Cláudia Cruz, a mulher de Cunha, não é bandida. É jornalista, esposa e mãe.

A lei isenta Claudia Cruz de cumprir pena por auxiliar o marido

Jorge Béja

Os filhos acreditam nos pais. As esposas em seus maridos. Essa é a normalidade que acontece no que a legislação denomina de Conjunto Familiar. A desconfiança é que é a exceção. Leio esta passagem na decisão que levou o juiz Sérgio Moro a aceitar a denúncia que o Ministério Público Federal apresentou contra a jornalista Cláudia Cruz:

“A ocultação desses valores em conta secreta no exterior, por ela também não declarada, a aparente inconsistência dos gastos efetuados a partir da conta com os rendimentos lícitos, aliada ao afirmado desinteresse em indagar a origem dos recursos, autorizam, pelo menos nessa fase preliminar(…), o reconhecimento de possível agir com dolo eventual ou com cegueira deliberada” (O Globo, 10.6.2016, página 3).

DÚVIDA E SENTIMENTO – Se constata que não existe uma acusação segura que possa, desde já, atribuir à jornalista as imputações de práticas criminosas em favorecimento de seu marido. Quanto à “inconsistência dos gastos a partir da conta com os rendimentos lícitos”, diz o Dr. Moro que se trata de inconsistência “aparente”. E o que aparenta ser, pode não ser. E se a conta decorre de “rendimentos lícitos”, não se vê motivo plausível para considerar Cláudia Cruz autora ou coautora de crime.

No que diz respeito “ao afirmado desinteresse (dela, Cláudia) em indagar (dele, seu marido) a origem dos recursos”, ou seja, que a esposa não teve interesse de perguntar ao esposo de onde procedia o dinheiro que dele recebia, isso é o que de comum acontece entre mulher e marido e marido e mulher.

DOLO EVENTUAL – É pesado e bastante duro atribuir à esposa que assim procede com o marido a prática de “dolo eventual” ou “cegueira deliberada”. E tudo isso está dito antes mesmo da difícil e quiçá impossível tarefa de penetrar no íntimo, no âmago, no sentimento de uma esposa em relação ao esposo e pai de sua filha. E antes mesmo de se dar à esposa-denunciada o mais amplo direito de defesa, o que somente ocorrerá a partir de agora, após instaurada a ação penal com o recebimento da denúncia.

CLÁUDIA CRUZ – Ninguém neste Brasil, que a força-tarefa da Operação Lava Jato está conseguindo emergir do esgoto profundo da corrupção generalizada, põe em dúvida a divina e sacra atuação deste grande brasileiro que é o juiz Sérgio Moro. Todos devemos agradecer a Deus por existirem entre nós o dr. Moro, o dr.  Deltan Dallagnol e muitos outros agentes e autoridades que integram essa notabilíssima força-tarefa da Lava Jato. Que Deus os conserve e os proteja.

Mas a jornalista Cláudia Cruz não é uma bandida. Ela tem uma história de vida. Ela e seu marido. Na década de 90 tive a oportunidade de estar perto dela, por uns 6 ou 7 minutos. Convidado, participei do RJTV 1ª edição ao vivo. Foi num dia de sábado. Entrei no estúdio e me sentei ao lado de Cláudia Cruz, que apresentava o jornal e por ela fui entrevistado. Que moça encantadora! E a vejo agora, mais de 20 anos depois, abatida mas sem perder aquela beleza que lhe é natural. É muito triste.

CLÁUDIA E EDUARDO – Cláudia Cruz se casou com Eduardo Cunha. E Eduardo Cunha também tem história de vida que também não o desabona. Leio que começou a trabalhar quando tinha 14 anos de idade. É economista. Foi presidente da Companhia Estadual de Habitação do RJ, presidente da Telecomunicações do Rj (Telerj), auditor da empresa Arthur Anderson, economista da Xerox do Brasil, eleito deputado federal  e eleito presidente da Câmara dos Deputados, foi Eduardo Cunha quem, no legítimo exercício do mandato, e independemente da subjetividade de motivo ou razão, recebeu a denúncia de Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal e deflagrou o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, cujo afastamento do cargo já se deu como queria expressiva maioria do povo brasileiro.

É consequência natural de tantos anos de trabalho que Eduardo Cunha e sua esposa acumulem expressiva reserva financeira. E é perfeitamente compreensível que Cláudia nunca tenha indagado do marido de onde vinha o dinheiro que dele recebia.

Isso poderia até ser motivo de desentendimento, por externar desconfiança. E da acusação do Ministério Público, aceita pelo juiz Dr. Moro, de que parte do dinheiro não procede de fonte limpa, mas da corrupção, cumpre ao Ministério Público fazer a prova, dando-se a Cunha o mais amplo direito de defesa e à Justiça proclamar o veredicto final.

MORTE MORAL E EXCLUSÃO DE CRIME – Mas imputar à sua esposa Cláudia Cruz ter ela agido “com cegueira deliberada” ou “por dolo eventual”, no afã de favorecer para que seu marido estivesse fora do alcance das autoridades judiciárias e judiciais é imputação muitíssimo danosa à honra da acusada, caso mais tarde a ação penal, que desde ontem Cláudia Cruz passou a ser ré, não venha ser, definitiva e irrecorridamente, julgada procedente. Será um dano irreparabilíssimo.

É a pena da morte moral de qualquer pessoa de bem. Aliás, por falar em favorecimento que a jornalista teria, “com cegueira deliberada ou dolo eventual”, prestado ao marido, a ação é mesmo tipificada como crime no artigo 348 do Código Penal com a seguinte redação:

“Artigo 348 – Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade pública autor de crime a que é cominada pena de reclusão:
Pena – detenção, de um a seis meses, e multa.
1º – Se ao crime não é cominada pena de reclusão:
Pena – detenção, de quinze a três meses, e multa”.

Mas atentem para o que diz o parágrafo 2º: “Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena”.

66 thoughts on “Cláudia Cruz, a mulher de Cunha, não é bandida. É jornalista, esposa e mãe.

  1. Dr. Béja, parabéns pelo belo texto. No entanto, com o devido respeito, discordo de que ela não seja, também, culpada, pois, sendo jornalista teria condições de discernir muito bem que o marido, como político, não teria condições de arcar com os “gastos supérfluos” que ela teve.
    Tenho interpretação diversa do texto do parágrafo 2º: “Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena”. Não houve, no meu sentir, auxílio, mas sim benefício. Ela se beneficiou das armações do seu marido, acredito eu, conscientemente. Não é possível uma jornalista, que deveria ser bem informada dizer em seu depoimento que não sabe quanto ganha um deputado no BRasil. Conta outra. Minhas desculpas por discordar, Dr. Béja.

      • Tudo estaria correto se ela não tivesse tido participação ativa, como ela teve e então ela é tão culpada quanto o marido. Não vamos ser ingênuos. Claro,que como no Brasil o conceito de quadrilha foi desclassificado pelo STF então provavelmente a madame vai passar o resto da vida gastando o dinheiro roubado. Me admiro do Dr Béja vir a público defender uma ladra. No tribunal, tudo bem, faz parte da profissão.

        • Sr. Paulo, dinheiro roubado e público diga-se de passagem.
          Aliás, a dona claúdia esposa do Exmo.Sr. Presidente da Camâra gosta de gastar muito dinheiro público com bolsas, bolsinhas e porta-níqueis. (dólares e euros).
          Fora nove aqueles restaurantes de luxo na bela e iluminada Paris, a Cidade dos Políticos Brasileiros……

          • Bom dia, Armando!
            Dentre os comentários que li, o seu é o mais consciente e verídico!
            Em suma, a matéria postada pelo Sr. Bejá reflete de fato a podridão da “sociedade” do roll de juristas do nosso Brasil tão democraticamente em favor da corrupção.
            A constituição foi rasgada e jogada esgoto abaixo pelos nossos legisladores, e o que vemos hoje, são as falácias de alguns exaltando o Direito Democrático para Si!
            Esqueceram do Direito Democrático do Povo como um todo, quando se fala direitos constitucionais.
            Qual a vida honrosa que Eduardo Cunha teve na sua passagem pelos cargos públicos que Ocupou? Em todos, foi acusado de corrupção, desvio de verbas, falcatruas com o dinheiro público.
            Talvez Sr. Bejá, tenha o Sr. esquecido que, dinheiro público e para o Povo, e não, Para um do Povo.

  2. Parabéns do Jorge Béja, concordo plenamente com seu raciocínio. A jornalista, mulher do Cunha, poderia até saber da origem do dinheiro, mas não tinha a obrigação de sabe-lo, haja vista que nenhuma mulher pergunta ao marido de onde veio o dinheiro que ele lhe deu. Será que as mulheres de todos esses políticos investigados ou denunciados as mulheres deles perguntam de onde veio o dinheiro que elas recebem para seus gastos?

  3. O Dr.Béja mais uma vez tem razão quanto ao artigo em tela, ao inocentar a mulher de Cunha nos crimes por este cometido.

    Sou da opinião que as esposas, as companheiras, devem ser sacralizadas, sem qualquer exagero.

    As mulheres são colocadas diante de desafios que jamais sonhariam; diante de dificuldades que jamais imaginariam; diante de humilhações que jamais admitiriam; diante de percalços que jamais poderiam suportar!

    Em nome de se preservar a família, aceitam o comportamento do marido não significando que concordam com suas atitudes, mas a união familiar, a manutenção dos filhos junto com o pai e a mãe, valem os sacrifícios que faz em detrimento do seu próprio conceito pessoal perante às demais pessoas, e pouco se importa de descer aos infernos para preservar a unidade ameaçada!

    A mulher precisa mais ser analisada como vítima do que cúmplice das tramoias articuladas por seus companheiros corruptos, desonestos, que jamais se importaram com as consequências de seus golpes e, desta forma, arruinando a família, o casamento, a construção que a esposa tanto se dedicou!

    Que o ex-presidente da Câmara seja condenado, mas que a sua esposa seja isenta de qualquer punição, haja vista que a sua maior obra foi posta abaixo, a família, que será dissolvida, seus filhos terão de ouvir palavras ásperas sobre o pai, e também padecerão pela conduta deletéria do genitor.

    Haverá maior sofrimento à mulher que este, do pai de seus filhos preso, acusado de roubo, e depois do poder que teve em suas mãos?!

    Igualmente ela, que foi da Rede Globo, que seu rosto foi conhecido pelo Brasil inteiro e que deverá andar pelas ruas disfarçada porque escolheu um parlamentar que mais tarde iria se desencaminhar pela tentação do dinheiro fácil, pelo enriquecimento rápido porém ilícito!?

    Eu não condenaria a esposa de Cunha, que terá sobre os seus ombros o compromisso de continuar unindo a família, de ter os filhos consigo e consolá-los pela prisão do pai, de colocá-los no colo e dar-lhes carinho e amor por ela e ausência do nefasto político!

    Não me surpreende o sensível artigo do Dr.Béja, pois somente alguém com a sua compreensão do ser humano poderia escrever do jeito que registrou a sua posição com relação à esposa do parlamentar mais discutido nos últimos tempos no Brasil.

    Meus respeitos ao eminente advogado.

    Vida longa e saudável ao extraordinário articulista da Tribuna da Internet!

  4. A Globo é quem está se deliciando com essa história da Claudia Cruz. A bela, na época, colocou a emissora na justiça trabalhista exigindo muita grana, até onde eu sei. Agora é a vez deles descontarem nela!! Só por isso a Globo está dando destaque!

  5. “CLÁUDIA E EDUARDO – Cláudia Cruz se casou com Eduardo Cunha. E Eduardo Cunha também tem história de vida que também não o desabona. Leio que começou a trabalhar quando tinha 14 anos de idade. É economista. Foi presidente da Companhia Estadual de Habitação do RJ, presidente da Telecomunicações do Rj (Telerj), auditor da empresa Arthur Anderson, economista da Xerox do Brasil, eleito deputado federal e eleito presidente da Câmara dos Deputados, foi Eduardo Cunha quem, no legítimo exercício do mandato, e independemente da subjetividade de motivo ou razão, recebeu a denúncia de Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal e deflagrou o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, cujo afastamento do cargo já se deu como queria expressiva maioria do povo brasileiro.”

    -Os dois são honestos!
    -LADRÕES SÃO OS HOMENS BRASILEIROS, cujas mulheres não têm dinheiro para se emperiquitar, fazer uma escova no salão, fazer uma limpeza de pele, pagar um clareamento dentário, comprar uma dentadura ou, simplesmente, ficar menos feia porque O DINHEIRO DOS IMPOSTOS SUMIU e não apareceu nenhum CULPADO ou SUSPEITO em todo o território nacional que possa ser apontado como culpado!

    Abraços.

    • Franciso Vieira, morando em Brasília como você mora, sua revolta é compreensível. Vem do forno, na fornalha da corrupção. Imagino o que você sente quando encontra com essa gente nas ruas e estradas de Brasília. Grato por ter lido e comentado.

      • -Desculpe-me, Doutor Béja, se perdi a polidez!

        -Talvez tenha sido porque no início do mês passado vi uma senhora com insuficiência renal aguda, caso que exige internação imediata para que se evite a morte por falência/insuficiência renal, ser dispensada das recepções do Hospital de Base do Distrito Federal, do Hospital Universitário de Brasília e, em seguida, do Hospital Regional da Asa Norte porque nenhum deles tinha médico plantonista!
        -Onde já se viu um hospital sem médico plantonista??? Nem no Iraque ou na Síria é assim!!!
        -Quantas pessoas não morreram entre o mês passado e este nesses hospitais por falta de atendimento?
        -Décadas atrás o HBB e o HRAN eram referências nacional e os melhores hospitais da região centro-oeste! Nunca antes na história do Distrito Federal a situação ficou tão desumana.
        -O Brasil vive uma situação de GUERRA, uma situação de caos humanitário, de crime contra a humanidade nunca antes presenciada neste fim do mundo!
        -A causa?
        -Ora, os LADRÕES DE BOA APARÊNCIA…

        Abraços.

          • Eva,
            Surpreendente que a mulher seja a maior inimiga da mulher!
            A esposa de Cunha se beneficiou do dinheiro roubado pelo Cunha?
            Claro que sim, eu não disse o contrário. Agora o que ressaltei é que recairá sobre ela as consequências das ilicitudes do marido e a pompa e circunstância que viveram ruirá como um castelo de cartas!
            Cláudio estará sendo punida de acordo com a sua vaidade, que despencará de uma altura enorme, porém irreal, para a rés do chão, e sentirá o peso da humilhação pelo comportamento nefasto do marido!
            Observa que eu não disse que ela era inocente, mas que NÃO deveria ser punida pelas razões que mencionei ou, lá pelas tantas, tu achas que esta mulher não vai padecer pelo que perdeu por estar ao lado de Cunha, seu esposo?
            E por que deve ser condenada na mesma proporção de Cunha, se não foi ela a corrupta?! Se quem ganhou dinheiro dos roubos da Petrobrás foi o seu marido?!
            Um abraço, Eva.
            Saúde e Paz!

    • Mas que belo tratamento dado à jovem e bela esposa do deputado? Ante o escândalo das contas na Suiça e ante as denúncias contra seu marido se esta senhora fosse no mínimo parente de alguem ligado ao PT, não duvido que toda a mídia, inclusive esta tribuna já estariam com a fogueira acessa para purificá-la. Lembro que a cunhada de um sujeito ligado ao partido dos trabalhadores fora presa somente por aparecer nas imagens em um terminal bancário acusada de corrupçao. Parabens por esta “imparcialidade”, parabens…

      • Manepa,
        Misturaste alhos com bugalhos.
        Não leste com a devida atenção o meu comentário e tampouco o artigo do Dr.Béja.
        Independente de a Cláudia ter se aproveitado para viver momentos de extrema vaidade com o dinheiro que o seu marido ganhou dos roubos da Petrobrás, NÃO foi ela a corrupta, e tampouco quem teve um comportamento nefasto contra o povo e Brasil.
        Mais a mais, qual é a esposa que não ajudaria o marido em quaisquer circunstâncias, a ponto que SÃO impunes porque não há como isentá-las dessa “obrigação” espiritual e moral, digamos assim.
        A mulher é cúmplice do marido, sempre foi e será, e não se tem como acusá-la porque age desta forma, ao contrário, a confiança que um deposita no outro é a base de qualquer relação, que não pode ser maculada ou, então, por que não pedimos a condenação dos bandidos “comuns”, dos traficantes, estelionatários, assassinos?!
        E queremos que a Cláudio por ser esposa de um parlamentar tenha de ir para a cadeia?!
        Por favor, mas é muita contradição!
        Saúde e Paz!

  6. Caro Bendl, muito bem colocado seu comentário, digo mais, o próprio Cunha, que todos nós sabemos que não é nenhum santo e deve ser condenado, sofre grande pressão, mais por ter sido um dos que teve papel fundamental no impeachment da Dilma do que seus próprios crimes. Há políticos piores que o Cunha, que não estão sendo tão incomodados como o Cunha. Somente um exemplo: Ninguém fez tanto mal ao Brasil como o Lula e a Dilma, e estão aí dando entrevistas e fazendo comícios (só para os petistas e aliados) e denigrindo a imagem do Brasil.
    Que justiça é essa?

  7. Era esperado, de antemão, que este artigo provocasse a polêmica que já começa a provocar. Nós, brasileiros, estamos todos estressados de tanta roubalheira do dinheiro público. Porém, é infinitamente mais justo inocentar um culpado e deixá-lo fora da cadeia, a condenar um inocente e aprisioná-lo no cárcere. E a justiça brasileira registra erros notáveis e irreparáveis.

  8. O terreno é escorregadio, coberto de musgos e fungos… Se tivesse que fazer algum comentário sobre o casal da hora, sobre a atuação da esposa, preferiria aguardar mais algum tempo. Antes a cautela do que escorregar e dar com os costados no chão! Os fatos são tão traiçoeiros que o emocional pode nos tirar os tapetes…

  9. Não creio que hoje em dia a mulher ou o marido desconheçam a origem do dinheiro do conjugue.
    Dr. Béja, pai e mãe são igualmente responsáveis pela educação dos filhos e pela união da família. Nenhum dos dois se preocupou com isso. E que valores a jornalista passava aos filhos quando se dedicava a gastar fortunas de forma tão ostensiva? Estivesse ela preocupada com os filhos e se não concordasse com o comportamento criminoso do marido, deveria ter se separado dele para preservar o bem precioso a ser transmitido para os filhos que são a moralidade e a honestidade.

  10. Dr. Beja.
    Li o artigo com a atenção e carinho de sempre, porém ainda tenho muitas dúvidas, boa parte delas provenientes da pouca transparência que o Judiciário está tratando o caso.
    Não sei se as declarações ao IR são separadas ou conjuntas , como também não sei quais contas no exterior estão em nome de quem.
    Já o termo cegueira voluntária , original da psicanálise, foi muito mal adaptado ao direito, pois em psicanálise ele é um dos fatores que leva a negação da realidade.
    Quanto ao fato do Cunha já ter ganho muito dinheiro isso não o pré isenta de nada, basta ver o Maluf, cuja esposa Dona Sylvia mal sabe usar uma conta corrente comum.
    Tempos nebulosos.

    • ‘A Teoria da Cegueira Deliberada é uma doutrina criada pela Suprema Corte dos Estados Unidos e também é conhecida no meio jurídico com muitos nomes, tais como “Willful Blindness Doctrine” (Doutrina da cegueira intencional), “Ostrich Instructions” (instruções de avestruz), “Conscious Avoidance Doctrine” (doutrina do ato de ignorância consciente), “Teoria das Instruções da Avestruz”, entre outros.

      Essa doutrina foi criada para as situações em que um agente finge não enxergar a ilicitude da procedência de bens, direitos e valores com o intuito de auferir vantagens. Dessa forma, o agente comporta-se como uma avestruz, que enterra sua cabeça na terra para não tomar conhecimento da natureza ou extensão do seu ilícito praticado.’

      http://mundovelhomundonovo.blogspot.com.br/2016/03/cegueira-deliberada.html

  11. Se fosse uma cortadora de cana, analfabeta do interior de Sergipe, talvez questionasse o marido a origem do dinheiro para reforma da casa de pau a pique, mas uma jornalista? Me engana que eu nao gosto.

    • Carlos,
      A tua análise está errada, com o devido respeito.
      Na razão direta que a mulher simples não questionaria o marido pela origem do dinheiro e, aquela dotada de estudos, devesse perguntar de onde viriam os recursos, a LEI foi pródiga em isentar as esposas dos comportamentos deletérios de seus esposos!
      Não vem ao caso se justa ou injusta a determinação mas, a meu ver, corresponde à união que um casal deve ter, a confiança que um deposita no outro, a tal CUMPLICIDADE cantada em prosa e verso!
      Eu a inocento e não puniria em face da Lei e do aspecto MORAL, que prende um casal, além dos sentimentos naturais que atrelam o homem e a mulher.
      Feliz daquele que pode confiar na mulher e vice-versa!
      Saúde e Paz!

  12. Prezado Dr. Beja : Com certeza não entendi o seu texto. A minha admiração por tudo que o senhor escreve não me deixa raciocinar para um pleno entendimento. Não estamos falando de um casal de brasileiros humildes de uma pequena cidade do interior e sim de um casal onde o marido é um dos mais importantes políticos do país e sua mulher uma jornalista, extremamente articulada e atualizada com mundo. Foi figura de proa do jornalismo da nossa maior rede de televisão. Concordar com o senhor Francisco Bendl, “em nome de preservar a família, aceita o comportamento do marido blá blá blá ” é uma agressão muito grande à minha inteligência. Mil perdões Dr. Beja mas, como disse no início, voltarei a ler seu texto. Por ora fico no time dos comentaristas Juca e Francisco Vieira.

    • Marcos Lopes Figueira,
      Que não concordes com as minhas alegações e blá blá blá, nada contra, mas agredir a tua inteligência, trata-se do contrário!
      Tu é que não entendeste o que escrevi, tampouco o artigo do Dr.Béja, então nos ofende com manifestações pueris e demonstrações explícitas de preconceito social!
      Quer dizer, ao ignorante o perdão, aos que estudaram ou galgaram posições mais altas na sociedade, a condenação, é isto?!
      Quanta hipocrisia e cinismo!
      A LEI, Marcos, já isenta a mulher de culpa pelos atos do marido.
      Eu apenas dei mais ênfase porque recairá sobre a Cláudia a repercussão do comportamento desonesto de Cunha, e ela terá de resolver a pressão que a sua família sofrerá por culpa do pai e do marido.
      Se ela se aproveitou deste dinheiro e teve momentos de consumo e vaidade exageradas, a punição que hoje padece, a vergonha de não poder sair de casa, sabe-se lá o que os filhos não passam na escola, a mulher já está sendo devidamente punida, e ainda queres que vá para a cadeia?!
      Sou contra.
      Agora, essa história do pobre coitadinho e do rico criminoso, muda esta tua maneira de pensar, pois injusta, preconceituosa, e denota uma inveja que fará mal à tua saúde.
      Saúde e Paz!

  13. Prezado Béja,

    Não se preocupe com divergências. Acho até interessante as polêmicas para este espaço. Ainda lembro das provocadas pelo leitor Paulo Solon. Quebra a monotonia…
    Sei que o senhor é um grande humanista, conforme atesta os diversos artigos postados aqui por quem o conhece de luta, mas cada pessoa vê a cor da vida através de um prisma diferente, por isso as divergências devem ser respeitadas e entendidas como a vivência de cada um e o ângulo individual que cada um tem de ver a vida.

    Mas veja estes fatos acontecidos nos Estados Unidos (sempre ela, a ÁGUIA, tão condenada pelas GALINHAS por desejar voar alto e por lutar a todo o custo para manter essa elevada posição): Parece que lá as autoridades não têm tanta benevolência com o erro de casal “de classe” e aparência como têm nestas paragens.

    -Marido e mulher erraram juntos?
    -Cadeia, juntos! E não trate de admitir a culpa não, para ver se não agrava a pena, conforme fizeram os velhos ladrões da FIFA, que viajaram para lá para serem presos…

    “POLÍCIA DOS EUA PRENDE BISPOS DA RENASCER EM MIAMI
    09 de janeiro de 2007

    O casal de bispos Estevam Hernandes Filho e Sônia Haddad Moraes Hernandes, fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, foi preso pela polícia federal dos Estados Unidos (FBI) na madrugada desta terça-feira (9) em Miami. Os dois haviam embarcado na noite de segunda-feira em São Paulo com destino à cidade americana.

    Os bispos foram presos por levarem US$ 56 mil em dinheiro vivo para os Estados Unidos. Eles declararam às autoridades alfandegárias que traziam US$ 10 mil, que é o limite imposto pela lei americana. No Brasil, o Ministério Público pediu o bloqueio dos bens da Igreja Renascer e do casal por entender que a comunidade se comportava como uma organização criminosa que praticava lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e estelionato.
    A justiça brasileira chegou a decretar a prisão, mas Estevam e Sônia Hernandes conseguiram um HABEAS CORPUS que garantiu, inclusive, o direito de embarcarem para os EUA.”

    01 DE AGOSTO DE 2009
    “Estevam Hernandes e a sua mulher Sonia, fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, desembarcaram neste sábado no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, vindo de Miami, Estados Unidos, onde permaneceram por 2 ANOS E 6 MESES PRESOS E EM LIBERDADE CONDICIONAL. Eles só poderiam voltar ao Brasil a partir do próximo dia 16 de agosto, mas conseguiram a antecipação da justiça americana porque um dos filhos do casal encontra-se hospitalizado em estado grave em São Paulo.”

    Abraços.

  14. Não podemos mais comparar as mulheres que criavam filhos, dirigiam a família, com boa parte das atuais. Nada de machismo! Apenas constatação pura e simples. aquelas que moravam, ficavam e administravam casa, marido e filhos, por vezes outras pessoas da família, certamente poderiam argumentar com o desconhecimento de fatos e atos praticados pelos seus maridos. Minha mãe foi assim, já minhas irmãs, nem tanto. E seus filhos/filhas, menos ainda. Isto mudou de geração a geração e hoje, basta analisar as camadas sociais, é muito diferente.
    Não há como comparar-se as mulheres/mães de ontem e as de hoje. São mundos diferentes, valores diferentes.
    Se Cláudia Cruz fosse uma “jeca”, uma mulher deslocada do mundo, sem estudo, sem conhecimento,, vá lá. Mas alguém com formação superiora, jornalista, viajada e tudo mais, me perdoe mestre Dr. Béja, não tenho como aceitar a alegação proposta.
    Para usar o dinheiro ela sabe! Misturar o dela e o dele com o nosso, ela sabe!
    Precisaria ser uma alienada completa, uma idiota de carteirinha, diplomada em alguma seita que toma, regularmente, o “santo-daime”. O conhecimento sobre as pessoas e as coisas no mundo em que ela viveu, vive e continuará vivendo, não se harmoniza com tais fatos.
    Mas para comprar coisas boas e caras, ela é perita, sabe tudo:onde encontrar, quanto custo, como pagar. Só não sabe de onde veio o dinheiro. Que tinha dinheiro, sabia. Abrir contas, depositar, sacar e tudo mais, também sabia como fazer. Só não sabe que o dinheiro se misturava. Acompanhar saldos? Para que? Afinal, a conta era dos dois.
    Ouso dizer que, nos dias atuais, mulheres do nível dela, são mais espertas que muito barbado. Reforço: se fosse deficiente mental, certamente não poderiam ser imputados a ela tais fatos. Mas nas condições dela, com a forma dela, com a idade e conhecimento de vida que possui, seria muita ingenuidade.
    Espero ser compreendido. Não estou e nem desejo desmerecer, em nada mesmo, seus sentimentos e a pureza dos seus argumentos. Digo o mesmo do amigo e irmão Bendl.
    Senhores, defendo mesmos direitos e deveres para as mulheres. Até alguns privilégios, sob determinados temas. Mas acho que, diante da sociedade e das mudanças de comportamentos e expansão nos níveis do conhecimento, longe vãos os dias em que a mulher atual possa ser tratada como conhecemos em nossas infâncias.
    Da mesma forma, os homens também mudaram. O fio de bigode existe muito pouco. Alguns, nem raspando todo o pelo do corpo, substituiriam o conteúdo de um fio de bigode.
    A família usufruiu dos ganhos legais e ilegais. Só os inimputáveis, na minha visão, escapariam da co-responsabilidade.
    Espero ser compreendido e acatarei, respeitosa e democraticamente, discordâncias, questionamentos e até a possibilidade de rever conceitos.
    Um fraterno abraço ao mestre Béja e a todos os amigos Tribunários.

    • Fallavena, meu caro amigo,

      Serei breve:
      Por que ao ignorante, ao pobre, o perdão se flagrado em crime, como neste caso, da Cláudia Cruz, que assim citas:

      “Se Cláudia Cruz fosse uma “jeca”, uma mulher deslocada do mundo, sem estudo, sem conhecimento,, vá lá.”

      Mas queres a punição para a mulher que estudou, que teve determinação em buscar conhecimento e o seu espaço junto à sociedade?!

      Discordo veementemente, até porque desconhecer a lei, a “Jeca”, não seria isenta de receber a pena correspondente.

      No entanto, a LEI estipula que as esposas devem ser isentas de culpa pelos atos de seus esposos, simples, e que bom que é assim!

      Mais a mais, neste teu raciocínio, qualquer companheira deveria ser presa quando seus homens fossem condenados! O traficante, o ladrão, o estelionatário, o assassino …
      E NÃO ME VENHA DIZER QUE É DIFERENTE PORQUE NÃO É, pois qual a esposa que não saberia que o seu marido traficou ou já matou ou roubou alguém?!

      Por que esta é ignorante e Cláudia tem curso superior?!

      Então a moral e a ética estão na razão direta do conhecimento e não da Educação, do aprendizado, de princípios e valores?!

      Mudemos as leis, Fallavena:

      Para o que têm curso superior, se matarem, prisão perpétua e, para aqueles que têm somente o Fundamental, uma advertência, pobrezinhos!

      A esposa de um deputado, porém simples, sem estudos, semianalfabeta – e tem aos montes! – , na eventualidade de o seu marido for condenado por corrupção, a nossa solidariedade, porém, se a mulher tiver estudos, bonita, trabalhou na Globo ou em qualquer outra grande empresa, CADEIA para ela?!

      Tô fora, Fallavena, pois a INJUSTIÇA eu não compactuo de forma alguma.

      Um forte abraço, meu amigo e irmão.
      Muita saúde e muita paz!

  15. Não importa o que alguém ache ou deixe de achar. Parece uma pegadinha, do tipo ‘De que lado você está’, como escreveu Contardo Calligaris, na Folha.

    O que importa aqui é o que diz a lei: E ponto.

    “Artigo 348 – Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade pública autor de crime a que é cominada pena de reclusão:
    Pena – detenção, de um a seis meses, e multa.
    1º – Se ao crime não é cominada pena de reclusão:
    Pena – detenção, de quinze a três meses, e multa”.

    Mas atentem para o que diz o parágrafo 2º: “Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena”.

    Ou seja, DE CULPA.

      • Marine,
        Os filhos de Lula, não, se provadas que suas condutas foram ilícitas.
        Dona Mariza, sim, por força de Lei, que concordo plenamente mesmo que ela não tivesse esta proteção por ser esposa de Lula.
        Por favor, dá uma lida, se quiseres, nas argumentações de comentários em resposta que postei acima, e verás as razões pelas quais defendo a Cláudia de punição, não que a considero inocente, mas por que deve ser mantida livre de qualquer condenação.
        Saúde e Paz!

    • Pinheiro,
      Tipo da ironia mal colocada, inoportuna, inadequada para o momento, respeitosamente.
      Ninguém quer o que mencionas, portanto, um comentário que poderia somar aos demais, e não ter se tornado em algo inútil.
      Saúde e Paz!

    • Leitor Fernando Navarro Pinheiro. Estou torcendo e pedindo a Deus que o Papa Francisco, que é leitor deste nosso blog, não leia este seu comentários. Francisco vai ficar muito magoado com você. E não faça mais conjectura irônicas com o que é sagrado, que transcende a nossa inteligência, com o que é metafísico e inalcançável. Ah! se você soubesse as consequências!

  16. Dr. Béja, Dr. Béja…
    O que que há?

    Vamos direto aos finalmente. O dispositivo do Código Penal citado em seu texto (Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade pública autor de crime a que é cominada pena de reclusão:
    Pena – detenção, de um a seis meses, e multa.
    1º – Se ao crime não é cominada pena de reclusão:
    Pena – detenção, de quinze a três meses, e multa”.)
    Com ênfase para o 2º: “Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena”, nada tem a ver com a honradíssima jornalista.

    Me perdoe, Dr. Béja.

    Esse artigo isenta de pena o parente que vier a auxiliar determinado criminoso a subtrair-se à ação de autoridade pública. Só isso.

    Essa “cumplicidade final”, digamos assim, a lei absorve como natural. É um equivalente a “ninguém é obrigado a produzir provas contra si próprio”. É humano, é compreensível, que um pai, uma mãe, ou um filho, esposa ou marido, irmão, facilite a fuga, esconda o parente. Mas não está isenta de pena a esposa que rouba com o marido, ou do crime de roubo, furto, ou qualquer outro, conscientemente, se aproveita. É cúmplice. E no mais alto grau.

    A lei protege da punição (embora não diga que não é crime) o caso típico da mãe que recebe a polícia na porta e diz que seu filho, procurado pela D. Justa, não está. Foi isso que a Claudinha fez?

    Não, Dr. Béja. Não!!!
    Ela é cúmplice do marido.

    Há defesas que prescindem acusação. Nessas condições, uma senhora lúcida, excelente profissional, atenta para o mundo, que diz não saber de onde vem o dinheiro do marido? Quem acredita, doutor?

    Mas, com certeza absoluta, para além de qualquer suposição, o grande juiz e jurista Sérgio Moro tem muito mais na manga do que veio a público. O Brasil inteiro já notou que ele não dá ponto sem nó.

    Com certeza absoluta, a quantidade de provas da cúmplice deve ser caudalosa. Ela não está sendo acusada simplesmente por ser esposa desse bandido, bandido que o senhor vestiu como bom moço, pelo que entendi.

    Até para agendar reuniões na CEHAB, quando foi presidente, ele pedia uma ajuda de custo, “para o cafezinho, para o biscoito”. Um cidadão, Dr. Béja – o senhor que é profundamente católico há de bem avaliar -, que monta uma empresa cuja razão social é Jesus Ltda., ou coisa parecida! Um escárnio, até para quem não é religioso.

    Dr. Béja, não entendi, me desculpe, mas estou na trincheira – pelo visto imensa – daqueles que não entenderam o seu texto.
    Isso, de modo algum, me impede transmitir-lhe um fraterno e respeitoso abraço.

    • Era esperado, de antemão, que este artigo provocasse a polêmica que se lê nos comentários. Nós, brasileiros, estamos todos estressados de tanta roubalheira do dinheiro público. Porém, é infinitamente mais acertado inocentar um culpado e deixá-lo fora da cadeia, a condenar um inocente e aprisioná-lo no cárcere. E a justiça brasileira registra erros notáveis.

  17. Creio que Eduardo Cunha e Cláudia Cruz deveriam deixar o lado consumista. Depois, dariam uma festa de arromba no Copacabana Palace, com a presença de todos os colunistas sociais do país e também de blogueiros amigos. Por fim, iriam morar num convento, onde seriam felizes para sempre.

    • Januário,
      Queres punição maior que esta?!
      Do Copacabana Palace para recepções no presídio, para onde o Cunha se encaminha?
      E a vergonha da esposa?
      Dos filhos?
      A humilhação, já não basta?
      Cunha deve ir preso, sim, e Cláudia morar em um convento, até que a ideia não é ruim, mas livre, e não presa como o marido, merecidamente!
      Saúde e Paz!

  18. Dr. Béja, assim como o Sr. Newton, o senhor é um Gentleman…
    Mas……..
    Devido as circunstâncias notórias dos fatos,, fico com o que disse o Sr. Vieira lá em cima nos comentários…

    Os dois são honestos!

    -LADRÕES SÃO OS HOMENS BRASILEIROS, cujas mulheres não têm dinheiro para se emperiquitar, fazer uma escova no salão, fazer uma limpeza de pele, pagar um clareamento dentário, comprar uma dentadura ou, simplesmente, ficar menos feia porque O DINHEIRO DOS IMPOSTOS SUMIU e não apareceu nenhum CULPADO ou SUSPEITO em todo o território nacional que possa ser apontado como culpado!

  19. Senhores,
    Nunca ouvi falar que o gênero e a maternidade , fossem atenuantes para crimes. Vivendo e aprendendo.
    A senhora Cláudia Cruz foi tornada ré por um juiz federal, por crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.Além de ter sido beneficiária direta de parte da propina – míseros US$ 1,5 milhão – recebida pelo marido numa lambança africana , os investigadores afirmam que ela também recebeu no exterior dinheiro de outras contas em offshores controlados por Cunha e era a ÚNICA CONTROLADORA da conta na Suíça, utilizada para pagar as despesas no cartão de crédito que em sete anos, ultrapassaram US$ 500 mil.
    Ou seja , Sérgio Moro entende que ela cometeu
    o crime de lavagem de capitais por ter ocultado numa conta na qual era a única TITULAR dinheiro sujo e por ter convertido a propina em bens de luxo, sendo que só de janeiro de 2014 a fevereiro de 2015, a ingênua senhora gastou mais de US$ 45 mil em SAPATOS em lojas de grife, como Chanel, Christian Dior, Charvet, Prada, Louis Vuitton, Hermès e Balenciaga, em Paris, Lisboa, Roma e Dubai.Caramba! Deputado honesto nenhum aguenta bancar uma esposa tão cara como a Dona Cláudia!
    Eu acredito que Cláudia Cruz será julgada e condenada ou absolvida , como manda a Lei, no devido processo legal , com direito à defesa.
    Tomara que até lá, esta senhora tenha tempo de dar aos filhos alguma formação filosófica e moral, e umas dicas: o crime não mais compensa e não se deve – JAMAIS ! – confiar cegamente em marido.
    Finalmente, se eu inventar de “sacralizar” minha companheira de 33 anos , que sempre trabalhou e foi dona das contas , dos cartões e do nariz dela – graçasadeus! – no dia seguinte seria um homem divorciado.
    O resto?
    Opinião. A qual todos temos direito.
    Um bom final de semana para todos

  20. Reitero e chamo a atenção dos leitores que a isenção de pena estabelecida pelo dispositivo penal citado não é para parentes cúmplices dos crimes sob acusação. Esta isenção aplica-se unicamente para aqueles que praticam outro crime: o de esconder o criminoso das mãos da justiça.

    Embora seja crime, a lei, benignamente, os ISENTOU DE pena.

    Se, por exemplo, praticarem outro crime, deixarão de ser primários.

    Nada a ver com o parente cúmplice do próprio crime.

    Leiam o artigo do Código Penal novamente e cheguem às suas conclusões.

    • Para os que desejam, desde logo, a prévia condenação da esposa, sem que antes o marido seja condenado, e sem a prova concreta de que a esposa foi mesmo “cúmplice”, então que seja ela enquadrada o artigo 349 do Código Penal:

      “Artigo 349 – Prestar a criminoso, fora dos casos de co-autoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime.
      Pena – detenção, de um a seis meses, e multa”.

      Seria, então, favorecimento real. Mesmo assim, após o cumprimento das etapas processuais que possibilitem a quem é denunciado, a apresentação de defesa contra uma decisão receptiva da denúncia vazada na imprecisão, na dúvida, no condicional, na precariedade.
      É da promotoria pública o dever de fazer a prova. O processo penal não foi constituído para o acusado se defender, e sim para a acusação provar a prática delituosa. A defesa é uma consequência, pois sem ela — ou com ela mal e precariamente feita — o processo é invalidado, tão importante e indispensável que é a defesa.

      • Prezado Dr. Béja
        Boa tarde!
        Mudando de assunto e por curiosidade vou ousar incomodá-lo.
        Se , “é da promotoria pública o dever de fazer a prova” e se ” as denúncias foram vazadas na imprecisão, na dúvida, no condicional, na precariedade”, e se “o processo penal não foi constituído para o acusado se defender, e sim para a acusação provar a prática delituosa”, então pergunto:
        Na sua opinião a Teoria do Domínio do Fato seria questionável ?
        E,no caso do ex-ministro José Dirceu, os únicos indícios que foram apontados contra ele, no Mensalão, ou seja , o fato da ex-esposa – sempre as esposas! – ter tido o seu apartamento comprado por um dos réus – o advogado Tolentino – e ter sido beneficiada por um emprego e um empréstimo nos dois bancos envolvidos na lambança , não seriam suficientes para declará-lo culpado ?
        Abraço

        • Toda teoria não passa de especulação. Teoria é hipótese. O chamado “big-bang” é uma teoria. Nossa formação, que é a de um advogado, é oposta à formação de um promotor de justiça, que acusa e o advogado defende. Ambos são indispensáveis. É compreensivo que nós, brasileiros — diante de tamanha e estrondosa roubalheira dos dinheiros públicos que a Operação Lava Jato desvendou — passamos a ter o preconceito de que todos são culpados, que todos são ladrões. E desse rol nem escapam esposa, filhos e parentes, proximos ou distantes, dos agentes públicos envolvidos ou ainda não envolvidos nesse tamanho escândalo.
          Não vamos generalizar. A jornalista só agora é que vai ter a oportunidade de se defender. Ela não se encontra em situação que possa ser comparada à mulher do marqueteiro João Santana. Ambos agiam juntos. Estão presos, preventivamente. Fala-se da má reputação de Paulo Maluf que, segundo consta, nem pode deixar o Brasil porque será preso no exterior. Mas a respeito de sua esposa dona Silvia nenhuma acusado, que se saiba, pesa contra ela. É preciso esperar o desenvolvimento, válido e regular da ação penal instaurada contra a jornalista…esperar que ela constitua advogado para fazer sua defesa….esperar o julgamento de todas as instâncias. Estamos vendo tudo de longe. Não somos o(s) juiz(es) do caso.

  21. O pecado da Claudia Cruz foi usar o Cartão de Credito….
    As outras mulheres, de políticos envolvidos em corrupção, usam pagar suas compras com dinheiro vivo… Elas andam com um “bolo”de dinheiro, qdo
    vão as compras……

  22. Segundo consta, a jornalista emprestou seu nome para abrir “empresas” para E. Cunha.
    A defesa pode até alegar que agiu por coação. O papel aceita tudo.

    Confio em Moro. Tenho certeza de que ele não a colocaria no banco dos réus por meras suposições. O que veio a público é a ponta do iceberg. Há muito mais.

    Uma coisa é certa. O chefe é ele. Ela sem ele não teria praticado esse crime. Mas, partindo do Moro, posso dormir tranquilo, sabendo que não estou compartilhando a acusação contra a jornalista por leviandade.

    O que me intriga, ainda, com as devidas vênias, é o mau uso do art. 348, § 2º, do CP.

    Segundo Damásio de Jesus, in Código Penal Anotado, 8ª ed. rev e atual. – São Paulo: Saraiva, 1998, p. 964, “configuram o delito fornecimento de veículo e dinheiro para a fuga do homicida (RJTJSP, 48:297); facilitação de fuga de criminoso (RT, 430:322); simulação de indícios para atrapalhar a busca de criminoso (RT, 530:414); escondimento de criminoso (JTACrimSP, 14:362): esconder a vítima para aguardar o desaparecimento dos vestígios da agressão (RTJ 88:93, e RT, 514:461 e 522:453).

    Ou seja: é pela via do § 2º desse artigo, que os nominados parentes do criminoso estão isentos de pena QUANDO PRATICAM ESSE CRIME, o crime de favorecimento pessoal.

    Ora, a acusação que pesa sobre a jornalista Cláudia Cruz não é a da prática desses crimes. Moro não cometeria desatino desse tamanho. Jamais.
    Ela é, sim, coautora de alguns dos crimes praticados pelo marido. Não há isenção de pena nesses casos. Felizmente.

    • Essa edição do Damásio de Jesus do “Código Penal Anotado” (8ª edição) é tão antiga, tão antiga, que nos sebos custa 2 a 3 reais. De lá pra cá existem doutrina e jurisprudências novas, fazendo alcançar a guarda involuntária ou sem malícia do objeto que mais tarde se veio saber produto de crime.
      O que me surpreende é a coragem, o destemor de se fazer esta afirmação (“Ela é, sim, coautora de alguns dos crimes praticados pelo marido”). Nem na denúncia existe tal afirmação. A peça apresenta apenas indícios. Nem a decisão que acolheu a denúncia ousou acusar, frontal e diretamente, a denunciada da prática dos crimes a respeito dos quais o Ministério Público apresentou indícios, início da prova. É muita coragem mesmo. Ainda mais exposta na internet. Coragem e inclemência.

  23. Vamos colocar ordem nos fatos:

    1. Cláudia Cruz NÃO foi acusada pelo Juiz Moro do crime tipificado no artigo 348 do Código Penal com a seguinte redação, espero que atualizada , já que nos foi oferecida por Dr. Béja:

    “Artigo 348 – Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade pública autor de crime a que é cominada pena de reclusão”

    Mas que , no seu parágrafo 2º acrescenta que :

    “Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena”.

    2. Não se trata disso.Cláudia Cunha também não está sendo acusada , pelo juiz federal Sérgio Moro, pelo crime cometido pelo marido de CORRUPÇÃO PASSIVA , mas de EVASÃO DE DIVISAS com a vigência do artigo 65, da Lei nº 9.069/95, e de LAVAGEM DE DINHEIRO, com penalidades previstas na Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998 e na Lei nº 12.683, de 9 de julho de 2012.

    3. Para os investigadores e o juiz , esta senhora “tinha plena consciência dos crimes que praticava e é a ÚNICA CONTROLADORA da conta em nome da offshore Köpek, na Suíça,inclusive com assinaturas e cópias de documentos pessoais e diversas descrições do perfil do cliente.Na documentação, consta que a conta foi aberta exclusivamente para alimentar cartões de crédito e que ela está vinculada às “contas mães” Orion e Triumph, off-shores que seriam igualmente controladas por Cunha.

    4.” Tal conta pagou as despesas de cartão de crédito de Cláudia Cunha , no exterior , em montante superior a US$1 milhão num prazo de sete anos (2008 a 2014), valor totalmente incompatível com os salários e o patrimônio lícito de seu marido”, disse o MPF.

    4. Uma das utilizações da conta Köpek, explicou ainda o MPF, era lavar dinheiro, ou seja , receber parte de uma propina de US$1,5 milhão que Cunha teria recebido por viabilizar a aquisição pela Petrobrás de 50% do bloco 4 de um campo de exploração de petróleo, na costa do Benin, na África, em 2011.

    5. Assim,o MPF identificou que os recursos da conta Köpek teriam sido utilizados, entre 20/01/2008 a 02/04/2015, para lavagem de dinheiro , ou seja, para realização despesas de cerca de US$ 1,08 milhão e de 8,9 mil libras. Cerca de US$ 526,76 mil teriam sido gastos através de faturas dos cartões de crédito vinculados à conta e que a propina foi usada para comprar artigos de grife, como bolsas, sapatos e roupas femininas tipo Chanel, Christian Dior, Charvet, Prada, Louis Vuitton, Hermès e Balenciaga, em Paris, Lisboa, Roma e Dubai.

    6. “Em última análise, há evidências de que Cláudia Cruz se beneficiou de recursos públicos que foram convertidos em bolsas de luxo, sapatos de grife e outros bens de uso privado” diz o MPF

    7.Tudo bem que ter conta do exterior é não é crime desde que ela seja declarada.Na 2ª parte do parágrafo único do art. 22 da Lei nº 7.492/86, o legislador pune o ato de quem mantiver (conservar, sustentar) depósitos no exterior não declarados à repartição federal competente, leia-se o Banco Central do Brasil, e não a Secretaria da Receita Federal, mesmo porque a não declaração de valores ao Fisco é tratada na Lei nº 8.137/90.Sucede que Cláudia Cruz também não declarou à Receita depósitos na sua conta secreta, em valores que ultrapassam os US$100 mil, entre 2009 e 2014.Da mesma forma ele é sócia de várias empresas do esposo.

    8. Na última semana, Cláudia Cruz prestou depoimento aos investigadores e admitiu que a abertura da conta secreta no exterior em seu nome foi sugerida por Cunha e que era o deputado que “autorizava” os seus gastos em lojas de luxo. Disse, ainda, que não tinha “conhecimento da origem do dinheiro” e, até mesmo, não ter “ideia de quanto ganha um deputado federal”.

    9. O juiz não restou convencido.

    “Aparente inconsistência dos gastos efetuados a partir da conta com os rendimentos lícitos do casal, aliada ao afirmado desinteresse dela em indagar a origem dos recursos, autorizam, pelo menos nessa fase preliminar de recebimento da denúncia, o reconhecimento de possível agir com dolo eventual ou com cegueira deliberada”, escreveu Moro.

    12. E é aqui que o Dr. Béja , como advogado de defesa , diverge do juiz acusador dizendo:

    “É perfeitamente compreensível que Cláudia nunca tenha indagado do marido de onde vinha o dinheiro que dele recebia.Isso poderia até ser motivo de desentendimento, por externar desconfiança. (…)
    Imputar à Cláudia Cruz ter ela agido “com cegueira deliberada” ou “por dolo eventual”, no afã de favorecer para que seu marido estivesse fora do alcance das autoridades judiciárias e judiciais é imputação muitíssimo danosa à honra da acusada, caso mais tarde a ação penal, que desde ontem Cláudia Cruz passou a ser ré, não venha ser, definitiva e irrecorridamente, julgada procedente. Será um dano irreparabilíssimo.É a pena da morte moral de qualquer pessoa de bem”

    Pergunto: o que deveriam ter feito os investigadores ? Ignorar que as propinas irrigaram a conta oculta DELA e que recursos ilícitos através do cartão de crédito DELA – que aliás tem um limite de 5 MILHÕES DE DÓLARES – eram assim lavados sob a forma de artigos de luxo para uso ELA?

    Claro que não . Os procuradores do ministério cumpriram com o seu DEVER DE OFÍCIO. Cabe a eles investigar e denunciar. Para isso são pagos.

    Não , não somos os juízes do caso. Sim , eu acho que diante de tanta roubalheira estamos tão indignados que terminamos condenando de véspera . Lava a alma senão a lama.

    MAS CLÁUDIA CRUZ AINDA NÃO FOI CONDENADA.

    O único juiz nessa história chama-se Sérgio Moro, também cumprindo com o seu dever, ao tornar Cláudia Cunha ré. Segundo a dele e a minha honesta e nada irada opinião.

    Ela será será julgada, dentro do devido processo legal, com direito à melhor das defesas ,dos mais renomados criminalistas deste país , por sinal. Se for condenada, não o será sem provas . Nada nos indica que Moro seja um Torquemada sádico, um torturador de mulheres indefesas, ou assassino de morais ilibadas.

    É compreensível da parte tanto da Lava Jato quanto da nossa supor , diante dos fatos dados e dos indícios apresentados e fundamentados na lógica , que Cláudia Cruz sabia da procedência criminosa do dinheiro sujo que lhe dava tão boa vida. É ingênuo acreditar que esta senhora jamais defendeu os seus próprios interesses e jamais se beneficiou conscientemente do butim para praticar consumismo desvairado simplesmente porque ela é mulher, é mãe , é esposa , é linda, e, ao que me consta, plenamente capaz de fazer escolhas mais inteligentes.

    Acho controverso que se acredite ser injusto e precipitado , da parte do juiz , acusar Cláudia Cruz e , bem assim , ser cruel da nossa parte, esperar pelo pior quando se trata de anões morais e quando se lida com bandidos de alta periculosidade.

    No mínimo, seria machismo da nossa parte subestimar a inteligência desta senhora , de uma profissional que trabalhou durante anos na Central Globo de jornalismo, em vez de considerá-la como um ser adulto e pensante.

    Que seja feita justiça. Por uma simples razão: como a corrupção MATA , aqueles sapatos foram pagos com sangue.

    • Porque ela saberia de onde vinha tanto dinheiro se ela já conheceu ele com um padrão de vida bem alto? E natural se gastar muito quando se tem muito,não tenho tanto quanto eles mas gasto bastante de acordo com o meu patrimonio,imagina o quanto ela pode e poderia gastar.
      Deve sim ser inocentada.

  24. Magistral a fala do nobre Moacir Pimentel. Sábias palavras. Concordo plenamente, ao mesmo tempo que o parabenizo pela lucidez.

    O juiz Moro apenas aceitou a denúncia. A “santa” Cruz poderá, agora – após denunciada – defender-se, como qualquer réu.

    Como o Dr. Béja acha que deveria proceder o MPF e o Moro, como diz o Pimentel? Que a participação da esposa do criminoso Cunha passasse ao largo de toda investigação? Como investigá-la se não fosse tornada ré?

    O Dr. Moro, nem nós, a condenamos. Estamos, creio que todos que escreveram contra a defesa do Dr. Béja, estupefatos com o radicalismo do Dr. Béja, que acha que ela sequer deveria ser investigada, apesar das frívolas declarações dadas em juízo e fora dele. Trata-se de uma defesa tão evasiva que ajuda a acusação, como tantas outras a que temos assistido no curso da Lava Jato.

    Quanto à antiguidade da obra do Dr. Damásio de Jesus, é fato. Pode ser que seja encontrada nos sebos a 2 ou 3 reais. O Brasil é assim.

    Já encontrei numa prateleira de uma loja de departamentos, há tempos, diversos CD’s do impecável João Carlos Martins interpretando Bach, por exatos R$ 1,99 – alguns CD’s duplos pelo mesmo preço – e mais um, diferente dos demais, todos sobre obras de Bach, em que o ilustre pianista executa uma dificílima transposição das Quatro Estações de Vivaldi para o piano. Tudo a menos de 2 reais.

    E, na mesma prateleira, havia CD’s do grupo “É o Tchan” por vinte reais! Triste Brasil, inculto, pobre, cheio de valores invertidos.

    Então, Dr. Béja, acredito que se encontre esse volume do grande Damásio de Jesus por essa ninharia ao lado de outro livro do Paulo Coelho por valores bem maiores. É o Brasil. Só que o meu volume, autografado pelo famoso criminalista, recheado de anotações pessoais que me são muito caras, eu não vendo. Para mim, não tem preço.

    Dou valor aos antigos. Possuo o “Tratado de Direito Privado” completo, 60 volumes, de autoria do nosso maior jurista pátrio, o eminente Pontes de Miranda, falecido na década de 70 do século passado. Muitos desses tomos também são autografados pelo autor. Não têm preço.

    A jurisprudência citada por Damásio não foi revogada. Foi ampliada, mas não alcança quem praticou crimes diversos do prescrito no art. 348 do CP.

    O que releva é que Cláudia Cruz não se enquadra nessa hipótese de isenção de pena. O crime supostamente praticado por ela não guarda qualquer semelhança com o previsto no citado artigo 348 do CP.

    Lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros ilícitos da espécie são crimes que dependem de crimes antecedentes, os quais, possivelmente, a Sr.ª Cruz não tenha praticado.

    O marido, sim, está nos crimes antecedentes e nos de lavagem. Ela, pessoalmente, não recebeu dinheiro sujo, a não ser o que o próprio Cunha passou para ela. Podemos supor, se inundados de boa vontade, que ela não sabia da origem do dinheiro. Então, ela estaria fora do crime antecedente, de receber dinheiro sujo.

    Mas o Dr. Moro tem provas suficientes, como relatado pelo Moacir Pimentel, de que ajudou, foi coautora, do crime de lavagem de dinheiro.

    A não ser que fosse inimputável, por alguma deficiência mental, não por força do art. 348, § 2º, do CP, jamais pode ser isenta de pena, se confirmada a participação dela nesses crimes, o que parece óbvio, diante das provas já arroladas.

    Brevemente, a veremos na colaboração premiada, afinal, não vai querer desfrutar da pena máxima atribuível a esses crimes no cenário prisional brasileiro, sem direito aos supérfluos que tanto aprecia.

    Por que desestabilizar a atuação segura de um juiz que tem, sim, lavado nossa alma?

    Mas, para quem acha que “É consequência natural de tantos anos de trabalho que Eduardo Cunha e sua esposa acumulem expressiva reserva financeira. E é perfeitamente compreensível que Cláudia nunca tenha indagado do marido de onde vinha o dinheiro que dele recebia”, tudo é possível

    Uns lavam dinheiro, outros lavam a nossa alma.
    Mais uma vez, parabéns Moacir.

  25. Apenas uma observação adicional, dirigida ao caro Moacir Pimentel.
    A redação do art. 348 do CP, trazida pelo Dr. Béja, está atualizada, sim. Esse dispositivo, aliás, nunca sofreu alteração, desde a publicação da veneranda lei.
    Boa noite.

  26. Oigres Martinelli e Moacir Pimentel — caso não venham mais comentários — fecharam com chave de ouro o debate a respeito da situação da jornalista Cláudia Cruz. Creio que artigo e comentários, de Martinelli, Pimentel e de todos, abordaram adequadamente a questão.

    A obra de Damásio de Jesus, mesmo antiga, é uma relíquia para ser guardada para sempre, ainda mais porque autografada pelo famoso e respeitabilíssimo criminalista, como nos informa Oigres Martinelli. O leitor Tamberlini, neste e no outro artigo sobre a situação da jornalista Cláudia Cruz, insiste em saber se Cláudia e seu marido Eduardo faziam Declaração do Imposto de Renda conjuntamente. Ou se cada um fazia a sua. Não sei responder. Talvez nossos leitores também não saibam. Mas seria oportuno esclarecer qual a diferença entre declaração conjunta ou separada. E se ainda hoje a RFB aceita declaração conjunta, no caso, de marido e mulher. Se Oigres e Pimentel (ou outro leitor) souberem, digam-nos. Muitos e muitos anos atrás aqui em casa a declaração era conjunta. Me recordo que um dia o contador nos informou que doravante deveriam ser separadas.
    Considerando que o leitor Tamberlini insiste nessa informação que para ele é importante, vamos atendê-lo. Se souberem, digam-nos, por favor.
    Por fim, registro que obras de Damásio de Jesus, Heleno Fragoso, Eliéser Rosa….mesmo antigas por preço irrisório (quase de graça) e partituras de Chopin, Mozart, Liszt…e CD’s de Artur Moreira Lima, João Carlos Martins, Magdalena Tagliaferro, Edson Elias, Antonio Guedes Barbosa, Jacques Klein, Arnaldo Estrela e tantos outros, também por preço irrisório é mesmo o triste, mas real retrato deste nosso Brasil.

  27. Qual a mulher que pergunta pro marido quanto pode gastarquando,se tem um marido com altos recursos financeiros?eu nao tenho os recursos financeiros deles mas nunca pergunto so meu marido qual o meu limite.
    Espero que ela seja inocentada.

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