Cesar Benjamin conta como ficou amigo do senador Marcelo Crivella

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“Acho que estou ficando velho”, ironiza Cesar Benjamin

Cesar Benjamin

Pessoal, vocês sabem que não gosto de polêmicas infindáveis, em que um comentário gera uma resposta, que gera mais um comentário e assim por diante. Comentários desrespeitosos continuarão sendo deletados e seus autores, bloqueados. Falem mal de mim nos seus próprios murais, não no meu. Faço mais um post e paro por aqui.

1. Eu não vivo da editora. Não tiro nada dela. Quando há uma pequena sobra, ponho toda em livros novos ou em reedições. Nunca disse isso aqui para não me vitimizar. Mantenho a editora viva porque gosto muito dela e é meu primeiro projeto individual. Sempre fui um militante, não acumulei nada, não tenho nenhum bem material. O que posso deixar para os meus filhos, até hoje, são uma biblioteca excelente e alguns valores morais. Não posso ter vida acadêmica regular. Deixei a escola, durante a ditadura, no final do antigo ginásio, que hoje corresponde ao ensino fundamental. Fiz o exame supletivo de segundo grau no quinto ano de prisão, quando estava em um presídio comum, em Bangu, por insistência da minha mãe. Entrei na UFRJ já adulto. Nasceu minha primeira filha e não consegui terminar o curso de economia. O pouco que sei, aprendi por mim mesmo. Ganho a vida como freelance. Escrevo, dou aulas, preparo relatórios, traduzo, faço malabares nos sinais de trânsito, essas coisas. Recusei a oferta de indenização pelos meus anos de prisão. O povo passa muito mais dificuldades que eu, e o dinheiro público deve ir para ele. Não critico quem aceitou e não me considero herói por isso.

2. O senador Marcelo Crivella me procurou há muitos anos, acho que em 2007. Disse que me lia regularmente e pediu que eu começasse a dar cursos para lideranças populares, para, nas palavras dele, “politizar o nosso povo”. Não colocou nenhuma limitação. Não temeu que eu “ficasse muito forte” (ver meu post anterior). Montei nessa ocasião um amplo painel de Brasil, como free lancer. Meus alunos puderam conhecer, pela primeira vez, os grandes da cultura brasileira e a obra de gente como Furtado, Caio Prado e Darcy. Era uma turma grande, talvez 300 pessoas. De vez em quando eu via que o senador estava sentado na última fila, discreto, como um aluno comum, sem interferir. Certa vez, um aluno evangélico puxou o tema do criacionismo. Apresentei uma síntese da teoria da evolução sem nenhum problema. Minha lembrança mais emotiva desse primeiro curso é a seguinte: tratei de Villa-Lobos numa aula e coloquei várias peças dele para os alunos ouvirem. Ninguém o conhecia. Era um sábado. No domingo seguinte foi a abertura do Pan-Americano, que eu não vi, mas os alunos viram. No sábado seguinte estavam entre eufóricos e emocionados. Haviam reconhecido o Trenzinho Caipira na trilha sonora. Haviam explicado aos familiares e amigos quem era esse compositor, que música era essa e qual a sua importância. Vocês entendem o significado disso em termos de recuperar uma ideia de Brasil?

3. Eu e o senador ficamos amigos. Gostamos um do outro.Comecei a colaborar sistematicamente com o seu mandato (agora estou estudando a reforma da Previdência). Ele é evangélico, eu não sou. Não vemos nisso um problema. Minha história me levou a estar rodeado de amigos de esquerda. A história dele o levou a estar rodeado de amigos religiosos, muitos dos quais conservadores. Também não vemos nisso um problema. Lembro-me de ele me dizer, lá atrás: “Cesinha, você quer mudar o mundo e eu quero ajudar os pobres. Podemos trabalhar juntos.” É só disso que se trata: trabalhar juntos, pelo país e pelos pobres, na medida das nossas possibilidades.

4. Em março, ele pediu que eu me filiasse para poder ser candidato a vice-prefeito. Eu não quis, pois não me vejo “fazendo política” (ele errou ao dizer, no debate da Band, que eu sou filiado a algum partido). Depois disse que gostaria de me colocar à frente da Secretaria de Educação, se ganhar a eleição. Sabe perfeitamente que isso significa o fortalecimento de uma escola pública laica e republicana – o que não é mérito de ninguém, é obrigação. Para mim, esse convite, se se confirmar, é um perrengue. Caramba, será que vou interromper mais uma vez meus projetos pessoais – agora, a editora – para tentar ajudar o país? Ainda não decidi. Acho que estou ficando velho.

5. Freixo é um ótimo candidato e merece o voto de todos. Ficarei feliz se vencer. Terá, certamente, um ótimo secretário de Educação, provavelmente melhor do que eu, pois é uma área em que o PSOL tem boa expertise. Seria bom ver o Tarcísio Mota nessa função, com sua exuberante alegria. Ainda vou esperar mais para decidir o meu próprio voto. Mas não me peçam para atacar um amigo, de quem vocês não gostam, e nem para dar falso testemunho para agradar a esquerda (acho que isso é da Bíblia…).

A vida é muito mais do que palavras de ordem. As pessoas existem. Ao fim e ao cabo, são elas que contam. Acho que estou ficando velho.

(artigo enviado pelo comentarista Mário Assis Causanilhas)

27 thoughts on “Cesar Benjamin conta como ficou amigo do senador Marcelo Crivella

  1. “MICHEL TEMER: CODINOME “TREM” (O Antagonista)

    Brasil 11.10.16 09:46
    A Lava Jato descobriu que “Sem Medo” é o codinome de Michel Temer nas planilhas da Odebrecht.

    O Antagonista descobriu que ele era conhecido também como “Trem”.

    “Trem”, nas planilhas da Odebrecht, é Michel Temer.”

        • Trem bão sô…!!!!

          “O governo prometeu “cortar na carne”, mas ofereceu filé mignon, risoto de funghi e salmão a 200 deputados mais acompanhantes para aprovar a PEC 241. Que tipo de governo paga um banquete para aprovar uma PEC de gastos públicos?
          ..

          Aquele banquete com Yakissoba de 290,00 reais para “abastecer” o caixa do Jaspion foi fichinha perto do banquete do Presidente Constitucionalista de 2010….

          • Armando, você tem toda a razão de se preocupar com a merenda escolar ! Ela é um perigo à democracia !
            Nos Cieps do Rio só servem , todos os dias , arroz, feijão carunchado e um cozido de batata com moela…
            Depois de uns 2 meses chega um ‘ agente de Moscou’ e oferece a esse inocente jovem uma mortadela defumada Ceratti…
            Aí eles são subvertidos pelas delícias do ‘comunismo’ … rsrsrs

          • O pimpolho da Henriqueta…

            Em depoimento à Justiça Eleitoral no processo que visa a cassação da chapa Dilma-Temer, Delcído do Amaral confirmou o que disse anteriormente Otávio Azevedo: dinheiro da propina de Belo Monte foi parar na campanha 2014 de Dilma Rousseff.

            Delcídio também comentou que Ricardo Pessoa lhe revelou sobre propina de Angra 3 sendo enviada para ajudar a eleição da petista.

            O ex-senador ainda foi questionado se Dilma sabia do esquema. Ele respondeu que seria impossível a ex-presidente não saber.

            Sobre Michel Temer, pegou um pouco mais leve. Quem acompanhou a audiência disse que Delcídio comentou desconfiar que o atual presidente soubesse do esquema, mas não podia afirmar isso peremptoriamente pois, pelo que percebeu, ele realmente era “um vice-decorativo”.

            Apesar das acusações, os advogados pediram que Delcídio entregasse provas do que falou e ele não as apresentou, por isso, para a defesa de Dilma Rousseff, as falas de Delcídio são as de “um ressentido que faltou com a verdade”.

            Aécio

            Durante o depoimento, Delcídio foi questionado sobre a campanha do senador Aécio Neves.

            Ele disse que teria de ser honesto, por isso não poderia falar apenas de um lado.

            Também sem apresentar dados concretos, disse ser possível que algum tipo de propina tivesse chegado à campanha uma vez que o PSDB possuía diversos governos estaduais com contratos com empreiteiras da Lava-Jato e que esse era o sistema vigente na política.

            Na oitiva, o ex-senador ainda aliviou a barra do filho de FHC, Paulo Henrique Cardoso.

            Segundo ele, são injustas as acusações de que houve direcionamento da Petrobras para o fechamento de um contrato com uma empresa de Paulo, como havia dito Nestor Cerveró em seu depoimento.

            Por fim, Delcídio negou ter conhecimento de irregularidades em suas próprias campanhas. Segundo ele, se dinheiro de propina o financiou, ele nem ficou sabendo

    • Nunca vi tantos pais de santo como os do ‘trabalhismo ” ! Eles recebem o espírito do Vargas, Brizola, Darcy e ‘projetam ” no contexto atual.
      A antropologia trouxe da França uma expressão para isso, ‘ decalage’, que é um deslocamento no tempo e no espaço ! Para ser pior, precisa melhorar….

  2. kKKAAASSS …. Mais uma dos corruptos ‘ trabalhistas ‘ … Seria aquele pessoal do Corrupto Detran do Brizola. que o Dr. Romeu Barros tanto falou …
    Ridículos !
    O pessoal que o Darcy Ribeiro disse às Fls. 97 do seu livro Jango e Eu recebias malas no Palácio…

    Abominável !

  3. Cesinha demonstra ser o contrário de um personagem de A educação sentimental, de Flaubert. Lá, um personagem socialista é cruel com subordinados. Diz Flaubert que era um homem de teorias, mas desprezava o indivíduo.

  4. A democradura…

    Câmara barra site do PSol
    Por: Severino Motta 11/10/2016 às 17:30
    O PSol está indignado.
    Quem tenta acessar o site do partido a partir de um dos computadores da Câmara é informado que o acesso está bloqueado.
    Para ver se o mesmo acontecia com outros partidos, a turma do PSol tentou acessar o site do PSDB.
    A página abriu sem problemas.

  5. Cesar Benjamin pertenceu a juventude udeno-lacerdista e em 1964 apoiou o golpe militar. Quando Carlos Lacerda foi alijado do processo político pelos militares, sendo cassado, Cesar, seu irmão mais novo e muitos estudantes no Brasil voltaram-se contra os militares. (Lacerda, façamo-lhe justiça, tinha muitos simpatizantes no meio estudantil. Dilma, que tinha um tio amicíssimo de Lacerda, pode ter sido uma das simpatizantes). Cesar foi um dos sequestradores do embaixador americano (seqüestro que interessava aos militares tanto assim que o CENIMAR monitorou o cativeiro do embaixador). O próprio Cesar diz isso. Passou pelo Chile, Argélia, Cuba etc. (O coronel Jarbas Passarinho em entrevista disse que todos os que estivem preso e voltaram do exílio fizeram acôrdo com os militares. Fazia ressalva: Menos Brizola que era o verdadeiro inimigo dos militares) Cesar no programa “Faixa Livre” dizia torcer para o PT perder as eleições para que voltassem a se unirem todos novamente. Benjamin votando em Crivella ou em Freixo é a mesma coisa. “Ponham em uma balança Freixo e Crivela e não sobrará um rabinho de camarão seco”. Eu tenho desconfiança desses “mártires” que dizem terem sido barbarizados na tortura e continuam vivos cheios de saude. Só para lembrar: O pai de Benjamin era oficial do Exército e assistia o interrogatório dos filhos. Como acreditar na versão da bárbara tortura que sofreu?

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