Ciro Gomes nasceu em Pindamonhangaba, cresceu em São Paulo ou no Ceará? De qualquer maneira, está no jogo eleitoral e político. Ou toda movimentação é inútil?

Mariano Augusto, Aurélio Mirada, Jorge Saboya, Nelson Sales, Elza Magalhães, Antonio Santos Aquino, Honório Albuquerque, Raimundo Costa, Alda Neves, Josimar Meirelles, Mercedes Maria, Jorge Antunes, Plínio Roberto, Feliciano Haddad, Carlos Maruz, Silvia Cardoso, esses eu consegui relacionar (são muito mais, desculpem) me contestam em relação a Ciro Gomes.

Comentário de Helio Fernandes
Nada contra, podem dizer o que quiserem, menos que sou desinformado ou desinteressado. É lógico que conheço a história do nascimento, da transferência e da volta de Ciro, “de São Paulo para São Paulo, com permanência no Ceará”.

Acontece que sem uma palavra diferente, todos dizem “o senhor se enganou, Ciro Gomes nasceu em São Paulo, em Pindamonhagaba e não no Ceará”. Agora continuo recebendo laudas e mais laudas sobre o assunto, então expliquemos de uma vez por todas, agradando em grupo, o que é ótimo.

Isso é tão público e notório, que lamento e deploro que tanta coisa importante seja esquecida, para colocar na pauta um fato incontestável. Desde que absurdamente foi criado o domicilio eleitoral, durante a ditadura de 1964, (não confundir com a ditadura de Vargas a partir de 1930), passou a existir o nascimento propriamente dito, no estado da moradia, e o outro, o de adoção, por interesses eleitorais.

Lula nasceu em Garanhuns, Pernambuco, mas derrotas e vitórias vieram de São Paulo. Sarney, alguém duvida que nasceu no Maranhão, e que dos 5 mandatos de senador (Nossa Senhora), dois foram comprados no Amapá?

Centenas de pessoas, antes da imposição do domicílio, escolheram um estado para reinar. Os Tenentes revolucionários de 1922, 1924, 1926, 1929, chegando ao Poder em 1930, como conservadores, negando tudo que pregavam, não mudaram apenas de convicção mas também de residência, de domicílio, de estado.

Reeditando as famosas Capitanias Hereditárias, escolheram um estado (às vezes o mesmo de nascimento) para fazer política. O mais conhecido, pela carreira subserviente, sempre ligada ao Poder, foi Juracy Magalhães, que enquanto era poderoso eu só chamava de Juracy Montenegro, seu primeiro sobrenome. Nasceu no Ceará fez carreira na Bahia. E chegou até Washington onde tornou pública a frase que o condenou para sempre: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Que República.

E com isso, vejam os cargos que ganhou. 1- Interventor. 2- Presidente da Vale. 3- Presidente da Petrobras. 4- Governador. 5- Ministro. 6- Como coronel, Adido Militar nos EUA. 7- General. 8- Novamente governador. 9- Como general, representante na Interamericana Militar. 10- Embaixador nos EUA. 11- Ministro da Justiça. 12- Candidato a presidente da República, preterido e vetado pelo seu próprio partido, a UDN, que preferiu um candidato de fora, Jânio Quadros.

Apesar de tantos leitores atentos e ilustres, Ciro Gomes nem se lembrava de Pindamonhangaba. Não precisava. Em dobradinha com Tasso Jereissati, dominaram inteiramente o Ceará. Prefeito de Fortaleza, governador do estado (os dois), obtiveram até projeção nacional.

Junto com eles, mais um apaniguado, Sergio Machado, também senador, enquanto os outros se revezavam no alto. O terceiro a ser governador seria ele, não foi, rompeu, hoje é donatário de uma poderosa capitania na Petrobras. Protegido pelo importante e invencível Renan Calheiros.

Jereissati e Ciro continuaram juntos. Em 2002, Tasso se elegeu senador (o óbvio, no Brasil, governador é quase sempre senador e vice versa, mesmo Jereissati tendo falido o Banco do Estado em 2001, até hoje responde a processo, “engavetado” no Supremo) e Ciro foi candidato a presidente.

Chegou a liderar as pesquisas, caiu tanto que não foi nem para o segundo turno. Com uma eleição no meio, na qual se elegeu deputado com enorme votação, Ciro novamente tenta a presidência. Mas com duas jogadas estranhas. 1- Essa de voltar eleitoralmente a São Paulo. 2- A de se ligar a Lula, que não vai apoiá-lo de jeito nenhum. Lula vai examinar a possibilidade de repetir, “diga ao povo que fico”. Mas se não ficar, jamais apoiará alguém como Ciro ou como Serra. Por enquanto é isso.

De qualquer maneira, agradeço a todos, pela oportunidade do esclarecimento, e da lembrança de tantos que mudaram de domicílio. Num país de migrantes e imigrantes, não deveria existir a exigência da localização para qualquer candidatura.

***

PS- Fica forte e atuante, apenas a imigração financeira. Capitais poderosos globalizados, que se mudam, t-e-m-p-o-r-a-r-i-a-m-e-n-t-e para o Brasil, trazendo o chamado “capital motel”. Que jogam na Bolsa, ganham (na certa) sem pagar qualquer imposto sobre esses lucros. E depois compram títulos do governo, ganhando fortunas. E já pressionam o Banco Central (?) para aumentar os juros, logo no início de 2010.

PS2- À última hora, recebo adendo de Antonio Santos Aquino, ligando Ciro aos acontecimentos que ocorrem do outro lado do mundo. E pergunta de forma textual: “Qual será o papel de Ciro Gomes na sucessão? Seria o Homem Bomba ou o Homem Supositório?”. Por enquanto fica sem resposta do repórter. Mas o assunto está aberto para todos.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *