Cerveró diz que Pasadena rendeu propina à campanha de Lula

Refinaria é chamada de “Ruivinha” devido à ferrugem existente

Thiago Bronzatto , Alana Rizzo, Ricardo Della Coletta e Filipe Coutinho
Época

À mesa de um restaurante decorado com lustres de cristal, obras de arte contemporânea e castiçais dourados, na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, três diretores da Petrobras e dois executivos do grupo Odebrecht almoçavam reservadamente às vésperas das eleições de 2006. Era um encontro de homens de negócios. Do lado da petroleira, estavam lá os diretores Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa e Renato Duque; do lado da maior construtora do país, Márcio Faria e Rogério Araújo.

Hoje, a maioria dos cinco comensais está presa em Curitiba, acusada de participação destacada no petrolão.

Discutiam-se as obras para modernizar a refinaria de Pasadena, no Texas, Estados Unidos, cuja metade das ações fora comprada pela Petrobras meses antes.

OBRAS DE R$ 4 BILHÕES

No almoço, estimou-­se que ele custaria até R$ 4 bilhões. A refinaria de Pasadena, cuja operação de compra era conhecida dentro da Petrobras pelo codinome projeto Mangueira, não tinha o apelido de “ruivinha” fortuitamente. Era um novelo de dutos enferrujados, de aparência avermelhada provocada pela oxidação dos metais.

Se a Petrobras fizera um péssimo negócio ao comprar Pasadena, como veio a se confirmar nos anos seguintes, a Odebrecht estava prestes a faturar mais um formidável contrato. Decidia-se ali, no restaurante na Praia do Flamengo, que a construtora ganharia o contrato de R$ 4 bilhões.

Em troca, os executivos da Odebrecht se comprometiam a pagar propina adiantada de R$ 4 milhões à campanha à reeleição de Lula – o mesmo Lula que, conforme revelou Época em seu site na sexta-feira, dia 11, passou a ser considerado pela Polícia Federal oficialmente suspeito no petrolão.

DELAÇÃO PREMIADA

As informações estão registradas na mais recente proposta de delação premiada de Cerveró, em posse dos procuradores da Lava Jato e obtida por Época. Trata-se de relatos pormenorizados de Cerveró sobre os negócios corruptos que tocaram primeiro na Diretoria Internacional da Petrobras, sob ordens do PT e do PMDB, e, a partir de 2008, na Diretoria Financeira da BR Distribuidora, sob ordens do PT e do senador Fernando Collor, do PTB.

Neles, Cerveró afirma que a compra de Pasadena rendeu US$ 15 milhões em propina. E envolve no esquema a área internacional, além de outros funcionários da Petrobras, senadores como Delcídio Amaral, do PT, líder do governo no Senado, o presidente da Casa, Renan Calheiros, e Jader Barbalho, ambos do PMDB.

TUDO DOCUMENTADO

Para enviar os relatos aos procuradores, Cerveró trabalhou durante quatro dias. Reuniu histórias, resgatou datas de reuniões e valores das operações registradas em documentos e anotações que guarda em sua cela. Para corroborar as acusações, a família de Cerveró pretende recorrer a uma pilha de agendas de suas viagens e reuniões realizadas entre 2003 e 2008, período em que ocupou o cargo de diretor internacional da petroleira. Esses documentos estão guardados num cofre, à espera de uma resposta positiva dos procuradores da Lava Jato.

Apesar dos relatos agora revelados por Época, os procuradores esperam – exigem – mais de Cerveró. “Ele (Cerveró) continua oferecendo muito pouco perto da gravidade dos crimes que cometeu”, diz um dos investigadores de Curitiba. “A delação de Cerveró, para valer a pena, precisa de tempo. Ele ainda promete menos do que sabe”, afirma um procurador da equipe de Janot.

3 thoughts on “Cerveró diz que Pasadena rendeu propina à campanha de Lula

  1. Como o tempo é capaz de desmistificar uma figura pública, um líder popular. O ex-metalúrgico Lula é hoje um retrato amassado e desfigurado na parede. Sua expressão é de angústia e perplexidade com os fatos que afetam sua popularidade e seu carisma.

    A imagem do boneco pixuleco nas manifestações deve estar arranhando seu ego antes inflado a última potência. O pior para o ex-presidente, talvez seja a certeza de que o tempo, o nosso maior inimigo, impossibilite sua volta para recuperar o tempo perdido. Os tempos são outros e o cenário está completamente devastado pela crise política e econômica. Lembram-se da volta de Getúlio Vargas. Sem o arcabouço militar e da estrutura ditatorial iniciada em 1930 e terminada em 1945, não conseguiu governar sob os ditames da democracia representativa. Foi levado para a trágica renúncia pelos opositores civis e militares.

    Lula capitulou em nome da permanência de seu partido no PODER. Foi mais importante o projeto de poder do que o projeto da nação. Parou sua promessa de inclusão social no Bolsa Família e na alavancagem do consumo. Fora dessas ações, orientou sua política de governo nas teses do neoliberalismo imitando seu maior inimigo, o governo FHC. FHC e LULA, difícil encontrar divergências lancinantes entre os dois ex-amigos de palanque.

    Completa-se uma sina de ex-presidentes operários, iniciada pelo polonês operário do Porto de Gdansk, amigo do Papa Paulo II. As elites não perdoam aqueles que interferem em seus planos. Cooptou LULA e agora se vingam pela sua impertinência de ter empalmado a presidência do país, por longos oito anos. O sistema de poder não dará trégua ao ex-presidente, enquanto não vê-lo sangrar completamente, até que seja inviabilizada sua volta ao Palácio do Planalto, o que a essas alturas parece improvável de que venha a ocorrer.

    Mas, de tudo fica uma lição: Um dia, tudo é esclarecido, até os segredos mais bem guardados. A ferida está exposta e o sistema foi aberto com todas as suas nuances fétidas. A carceragem de Curitiba é o retrato do que os poderosos fizeram com o país. Lapidar, lapidar e lapidar nossas esperanças e os recursos da nação para levá-los além mar. Agora, teremos que pagar mais impostos para colocar as contas em ordem. É justo isso?

  2. Lula e Dilma não sabiam!

    Mente cara pálida!

    Palavras do Lulanocchio:

    “A desgraça da mentira é que, ao contar a primeira, você passa a vida inteira contando mentira para justificar a primeira que contou”.
    Presidente Lula,
    (17/07/2005)

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