Celso de Mello manda PGR avaliar pedido de perícia em celulares de Bolsonaro e de Carluxo

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
G1 / TV Globo

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou para a Procuradoria Geral da República (PGR) três notícias-crime apresentadas por partidos e parlamentares que pedem novos desdobramentos na investigação sobre a suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal.

Entre as medidas solicitadas estão o depoimento do presidente, e a busca e apreensão do celular dele e de seu filho, Carlos Bolsonaro, para perícia. Em despachos enviados nesta quinta-feira, dia 21, à PGR, o ministro ressaltou ser dever jurídico do Estado promover a apuração da “autoria e da materialidade dos fatos delituosos narrados por ‘qualquer pessoa do povo’”.

APURAÇÃO DOS FATOS – “A indisponibilidade da pretensão investigatória do Estado impede, pois, que os órgãos públicos competentes ignorem aquilo que se aponta na “notitia criminis”, motivo pelo qual se torna imprescindível a apuração dos fatos delatados, quaisquer que possam ser as pessoas alegadamente envolvidas, ainda que se trate de alguém investido de autoridade na hierarquia da República, independentemente do Poder (Legislativo, Executivo ou Judiciário) a que tal agente se ache vinculado”, escreveu o ministro do STF.

Os pedidos chegaram ao STF logo após o ex-ministro da Justiça Sergio Moro deixar o governo afirmando que o presidente tentou interferir na PF e que Bolsonaro buscou informações de investigações em andamento na Corte .

INVESTIGAÇÃO DE BOLSONARO – É praxe que ministros do STF enviem esse tipo de ação para manifestação da PGR, que é responsável por propor investigação do presidente perante o STF. Celso de Mello é relator do inquérito proposto pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, que investiga os fatos narrados por Moro.

Aras já defendeu em outros pedidos feitos no mesmo inquérito por deputados que a competência para esse tipo de linha investigação cabe ao MPF. Celso de Mello enviou os casos para análise da PGR e ressaltou que compete ao PGR analisar os fatos colocados. Não há prazo para Aras decidir sobre os pedidos.

Bolsonaro apela a Celso de Mello para que não seja divulgada a íntegra de vídeo: “Não divulgue a fita toda”

Bolsonaro tem “certeza” de que o STF não vai divulgar toda a reunião

Igor Veiga
O Tempo

Durante sua live nesta quinta-feira, dia 21, o presidente Jair Bolsonaro fez um apelo público ao ministro do STF Celso de Mello para que não autorize a divulgação na íntegra do vídeo da reunião ministerial ocorrida no dia 22 de abril.

O encontro é apontado como peça fundamental das supostas provas de interferência do presidente no trabalho da Polícia Federal, o que motivou a saída do ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro do Ministério da Justiça.

CONFIANTE – Em clima de revanchismo com parte da imprensa, Bolsonaro disse ter certeza de que o STF não vai divulgar toda a reunião. “Vocês (referindo-se à imprensa) vão perder amanhã, eu estou adiantando a decisão do ministro Celso de Mello. Não tem nada, não tem nenhum indício de que eu interferi em processo da PF naquelas duas horas de fita”, afirmou.

“Agora, eu só peço, não divulgue a fita toda. Tem questões reservadas, tem particularidades ali de interesse nacional. O resto, tem dois pedacinhos de 15 segundos que são questões de política externa do Brasil e que não pode divulgar. Agora o resto, divulga! E tem muito palavrão também. Se por acaso divulgarem, tirem as crianças da sala”, brincou Bolsonaro.

“Às vezes sai um palavrão mesmo, sem ofender ninguém. Não é o caso de tornar isso público, porque senão vão falar: vê se esse homem está à altura do cargo que representa”, concluiu o presidente.

INVESTIGAÇÃO – As acusações de Moro sobre interferências de Bolsonaro na Polícia Federal, principalmente na superintendência do Rio de Janeiro e na direção-geral da corporação, são alvo da investigação autorizada pelo STF.

Celso de Mello recebeu o vídeo da reunião na segunda-feira, dia 18. Naquele dia, o STF comunicou que o ministro decidiria sobre a divulgação da gravação – parcial ou total – até esta sexta-feira. Na semana passada, Bolsonaro afirmou que quem espera que o vídeo seja um “xeque-mate”, vai “cair do cavalo”.

A defesa de Moro defende a divulgação do conteúdo na íntegra. Segundo o próprio ex-ministro, não há assunto pertinente a segredo de Estado ou que possa gerar incidente diplomático, muito menos colocar em risco a segurança nacional, como alega Bolsonaro.

STF impõe derrota ao Planalto, limita MP de Bolsonaro e considera “erro grosseiro” ignorar Ciência

Maioria dos ministros decidiu restringir o alcance da Medida Provisória

André de Souza
O Globo

Por nove votos a um, o Supremo Tribunal Federal (STF) restringiu o alcance da Medida Provisória (MP) do presidente Jair Bolsonaro que livra qualquer agente público de processos civis ou administrativos motivados por ações tomadas no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

Segundo os ministros da Corte, medidas que possam levar à violação aos direitos à vida e à saúde ou sem o embasamento técnico e científico adequado poderão ser punidas. No julgamento, houve críticas a ações que ignorem a ciência e, mesmo sem citar nomes, à gestão do governo na área da saúde.

TUBAÍNA – O ministro Gilmar Mendes, por exemplo, fez uma referência à fala de Bolsonaro de que “quem for de direita toma cloroquina, quem for de esquerda toma tubaína”. O presidente vem sendo acusado de ignorar cientistas e técnicos ao minimizar a pandemia e defender medidas como a prescrição dos remédios cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes com sintomas leves da Covid-19.  Na última quarta-feira, por exemplo, por pressão de Bolsonaro, saiu o novo protocolo do Ministério da Saúde que ampliou a recomendação do uso dos medicamentos.

A MP do governo estabelece que as autoridades só poderão ser responsabilizadas se ficar comprovado o dolo (ação intencional) ou “erro grosseiro”. No entanto, estipula que o chamado “erro grosseiro” só estará configurado levando-se em conta cinco variáveis que, na prática, tornariam muito restritivo o enquadramento de autoridade por essa conduta. O que STF fez foi incluir na categoria “erro grosseiro” alguns tipos de medidas que as autoridades podem tomar.

RESPONSABILIDADE TÉCNICA“Quero ressaltar a importância das decisões tomadas por gestores durante a pandemia se fiarem ao máximo em standards técnicos, em especial aqueles decorrentes de normas e critérios científicos aplicados à matéria, entre elas as orientações da Organização Mundial da Saúde. Não podemos é sair aí a receitar cloroquina e tubaína, não é disso que se cuida. Claramente, o relator [ministro Luís Roberto Barroso] deixou isso de maneira evidente, é preciso que haja responsabilidade técnica”, disse Gilmar.

O ministro acrescentou ainda: “Caso um agente público conscientemente adote posição contrária às recomendações técnicas da OMS, entendo que isso poderia configurar verdadeira hipótese de imperícia do gestor, apta a configurar erro grosseiro. A Constituição não autoriza o presidente da República ou a qualquer outro gestor público a implementação de uma política genocida na questão da saúde”.

O primeiro a votar, na sessão de quarta-feira, foi o ministro Luís Roberto Barroso, relator das seis ações que questionam a MP. O voto dele estabelece: “Configura erro grosseiro o ato administrativo que ensejar violação ao direito à vida, à saúde, ao meio ambiente equilibrado ou impactos adversos à economia, por inobservância: (i) de normas e critérios científicos e técnicos; ou (ii) dos princípios constitucionais da precaução e da prevenção.” Atos de improbidade administrativa, que têm uma lei própria, também não são alcançados pela MP, ou seja, podem passíveis de punição.

CONTROVÉRSIAS – Barroso chegou a citar o uso de remédios “de eficácia ou segurança ainda controvertidas na comunidade científica”, mencionando especificamente a hidroxicloroquina. Nesta quinta-feira, o ministro Luiz Fux, que acompanhou o voto do relator, também fez menção a isso e criticou o “negacionismo científico voluntarista”.

“Se pretende utilizar fármacos que ao invés de curar doentes venha a matar. E estamos experimentando um momento desafiador para a medicina. A medicina não conhece essa doença. Isso foi dito pelo ex-ministro da Saúde aqui no Supremo. Como a medicina não conhece essa doença, nessa área, como guardião da Constituição, garantidor do direito fundamental da saúde, da preservação da vida, todo cuidado é pouco”, disse Fux.

Nesta quinta-feira, além de Fux e Gilmar, votaram os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello e Dias Toffoli, totalizando dez de um total de 11 ministros. Apenas Celso de Mello não participou do julgamento.

RESTRIÇÃO – Quase todos concordaram com a restrição proposta por Barroso. Somente Marco Aurélio votou para rejeitar as ações. Ele alegou questões técnicas para rejeitar as ações e disse que isso seria tarefa do Congresso. Por outro lado, superado esse motivo, uma vez que a maioria dos ministros entender ser possível julgar as ações, Marco Aurélio disse ser favorável à suspensão de toda a MP.

Já o ministro Alexandre de Moraes sugeriu uma restrição maior ainda, mas apenas Cármen endossou sua proposta. Moraes quis retirar um trecho da MP que isentava de punição medidas de “combate aos efeitos econômicos e sociais decorrentes da pandemia da covid-19”. Segundo ele, mantido esse texto, ações tomadas daqui a alguns anos poderão ser justificadas como relacionadas à pandemia e, com isso, ficarão livres de responsabilização.

“Isso pode justificar medidas relacionadas a planos econômicos, segurança pública, estaríamos aqui a permitir uma cláusula tão aberta, que se perpetuaria ao longo dos anos, que, a meu ver, inverteria a ordem, a lógica. Regra é a responsabilização, que nós transformaríamos em exceção. A partir dos próximos anos, todas as medidas terão alguma ligação, algum nexo com os efeitos gerados pela pandemia”, disse Moraes.

NADA DE ERRADO  – Gilmar foi contra. Ele citou processos judiciais movidos contra pessoas que ocuparam cargos na equipe econômica no passado e que, na sua opinião, não fizeram nada de errado. Para o ministro, o mesmo poderá voltar a ocorrer se o STF permitir isso.

Barroso também argumentou: “O que me preocupou, é por exemplo, o ministro da Economia [Paulo Guedes] cogitou de emitir papel moeda para acudir a emergência. Eu, que não sou economista, e isso não é da minha alçada, me arrepio com a ideia de emitir papel, porque associo isso com a escalada da inflação. Porém, há algumas decisões, puramente técnicas, em que você vai ter opiniões legítimas de um lado e de outro. Nestes casos, eu acho que você precisa de um erro grosseiro”.

EXIGÊNCIA  – Em seu voto, Barroso também propôs: “A autoridade a quem compete decidir deve exigir que as opiniões técnicas em que baseará sua decisão tratem expressamente: (i) das normas e critérios científicos e técnicos aplicáveis à matéria, tal como estabelecidos por organizações e entidades internacional e nacionalmente reconhecidas; e (ii) da observância dos princípios constitucionais da precaução e da prevenção, sob pena de se tornarem corresponsáveis por eventuais violações a direitos”.

Com receio de serem punidos no futuro e para evitar demora na adoção de medidas necessárias no curtíssimo prazo para debelar os efeitos econômicos da pandemia, as equipes do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, pediram para a Presidência da República editar a medida. Mas a MP fala tanto das ações de combate aos feitos econômicos, como também na área da saúde.

 

Bolsonaro minimiza mais de 20 mil mortes pela pandemia: “É a vida. Morre muito mais gente de pavor”

Bozoroca lave as mãos e o hole Arrependida 🚩🚩 on Twitter ...

Charge de Luff (jornal alemão Stuttgarter Zeitung)

Thays Martins
Correio Braziliense

Praticamente ao mesmo tempo em que o Ministério da Saúde anunciava que o número de mortes no país pela covid-19 no Brasil passou dos 20 mil, o presidente Jair Bolsonaro afirmava, em live pela internet, nesta quinta-feira, dia 21,, que é preciso se cuidar, mas que “morre muito mais gente de pavor do que do ato em si”.

“Tem que se cuidar. Eu estou com 65 anos tenho que cuidar de mim mesmo, (de) minha mãe que está viva. E toca o barco. É a vida, é a realidade. Morre muito mais gente de pavor do que do ato em si. Então o pavor também mata, leva ao estresse, ao cansaço, a pessoa não dorme direito, fica sempre preocupada, (pensando) ‘se esse vírus pegar vou morrer'”, disse o presidente.

“PRECAUÇÃO” – Bolsonaro afirmou ainda que adiou a viagem que faria para o Vale do Ribeira, região onde cresceu, para evitar riscos de contaminação da sua mãe. “Ia ter aglomeração. Vai que eu visito minha mãe e ela pega coronavírus. Iam dizer que eu infectei minha mãe”, disse.

Bolsonaro defendeu mais uma vez o uso da cloroquina como tratamento para a covid-19, mesmo sem comprovação científica de que a droga funciona para infectados pelo novo coronavírus. “Sabemos que não tem comprovação, mas tem muitos relatos médicos. Muitos hospitais particulares têm receitado. Eu sei que não sou médico, mas temos que dar uma esperança”, explicou.

REQUERIMENTO – O presidente lamentou o requerimento do PT que pediu o cancelamento do novo protocolo do Ministério da Saúde sobre uso da medicação. O partido solicitou que o governo federal não seja autorizado a “indicação e promoção” do uso de medicamentos que não tenham eficácia comprovada no tratamento da covid-19.

“A lamentar um grupo de senadores do PT que entraram com um requerimento para que o nosso entendimento deixe de ser válido. Quer fazer com que o pobre não tenha acesso a cloroquina. O protocolo do ministro anterior do anterior só poderia fazer uso em casos graves”, disse em referência ao ex-ministro Luiz Henrique Mandetta.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro mais uma vez rubrica a sua falta de preparo para ocupar a cadeira presidencial. Mostra que não nunca teve um plano estratégico para defender a população. Há mais de dois meses, empurra com a barriga, polariza para desviar do foco e lava as mãos diante da situação que se alastra. Ao dizer que as pessoas estão morrendo pelo pavor, assina novamente com as quatro ferraduras, entre pernósticos relinchos de apoio, o seu atestado de completa ignorância. Adiante com o berrante. (Marcelo Copelli)

Após “puxão de orelha” de Carluxo, Banco do Brasil recua e volta a anunciar em site de fake news

Carluxo “convenceu” o BB que era melhor deixar a razão de lado

Adriana Fernandes
Estadão

O Banco do Brasil decidiu retirar o veto ao site “Jornal da Cidade Online” para receber publicidade do banco, após o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) ter criticado o bloqueio.

A área de marketing e comunicação do BB, cujo gerente é Antonio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente Hamilton Mourão, considerou exagerado o bloqueio e retomou a permissão para que o site, alinhado à direita conservadora, receba publicidade do banco ontem mesmo. A decisão, no entanto, não foi divulgada. O presidente do BB, Rubem Novaes, disse ao Estadão que não concordou com a restrição e que o site não deveria ser punido.

CRÍTICAS – Como mostrou o Estadão, na quarta-feira, Carlos Bolsonaro criticou a atitude da área de comunicação que disse que vetaria anúncios no site. “Marketing do @BancodoBrasil pisoteia em mídia alternativa que traz verdades omitidas. Não falarei nada pois dirão que estou atrapalhando… agora é você ligar os pontinhos mais uma vez e eu apanhar de novo, com muito orgulho! Obs: não conheço ninguém do @JornalDaCidadeO”, escreveu o filho do presidente no Twitter.


O banco foi informado de que estava monetizando o site pelo Sleeping Giants Brasil. Trata-se de um perfil no Twitter que alerta empresas quando suas publicidades estão em sites com conteúdo racista ou de fake news. Nesse caso, o perfil comunicou o banco pela rede social de que sua publicidade estava numa página conhecida por espalhar fake news e, ainda, que é contra o isolamento social para combater a pandemia do novo coronavírus.

DESINFORMAÇÃO – O Jornal da Cidade Online publicou ao menos oito textos que foram desmentidos pelo Estadão Verifica, incluindo artigo que manipulou dados de pesquisas de opinião para fazer parecer que aprovação de Bolsonaro tinha aumentado entre janeiro a novembro do ano passado e esconder que a desaprovação do governo havia crescido de forma significativa.

Há, também, texto com informação falsa sobre a entrega de ‘códigos de segurança’ da urna eletrônica a venezuelanos e, em maio deste ano, uma peça de desinformação omitiu trecho da fala do governador de Nova York, Andrew Cuoco, sobre a queda do índice de novas infecções no Estado para destacar dados de pesquisa que ‘provariam’ a falha do lockdown em Nova York.

CONDENAÇÃO – O site foi condenado neste mês a indenizar o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, pela publicação de reportagens consideradas ofensivas. Os donos do site tiveram de retirar os textos do ar e ainda publicar a íntegra da sentença, além de uma retratação, em até 48 horas, sob pena de multa diária de R$ 1,5 mil.

O site AosFatos também revelou, em julho do ano passado, que o Jornal da Cidade Online possuía dois perfis apócrifos que atacavam políticos e magistrados. Os ‘colunistas’ Amanda Acosta e Otto Dantas usavam fotos alteradas da escritora Thalita Rebouças e de um homem, cuja foto original consta em um banco de imagens.

ACESSOS – Em nota, o editor do Jornal da Cidade Online afirma que a escolha do site para veicular o anúncio deriva do ‘considerável número de acessos’ no Estado.“Quanto as verificações realizadas pelo Estadão, é evidente que jamais se tratou de ‘fake news’, foram matérias que, de acordo com as agências verificadoras continham algumas imprecisões. Tanto é que foram prontamente corrigidas e as marcações retiradas. Nesse sentido, vale lembrar que qualquer veículo de comunicação pode errar ou cometer algum deslize, inclusive o Estadão“.

Sobre a reportagem do site AosFatos que aponta o uso de perfis apócrifos para atacar magistrados, o Jornal da Cidade Online afirmou que se trata de publicações ‘mentirosas, difamatórias e caluniosas’. “Dizer que o jornal fez uso de perfis apócrifos para textos escritos com a utilização de pseudônimo é uma aberração. O JCO é um empresa contituída (sic), com sede e CNPJ. Tem um jornalista responsável como editor e que responde por tudo que é publicado”, disse.

Celso de Mello chama de “fascistoides’ os bolsonaristas que ameaçaram juízes e procuradores

Celso de Mello autoriza depoimentos de ministros no inquérito que ...

Desta vez, Celso de Mello deixou de lado o seu “jurisdiquês”

José Carlos Werneck

Num linguajar pouco jurídico e que contraria toda a sua trajetória de vida, marcada pelo equilíbrio e serenidade, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, chamou de “bolsonaristas fascistoides, além de covardes e ignorantes”, os dois homens que foram presos, nesta quinta-feira, por ameaçar de morte juízes, promotores e procuradores do Distrito Federal.

Num e-mail enviado a membros do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios estava escrito que o “o Brasil chegou a um ponto onde não é mais possível resolver os problemas através da razão e do bom senso. Por esse motivo, a partir de agora, serão resolvidos através da execução do Estado de Sítio”.

AMEAÇA DE MORTE – “Por isso, convocamos a população para matar em legítima defesa de si mesmo e da pátria políticos, juízes, promotores, chefes de gabinetes, assessores, parentes, amigos, protetores, e demônios de toda sorte”, ressaltava o texto.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal acionou a Polícia Civil de Brasília, que prendeu duas pessoas na manhã desta quinta-feira.  Segundo informaram as autoridades policiais, os detidos afirmaram que receberam auxílio para a impressão de materiais e pagamento do aluguel do escritório, que foi alvo da operação, cuja locação tem valor médio de R$ 5 mil, mas não informaram nomes dos mandantes.

“Percebemos que está havendo um aumento na agressividade das ameaças proferidas pela internet como um todo. Em geral, acreditam na impunidade. Mas a Polícia Civil avisa: a internet não é terra sem lei”, declarou o delegado-chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos, Giancarlos Zuliani.

“FACE CRIMINOSA” – Para o até agora sereno e imparcial magistrado Celso de Mello, os autores das ameaças mostram “a sua face criminosa, própria de quem abomina a liberdade e ultraja os signos da democracia”.

 As declarações de Celso de Mello foram publicadas no jornal “Folha de S. Paulo”. Ele é é o relator do inquérito que investiga as acusações levantadas pelo ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, de que o presidente da República Jair Bolsonaro tentou interferir politicamente na Polícia Federal.

###
NOTA DA REDAÇAO DO BLOG
Esses agitadores cometeram diversos crimes, e o mais leve é o de ameaça (Art. 147). Aliás, o mesmo crime cometido pelo presidente Jair Bolsonaro – em menor escala, claro – ao ameaçar de demissão o então ministro Sérgio Moro. (C.N.)

“Não entrei no Governo para servir a um mestre, mas ao país”, diz Moro à revista norte-americana Time

“Não era minha intenção prejudicar o governo”, afirma Moro sobre acusação

Deu no Correio Braziliense

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro negou, em entrevista publicada nesta quinta-feira, dia 21, pela revista Time, que tivesse a intenção de prejudicar o governo de Jair Bolsonaro quando deu a entrevista coletiva na qual justificou seu pedido de demissão.

“Não era minha intenção prejudicar o governo. Mas eu não me sentiria confortável com minha consciência se não explicasse por que eu estava saindo”, afirmou Moro à publicação norte-americana.

INTERFERÊNCIA NA PF – Ao sair, Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal, abrindo uma grande crise no governo e tornando o presidente alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).

O ex-juiz da Operação Lava-Jato disse ainda que não entrou no governo “para servir a um mestre”. “Entrei para servir ao país, à lei”, disse. A frase foi postada por Moro no twitter ao compartilhar o link para a entrevista.

DESCONFORTÁVEL – As acusações são alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), cuja relatoria está com o ministro Celso de Mello. Na entrevista, Moro é questionado sobre a gestão do governo federal diante da pandemia do novo coronavírus, que já é o terceiro país com mais casos da Covid-19, e afirmou que se sentia “desconfortável” em fazer parte de um governo que não leva o vírus à sério. “Mas meu foco está no estado de direito”, disse à publicação.

A revista relembra os anos de Moro à frente dos julgamentos da Operação Lava Jato como juiz federal da 13ª Vara de Curitiba, no Paraná, e a condenação proferida por ele ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2017.

“DIFÍCIL AVALIAR” – Ao ser questionado sobre a noção de corrupção do atual governo, Moro responde que “é difícil avaliar” e que o desejo da população brasileira em manter a democracia “continua, apesar das circunstâncias do momento”.

“O Brasil é uma democracia firme. Suas instituições às vezes sofrem alguns ataques, mas estão funcionando. E há uma percepção crescente na opinião pública de que precisamos fortalecer os pilares da nossa democracia, incluindo o Estado de Direito. Esses desejos continuam, apesar das circunstâncias do momento”, disse.

RAMAGEM – Ao detalhar os motivos de sua saída, Moro afirmou que Bolsonaro queria nomear Alexandre Ramagem para a diretoria-geral da PF sem motivos; a alegação levou o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, a suspender a nomeação de Ramagem.

O ministro Celso de Mello deve decidir pela publicidade total ou parcial do vídeo de uma reunião interministerial realizada no dia 22 de abril, que tem sido apontada pelo ex-ministro como uma das principais provas da tentativa de interferência na PF, até esta sexta-feira.

Na escola de Ascenso Ferreira, o mestre era carrancudo como um dicionário

Ascenso Ferreira » Recanto do Poeta

Ascenso se notabilizou também como radialista

Paulo Peres
Poemas & Canções      

O poeta pernambucano Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (1895-1965), no poema “Minha Escola”, relembra a infância de sua época, quando o ensino era ministrado na base da palmatória.


MINHA ESCOLA

Ascenso Ferreira

A escola que eu frequentava era cheia de grades como as prisões.
E o meu Mestre, carrancudo como um dicionário;
Complicado como as Matemáticas;
Inacessível como Os Lusíadas de Camões!
À sua porta eu estacava sempre hesitante…
De um lado a vida… – A minha adorável vida de criança:
Pinhões… Papagaios… Carreiras ao sol…
Vôos de trapézio à sombra da mangueira!
Saltos da ingazeira pra dentro do rio…
Jogos de castanhas…
– O meu engenho de barro de fazer mel!
Do outro lado, aquela tortura:
“As armas e os barões assinalados!”
– Quantas orações?
– Qual é o maior rio da China?
– A 2 + 2 A B = quanto?
– Que é curvilíneo, convexo?
– Menino, venha dar sua lição de retórica!
– “Eu começo, atenienses, invocando
a proteção dos deuses do Olimpo
para os destinos da Grécia!”
– Muito bem! Isto é do grande Demóstenes!
– Agora, a de francês:
– “Quand le christianisme avait apparu sur la terre…”
– Basta.
– Hoje temos sabatina…
– O argumento é a bolo!
– Qual é a distância da Terra ao Sol?
– ? !!
– Não sabe? Passe a mão à palmatória!
– Bem, amanhã quero isso de cor…
Felizmente, à boca da noite,
Eu tinha uma velha que me contava histórias…
Lindas histórias do reino da Mãe-d’Água…
E me ensinava a tomar a benção à lua nova.

Cinema em casa: “A livraria”, adaptação do livro de Penelope Fitzgerald, está na Netflix

A Livraria - Almanaque Virtual

Emily Mortimer interpreta o papel principal do filme

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

Assistir a filmes é uma das atividades mais comuns desse período de Quarentena. Principalmente nos dias mais chuvosos, a Netflix faz companhia para muitos.

O filme “A livraria”, no catálogo da rede de streaming, é uma boa opção para quem gosta de Leitura e Cinema e quer assistir a um filme tranquilo.

SINOPSE – no final da década de 50, uma mulher recém-chegada em uma pacata cidade do litoral da Inglaterra decide abrir uma livraria. Contudo, sua iniciativa é vista com maus olhos pela conservadora comunidade local, que passa a se opor tanto a ela quanto ao seu negócio, obrigando-a a lutar por seu estabelecimento.

Diretora: Isabel Coixet
Elenco: Emily Mortimer, Bill Nighy, Patricia Clarkson, James Lance.
Duração: 115 minutos

Disponível na Netflix

RITMO – Em alguns momentos o filme é um pouco “parado” demais, com algumas pausas nos diálogos, o que garante à obra seu toque clássico.

Nesse sentido, é importante ressaltar que, apesar de ser ótimo para passar o tempo, não vai agradar aos que gostam de muito movimento, ação e barulho. Em contrapartida, quem curte finais surpreendentes vai gostar desse.

DESTAQUES – É fácil gostar da personagem principal, Florence, e torcer por seu sucesso. O que pode incomodar são suas atitudes pacatas diante de algumas situações extremas, embora sua coragem em ir contra as opiniões alheias seja marcante.

Os figurinos e a cenografia são os grandes protagonistas da obra! A pequena cidade europeia e a vestimenta de seus moradores impõem um encantamento próprio de filmes de décadas passadas.

ADAPTAÇÃO – É interessante assistir tendo em mente que se trata de uma adaptação do livro homônimo da autora Penelope Fitzgerald.

Ele pode ser encontrado na Amazon, em formato Kindle ou físico, pelo link: https://www.amazon.com.br/dp/B078ZZ4GL7/ref=dp-kindle-redirect?_encoding=UTF8&btkr=1

Ministro do STJ critica atuação irresponsável de Bolsonaro em meio à pandemia: “País (des)governado”

Schietti afirmou que há sentimento de “desesperança” na sociedade

Márcio Falcão, Rosanne D’Agostino e Fernanda Vivas
G1 / TV Globo

O ministro Rogério Schietti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), afirmou em uma decisão desta quarta-feira, dia 20, que o país está “desgovernado” na área da Saúde. Schietti fez a avaliação ao analisar um pedido contra a adoção do bloqueio total, conhecido como “lockdown”, em Pernambuco.

A pandemia do coronavírus foi declarada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em março. No período, dois ministros da Saúde deixaram o cargo: Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Atualmente, a pasta é gerida de forma interina pelo secretário-executivo, Eduardo Pazuello.

CONTRAMÃO – Enquanto Mandetta e Teich recomendavam o isolamento social como forma de evitar a disseminação do coronavírus, assim como orientam a OMS e os especialistas na área, Bolsonaro defende a reabertura do comércio, das escolas e a “volta à normalidade”.

“Nesse ínterim, continua o país (des)governado na área de Saúde – já se vão 6 dias sem um titular da pasta – mercê das iniciativas nem sempre coordenadas dos governos regionais e municipais, carentes de uma voz nacional que exerça o papel que se espera de um líder democraticamente eleito e, portanto, responsável pelo bem-estar e saúde de toda a população, inclusive da que não o apoiou ou apoia”, escreveu Rogério Schietti na decisão.

CRÍTICA – “Em nenhum país, pelo que se sabe, ministros responsáveis pela pasta da Saúde são demitidos por não se ajustarem à opinião pessoal do governante máximo da nação e por não aceitarem, portanto, ser dirigidos por crenças e palpites que confrontam o que a generalidade dos demais países vem fazendo na tentativa de conter o avanço dessa avassaladora pandemia”, acrescentou o ministro, em outro trecho.

Em outro trecho da decisão, o ministro disse que, tirando Brasil e Estados Unidos, talvez em nenhum outro país “o líder nacional se coloque, ostensiva e irresponsavelmente, em linha de oposição às orientações científicas de seus próprios órgãos sanitários e da Organização Mundial de Saúde”.

Para Schietti, a situação ainda vai se agravar em alguns centros urbanos, cujas redes hospitalares não são capazes de atender à demanda crescente por novos leitos e unidades de tratamento intensivo.

UNIDADE NACIONAL – “E boa parte dessa realidade se pode creditar ao comportamento de quem, em um momento como este, deveria deixar de lado suas opiniões pessoais, seus antagonismos políticos, suas questões familiares e suas desavenças ideológicas, em prol da construção de uma unidade nacional”, afirmou.

O magistrado afirmou ainda que há sentimento de “insegurança”, “desesperança” e “medo” na sociedade, o que pode criar “ambiência caótica, propícia a propostas não apenas populistas, mas de retrocesso institucional, como tem sido a tônica nos últimos tempos”.

“O recado transmitido é, todavia, de confronto, de desprezo à ciência e às instituições e pessoas que se dedicam à pesquisa, de silêncio ou até de pilhéria diante de tragédias diárias. É a reprodução de uma espécie de necropolítica, de uma violência sistêmica, que se associa à já vergonhosa violência física, direta (que nos situa em patamares ignominiosos no cenário mundial) e à violência ideológica, mais silenciosa, porém igualmente perversa, e que se expressa nas manifestações de racismo, de misoginia, de discriminação sexual e intolerâncias a grupos minoritários”, escreveu Schietti.

CASO DE PERNAMBUCO – Schietti é relator de um habeas corpus apresentado pela deputada estadual Erica Clarissa Borba Cordeiro de Moura (PSC) – conhecida como Clarissa Tércio –, que pediu salvo-conduto para que os cidadãos de Pernambuco pudessem circular livremente, a despeito do Decreto Estadual 49.017, do último dia 11, que intensificou as medidas de restrição à movimentação de pessoas para combater a pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

O ministro rejeitou o HC por questão processual por entender que não é o tipo de ação cabível contra ato de caráter normativo, para discussão de lei em tese e situações gerais e abstratas.

Heleno descarta possibilidade de golpe, intervenção militar ou instalação de uma ditadura no Brasil

Heleno criticou duramente a mídia quer tenta “derrubar” Bolsonaro

Igor Gielow
Folha

O ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general da reserva Augusto Heleno, descartou a possibilidade de golpe, intervenção militar ou da instalação de uma ditadura no Brasil. “Os militares não vão dar golpe. Isso não passa na cabeça dessa nossa geração, que foi formada por aquela geração que viveu todos aqueles fatos, como estar contra o governo, fazer uma contrarrevolução em 1964”, afirmou.

As observações foram feitas durante live para o grupo Personalidades em Foco por pouco mais de uma hora e 20 minutos nesta quarta-feira, dia 20. Para ele, “não passa [pela cabeça] ditadura, intervenções, isso são provocações feitas por alguns indivíduos que não têm coragem de dizer quais são suas ideologias, que ficam provocando os militares para ver se nós vamos reagir”.

VACINADOS – O general, conselheiro de campanha de Jair Bolsonaro e um dos três com assento no Palácio do Planalto, disse que deve isso aos “nossos instrutores, vacinados por toda aquela trajetória de militares se intrometendo de uma forma pouco aconselhável, mas muitas vezes necessária, na política”.

No último mês, o ministro da Defesa teve de editar duas notas reafirmando o compromisso das Forças Armadas com a Constituição após o presidente participar de atos golpistas que pediam intervenção militar contra Congresso e Supremo Tribunal Federal. Na semana passada, artigo do vice-presidente, general Hamilton Mourão, gerou rumores sobre eventuais intenções intervencionistas dos fardados.

POLARIZAÇÃO –  Havia pouco mais de 200 pessoas na audiência com Heleno, a maioria composta por pessoas ligadas à Marinha, inclusive o comandante Ilques Barbosa Júnior. O grupo foi criado no mês passado por integrantes e ex-membros da Força para buscar combater a polarização no país. Havia também políticos, como a ex-senadora Ana Amélia (Progressistas-RS) e o deputado Luiz Phillipe de Orleáns e Bragança (PSL-SP).

Ele não foi questionado sobre polêmicas, como o xingamento que proferiu sobre o Congresso, que inspirou atos golpistas, ou sobre a reunião ministerial que está no centro do inquérito sobre eventual interferência de Bolsonaro na Polícia Federal. Heleno foi o primeiro oficial-general do Exército a falar ao grupo, que já ouvira figuras contrárias a Bolsonaro como Geraldo Alckmin (PSDB) e Luciano Huck, e membros do governo, além de jornalistas.

REVOLTA – Ele falou como um representante de sua classe, sem diferenciar no discurso serviço ativo e a ala militar do governo –que ele rejeita como definição. “Eu fico revoltado quando ouço essas duas palavrinhas”, disse.

Ele defendeu a presença de egressos das Forças na administração. “Nós não somos todos brilhantes, temos alguns brilhantes, mas temos uma dívida com o país”.Heleno criticou duramente a mídia. “Na hora de apresentar os fatos, a gente percebe. É uma total contaminação dessa parte da imprensa. Só pode ser para derrubar o presidente da República. Não tem outra explicação”, disse.

CRÍTICAS – Ele não nomeou veículos de comunicação –nem precisaria, já que Bolsonaro critica constantemente esta Folha, órgãos do Grupo Globo e o Estado de S. Paulo, entre outros. Heleno criticou a cobertura dos 500 dias do governo, que, segundo o general, não citou supostos feitos de Bolsonaro.

“[A mídia] só procura as coisas para falar mal do governo. Isso é lamentável, porque é contra a nossa visão de democracia e liberdade de imprensa. Não tem nenhum reconhecimento, é duro. Mas vamos lá, eles não vão conseguir baixar o moral da gente”, afirmou.

PSL diz que cobrará de Flávio Bolsonaro devolução dos R$ 500 mil pagos a advogado investigado

Victor Granado é advogado de confiança de Flávio Bolsonaro

Renato Souza
Correio Braziliense

O PSL informou, por meio de nota, que vai cobrar do senador Flávio Bolsonaro o repasse de R$ 500 mil feitos ao escritório Granado Advogados Associados, do qual o advogado Victor Granado Alves é sócio.

O defensor foi contratado para prestar serviços jurídicos ao diretório do Rio, comandado por Flávio e pago com recursos do fundo partidário.Os repasses mensais seriam de R$ 40 mil. O PSL informou que houve rescisão de contrato em janeiro deste ano, mas que uma das cláusulas determinava que os serviços seriam suspensos após 60 dias.

COBRANÇA – O deputado federal Júnior Bozzella (SP), afirmou que o partido irá cobrar a dívida, pois o PSL aponta desvio de finalidade no uso do dinheiro. Além disso, a sigla diz que Flávio mentiu em explicações sobre o caso publicadas nas redes sociais.

O advogado Victor Granado Alves é investigado no suposto esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Além disso, ele foi citado pelo empresário Paulo Marinho, que afirmou, em entrevista à Folha, que a Polícia Federal informou a Flávio sobre uma operação que ocorreria contra Fabrício Queiroz, ex-assessor acusado de recolher dinheiro de propina para o senador. Victor teria sido um dos assessores que receberam o delegado para tratar da operação.

Delegado do caso Adélio diz que Bolsonaro “reconheceu o esforço investigativo” da Polícia Federal

Relatório apontou que Adélio agiu sozinho em um crime sem mandantes

Fausto Macedo e Paulo Roberto Netto
Estadão

O delegado da Polícia Federal Rodrigo Morais Fernandes, responsável pelos dois inquéritos relacionados ao caso Adélio Bispo, relatou em depoimento que o presidente Jair Bolsonaro participou de reunião na última sexta-feira, dia 15, no qual foi informado sobre a conclusão das investigações sobre o crime e não teria se mostrado insatisfeito com as apurações.

O relatório assinado por Fernandes apontou que Adélio Bispo de Oliveira agiu sozinho em um crime sem mandantes. De acordo com o delegado, uma reunião no Palácio do Planalto contou com a presença de Bolsonaro, o ministro da Justiça André Mendonça e o diretor-geral da PF, Rolando Alexandre de Souza.

CONCLUSÕES – A explanação teria sido feita nos moldes de outra, feita no ano passado, e serviria para Bolsonaro, na condição de vítima, saber sobre as conclusões das investigações. “Que perguntado se nossa nova oportunidade o Presidente da República apresentou insatisfação com relação à investigação e/ou questionamentos, respondeu que houve questionamento no sentido de elucidar dúvidas, sendo que ao final, aparentemente, reconheceu o esforço investigativo, não se mostrando insatisfeito com o trabalho realizado pela Polícia Federal”, relatou Fernandes.

Outro depoimento prestando nesta quarta, 20, pelo superintendente da Polícia Federal em Minas aponta que Bolsonaro também não manifestou nenhuma reclamação sobre aprofundamento de investigações do caso Adélio Bispo na primeira reunião sobre as investigações, no ano passado.

CONTRAMÃO – As declarações vão na contramão de declarações recentes do presidente, que criticou a Polícia Federal sobre suposta falta de aprofundamento nas investigações do caso Adélio. Em pronunciamento após a renúncia do ex-ministro Sérgio Moro, o presidente afirmou que a PF se preocupar mais ‘com Marielle do que com seu chefe supremo’.

“E entendo, me desculpa seu ex-ministro, entre meu caso e da Marielle, o meu está muito menos difícil de solucionar, afinal de contas o autor foi preso em flagrante delito, mais pessoas testemunharam, telefones foram apreendidos, três renomados advogados em menos de 24 horas estavam lá para defender o assassino”, disse Bolsonaro, em abril.

OBSTÁCULOS – De acordo com o delegado Fernandes, responsável pelos dois inquéritos do caso Adélio, o presidente havia sido informado, também, de empecilhos jurídicos que barraram a apuração de uma linha de investigação. Por ordem do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), a PF não pode quebrar o sigilo do advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, que defendeu Adélio Bispo. A intenção da PF era descobrir quem pagou os honorários do escritório da defesa. O caso aguarda análise no STF.

“A despeito disso, várias outras linhas de investigação foram traçadas e exauridas, inclusive apurando notícias veiculadas na imprensa e redes sociais que pudessem contribuir na investigação”, esclareceu o delegado.

DILIGÊNCIAS – Fernandes também destacou que os advogados que defenderam Bolsonaro no processo contra Adélio sugeriram diligências, ‘tendo sido acatadas pela autoridade policial e realizadas’. No âmbito judicial, Bolsonaro não apresentou recurso contra a sentença que considerou Adélio Bispo inimputável.

Ele esclareceu que teve plena liberdade para conduzir o cargo sem ter havido ‘ordem ou sugestão de linha investigativa’ por parte de seu superior hierárquico.

Barroso propõe restrições ao alcance da MP que limita a responsabilização de agentes públicos

Barroso defendeu critérios técnicos no enfrentamento da pandemia 

Deu no O Tempo

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quarta-feira, dia 20, para restringir o alcance dos efeitos da medida provisória (MP) que protege servidores públicos de responsabilização por atos administrativos durante a pandemia do novo coronavírus.

O plenário deu início ao julgamento de seis ações que questionam a constitucionalidade da MP editada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A sessão foi suspensa e será retomada nesta quinta-feira, dia 21. Segundo a medida, durante a crise da Covid-19 somente poderão responder nas esferas civil e administrativa da Justiça os agentes públicos que “agirem ou se omitirem com dolo ou erro grosseiro”.

EXCLUSÕES – Barroso votou para que a MP seja interpretada de acordo com a Constituição e afirmou que o texto deve ser mantido na integralidade. Ponderou, no entanto, que, na aplicação da norma, devem ser excluídos do conceito de erro grosseiro medidas que “não observem normas e critérios técnicos estabelecidos por autoridades sanitárias do Brasil e do mundo”.

Além disso, defendeu que equívocos que violem os princípios da precaução e da prevenção também devem ser excluídos dos critérios de aplicação da MP. O ministro fez uma defesa enfática das evidências científicas e, em um recado ao Palácio do Planalto, disse que acabar com o isolamento social é sujeitar o país “ao risco de genocídio”.

CONTROVÉRSIAS – O magistrado também sublinhou que “a eficácia ou a segurança” do uso da hidroxicloroquina ainda são “controvertidas na comunidade científica” no combate ao novo coronavírus. A declaração ocorre no mesmo dia em que o Ministério da Saúde divulgou protocolo para liberar a aplicação do medicamento para todos pacientes da Covid-19, inclusive aqueles com sintomas leves.

Outra previsão da MP é de que “a responsabilização pela opinião técnica não se estenderá de forma automática ao decisor que a houver adotado como fundamento de decidir”.

RESPALDO – Barroso, por sua vez, se posicionou para que as autoridades exijam das áreas técnicas que os pareceres tratem de critérios científicos com respaldo em entidades médicas e sanitárias do Brasil e do mundo, além de obrigá-los a observar os princípios constitucionais da precaução, “sob pena de se tornarem corresponsáveis por eventuais violações a direitos”.

A inclusão relâmpago das ações na pauta desta quarta-feira do plenário do Supremo representa uma mudança de estratégia da corte na análise de matérias de autoria do Executivo. Após críticas pelas recorrentes decisões monocráticas de membros da corte, Barroso e o presidente do STF, Dias Toffoli, preferiram levar a discussão ao plenário, a fim de dar mais peso ao entendimento firmado sobre o tema.

ARTICULAÇÃO – Assim, em vez de apreciar sozinho as impugnações à MP, Barroso se articulou com Toffoli para levar o caso ao plenário. O presidente do STF então mudou a previsão de julgamentos para atender ao pedido do colega.

No julgamento, Barroso fez duras críticas à redação da MP. Segundo ele, a norma não atinge o objetivo de dar mais segurança jurídica para agentes públicos tomarem decisões céleres no enfrentamento à pandemia. “Passou a impressão, possivelmente errada, de que se estava querendo proteger coisas erradas. Essa foi a percepção do sentido e alcance do texto”, disse o ministro.

A proteção prevista na MP vale para sanções por medidas adotadas, direta ou indiretamente, no âmbito do enfrentamento da emergência sanitária e no combate aos efeitos econômicos decorrentes da doença. O texto entrou em vigor na última quinta-feira, dia 14, e, para não perder a validade, precisaria ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias.

PUNIÇÃO – A Rede Sustentabilidade argumentou que a MP restringe a punição de agentes públicos num contexto de pandemia, quando os controles dos atos da administração pública estão flexibilizados. No Ministério da Saúde, por exemplo, contratos milionários têm sido firmados com inexigibilidade de licitação. “A União acaba por permitir que danos ao erário não sejam devidamente ressarcidos”, diz um dos trechos da ação.

Ministros do STF ouvidos em caráter reservado pela reportagem já haviam considerado a MP, da forma como foi redigida, vaga e inconstitucional.

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), José Mucio Monteiro, afirmou que o texto estimula mal-intencionados e que não pode haver salvo-conduto quando os gastos com a pandemia já consumiram mais de R$ 600 bilhões.

Paulo Guedes cogita prorrogar auxílio emergencial por até dois meses, mas com valor de R$ 200

Charge do Jota A. (portalodia.com)

Geralda Doca
O Globo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, avalia reduzir o valor do auxílio emergencial para R$ 200, após o pagamento da terceira parcela do benefício. A possibilidade é uma das formas de fazer com que o programa seja encerrado de forma gradual, como defende Guedes.

O valor de R$ 200 foi mencionado pelo ministro durante reunião com empresários nesta terça-feira. Como revelou O Globo, Guedes disse, no mesmo encontro, que é preciso “suavizar a queda” do pagamento do auxílio, mas negou prorrogar o programa indefinidamente, por falta de espaço fiscal.

VERSÃO ORIGINAL – Na versão original do projeto, a equipe econômica previa que o auxílio emergencial — criado para mitigar os efeitos da crise do coronavírus — fosse de R$ 200. O valor foi pensado por ser semelhante à média do repassado às famílias do Bolsa Família. No Congresso, o benefício acabou sendo ampliado para R$ 500 e, depois, o presidente Jair Bolsonaro fechou acordo para elevar a ajuda para R$ 600.

Se o auxílio fosse de R$ 200, daria para pagar por mais meses, teria dito Guedes, segundo um interlocutor. Segundo essa fonte, Guedes lembrou que quando propôs R$ 200, a estimativa era beneficiar 30 milhões de pessoas. Mas o valor subiu para R$ 600 para 60 milhões de pessoas.

FIM GRADUAL – A redução gradual do valor seria uma das formas em estudo para estruturar o fim gradual do auxílio emergencial. Outra possibilidade é incorporar o programa em outra plataforma de auxílio do governo, ainda não definida.

Também está em análise a possibilidade de definir um público mais específico para receber as próximas parcelas do auxílio. Com essa focalização, seria possível reduzir o valor total do programa.

Ex-Malhação, ator Mario Frias aceita convite de Bolsonaro para secretaria de Cultura

Ex-“Malhação”, Mário Frias já mostrou que será um “soldado servil”

Ana Clara Brant
O Tempo

O ator e apresentador Mario Frias, de 48 anos, aceitou o convite para ser o novo secretário Especial da Cultura do governo de Jair Bolsonaro no lugar de Regina Duarte, que deixou o cargo nesta quarta-feira, dia 20 para comandar a Cinemateca, em São Paulo. Frias é defensor das ideias do presidente e usa as redes sociais para propagar suas convicções.
 
Os rumores de que o eterno galã de “Malhação” iria assumir o posto ficaram mais evidentes na tarde desta terça-feira, dia 19, quando o presidente compartilhou em seu Twitter uma entrevista do artista que ele concedeu à CNN Brasil, no começo de maio, falando de seus projetos para a cultura e revelando estar à disposição de Bolsonaro caso  precisasse de sua ajuda.  

ALMOÇO – Sem contar que o ator e apresentador ainda almoçou e participou de uma reunião ainda na última terça-feira, com o Bolsonaro e dirigentes de futebol no Palácio do Planalto, em Brasília.

A saída de Regina Duarte do cargo foi comunicada na manhã desta quarta-feira, em uma rede social. A atriz permaneceu no governo por pouco mais de dois meses. Regina Duarte assumirá a Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

SUBORDINAÇÃO – A Secretaria de Cultura tinha status de ministério nos governos de Michel Temer, Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva. Na gestão do presidente Jair Bolsonaro, contudo, a secretaria passou a ser subordinada ao Ministério da Cidadania, chefiado à época pelo deputado Osmar Terra (MDB-RS). Atualmente, a pasta é vinculada ao Ministério do Turismo, comandado por Marcelo Alvaro Antonio (PSL-MG).

 

Ver essa foto no Instagram

 

AQUI É JAIR BOLSONARO!!!!

Uma publicação compartilhada por Mario Frias (@mariofriasoficial) em

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Ex-galã da novela “Malhação”, Mario Frias é, ao que tudo indica, afinado aos interesses de Bolsonaro. Já brada que está para o que der e vier em nome do presidente. Com essa “qualificação”, nem precisou levar um currículo técnico para o cargo. Aliás, experiência para assumir a Secretaria, nesse caso, é só um detalhe. Basta falar o “bolsonarês”. (Marcelo Copelli)

Lula se desculpa por dizer que pandemia tem um lado “positivo”: “Usei uma frase totalmente infeliz”

Lula disse que o coronavírus atrapalhou a agenda liberal de Bolsonaro

Deu no O Globo

O ex-presidente  Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu desculpas, nesta quarta-feira, dia 20, pela declaração sobre o impacto positivo do novo coronavírus no enfraquecimento de teses defendidas por adeptos à agenda do liberalismo econômico.

Em transmissão ao vivo nesta terça-feira em uma rede social, o ex-presidente disse que ‘ainda bem que a natureza criou esse monstro’, se referindo ao questionamento que a pandemia traz à política neoliberal de enfraquecimento do Estado, defendida pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. Segundo Lula, somente o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises, como a pandemia.

INFELIZ – “Usei uma frase totalmente infeliz. E a palavra desculpa foi feita pra gente usar com muita humildade. Se algum dos 200 milhões de brasileiros ficou ofendido, peço desculpas. Sei o sofrimento que causa a pandemia, a dor de ter os parentes enterrados sem poder acompanhar”, escreveu Lula, nas redes sociais. A declaração que causou polêmica do ex-presidente ocorreu durante uma iniciativa promovida pela revista “Carta Capital” por meio de videochamada, ainda nos primeiros minutos de transmissão.


“Eu, quando eu vejo os discursos dessas pessoas falando… Quando eu vejo essas pessoas acharem que tem que vender tudo que é público e que tudo que é público não presta nada… Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus. Porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem, que os cegos comecem a enxergar, que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises”,  afirmou Lula, comparando o momento atual com aquele atravessado em 2008, com a crise financeira global.

AUXÍLIO – Em seguida, o petista fez menção ao auxílio emergencial de R$ 600 paga pelo governo federal a pessoas financeiramente afetadas pela pandemia da Covid-19, que demandou interrupção de atividades econômicas como forma de garantir um isolamento social que impeça ou atrase o avanço do contágio pelo novo coronavírus.

“Imagina quando Roosevelt teve que agir na guerra. Você acha que ele estava preocupado com orçamento? Não! Ele tinha que fazer armas para vencer a guerra. Na guerra contra o coronavírus, eles não cumprem sequer a promessa de dar R$ 600 reais para as pessoas ficarem em casa e se protegerem”, comparou Lula, usando como referência o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, e a atuação dele durante a Segunda Guerra Mundial.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGLula não pode mais ser considerado um político. Na verdade, é um criminoso condenado em terceira instância e que deveria estar na cadeia. Mas a imprensa insiste em entrevistá-lo como se ainda fosse um político. É uma situação patética e desalentadora. Deveríamos olhar para a frente e esquecer o retrovisor. (C.N.)

Governo pretendia alterar a bula da cloroquina sugerindo a sua indicação para Covid, afirma Mandetta

Mandetta criticou suposições de Bolsonaro no combate à pandemia

Deu no O Tempo

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que o governo federal pretendia alterar a bula da cloroquina na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sugerindo que o medicamento fosse indicado para casos de Covid-19. Em entrevista ao canal Globonews, Mandetta afirmou que a inclusão seria via decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro.

“O presidente se assessorava ou se cercava de outros profissionais médicos. E eu me lembro de quando, no final de um dia de reunião de conselho ministerial, me pediram para entrar numa sala e estavam lá um médico anestesista e uma médica imunologista, que estavam com a redação de um provável ou futuro, ou alguma coisa do gênero, um decreto presidencial. E a ideia que eles tinham era de alterar a bula do medicamento na Anvisa, colocando na bula indicação para Covid”, afirmou Mandetta.

SURPRESA – Segundo ele, vários ministros estavam presentes. Mandetta afirmou que o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, se surpreendeu com a proposta.  “O próprio presidente da Anvisa se assustou com aquele caminho, disse que não poderia concordar. Eu simplesmente disse que aquilo não era uma coisa séria e que eu não iria continuar naquilo dali; que o palco daquela discussão tem que ser no Conselho Federal de Medicina. Então é lá que esse debate tem que se dar. Não adianta fazer um debate de uma pessoa, que seja especialista na área que for, com um presidente da República, que não é médico. A disparidade de armas, já que a frase está em voga, é muito difícil”, completou.

Mandetta destacou que, durante sua gestão, o Ministério da Saúde manteve a sugestão do uso da cloroquina para pacientes considerados graves. “Nós optamos pela ciência, e essa droga iniciou um certo conflito quando o presidente norte-americano (Donald Trump) noticiou que tinha descoberto um medicamento que solucionava o problema. Na sequência, o nosso presidente aderiu também. Mas nos EUA, o CDC, que é o órgão regulador de lá, retirou a cloroquina dos tratamentos, por conta das complicações”, disse o ex-ministro. Aqui, autorizamos para os pacientes graves e os gravíssimos, que são os que estão com intubação”, explicou.

IRONIA – Na mesma entrevista, o ex-ministro da Saúde ironizou a fala de Bolsonaro (sem partido) sobre cloroquina. O médico afirmou que “quem é de direita usa cloroquina. Quem é de esquerda, tubaína. E quem é de juízo, escuta a medicina” 

A fala de Mandetta se deu após Bolsonaro, na última terça-feira, ter comentado sobre o uso da medicação para os pacientes que apresentarem sintomas leves de coronavírus. Ele afirmou em entrevista ao Blog do Magno que  “pode ser que lá na frente digam que foi placebo. Mas pode ser que digam que curava. Na minha consciência, não vai ter isso. Toma quem quiser. Quem não quiser, não toma.” Bolsonaro ainda acrescentou, “quem for de direita toma cloroquina, quem for de esquerda toma tubaína”.

DIFICULDADE DE ASSINAR – Mandetta falou também sobre a implantação do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com Mandetta, é muito mais confortável para Bolsonaro ter um ministro que não é médico. “Qualquer um que se sentou nas cadeiras das universidades de medicina tem dificuldade em assinar”. O médico estava se referindo ao ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello.

O ex-ministro ainda alertou para os riscos da automedicação. “Meu maior medo é que as pessoas comecem realmente a se automedicar. Para jovens, não vejo problemas. Mas, por ter muitos efeitos colaterais, os idosos correm risco”, afirmou.

Quando questionado se havia alguma possibilidade de ex-ministros e médicos acionarem alguma medida judicial para atrasar Bolsonaro, Mandetta foi bem enfático ao dizer que não tinha conhecimento desse movimento. Ele lembrou que há uma Associação de Médicos e de Infectologia que pode ser acionada por qualquer um que se sinta em perigo.

 

Bolsonaristas se automedicam com hidroxicloroquina, azitromicina e antipulgas: “É uma corrente do bem”

Charge do Iotti (gauchazh.clicrbs.com.br)

Thaiza Pauluze
Folha

Antes mesmo de o governo Jair Bolsonaro (sem partido) mudar o protocolo de tratamento da Covid-19 e ampliar o uso da cloroquina também para casos leves da doença nesta quarta-feira, dia 20, bolsonaristas já vinham se automedicando com hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina diante dos primeiros sintomas respiratórios.

Os medicamentos, receitados por um grupo de “médicos do bem”, e comprados em grandes quantidades, são distribuídos aos apoiadores do presidente. Foi o caso da designer gráfica Marley Oliver, 33, que conta ter sentido febre, forte dor de cabeça e no corpo, perda de paladar e olfato no fim abril. Sem fazer teste para confirmar a suspeita da Covid-19 ou procurar um hospital, ela recebeu um mix das três substâncias de colegas de acampamento.

APOIO A BOLSONARO – Há dois meses, Marley e cerca de 60 bolsonaristas têm acampado próximo à Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) para manifestar apoio ao Bolsonaro e repúdio ao governador João Doria (PSDB). Eles pedem o impeachment do tucano por decretar quarentena e impedir a volta ao trabalho nos serviços não essenciais.

“Um vai passando pro outro [os comprimidos]. É uma corrente do bem. No segundo dia já senti melhora e depois de quatro dias fiquei totalmente perfeita”, afirma ela.

EVIDÊNCIAS – O próprio texto do Ministério da Saúde, porém, reconhece que não há evidências suficientes de eficácia e prevê um termo de consentimento do paciente, que cita risco de agravamento da condição clínica.

Diversos estudos têm mostrado que os medicamentos não só não têm efeito contra a Covid-19 como podem aumentar o risco cardíaco. Entidades médicas brasileiras contraindicaram o uso e a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que não há provas de que qualquer medicamento possa curar ou prevenir a Covid-19 e que o uso inapropriado pode causar efeitos colaterais graves e até levar à morte.

COBAIA – Marley ri ao dizer que topou ser cobaia da cloroquina e que prefere isso a buscar ajuda médica. “Olha, se a gente vai no hospital, corre o risco de entrar com uma topada e sair com Covid-19. A partir do momento que a maioria toma e diz que surtiu o efeito… É a maioria que tem razão”, diz ela, para quem os governadores “estão potencializando o vírus.”

“Tem uma guerra política. Eles estão agravando [o estado de saúde] das pessoas para apavorar a população”, afirma Marley, que ainda assim usa álcool em gel e máscara no acampamento. A aglomeração, claro, vai contra as recomendações do Ministério da Saúde e da OMS. Ela diz que só sairá da barraca quando Doria deixar o Palácio dos Bandeirantes.

POSTAGENS – No Facebook, a designer, que está desempregada, pede: “saiam de casa. Vamos trabalhar”. Evangélica, ela também publica”não espalhe medo, espalhe fé e esperança”.

A advogada Eliane Maffei, 53, visita o acampamento e bate ponto nas manifestações pró-Bolsonaro. Ela conta que tem vários colegas bolsonaristas tomando cloroquina “na clandestinidade”. “Está um Deus nos acuda, cada um por si. Eu tive sintomas e ouvi de um amigo médico: ‘não vá no pronto socorro porque até seu caixão já foi comprado'”, diz.

ANTIPULGAS – Ela conta que em 10 de abril começou a tossir e deixou de sentir cheiros. No mesmo dia, tomou por conta própria o remédio antiparasitário (usado contra vermes e parasitas, como piolhos, pulgas, sarna e filariose em humanos e em animais) ivermectina, que ainda está sendo testado contra o coronavírus. Ela diz que já tinha os comprimidos em casa. “Em 48h, passou. Se os hospitais estivessem dando cloroquina e ivermectina, não estaríamos tendo tantas mortes”, afirma.

Um estudo australiano mostrou que a substância diminui a quase zero o material viral do novo coronavírus em testes com células cultivadas em laboratório. No entanto, ainda não se sabe se o efeito seria o mesmo em animais vivos.

IRONIA – Médicos que atuam na rede pública também já vinham relatando temor de que a mudança aumentasse a pressão pela indicação do medicamento. Em uma live, o presidente Bolsonaro ironizou: “Quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma Tubaína”, disse, referindo-se a uma marca de refrigerante.

Como é de direita, o empresário Mauro Reinaldo, 35, ficou com a primeira opção. Ele defende a “corrente de médicos do bem” que prescreve as receitas e permite a compra das substâncias, seja em farmácias comuns ou nas de manipulação. No entanto, diz não saber quem são esses profissionais da saúde nem quem distribui os comprimidos entre os apoiadores do presidente.

Mauro afirma ter tido sintomas do coronavírus em meados de fevereiro —o primeiro caso divulgado oficialmente no Brasil foi em 26 de fevereiro, mas um estudo do Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz, aponta que a circulação do novo coronavírus no país começou na primeira semana de fevereiro.

INDICAÇÃO – O empresário diz acreditar ter contraído a doença por trabalhar no Brás, bairro da capital paulista que concentra estrangeiros, inclusive chineses, em lojas de roupa e confecções. Ele afirma ter ficado quatro dias com falta de ar, tontura, fadiga e tosse e que procurou um médico, fez exames e recebeu indicação para tomar a hidroxicoloquina, azitromicina e mais uma série de medicamentos, mesmo sem o quadro mais grave da doença.

“Se você ler a bula de todos os remédios, cairá de costas”, diz ele, que afirma ter feito exames há poucos dias e confirmado que tem anticorpos para o novo coronavírus.

AUTOMEDICAÇÃO – “As pessoas estão se automedicando por conta da falta de credibilidade do governo estadual”, diz. “É uma guerra política, suja. Se forem no hospital, não vão conseguir a cloroquina.”

Ele acredita que pacientes da capital estão sendo transferidos para o interior com objetivo de inflar os números em todo o estado. E que os hospitais de campanha estão com menos da metade de ocupação — segundo a Prefeitura de São Paulo, 90% das UTIs na capital estão ocupadas.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO problema da desvairada automedicação e credulidade no que o “doutor” Bolsonaro recomenda é que os apoiadores podem não somente continuar contaminados, mas também propagar para outras pessoas, caso sejam infectados. Pelos relatos descritos, inclusive em vídeo, é quase impossível convencê-los de que a eficácia é discutível. Só ouvem o som do berrante presidencial. (Marcelo Copelli)