Ciro, uma sombra para Dilma no rumo da sucesso

Pedro do Coutto

O ntido convite do presidente Lula para que o Deputado Ciro Gomes participasse da visita s obras do PAC, tanto em Sobral quanto em Fortaleza, na quinta-feira, reportagem de Silvia Amorim na edio do dia seguinte de O Estado de So Paulo, projetou uma sombra no caminho da ministra Dilma Roussef rumo sucesso de 2010. No foi casual, embora Ciro seja irmo do governador do Cear, Cid Gomes.

Em poltica nada acontece por acaso. A impresso que o episdio deixou, sobretudo com base nas pesquisas recentes do Datafolha e do Sensus que o presidente da Repblica identifica no ex governador uma espcie de plano alternativo para as eleies. Tanto no primeiro quanto no segundo turno. Assim no fosse, no teria incorporado o parlamentar comitiva. A hiptese de Ciro vir a ser vice de Dilma no se ajusta a um cenrio possvel, pois, neste Casio, o PT estaria afastando a presena do PMDB na aliana que proporciona a base poltica ampla na qual o governo se sustenta e atua no parlamento e fora dele. Lula, segundo Silvia Amorim, foi enigmtico.

De um lado destacou as qualidades de Ciro, de outro, afirmou que caber chefe da Casa Civil escolher o vice de sua chapa. Lus Incio da Silva, com o Pr Sal e a Petro Sal conseguiu afastar do primeiro plano o confronto entre a ministra e a ex-chefe da Secretaria da Receita Federal, Lina Vieira. Mas no conseguiu deslocar o foco das atenes negativas de sobre o senador Jos Sarney, como as manifestaes pblicas no Dia da Independncia assinalaram. O PMDB, entretanto, indispensvel, sobretudo pelo tempo que acrescenta ao Planalto no horrio da Justia Eleitoral na televiso. Isso de um lado.

De outro, deixou no ar uma resistncia aparente a Jos Serra, podendo sua atitude ser interpretada como dual, no velho estilo Varguista: Ciro poder se tornar uma espcie de plano B para 2010.

O que acentua que Lula, apesar de sua altssima popularidade pessoal, na escala de 76%, ainda no confia na capacidade de Roussef tornar-se herdeira de seu prestgio. Ele, claro, vai tentar a transferncia de votos, o que pouqussimos conseguiram de 1945 at hoje. Se por qualquer motivo no funcionar positivamente, na reta de chegada ele poder utilizar-se de uma alternativa contra os tucanos aos quais derrotou em 2002 e 2006, respectivamente por 62 a 38 e 61 a 39%.

A campanha dir o que o presidente vai resolver. De qualquer forma, o episdio do Cear no pode ser visto como um fato isolado de um contexto complexo e cuja traduo vai depender dos degraus a serem galgados na campanha que, sem dvida, est comeando. Vamos ver o que vai acontecer.

Um outro assunto. Na mesma edio de O Estado de So Paulo, matria assinada por Eugnia Lopes focaliza diversos aspectos do projeto de reforma eleitoral em tramitao no Congresso. O Senado fez diversas emendas e a proposio retorna Cmara dos Deputados. Alm do impulso voltado para censurar a Internet, depara-se agora com outro absurdo. Est prevalecendo um dispositivo que obriga os institutos de pesquisa a usarem dados bsicos do IBGE para realizar levantamentos eleitorais.No faz o menor sentido.Os dados do IBGE so importantes como forma de dividir as classes sociais.

Mas nada tm a ver com inteno de voto, ainda que tais intenes variem de um extrato para outro. Pois o fato de as pesquisas estarem corretas ou incorretas no depende de informaes bsicas que dividem as populaes por nvel de renda. Nenhuma pesquisa pode dispensar o aspecto relativo diviso por renda e escolaridade. Sem dvida. Porm tornar compulsria a utilizao das bases do IBGE que no tem o menor sentido.

Em matria de pesquisa devem ser ouvidas, para elaborao da lei, pessoas que as conheam bem na prtica. No s na teoria. At porque, como dizia o senador Benedito Valadares, a teoria na prtica outra coisa.

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