Colocar toda a culpa na taxa de câmbio é cortejar a desindustrialização

Wilson Baptista Junior

“Para a ortodoxia neoliberal, o culpado é o velho custo Brasil, é a infraestrutura insuficiente, são os impostos altos demais, é a oneração excessiva da folha de salários com direitos trabalhistas. E qual é a solução neoliberal? Resolver esses problemas. Ou seja, nada fazer além do que já está sendo feito, porque esses são problemas antigos e permanentes que todos os governos procuram resolver. Não são fatos novos que são necessários para explicar um fato novo: a desindustrialização”, foi afirmado aqui no Blog da Tribuna.

Não concordo com a frase “que todos os governos procuram resolver”. Porque, quando se fala do nível de “equilíbrio industrial” da taxa de câmbio presume-se um nível de equilíbrio calculado entre a competitividade existente da indústria brasileira e a competitividade dos demais países.

Nossa competitividade que é baixa em função exatamente do “velho custo Brasil”, o qual os nossos governos, ao contrário do que foi dito, não têm procurado resolver, porque não colocam como prioritário investir na infraestrutura terrívelmente inadequada, nem em reduzir o alto custo monetário e a perda de tempo da burocracia, nem em investir eficientemente na melhoria da educação do povo, nem em investir em pesquisa e tecnologia (ao contrário, reduz os investimentos), nem em diminuir os custos (custos, não investimentos) e desperdícios da máquina governamental e legislativa para que sobre dinheiro para estes investimentos e para reduzir a carga tributária.

Colocar toda a culpa na taxa de câmbio e querer que ela compense a falta de competitividade, num regime de câmbio flutuante, ao invés de trabalhar eficientemente para aumentar de modo real esta competitividade, é o que se chama de “wishful thinking”.

Adotar medidas protecionistas para que nossos produtos vendam mais no mercado interno protegido, sem dar a eles condições de ir competir nos mercados lá de fora, enquanto se tenta forçar o aumento do consumo ampliando a disponibilidade de crédito ao consumidor, num país que tem ao mesmo tempo as mais altas taxas reais de juros para os consumidores e a mais alta rentabilidade dos bancos de que se tem notícia, isso é cortejar o desastre da desindustrialização. Pensem nisso.

 

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