Citação em delação premiada de Léo Pinheiro levanta suspeitas sobre Dias Toffoli

Pinheiro(OAS) erá íntimo de ministros dos tribunais superiores

Robson Bonin, Thiago Bronzatto e Rodrigo Rangel
Veja

Era um encontro de trabalho como muitos que acontecem em Brasília. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e o empreiteiro José Aldemário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, então presidente da construtora OAS, já se conheciam, mas não eram amigos nem tinham intimidade. No meio da conversa, o ministro falou sobre um tema que lhe causava dor de cabeça. Sua casa, localizada num bairro nobre de Brasília, apresentava infiltrações e problemas na estrutura de alvenaria. De temperamento afável e voluntarioso, o empreiteiro não hesitou.

Dias depois, mandou uma equipe de engenheiros da OAS até a residência de Toffoli para fazer uma vistoria. Os técnicos constataram as avarias, relataram a Léo Pinheiro que havia falhas na impermeabilização da cobertura e sugeriram a solução. É um serviço complicado e, em geral, de custo salgado.

O empreiteiro indicou uma empresa especializada para executar o trabalho. Terminada a obra, os engenheiros da OAS fizeram uma nova vistoria para se certificarem de que tudo estava de acordo. Estava. O ministro não teria mais problemas com as infiltrações — mas só com as infiltrações.

DELAÇÃO PREMIADA – A história descrita está relatada em um dos capítulos da proposta de delação do empreiteiro Léo Pinheiro, apresentada recentemente à Procuradoria-Geral da República e à qual Veja teve acesso. Condenado a dezesseis anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo do petrolão, Léo Pinheiro decidiu confessar seus crimes para não passar o resto dos seus dias na cadeia.

Para ganhar uma redução de pena, o executivo está disposto a sacrificar a fidelidade de longa data a alguns figurões da República com os quais conviveu de perto na última década. As histórias que se dispõe a contar, segundo os investigadores, só são comparáveis às do empreiteiro Marcelo Odebrecht em poder destrutivo.

No anexo a que Veja teve acesso, pela primeira vez uma delação no âmbito da Lava-Jato chega a um ministro do Supremo Tribunal Federal.

SEM DETALHES – No documento, Veja constatou que Léo Pinheiro, como é próprio nas propostas de delação, não fornece detalhes sobre o encontro entre ele e Dias Toffoli. Onde? Quando? Como? Por quê? Essas são perguntas a que o candidato a delator responde apenas numa segunda etapa, caso a colaboração seja aceita. Nessa primeira fase, ele apresenta apenas um cardápio de eventos que podem ajudar os investigadores a solucionar crimes, rastrear dinheiro, localizar contas secretas ou identificar personagens novos. É nesse contexto que se insere o capítulo que trata da obra na casa do ministro do STF.

Tal como está, a narrativa de Léo Pinheiro deixa uma dúvida central: existe algum problema em um ministro do STF pedir um favor despretensioso a um empreiteiro da OAS? Há um impedimento moral, pois esse tipo de pedido abre brecha para situações altamente indesejadas, mas qual é o crime?

ALGO NO AR – Léo Pinheiro conta que a empresa de impermeabilização que indicou para o serviço é de Brasília e diz mais: que a correção da tal impermeabilização foi integralmente custeada pelo ministro Toffoli. Então, onde está o crime?

A questão é que ninguém se propõe a fazer uma delação para contar frivolidades. Portanto, se Léo Pinheiro, depois de meses e meses de negociação, propôs um anexo em que menciona uma obra na casa do ministro Toffoli, isso é um sinal de que algo subterrâneo está para vir à luz no momento em que a delação for homologada e os detalhes começarem a aparecer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAs relações entre o ministro e o empreiteiro existem desde 2012, pelo menos, quando Pinheiro é lembrado por um assessor a respeito de um presente de aniversário para Toffoli. Em agosto de 2013, Léo Pinheiro menciona uma reunião com Toffoli em Brasília sobre o “assunto dos aviões”. Na mesma data, Pinheiro indaga a um executivo da OAS sobre uma mensagem a respeito de Toffoli: “Vou precisar do material para AGU”. Antes de se tornar ministro do Supremo, Toffoli foi advogado do PT e chefiou a AGU, a Advocacia-Geral da União, onde deixou valiosos contatos. Em 13 de novembro de 2014, sem saber que seria preso pela PF horas depois, Pinheiro trocou mensagens com um amigo, o ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Estou indo para a África na segunda. Você vai ao aniversário do ministro Toffoli no domingo?” Benedito respondeu que ainda não sabia se compareceria à festa. O ministro do STJ então marcou encontros com Pinheiro no Rio de Janeiro e São Paulo, mas a prisão impediu o presidente da OAS de comparecer. Segundo a revista Veja, existia uma relação escabrosamente promíscua do empreiteiro com Benedito Gonçalves. Quanto à proximidade de Toffoli com o então presidente da OAS, agora levanta-se também suspeita sobre o voto do ministro do Supremo, em abril do ano passado, que foi  decisivo no julgamento do habeas corpus do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, benefício estendido a Léo Pinheiro. (C.N.)

13 thoughts on “Citação em delação premiada de Léo Pinheiro levanta suspeitas sobre Dias Toffoli

  1. Uma peça chinfrim de um porco jornalismo de instigação.
    Fica claro que a empresa não pagou a obra.
    O único objetivo é o de tentar denigrir quem vai participar do julgamento das contas da CHAPA Dilma / Temer.
    Qual o crime atribuído? Ao visto a Veja se associou ao Datafolha, mero ” jornalismo” de instigação. As do Machado e do Pedro Corrêa, bem mais completas sumiram , precisam ir buscar um GPS na Base Aérea…..kkkkkkkkaaass.

  2. Quando eu falo na falta de discernimento , educação escolar , alienação de grande parte da população brasileira , sempre alguém retruca como se eu estivesse menosprezando os mais humildes.

    Tóffoli só chegou ao STF porque Dilma foi eleita Presidente da República e fora uma massa insignificante de intelectuais que ainda a apoiam, Dilma só foi eleita por causa dos votos das populações mais humildes , tanto nos grotões do Brasil , quanto nas grandes cidades.

    Tive a oportunidade de estudar detalhadamente o mapa, publicado nos jornais, sobre a eleição em que Dilma se contrapôs a Aécio (que também não presta , mas não é tão deletério quanto Dilma) e, no Rio de Janeiro, os votos para Aécio foram dados pelas populações do asfalto da Zona Sul do Rio de Janeiro, onde Aécio ganhou disparadamente. Também em bairros de classe média, como Tijuca e Grajaú, Aécio ganhou. Mas a população dos bairros periféricos de Zona Norte o Oeste do Rio, onde se concentram as populações de baixa renda e instrução votaram em Dilma e em massa.

    Com todo o meu amor aos nordestinos, já declarado em poema de louvor ao Recife , no Recife quem votou em Dilma foram os moradores de Água Fria , Arruda , Beberibe , Muribeca , Afogados ,Ibura, Cohab (quase 20 mil novos habitantes), Barro, Sancho, Curado, Várzea, Caxangá, Sítio dos Pintos, Guabiraba, Caçote, e Macaxeira, Maanguape 1 , Maranguape 2 , Maranguape 3 , entre outros de população de baixa renda e escolaridade; quem votou em Aécio foram os moradores de Boa Viagem, Casa Forte , Espinheiro , Graças , Madalena , Jaqueira (o bairro mais valorizado do Recife) , Aflitos, e outros mais de população de média e alta renda e mais escolarizada.

    O mesmo se repetiu nas capitais do Nordeste. Mas nas cidades pequenas, nos grotões , onde o analfabetismo e o semi-analfabetismo grassam, Dilma venceu com folga.

    Outro exemplo: Na eleição carioca onde Fernando Gabeira se candidatou , com o apoio do PPS contra Eduardo Pais , o governador Sergio Cabral deu uma tacada diabólica de mestre : decretou feriado municipal na sexta-feira antes da eleição. Cabral era o padrinho de Paes. Pois bem, na zona sul , na Tijuca e nos bairros mais nobres , eleitores de Gabeira, confiantes na vitória , aproveitaram o feriado e viajaram para a praia. Foi aí que Eduardo Paes, para desgraça nossa , venceu por poucos votos a eleição. Se não houvesse o feriado arbitrariamente decretado , Gabeira teria sido eleito com folga, porque os cariocas que votaram em Eduardo Paes foram os mesmos que votaram em Dilma.

    Portanto, a assunção de Dias Tóffoli ao Supremo Tribunal Federal foi decidida pelo voto das populações mais ignorantes , mais atrasadas, menos alfabetizadas e mais pobres.

    Nas eleições municipais que se avizinham, precisamos escrever artigos e mais artigos para explicar porque a população brasileira , em hipótese alguma , deve votar para vereador e prefeito candidatos do PT , do PCdoB , do PMDB e do PP , nossos algozes e que nos levaram, como país , à bancarrota.

    Eu sei que nas pequenas cidades , os candidatos não são escolhidos pelos partidos a que são filiados , e sim por uma simpatia pessoal dos eleitores para com eles. Mas ainda assim, precisamos tentar avisar , bem como avisar para não votar nas legendas de aluguel.

    Como já disse, o PPS coloca-se como alternativa, já que vai lançar vários candidatos a prefeito e 600 candidatos a vereador nas próximas eleições municipais. Que os eleitores mal informado e que votaram em eleições pretéritas nos partidos algozes de nossa Nação, é preciso dizer que a escolha mais acertada , mais programática e de gente confiável e honesta é o PPS.

    • Interessante observar que foi essa classe média supostamente esclarecida que votou em peso no Collor. Foi realmente um show de esclarecimento, principalmente pela globo.

      E já que estamos nisso, em pesquisa realizada em 2008 sobre a venda de votos, foi justamente dessa maravilhosa e iluminada classe do centro sul do país que veio o maior número de pessoas admitiram a possibilidade de venda de seu voto, ficando o pobre e ignorante Nordeste em último lugar.

  3. ” Léo Pinheiro conta que a empresa de impermeabilização que indicou para o serviço é de Brasília e diz mais: que a correção da tal impermeabilização foi integralmente custeada pelo ministro Toffoli. Então, onde está o crime?

    A questão é que ninguém se propõe a fazer uma delação para contar frivolidades. Portanto, se Léo Pinheiro, depois de meses e meses de negociação, propôs um anexo em que menciona uma obra na casa do ministro Toffoli, isso é um sinal de que algo subterrâneo está para vir à luz no momento em que a delação for homologada e os detalhes começarem a aparecer.”

    Jornalista ou pai de santo ??? E a do Pedro Corrêa que está bem mais adiantada ???

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