China, Canadá e EUA mantêm forte presença estatal na geração de energia elétrica

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Charge do Latuff (Arquivo Google)

Deu na Carta Capital

Desde a gestão de Michel Temer, o governo vem anunciando a privatização da Eletrobras, principal companhia energética brasileira, responsável por um terço da geração de energia no País. Atualmente, o governo federal detém 63% do capital total da Eletrobras, sendo 51% da União e outros 12% do BNDESPar, o braço de investimentos do BNDES.

Ainda não há detalhes a respeito de como se daria a privatização da empresa, mas chama a atenção a ideia do governo de entregar a investidores privados o controle de um setor estratégico para o país, a energia hidrelétrica.

MUITAS USINAS – A Eletrobras tem usinas de diversas naturezas, como eólica, nuclear, solar e termonuclear, mas as que se destacam são as hidrelétricas. No portfólio estão, por exemplo, as usinas de Itaipu (no Parána), Belo Monte e Tucuruí (no Pará) e Jirau e Santo Antônio (em Rondônia). O governo adiantou que Itaipu não seria privatizada, sem explicar como a protegeria, mas as outras, ao que parece, estão no cardápio do mercado.

A entrega do setor a investidores privados, potencialmente estrangeiros, não faz parte atualmente das políticas dos maiores produtores de energia hidrelétrica do mundo. Juntos, China, Canadá, Brasil e Estados Unidos são responsáveis por 52,8% da energia hidrelétrica produzida, segundo dados da Agência Internacional de Energia. Em todos eles, os governos se destacam como donos do negócio.

BONS EXEMPLOS – Na China, a estatal Three Gorges Corporation opera Três Gargantas, disparada a maior hidrelétrica do mundo, localizada no rio Yang-tsé. Por meio de uma subsidiária, a China Yangtze Power Co., controla a segunda e a terceira maiores hidrelétricas chinesas, Xiluodu, com capacidade equivalente à de Itaipu, e Xiangjiaba.

No Canadá, onde 60% da energia é hidrelétrica, o setor é dominado por companhias dos governos provinciais, que constituíram empresas públicas. Em províncias como Columbia Britânica, Manitoba, Nova Brunswick e Québec as controladoras da produção hidrelétrica pertencem ao governo.

Em Ontário ocorre o mesmo e, nesta província, onde fica Toronto, a maior cidade canadense, a venda ao mercado de cerca de 30% das ações da Hydro One, uma companhia estatal que transmite energia (não é geradora) foi recebida com indignação pela população em 2015 e 2016.

NA MATRIZ USA – Nos Estados Unidos, a energia hidrelétrica tem um peso menor. Cerca de 10% da matriz energética norte-americana são renováveis e, desse montante, 26% produzidos pelas hidrelétricas. Ainda assim, trata-se de um setor estratégico.

Nos EUA, o maior operador de energia hidrelétrica é o Corpo de Engenheiros do Exército, que controla barragens como John Day, The Dalles e Bonneville, todas no rio Columbia. O segundo maior produtor de energia hidrelétrica nos EUA é o United States Bureau of Reclamation, uma agência federal que responde ao Departamento do Interior.

ATÉ TRUMP… -O presidente do EUA, Donald Trump, lançou um enorme plano de privatização de infraestrutura, mas nem mesmo o empresário, que deseja entregar largas fatias da infraestrutura nacional ao mercado, ousou privatizar as usinas hidrelétricas.

Uma das ideias de Trump, por exemplo, era privatizar a Administração Energética de Bonneville, agência federal criada em 1937 para vender a energia da usina de Bonneville, operada pelo Exército. Havia diversas críticas à ideia, como a feita pelo jornal Seattle Times em editorial. Para a publicação, se o plano de Trump avançar, o Noroeste dos EUA pode “dar adeus à energia pública e barata e olá para os poderosos da energia de Wall Street.”

A manutenção da energia hidrelétrica nas mãos dos governos é parte da estratégia de desenvolvimento dos países, em geral baseadas no conceito de segurança energética. A ideia é garantir a disponibilidade ininterrupta de fontes de energia a um preço acessível para garantir o desenvolvimento econômico e social dos países. Entregar áreas estratégicas, assim, pode eventualmente comprometer a capacidade dos governos de tomar decisões por conta própria para garantir o seu avanço.

PODER DE VETO – Ainda sem apresentar detalhes do balão de ensaio da privatização, o governo Temer promete ao menos manter uma golden share das ações, que manteria com a União o poder de veto sobre ações estratégicas.

No caso da Eletrobras, entre os candidatos para levar fatias da companhia estão fundos estrangeiros, companhias energéticas europeias e estatais chinesas, como a Three Gorges Corporation. A companhia chegou ao Brasil em 2013 e por aqui atua com o nome CTG. Em seu site, ela diz ter escolhido o país “como prioritário em sua estratégia de crescimento internacional”. Em três anos, se tornou em 2016 a maior geradora privada de energia do Brasil.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Espera-se que a ala militar do Planalto, que fez curso de Estado-Maior e enxerga um palmo à frente do nariz, pressione o governo a observar o que ocorre no resto do mundo em relação às estatais em setores estratégicos da economia. Segundo o TNI (Transnational Institute), centro de estudos em democracia e sustentabilidade sediado na Holanda, entre 2000 e 2017 ao menos 884 serviços privatizados foram reestatizados no mundo, especialmente na Europa, onde também se pensava que privatizar era a melhor solução. (C.N.)

 

22 thoughts on “China, Canadá e EUA mantêm forte presença estatal na geração de energia elétrica

  1. BONS EXEMPLOS – Na China, o condenado por roubar o povo é executado em praça publica despido ele e sua família da grana roubada e ainda paga a bala., SIM SOU A FAVOR DE COPIAR OS BONS EXEMPLOS.

    • Ai não né. O pessoal da teta publica não vai gostar nada disso; sem falar do pessoal das tetas das ongs dos direitos humanos; e o STF vai cancelar a execução, soltar o politico, e devolver o dinheiro (se ele roubou, é dele).

  2. Para enxergar além da ponta do nariz: energia do futuro sera a eletrica. Exemplo. Já temos carros eletricos. Veiculos a combustão mais alguns anos nao entearao na Europa, então, para ver além, venderia a Petrobras e todo dinheiro arrecadado lançado na Eletribras.

  3. Aqui no Brasil, com essa legislação penal que beneficia quem as elaborou, como políticos corruptos e bobinhos, é proibitivo empresa estatal, pois como já se viu, principalmente no corrupto governo da esquerda do PT, os envolvidos na maior corrupção na história da humanidade como Zé Dirceu e Lula, estariam cumprindo perpétua em países sérios como EUA e China, que até condena a morte os corruptos.

    • O United States Bureau of Reclamation é uma agência federal do Departamento do Interior que supervisiona o provimento de água que é usada para irrigação da lavoura, distribuição doméstica . Ele opera no oeste dos Estados Unidos. É diferente de uma estatal brasileira que se empanturra de funcionários, privilegia amigos do rei e nos dá prejuizo a maior parte do tempo.
      Para o bem da verdade e em prol de uma análise racional, é de bom alvitre evitar comparações entre nossas estatais e as que possam aparentar exercer algumas das funções das nossas. Lá é outro mundo. O nosso ainda está na era dos macacos no que concerne á responsabilidade com o que é público.

      • Um bom exemplo era dizer qual a produção, o custo, preço de venda dos serviços e quantos funcionários e salarios, tipo a petrobras que tem o quase o mesmo numero de funcionarios das concorrentes e produção menor.

  4. Não querem soltar as tetas de jeito nenhum e o povo que se exploda para pagar os prejuízos das Estatais. Afinal, acham que eles tem o direito de continuar a ganhar direito fácil das Estatais. Agora, mesmo vem alguém com o discursinho que o petróleo é nosso.

  5. China, Canadá e Estados Unidos:podem ter estatais porque lá os salários são iguais aos da iniciativa privada, e aqui no Brasil o maior custo é justamente com os marajás que se encastelam em seus redutos e se fazem de mortos para trabalharem pouco e a conta fica para os que trabalham.
    Se não estatizarmos tudo, nossa dívida continuará crescendo e cada vez mais pagaremos a farra desses funcionários, muitos fantamas, outros ladrões como o caso da Petrobras.
    O fato é que não dá mais para bancar a festa de corruptos e incompetentes que só pensam em salários altos, mordomias e não se interessam em reistir contra os ladrões de plantão como foi os casos dos governos de fhc, luiz inacio e dilma.
    O certo é privatizar logo e cobrar desses ladrões todobo dinheiro roubado, mas para isso precisamos de muitos cidadãos Como o brasileiro Sérgio Moro.
    Viva o Clube de Regatas Vasco da Gama!

  6. Nós, os mortais, até podemos aceitar empresas estatais. Mas os seus funcionários deveriam ganhar salários equivalentes aos nossos, não ter estabilidade, porque nós não temos, e se aposentarem pelo INSS como nós.
    Sem PRIVILÉGIOS.

  7. Leiam o artigo abaixo do estadão e vejam como se comportam os preços administrados pelo governos x preços livres

    Inflação das tarifas tira renda dos consumidores
    Preços administrados, com reajustes fixados pelo governo, como energia elétrica, gasolina, gás e passagens de ônibus, subiram 6,64% de janeiro a agosto
    Márcia De Chiara , O Estado de S. Paulo
    24 de setembro de 2018 | 03h00

  8. http://www.mises.org.br segunda-feira, 30 dez 2019 Leandro Roque
    Os 25 anos do real: os preços regulados pelo governo subiram muito mais que os preços de mercado
    Em média, um bem ou serviço regulado pelo governo que custava R$ 100 em julho de 1994 passou a custar R$ 950 em novembro de 2019. Encarecimento de 685%. Média de 9,42% a cada 12 meses.
    Já um bem ou serviço regulado pelo mercado que custava R$ 100 em julho de 1994 passou a custar R$ 540 em novembro de 2019. Encarecimento de 440%. Média de 6,98% a cada 12 meses.

  9. 70% dos comentários postados são um perfeito libelo de bobagens e falta de conhecimento do assunto. Quem disse que toda estatal dá prejuízo? Olhem os balancetes das mesmas. Estatais com excesso de pessoal? Não devem estar lendo jornal. Nenhum país sério privatiza as empresas que dão lucro e sustentabilidade ao sistema. Coleguinhas, não deixem apenas a ideologia falar por vocês. Informem-se primeiro.

  10. Pelo que estamos vendo da ânsia privatista / desnacionalizante deste governo, cabe perguntar: Bolsonaro é patriota ???

    ECONOMIA DE CEMITÉRIO. É como o saudoso Dr. Enéas Carneiro (um autêntico patriota brasileiro), citando o professor de Economia Adriano Benayon (outro autêntico patriota brasileiro), costumava chamar o projeto de privatização das riquezas nacionais em nome de uma suposta estabilização da economia.

    PRIVATIZAR TUDO é o que propõe ao atual governo, o ministro da Economia Paulo Guedes. Acreditem se quiser mas Paulo Guedes é a favor de que se privatize também a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, sem sequer fazer ressalva quanto a desnacionalização. Paulo Guedes colocou na Petrobrás um presidente, o senhor Roberto Castello Branco, que disse que na Petrobrás não há ativos inegociáveis. Estão promovendo lá o desmonte. As nossas refinarias já estão em vias de passar para os estrangeiros.

    Economicamente, Paulo Guedes acredita que uma privatização radical seria a receita para se acabar com a dívida pública interna. Sim, isso mesmo: sem auditoria da dívida, sem crítica dos juros e amortização da dívida, ignorando todos os esquemas fraudulentos envolvendo o sistema da dívida pública. Apenas privatizar, entregar tudo para o capital estrangeiro.

    E nem precisamos dizer que essa receita neoliberal está na contramão do ‘á-bê-cê’ de todo e qualquer nacionalismo (mais à direita ou mais à esquerda). Um nacionalismo verdadeiro se fundamenta na defesa da empresa nacional, no fortalecimento do Estado e numa política ampla e consistente de desenvolvimento nacional pautada na Indústria. Quem defende a venda massiva das empresas nacionais para os estrangeiros pode ser qualquer coisa: menos nacionalista, menos patriota, ainda que – como Bolsonaro – afirme ser. Quando falamos de nacionalismo é no sentido da defesa do que é nosso para o bem de nosso povo em primeiríssimo plano, sem permitir que sejamos explorados / dominados economicamente.

    Sugestão de leitura:
    1) A desnacionalização da economia brasileira. Entrevista especial com Adriano Benayon => http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/512156-a-desnacionalizacao-da-economia-brasileira-entrevista-especial-com-adriano-benayon – Vê-se lá um errinho de digitação – na pergunta: Pode-se dizer que a desnacionalização tem contribuído para acentuar o processo de desindustrialização? – Adriano Benayon – “Sem a menor dúvida. A desnacionalização levou à industrialização, … . “. O certo é: “… levou à desindustrialização, … . ”

    2) Livro: “Japão: o capital se faz em casa” – Autor: Dr. Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho – Livro este que pode ser adquirido pelo site Estante Virtual;

    3) Artigo do Almirante Roberto Gama e Silva: 3.1 – “Desnacionalizando o Brasil” => http://www.aepet.org.br/noticias/pagina/5919 ; 3.2 – http://www.varican.xpg.com.br/varican/Beconomico_2/Alesiprivat.pdf

    4) Artigo: “Os brasileiros precisam acordar e lutar contra a crescente desnacionalização da economia” => http://www.tribunadainternet.com.br/os-brasileiros-precisam-acordar-e-lutar-contra-a-crescente-desnacionalizacao-da-economia/

    5) Aepet demonstra como foi criminosa a venda dos gasodutos da Petrobrás => https://www.brasil247.com/economia/aepet-demonstra-como-foi-criminosa-a-venda-dos-gasodutos-da-petrobras

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