Cientista reagem contra as ofensas de Bolsonaro ao diretor do Inpe, sobre desmatamento

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Ricardo Galvão, cientista respeitado, foi ofendido por Bolsonaro

Gabriel Alves
Folha

Após ataques do presidente Jair Bolsonaro aos dados de monitoramento de desmatamento gerados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), cientistas reagiram em defesa do trabalho conduzido pelos pesquisadores da instituição.  Neste domingo (21) a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), a maior sociedade científica do país, lançou um documento em que critica as atitudes de Bolsonaro. A Folha teve acesso ao texto em primeira mão.

Na última sexta (19), o presidente da República disse a jornalistas que os dados publicados pelo Inpe não condizem com a realidade e que o diretor do instituto, o engenheiro Ricardo Galvão, seria “chamado para se explicar”. Bolsonaro também sugeriu que Galvão poderia estar “a serviço de alguma ONG”.

REFERÊNCIA – “A ciência produzida pelo Inpe está entre as melhores do mundo em suas áreas de atuação, graças a uma equipe de cientistas e técnicos de excelente qualificação, e presta inestimáveis serviços ao País. […] Ricardo Galvão é um cientista reconhecido internacionalmente, que há décadas contribui para a ciência, tecnologia e inovação do Brasil. Críticas sem fundamento a uma instituição científica, que atua há cerca de 60 anos e com amplo reconhecimento no País e no exterior, são ofensivas, inaceitáveis e lesivas ao conhecimento científico”, diz o documento, assinado pelo presidente da SBPC, o físico Ildeu de Castro Moreira.

Os dados são baseados em imagens de satélite e são obtidos  diariamente e disponibilizados em um boletim mensal no site do Inpe. As informações e são utilizadas não só por entidades governamentais, como o Ibama, mas acessíveis para qualquer um que pretenda estudar o desmatamento no país.

LEVANTAMENTOS – O sistema Deter funciona como um levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia, que serve de base para operação contra desmate ilegal, por exemplo. Já o Prodes faz a consolidação desses levantamentos e dá a taxa oficial de desmatamento do país em cada ano.

Desde 1988, quando se iniciou o monitoramento, já foram desmatados, segundo dados do Prodes, 436.258 km² de floresta amazônica, quase duas vezes a área do estado de Roraima, o que equivale a cerca de 10% do bioma no país.

“Em ciência, os dados podem ser questionados, porém sempre com argumentos científicos sólidos, e não por motivações de caráter ideológico, político ou de qualquer outra natureza. Desmerecer instituições científicas da qualificação do Inpe gera uma imagem negativa do país e da ciência que é aqui realizada. […] manifestamos nossa preocupação com as ações recentes que colocam em risco um patrimônio científico estratégico para o desenvolvimento do Brasil e para a soberania nacional”, encerra o documento da SBPC.

OUTRA DEFESA – Em outro documento, publicado no último dia 10, autoridades científicas do país, na última semana, saíram em defesa do Inpe:

“A excelência do seu trabalho é reconhecida por outros governos, em especial Estados Unidos e França. Esse trabalho é exemplo mundial de competência nesta área, sendo reconhecido como referência por organismos internacionais como a FAO, WMO [Organização Meteorológica Mundial] etc., e está sendo estendido para o monitoramento de todos os biomas brasileiros”, diz carta assinada por representantes da SBPC, da Academia Brasileira de Ciências, de fundações de fomento à pesquisa, entre outros.

EXCLUSIVIDADE – “É um sistema de monitoramento único, validado com inúmeros experimentos em campo ao longo das últimas décadas. Os sistemas de monitoramento diários de desmatamento e de detecção de queimadas (Prodes, Deter e Queimadas) refletem o estado da arte mundial neste tema. Utilizam sensores em satélites de última geração, calibrados radiometricamente”, diz o texto.

No Inpe, as críticas geraram alarme. Sem querer se identificar, funcionários defenderam a qualidade dos dados utilizados para monitorar o desmatamento no país e lembraram que outras instituições, não ligadas ao governo, também fazem mapeamento que aponta para aumento do problema.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Bolsonaro não sabe trocar ideias, parte logo para a agressão. Com empenho diário, falando uma asneira atrás da outra, Bolsonaro está cavando sua própria cova. Tinha quase tudo para dar certo, mas lhe faltam algumas qualidades básicas, como educação e competência.  (C.N.)

24 thoughts on “Cientista reagem contra as ofensas de Bolsonaro ao diretor do Inpe, sobre desmatamento

  1. No Brasil não tem gente passando fome!

    No Brasil não tem desmatamento!

    Daqueles governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão’

    No Brasil não tem diplomata competente!

    O Dilmo tá escandalizando o Brasil.

    O BRASIL NÃO TEM PRESIDENTE!

    • Vai chamar nada.

      Boçalnaro só é “machão” no momento que é para fazer media com a pequena militância bolsonarete, pois ele sabe que as bolsonaretes ficam toda molhadinhas.

  2. Em seis meses de mandato ele já causou mais lambança que Dilma em seis anos.
    Se estivéssemos na Inglaterra a bolsa de apostas na longevidade dele já estaria batendo recordes.

  3. Quem votou em Bolsonaro para Presidente, votou em alguém que não tem ideias para governar, nem competência, que só faz presepadas, ataca gente honesta, é nepotista (basta lembrar que quer nomear o filho sem preparo para Embaixador do Brasil nos EUA), nega veementemente que haja desmatamento na Amazônia e em outras florestas tropicais, nomeia ministros incompetentes como ele, e não acredita em dados que são baseados em imagens de satélite e são obtidos diariamente e disponibilizados em um boletim mensal no site do Inpe. Estas informações são utilizadas não só por entidades governamentais, como o Ibama, mas acessíveis para qualquer um que pretenda estudar o desmatamento no país, além de cortar verbas das universidades públicas e de Instituições de Pesquisa essenciais ao Brasil e ao mundo, como a Fiocruz , despreza o Itamaraty e os diplomatas brasileiros que têm formação sólida no Instituto Rio Branco, onde para fazer este curso o candidato tem de passar em um concurso dificílimo, talvez o concurso mais difícil do Brasil, e como o ídolo de Bolsonaro é Trump, também Bolsonaro não acredita que esteja havendo o aquecimento global – e não está nem aí para isso !

    E mesmo com todas estas evidências, ainda encontra nesta TI e não só na TI , pessoas que ainda o defendem e ainda nele confiam !

    Pobre Brasil ! – E cada dia mais pobre …

    • Pobre mesmo, foram confiar no pt e ficaram mais pobres ainda, e dai se o bozo é tudo isso, ele não chega aos pés da incompetência e roubalheira do pt, vamos a um fato simplista, enquanto a anta da dilma dizia que a economia ia a mil maravilhas antes das eleições o pais derretia, depois de ganho ela falou que os números não foram capazes de demonstrar a real situação, depois não querem e a chamem de anta ordinária ladra.
      Aqui não edinei.

    • Quando discordo dele, paro e penso… Ok, o Lula continua preso! Contra asneiras, já nos vacinamos. Nunca acreditei que Bolsonaro colocaria ordem no caos, mas ele está lá só para colocar peso no outro lado da balança. Não imagino o Brasil com Haddad! Talvez o próximo presidente consiga o equilíbrio!

  4. E assim afunda o esforço de internacionalização da pesquisa brasileira

    Nota do CNPq informa que a seleção de bolsistas relativa a chamada n. 22/2018 (Bolsas Especiais no País e Exterior) estão suspensas até 30 de setembro de 2019 por indisponibilidade orçamentária.

    http://bit.ly/2GnIP7B

    • e isso começou no mandato da anta da dilma quando o slogan era pátria educadora, e ela fez um corte monumental que deixou muitos estudantes sem dinheiro e no exterior.
      Aqui não, alex. tem de se esforçar mais pelo pixuleco, tá muito fraca a argumentação.

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