Codevasf burla licitação, tem obra suspensa e vira alvo do TCU por manobrar emendas

Concurso Codevasf: companhia poderá ter atuação ampliada

Codevasf se tornou uma manancial de tráfico de influência

Mateus Vargas e Flávio Ferreira
Folha

Processo em curso no TCU (Tribunal de Contas da União) aponta que a estatal federal Codevasf burlou uma licitação para realizar obras de pavimentação de R$ 25 milhões no Distrito Federal aproveitando-se de manobra que levou ao afrouxamento das regras de concorrências no governo Jair Bolsonaro (PL).

A estratégia da Codevasf, revelada pela Folha, é a de considerar serviços de pavimentação como trabalhos de engenharia simples, que podem ser cotados por metro quadrado tendo por base modelos fictícios de vias. O mecanismo empregado para asfaltamento conta com aval do próprio TCU.

MANOBRA ILEGAL – Porém, no caso do DF, a área técnica do tribunal de contas apontou que a Codevasf adotou esse modelo simplificado de maneira ilegal, uma vez que as obras são complexas e têm ligação com um anel viário regional. O TCU então mandou suspender provisoriamente a execução dos contratos.

A medida reforça os indícios de que a estatal aproveita a manobra da flexibilização das licitações para dar vazão aos valores de emendas parlamentares, deixando em segundo plano o planejamento e a fiscalização das obras. A Codevasf foi entregue por Bolsonaro a partidos do centrão em troca de apoio político no Congresso.

A decisão preliminar do TCU que suspendeu as obras no DF foi tomada no fim de abril, após a Folha publicar uma série de reportagens que mostrou o aumento de 240% no uso do modelo afrouxado de concorrência em 2021, o descontrole administrativo que abrange R$ 4 bilhões e a participação de apenas uma empresa ou o uso de firma de fachada em muitos pregões.

IRREGULARIDADES – Os serviços suspensos são de asfaltamento de ruas de acesso a quatro escolas públicas da capital federal, localizadas de 40 km a 60 km do Palácio do Planalto.

Os auditores do TCU ainda dizem que há risco de pagamentos indevidos por estudos que já tinham sido feitos pelo DER (departamento de vias) do Distrito Federal.

Eles também afirmam que a Codevasf apresentou no processo de contratação alguns dados diferentes daqueles que seriam de fato exigidos para a obra. A maior discrepância, considerada grave pelos técnicos, é que a licitação considerou um pavimento com espessura de 3 cm, mas o projeto requer uma espessura de 9,5 cm.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nota-se a importância da imprensa livre, porque a voracidade dos corruptos é insaciável. E uma pergunta não quer calar: Por que a Companhia de Desenvolvimento do Vale do Rio São Francisco destina verbas do orçamento paralelo a Brasília, que nada tem a ver com o Velho Chico? (C.N.)

4 thoughts on “Codevasf burla licitação, tem obra suspensa e vira alvo do TCU por manobrar emendas

  1. Por que? Porque elementos do quilate de bozo e lula comandam o congresso e o judiciário. Enquanto estivermos nas mãos de gilmares, liras, bozos, lulas e assemelhados, não tem perigo de melhorar.

  2. CN, meu caro. Concordo contigo sobre a inexplicável ampliação da área de atuação da Codevasf (feita pelo parlamento, com a anuência do executivo). Porém, quem destina a verba é o Congresso, não a companhia, tá ok?

  3. A empresa que executou o projeto de saneamento com instalação de tubulações entre outros itens e cortou várias ruas (Km’s) após a conclusão da obra e o consequente refazimento do asfalto, o mesmo dura até hoje, mais de dois anos após as obras.
    Paralelamente, todo ano tem a recomposição/operação inverno/operação “tapa-buraco” aqui em Jaboatão dos Guararapes/PE. Misteriosamente, após a primeira chuva, todos os buracos renascem como se fossem sementes esperando a água para desabrocharem. É um verdadeiro Inferno e dói ver os carros caindo nos buracos e destruindo suas suspensões/amortecedores.
    Ou muita incompetência ou corrupção mesmo.

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