Cinegrafistra morto no Rio usava colete inadequado e não tinha seguro de vida proporcional ao risco que corria.

Carlos Newton

A morte do cinegrafista Gelson Domingos, sepultado hoje, traz à tona alguma considerações. O funcionário da Band estava usando colete à prova de balas, mas do tipo 3, que só resiste ao impacto de armas leves, como revólveres e pistolas. O tiro que o atingiu foi de fuzil, era necessário que estivesse vestindo um colete de maior segurança. Os coletes da estatal TV Brasil, que hoje nada em dinheiro, são ainda mais fáceis de perfurar, segundo relato de um colega que trabalha na emissora.

Ao trabalhar na cobertura do enfrentamento entre a polícia carioca e os traficantes, Gelson Domingos também não usava o capacete de aço, que dá uma certa proteção. Dependendo do ângulo do tiro, a bala pode desviar, ao invés de perfurar a chapa.

O que os profissionais do jornalismo mais lamentam, porém, é o desamparo das famílias das vítimas. As equipes que fazem esse tipo de cobertura precisam estar cobertas com um seguro de vida que realmente seja proporcional ao risco que correm ao trabalhar. Mas quem se interessa por isso? Tim Lopes morreu, nada mudou. Agora, morreu Gelson Domingos, nada mudará.

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