Cheiro de novo na urna

João Gualberto Jr.

Se os parlamentares não nos representam, os partidos tampouco, assim como boa parte das organizações sociais – sindicatos, associações classistas e igrejas –, podemos esperar uma eleição diferente em 2014. Não virá uma espécie de “revolução pelo voto”, por certo, mas alguma coisa distinta, isso sim, deverá vir.

As pessoas foram às ruas em junho para bradar que anseios delas não têm eco no Congresso ou nos Legislativos de outras esferas. Pesquisa da Transparência Internacional mostrou que 81% dos brasileiros acreditam que as legendas políticas são corruptas. E o tal Dia Nacional de Luta, das centrais sindicais, na semana passada? O povo não comprou as demandas. Foram mobilizações tímidas comparadas às do mês anterior: a pauta, passada de cima para baixo, não reuniu a força de mobilização esperada.

Uma massa horizontal de anônimos. Foi ela que, na última quinzena de junho, tocou o terror em todos os gabinetes político-partidários deste país. O temor nasceu, além dos atos de violência, é claro, dessa ausência de rosto, de representantes. A profusão de bandeiras foi interpretada como ausência de foco por quem se senta do outro lado do balcão, quando, na verdade, a quantidade de causas se traduzia na qualidade dos atos: insatisfação geral com o status quo.

A prática política secular, velha, carcomida, que opera por meio da proeminência de líderes carismáticos e de estruturas hierárquicas militares-eclesiásticas, seria mesmo incapaz de interpretar com correção a voz das multidões. Conceder olhando para baixo é relação que poderá cair em desuso, ainda mais quando a tal representatividade, na opinião de muita gente, foi para as cucuias há tempos.

UMA COPA DE PROTESTOS

No ano que vem, quando o circo da Fifa desembarcar de novo por aqui, as manifestações voltarão. Maiores e mais poderosas? Vai depender de muita coisa, inclusive de como andarem os ensaios desse novo diálogo de relacionamento. Quem se assenta nas cadeiras do poder deve estar preparado para a reincidência dos atos. E está, na verdade.

Em razão do rescaldo de junho e da perspectiva de outra balbúrdia pré-eleitoral é que pinta no horizonte um cheiro de novo no pleito próximo. Convém repetir que não se deve esperar revolução, ancorada em coisa do tipo: “Eleição é farsa! Vote nulo!”. Os chamados recados das urnas já vêm dando na praia disputa após disputa, quando um terço dos eleitores se abstém ou quando a metade da Câmara Municipal é posta porta a fora. Virá mensagem mais nítida do que foi possível ler nos milhares de cartazes.

E o sujeito que se candidatar, seja lá para que cargo for, que não venha com o mesmo discursinho furado de sempre: “Por mais saúde, educação e justiça social”. Não, isso não! Informe-se sobre as atribuições da função e reflita como poderá contribuir por uma sociedade mais evoluída. Não venha encher mais a paciência do eleitor. Ela já estourou. (transcrito do jornal O Tempo)

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5 thoughts on “Cheiro de novo na urna

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