.

“A PGR tem como marco temporal para tratativas de negociação de acordo o dia 27 de março, quando houve apresentação dos áudios. Antes disso, considera-se sondagem dos advogados”, disse.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNão há nada grave, apenas versões a serem conferidas. O fato concreto é que a JBS procurou a Procuradoria em busca de delação premiada e se ofereceu para fazer gravações até de Michel Temer, nos termos do precedente aberto por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Passados alguns dias, Joesley realmente fez a gravação, entregou à Procuradoria e mostrou como a política brasileira funciona nos bastidores. (C.N.)

Os olhos verdes que enfeitiçaram o poeta Vicente de Carvalho

Vicente de Carvalho 

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado, jornalista, político, abolicionista, fazendeiro, magistrado, contista e poeta paulista Vicente Augusto de Carvalho (1866-1924) afirma que os “Olhos Verdes” de sua amada são encantados e extrapolam sentimentos.

OLHOS VERDES
Vicente de Carvalho

Olhos encantados, olhos cor do mar,
olhos pensativos que fazeis sonhar!

Que formosas coisas, quantas maravilhas
em vos vendo sonho, em vos fitando vejo;
cortes pitorescos de afastadas ilhas
abanando no ar seus coqueirais em flor,
solidões tranquilas feitas para o beijo,
ninhos verdejantes feitos para o amor…

Olhos pensativos que falais de amor!

Vem caindo a noite, vai subindo a lua…
O horizonte, como para recebê-las,
de uma fímbria de ouro todo se debrua;
afla a brisa, cheia de ternura ousada,
esfolando as ondas, provocando nelas
bruscos arrepios de mulher beijada…

Olhos tentadores da mulher amada!

Uma vela branca, toda alvor, se afasta
balançando na onda, palpitando ao vento;
ei-la que mergulha pela noite vasta,
pela vasta noite feita de luar;
ei-la que mergulha pelo firmamento
desdobrado ao longe nos confins do mar…

Olhos cismadores que fazeis cismar!

Branca vela errante, branca vela errante,
como a noite é clara! como o céu é lindo!
leva-me contigo pelo mar… Adoante!
fímbria do horizonte onde te vais sumindo
e onde acaba o mar e de onde o céu começa…

Miller arrola Janot como testemunha, para provar que não ajudou a J&F

 enquanto ainda integrava o MPF (Foto: José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Miller é suspeito de ajudar a J&F a fazer delação

Renan Ramalho
G1, Brasília

A defesa do ex-procurador Marcello Miller pediu nesta terça-feira (dia 12) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot, e outros integrantes do Ministério Público Federal prestem depoimento para falar sobre as suspeitas de que teria ajudado delatores do grupo J&F a negociar o acordo de colaboração premiada.

O objetivo dos defensores é tentar demonstrar a inocência de Miller e esclarecer se, em algum momento, o ex-procurador da República solicitou a cada um que “intercedesse de qualquer forma em favor” da holding controladora do frigorífico JBS.

NO MESMO PROCESSO – O pedido foi protocolado dentro na mesma ação na qual Janot STF solicitou ao STF para prender Miller. O pedido de prisão foi negado na última sexta-feira (dia 8) pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo. No documento enviado ao STF, os advogados de Miller negam que ele tenha atuado dos “dois lados do balcão”, trabalhando na PGR e também para os executivos da J&F.

Além de Janot, Miller também pediu a Fachin oitivas com os procuradores Eduardo Pellela e Fernando Alencar, com o promotor Sergio Bruno, todos auxiliares de Janot na Operação Lava Jato.

O ex-procurador também pediu interrogatório com seu ex-assessor Marcos Gouveia, para que informe se recebeu pedidos dele para acessar dados, documentos ou informações do Ministério Público sobre as operações Lava Jato e Greenfield relacionadas à J&F. Por fim, também pediu dados da Procuradoria da República no Distrito Federal para verificar se Miller esteve no órgão entre outubro de 2016 a 5 de abril de 2017 – período anterior ao desligamento do ex-procurador da PGR.

À DISPOSIÇÃO – Miller se colocou à disposição para ser ouvido no processo novamente – ele já prestou depoimento à PGR na sexta (8) – e também informou abrir mão de seus sigilos bancário e fiscal.

Na manifestação ao STF, a defesa de Miller alega que ele decidiu deixar a PGR em fevereiro deste ano, após aceitar proposta de contratação pelo escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe. O desligamento só veio em 5 de abril porque, segundo os advogados, ele ainda tinha férias vencidas a serem gozadas. “O requerente jamais se utilizou de informações às quais tinha acesso em razão de sua posição para beneficiar quem quer que fosse”, diz um trecho do documento.

A defesa de Miller também diz que o fato de ele estar em “processo de integração” no escritório não o impedia de “prestar esclarecimentos ou tirar dúvidas de caráter geral de determinados clientes”.

SUPOSTA AJUDA – Um dos motivos apontados por Janot para pedir a prisão de Miller é sua suposta ajuda aos executivos da J&F na seleção de fatos e agentes políticos a serem delatados.

Em resposta, a defesa de Miller diz que ele “jamais sugeriu, orientou ou auxiliou de qualquer forma executivos da J&F a fraudarem documentos ou omitirem condutas criminosas”, negando crime de obstrução de Justiça.

No documento de 23 páginas, a defesa sustenta que Miller:não  recebeu ou pediu qualquer valor da J&F; estava afastado das investigações da Lava Jato desde julho de 2016; não acessou documentos ou dados do caso desde o início do ano passado e nunca investigou a J&F enquanto estava na PGR.

Por fim, negou participar de organização criminosa formada pelos executivos da J&F, como sustentou Janot em seu pedido de prisão. “De acordo com o que informaram os executivos da J&F, o requerente não os orientou a omitir rigorosamente nada de acordo de colaboração, até porque não tomou parte em tal negociação, tendo se limitado a fazer alguns esclarecimentos genéricos sobre o instituto e sua regulamentação”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Enquanto isso, na Segunda Turma do Supremo, sem nenhuma prova e em demonstração de leviandade funcional, o ministro Gilmar Mendes acusava o ex-procurador Miller de ter redigido o pedido de delação premiada do ex-senador petista Delcídio Amaral. Como já registramos aqui na TI, o comportamento de Gilmar é muito estranho e está a merecer uma Junta Médica. (C.N.)

PF usa powerpoint para denunciar Temer como chefe do “quadrilhão”

PowerpointDeu no Estadão

Relatório da Polícia Federal que atribui ‘vantagens’ de R$ 31,5 milhões ao presidente Michel Temer põe o peemedebista como um personagem que tem poder de decisão na suposta organização criminosa do partido na Câmara dos Deputados. A corporação ainda atribui ao ex-ministro Geddel Vieira Lima e aos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco o papel de ‘longa manus’ de Temer em esquemas de corrupção envolvendo contratos públicos e lideranças da legenda na Câmara.

As conclusões da polícia, foram encaminhadas nesta segunda-feira, 11, ao Supremo Tribunal Federal (STF). O relatório da investigação, que teve início em 2015, era aguardado pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, para finalizar a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer.

QUADRILHÃO – Foram indicados pela PF como nomes que participaram da organização criminosa, pela ramificação do PMDB da Câmara: o presidente Michel Temer, os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves; o ex-ministro Geddel Vieira Lima; e os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha.

O relatório tem como base delações da Odebrecht , da J&F do doleiro Lúcio Funaro e mensagens apreendidas no celular do ex-deputado Eduardo Cunha, condenado a 15 anos de prisão na Lava Jato e aliado histórico do presidente.

De acordo com a Polícia Federal, o ex-deputado Eduardo Cunha fazia a parta ‘obscura’, como chantagens, ameaças e negociatas, e o presidente Michel Temer tinha o papel de oficializar resultados dos acertos de Cunha.

GEDDEL EM CENA – Geddel, preso preventivamente na Operação Cui Bono?, apontado como um dos interpostos de Temer, seria integrante dos grupos administrativo e político da organização criminosa peemedebista identificada pela PF.

O relatório destaca um capítulo recente envolvendo Geddel, o confisco de malas e caixas com R$ 51 milhões em dinheiro vivo encontradas em um apartamento em Salvador. A dinheirama seria de Geddel – suas impressões digitais foram identificadas em cédulas.

O relatório destaca posições importantes que ele assumiu, como a Secretaria de Governo, e ressalta que Geddel estava em ‘perfeita sintonia’ com Eduardo Cunha. A corporação atribui a Geddel fraudes na Caixa Econômica Federal, à época em que era vice-presidente de pessoa Jurídica, como fraudes em liberação de empréstimos para Grupo JBS, Grupo Constantino (BR VIas, Oeste Sul/Comporte Participações) Mafrif/Seara, Big Frango, Alpargadas/JBS, J&F Investimentos e o Grupo Bertin.

MOREIRA E PADILHA – Ao ministro Moreira Franco, a PF atribui a arrecadação de R$ 5 milhões da OAS para a campanha de Michel Temer, e de R$ 4 milhões da Odebrecht, enquanto Secretário da Aviação Civil do governo Dilma, mesmo sabendo que a empreiteira tinha interesse na concessão de aeroportos.

Sobre Padilha, o relatório ressalta a suposta reunião da qual ele teria participado com executivos da Odebrecht, ao lado de Temer, no Palácio do Jaburu, para o acerto de R$ 10 milhões ao PMDB. O encontro foi relatado na delação da empreiteira.

Para concluir que há indícios da formação de uma organização criminosa, a Polícia Federal considerou no relatório que os peemedebistas investigados possuem poder sobre os demais membros do grupo e capacidade de repartir o dinheiro obtido através de práticas ilícitas como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e evasão de divisas.

COM A PALAVRA, TEMER – O Estado Democrático de Direito existe para preservar a integridade do cidadão, para coibir a barbárie da punição sem provas e para evitar toda forma de injustiça. Nas últimas semanas, o Brasil vem assistindo exatamente o contrário.

Garantias individuais estão sendo violentadas, diuturnamente, sem que haja a mínima reação. Chega-se ao ponto de se tentar condenar pessoas sem sequer ouvi-las. Portanto, sem se concluir investigação, sem se apurar a verdade, sem verificar a existência de provas reais. E, quando há testemunhos, ignora-se toda a coerência de fatos e das histórias narradas por criminosos renitentes e persistentes. Facínoras roubam do país a verdade. Bandidos constroem versões “por ouvir dizer” a lhes assegurar a impunidade ou alcançar um perdão, mesmo que parcial, por seus inúmeros crimes. Reputações são destroçadas em conversas embebidas em ações clandestinas.

Muda-se o passado sob a força de falsos testemunhos. Vazamentos apresentam conclusões que transformam em crimes ações que foram respaldas em lei: o sistema de contribuição empresarial a campanhas políticas era perfeitamente legal, fiscalizado e sob instrumentos de controle da Justiça Eleitoral. Desvios devem ser condenados, mas não se podem criminalizar aquelas ações corretas protegidas pelas garantias constitucionais.

Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República

COM A PALAVRA, PADILHA – O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, informa que só irá se pronunciar quando e se houver acusação formal contra ele que mereça resposta.

COM A PALAVRA, MOREIRA – Jamais participei de qualquer grupo para a prática do ilícito. Repudio a suspeita. Responderei de forma conclusiva quando tiver acesso ao relatório do inquérito. Lamento que tenha que falar sobre o que ainda não conheço. Isto não é democrático.

Barroso autoriza novo inquérito contra Temer sobre o Porto de Santos

Imagem relacionada

Barroso aceitou a denúncia em velocidade a jato

Deu no Estadão

O ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer (PMDB). A investigação mira o Decreto dos Portos que teria favorecido uma empresa do setor. A necessidade de uma investigação contra Temer e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) foi inicialmente apontada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em junho, quando a Ministério Público Federal enviou à Corte máxima a denúncia contra o presidente por corrupção passiva.

Em agosto, em manifestação enviada ao Supremo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, insistiu na abertura de um novo inquérito.

OUTROS CRIMES – Na época, Janot apontou a necessidade de apurar possíveis crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e corrupção passiva.

Segundo a PGR, durante as investigações relacionadas ao caso da JBS foram identificados “outros fatos penalmente relevantes, os quais merecem ser devidamente apurados em inquérito próprio”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDo jeito que as coisas estão indo, Temer vai acabar alcançando Lula em matéria de número de inquéritos. Mas os recordistas são imbatíveis – Renan, com 17, e Jucá, 15. (C.N.)

Dinheiro na fita de Joesley e Saud, enquanto o gelo tilintava nos copos

Resultado de imagem para gravação de joesley

Joesley Batista ainda tem muita coisa para contar

José Casado
O Globo

O gelo tilintava nos copos. Bebiam, comiam e gravavam a conversa sobre a compra de políticos, entre eles o senador piauiense Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressista, e o ex-deputado paulista Valdemar Costa Neto, que controla o Partido da República (PR).

O empresário Joesley Batista ria ouvindo o executivo Ricardo Saud falar sobre um suborno de R$ 45 milhões ao senador Nogueira, em março passado, no Rio:

— Falei: “Olha, não pega o dinheiro da Odebrecht, não. O Antonio Carlos veio aqui e me contou, que estão pagando lá no exterior. E que o Valdemar Costa Neto está recebendo no exterior”.

EX-MINISTRO – Ricardo Saud não identifica “Antonio Carlos”, mas as circunstâncias sugerem ser Antonio Carlos Rodrigues, ex-senador paulista e ex-ministro de Dilma Rousseff. No papel, Rodrigues é presidente do PR. Na vida real, é um escudeiro de Valdemar Costa Neto.

Valdemar, conhecido como “Boy”, é quase uma lenda no submundo da política. Coleciona seis mandatos de deputado por Mogi das Cruzes (SP), além de duas renúncias.

Uma foi em 2005, quando foi acusado de corrupção no mensalão. Na época, sua mulher contou no Congresso como ele havia recebido R$ 40 milhões do PT, e embolsado R$ 10 milhões. Outra foi em 2013, quando sentenciado por corrupção e lavagem de dinheiro a sete anos de prisão — com multa de R$ 1,6 milhão sobre um patrimônio declarado de R$ 2,5 milhões.

Passou um ano no Presídio da Papuda, em Brasília, atual endereço da dupla Joesley e Ricardo. Da cela, Valdemar conduziu o PR na eleição de 2014 auxiliado por Rodrigues.

FORTE BANCADA – No fim de 2014, quando o Supremo o mandou à prisão domiciliar, já comandava uma bancada de 38 deputados e quatro senadores do PR. Dilma Rousseff deu-lhe o Ministério dos Transportes. Valdemar indicou Rodrigues.

Ciro e o PP, Valdemar e o PR são onipresentes nas principais investigações sobre corrupção na última década e meia — do mensalão às fraudes em agências reguladoras; das propinas da Odebrecht às da JBS, entre outros.

Ciro acaba de ganhar de Michel Temer a estratégica secretaria do Cade, onde são decididas fusões, aquisições e incorporações entre grandes empresas, além de bilionários acordos de leniência como os da Odebrecht e da JBS. “Boy”, enquanto isso, se dedica a uma nova empreitada: a construção de mais um partido.

NOVO PARTIDO – Nos próximos dias a Justiça Eleitoral deve autorizar o “Muda Brasil” de Valdemar a funcionar. Será o 36º partido político. Ele já tem o PR, que recebe R$ 48 milhões anuais via Fundo Partidário, receita equivalente à de uma empresa de médio porte. É dinheiro público, sem risco, e com acesso ao rádio e à televisão garantido por lei durante as eleições.

— Essa turma não está em outro planeta? — perguntou Joesley Batista a Ricardo Saud, na autodelação gravada de seis meses atrás, agora em poder do Supremo. — Pai do céu. Que dois mundos diferentes, né?

Ironizou: — Ricardo, se “nós mostrar” só essa partezinha da fita do Ciro, sem as outras putarias… Só a partezinha de que vai derrubar a Lava-Jato… Nossa senhora… Já pensou?

O executivo começou a rir: — E nós ainda podemos falar o seguinte: “Ó, tá aqui, olha, tem um vídeo… Dando dinheiro pra ele.”

Senador tucano abandona CPI da JBS após Carlos Marun ser indicado relator

Resultado de imagem para ricardo ferraço

Ferraço diz que CPI é armação para defender Temer

Gustavo Garcia
G1, Brasília

O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) deixou nesta terça-feira (12) a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da JBS após o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) ser escolhido relator dos trabalhos da CPMI.Marun integra a chamada “tropa de choque” do presidente Michel Temer no Congresso Nacional e, na avaliação de Ferraço, a escolha de um aliado de Temer para a relatoria mostra ser “evidente” que a CPI terá investigação “parcial”.

“As evidências são de que essa CPI não quer investigar coisa alguma. Essa CPI quer fazer acerto de contas. Existem crimes gravíssimos que precisam ser investigados com firmeza, rigor, mas com imparcialidade e isenção. Na medida que você coloca chefe de tropa de choque para fazer isso ou aquilo, fica evidente que essa será uma investigação parcial e eu não participo disso, por isso pedi o afastamento”, assinalou Ferraço ao explicar a decisão.

J&F E BNDES – A CPMI foi instalada na semana passada e terá como foco investigações sobre empréstimos obtidos pelo grupo J&F, que controla a JBS, junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O presidente passou a ser investigado no Supremo Tribunal Federal após os delatores da J&F entregarem informações sobre ele ao Ministério Público Federal – Temer nega todas as acusações.

O deputado Carlos Marun disse não se sentir constrangido em ser o relator da CPMI pelo fato de ser aliado de Michel Temer. A jornalistas, Marun afirmou não querer a “espetacularização” da CPI nem a transformação dos trabalhos da comissão em “palanque eleitoral”.

ATITUDE BAIXA – “Se a minha nomeação como relator gerou descontentamento, espero que minha atuação não produza descontentamento. A atitude do senador Ferraço é uma atitude tão baixa. O senador Ferraço não me conhece como eu não o conheço. Eu gostaria de saber qual é a atitude que eu tomei fora da legalidade, fora da retidão […] Se for por questão de honestidade, eu posso dar aula ao senador Ferraço”, disse.

“Ele [Ferraço] pode ser no máximo tão honesto quanto eu. Mais honesto que eu ele não é. Sua atitude é indigna de quem se diz democrata […]. Esse tipo de gente acaba não fazendo falta em uma CPI na qual é exigida coragem”, acrescentou.

ALENCAR PROTESTA – Em meio à sessão da CPI, o senador Otto Alencar (PSD-BA) deixou o plenário criticando o encontro do presidente do colegiado, Ataídes Oliveira (PSDB-TO), com Michel Temer no último sábado (9), no palácio do Jaburu.

Ao deixar a sala da reunião, Otto Alencar bateu a porta da sala com força. Ataídes lamentou a atitude do colega e afirmou que, na reunião que teve com Temer, não tratou de CPMI da JBS, somente de obras de uma estrada no estado de Tocantins.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Está tudo dominado. Mesmo assim, pode ser que a CPI descubra mais alguma coisa a respeito do relacionamento podre entre a J&F e o BNDES, a partir da gestão de Guido Mantega e chegando até o final da gestão de Luciano Coutinho, em 2016. (C.N.)

Eletrobrás com privatização à brasileira? Não!

Resultado de imagem para eletrobras privatização charges

Charge do Nani (nanihumor.com)

Hildeberto Aleluia

Com a Eletrobrás o governo tem a chance de realizar uma operação séria e vantajosa para o país. Como a Inglaterra fez ao privatizar suas empresas estatais. Lotes mínimos, em pequenas quantidades, para que a população possa participar e lotes máximos, definidos, para que os de sempre não se favoreçam. Administração profissional por indicações de assembleias de acionistas. Essa deve ser a regra básica. As privatizações das empresas estatais brasileiras nos governos FHC e na era petista são de triste memória. E franco prejuízo para os contribuintes.

Algumas delas foram realizadas sob ações duvidosas (criminosas?) que geraram inclusive processos na justiça. Se juntarmos empréstimos, favores, elisão e renúncia fiscal de nossos governos para o elenco “privatizado”, o rombo final será maior que o atual déficit fiscal do Brasil.

O CASO DA OI – O melhor exemplo é a OI. A maior Tele do país foi entregue, escancaradamente, para um grupo “selecionado” pelo governo brasileiro de então. Pouco tempo depois, já sob a era petista, ela dobrou de tamanho. Como a Lei não permitia, o governo Lula fez outra Lei e possibilitou que a Brasil Telecom fosse “comprada” pela OI. Maior ainda ela se tornou. Maior ainda foi o financiamento estatal. Toda essa trama um dia foi parar na Justiça e tudo acabou sossegado. Menos para o contribuinte.

A “privatização” da Vale, no mercado considerada um sucesso, é questionável quando se olha para seu quadro acionário. O governo ainda é o maior acionista. Dos cofres do BNDES saíram bilhões para essas tenebrosas transações. Somados a perdões e firulas fiscais, muitos outros bilhões. Tudo saiu do bolso do contribuinte. Que vantagem ele teve nisso? Nenhuma. A cada privatização a justificativa é rombo nas contas pÚblicas, preços e serviços melhores para os consumidores e maior eficiência. Nada disso acontece. No caso das Teles, essas companhias se transformaram em empresas de internet.

LIGAÇÕES CARAS – O brasileiro não sabe. Continua pagando uma das telefonias mais caras do globo. Ineficiente, ineficaz. E temos uma das piores e mais caras bandas largas do mundo. No caso da Vale, a maioria acionária pertence aos fundos de pensões administrados pelo governo e grande parte deles deficitários, quebrados.

O exemplo da OI serviria para escrever um compêndio. Os envolvidos, ou “novos  donos” , sugaram essa empresa enquanto puderam. Foram saindo devagarinho e aos poucos, por arranjos societários, pularam fora do barco. Sem nenhuma reação da sociedade ou do governo e do Congresso. Pilharam, malversaram e depois a entregaram de volta. Só não está explicitamente nas mãos do governo em razão de outras firulas, jeitos e arrumações jurídicas realizadas que permitiram uma intervenção.

A situação dela é tão calamitosa que grupos estrangeiros vacilam em assumir seu passivo e seu comando. O atual governo não tem, pelo menos de público, uma solução conhecida. E o consumidor continua pagando a conta.

GOVERNO DILMA – Nem é preciso rememorar as “privatizações” do governo Dilma. Basta o exemplo dos aeroportos. Escolheram os parceiros, quase sempre os mesmos – de preferência, empreiteiras ou grupos financeiros. Estes foram no exterior, buscaram empresas administradoras de aeroportos que assumiram uma porcentagem mínima das ações (coisa de no máximo cinco por cento) para repasse de tecnologia. Sob administrações temerosas projetaram aeroportos gigantescos, caros e pouco eficientes com o dinheiro do BNDES. Agora estão devolvendo.

Todos os donos de aeroportos, brasileiros, estão investigados ou presos na Lava Jato. A conta é do contribuinte via BNDES.

ELEFANTES AÉREOS – No aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro só funciona o terminal 01. Viracopos em Campinas é um assombro. Super dimensionado, corredores intermináveis sem esteiras rolantes ou trem interno. Que o digam passageiros que são obrigados a longas caminhadas com bagagens nas costas. Quase nunca se encontra carros elétricos para o transporte, e sua estrutura, metade ou mais, está ociosa. Não há como se sustentar sem a mão do Estado.

Agora o governo anuncia a transferência do controle dessas administradoras para empresas chinesas. Essas mesmas empresas chinesas estão comprando participações acionárias nas empreiteiras brasileiras. As empreiteiras permanecem com o mesmo nome, os acionistas brasileiros permanecem e ainda embolsam uma bolada. Muito estranhos, esses chineses. Mas não jogam dinheiro fora.

Isso, sem contar com as “privatizações” das linhas de transmissões da energia gerada pelas usinas estatais. Esse é outro buraco negro. A maior parte da recente ajuda do governo, aprovada pelo Congresso Nacional (62 bilhões de reais) ajudou a turma da transmissão. Envolvidas num cipoal de leis, normas, regulações e procedimentos que o grande público não entende, esse setor navega sob águas turvas e sorve bilhões de reais pagos pelo consumidor.

UM ROLO DE DILMA – O atual rolo é uma herança deixada pelo governo Dilma. Como nada é muito claro, estamos a ler nos jornais agentes do governo atual criticando o governo passado. Certo ou errado, essa dinheirama foi uma das causas do atual déficit público. E saiu do bolso do contribuinte.

Engraçado nisso tudo é o fato de apenas o governo federal reclamar. Nem o consumidor, nem os agentes públicos e privados das geradoras e transmissoras reclamam nada. Apenas a Eletrobrás e o Ministro da Fazenda. É preciso muita fiscalização para a Eletrobrás não ir parar nas mãos dessas mesmas turmas. Elas costumam ganhar sempre. E sempre contam com a ajuda do Congresso, da Agência Reguladora de Energia e do CADE.