One thought on “Charge do Sponholz

  1. Mais Médicos ou Mais Verdade?
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    Os fatos provam; o povo sente, grita e morre.
    A saúde pública foi privatizada e entregue à sanha do mercado; transformou-se em mercadoria. Tem saúde quem por ela pode pagar e pagar caro com jatinho e Sírio Libanês já alcançado por manifestações. Acabo de encorpar a certa emoção generalizada dos ouvintes (uma Rádio de Sergipe) trazida por um pai em incontrolável transe aos pés de uma jovem filha morta pelo insensível descaso do sistema de saúde pública estatal. Por falta de uma mera transfusão de sangue.
    Fatos se interpretam e compreendem. Não é o que se quer que seja, o que se acomoda e atende ao egoísmo do meu eu. Nessa troca fato/homem os sentidos têm assento necessário, fundamental e dicotômico: “Os fatos que os sentidos nos fornecem são pré-formados de modo duplo: pelo caráter histórico do objeto percebido e pelo caráter histórico do órgão perceptivo – Horkheimer. Nesta linha é que Jürgen Habermas alerta: “À luz de uma noção epistêmica da verdade, “encaixar-se nos fatos” não é mesmo que corresponder aos fatos” . Também, o que necessita ser justificado é o ideal, o dever ser, não o ser, os fatos. Por que não trazer H. Arendt: “os fatos são teimosos; não desaparecem quando os historiadores ou os sociólogos se recusam a ouvi-los, embora possam desaparecer quando todos os esquecem”
    A política está tomada pela mentira que pretende fazer de palavras fatos e do universo o inverso:
    “A mais importante qualidade negativa da elite totalitária é que nunca se detém a pensar o mundo como ele é e jamais compara as mentiras com a realidade. Paralelamente, a sua mais cultivada virtude é a lealdade ao Líder, que, como um, talismã, assegura a vitória final da mentira e da ficção sobre a verdade e a realidade – H. Arendt”

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