Classe política não entende a raiva que está nas ruas

Cristovam Buarque

Nas últimas semanas, as autoridades brasileiras debocharam além dos limites. Cada dia a população tem nova surpresa. O presidente da Câmara oferece aos deputados o direito de custearem viagens de suas esposas com recursos públicos e apresenta o projeto para um novo edifício ao custo de R$ 1 bilhão; um juiz é fotografado dirigindo o carro de luxo de um réu; uma escola de samba ganha o título graças a financiamento de um ditador estrangeiro; a presidente da República coloca a culpa da degradação da Petrobras no antecessor que deixou o governo há 12 anos; outro ex-presidente ameaça colocar um exército na rua; o ministro da Justiça recebe advogados de réus do maior caso de corrupção da história; o ministro da Fazenda adota medidas totalmente opostas às promessas de campanha da candidata; o governo adota o slogan “Pátria educadora” mas corta parte importante do orçamento para a educação; as tarifas de eletricidade reduzidas no período eleitoral são substancialmente elevadas logo depois da eleição, o mesmo acontecendo com os preços dos combustíveis.

Como se esses deboches ativos não bastassem, a classe política se comporta com um generalizado deboche passivo: não reconhece a dimensão da crise, não debate suas causas nem aponta caminhos para reorientar o rumo do Brasil.

POLÍTICA DOENTIA

A sensação é de que a política está doente: não ouve, não vê, nem raciocina. Não ouve as vozes do futuro chamando o Brasil para um tempo radicalmente diferente, em que a economia deverá ser baseada no conhecimento, produzindo bens de alta tecnologia; em que a principal infraestrutura deverá ser educação, ciência e tecnologia.

Não ouve as vozes do exterior que mostram que não há futuro isolado e que precisamos agir para ingressar no mundo da competitividade internacional, na convivência econômica e cultural com o mundo global. E, pior, não ouve o clamor das ruas que indicam a necessidade de romper com os vícios do presente e reorientar o rumo para um futuro com economia dinâmica e integrada, e uma sociedade harmônica e sustentável.

A política tampouco vê as dívidas que os políticos têm com o país: com os pobres sem chance, com as crianças sem futuro e os jovens sem emprego; com a natureza depredada; a dívida decorrente da corrupção generalizada. Ao não reconhecer suas dívidas, a classe política não vê a raiva que está nas ruas.

ESQUIZOFRENIA

Tudo isso leva a um comportamento esquizofrênico, pelo qual, de tanto vender ilusões, o governo e seus partidos passam a acreditar nelas. E os demais políticos se acostumam a elas.

Talvez esta seja a explicação para o deboche: não vemos, não ouvimos, nem pensamos. Até que o fim da paciência do povo nos desperte. Mas o custo poderá ser muito alto para a democracia, para a eficiência econômica, para a harmonia social e a sustentabilidade ecológica. Salvo se o despertar vier antes, com a descoberta de que o deboche é muito perigoso, como percebeu o presidente da Câmara, forçado a voltar atrás em sua decisão inicial.

15 thoughts on “Classe política não entende a raiva que está nas ruas

  1. Senador, se todos os brasileiros deste País fizessem igual ao que faço sempre nas eleições, VOTAR NULO, o senhor há tempos que não estaria sentado na cadeira do Congresso sem fazer nada……..
    Retire-se da cadeira e dê uma passadinha em São Paulo para o senhor ver a carnificina que vocês nos meteram…

    • kkk,,, Não vota em ninguém mas só fala em SP. No curso de MAvs feito em São José criaram a figura do militonto envergonhado, aquele que diz não ser petista, mas só ataca a oposição. Quem te ensinou, a tia Leila ?

  2. Isso é velho, cristovam. O imperador já fazia isso para atrair os escritores, os artistas , os fazedores de opinião para junto dele, assim ele tinha a certeza de estar protegido das boas cabeças. No livro 1888 isso fica claro. Essa cultura de comprar ideias para tacr uns e proteger outros é que o Brasil tem acabar. O hoje o maior pagador pelas ideias é a folha, a mídia mais traíra do Brasil , vê se pode : Abafar o escândalo das multinacionais do cartel das obras do geverno paulista e arrasar com a Petrobras, destruir sua governança, levar a Petrobras a ter grandes prejuízos, destruir sua imagem de empresa competente, arrancar do governo federal um braço para o desenvolvimento nacional.
    fhc da cia, aecim do aeroporto e a folha midia suja serão desmascarados, se já não foram. Porque o que estão fazendo , na verdade, é depreciando a inteligência do povo brasileiro. O Brasil mudou, são 13 anos que o povo come mais carne cozida, e já foi provado cientificamente que carne cozida aumenta o cérebro, assim o ser humano fortalece a cognição.

    • Novamente, com o dinheiro que arrecaram no Petrolão (150 milhões de dolares) e da Belo Monte (50 milhões), por que vocês não editam um jornal; “A estela Cadente”. Para defender este governo corrupto. Dificilmente o cérebro de um petista irá aumentar comendo carne, pois só tem um neurônio.

    • O MAV, hoje, tá mordendo. Não diz coisa com coisa mas deve ser a cachaça do Lulla que tá atacando os miolos ou é raiva canina mesmo. Como diz o meu filho, tem que dar choque pra ver se liga o tico com o teco. Porque ladrar assim ou é bandido como os outros ou tá gastando dinheiro publico sem trabalhar. Patrulhar na internet, não é trabalho.

    • Este cara é um sádico. O Governo petista, com tribunais aparelhados, existe por mais de doze anos e ninguém fez um “tchum” para criminalizar as ações do governo de S. Paulo – no caso do metrô, como ele afirma. Parece que subrepticiamente quer responsabilizar os comentaristas deste blog pela ineficiência do PT e partidos aderentes. Tem mais: esta fixação com o “aecim” cheira a um destempero sentimentalista, com fragâncias elegantemente afrescalhadas.

  3. Senhores,
    Tudo isso até ser levantado, investigado, denunciado, analisado, julgado, embargado,…, supremado, por ser muita gente e interesses de alta monta, vai terminar no próximo século. Isso se não surgirem outros casos semelhantes na Eletrobras, BNDES, DNIT, e por ai vai!
    Por isso que a classe politica esta passiva. O País perdeu o rumo e os valores que tinha, se é que os tinha!
    Vale a máxima do Dr. Ulysses, de que o próximo congresso será pior do que este!
    E assim caminha a brasilidade!

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