Será que Lula vai dizer a verdade?

Celso Serra

A colunista de política Dora Kramer escreveu uma nota muito interessante no Estadão, que vale a pena ser reproduzida. Confira o texto, para depois ver se a promessa se concretiza.

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DEIXA FICAR

Dora Kramer
Logo após a decisão do Supremo de mandar prender os réus em situação de trânsito em julgado, o ex-presidente Lula da Silva disse que ao fim de todo o processo pretende “falar algumas coisas” a respeito.

Ajudará a lançar luz sobre aspectos ainda obscuros se explicar, por exemplo, a razão pela qual se omitiu quando alertado pelo tucano Marconi Perillo e pelo próprio Roberto Jefferson sobre a distribuição de recursos a partidos em troca de apoio ao governo que presidia.”

Perito afirma que motorista de JK foi baleado na cabeça

ABRE-G
Tâmara Teixeira
(O Tempo)

A Polícia Civil de Minas Gerais terá de explicar à Comissão da Verdade da Câmara de Vereadores São Paulo como e por que o crânio do motorista do ex-presidente Juscelino Kubitschek, Geraldo Ribeiro, foi esfacelado durante a exumação do seu corpo, em 1996. A comissão admite chamar a polícia mineira para prestar esclarecimentos depois do depoimento do perito Alberto Carlos de Minas, 68. Na última quarta-feira, ele disse que viu o crânio ser retirado – intacto e com uma marca de tiro – de dentro do Cemitério da Saudade, em Belo Horizonte, para ser analisado no Instituto Médico Legal (IML).

Para o perito, o crânio foi destruído propositalmente. Alberto de Minas conta que acompanhou, a pedido da família e com autorização da polícia, a exumação que pretendia provar que Geraldo Ribeiro foi vítima de um tiro antes de se envolver no acidente em que morreu e que matou JK, em 1976. “Vi o crânio sair intacto com uma marca claramente provocada por uma arma de fogo”, afirma o perito especialista em análises de balística.

No entanto, pouco tempo depois, o IML informou que o crânio havia sido encontrado esfacelado e que não era possível verificar se o motorista havia sido atingido por uma bala. O laudo necroscópico divulgado na época, de acordo com o presidente da comissão, vereador Gilberto Natalini (PV), trazia fotos com o crânio totalmente quebrado. Segundo Natalini, o documento do IML jamais foi divulgado na íntegra.

“Na nossa avaliação, o crânio foi danificado propositalmente durante a exumação. Queremos saber o que de fato ocorreu em Minas. Este assunto sempre foi um tabu para a polícia. Naquela época (1996), o sistema repressivo ainda tinha resquício na polícia e se mantinha organizado. A corporação sempre teve dificuldades de tratar o assunto”, afirmou.

O perito também é categórico ao dizer que o material foi alterado. “Faltou vontade política para desvendar o caso quando ele foi reaberto. Os restos foram destruídos para que tudo fosse perdido”, disse Alberto de Minas.

SILÊNCIO

A Polícia Civil de Minas informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que só irá comentar o caso da exumação do motorista de JK depois de ser notificada oficialmente.

O show de Luiz Carlos da Vila tem que continuar

O cantor e compositor carioca Luiz Carlos Baptista (1949-2008) que adotou o nome artístico de Luiz Carlos da Vila ou das “Vilas”, como ele mesmo afirmava, porque residia na Vila da Penha e era compositor da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, é considerado um dos formatadores do samba carioca contemporâneo.

A letra deste samba mostra que, mesmo diante das adversidades surgidas na hora de cantarmos, devemos insistir até acharmos o tom correto,  porque “O Show Tem Que Continuar”. Este samba foi gravado pelo grupo Fundo de Quintal no Lp O Show Tem Que Continuar, em 1988, pela RGE.

O show tem que continuar
Arlindo Cruz, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila

O teu choro já não toca
Meu bandolim
Diz que minha voz sufoca
Teu violão
Afrouxaram-se as cordas
E assim desafina
E pobre das rimas
Da nossa canção
Hoje somos folha morta
Metais em surdina
Fechada a cortina
Vazio o salão

Se os duetos não se encontram mais
E os solos perderam emoção
Se acabou o gás
Pra cantar o mais simples refrão
Se a gente nota,
Que uma só nota
Já nos esgota
O show perde a razão

Mas iremos achar o tom
Um acorde com um lindo som
E fazer com que fique bom
Outra vez, o nosso cantar
E a gente vai ser feliz
Olha nós outra vez no ar
O show tem que continuar

Nós iremos até Paris
Arrasar no Olímpia
O show tem que continuar

Olha o povo pedindo bis
Os ingresso vão se esgotar
O show tem que continuar

Todo mundo que hoje diz
Acabou vai se admirar
Nosso amor vai continuar

           (Colaboração enviada por Paulo Peres –  site Poemas & Canções)

Prisões do mensalão não alteram tendências eleitorais

Pedro do Coutto
 
As prisões de condenados pelo Supremo Tribunal pelo processo do mensalão, ocorridas há poucos dias, não devem alterar as tendências eleitorais registradas pelo Datafolha e Ibope relativamente às eleições presidenciais de 2014. São fatos distintos e assim foram focalizadas pela opinião pública. A presidente Dilma Rousseff não se pronunciou e o ex-presidente Lula, de forma enfática, porém neutra, indagou quem seria ele para contestar uma sentença da Corte Suprema. As manifestações ficaram por conta do deputado Rui Falcão, presidente do PT, e de um pequeno grupo de petistas quando da apresentação dos ex-deputados José Dirceu e José Genoíno à Polícia Federal. Os próximos levantamentos dos dois institutos devem confirmar essa previsão.
O impacto junto à opinião pública certamente foi grande, sobretudo pelo caráter excepcional de que se revestiu acrescentado pela repercussão do fato nos veículos de comunicação. Houve certamente uma expectativa intensa no espaço de tempo entre a decretação das prisões e apresentação dos réus. Não é de supor que, apesar disso, tenha produzido reflexos de porte nas intenções de voto registradas até agora.
A opinião pública, no fundo, sabe separar as coisas e os efeitos delas no seu posicionamento. Afinal de contas, ninguém pode se apresentar como dono de uma vitória que pertence a toda sociedade. Passaram-se oito longos anos entre a explosão do esquema do mensalão e seu quase desfecho final. É preciso não esquecer que José Dirceu, então ministro chefe da Casa Civil, terminou deixando o cargo através de ato do próprio presidente Lula.
Naquele momento, ele não só perdeu cargo como a condição de candidato do Planalto à sucessão presidencial de 2010. Ele era capitão do time, como o próprio Lula o chamava. Dilma Rousseff  o substituiu na Casa Civil e também a candidatura presidencial quatro anos depois. José Dirceu, na realidade, foi o grande derrotado em todo o processo crítico que se desenvolveu no país e cujo desfecho começou a ocorrer concretamente a partir do final desta semana. Mas esta é outra questão.
NOVAS PESQUISAS
Ibope e Datafolha vão realizar pesquisas na tentativa de identificar se as prisões decretadas por ato do ministro Joaquim Barbosa, influem de algum modo ou não nas preferências eleitorais vinculadas à sucessão presidencial. Acredito que não como disse há pouco. Em primeiro lugar em função da separação dos campos de análise. Depois em face não terem ocorrido episódios de peso vinculados às eleições. Enquanto a candidatura Dilma Rousseff, como é natural, segue seu curso, as indefinições no PSDB prosseguem, bem como as dúvidas no PSB.

Entre os tucanos permanece a desarmonia entre Aécio Neves e José Serra. No Partido Socialista Brasileiro, o choque entre as correntes de Marina Silva e Eduardo campos. Nenhum dos quatro fez qualquer pronunciamento de peso em referência às prisões de réus do mensalão decretadas até agora e quanto a continuidade dos julgamentos a serem completados. Mesmo que fizessem, o voto na urna é uma coisa. O voto dos ministros do STF outra. Datafolha e Ibope devem, creio, confirmar essa face da questão.

Interpol inclui nome de Pizzolato na lista de procurados da Justiça

Da Agência Brasil

Brasília – A Interpol(Polícia Internacional) incluiu o nome do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato na lista de procurados em mais de 190 países. Pizzolato foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão na Ação Penal 470, o processo do mensalão. No entanto, ele viajou para a Itália e, por ter a cidadania italiana, não pode ser extraditado para o Brasil . Ele é considerado foragido pela Polícia Federal.

Em uma carta divulgada à imprensa por sua família, Pizzolato diz que decidiu buscar um novo julgamento na Itália. Ele foi condenado por ter autorizado repasses de dinheiro público do Banco do Brasil em favor das empresas do publicitário Marcos Valério, apontado como operador do esquema de compra de votos no Congresso Nacional.

O Supremo Tribunal Federal (STF), que julgou a ação, entendeu que os desvios ocorreram de duas formas. A primeira, por meio da apropriação de cerca de R$ 2,9 milhões do bônus de volume (bonificações a que o banco tinha direito) pelas empresas do publicitário, e a segunda, pela liberação de R$ 73 milhões do Fundo Visanet. Segundo os ministros, Pizzolato recebeu R$ 326 mil de Valério em troca do favorecimento.

As prisões de 12 dos condenados foram decretadas na sexta-feira (15) pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa. Somente o mandado de prisão de Pizzolato que não foi cumprido.

Sete dos primeiros condenados que tiveram a prisão decretada apresentaram-se à PF em Belo Horizonte (MG): José Roberto Salgado, ex-vice-presidente do Banco Rural; O publicitário Marcos Valério; Kátia Rabello, ex-presidenta do Banco Rural; o ex-deputado federal Romeu Queiroz (PTB-MG); Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, ex-sócios de Marcos Valério; e Simone Vasconcelos, ex-funcionária de Valério. Dois entregaram-se em São Paulo: o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o ex-presidente do PT e deputado federal (SP) José Genoino. Os dois foram condenados ao regime semiaberto. O ex-tesoureiro do PL (atual PR) Jacinto Lamas e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares apresentaram-se à PF em Brasília.

A imprensa que afaga é a mesma que apedreja

Fernando Orotavo Neto

A liberdade de imprensa (freedom of the press), em todas as suas formas, alçada à categoria de direito fundamental do cidadão pela Constituição da República (art. 5º, incisos IX), tem por finalidade a formação de cidadãos conscientes, a transparência e fiscalização das gestões públicas, a livre circulação de informações e ideias, em suma e em síntese, o fortalecimento da democracia e do Estado de Direito. Sem liberdade para opinar (CF, art. IV) e imprensa livre, o cidadão perde o direito de ser informado e o seu poder de tomar decisões resta diminuído, tornando-se refém do status quo.

Talvez por isto, num mundo cada vez mais globalizado, onde as notícias veiculadas são difundidas em questão de segundos, numa velocidade impressionante (on line), para um número cada vez maior de indivíduos, quase ninguém ouse questionar o poder da imprensa – qualificada, até mesmo e por vezes, como “o quarto Poder da República”.

A força e a influência que a opinião publicada produz em relação à opinião pública é tão ostensivamente gritante, no tocante à formação desta, que, apenas para citar um exemplo, na década de 60 nos EUA, no auge da Guerra Fria e da “caça aos comunistas”, a imprensa julgava e condenava os cidadãos que não interessavam ao regime, relegando para o Judiciário a função menor de referendar o veredito antecipado da opinião pública. Vigia a época do chamado trial by media (julgamento pela imprensa) ou pretrial (pré-julgamento), ocasião em que muitos perderam sua liberdade sem direito a um processo justo (fair trial). Repórteres pensavam que eram juízes; editores de jornais tinham certeza que eram Ministros da Suprema Corte.

 O CASO DA OGX

Tendo a história por minha eterna conselheira e lendo as recentes notícias sobre o pedido de recuperação judicial da OGX, que me permitiram tecer algumas reflexões sobre a atuação inerte e omissa da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no episódio, penso que esse triste caso da vida financeira nacional deveria abrir oportunidade para que também a imprensa, ou grande parte dela, fizesse uma autoanálise das informações difundidas sobre as empresas X, no período anterior e posterior à queda, como sói acontecer naquelas fotos de “antes e depois” postadas por simpáticos gordinhos que emagrecem.

É natural que a proximidade com o Poder, na busca pelo furo de reportagem, acabe gerando notas recomendadas (ou “rec”, como são chamadas no jargão dos assessores de impressa), notas “chapa branca”, de interesse da autoridade constituída, prefeitos, governantes e chefes de Estado, que tem interesse de vê-las publicadas. O famoso “é dando que se recebe”, não é privilégio da política ou dos políticos. É claro que há jornalistas sérios, em sua grande maioria, que estão comprometidos com a veracidade da informação e se preocupam com os fatos que divulgam e põem em circulação, checando dados, fontes e, mais importante que isso, ouvindo o outro lado – o que se afigura imprescindível, diria eu. Há outros jornalistas, porém, com “j” minúsculo, que se deixam seduzir pelo jogo do poder, e passam a servir, escancaradamente, aos interesses dos governantes de ocasião, cujo desígnio maior é formar a convicção da opinião pública a seu favor. Parecem hipnotizados pela vetusta fórmula segundo a qual “aconteça o que acontecer, esteja onde estiver, estarei sempre do lado do mais forte”.

O EXEMPLO DE EIKE

A ascensão e queda de Eike Batista é um real exemplo dessa prática. Sendo interesse do Governo justificar os empréstimos milionários destinados às empresas X, criou-se, através da imprensa, o mito Eike Batista; o homem que, tal como Midas, em tudo que tocava virava ouro. As notas diárias sobre as empresas e seu comandante só prometiam pujança, novos investimentos, empregos em profusão. Parecia que Eike Batista havia criado o capitalismo, tamanha era a exposição benigna da sua figura nos veículos de comunicação. Havia mesmo jornalistas que todo santo dia enalteciam em suas colunas “Eike Sempre Ele Batista”, noticiando qualquer movimento do empresário, no intuito de afagar seu ego empresarial e demonstrar que o poder público fazia muito bem em tê-lo como parceiro de negócios.

É claro que tamanha publicidade opressiva fez com que milhares de pessoas comprassem ações da empresa e nela apostassem cegamente, pois as notícias publicadas e veiculadas em jornais e revistas ainda possuem presunção de veracidade, já que o povo sempre acredita que “onde há fumaça, há fogo”, para repetir colorida e significativa expressão popular.

O curioso, nisso tudo, é que, hoje, depois da queda, os mesmos jornalistas que enalteciam o vitorioso empresário trocaram a máscara, só noticiam seus tropeços, suas dificuldades, retratando-o como o engodo empresarial do século; esquecendo-se, como num passe de mágica, todos os providenciais elogios que lhe renderam em tempos recentes, numa tentativa grotesca, conquanto visível, de espiarem as suas culpas.

Eike Batista pode até não ser o Warren Buffet brasileiro; mas certamente não é um Kraken, monstro lendário e colossal que pertencia ao folclore nórdico. Assim como qualquer empresário, vive de acertos e erros – e se não fosse sua gigantesca exposição midiática, talvez seus erros não tivessem tomado proporções sobremaneira dantescas.

RESPONSABILIDADE

Partindo da premissa de que toda outorga de poder corresponde ao nascimento de um dever de igual força, que lhe é correlato e indissociável, pergunto-me qual é a parcela de responsabilidade da imprensa na divulgação inopinada de notas recomendadas?

Seria, portanto, muito interessante que a imprensa se propusesse a pensar seriamente no assunto e fizesse uma autocrítica legítima, para se assegurar de que, daqui para frente, as notícias divulgadas sejam sempre as mais fidedignas possíveis, de modo que a liberdade de comunicação e de imprensa se prestem a cumprir a nobre finalidade para a qual estes institutos foram criados, sem muito salseiro ou salamaleques – ainda mais em ano pré-eleitoral quando os governantes estão ávidos por fazer circular informações sobre seus programas sensacionais e feitos miraculosos, na clara intenção de ganharem um votinho aqui, outro acolá. Ou alguém não se lembra do Senador Demóstenes Torres, queridinho da mídia, preferido dos repórteres políticos para entrevistas, e alçado por eles à condição de paladino da justiça e da ética?

A verdade, nua e crua, é que se a mídia não primar por sua própria independência, mantendo uma distância regulamentar e estratégica nas relações profissionais que conserva com o poder público, o cidadão, destinatário final da informação, já não mais poderá diferenciar a tênue linha que separa uma notícia veraz e séria de uma notícia recomendada ou “chapa branca”; restando-lhe apenas, ao fim e ao cabo, constatar o triste paradoxo de que, não raramente, por motivos estranhos, confusos, intrigantes, opacos e inconfessáveis, a imprensa que afaga é a mesma que apedreja (D’aprés Augusto dos Anjos: A mão que afaga é a mesma que apedreja/Se a alguém causa inda pena a tua chaga; apedreja essa mão vil que te afaga; escarra nessa boca que te beija).

Fernando Orotavo Neto é jurista, com várias obras
publicadas de Direito, e professor de Processo Civil

Polícia canadense desvenda rede de pedófilos em 50 países, inclusive no Brasil

Da Agência Lusa

Ottawa – A polícia do Canadá anunciou que desbaratou uma vasta rede de pedofilia. O inquérito, já encerrado, interrogou 348 pessoas no mundo, incluindo religiosos, professores e profissionais de saúde. O inquérito foi feito em 50 países e deteve seis autoridades públicas – policiais ou magistrados -, nove dirigentes religiosos, 40 professores, três famílias de acolhimento, nove médicos, além de enfermeiros.

No total, das 348 pessoas interpeladas, 108 são canadenses, 76 americanos e outros 164 de países como a África do Sul, a Argentina, a Austrália, o Brasil, a Espanha, a Grécia, a Irlanda, o Japão, a Noruega e a Suécia, informou a polícia de Toronto.

Em um inquérito iniciado em 2010 a polícia deteve, em maio passado, um residente de Toronto, apresentado como o cérebro da rede.

A inspetora Joanna Beaven-Desjardins explicou que em outubro de 2010 o seu serviço de luta contra a exploração sexual das crianças tinha “entrado em contato com um homem que partilhava na internet imagens de crianças vítimas de abusos sexuais”.

No total, 386 vítimas menores foram “retiradas da exploração sexual” mas “a sua vida está afetada para sempre”, declarou o inspetor adjunto Gerald O’Farell.

A teologia feita por mulheres a partir de sua feminilidade

01

Leonardo Boff

O papa Francisco tem dito que precisamos de uma teologia mais profunda acerca da mulher e de sua missão no mundo e na Igreja. É certo, mas ele não pode desconhecer que hoje existe vasta literatura teológica feita por mulheres na perspectiva das mulheres da melhor qualidade. Eu mesmo tenho me dedicado intensamente ao tema, culminando com os livros “O Rosto Materno de Deus” (1989) e “Feminino-Masculino” (2010), junto com a feminista Rosemarie Muraro.

Entre tantas atuais, resolvi trazer ao presente duas grandes teólogas do passado: santa Hildegarda de Bingen (1098-1179) e santa Juliana de Norwich (1342-1416). Hildegarda vem sendo considerada, quiçá, a primeira feminista dentro da Igreja. Foi uma mulher genial e extraordinária para o seu tempo e para todos os tempos. Monja beneditina, exerceu a função de mestra (abadessa) de seu convento de Rupertsberg de Bingen, no Reno; foi profetisa (profetessa germanica), mística, teóloga, inflamada pregadora, compositora, poetisa, naturalista, médica informal e escritora. Seus biógrafos e estudiosos consideram um mistério o fato de essa mulher, no estreito e machista mundo medieval, ter sido o que foi.

Hildegarda foi, acima de tudo, uma mulher dotada de visões divinas. Num relato autobiográfico diz: “Quando tinha 42 anos e 7 meses, os céus se abriram e uma luz ofuscante de excepcional fulgor fluiu para dentro de meu cérebro. E então ela incendiou todo o meu coração e peito como uma chama, não queimando, mas aquecendo… e subitamente entendi o significado das exposições dos livros, ou seja, dos Salmos, dos Evangelhos e dos outros livros católicos do Velho e Novo Testamentos”.

É um mistério como tinha conhecimentos de cosmologia, de plantas medicinais, da física dos corpos e da história da humanidade. A monja desenvolveu uma imagem humanizadora de Deus, pois Ele rege o universo com poder e suavidade (mit Macht und Milde), acompanhando todos os seres com sua mão cuidadosa e seu olhar amoroso. Hildegarda ficou especialmente conhecida pelos métodos medicinais seguidos na Áustria e na Alemanha por médicos até os dias de hoje.

Outra notável mulher foi Juliana de Norwich (1342-1416), da Inglaterra. Pouco se sabe sobre sua vida. O certo é que viveu todo o tempo reclusa numa parte murada da Igreja de São Julião. Ao completar 30 anos, teve uma grave enfermidade que quase a levou à morte. Em dado momento, durante cinco horas, teve 20 visões de Jesus Cristo. Escreveu imediatamente um resumo de suas visões. Depois de 20 anos, tendo refletido longamente sobre seu significado, escreveu uma versão longa e definitiva sob o título “Revelations of Divine Love” (“Revelações do Amor Divino”, Londres, 1952).

Suas revelações são surpreendentes, pois vêm perpassadas por um inarredável otimismo, nascido do amor de Deus. Para ela, o amor é sobretudo alegria e compaixão. Não entende as doenças, como era crença popular na época, e ainda hoje, em alguns grupos, como castigos de Deus. Para ela, as doenças e pestes são, sim, oportunidades para encontrar Deus.

O pecado é visto como uma espécie de pedagogia pela qual Deus nos obriga a conhecer a nós mesmos e a buscar Sua misericórdia. Diz mais: atrás daquilo que falamos de inferno, existe uma realidade maior, sempre vitoriosa, que é o amor e a misericórdia de Deus. Pelo fato de Jesus ser misericordioso e compassivo, ele é nossa querida Mãe. Deus mesmo é Pai misericordioso e Mãe de infinita bondade.

Somente uma mulher poderia usar essa linguagem de amorosidade e compaixão e chamar Deus de Mãe de infinita bondade. Assim, vemos uma vez mais como a voz feminina é importante para haver uma concepção não patriarcal e por isso mais completa de Deus e do Espírito que perpassa toda a vida e o universo.

As crônicas de Suetônio

Vittorio Medioli

A palavra “maquiavelismo” passou a ser sinônimo de amoralidade na disputa do poder embora Nicolau Maquiavel tenha se guardado de fazer apologia dos métodos que adquiriram fama com a sua obra literária. O diplomata florentino pesquisou profundamente os textos de historiadores romanos, como Tito Lívio e Caio Suetônio Tranqüilo, à procura das condutas e dos meios que levaram os imperadores romanos à conquista de um poder inigualável.

Maquiavel retrata fielmente fatos e circunstâncias de uma época pré-cristã, ainda não alcançada pela revolução moral do Novo Testamento. Portanto, quem perde de vista o contexto histórico dos fatos que ele narra passa a confundi-lo com um demônio, arauto do mal e dos sete pecados capitais. Ledo engano ou, pior, injustiça.

Maquiavel revela friamente os métodos que, num primeiro momento, expandiram o Império Romano, mas que o condenaram, em seguida, à ruína. Tem também o mérito de colocar a nu a infelicidade pessoal que cercava a vida dos poderosos de Roma – condenados a se prostituir, a trair, a mentir, a suprimir parentes e amigos, a viver assombrados por traições e vingança para manter, a qualquer preço, o poder.

O termo “maquiavelismo” por justiça deveria ser substituído por “cesarianismo” ou mais corretamente por “amoralismo”, à luz do ensinamento cristão. Se analisarmos a época dos Césares à luz da doutrina brâmane, aparecerá a deusa Kali, esposa de Shiva, entidade divina encarregada da destruição daquilo que já não tem sentido e precisa dar lugar a algo melhor. Uma força permanente da natureza que possibilita à flor de lótus crescer no meio do lamaçal e à semente encontrar alimento no organismo em decomposição.

FIM DE UMA ERA

Os doze Césares cumpriram com o papel de conduzir e acelerar o fim de uma era, trazendo à tona muito de bom e tudo de ruim que a humanidade tinha à disposição naquela época. Todavia, os imperadores merecem uma enorme consideração pela capacidade de ordenar o Estado, com sistemas que continuam universalmente atuais.

O cientista florentino, por sua vez, morreu no ostracismo e na pobreza por ter revelado os sentimentos abjetos que mais serviram na conquista do poder. Mas Maquiavel teve o mérito incontestável de escancarar o lado obscuro dos governantes, levando-o ao conhecimento de quem quisesse neutralizá-lo.

Pois bem, as crônicas de Suetônio chegaram às livrarias em versão portuguesa, facilitando aos interessados a compreensão do Império Romano, do próprio Maquiavel e até para medir os avanços que a moralidade registrou (na realidade, poucos) desde quando César tombou no senado lamentando: “Até tu, Brutus…”.

E até nós, desembarcando da leitura de Suetônio, sentiremos pulsando nas veias a herança dos imperadores. Vale a pena ler. (transcrito de O Tempo)

Ainda as biografias não autorizadas…

Sandra Starling

Nosso país – com a exceção do que estão fazendo os Black Blocs e Anonymous e outros mais anônimos ainda – anda carecendo de bons debates.

Se Marina prega a volta ao “tripé”, se Dilma acha que regime de partilha não é um tipo de privatização, se Aécio continua à espera de Serra, e Eduardo Campos vai debater economia em Londres, é melhor mesmo que o debate sobre as biografias continue. Porque, pelo menos assim, a gente debate algo que presta.

Aliás, continuo desconfiada de que o fio da meada é só um deus chamado dinheiro (ah, como é bom revisitar Aristófanes!), pois, no fundo, no fundo, tudo se resolveria se os direitos autorais fossem divididos entre personagens, herdeiros e biógrafos. Maldita herança de bens materiais, fonte de todas, TODAS, absolutamente todas as dissoluções familiares – e os hipócritas ainda vêm falar que o divórcio é que acabou com as famílias.

O que sempre acaba e acabou com as famílias foi o direito de herança: os herdeiros à beira do túmulo, ou pós-túmulo, fazendo as contas de quanto cabe a cada um deles, inclusive o viúvo ou, quase sempre, a viúva – que acaba tendo, no fim da vida, vida muito melhor do que a que gozara na companhia do(a) finado(a), ainda mais que esse(a) já vinha se finando há muito tempo e só lhe dava, a ela ou ele, cônjuge, o trabalho de aguentar seus arrotos, sua cólica, seu vagar insone pela imensa casa ou exagerado apartamento… Isso, claro, para quem pode deixar herança num país onde poucos têm o que deixar.

Mas voltemos às biografias. Quem se envereda por esse debate, pelo lado do dinheiro, precisa saber que nesse assunto Roberto Carlos não é o rei. Antes, muito antes dele, em 1963, depois da Copa do Mundo de 1962, Pelé, então Rei do Futebol, também quis partilhar porcentagem com as vendas do livro de Mário Rodrigues Filho, “Viagem em Torno de Pelé”, publicado pela Editora do Autor, porque o jogador passara horas e horas dando entrevistas em Viña del Mar.

CENSURA PRÉVIA

E, para quem discute se é ou não censura prévia, é bom saber que nessa matéria nosso país sempre foi extremamente errático. Vamos a ela: quase todas as peças de Nelson Rodrigues, escritas depois do fim da ditadura de Vargas, foram censuradas para apresentação em palco, e uma delas, “Álbum de Família” – que ficou mais de 20 anos proibida –, só pôde ser encenada em 1967, em plena ditadura militar, quando já havia de novo a censura explícita.

Da censura de Vargas, também fez uso o presidente mais democrático do país, Juscelino Kubitschek, ao proibir a divulgação da música de Billy Blanco contra a mudança da capital do Rio para Brasília… Sabiam disso?! E o mais interessante de tudo é que essa informação sobre censura, praticada por JK, eu a obtive no blog de Chico Buarque, que cita a “Enciclopédia da Música Brasileira” (Art. Editora, 1998) e também a entrevista com Billy Blanco feita por Fernando Faro no programa “MPB Especial”, incluído no CD gravado pelo Sesc em 2000…

Esperemos o próximo round dessa história, entre Paula Lavigne e o dr. Kakay!… (transcrito de O Tempo)

Diego Costa e a Espanha

 Mauro Santayana
(HD) – “Cada uno es hijo de sus obras.” – a antiga advertência, de Don Quixote de La Mancha, que nos alerta para a conseqüência das más decisões, parece ter sido, nos últimos anos, totalmente esquecida pela Espanha.
Mesmo com uma dívida externa de quase 200%, 27% de desemprego, quase 100% de dívida interna líquida, e cerca de 20 bilhões de euros em reservas, Castela continua imprudente e arrogante. E como não pode mais exibir duvidosos galardões econômicos, passou a exercitar sua proverbial petulância em outras áreas, como o futebol, por exemplo.

Antes da Copa das Confederações, os jornais espanhóis diziam que a “Roja” ia dar uma “lição” ao Brasil. Acabaram levando, de volta para casa, duas. Uma de futebol, e a outra de patriotismo, antes, durante e depois da final, no Maracanã, quando perderam de 3 x 0.
Sem entender que não estavam colhendo mais do que semearam antes – fora a antipatia futebolística, muitos torcedores não se esquecem das expulsões de brasileiros daquele país – os jornais espanhóis preferiram justificar as vaias recebidas por aqui com um suposto “apavoramento” do Brasil com a sua seleção.
CONFRONTAÇÃO
E, como a Espanha não aceitou a derrota, continua o clima de confrontação. O último capítulo da picuinha foi o convite a Diego Costa para jogar pela seleção espanhola.  Convocado também pelo Brasil, ele optou pela Espanha e a CBF pediu a cassação de sua nacionalidade brasileira.
Envolvido com corrupção e com a ditadura, Marin não é – para dizer o mínimo – um exemplo de cidadão, mas, infelizmente, é preciso reconhecer que, hoje em dia, as pessoas trocam de passaporte como trocam de camisa.
A nacionalidade brasileira não é um direito, mas uma honra e um privilégio. Defender a bandeira de outra nação, em um campo de batalha ou de futebol, deveria determinar – para quem o faz – o irreversível direito de ser feliz em seu novo país e em sua nova condição. Por ingenuidade ou interesse, Diego Costa foi usado como instrumento de uma briga que o Brasil não começou.
SINUCA DE BICO
A “Fúria”, para jogar a Copa, não precisava dele. E isso é reconhecido até por parte da opinião publica espanhola. Ao ver aceito seu convite, Del Bosque  ficou em uma sinuca de bico. Se trouxer o jogador para o Brasil, depois de ter escolhido a Espanha, estará obrigado a colocá-lo em campo, aumentando a pressão da torcida brasileira contra o time espanhol.
No final do torneio, se Diego Costa jogar mal e a Espanha perder, Del Bosque será execrado em seu país. Se ele jogar bem, e marcar, a versão que vai ficar é a de que a Espanha não ganhou por seus próprios méritos, mais sim porque tinha um brasileiro jogando em sua seleção.

Dessa vez, os cartolas espanhóis quiseram crescer e aparecer, na mídia, criando nova polêmica com o Brasil, país anfitrião da Copa e Pentacampeão do mundo. Com essa jogada, o mais provável, é que eles e seu treinador acabem se dando mal.

Depois de telefonar para Dirceu e Genoino, Lula agora quer ‘esquecer’ o mensalão

Vera Rosa
Estadão

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou sexta-feira para o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e para o ex-presidente do PT José Genoino logo após saber da expedição dos mandados de prisão contra os dois. “Estamos juntos”, disse Lula aos antigos companheiros.

Apesar de manifestar solidariedade, Lula acertou com a presidente Dilma Rousseff uma estratégia para não prolongar o desgaste. Em vigor desde o ano passado no Palácio do Planalto, a lei do silêncio sobre os desdobramentos do mensalão será mantida, sob o argumento de que decisão judicial é para ser cumprida. “Nós temos um acordo de não falar sobre esse assunto”, disse ontem o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral).

Lula passou o feriadão em sua chácara, no interior paulista, e foi de lá que ligou para Dirceu e Genoino. Na quinta-feira, ele avisou que não compareceria ao 13° Congresso do PC do B, em São Paulo, pois estaria ali representado por Dilma e por Falcão. A presidente, por sua vez, não mencionou a prisão dos petistas, citada pelo presidente do partido anfitrião, Renato Rabelo.

A partir de agora, Lula, Dilma e o PT farão de tudo para se descolar do mensalão. A frase “quem sou eu para fazer qualquer insinuação ou julgamento da Suprema Corte?” foi a senha dada por Lula, na quinta-feira, para encerrar de vez o assunto

Agora, são assessores de mantega envolvidos em corrupção. Isso não vai parar nunca…

Deu na Época

Dois assessores diretos do ministro da Fazenda, Guido Mantega, estão na mira da Polícia Federal. O chefe de gabinete, Marcelo Estrela Fiche (foto), e seu adjunto, Humberto Alencar, que ocupa a chefia da Assessoria Técnica e Administrativa, são suspeitos de receberem propina da empresa Partnersnet Comunicação Empresarial, que presta serviços de assessoria de imprensa à pasta.

As denúncias são de que os subordinados de Mantega teriam recebido R$ 60 mil em pacotes de dinheiro vivo das mãos de uma secretária da empresa em Brasília. Há suspeitas também de que a Partnersnet tenha colocado na folha de pagamento do ministério funcionários fantasmas e outros que nem sequer dão expediente na capital. O caso foi revelado em matéria publicada no site da revista Época.

A Fazenda informou já ter adotado medidas para investigar o caso. Mantega enviou, na noite de quinta-feira, ofício ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, pedindo que a PF apure as denúncias. Um processo também foi aberto na Corregedoria do ministério, para investigar se os servidores receberam ou não algum tipo de vantagem da Partnersnet.

Ao invés de obras, municípios atingidos por temporais ganham mapas com rotas de fuga

Cristina Indio do Brasil
Agência Brasil

Rio de Janeiro – Os municípios de Nova Friburgo, de Petrópolis e de Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, ganharam mapas para auxiliar a retirada de moradores em situações de risco causadas por desastres climáticos, como as fortes chuvas que, em 2011, provocaram mortes nas três cidades.

Os mapas com rotas de fuga, que fazem parte do trabalho feito pelas secretarias de Estado do Ambiente (SEA) e de Defesa Civil com a participação da comunidade, foram lançados hoje (14) em Itaipava, distrito de Petrópolis.

Segundo o secretário de Ambiente, Carlos Minc, as comunidades que vivem nestes locais podem identificar onde estão os maiores problemas. “É a comunidade que pode dizer onde o rio enche, onde é que está a ponte que não dá para passar por ela. Tem que ter uma rota alternativa. E, junto com  Defesa Civil, dizer onde está a igreja, que, por ser mais alta, pode ser um ponto de abrigo. Onde estão os deficientes, as grávidas, as pessoas que, em caso de uma desgraceira de enchente, tem que levar para lá [a um local seguro]. Este mapa é humanizado é construído com olhar comunitário e com a eficiência dos oficiais da Defesa Civil”, defendeu.

VOLUNTÁRIOS

A superintendente de Educação Ambiental da SEA, Lara Moutinho da Costa, disse que foram selecionados 60 voluntários entre a população dos três municípios. Eles se formaram em monitores socioambientais depois de completarem cursos de capacitação realizados pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), durante um ano e meio.

“Conseguimos selecionar 60 mais interessados em ser agentes multiplicadores dos conhecimentos, não só da educação ambiental voltada para a gestão participativa do ambiente, mas a todos os assuntos relacionados à defesa civil, a risco de acidentes e desastres e à redução dos danos ambientais gerados pelos desastres”, explicou a superintendente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEste é o governo de Sérgio Cabral, que arma jogadas com empreiteiros, desvia recursos da Saúde, faz pacto com traficantes para instalar as tais UPPs, e que pensa que governar é fazer marketing e criar factóides. As cidades serranas até agora não tiveram as obras anunciadas pelo desgovernador. Em compensação, receberam os mapas para fugir das tragédias. Que Deus os proteja neste verão que está chegando. (C.N.)

Mensaleiro Pizzolato viaja para a Itália e é considerado foragido pela Polícia Federal

Cristina Indio do Brasil
Agência Brasil
Rio de Janeiro – O advogado Marthius Sávio Cavalcante Lobato, que defendeu o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que seu cliente está na Itália. O advogado informou que desconhece quando Pizzolato, um dos réus condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão, deixou o Brasil e quais foram os motivos da decisão. “Ele fez isso isoladamente. Não sei qual foi o pensamento dele. Foi uma decisão isolada”, disse.Marthius Sávio Cavalcante Lobato informou ainda à Agência Brasil, que não representa mais Pizzolato. “A minha participação encerrou-se com o transitado em julgado da ação, que foi na quinta-feira [14]. Não tenho poderes para falar em nome dele. A procuração que ele me passou se encerrou no transitado em julgado. Na fase da execução, ele teve que me outorgar poderes”, acrescentou ao explicar que não é mais advogado de Pizzolato.

O advogado, no entanto, ainda manteve contato com a Polícia Federal no Rio e em Brasília para tratar do caso. Pela manhã, ele confirmou ao delegado da Polícia Federal, da superintendência do órgão no Rio de Janeiro, Marcelo Nogueira, que uma carta divulgada na imprensa pela família de Pizzolato era mesmo do ex-diretor do Banco do Brasil. Nela, Pizzolato, que tem dupla cidadania, diz que decidiu buscar um novo julgamento na Itália.

“Por não vislumbrar a mínima chance de ter julgamento afastado de motivações político-eleitorais, com nítido caráter de exceção, decidi consciente e voluntariamente fazer valer meu legítimo direito de liberdade para ter um novo julgamento, na Itália, em um tribunal que não se submete às imposições da mídia empresarial, como está consagrado no tratado de extradição Brasil e Itália. Agradeço com muita emoção a todos e todas que se empenharam com enorme sentimento de solidariedade cívica na defesa de minha inocência, motivadas em garantir o Estado Democrático de Direito que a mim foi sumariamente negado”, concluiu Pizzolato.

O delegado Marcelo Nogueira informou que, como a Polícia Federal não pôde prender Pizzolato porque ele não estava em casa, o réu no processo é considerado foragido e vai passar a integrar a lista da Interpol. “A partir do momento em que o mandado de prisão não foi cumprido porque ele estava ausente, ele já é considerado foragido. Este é o procedimento padrão”, explicou em entrevista à Agência Brasil.

Marcelo Nogueira confirmou que recebeu a ligação do advogado Marthius Sávio Cavalcante Lobato assegurando que a carta divulgada na imprensa era de Pizzolato e, portanto, indicando que ele está fora do Brasil.

O delegado disse que não está mais prevista qualquer ação da Polícia Federal no Rio de Janeiro com relação à prisão de Pizzolato. “Agora, é com o Ministério da Justiça”, concluiu.