CNN denunciou em 2012 o plano dos EUA de usar armas químicas e culpar Assad

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Daily Mail confirmou a denúncia original da CNN

Carlos Newton

Em 9 de dezembro de 2012, a rede de TV CNN revelou que os Estados Unidos e seus aliados europeus estavam treinando rebeldes sírios a operar armas químicas contra o regime de Bashar Al Assad. Transmitida no programa CNN Sunday, a reveladora reportagem foi transcrita no portal da emissora pela repórter Elise Labott, que atribuiu a denúncia a fontes oficiais das Forças Armadas e da Secretaria de Estado dos EUA, acrescentando que o esquema de uso de armas ilegais estava sendo feito sob responsabilidade de aliados europeus.

“O treinamento [em armas químicas], que está sendo realizado na Jordânia e na Turquia, envolve como monitorar e proteger estoques de matérias-primas e manusear depósitos e materiais com armas, de acordo com as fontes. Alguns dos especialistas estão em território sírio atuando com os rebeldes para monitorar alguns dos locais, segundo um dos responsáveis. (…) A nacionalidade dos treinadores não foi revelada, embora os responsáveis descartem a hipótese de serem todos americanos”, assinalou a matéria da CNN.

CONFIRMAÇÕES – Algumas semanas depois, em 29 de janeiro de 2013, o jornal londrino Daily Mail confirmou a existência de um projeto anglo-americano endossado pela Casa Branca (com a assistência do Qatar) para efetuar um ataque com armas químicas na Síria e atribuir a culpa ao governo de Bashar Al Assad. Assinado pela repórter Louise Boyle, o artigo já dizia tudo no título: “EUA apoiam plano para lançar um ataque com armas químicas na Síria e culpar o regime de Assad”. No entanto, logo após publicada, a importante denúncia foi removida do portal Mail Online.

Em 8 de maio de 2013, o plano dos países aliados foi novamente destaque, desta vez no site Global Research, em reportagem de Michel Chossudosvsky. “O esquema estabelecido pelo Pentágono em 2012 consistiu em equipar e treinar rebeldes da al-Qaeda na utilização de armas químicas, com o apoio de empresas mercenárias contratadas pelo Pentágono, e a seguir sustentar que o governo da Síria era responsável por utilizar as ADM (armas químicas) contra o povo sírio”, afirmou o jornalista.

E OBAMA AMEAÇAVA… – Em seu premonitório artigo, Chossudosvsky assinalou a contradição que se verificava entre teoria e prática napolítica externa americana, então conduzida por Barack Obama e a secretária Hillary Clinton:

“Enquanto o presidente Obama declara que ‘você será responsabilizado’ se ‘você’ (referindo-se ao governo sírio) ‘utilizar armas químicas”, o que é contemplado como parte desta operação encoberta é a posse de armas químicas pelos terroristas patrocinados pelos EUA-OTAN, nomeadamente ‘pelos nossos’ operacionais filiados à Al-Qaeda, incluindo a Frente Al Nusra, a qual constitui o mais eficaz grupo combatente financiado e treinado pelo ocidente, em grande parte integrado por mercenários estrangeiros. Numa distorção amarga, Jabhat al-Nusra, um ‘ativo de inteligência’ patrocinado pelos EUA, foi colocado recentemente na lista de organizações terroristas do Departamento de Estado”.

E poucos meses depois, em 19 de setembro de 2013, a jornalista Barbara Starr, correspondente da CNN no Pentágono também confirmou a denúncia original de Elise Laboot, afirmando que realmente estava em curso o treinamento de rebeldes sírios.

TEXTO PREMONITÓRIO – Em sua reportagem de maio de 2013, Chossudosvsky fazia uma afirmação verdadeiramente premonitória, ao assinalar: “O que está a desdobrar-se é um cenário diabólico – o qual é uma parte integral do planejamento militar –, nomeadamente uma situação em que terroristas rebeldes, treinados por empresas militares privadas, estão realmente na posse de armas químicas”, escreveu, acrescentando:

“A fase seguinte deste cenário diabólico é que as armas químicas, nas mãos de operacionais da al-Qaeda, serão utilizadas contra civis, o que potencialmente poderia levar toda uma nação a um desastre humanitário”.

Não há novidade nesse comportamento imperialista, desumano e bárbaro adotado pelo governo dos Estados Unidos, no qual Donald Trump é apenas um detalhe, tipo rainha da Inglaterra, que reina, mas não governa. Quem lançou bombas atômicos sobre um Japão já derrotado e depois queimou crianças e velhos vietnamitas com napalm, certamente não hesitaria em matar mais algumas crianças na Síria. Ou há alguma diferença?

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PS –
O mais triste e decepcionante é saber que a CNN e o Daily Mail, desprezando as importantes denúncias que publicaram, agora estão acusando Bashar Al Assad de matar seu próprio povo. E ainda chamam isso de jornalismo… Na redação deste artigo, foram utilizadas informações enviadas à Tribuna da Internet por Sergio Caldieri, um jornalista de verdade, com base em notícias publicadas nos sites Resistir e Pátria Latina. (C.N.)

6 thoughts on “CNN denunciou em 2012 o plano dos EUA de usar armas químicas e culpar Assad

  1. Com a mídia do mundo dominada, os EUA pode cometer qualquer violência contra nações belicamente frágil, que a propaganda da mídia subserviente, se encarregará de distorcer a verdade e fazer com que acreditem que os EUA estavam certos.
    O terrorismo do estado Islâmico é pinto perto dos EUA.

    • A Qaeda e o Estado Islâmico. Não se trata aqui de defender Assad, mas de rejeitar o cinismo dos americanos e seus aliados europeus. Quem está matando os iraquianos, numa guerra idêntica em todos os padrões, na qual os americanos são aliados do governo de bagá? Os ‘rebeldes’ iraquianos são maus porque os americanos apoiam o governo local, enquanto os da Síria são bons porque os americanos não gostam de Assad?

  2. Me criei vendo e lendo as mentiras e sujeiras feitas mundo a fora, pelo Governo dos EEUU. Mais uma não será novidade nenhuma. Quem não lembra das crianças ( destas o Governo Americano não teve pena nenhuma ) vietnamitas correndo em chamas, após sua pobre aldeia ser atacada por bombas da napalm lançadas por esta gente. Crimes de guerra, sim, são especialidade americana.

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