Com a saída do Afeganistão, em 2014, Obama parte para 2012

Pedro do Coutto

A correspondente da Folha de São Paulo em Washington, Andréa Murta, publicou reportagem – aliás excelente –  revelando que o governo Barack Obama traçou um esquema militar, mas também duplamente político, para a retirada, até 2014, dos cem mil homens que as forças armadas norte-americanas mantêm hoje no Afeganistão. A situação é crítica. O combate ao terror, ao Talibã, a soldados ocultos nas montanhas junto a precipícios, tem sido dos mais difíceis, a exemplo do que aconteceu no Iraque.

São exemplos mais recentes de invasões destinadas ao fracasso, pois os inimigos têm o apoio e o acobertamento das populações locais. Estas fazem descer sombras sobre os combatentes. Não se pode matar a torto e a direito. Recuando-se um pouco mais no tempo vamos encontrar na memória o episódio da guerra da Coreia e a derrota nos pântanos do Vietnam, sudeste asiático.

São, em conjunto, quatro impasses enormes e apavorantes sobretudo porque em seu rastro deixaram dezenas de milhares de americanos mortos, outros tantos mutilados e com doenças mentais graves. Dos lados opostos, centenas de milhares de mortos, milhões de feridos. Rastros sinistros de ódio, para aproveitar o título do clássico de John Ford. Tudo isso para não se resolver nada que não pudesse ser solucionado à base da política, num confronto  da inteligência, porém sem sangue e destruição. No meio das guerras, a indústria de armas, portanto a indústria da morte. O complexo industrial militar denunciado por Eisenhower que, eleito em 52 para a Casa Branca, terminou com a guerra da Coreia em 53.

Nos casos da Coreia e do Vietnã, a antiga União Soviética e a China de Pequim sustentaram a resistência aos bombardeios e forneceram armas e treinamento. Assim enfrentavam os EUA na guerra entre as superpotências, fazendo colidir as duas principais antagonistas, com a China começando a emergir. Hoje, uma outra realidade se apresenta. Não existe mais o conflito ideológico, a URSS desapareceu, no seu lugar a Rússia semicapitalista, a China com sua economia aberta ao mercado internacional, incorporando a livre iniciativa a seu processo econômico.

A China passou o Japão na escala produtiva mundial, alcançando um PIB de 4,5 trilhões de dólares, superando o do seu principal concorrente por margem de apenas 100 bilhões (de dólares) . Mas com ao longo dos últimos cen anos, nunca houve um dia sequer de paz completa na face da Terra, surgiram os conflitos do Iraque e Afeganistão. Começaram com o incêndio, pelo Iraque, dos poços de petróleo do Kuwait. Prosseguiram com o governo de Cabul não contendo e aceitando o Talibã. Para caçar Bin Laden, os EUA invadiram o Afeganistão. Iniciaram a saída de Bagdad este ano, vão se retirar de Cabul até 2014.

Com isso, Obama detona a arrancada rumo às urnas de 2012, quando busca a reeleição contra um adversário que ainda não possui nem face, nem alma. O presidente sabe que as convocações militares não têm respaldo na esmagadora maioria da opinião pública. Assim vai ao encontro do eleitorado. O Partido Democrata, sua legenda, perdeu disparado as eleições de novembro para a Câmara dos Representantes. Mas isso antecipa o desfecho de daqui a dois anos. Havia muitas faces Republicanas em confronto com os Democratas nos 50 estados.

Em 2012, é diferente. Serão somente duas. Barack de um lado, e de outro qual adversário? Sarah Palin? Não poderia haver melhor adversária para assegurar a permanência do atual presidente na Casa Branca. Até lá o eleitorado esquece um pouco o aumento de impostos para a universalização da saúde. Mas esta é outra questão. O fato agora, é que Obama partiu para um novo mandato. O movimento está nas ruas.

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