Chegou a hora do Parlamentarismo

Roberto Nascimento

Uma nova etapa do processo político foi inaugurada. Os jovens sinalizaram que querem mudanças em todos os níveis, principalmente em relação à corrupção ativa e passiva, que drena bilhões dos cofres públicos para o ralo das contas secretas nos paraísos fiscais, justamente o que falta para Educação e Saúde.

Se o movimento vai arrefecer, se vai parar, não importa, pois o primeiro passo foi dado. Não adianta mais mentir para a juventude, que eles não acreditarão. Uma grande marcha começa com o primeiro passo. Todos estão atônitos e perplexos com o povo nas ruas. Quem em sã consciência pode ser contra os ventos de mudança?

Creio que o sistema presidencialista esgotou-se completamente. É chegada a hora do regime parlamentarista, que não tem prazo fixo como o atual. Perdeu-se a confiança, o gabinete cai e imediatamente são convocadas novas eleições. Os aprendizes de feiticeiros, como sempre caminham em direção contrária ao povo nas ruas, e agora propõem a coincidência de eleições para todos os níveis, uma forma de confundirem o eleitor e ao mesmo tempo proporcionar a prorrogação dos mandatos de prefeitos, vereadores ou de deputados federais e estaduais.

Alea jacta est, como dizia Cesar.

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14 thoughts on “Chegou a hora do Parlamentarismo

  1. Como dizia o humnorista: “Tais brincando”!!!!
    Já fizemos dois plebicitos para afirmar que o povo quer o presidencialismo.
    Já pensou quanto dias iria durar um primeiro ministro?
    Aí sim o balcão de compra de apoio iria ser transformado em uma verdadeira feira!
    Com o parlamentarismo o povo ficaria sem ter a quem reclamar, com o presidencialismo temos a figura do mandatário. Embora a presidência hoje não mande mais nas x+1 agências reguladoras, no MPF, e muitos outros feudos modernos, que não são funcionalmente subordinados a nenhum dos três poderes.

  2. Comentarista NIK: As manifestações da juventude brasileira já tiveram efeitos no mundo político. O Congresso votou em uma semana, matérias que estavam engavetadas por mais de dois anos. A tal ponto, que o governo está preocupadíssimo com a fúria legislativa do senador Renan. Diria para você, que estávamos dormindo e sonhando com o mundo encantado de Bob e agora graças aos jovens, uma nova era começa a ser experimentada. O assunto é muito sério para rir numa hora dessas, me permita contradizê-lo. Nas palavras do nobre senador Pedro Simon: A hora é agora, a hora da mudança para melhorar o país.

    Caro Ronaldo Luiz: O Parlamentarismo não é brincadeira, trata-se de uma forma de governo mais democrática do que o Presidencialismo, que esta forma sim, gera distorções, na qual o presidente assume poderes imperiais e por longo tempo. No Parlamentarismo, quando eclode uma crise, o governo cai e imediatamente são marcadas novas eleições. Quanto mais eleições, mais o povo exercita e melhora suas escolhas. Os europeus não têm reclamado dos governos parlamentaristas.
    No regime presidencialista, o povo elege e depois é esquecido pelas autoridades, o eleito começa a governar e só vai em direção ao povo nas vésperas das próximas eleições, em busca de um novo mandato. A mesmice atual causa um tédio de grandes proporções desestimulando a prática política.

  3. Meu caro Roberto Nascimento,
    Reconheço que o Parlamentarismo é o melhor método de se governar, mas não vejo no brasileiro a cultura necessária à implantação desse sistema.
    Penso que o início seria um caos, até o próprio político se acostumar e o povo entendê-lo.
    Entendo quando dizem que a nossa Constituição é parlamentarista, no entanto, a nossa curta experiência no passado não trouxe os resultados esperados e, no primeiro plebiscito, o povo optou pelo retorno do Presidencialismo.
    Por outro lado, tentar aperfeiçoar a política brasileira e torná-la mais séria e responsável, implicaria na mudança também nos comportamentos dos parlamentares, que são fisiológicos, carreiristas, que trazem consigo a tradição de oportunismo para ascender a cargos, ministérios, ocupações que lhes deem notabilidades e enriquecimento, lamentavelmente mais ilícita que honestamente.
    Mais a mais, Roberto, o povo deveria ser esclarecido sobre este processo profundamente e, na eventualidade de ser colocado à população como opção, que não fosse imediato, mas após o próximo mandato presidencial e parlamentar, havendo tempo para este conhecimento e candidaturas que se comprometeriam antecipadamente com o sistema parlamentar, e não levassem consigo para o Congresso o desejo da oposição férrea contra o Parlamentarismo e nós ficássemos a assistir eternos debates políticos sobre o método escolhido e sem que deputados e senadores mais uma vez se preocupassem conosco.
    A minha preocupação é constatar a ausência de tradição e cultura no Parlamentarismo, e ficarmos à mercê de uma instabilidade política por conta de gente que não tem o povo como objetivo, mas trampolim para uma situação de conforto e segurança pessoais para o resto de suas vidas.
    Um abraço, Roberto.

  4. Parabéns, Sr. Francisco Bendl: foi exatamente esse o meu primeiro temor, após ler o texto acima: com a escumalha que temos por aqui à título de políticos, já sabemos o que esperar do parlamentarismo, já em prática (espúria) por esses lados de cá, modelo ‘jeitinho brasileiro’ e, em segundo lugar, a (falta de)cultura, o anlfabetismo político, o pior que existe,(créditos a Bertold Brecht) do povo brasileiro. Continuaremos à mercê da escumalha supramencionada e tudo continuará “como dantes no quartel de abrantes”, com tendência a piorar. Que os deuses (de todas as mitologias:Zeus, Odin, Wurth, Deus, Oxalá, Alá, etc… nos defendam dessa hora!

  5. Mais um brilhante (e lúcido) comentário do Francisco Bendl. Considerando-se que:
    Existe o que a gente quer fazer.
    Existe o que a gente deve fazer.
    Existe o que a gente pode fazer.
    Saber manobrar e agir em conformidade com tais circunstâncias e compreensões … é o desafio que temos pela frente. Onde estarão ou estariam os condutores deste processo? O Brasil e o mundo procuram esta resposta. A “construção social” que nos libertará do caos internacional que vivenciamos … é por demais complicada.
    Mas … nada nos impede de prosseguir tateando no escuro. “A Caverna”, emblema maior de Platão, nos mostra o Homem na escuridão, com medo de sair da caverna e encontrar a Luz. “Vamos lá fora, lá está claro”, dizem alguns. “Não, aqui está escuro mas já estamos acostumados, vivendo assim”.
    E … a vida prossegue.
    (“Eu quero viver! Pois a maioria das pessoas apenas existe” OSCAR WILDE)

  6. Prezada Dione Castro da Silva,
    O artigo do caro Roberto nos possibilita um debate salutar sobre o Parlamentarismo, ao mesmo tempo que analisemos a nós mesmos como governados por este sistema.
    Os países europeus e suas culturas milenares, seus povos educados, autorizam esse método porque seus parlamentares têm outra concepção da política em si que, além de compromissos como legítimos representantes populares, existe a preocupação com o país, com as instituições, e zelo sobre o seu maior patrimônio: o seu nome.
    No Brasil, o político entende que ser chamado de ladrão é comum; que ser taxado de corrupto é normal; que ser desonesto é obrigação!
    E, tal desprezo pelo seu nome e função advém da IMPUNIDADE, pois sabem que dificilmente os processos que raramente os seus nomes estão envolvidos redundam em punição efetiva, a citar como exemplo os mensaleiros que, duvido, alguém acabe atrás das grades.
    Pois é este tipo de “fortalecimento” negativo que temos da prática política dos nossos parlamentares, que me assalta a mente o Parlamentarismo que é robustecer a política e que já é muito forte no Brasil naquilo que ela tem de pior!
    Imagina, haveria um “rodízio”, como no espeto corrido, de os partidos se revezarem em ter um Primeiro-Ministro e mudanças no Gabinete, um vai e vem tão em sequência que não haveria tempo para governar porque só se preocupariam com as alterações semanais, nessas alturas!
    O povo e o político brasileiros não estão à altura desse sistema, repito, sendo neste caso específico, um dos sintomas de carência da nossa Educação, que também não ensina e nem prepara o povo para dar o devido valor aos seus representantes no Legislativo porque estes igualmente desprezam a importãncia de suas funções e necessidade de uma política que o povo possa se orgulhar.
    Se estamos mal com o Presidencialismo, a meu ver, o Parlamentarismo seria a sentença de morte da nossa gravemente enferma política brasileira!

  7. Assisti na CBN, outro dia, o primeiro-ministro inglês David Cameron discursando diante dos parlamentares. Portanto … o debate é aberto.
    Cameron falava, falava, falava … até que alguém levantou o braço, pedindo a palavra. O aparte foi concedido. O sujeito discordou frontalmente do que o primeiro-ministro estava dizendo. Ele defendeu-se.
    A seguir outro, e mais outro, apartes e mais apartes. E o Sr Cameron argumentando e contra-argumentando.
    Tudo na TV!!!
    Estamos preparados para isso?
    Nosso Parlamento ficaria de tal forma desnudado que … seria bizarro, seria patético!!! Dezenas dos nossos deputados estão processados!!! Muitos nada sabem de nada, são “mestres em coisa alguma”!!! Outros integram grupos criminosos, que patrocinam crimes!!!
    O Parlamentarismo Brasileiro … alguém já disse … seria um sistema para-lamentar!!!

  8. Meu caro amigo Almério,
    Alegro-me que concordes comigo.
    Não somos contra a idéia do prezado Roberto Nascimento, não, mas nos opomos ao Parlamentarismo no Brasil diante de nossas formas nada elogiáveis de se fazer política.
    Enquanto não atingirmos um nível mínimo de Educação para o povo e um desenvolvimento para o País que abra suas portas para investimentos estrangeiros em indústrias, estradas, transportes, que obriguem nossos parlamentares a atuar decente e honestamente, viveremos sob a égide do Primeiro-Ministro-de-Plantão, e patéticas cenas de quem atuará aos fins de semanas onde nada acontece!
    Não teremos governo, mas um bando de esfomeados pelo poder de um dia ou dois, no máximo, diante das intermináveis e propositais crises de Gabinete!
    Até o último deputado ou senador não se sentar na cadeira do Chefe, credo, será um festival permanente de instabilidade política, intrigas palacianas, puxar a cadeira, armadilhas, compras de aliados, arregimentações de grupos, intermináveis e prejudiciais ao povo e Brasil.
    Em outras palavras:
    Os carnavais que são feitos nos Sambódromos e desfiles nas ruas, também farão parte do Congresso na Câmara e Senado, justamente porque nos faltam cultura, tradição, seriedade, comprometimentos com a função política, OBJETIVO em prol do Bem Comum!
    Evidente que não estamos sendo contra o artigo do Roberto Nascimento, importantíssimo para este debate salutar, repito, e esclarecimento a respeito deste sistema, mas colocando na mesa para discussão se estamos preparados para receber o Parlamentarismo conforme nossa maneira de fazer e entender política BRASILEIRA, e não o processo em si, altamente importante e crucial à Democracia e crescimento de um povo e sua Nação.

  9. Caro comentarista Francisco Bendl: Captastes com maestria o arrazoado sobre a aplicação do sistema de governo Parlamentarista no Brasil. Na realidade, os dois sistemas de governo contém falhas. Ocorre que, o presidencialismo de coalisão, que favorece o toma lá da cá da base aliada, tem trazido malefícios sem conta para o país. Veja o caso de Collor, que foi apeado do poder por falta de apoio de sua frágil base parlamentar, visto que foi eleito pelo minúsculo PRN. No Presidencialismo, o presidente se torna refém do arco de alianças composto por siglas conservadoras e de esquerda.

    Entretanto, a tese do regime parlamentarista, que não é nova no meio político vem sendo bombardeada por gregos e troianos. No início da década de 60, após a renúncia de Jânio Quadros, o acordo para que Jango assumisse o cargo vago foi a mudança de regime, vigorando por um ano o regime Parlamentarista. Tancredo Neves se tornou o Primeiro Ministro sem nenhum problema institucional. Então, o presidente João Goulart se fortaleceu e lançou o Plebiscito restabelecendo o regime presidencialista de governo.

    Obrigado a todos os comentaristas pelos comentários brilhantes e elegantes sobre a tese apresentada.
    Grande abraço.

  10. Meu caro Roberto Nascimento,
    Tu tens plena razão na implantação do parlamentarismo que, entre o presidencialismo, este tem menos falhas.
    O grande problema é a mente do povo e dos políticos que não estão preparados, a meu ver, para esta mudança.
    O pensamento da década de sessenta, somado à crise que vivíamos foram motivos à adoção deste sistema, e o tempo exíguo que ficamos sob a sua égide não deixou sequer resquícios à população e parlamentares para que hoje fosse instituído, e sem que nos deixassem à mercê de decisões constantes de troca do gabinete e consequentes novas eleições.
    Falta-nos maturidade política, Roberto, comprometimentos com o Brasil e povo, intenções para que avancemos e nos desenvolvamos como nação, menos interesses pessoais, egoísmos, carreirismos, fisiologismos, oportunismos, afora a corrupção desmedida.
    Este é o nó górdio a ser desatado antes da promulgação de um regime de governo que não corresponde a merecer mais confiança no parlamentarismo.
    Por outro lado, meu caro, um presidente se mantém refém de aliados se a sua gestão não for ao encontro do povo, mesmo que de encontro aos métodos dos políticos que quisessem prejudicá-lo.
    Collor renunciou – o seu impedimento já estava decidido – porque apostou que tinha consigo o apoio do povo. Ledo engano. Quando o Congresso percebeu que a população agia contrariamente ao desejo de Collor, ele mesmo assinou a sua deposição neste pedido patético ao povo que vestisse verde e amarelo.
    Em comparação com Lula, observa que, independente dos escãndalos por ele patrocinados, o Congresso JAMAIS ousou falar em impedimento com receio da reação popular e, vamos e venhamos, Lula fez por merecer com o mensalão, Rosegate, aparelhamento do Estado, alianças espúrias, gastos em publicidade, política exterior confusa, doação de terras aos índios que vão nos trazer sérias dores de cabeça…
    Ora, meu amigo, se o povo tivesse conhecimentos de fato dessa conduta deplorável de Lula, e seu nível educacional fosse um pouco mais elevado e não na condição que a maioria se encontra de analfabetismo funcional, indiscutivelmente Lula teria problemas com o povo brasileiro, e que somente hoje acontece por conta das decepções com as administrações petistas que escolheram outros alvos para suas atenções, menos melhorar a vida do povo em geral e desenvolver este Brasil, portanto, novamente o povo sendo o causador da permanência ou de modificações desta ou aquela pessoa na presidência e deste ou aquele partido político à testa da nação.
    Agora, particularmente, Roberto, sou a favor desse método, claro.
    O meu comentário se fundamenta na carência Educacional do povo e a maneira como os politicos entendem a política, simplesmente um instrumento para enriquecimentos ilícitos porque rápido, impune e protegido pelo corporativismo escancarado, imoral e antiético!
    Um abraço, meu caro, e precisamos voltar ao tema mais seguidamente.

  11. Pelo amor de Deus. O parlamentarismo vai colocar o Brasil nas mãos do PMDB. Os partidos fisiológicos vão derrubar qualquer primeiro-ministro que não lhes entreguem os ministérios que reivindicarem. Precisamos é aprimorar o presidencialismo, de modo que o presidente não seja tão refém dos deputados.

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