Centro de Memória no DOI-CODI deve incluir JK e Dilma Rousseff

 
Pedro do Coutto

É totalmente legítima (e oportuna) a ideia da Comissão da Verdade que visitou o quartel da Polícia do Exército na Rua Barão de Mesquita, onde funcionou o DOI-CODI, um dos cenários de tortura durante a ditadura militar, de instalar no local um centro de memória, conforme revelou a reportagem de Marco Antonio Martins, Folha de São Paulo, edição de terça-feira passada. Isso porque naquele local, o ex-presidente Juscelino Kubitschek teve que depor, sentado num tamborete, perante o tenente coronel Ferdinando de Carvalho. E também foi onde esteve presa a presidente Dilma Rousseff, em certo período dos anos de chumbo. Posso acrescentar à lista de prisioneiros o nome do jornalista Hélio Fernandes, por sua luta à frente da Tribuna da Imprensa, e dos também jornalistas Carlos Heitor Cony, Ferreira Gullar e Paulo Francis, este já falecido, por manifestação pública pela liberdade em frente ao Hotel Glória quando se realizava no Rio reunião da Organização dos Estados Americanos.

A reportagem de Marco Antonio Martins, da mesma forma que a de Cássio Bruno e Evandro Éboli, esta publicada em O Globo também de terça-feira, partiu do tumulto causado pela presença do deputado Jair Bolsonaro na tentativa de participar da visita, fato com o qual não concordava o senador Randolfo Rodrigues, em nome da Comissão da verdade. A imprensa teve, de forma absurda, seu acesso proibido aos porões do passado.

Não vejo motivo algum para tal impedimento, como também não entendo porque o deputado Bolsonaro não poderia participar da viagem de volta às torturas praticadas principalmente ao longo do governo Médici. Afinal de contas se havia parlamentares na comitiva, que não integram a CV, Bolsonaro estaria livre para se integrar. O que ele, no fundo, não desejava de fato. Queria – e conseguiu – espaço de destaque nas emissoras de televisão  nas reportagens dos jornais do dia seguinte.

Ele possui um eleitorado fiel, uma minoria, mas que é suficiente para assegurar sua eleição à Câmara do Rio de Janeiro e a de seus filhos para deputado estadual e vereador do Rio de janeiro. Para ele quanto mais confusão e empurrões, melhor. Jogou para a arquibancada e, reconheçamos, saiu-se bem. Ficou com imagem ruim junto à maioria da opini9ão pública. Mas ele tem interesse especial em agradar a minoria. Daí as posições radicais que assume. Está desempenhando seu papel, visando as urnas de 2004. Os que se atritaram com ele esqueceram que estava desempenhando o papel a que se propõe.

Mas esta é outra questão. O essencial é a montagem do centro de memória. O jornalista Álvaro caldas, torturado na década de 70, revelou memórias do cárcere (título de4 um livro de Graciliano Ramos) e, como está publicado no o Globo, identificou vários pontos de sombra apesar das obras realizadas. O centro de memória, com os vultos de Dilma e JK ganhará dimensão nacional e até internacional, incorporando-se à história do Brasil para sempre.

Vejam só os leitores. A atual presidente da República sofreu torturas lá. JK, depois da obra extraordinária que realizou no país, ter que, embora doente, de depor perante o tenente coronel Ferdinando de Carvalho sintetiza uma contradição gigantesca. Mas nada como o tempo para fazer justiça às pessoas e dimensionar bem, hoje, os tristes acontecimentos de ontem.

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5 thoughts on “Centro de Memória no DOI-CODI deve incluir JK e Dilma Rousseff

  1. Prezado Pedro de Coutto

    Para que se faça a verdadeira justiça, o nome do Jornalista Helio Fernandes deveria também constar desta Centro de Memória DOI-CODI.
    Que façam coro todos os comentaristas do blog.

  2. Não é possível esquecer

    No golpe de 1º de abril de 1964 surge a sangrenta e corrupta ditadura militar no Brasil. Foi a responsável por inúmeras documentadas selvagerias, torturas, sequestros, desaparecimentos, atos terroristas, assassinatos, truculenta censuras, implacáveis perseguições, além de outros crimes.

    Por mais que alguns grupos, ligados naquele triste passado ainda insistem em deixar de lado aqueles trágicos vergonhosos tempos, não é possível. Além do que, temos um cadáver insepulto, relutando abandonar uma sinistra época, cravada na memória do povo, principalmente, de muitas famílias que até hoje buscam o paradeiro de seus entes queridos.

    Esse insepulto e perturbador cadáver continua a espera de coisas não esclarecidas, inclusive, o paradeiro dos desaparecidos pela ditadura militar. Só então, tomará ruma da tumba definitiva, para a paz do Brasil. Será a paz dos cemitérios, sem esquecimentos, para que nunca mais semelhantes atrocidades possam ocorrer novamente, em governos de direita ou de esquerda.

  3. Pedro Couto, quando o governo Garotinho deu uma indenisação de 20 mil reais para os que estiveram presos na época da ditadura aqui no Rio de Janeiro, Dilma logo estendeu “a mão cheia de dedos”; Foram ver o registro de sua passagem pelo Doi-Codi da Barão de Mesquita; procuraram revirando tudo de cabeça para baixo e não encontraram. Ninguém se lembrava dela e até velhos carcereiros chamados não se lembravam de sua passagem por lá. Dilma com as mãos coçando para receber os 20 mil reais, apresentou uma senhora que esteve presa no Doi-Codi e confimou tê-la visto nos corredores. Vejam como são as coisas, Dilma com toda fama de guerrilheira (muita gente acredita, eu não), assaltante de banco, da mansão de Ademar de Barros(os militares é que mandavam por nos jornais, ninguém viu), que segundo ela própria foi presa e barbaramente torturada(eu não acredito), brigou SOFREGAMENTE por 20 mil reais. Ela mesma se desvalorizou.

  4. Flávio José Bortolotto, estás andando na história apalpando. Carlos Frederico Wernecki de Lacerda nunca esteve preso no DOI-CODI, Hélio passou por lá. Lacerda, Hélio e Mario Lago estiveram presos imediatamente após a implantação do Ato N°5 em 1968 no 1° Batalhão da Polícia Militar aqui no Rio de Janeiro. Acorda Bortolotto!

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