Clima em todo o governo federal é de consternação

Charge do Amarildo, reprodução do Blog do Noblat

Vicente Nunes
Correio Braziliense

A presidente Dilma Rousseff está vendo seu governo ruir sem qualquer capacidade de reação. O pedido do Ministério Público de prisão preventiva do ex-presidente Lula, ao qual a petista tentou se agarrar nos últimos dias em busca de sobrevivência, foi um golpe tão forte que, mesmo entre os mais sinceros aliados, já se admite a possibilidade de ela não terminar o mandato.

O clima em toda a Esplanada dos Ministérios é de consternação. A cada dia, aumenta o grupo de auxiliares da presidente que reconhecem que a Operação Lava-Jato pode, sim, derrubar o governo, seja pelo impeachment, seja pelo processo que tramita do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), seja pela renúncia. Enquanto o envolvimento de Lula nas investigações de corrupção na Petrobras estava na base das suspeitas, o Planalto se sentia mais confortável para tentar sair do imobilismo. Mas com o criador de Dilma podendo ir para a cadeia, a crise política se instalou de vez no gabinete presidencial — e num grau sem precedentes.

O entendimento é de que, se Dilma já estava completamente isolada, sem base política para tirar as cordas do pescoço, agora, será difícil esperar qualquer movimento que possa dar esperança de descolamento da crise, e não será a nomeação de Lula que mudará esse quadro. Com isso, a economia tende a afundar de vez. Para o empresariado, não há como atuar num ambiente de negócios tão confuso, em que não se sabe se o atual governo conseguirá chegar ao fim do mandato, quem seria o potencial sucessor de Dilma e que medidas poderiam ser adotadas para a retomada da confiança.

RISCO DE CAOS SOCIAL

Os agentes econômicos alertam, ainda, para o risco de caos social. Está claro que, com Lula no centro da Lava Jato, o país, que já vivia um clima de confronto ideológico, se dividiu por completo. Nesse quadro, não há qualquer perspectiva de avanço de medidas no Congresso para desanuviar o horizonte. “Chegamos a um momento em que basta apertar um botão para mergulharmos numa convulsão social. Estamos no pior dos mundos para aqueles que querem produzir, empregar e gerar renda”, ressalta o presidente de uma das maiores empresas do país.

A situação está tão fora da ordem no Brasil, que o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, foi desautorizado pelo presidente do PT, Rui Falcão, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Na tentativa de passar o mínimo de credibilidade, o ministro aproveitou a cerimônia de 30 anos do Tesouro Nacional para defender a necessidade de reforma da Previdência Social. Mas, pouco depois, em São Paulo, teve que ouvir de Falcão que a reforma estava fora de qualquer cogitação. O encontro de Barbosa, do petista e de Lula, por sinal, sequer estava na agenda oficial do ministro, apesar de a Fazenda alegar que a conversa estava marcada havia um mês.

FRITURA DE BARBOSA

Barbosa está sofrendo com o PT o mesmo que o seu antecessor, Joaquim Levy. Todas as vezes que alguma medida de ajuste fiscal era apresentada, o partido gritava, sob o argumento de que prejudicaria os trabalhadores. Esses ataques, ressalte-se, tinham o aval de Barbosa, que sonhava assumir o comando da Fazenda. O PT precisa entender, contudo, que o ajuste fiscal em nada prejudica a população. Muito pelo contrário. Foi a desarrumação das contas públicas durante o governo Dilma que provocou a maior crise econômica do país em mais de três décadas, trazendo de volta a inflação, que maltrata, sobretudo, os mais pobres, e o desemprego, que, neste ano, pode chegar a 14%.

A fragilidade de Barbosa é reflexo do descalabro a que o país chegou. O governo se tornou uma miragem. A presidente Dilma só pensa em salvar a própria pele. Quase nada está sendo feito para reverter a gravíssima recessão e recompor as forças políticas. Apostando no pior, o mercado financeiro, espertamente, tenta tirar proveito, ao puxar a bolsa de valores para cima e derrubar o dólar. Sem reação, cabe ao lado mais frágil da moeda, a população, colher os imensos prejuízos.

6 thoughts on “Clima em todo o governo federal é de consternação

  1. Não tem cabimento arrancar ainda mais direitos dos trabalhadores.

    Ajuste fiscal não se faz acabando com previdencia, salario minimo, direitos trabalhistas.

    Louco é o trabalhador que é ludibriado contra seus interesses.

    O buraco orçamentário é mais em cima.

  2. CRISE POLÍTICA
    Teori Zavascki homologa delação de Delcídio Amaral
    Estadão Estadão
    Isadora Peron e Gustavo Aguiar
    59 minutos atrás

    Teori Zavascki não aceitou pedido da Procuradoria© Fornecido por Estadão Teori Zavascki não aceitou pedido da Procuradoria

    O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta terça-feira, 15, a delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS).

    O ex-líder do governo firmou o acordo com a Procuradoria-Geral da República para colaborar com as investigações e fez acusações contra a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Delcídio deixou a prisão em 19 de fevereiro, após ter ficado quase três meses na cadeia acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Parte do conteúdo da deleção, mantida em sigilo, foi revelada pela revista IstoÉ no último dia 3.

    À PGR, o senador petista acusou Dilma de interferir no Judiciário para tentar barrar as investigações do esquema de corrupção que atuava na Petrobrás. Segundo ele, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marcelo Navarro foi nomeado após ter se comprometido a votar pela soltura de empreiteiros presos Lava Jato.

    Na delação, Delcídio também afirma Dilma sabia do superfaturamento na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Na época, a petista era presidente do Conselho de Administração da Petrobrás.

    Sobre Lula, o senador disse que o partiu do ex-presidente a ordem para que ele tentasse convencer o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, preso na Lava Jato, a não implicar José Carlos Bumlai numa eventual delação premiada. Delcídio foi preso ao ser gravado pelo filho de Cerveró promete.

    No acordo, o ex-líder do governo no Senado também cita irregularidades envolvendo parte da bancada do PMDB na Casa, além de representantes da oposição, como o senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG). No caso dos peemedebistas, os nomes mencionados foram do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e de seu grupo mais próximo formado pelos senadores Romero Jucá (RR), Edison Lobão (MA), Jader Barbalho (PA), Eunício Oliveira (CE) e Valdir Raupp (RR).

  3. Só um governo corrupto e podre para receber uma figura como Lulla.
    No fundo, são os irmãos recebendo o chefe, o líder, o “cara” de pau!
    É preciso que estejam todos juntos, na hora em que a prisão ocorrer.
    Ontem, petistas se gabavam de serem justiceiros. Hoje, fogem da justiça. E não foi nenhuma praga da direita que produziu tamanha mudança. São vigaristas mesmo!
    De caçadores a caçados. Petistas lambuzados, enlameados, sujos de tanta falta de vergonha.
    É preciso prender todos, se possível juntos, misturados.

  4. Mercadante ameaça Delcidio. Coisa de quadrilha.
    “”Eu tô te chamando aqui para dizer o seguinte: eu serei solidário ao Delcídio. Eu gosto do Delcidio, eu acho ele um cara muito competente, muito habilidoso, foi fundamental para o governo… (…) Eu vi o que estão fazendo com as filhas dele. Uma canalhice monumental. Imagino o desespero dele. Então você veja o que ele precisa que eu posso ajudar.’ O ministro aconselha o assessor a dizer para Delcidio seguir em silêncio para ‘não ser um agente que desestabilize tudo’. Chega a fazer uma ameaça velada, caso o petista revele os podres do governo: ‘Vai sobrar uma responsabilidade pra ele monumental, entendeu?’.”

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