Chega de intermediários: Blatter para presidente

Carlos Chagas

Não é difícil descobrir as eminências pardas  escondidas  atrás do poder e dos poderosos. Napoleão dizia dispor de um amo e senhor que determinava todas as suas iniciativas: era a natureza das coisas.  Já os presidentes Castelo Branco, Ernesto Geisel e João Figueiredo tinham o general Golbery do Couto e Silva. José Sarney não agia sem o dr. Ulysses, e, com todo o respeito, a presidente Dilma Rousseff reverencia  no Lula o seu grande oráculo.                                                        

Tudo bem, é da vida a existência dessas  influências por trás do trono, mas alguma coisa está errada quando as eminências pardas assumem a forma de entidades ou empresas que  mais parecem um arco-iris flamejante.  O Brasil, como nação, ganhou um amo e senhor, melhor dizendo, um  feitor de escravos,  empenhado em ditar ações que seriam de nossa exclusiva competência.                                                         

Chama-se FIFA, que desde a nossa escolha para sediar a Copa do Mundo de 2014 vem dando não apenas palpites, mas expedindo ucasses e determinações escandalosas. Sua última interferência foi fechar por quatro horas, no próximo sábado, o Aeroporto Santos Dumont, no Rio.  Só porque o sorteio das eliminatórias do certame acontecerá na Marina da Glória, na parte da tarde, nenhuma  aeronave poderá aterrissar ou levantar vôo, duas horas antes e duas horas depois.  Pior é que o nosso governo aceitou a exigência, feita através do ministério dos Esportes e destinada a atingir a propria presidente Dilma Rouseff, que já confirmou presença na cerimônia. Vai ter que chegar cedo, se pretende utilizar o Santos Dumont, e não poderá sair  enquanto não expirar o inusitado prazo. Na hipótese de precisar retornar antecipadamente a Brasília, por conta de uma crise política qualquer, estará prisioneira de Joseph  Blatter e companhia.                                                        

Faz muito que a FIFA  vem exagerando, exigindo a construção ou  modificações milionárias  em estádios variados, de acordo com suas regras.  Quer avenidas e transporte de massa em torno desses locais segundo padrões que impõe sob a ameaça de transferir a realização da Copa para outro país. Controla  os contratos de publicidade e prestação de serviços, ganha comissões,  manipula o crédito e até escolhe as  empresas encarregadas executar obras e   de atuar no certame.                                                        

A tudo o país  se curva, governo e economia privada, sem ponderar que muito maior prejuízo teria a FIFA  caso nos negássemos a cumprir  suas determinações. Apesar da euforia econômico-financeira que nos assola, valeria atentar para o fato de que estádios de futebol já possuímos aos montes, capazes  de abrigar nossas torcidas e  em número superior a hospitais,  escolas, portos e postos de defesa de nossas  fronteiras.  Mesmo assim, dezenas de bilhões vem sendo desviados para satisfazer as imposições dessa mais nova eminência colorida, pois deixou de ser parda. Se é desse  jeito que as coisas funcionam, muito acima e além de nossa soberania, logo surgirá um partido político lançando Joseph Blatter para presidente do Brasil…

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VOLTA ÀS ORIGENS                                                         

Vamos aguardar o reinício dos trabalhos do Congresso, na próxima semana,  para saber se há fundamento no rumor de que jovens parlamentares do PT ensaiam um movimento de volta às origens do partido. Porque insatisfação há, por parte de ponderável contingente de companheiros, insatisfeitos com os rumos fisiológicos  de seus dirigentes, predominando  há algum tempo. Nem só de ministérios, presidencias e diretorias de estatais e preenchimento de 35 mil cargos DAS vive o PT. Pelo menos, não era assim que vivia quando se propôs  mudar o Brasil através de reformas profundas e da mudança de velhos costumes políticos. Não foi por acaso que boa parte da intelectualidade petista abandonou o barco. Os mais jovens sentem-se deslocados, tendo verificado o sentimento de frustração em suas bases, durante o recesso. 

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MUDOU DE IDÉIA?                                                        

Do ninho dos tucanos, uma informação a se confirmar apenas ano que vem: José  Serra estaria  disposto a reexaminar a decisão de  não se candidatar a prefeito de São  Paulo. Admitiria a hipótese de disputar a sucessão de Gilberto Kassab, tanto pelas chances  de bater os adversários até agora conhecidos quanto pelo fato de, assim, voltar a dispor de voz ativa nos altos escalões do PSDB. Um mandato de quatro anos na prefeitura paulistana   o alijaria da sucessão presidencial de 2014, mas,  sem ele, com que cacifes entraria na briga com Aécio Neves?   

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DE NOVO,  O PASSADO                                                         

Dá um frio na espinha assistir os  líderes do Partido Republicano, nos Estados Unidos, exigirem do presidente Barack Obama cortes profundos nos investimentos sociais em vez de aumento de impostos, como forma de debelar a crise econômico-financeira lá instalada. O medo é de que a moda pegue, por aqui, quando a crise chegar até nós. Porque vai chegar, sem sombra de dúvida. E do jeito que as coisas vão, não serão  o PSDB e o DEM que terão forças pára exigir coisa igual entre nós. Vão precisar do PT e do PMDB, pelo menos. E como nenhum desses partidos parece interessado em manter conquistas sociais, preferindo cuidar de seus interesses fisiológicos, o risco será  razoável de repetir-se aqui em baixo aque acontece lá em cima. Obama não quer, Dilma, com mais lógica, também não, mas disporão os dois de condições para conter a legião dos que defendem a volta ao passado?

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