Cerqueira Leite, Sérgio Moro, Savanarola e a ombudsman Paula Cesarino Costa

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Moro exagerou ao sugerir censura ao ofensivo texto

Pedro do Coutto

Na edição de domingo, a ombudsman da Folha de São Paulo, Paula Cesarino Costa, comentou sobre a posição do jornal em torno do choque ocorrido entre o professor Rogério Cezar de Cerqueira Leite e o juiz Sérgio Moro, a partir de um artigo do primeiro contra o segundo, comparando a atuação do magistrado nos dias de hoje à do frade dominicano na cidade de Florença no final do século XV.

Gorolano Savanarola, fundamentalista fanático, morreu enforcado em 1498, dois anos antes de Cabral chegar ao Brasil. Era o alvorecer da Renascença, imortalizada por Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Rafael, Vazzari, escultor do túmulo de Michelangelo; na Catedral da cidade. Mais de 500 anos depois, haveria João Vaccari, tesoureiro do PT, preso pelo juiz Sérgio Moro na Operação Lava-Jato.

Savanarola via corrupção em tudo e pregava até a destruição de obras de Dante Alighieri, escritas quase 300 anos antes da Renascença, além de obras de Boccacio e Boticelli. Depois de enforcado, Savanarola teve o corpo queimado em praça pública.

SEM RAZÃO – Claro que Rogério Cerqueira Leite não tem razão alguma, analisando-se o conteúdo da comparação. Um absurdo. Em primeiro lugar, Sérgio Moro não é um acusador e, muito menos, destruidor de peças de arte. Acusador é o Ministério Público Federal, através de seus integrantes, chefiados pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Sérgio Moro não é, portanto, um acusador. Acolhe ou rejeita as acusações e representações.

Tampouco é responsável pela corrupção em massa que deu – e continua fornecendo – origem às acusações.

Observando-se o artigo de Rogério Leite, tem-se a impressão de que, para ele, a corrupção não existiu nos governos Lula e Dilma. Tratar-se-ia de um sonho, ou de uma invenção. Impossível aceitar tal visão, constatada pelos delatores, eles próprios proprietários ou intermediários das propinas entregues muitas vezes, a domicílio.

RESPOSTA ERRADA – Desmontar o artigo de Cerqueira Leite parecia ser tarefa fácil para Sérgio Moro. Mas não foi. Pelo contrário. Moro criticou a FSP, que acolheu sua resposta, e, ainda por cima, mostrou-se surpreso ao constatar que Rogério Cezar pertence ao conselho editorial do jornal. Ora, falando francamente, uma coisa nada tem a ver com outra. A Folha de São Paulo exerceu seu pleno direito de veicular opiniões, de acordo inclusive com a decisão unânime do STF no caso da biografia do cantor Roberto Carlos. Relatora do processo a ministra Carmen Lúcia.

Vale frisar que a decisão da Corte Suprema acabou com qualquer censura prévia no país, seja jornalístico, seja no campo das artes em geral. Neste aspecto, é bom que se acentue que a história comprova que não existe sequer uma obra de arte que, interditada ou censurada, anos depois não tenha sido exibida livremente. Mas esta é outra questão. A censura encontra-se sempre na contramão do tempo.

FALA A OMBUDSMAN – Falei em Cerqueira Leite, Sérgio Moro, Savanarola, na Renascença, agora me refiro a Paula Cesarino Costa. Sua matéria expondo o choque na controvérsia está muito boa, clara, objetiva. No fundo da questão, o que se lamenta é que Sérgio Moro não tenha redigido um texto melhor no seu direito de resposta. Legítimo, aliás, como absolutamente legítima é, até agora, sua atuação como magistrado.

Girolano Savanarola apresentava-se também como profeta. Não conseguiu prever seu próprio fim. Não. E sua imagem na história é das piores. Os que assaltaram a Petrobrás vão ficar também muito mal na fotografia do futuro. Da mesma forma que na foto exposta no presente.

25 thoughts on “Cerqueira Leite, Sérgio Moro, Savanarola e a ombudsman Paula Cesarino Costa

  1. Caro Jornalista Pedro do Coutto,
    Permita-me fazer um reparo o nome do padre dominicano não é Gorolano Savanarola, mas de acordo com a WIKIPÉDIA é Girolamo Savonarola (Ferrara, 21 de setembro de 1452 — Florença, 23 de maio de 1498), cujo nome é por vezes traduzido como Jerônimo Savonarola ou Hieronymous Savonarola, foi um padre dominicano e pregador na Florença renascentista que ficou conhecido por suas profecias, pela destruição de objectos de arte e artigos de origem secular e seus apelos de reforma da igreja católica.
    Concordo com o seu entendimento neste imbroglio entre o físico Rogério Cerqueira Leite e o digno Juiz de Direito Sergio Fernando Moro titular da 13a. Vara Federal Criminal de Curitiba.
    Esse senhor tem o direito de se manifestar, no entanto o que entendi de sua manifestação é que na sua visão distorcida dos fatos e, sobretudo da realidade que paira sobre esta terra arrasada, a dupla Lula e Dilma são uns ANJOS, o que é a consagração do ABSURDO!
    O país está parado desde o ano de 2014 e já conta com 12 milhões de desempregados, ou seja, em torno de 48 milhões de brasileiros ao relento.
    Penso que o Juiz de Direito Sergio Fernando Moro deveria ignorar essa manifestação do físico Rogério Cerqueira Leite, pois o digno juiz criminal de Curitiba está em evidência para o povo brasileiro, haja vista a excelente atuação na condução dos processos da LAVA A JATO.

      • Prezado Paulo2,
        Que DESGRAÇA, meu caro!
        Número DESALENTADOR.
        Essa CORJA DE MALFEITORES arrasou com os nossos sonhos e, sobretudo com a nação brasileira.
        Já passou da hora de MUDARMOS TUDO nesta pátria amada BRASIL.

      • Permita-me complementar suas informações, caro Paulo.
        Acrescente aos seus números os milhões de trabalhadores que, para não perderem seus empregos, se submetem à mudança de categoria, passando a subempregados (menos trabalho e menos salário) e, com isso, evitando uma provável demissão.
        É claro que os patrões não têm outra intenção, a não ser a de ajustar sua produção com a demanda de seus produtos.

  2. Pedro do Couto, o físico Cerquira Leite em metáfora fez uma comparação de Sérgio Moro com o Savanarola. Nada que o teu exagero exija. Moro está deixando marcas de radicalismo que não devia deixar em sua biografia. Crimes, corrupção, desvios de conduta aconteceram. Moro está de posse de todo o direito em estudar e concluir quem seja culpado para ser punido. Agora dizer que ele está procedendo com equilíbrio é exagero. Não está dando o que a sociedade precisa: Demonstração de isenção. Aproveita o momento para virar notícia. Desrespeita o direito fundamental do cidadão, condenando-o antes do julgamento. Você, lamento dizer usa artigos escritos por outros jornalistas para ficar bem com todos. “Dá uma no cravo outra na ferradura”. Já participei falando no viés autoritário de Moro ao tentar censurar a Folha de São Paulo. Ainda temos físicos no Brasil que se indignam com o fervor inquisidor de juiz que não sabe se deve julgar sem alarido. Ou se deve fazer barulho para aparecer sob a luz dos holofotes.

    • Se o juiz Sérgio Moro desse mole essa Lava Jato já teria se transformado num chuveirinho com água pingando, não mais do que isso.
      As tentativas de brecá-la fracassaram graças à garra, força e coragem de seus membros e como eles vêm conscientizando a sociedade, passo a passo.

      Nesse nosso Brasil, só essa forma é que pode dar certo.
      Não é fácil contrariar a vontade dos poderosos, que não são poucos.

    • É evidente que somos atrasados e continuaremos assim,se os que poderiam colaborar para melhorar o nosso ensino e puxar a carroça Brasil seguirem o exemplo abjeto desse nobre físico. Nosso país nunca teve um Nobel, mas tem professor de Física com mente medieval.
      Savonarola, essa é boa.

  3. Continuo com a minha posição.
    O Cerqueira Leite escreveu bobagens, mas é um direito constitucional dele. Se o Moro não gostou que o processe , mas ele ao tentar ser censor junto a Folha ultrapassou os seus direitos.
    Lei também foi feita para juiz cumprir esse fato mostrou a sua face autoritária. ” É livre a liberdade de opinião, sendo vedado o anonimato”. Vedam o anonimato justamente para que o autor se responsabilize pelo o que escreveu. Por isso é que nunca usei o covarde anonimato.

  4. No Brasil é assim mesmo. Tanto no futebol como na justiça, vagabundo quando se f…, logo parte para culpar o juiz.
    Esquecem toda a sacanagem feita, passam a se dizer injustiçados, é o velho hábito da impunidade.
    Quando aparece alguém que se propõe a executar as leis existentes, logo é taxado de tarado, ditador, perseguidor e exagerado.
    Parece que o uso do cachimbo é que entortou de vez a boca dos que defendem os “injustiçados”, tipo zé dirceu que ganhou um decreto de presente, ´so para poder sair da cadeia e que não fosse o Moro, hoje já estaria na rua.
    Lei foi feita psara ser aplicada, quem não quiser
    ser punido, é simples, fique longe do crime.

    • Eu estou falando sobre censura. Ele não tem esse direito , mas é com tristeza que vejo jornalistas não falarem sobre essa tentativa junto a Folha.
      Depois vão se queixar.

  5. O que o acadêmico lulista queria era que o juiz Moro caísse na armadilha e rebatesse as acusações. Aí teria a tréplica, a réplica da tréplica e os blogs sujos editariam trechos das falas do Moro e colocariam em destaque. E as Folhas da vida e seus estagiários robôs também dariam destaque modificando interpretações e falas, buscando proteger…lula! Como bom enxadrista Moro não “comeu” a peça oferecida. Não fez jogada de mestre, mas o prejuízo foi menor do que cair na velha cilada dos petistas.

  6. Cada um que escreva aquilo que quiser e aguente as consequências de eventuais ações judiciais pelo quê foi dito. Concordo com a opinião de que Moro errou ao dar resposta ao texto tresloucado, mas, no seu erro, acertou em criticar a Folha, pois se o texto vesgo foi escrito por alguém do conselho editorial do jornal, a esta imprensa cabe a responsabilidade da visão distorcida. No mais, também eu penso ser um erro das análises o super responsabilização de Moro nos casos relativos, da mesma forma que é também um erro dar-lhe todos os beneplácitos, favores e loas dos acertos da Operação Lava Jato. Ele, Moro, nada faria se não houvesse uma identificação dos problemas, e as investigações necessárias, tanto do MPF, como da PF. O mérito do Juiz está em ser preciso e célere nas decisões, coisas incomuns na Justiça Brasileira.

  7. No Paraná 6 jornalistas estão sendo vergonhosamente perseguidos pelo judiciário , pois publicaram os salários dos juízes. Um juiz quebrou ilegalmente o direito constitucional de sigilo da fonte de outro jornalista, agora vem o Moro tentando dar uma de censor prévio. O poder emana do povo ou do judiciário? Triste ver jornalista defendendo isso.

  8. Inacreditavelmente leio acusações ao Juiz Moro quanto à sua atuação na Operação Lava-Jato!
    Na verdade, críticas tresloucadas sobre um magistrado que pintou as cores reais da corrupção no País, levadas para seu arbítrio mediante investigações da Polícia Federal, que sem elas não haveria como a sociedade saber dos roubos praticados pelo PT e PMDB, aceitos criminosamente por aliados políticos, principalmente o PDT, que afundou solenemente com os petistas porque o presidente da sigla decidiu que seria parceiro de Dilma até o fim.
    Consequentemente, a reação daqueles que estiveram sempre ao lado do poder, mesmo que esse fosse um degenerado, ladrão do povo e desta nação, restaram-lhes as queixas, porém inócuas, inadequadas, que devem ser desprezadas pelo fato de se originarem de cúmplices de uma quadrilha que nunca antes havia ocasionado tantos prejuízos materiais e morais contra a população e Estado brasileiro!

  9. Não pode haver confusão entre censura e textos inapropriados, que dificultam a relação entre as pessoas e suas também privacidades serem preservadas, ainda mais em funções judiciárias.
    Não posso considerar liberdade de expressão, exemplificando, o jornaleco francês Charlie Hebdo, que após insistentes agressões aos muçulmanos se deparou com assassinos deste movimento porque radicais, que liquidaram com onze jornalistas em retaliação às sátiras ofensivas a Maomé.
    Se tivessem sido censuradas não teria havido o massacre.
    A censura deve existir quando a pretensa liberdade de expressão extrapola o bom senso, o respeito, a profissão, a religião, sem qualquer cunho que não seja a crítica pela crítica ou o deboche pelo deboche ou, então, que deixemos de lado o cinismo e a hipocrisia e liberemos até mesmo as palavras de baixo calão e gestos obscenos na mídia, pois estes ainda são “censurados”, contrários, portanto, à tal liberdade de expressão propalada!
    Evidente que se acusa a censura até o momento que o falso defensor sentir na carne as ferroadas de artigos publicados contra a sua pessoa, pois os que se arvoram de liberais adotam sempre dois pesos e duas medidas com relação a si mesmos.
    A própria conduta do Editor, que deleta os textos injuriosos e agressivos contra os comentaristas neste blog, tem sido aceita pela maioria porque procedente, e seria duramente contestado se deixasse que cada um usasse as palavras como quisesse, ocasionando um espetáculo de frases degradantes e que apenas contribuiria para a derrocada desta página na Internet.
    Faz-se necessária a censura quando o bom senso está ameaçado.

    • Artigo 5.º
      XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;

      IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

      Se alguns ultrapassaram esse direito, que sejam punidos.

  10. Nada a opor à resposta de Moro. No entanto, melhor seria manter-se quieto sem sequer responder a esses beócios. Seu trabalho alenta as pessoas sensatas – vítimas da esculhambação geral das esquerdas – que lhe dão total apoio. Melhor, então, é deixar passar; aliás, tudo passa. Como diz o ditado, “Os cães ladram e a caravana passa”.

  11. Apesar de respeitar muito o articulista Pedro do Couto, discordo no ponto central do artigo, pois a Folha de São Paulo não pode ser instrumento de ofensas às autoridades constituídas, muito menos ao Juiz Sérgio Moro, reconhecido internacionalmente pelo seu heroico e perigoso trabalho. Criticar tal abertura irresponsável, não configura pedido de censura, tanto que em caso de condenações por danos morais não é incomum o meio de comunicação ser solidário nas condenações por danos morais em artigos difamatórios. Mais uma vez o Dr. Sérgio Moro acertou!

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