Com declarações de amor para lá e para cá, o primeiro escalão do governo fica em ritmo de Roberto Carlos, cheio de emoções.

Carlos Newton

Era só o que faltava. Depois da declaração de amor do ainda ministro Carlos Lupi (“Eu te amo”), apareceu outro pretendente ao coração da presidente da República, que ninguém sabe a quem pertence. Embora seja casado com a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, o ministro da Comunicação, Paulo Bernardo, disse que também declararia seu amor a Dilma…

A romãntica promiscuidade faz lembrar o célebre poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, que dizia: “João amava Teresa/ que amava Raimundo/ que amava Maria/ que amava Joaquim/ que amava Lili/ que não amava ninguém./ João foi para os Estados Unidos,/ Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre,/ Maria ficou para tia,/ Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes/ que não tinha entrado na história”.

Depois, o poema foi adaptado por Chico Buarque na canção “Flor da Idade”, e ficou assim: “Carlos amava Dora/ que amava Pedro/ que amava tanto/ que amava a filha/ que amava Carlos/ que amava Dora/ que amava toda a quadrilha”.

A respeito desses amores em sequencia, lembro que dia 9 de julho, um destacado colunista de O Globo, Jorge Bastos Moreno, bem-informadíssimo sobre os bastidores políticos de Brasília, publicou uma nota, em linguagem mais ou menos cifrada, a respeito do misterioso sumiço de Dilma Rousseff, durante cinco horas, no Rio de Janeiro, na semana anterior. Sob o título “O desaparecimento da presidente Dilma”, a nota era do seguinte teor:

“O amor verdadeiro é o maior antídoto contra intriga. Onde existe amor, não há desconfiança.

Na última quarta-feira, depois de uma visita oficial ao Rio, a presidente Dilma simplesmente desapareceu. Avisou aos ministros da sua comitiva, já dentro da base aérea do Galeão:
“Me esperem aqui. Vou ali e volto já”.

Dilma só reapareceu para o embarque cinco horas depois.
Perguntem-me se, na volta, alguém teve a coragem de perguntar o que ela esteve fazendo nesse tempo todo.

Durante cinco horas, Dilma esteve reunida, em algum lugar da cidade, com Lula.


Vejam que gracinha: Lula estava na base aérea de São Paulo, onde teria uma conversa com a presidente. Quando soube que Dilma se atrasara na cerimônia do Rio, resolveu esperá-la na base aérea do Rio e, assim, evitar seu deslocamento.


– Presidente da República é Dilma. Eu, que não sou mais nada, é que tenho que ir ao encontro dela – ponderou Lula ao cerimonial do Palácio.


Mesmo com uma baita crise sobre as costas, Dilma voltou a Brasília tão feliz, mas tão feliz, que até parecia ter visto um passarinho azul.


E viu!”

Portanto, com tantas demonstrações de amor envolvendo o primeiro escalão do governo, é impossível que não fiquemos sensibilizados. O amor realmente é lindo. E o poder apaixona.

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