Faz sucesso na internet a resposta do Ministério Público ao desembargador que soltou os black blocs

Celso Serra

Leiam, abaixo, a nota do MP do Rio de Janeiro depois que o desembargador Siro darlan chamou o MP de “inutilidade”.

Esse desembargador, que mandou soltar os ativistas, é aquele que libertou 10 perigosos marginais presos por terem invadido o Hotel Intercontinental em São Conrado, todos portando armas de grosso calibre e que trocaram tiros com a polícia em plena rua, em evento filmado e transmitido para todo o mundo. Alegou “excesso de prazo” para a prisão. A essa hora vários inocentes devem estar mortos por conta da soltura desses marginais.
Foi ele também que concedeu “prisão domiciliar” para a mulher do traficante Nem da Rocinha, decisão essa logo revertida pelo colegiado de desembargadores do TJ do Rio. Ele era grande defensor de marginais “di menor” quando era juiz da infância e juventude.
Essa é a nossa Justiça, que ainda promove uma figura dessas a Desembargador. Vejam na nota do MP do Rio abaixo se esse magistrado tem condições de ser desembargador.

NOTA DO MP SOBRE DECLARAÇÕES DE DARLAN

“O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, instituição vocacionada à defesa da sociedade, vem externar seu mais veemente repúdio às declarações do Sr. Siro Darlan, que, uma vez mais, presta enorme desserviço ao povo e ao Estado brasileiros. Rotular o Ministério Público de “inutilidade” é ignorar seu importante papel na tutela dos interesses coletivos. Na verdade, é exatamente por exercer com retidão e diligência a tarefa de proteger os direitos sociais, tentando conter o avanço da criminalidade, que a instituição tem colecionado tantos e tão poderosos inimigos.

É preciso não perder de perspectiva que, na difícil tarefa de aplicar a lei, é preciso interpretá-la adequadamente. Alguns o fazem buscando a defesa da sociedade, outros se movem por interesses menos relevantes. E isso se evidencia ao lembrarmos da libertação, em agosto de 2010, decretada pelo ora ofensor do Ministério Público, de dez marginais que haviam sido presos após invadir o Hotel Intercontinental, portando armas de grosso calibre e aterrorizando suas vítimas.

Apesar dos percalços diuturnamente enfrentados, o Ministério Público continuará a zelar pelos interesses que lhe incumbe defender, quaisquer que sejam os detratores de plantão. A inutilidade, por certo, existe, mas em seara outra que não a da instituição.”

No governo, um silêncio eloquente sobre o caso Pasadena

http://blogdoneylopes.files.wordpress.com/2014/03/charge37.jpgJoão Bosco Rabello
Estadão

A Petrobrás teve 11 ex-diretores responsabilizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) pela operação comercial de compra de uma refinaria nos Estados Unidos, sob a suspeita de servir a um esquema de desvio de recursos para fins ainda investigados.

Apenas nesse caso a operação envolve a quantia de 712 milhões de dólares que o TCU pretende estornar para os cofres da empresa. Os bens dos 11 ex-diretores estão bloqueados, inclusive os do seu ex-presidente, Sérgio Gabrielli. A sua sucessora, Graça Foster, poderá ir pelo mesmo caminho.

Um dos alcançados pela decisão do tribunal, Paulo Roberto Costa, está preso. E a Polícia Federal investiga a participação de seu parceiro, o doleiro Alberto Youssef, ambos réus por desvio de dinheiro da refinaria Abreu e Lima, como sócio da estatal em um terceiro empreendimento – a usina termelétrica de Suape.

Nesta, Youssef estava associado ao ex-deputado José Janene na empresa CSA Project Finance, investigada por lavagem de dinheiro do mensalão, repassado pelo publicitário Marcos Valério. É Janene o padrinho político de Paulo Roberto Costa na Petrobrás, formando um elo que aproxima as investigações de desvios para campanhas eleitorais.

São casos que já ultrapassaram o estágio das denúncias e geraram ações policiais e judiciais, com bloqueios de bens e prisões. Sua consistência se mede também pela antecipação da presidente Dilma Rousseff ao seu desfecho policial, declarando-se inocente de uma decisão da empresa que sabia, mais tarde, incriminadora.

DILMA E LULA CALAM

No entanto, tanto Dilma, à época presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, quanto seu antecessor, Lula, presidente da República, calam sobre o desdobramento desses casos. A presidente satisfez-se com a não inclusão do Conselho na decisão do TCU, que a isenta, por ora, da responsabilidade imposta aos ex- diretores.

Já o ex-presidente, em cuja gestão ocorreram os fatos, os inclui no roteiro cirúrgico que cumpre como cabo eleitoral da afilhada – um script que o mantém em cena apenas como advogado do governo da sucessora, omitindo-se de qualquer tema incômodo com origem no seu.

A ideia é que seu governo figure na campanha quando for conveniente avaliar os 14 anos do PT no poder para atenuar a crise econômica atual. E separando as duas gestões na maior parte do tempo, como convém ao ex-presidente, para não macular a popularidade com a qual voltou à planície.

Mas o escândalo da Petrobras é um vínculo de alto teor explosivo a unir criador e criatura, juntos à época como chefe e subordinada. O que torna o silêncio de ambos. sobre os escândalos, eloquente.

 

Viajando no trem da solidão em companhia de Paulo Simões

O cantor e compositor carioca Paulo Simões mora em Campo Grande, MS, onde passou parte da adolescência descobrindo amigos e futuros parceiros, como os irmãos Geraldo e Celito Espíndola, Geraldo Roca e Almir Sater. A bonita letra de “Trem da Solidão” é um convite à alguém que também se encontra solitário para juntarem os seu corações e seguirem em frente. A música foi gravada por Paulo Simões no CD Arrasta pé – volume II, em 1997, produção independente.

TREM DA SOLIDÃO

Paulo Simões

Rodar junto ao seu
E vamos atrás do sol que nasceu

E se o seu coração
Acompanhar o meu
Nós vamos formar o trem da solidão

Pelos trilhos dourados da aurora
Vamos embora
Pelos trilhos vermelhos do poente
Vamos embora, vamos em frente

Deixe o meu vagão
Rodar junto ao seu
E vamos atrás do sol que nasceu
E se o seu coração
Acompanhar o meu
Nós vamos até a última estação

Vamos embora
Com o sangue na veia
Pelos trilhos azuis da lua cheia
Pelos trilhos dourados da aurora
Pelos trilhos vermelhos do poente
Vamos embora, vamos em frente

 (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Dilma rejeita articulação na CPI que assessor confirma

Pedro do Coutto

Reportagens de Simone Iglesias (O Globo) e de Eduardo Cucolo e Natuza Nery (Folha de São Paulo), edições de 7 de agosto, publicadas com destaque, reproduzem a resposta dada pela presidente Dilma Rousseff a perguntas que lhe foram feitas por jornalistas a respeito da articulação desenvolvida por setores do governo voltada para reduzir o impacto da CPI do Senado sobre a compra da refinaria de Pasadena, pela Petrobrás.

A chefe do Executivo – acentuam as matérias – irritou-se e sustentou que o Planalto não é especialista em petróleo para formular perguntas relativas à área. Não esclareceu. Não falou na providência que iria tomar. Tampouco admitiu a hipótese de haver tanto indagações bem formuladas quanto as mal formuladas, além das asnásticas. Esta diversidade está presente em todos os setores da atividade humana. Há os bem capacitados e os incapazes de raciocinar. Acontece com frequência.

Mas antes de analisar o posicionamento político da presidente da República, verificamos, de acordo com o que a  Folha de São Paulo publicou, a existência de uma contradição. Pois enquanto a presidente nega a participação do Planalto, em nota enviada ao jornal o diretor executivo da Secretaria de Relações Institucionais, que tem nível de ministério, confirma. Pelo cargo que ocupa – afirma literalmente – “não devo me omitir de participar dos debates com parlamentares, inclusive para a formação do roteiro e da estratégia dos trabalhos.”

CONSTRUINDO UMA PONTE

Após se referir à CPI da Petrobrás, na mesma nota, acrescentou: “Atuo em ambas as frentes para que todos os esclarecimentos sejam prestados pela empresa, assegurando a qualidade das informações, evitando dessa forma o uso político eleitoral da CPI”.

Confirmou, portanto, ter participado de alguma articulação, da construção de uma ponte entre o indagado e o respondido. Porém esta é outra questão. O essencial encontra-se, nesta altura dos acontecimentos, no bloqueio praticamente adotado por Dilma Rousseff em responder as perguntas dos jornalistas. Não se compreende. Desperdiçou uma excelente oportunidade de se comunicar positivamente com a opinião pública e somar pontos para sua campanha à reeleição. Pois o que a maioria, ou pelo menos parte substancial do eleitorado, deseja é a condenação da farsa publicada inicialmente pela Veja e que se projeta em sequência através de dezenas de páginas e noticiários diários das emissoras de televisão. A presidente da República mostrou-se indignada. Deveria esclarecer esta indignação do campo emocional para o da investigação.

Sobretudo porque não pode existir alguém capaz de achar certo o esquema colocado em prática que, antes de mais nada, desmoralizou o próprio Senado, palco de uma representação sequer contra senador Aécio Neves (FSP de 7 de agosto), foram fracos e genéricos diante das verdadeiras dimensões da montagem. Pasadena, tem-se a impressão, encontra tradução no encolhimento e desocupação do espaço verdadeiramente político.

Mas enquanto setores do governo e da oposição adormecem, a sociedade desperta, já que a alvorada da campanha eleitoral se aproxima. Ela vem no amanhecer de 19 próximo. Temas para que se desenvolva e abasteça um mar de debates, não faltam. Se confirmada a farsa da CPI, esse será um deles. Dilma Rousseff perdeu a chance  de abrir as cortinas do palco. Bastaria, pelo menos, dizer que ia mandar investigar a denúncia. E a oposição? Onde ela se encontra? Bem longe do Texas.

Saudade de Bilinha, que nos mostrava por que o cão é o melhor amigo do homem

Michelle Louise Sobrinho

Oh Bilinha, como você vai fazer falta, mamãe! Vai fazer falta dar aquele petisco escondido pra você comer, vai fazer falta ver meu pai dizendo que tava fazendo você de cavalinho pra Miguel só para me pirraçar, vai fazer muita falta ouvir meu pai dizendo “chega, menina” e ver você ir correndo para ele, sempre fazendo festa, vai fazer falta ver você sempre aconchegada em algum cantinho da casa tirando um cochilo… Você vai fazer muita falta, Bila…Cachorrinha única, de nome único: Bila Maria da Silva Bilu, que foi muito querida e amada por todos!
Escrevo isso chorando por sua ausência, mas ao mesmo tempo tranquila porque sei que você foi uma cachorrinha muito feliz! Obrigada por todo o amor, um amor sincero, que só um ser puro como um cachorrinho sabe transmitir nos gestos mais simples. Te amo, Bilinha…Fica bem ai no céu dos cachorrinhos . Sentimos muito a sua falta.


Santos do pau oco

Sylo Costa

“Santo do pau oco” é uma expressão popular para designar pessoas dissimuladas, sonsas, gente manhosa como cachorro de madame. Os melhores exemplos desse tipo estão na classe política.

Alguns deles me fazem lembrar o caso do ladrão de porcos, apanhado em flagrante delito: o cara entra no chiqueiro alheio à noite, pega um leitão, amarra uma embira no focinho do bicho e vai saindo de fininho, com o porco surrupiado nas costas.

Pego no flagra, sem tempo de se desfazer da carga, é interpelado pelo dono do bicho: “Onde o senhor pensa que vai carregando meu porco?” E o ladrão, surpreso: “Que porco?” “Esse aí, embirado em suas costas!” “Moço de Deus, se você não me avisa, eu ia tomar um susto, nem vi o bicho muntani mim! Xô pra lá, fi duma porca!”

Qualquer semelhança com políticos em voga não será mera coincidência, pois, hoje em dia, quanto mais se acham importantes, mais dissimulados, mais ignorantes…

O ex-Luiz, exemplo maior, nunca sabe de nada e faz de conta que não carrega uma suinocultura nas costas e um verdadeiro minhocal na cabeça. Seu caso é grave porque é valente por ignorância conveniente e faz vista e ouvidos de mercador como um verdadeiro santo do pau oco.

ARRUDA, FICHA SUJA

Mas apareceu um ainda mais sem-vergonha que qualquer outro: esse tal José Roberto Arruda, melhor exemplo de pessoa que deveria ser banida da política, por medida profilática, agora candidato a governador do Distrito Federal – que, diga-se de passagem, nunca deveria ter deixado de ser um território federal, administrado apenas por um intendente, como cargo de confiança do presidente da República, sem deputados e, menos ainda, senadores e vereadores, aliás, “in statu quo ante”.

No caso em questão, não se trata apenas de dissimulação: o cara teve o mandato de deputado federal cassado por ter violado e falsificado o painel de votação do Congresso Nacional. Depois, não sei como, foi eleito governador de Brasília e foi cassado e preso por roubar dos cofres públicos, recebendo propina, cena exposta na televisão.

Agora, é candidato outra vez a governador e lidera as pesquisas de intenção de voto. O cara é um baita ficha-suja. Como disse Francelino Pereira: “Que país é este?” Respondo: este é o país do futebol, que, depois de continuar falando e agindo em termos de Copa disso e Copa daquilo, semana próxima assistirá a uma nova convocação da seleção brasileira para disputar não sei o quê, não sei onde.

Gente, e trabalhar para pagar dívidas, quem quer? Já pensou o que poderia ser feito como mais de R$ 120 bilhões de juros que pagamos por ano?

Esses bilhões deveriam ser empregados em infraestrutura, educação e saúde, com médicos brasileiros ou mesmo cubanos, com direito de ir e vir e sem “dividir” a remuneração desses profissionais com os irmãos Castro ou pagar dívidas da Bolívia, da Argentina e do tal de Maduro, o homem que fala com o Chávez por meio de um passarinho. O sonho sonhado é de graça. (transcrito de O Tempo)

 

Prefeitos de todo o país contabilizam o legado negativo da Copa

Raquel Faria
O Tempo

O Fundo de Participação dos Municípios (FPM),  que sustenta as prefeituras brasileiras, desabou no mês passado. Em Belo Horizonte, para dar um exemplo, a prefeitura recebeu R$ 25,289 milhões em julho, cerca de 40% a menos que os repasses registrados no início do ano – em fevereiro, por exemplo, foram R$ 43,5 milhões. A queda ocorre na mesma proporção para todos os municípios, que agora sentem nos cofres o baque nas atividades econômicas durante a Copa do Mundo.

As dificuldades para os prefeitos só não são maiores porque a forte queda em julho, período atípico em função da Copa, tende a não se repetir nos próximos meses, com a volta do país à normalidade, elevando a arrecadação. E também porque o FPM deverá ser reforçado em alguns bilhões com o aumento em 1% dos repasses, conforme PEC aprovada pelo Senado anteontem e agora a caminho do endosso na Câmara Federal.

ORQUESTRAÇÃO

Não foi uma coincidência, mas um dueto ensaiado. As declarações, terça-feira, dos ministros Guido Mantega e Alexandre Tombini, ambos engajados no esforço de melhorar o ambiente e a visão da economia, foram combinadas, no esforço que o governo articula para combater o pessimismo econômico. Eles vão insistir durante toda a campanha que o Brasil está bem, refutando a tese de que já viveríamos uma estagflação ou início de uma recessão.

Com seu tom quase-ufanista, a propaganda dilmista buscará se contrapor à visão mais sombria da oposição, sobretudo do PSDB, que vê o país em crise econômica e deve seguir batendo forte no governo. Ou seja, a campanha petista está recorrendo ao bom humor para tentar desfazer os maus humores que se disseminaram pelo país.

MP-SP abre inquérito para apurar exigência de atestado de virgindade em concurso

Davi Lira
iG São Paulo

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) abriu um inquérito civil para investigar a legalidade em se exigir exames ginecológicos e até atestado de virgindade para candidatas mulheres interessadas em ingressar no serviço público estadual.

Conforme revelado pelo iG Educação, uma candidata já aprovada no concurso de Agente de Organização Escolar da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (SEE-SP) precisou apresentar um comprovante que atestava a sua virgindade para cumprir um dos requisitos do edital.

Na lista dos exames médicos de admissão obrigatórios exigidos na seleção estão dois testes ginecológicos: o colposcopia e o de colpocitologia oncótica, o Papanicolau. Só estão isentas da apresentação desses testes as candidatas virgens. Nesse caso, a mulher precisa fornecer um comprovante médico que ateste, depois de análise da paciente, que “não houve ruptura himenal” [ou seja, que não teve seu hímen rompido].

A candidata em questão, que tem 27 anos, precisou passar por esse “constrangimento absurdo”, segundo ela própria, para dar continuidade ao seu processo de nomeação. Após passar por análise de uma médica particular, ela teve de apresentar o atestado de virgindade para o Departamento de Perícias Médicas do Estado (DPME), responsável pela análise médica das ingressantes no serviço público.

INVESTIGAÇÃO

A promotora de Justiça de Direitos Humanos e Inclusão Social do MP-SP, Paula de Figueiredo Silva, informou que a revelação do caso foi sucifiente para a abertura do processo investigatório.

“Vamos oficiar [intimar] a Secretaria de Gestão Pública do Governo de São Paulo para que apresente as justificativas para impor tais exigências. A notícia demonstra possíveis violações de direitos, por isso resolvemos instaurar o inquérito”, afirma a promotora.

Mesmo o caso tendo ganhado força a partir do relato da candidata, como a prática vem ocorrendo também em outros concursos públicos estaduais, inclusive anteriores ao da SEE, o MP-SP vai apurar de uma forma geral “a questão de utilização desses critérios e do tipo de requerimento solicitado [o atestado de virgindade]”, afirma Paula.

“Uma candidata já se manifestou, mas há outros casos de contrangimento que podem não ter sido levados à público, com medo de constrangimento, por exemplo”, diz a procuradora do MP.

Segundo a Defensoria Pública do Estado, mais mulheres procuraram o órgão se queixando da exigência dos exames ginecológicos e também do comprovante de virgindade.

INQUÉRITO

A primeira etapa do inquérito vai ser a requisição de documentos às partes envolvidas. Outros órgãos da administração pública como a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (SEE-SP) podem também ser convocados a prestar esclarecimentos. Depois da análise dos dados e das justificativas dos envolvidos na polêmica, o MP-SP poderá propor três medidas.

“Podemos arquivar o inquérito ou propor a instauração de uma ação civil pública. Há ainda a possibilidade de se buscar uma solução extra-judicial a partir da proposição de um Termo de Ajustamento de Conduta”, explica Paula. No momento, não há prazo aproximado de conclusão do inquérito.

OUTRO LADO

Por meio de nota, o Departamento de Perícias Médicas do Estado informou que os exames solicitados funcionam como medida preventiva, “e que diversos casos foram descobertos pelo Departamento, em candidatas que sequer tinham conhecimento de seu estado”.

O DPME, vinculado à Secretaria de Gestão Pública do Governo de São Paulo, também disse que “o intuito do relatório médico não é tomar conhecimento da ´virgindade´ da candidata por questões sociais”, mas de oferecer uma “alternativa” de não fazer os exames “no caso de [candidatas com] atividade sexual não iniciada”.

O DPME também diz que tem feito revisões constantes para acompanhar as evoluções médicas e científicas e que, por conta disso, publicou uma resolução no final de maio, que prevê a supressão da colposcopia da lista de exames obrigatórios.

“A resolução passa a vigorar a partir da data de sua publicação para os próximos concursos, não tendo efeitos em períodos anteriores; como no caso do edital em questão”, afirma o DPME.

Seleção continua uma máquina de fazer dinheiro

Chico Maia

No dia 19, terça-feira, sairá a primeira convocação da seleção brasileira da nova era Dunga. Inimaginável que não haja nome ou nomes do Cruzeiro nessa lista, já que na defesa, no meio e no ataque há jogadores que merecem ser chamados e, especificamente, dois têm estilo que agradam ao treinador: o zagueiro Bruno Rodrigo, que se recupera de contusão, e o atacante Ricardo Goulart. Everton Ribeiro também tem cotação alta. Expectativa em relação a Fábio, preterido pelos antecessores de Dunga, que até agora não deu nenhuma pista sobre o que pensa sobre o goleiro cruzeirense.

Mesmo com o vexame dos 7 a 1 para a Alemanha, a seleção continua sendo uma máquina de fazer dinheiro para a CBF, cada dia mais rica, e os seus filiados, mais endividados e de pires na mão permanente. Nada justifica convocações agora, a não ser para faturar cotas altíssimas nos amistosos, contra Colômbia e Equador, nos Estados Unidos, em setembro, a Argentina, em Pequim, em outubro, e, no encerramento do ano, em Istambul, contra a Turquia, em dezembro. Prejudica os clubes na disputa do Campeonato Brasileiro, mas aquece o mercado, ao colocar jogadores dos empresários que mandam em nosso futebol na vitrine mundial.
CÓDIGO FURADO
A diretoria da CBF reuniu os clubes das Séries A, B, C e D para tratar do êxodo dos jogadores das categorias de base para o exterior e do assédio de clubes sobre atletas em formação nos coirmãos brasileiros. Propõe um “código de ética” entre eles. Só pode ser piada. Uma diretoria dessas falando em “ética” num assunto em que o dinheiro fala mais alto e em primeiro lugar.
CABEÇA COZIDA
Lembra-se do lateral Diego Macedo? Também custei a me lembrar! Em 2005, ele passou pelo Atlético Mineiro, indicado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo como uma grande “promessa”. Nunca deu certo em clube algum.
Nesta semana, aprontou com o Bahia, um dos maiores e mais tradicionais clubes do país. Tão logo ficou sabendo que não estava relacionado para o jogo contra o Corinthians, pela Copa do Brasil, baixou o nível com o clube ao dar entrevista dizendo coisas tipo: “Isso aqui está uma merda, está uma bosta; vou pedir para sair daqui. Vou pedir para ir embora”. Mais um para pautas de futuras reuniões dos cartolas do Bom Senso Futebol Clube, que precisa criar uma cartilha para jogadores também. (transcrito de O Tempo)

Os episódios que só confirmam a vocação autoritária deste governo

Acílio Lara Resende 
Este governo não se emenda. Ele pode até tentar, mas não consegue esconder a sua vocação para o autoritarismo. Ele a revela periodicamente. Já não lhe satisfazem mais, apenas, o apoio, até mesmo financeiro (como ocorre por meio dos milhares de médicos cubanos), a regimes ditatoriais. Agora, faz questão de demonstrar essa vocação em episódios menos significativos, como o que envolveu a imagem do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro: a ministra Marta Suplicy teria ameaçado retirar da Igreja Católica a guarda (que só lhe dá despesas) da imagem se a polêmica proibição do seu uso (que, aliás, não precisava nunca ter acontecido) em filme do cineasta José Padilha sobre o Rio não fosse revogada.
Mas é, com certeza, o recente episódio do Santander a mais emblemática demonstração desse modelo de ditatorialismo, ao qual se alinham seus principais líderes, a começar pelo palavroso presidente do PT, Rui Falcão. Ele se nivela a tantos outros facilmente identificáveis. Basta um rápido olhar sobre sua história para se concluir que sua atuação, nas últimas três décadas, em diversas oportunidades, foi sempre contra o regime democrático e, portanto, contra – repito pela enésima vez – o nosso mais importante e precioso bem – a liberdade.
Ao tomarem conhecimento de um relatório do banco Santander, enviado aos seus clientes de alta renda, a presidente Dilma Rousseff e, também, o ex-presidente Lula da Silva, com o apoio da sua tropa de choque, de novo à frente o verboso Rui Falcão, saíram quase que de arma em punho exigindo a demissão da analista que teria sido sua autora. Mas, afinal, que dizia mesmo esse relatório? Absolutamente nada além do que o país já sabia de norte a sul: quando, nas intenções de votos, a presidente subia nas pesquisas de opinião, a bolsa caía, mas, ao contrário, quando ela caía nas intenções de votos, a bolsa subia. Para eles, o país acabara de ser vítima de uma conspiração estrangeira…
CASO PASADENA
Mas o grau de atrevimento do déspota jamais tem limites. Depois de Dilma Rousseff – que, na época, não era presidente da República, mas ministra de Estado e, ao mesmo tempo, presidente do Conselho Administrativo da Petrobras – ter sido excluída, injusta e ilegalmente, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), de qualquer responsabilidade na aquisição, pela estatal, da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos; depois de a presidente da Petrobras, Graça Foster, não ter sido incluída pelo despótico Tribunal, ao lado de outros diretores, como responsável pelo mau negócio; e, enfim, como se não bastasse tudo isso, surge, agora, de supetão, uma nova denúncia: os investigados pela CPI da Petrobras a cargo do nosso “excelso” Senado Federal, além de receberem com antecedência as perguntas previamente preparadas, foram treinados para respondê-las.
Segundo o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo S. Barrocas, as perguntas teriam sido formuladas pelo assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Paulo Argenta, pelo assessor da liderança do governo no Senado, Marcos Rogério de Souza, e pelo assessor da liderança do PT na mesma Casa, Carlos Hetzel.
No último programa “Roda Viva”, a atriz e autora teatral Jandira Martini perguntou ao ator e dramaturgo Juca de Oliveira sobre o motivo da ausência, hoje, nas peças de teatro, do assunto “política”. “A corrupção, atualmente, respondeu Juca, se tornou absolutamente vulgar. Teria que refazer o meu texto todo santo dia…”.
Para bom entendedor, um pingo é letra…

Senador Rollemberg denuncia aumento da corrupção no governo do DF

José Carlos Werneck

O candidato do PSB ao governo do Distrito Federal, senador Rodrigo Rollemberg, tem demonstrado grande preocupação com a corrupção no governo do Distrito Federal. Ele inclusive chegou a registrar no plenário do Senado que mais um administrador regional foi preso em julho, o de São Sebastião. Antes foram presos os administradores de Taguatinga e de Águas Claras.

Rollemberg lamentou que a corrupção tenha chegado a esse ponto na administração da capital do país e fez críticas ao governo do petista Agnelo Queiroz, afirmando que a corrupção é fomentada, principalmente, pela excessiva burocracia, que muito contribui para uma cultura da propina na administração de Agnelo Queiroz.

Rollemberg defendeu medidas para aumentar a transparência e o controle da sociedade sobre o governo, além de uma mudança no funcionamento das administrações regionais, com redução do número de cargos comissionados e contratação de concursados.

“Precisamos fazer concursos públicos. O Distrito Federal tem 18 mil cargos comissionados. Não é necessário esse tanto de cargos comissionados. Precisamos dar transparências às atitudes e as decisões dos gestores públicos. Precisamos criar um conselho de transparência, formado apenas por pessoas da sociedade civil, para fazer o controle social”, disse, assinalando que o governador Agnelo Queiroz precisa ter coragem para enfrentar a corrupção na máquina pública.

 

Crise da Ucrânia acaba beneficiando as exportações do Brasil para a Rússia

Jamil Chade
O Estado de S. Paulo

GENEBRA – O governo de Vladimir Putin anuncia que vai aumentar as importações de alimentos brasileiros como forma de compensar as barreiras colocadas sobre americanos e europeus. Quarta-feira, o Kremlin manteve negociações com uma delegação brasileira para estabelecer mecanismos imediatos para expandir as exportações de bens agrícolas nacionais para o mercado russo.

A aproximação com o Brasil aconteceu no mesmo dia em que Moscou anunciou que, a partir de hoje, sanções contra a importação de alimentos do Ocidente entrariam em vigor. O Brasil, que não condenou Moscou por suas ações na Ucrânia e chegou a receber Putin em uma visita de estado no auge da crise, não faz parte da lista e deve ver suas exportações aumentarem de forma importante nos próximos meses.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEnquanto o Brasil se beneficia, outros países saem perdendo, como a Polônia, que se aliou aos Estados Unidos contra a Rússia e agora está com suas exportações de alimentos bloqueadas pelo Kremlin. Com certeza, a Polônia terá grandes dificuldades para colocar seus produtos agrícolas e entrará em grave crise. A Ucrânia, pivô de todo o episódio, já está em gravíssima crise e dela não sairá tão cedo, porque nem EUA nem União Europeia lhe oferecem ajuda financeira, apenas apoio político, e ninguém vive de conversa fiada. Outros países europeus ligados aos Estados Unidos também terão suspensas suas exportações para a Rússia, beneficiando mais ainda o agronegócio do Brasil, que também está perto de fechar um acordo comercial com a própria União Europeia, vejam bem as voltas que o mundo dá. (C.N.)

Recordando João Ubaldo: “A hora da saideira”

João Ubaldo Ribeiro

Na semana passada, li um artigo do professor Marco Antonio Villa, que não conheço pessoalmente, mostrando, em última análise, como a era Lula está passando, ou até já passou quase inteiramente, o que talvez venha a ser sublinhado pelos resultados das eleições. Achei-o muito oportuno e necessário, porque mostra algo que muita gente, inclusive os políticos não comprometidos diretamente com o ex-presidente, já está observando há algum tempo, mas ainda não juntou todos os indícios, nem traçou o panorama completo.
O PT que nós conhecíamos, de princípios bem definidos e inabaláveis e de uma postura ética quase santimonial, constituindo uma identidade clara, acabou de desaparecer depois da primeira posse do ex-presidente. Hoje sua identidade é a mesma de qualquer dos outros partidos brasileiros, todos peças da mesma máquina pervertida, sem perfil ideológico ou programático, declamando objetivos vagos e fáceis, tais como “vamos cuidar da população carente”, “investiremos em saneamento básico e saúde”, “levaremos educação a todos os brasileiros” e outras banalidades genéricas, com as quais todo mundo concorda sem nem pensar.
No terreno prático, a luta não é pelo bem público, nem para efetivamente mudar coisa alguma, mas para chegar ao poder pelo poder, não importando se com isso se incorre em traição a ideais antes apregoados com fervor e se celebram acordos interesseiros e
indecentes.
GOVERNABILIDADE
A famosa governabilidade levou o PT, capitaneado por seu líder, a alianças, acordos e práticas veementemente condenadas e denunciadas por ele, antes de chegar ao poder. O “todo mundo faz” passou a ser explicação e justificativa para atos ilegítimos, ilegais ou
indecorosos.
O presidente, à testa de uma votação consagradora, não trouxe consigo a vontade de verdadeiramente realizar as reformas de que todos sabemos que o Brasil precisa — e o PT ostentava saber mais do que ninguém. No entanto, cadê reforma tributária, reforma política, reforma administrativa, cadê as antigas reformas de base, enfim? O ex-presidente não foi levado ao poder por uma revolução, mas num contexto democrático e teria de vencer sérios obstáculos para a consecução dessas reformas. Mas tais obstáculos sempre existem para quem pretende mudanças e, afinal, foi para isso que muitos de seus eleitores votaram nele.
O resultado logo se fez ver. Extinguiu-se a chama inovadora do PT, sobrou o lulismo. Mas que é o lulismo? A que corpo de ideias aderem aqueles que abraçam o lulismo? Que valores prezam, que pretendem para o país, que programa ou filosofia de governo abraçam, que bandeiras desfraldam além do Bolsa Família (de cujo crescimento em número de beneficiados os governantes petistas se gabam, quando o lógico seria que se envergonhassem, pois esse número devia diminuir e não aumentar, se Bolsa Família realmente resolvesse alguma coisa) e de outras ações pontuais e quase de improviso?
LULISMO SEM CONTEÚDO
É forçoso concluir que o lulismo não tem conteúdo, não é nada além do permanente empenho em manter o ex-presidente numa posição de poder e influência. O lulismo é Lula, o que ele fizer, o que quiser, o que preferir.
Isso não se sustenta, a não ser num regime totalitário ou de culto à personalidade semirreligioso. No momento em que o ex-presidente não for mais percebido como detentor de uma boa chave para posições de prestígio, seu abandono será crescente, pois nem mesmo implica renegar princípios ou ideais. Ele agora é político de um partido como qualquer outro e, se deixou alguma marca na vida política brasileira, esta terá sido, essencialmente, a tal “visão pragmática”, que na verdade consiste em fazer praticamente qualquer negócio para se sustentar no poder e que ele levou a extremos, principalmente considerando as longínquas raízes éticas do PT. Para não falar nas consequências do mensalão, cujo desenrolar ainda pode revelar muitas surpresas.
O lulismo, não o hoje desfigurado petismo, tem reagido, é natural. Os muitos que ainda se beneficiam dele obviamente não querem abdicar do que conquistaram. Mas encontram dificuldades em admitir que sua motivação é essa, fica meio chato. E não vêm obtendo muito êxito em seus esforços, porque apoiar o lulismo significa não apoiar nada, a não ser o próprio Lula e seu projeto pessoal de continuar mandando e, juntamente com seu círculo de acólitos, fazendo o que estiver de acordo com esse projeto.
(texto enviado por Mário Assis)

Segundo pesquisa Ibope, a presidente Dilma Rousseff continua em primeiro lugar

José Carlos Werneck

Segundo a última pesquisa do Ibope,desta quinta-feira,a presidente Dilma Rousseff tem 38% das intenções de voto, mesma taxa registrada há duas semanas, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira pela TV Globo. O segundo colocado , Aécio Neves,do PSDB, aparece com 23%, e Eduardo Campos, do PSB, com 9%. Ambos subiram um ponto porcentual.

Os outros candidatos, somados, têm 6%. Com isso, a soma das taxas de intenção de voto dos adversários da presidente Dilma chega a 38%. Para vencer a eleição já no primeiro turno, Dilma terá de alcançar a maioria absoluta dos votos válidos, o que significa mais votos do que a soma dos outros concorrentes.

Segundo o levantamento,em caso de segundo turno, Dilma venceria hoje seus dois principais concorrentes. Contra Aécio, o placar seria de 42% a 36% (há duas semanas, era de 41% a 33%). Disputando com Eduardo Campos, a petista venceria por 44% a 32%.

Assim como o cenário eleitoral, a avaliação do governo se manteve estável: 32% o consideram ótimo ou bom, 35%, regular, e 31%, ruim ou péssimo.

A pesquisa é a primeira desde que o Jornal Nacional, da TV Globo, passou a fazer a cobertura das atividades diárias de campanha dos candidatos a Presidência, na última segunda-feira. A partir daí, todos os concorrentes têm privilegiado agendas de rua, para produzir imagens televisivas com contato direto com eleitores.

O levantamento do Ibope foi realizado entre os dias 3 e 6 de agosto, por encomenda da TV Globo. Foram feitas 2.506 entrevistas em todas as regiões do País. A margem de erro máxima é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos, em um nível de confiança estimado de 95%. O que significa,que se fossem realizadas 100 pesquisas como esta, 95 teriam de apresentar resultados dentro da margem de erro.

Os passos do Brasil que vem aí, segundo Gilberto Freyre

O sociólogo, antropólogo, historiador, pintor, escritor e poeta pernambucano Gilberto de Mello Freyre (1900-1987), além de se consagrar como um estudioso da história e da cultura brasileira, também dedicou-se à poesia. É bem verdade que aquele que se dedica a ler com atenção seus livros pode perceber o dom literário do sociólogo, cuja habilidade na escrita torna atraentes os temas que aborda em seus estudos.

“O outro Brasil que vem aí “ é um poema que traz a defesa das singularidades nacionais que estão presentes em seus textos sobre a formação da sociedade brasileira e é uma amostra do dom literário que o sociólogo possuía. Iniciando-se com os versos “Eu ouço as vozes / eu vejo as cores / eu sinto os passos / de outro Brasil que vem aí”, Freyre projeta para sua nação o desejo de ver seu pleno desenvolvimento social, de estar numa terra onde pessoas de todas as origens sociais possam ser donas de seus próprios destinos. O poema, além de ser uma aula sobre a brasilidade, é um fragmento de esperança lançado pela pena de Gilberto Freyre.

O OUTRO BRASIL QUE VEM AÍ

Gilberto Freyre

Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
de outro Brasil que vem aí
mais tropical
mais fraternal
mais brasileiro.
O mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados
terá as cores das produções e dos trabalhos.
Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças
terão as cores das profissões e regiões.
As mulheres do Brasil em vez das cores boreais
terão as cores variamente tropicais.
Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil,
todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor
o preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e o semibranco.
Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil
lenhador
lavrador
pescador
vaqueiro
marinheiro
funileiro
carpinteiro
contanto que seja digno do governo do Brasil
que tenha olhos para ver pelo Brasil,
ouvidos para ouvir pelo Brasil
coragem de morrer pelo Brasil
ânimo de viver pelo Brasil
mãos para agir pelo Brasil
mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos Brasis
mãos de engenheiro que lidem com ingresias e tratores europeus e norte-americanos a serviço do Brasil
mãos sem anéis (que os anéis não deixam o homem criar nem trabalhar).
mãos livres
mãos criadoras
mãos fraternais de todas as cores
mãos desiguais que trabalham por um Brasil sem Azeredos,
sem Irineus
sem Maurícios de Lacerda.
Sem mãos de jogadores
nem de especuladores nem de mistificadores.
Mãos todas de trabalhadores,
pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,
de artistas
de escritores
de operários
de lavradores
de pastores
de mães criando filhos
de pais ensinando meninos
de padres benzendo afilhados
de mestres guiando aprendizes
de irmãos ajudando irmãos mais moços
de lavadeiras lavando
de pedreiros edificando
de doutores curando
de cozinheiras cozinhando
de vaqueiros tirando leite de vacas chamadas comadres dos homens.
Mãos brasileiras
brancas, morenas, pretas, pardas, roxas
tropicais
sindicais
fraternais.
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
desse Brasil que vem aí.

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Premonições

Carlos Chagas

Difícil acreditar em premonição, mais fácil parece imaginar a existência de Céu e Inferno, agora que a Igreja parece ter mandado para o espaço o conceito de Limbo, onde as criancinhas não católicas ficavam chupando o dedo até o Juízo Final, ou mesmo de Purgatório, lugar de sofrimentos indizíveis, exceção da esperança de um dia sair de lá. Cada um acredita no que quer, até nossos irmãos do Islã, de olho nas dez mil virgens aguardando lá em cima os mártires dispostos a derramar seu sangue pelo Profeta. Também não escapam os filhos de Jeová, povo eleito numa péssima eleição, condenado desde os cativeiros do Egito e da Babilônia até o Holocausto dos tempos de nazismo.

Estas considerações agnósticas poderão despertar a sagrada ira em mais da metade do planeta, mas não preenchem o vazio que sobra da dúvida universal a respeito do que somos, de onde viemos e para onde vamos. Mesmo assim, haverá entre o Céu e a Terra muita coisa inexplicável, mesmo sob a ilusão e o conforto determinado pelas religiões.

Uma delas é a premonição, que uma série de vigaristas autointitulados videntes não conseguirão confundir. Prever o futuro sempre foi um modo de vida fácil para os malandros, mas existem situações que nos deixam estarrecidos. Conto uma delas.

Vivia o país um de seus momentos mais altos, com data marcada para o final da ditadura militar e a candidatura de Tancredo Neves definida e prestes a sair vitoriosa no Colégio Eleitoral que Paulo Maluf não conseguiu comprar. O Brasil era uma festa, quando se realizou aquela que terá sido a última eleição indireta de um presidente da República. Celebrava-se a emergente Nova República. Reunidos deputados, senadores e deputados estaduais, assistíamos voto a voto a consagração do retorno à democracia. Naquele momento, apertado numa das galerias da Câmara, veio-me um pensamento que tentei afastar nos meses seguintes, impossível de ser pensado: “E se esse velho morre antes de tomar posse?”

Havia um precedente na História do Brasil, o de Rodrigues Alves ter sido eleito pela segunda vez, na República Velha, e caído doente antes de reassumir o poder, morrendo em seguida. Afastei mil vezes aquela ideia perniciosa, que voltava sempre. Apesar de 76 anos de idade, Tancredo era rijo, bem disposto e envolto pela esperança de todos nós. Não terei sido o único a imaginar o desfecho. Sua família desconfiava de que ele não estivesse bem como fazia aparentar, mas a ninguém, no país inteiro, era dado supor que não tomaria posse. Menos aquela premonição que não me largava, faltando-me coragem para dividi-la até mesmo com minha mulher e filhas.

A três dias de assumir, indo jantar em minha casa com velhos jornalistas que muito prezava, Tancredo esbanjava o vigor que já não tinha e que todos ignoravam. Repetiu os pratos, levando-me a sustar a pergunta então impossível de ser feita, a respeito de sua saúde. Só que já estava tomando Tetrex, antibiótico, por conta própria, segredo guardado entre ele e seu velho médico de São João Del Rey.

Faltando um dia para subir a rampa do Planalto, explodiu a verdade. O presidente eleito estava com infecção generalizada. Informado pelo colega Gilberto Amaral, consegui contacto telefônico com um amigo de longa data, o dr. Pinheiro da Rocha, médico do Senado, que confirmou o mal mas tranquilizou-me, dizendo que logo em seguida levaria Tancredo para alguns exames de rotina, no Hospital Distrital. Nada que pudesse impedir a festa do dia seguinte. Claro que o competente operador já sabia, horas antes, do delicado quadro, mas não lhe cabia revelar detalhes.

Vem o juramento de José Sarney, em meio a confusões e apreensões verificadas na madrugada anterior, caracterizando-se o drama que logo levou Tancredo para São Paulo e para a morte. Jamais saiu-me da memória o pensamento expresso na pergunta feita de mim para mim, no dia da eleição indireta, presente o tempo inteiro: “E se esse velho morre antes de tomar posse?”

Coincidência? Escapismo de quem deveria acreditar no além e não acredita? Inclinações perversas de um cérebro dominado pelo pessimismo? Tanto faz, mas aconteceu. Por que se recorda um episódio que deveria ter caído no esquecimento, quase trinta anos atrás? Porque uma outra premonição me atormenta…

Divórcio no cérebro entre o “homo sapiens” e o “homo digitalis”

 

 

 

 

 

 

Eduardo Aquino

Entre mitos, mistérios e surpresas, o cérebro guarda segredos e apresenta revelações que deixam qualquer um de queixo caído. Computador biológico inigualável, tem como função básica a busca incessante de, modificando funções físicas, gerando a consciência e criando um plano psíquico, nos adaptar ao mundo que nos cerca.

Para funcionar, o cérebro gera atividade elétrica (daí o eletroencefalograma), simultaneamente em que faz trocas químicas dos neurotransmissores, permitindo, assim, que células neuronais altamente especializadas, dependendo das áreas cerebrais em que se localizam, façam complexas equações matemáticas, escrevam um poema, controlem movimentos delicados em um balé, criem máquinas e eletrônicos fantásticos, ou matem um semelhante, agridam, delirem e tenham, alucinações ao usar drogas pesadas, ou mesmo virem um bobo alegre como retardado psicomotor quando se abusa da bebida alcoólica.
O cérebro é escravo da mente e patrão do corpo, e se relaciona com a energia psíquica ao pensar, sentir e agir, e, da mesma maneira, tira o sono, faz o peito apertar de angústia, os olhos lacrimejarem pela emoção. Descompensa, quando preocupações irreais assaltam a mente. Sofrimentos antecipatórios erradamente ativam o estresse, e pensamentos disparados roubam nosso prazer e alegria em viver. E desconta no corpo, ao disparar o coração, apertar o peito, dar falta de ar, tonteira, dores no corpo, tentando, com isso, com essa linguagem corporal, dizer: “Chega de tanto pensar negatividades e pessimismo, relaxa, desapega, entrega para Deus!”
DE BAIXO PARA CIMA
Evolutivamente, podemos dizer que o cérebro se desenvolve de baixo para cima. Quanto mais inferior, mais reptiliano e instintivo ele é. Guarda características comportamentais como agressividade, defesa de território, necessidade de seguir liderança. Depois, na parte média, vem a região chamada “hipotálamo”, onde está a sede do estresse e das emoções, no chamado “cérebro mamífero”, em que a amamentação criou sentimentos, afetos, nos dando características para defender a cria, ter noção de família, bando, socializar e ter prazer com o sexo, por exemplo. E finalmente, a última camada evolutiva, o telhado do cérebro, a parte mais cinzenta, evoluída, chamada “córtex cerebral”, dá origem a parte mais humana, que permitiu dominarmos a fala, a lógica e o raciocínio, e estabelecer regras de convívio social, religioso e familiar.
De todos os órgãos, o cérebro é o único que continua a mudar, crescer, evoluir, dia após dia, ano após ano, geração pós geração. Ou não! Pois, muitas vezes, grandes e evoluídas civilizações (grega, romana, egípcia), ao atingirem ápices, sofreram grande decadência, e por longo tempo (vide a “idade das trevas”). Grandes saltos e grandes quedas deslumbram e assustam a evolução da humanidade. Por tudo isso, atenção para o momento atual.
Enquanto a lógica e a ciência nos geram robótica, viciantes e escravizantes eletrônicos, com suas telas sedutoras, a nanotecnologia cria máquinas minúsculas e poderosas, nunca o afeto foi tão troglodita, e regredimos tanto nas relações afetivas interpessoais, no convívio com a família e no aspecto conjugal, familiar. Assaltos, guerra urbana, guerras entre nações, intolerância religiosa, briga de classes, de torcida, mata-se por nada, agride-se por motivos torpes e banais.
REALIDADE E FICÇÃO
Há um divórcio litigante entre uma parte do cérebro (o córtex), que nos levou quase a uma realidade de ficção, em um mundo virtual, rápido, ilusório, que nos oferta o mundo na palma da mão, a capacidade de ser visto e conhecido planetariamente em um toque de teclado, e em contraponto, outra parte do cérebro (o hipotálamo), em o estresse e emoções, gerando medo, ciúmes doentios, ódios estranhos, tristezas e angústias imobilizantes, busca artificial do prazer e relaxamento, via bebidas e drogas diversas, e cada vez mais demenciadoras, como o crack e metanfetaminas.
Sim, meus amigos, estamos no limbo, no limiar de uma guerra tribal, da luta entre o entr, como descreveu um articulista. O conflito entre o real e virtual, os favoráveis e os contrários, os radicais da esquerda, de centro e de direita, os intolerantes e os tolerantes, os passivos e os hiperativos. Tudo extremado e inflexível. Vaidades, selfies, egocentrismo, indiferenças. Um belo e inacabado cenário, ruínas de um tempo louco e sem nexo, como num divórcio litigante: muitas versões, pouca verdade! (transcrito de O Tempo)