Centrão considera reeleição de Maia e Alcolumbre como “coronelismo parlamentar”

As reações no Congresso à possibilidade de o STF autorizar a reeleição de Maia e Alcolumbre | Jovem Pan

Maia e Alcolumbre são “dois perdidos numa política suja”

Rafael Moraes Moura e Camila Turtelli
Portal Terra

Aumenta a pressão sobre o Supremo, depois que líderes do Centrão lançaram nesta terça-feira, dia 1º, uma ofensiva para barrar a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) abrir caminho para a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara e Davi Alcolumbre (DEM-AP) ao comando do Senado. Intitulado “Carta à Nação Brasileira e ao Supremo Tribunal Federal”, documento preparado pelo Progressistas de Arthur Lira (AL), um dos pré-candidatos à eleição na Câmara, já tem o aval de onze partidos e esquenta a disputa.

A carta não apenas é contra a recondução de Maia e Alcolumbre como chama qualquer iniciativa nesse sentido de “coronelismo parlamentar” e “casuísmo tacanho”.

CHEFE DO CENTRÃO – Principal adversário do grupo comandado por Maia, Lira é o chefe do Centrão e tem hoje o apoio do presidente Jair Bolsonaro para a sucessão na Câmara. O Supremo Tribunal Federal começará a julgar, na próxima sexta-feira, 4, ação impetrada pelo PTB pedindo que a Corte impeça a reeleição de Maia e de Alcolumbre.

Além disso, a sigla presidida por Roberto Jefferson e o Progressistas querem que o julgamento seja retirado do plenário virtual, já que ali os ministros ficam longe dos holofotes e não sofrem pressão da opinião pública. A eleição na Câmara e no Senado está marcada para 1.º de fevereiro de 2021.

“O sistema democrático e representativo brasileiro não comporta a ditadura ou o coronelismo parlamentar”, diz um trecho da carta, assinada por Progressistas, PL, PSD, Avante, Patriota, Solidariedade, PSC, PSB, Rede, Cidadania e Podemos.

INCONSTITUCIONAL – Ao destacar que a recondução para o comando da Câmara e do Senado, na eleição imediatamente subsequente, é proibida pela Constituição, o texto diz que esta é “a solução (…) mais adequada para se evitar a perenização e engessamento das posições de liderança no Congresso Nacional”.

Maia foi eleito três vezes presidente da Câmara e nega ser candidato, mas acredita ter o direito de concorrer, caso queira. Ele tenta construir um bloco de partidos, com cerca de 300 deputados – incluindo a esquerda – para apoiar um nome à sua sucessão.

Seis parlamentares desse grupo integram a lista dos “cotados”: Aguinaldo Ribeiro (Progressistas-PB), Baleia Rossi (MDB-SP), Elmar Nascimento (DEM-BA), Luciano Bivar (PSL-PE), Marcelo Ramos (PP-AM) e Marcos Pereira (Republicanos-SP). No Senado, Alcolumbre trabalha abertamente por um novo mandato à frente da Casa, com respaldo do Palácio do Planalto.

Na noite de terça-feira, 14 senadores também divulgaram uma nota para criticar a estratégia em curso com o objetivo de reeleger Maia e Alcolumbre. Na lista dos signatários do documento estão senadores que apoiaram a candidatura de Alcolumbre em fevereiro do ano passado, no duelo contra Renan Calheiros (MDB-AL), como Tasso Jereissati (PSDB-CE), Álvaro Dias (Podemos-PR) e Major Olímpio (PSL-SP).

REGIMENTO INTERNO – Na eleição passada, Alvaro Dias e Major Olímpio chegaram até mesmo a retirar seus nomes da disputa para ajudar Alcolumbre. Agora a situação se inverteu.

No texto, os antigos aliados observam que não apenas a Constituição, mas também o regimento interno do Senado vedam a recondução para o mesmo cargo na mesma legislatura.

“Tentar alterar por via judicial essa escolha política representa evidente subversão à separação dos poderes, verdadeiro atentado contra o estado democrático de direito”, diz o comunicado.

5 thoughts on “Centrão considera reeleição de Maia e Alcolumbre como “coronelismo parlamentar”

  1. Bom dia , leitores (as):

    Senhores Carlos Newton e Mercelo Copelli , ao aceitarem e recepcionarem tal matéria sabidamente “INCONSTITUCIONAL E CRIMINOSA ” os Ministros/juízes do STF , revelaram-se coniventes e partícipes dos crimes cometidos pelos parlamentares.

  2. O único “ismo” que se adapta morfologicamente a esse fato, é o de “canalhismo”
    Se fosse numa mesa de pôquer, sairia tiro, como mudar as regras depois do jogo começado?
    Com essa aleivosia, do STF a Cidadã se derrete na podridão de sua leniência, depois disso não resta mais dúvida de sua nocividade ao país.
    Os postulantes se classificam como canalhas usurpadores de direito pelo simples fato de postular.
    Nunca esqueçam que somos medidos pela
    estatura de nossos líderes.

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